à procura da felicidade (the pursuit of happiness, usa 2006) –não é só o brasileiroquenão desiste nunca. O norte-americano afro-descendente também, comomostra essa históriacom Will Smith, que é a própriaLei de Murphy elevada à décimapotência. Poisbem, esse é o tipo do filmedifícil de comentarsemque se revele toda a tramaàquelesqueaindanão o assistiram. Mas, vamos lá: Smith interpreta Chris Gardner, umvendedor de equipamentosmédicosque sofreu o que se pode chamar de uma catástrofequasetotal: foi abandonado pelamulher, perdeu tudo o quetinha e chegou a vivercomosem-teto, com o filhopequeno, enquanto enfrentava umperíodo de testes numa empresa de corretagemfinanceira. O filme se caracteriza por uma decência e honestidadequenão tem nada de comum ao gênerodos “feel-good movies”, nosquais o protagonista sofre ao extremo, para, depois, encontrar uma saídagloriosaparaseusproblemas, de formaqueninguém deixe o cinema deprimido. Direção de Gabriele Muccino.
nuncate vi, semprete amei (84 charing cross road, usa 1987) – repleto de delicadezas, o filmeainda é uma jóiarara de inspiração poética. A relaçãoepistolarentre os personagens de Anne Bancroft (17 de setembro de 1931 – 06 de junho de 2005) e Anthony Hopkins (31 de dezembro de 1937) – elaemNova York, eleem Londres – sustenta essa históriaemocionante. Atençãopara o lindopoema de Yeats que o personagem de Hopkins diz paratentartraduzir a saudade e o sentimento. Direção de David Hugh Jones.
eu sou a lenda (i am legend, usa 2007) – refilmagem de A ÚltimaEsperança da Terra, de 1973, com Charlton Heston, uma pequenajóia da ficçãocientífica. Aqui, Will Smith é Robert Neville o únicoserhumano a ter sobrevivido inalterado a uma epidemia deflagrada porumvírus modificado para o tratamento do câncer. Os que sobreviveram viraram uma espécie de vampirosmutantesquenão toleram a luz do sol. Portanto, durante o dia, Neville está completamentesó, comseucãoSam, nas abandonadas ruas de Manhattan. É exatamenteaíque Smith demonstra serumator de respeito e competência, ao gerarsozinhotoda a açãodramática. Atéqueencontra a personagem de Alice Braga, tambémsobrevivente e imune. Muitobom.
sexo, amor e traição (brasil, 2004) – de Jorge Fernando. O Rio de Janeiro continua lindo, masque povinho, hein? Se estefilmetinhacomointençãoretratar as relaçõesentre os casaismodernos, a conclusãomaisóbvia é que retrocedemos a algumpontobemantes da pré-história. As mulheres, no filme, são fúteis e os homens, meuDeus, são verdadeiros imbecis. Se isso representa a raçahumana do sexomasculino, registroaqui o meuprotesto. O elenco, global, é fraco, à exceção de Malu Mader: Murilo Benício, Caco Ciocler e Fábio Assunção, cheio de tiques, comosempre. A bela Alessandra Negrini faz valer a pena essa produçãocomcheiro de Leblon, carpintaria de novela e sem inteligência alguma.
anjos da vida, maisbravosque o mar (the guardian, usa 2006) – de Andrew Davis. Ben (Kevin Costner, 18 de janeiro de 1955) é um dos mergulhadores de resgatemaisfamosos do país. Depois de umsalvamento no qualseuamigo morre, ele é designado paratreinarumgrupo de jovens na Louisiana. Um dos jovens, Jake (Ashton Kutcher, 07 de fevereiro de 1978), de temperamentodifícil e comaresarrogantes, bate logo de frentecomele. A partir daí, o filme segue a velhafórmula do jovemrebeldeque acaba aprendendo os valoresmaisaltoscom o veterano, até o final previsível. Umpoucolongodemais. Boa atuação de Costner.
cloverfield, o monstro (cloverfield, usa 2007) –gosto de filmes de monstros, principalmentequandoeles destroem cidadessem a mínimacerimônia. Mas, esse foi um equivoco. Bem, aqui, Nova York é atacadaporummonstrogigantesco e a história é contada a partir do ponto de vista de umcinegrafistaamador e de grupo de jovens descerebrados, durante a tentativa de escapar da destruição da cidade. Os efeitosespeciaissãobons, especialmente o quemostra a cabeça da Estátua da Liberdade rolando no meio da rua. No entanto, nemmesmoisso justifica o supostointeresseque uma históriasemexplicaçãopoderiater.
empedaços (going to pieces: the rise and the fall of the slasher films, usa, 2006) –documentáriosobre a história do cinemaamericano de terror. Pordécadas, os fãs do terror vem-se encantando comhistórias de terríveisassassinosque assediam uma presaindefesa. Estedocumentáriopasseiaporclássicos do gênero slasher como"Psicose", "Halloween", "Sexta-Feira 13" e outros.
ben hur (ben hur, usa 1959) – logo no início, o diálogoentre Ben-Hur e Messala, quando os dois se reencontram, já estabelece a tensãoentre os doispersonagens: as falassão carregadas de simbolismo e indicam a rupturadramática da relação dos dois. Extraordináriaatuação de Charlton Heston (04 de outubro de 1924) e de Stephen Boyd (04 de julho de 1931 – 02 de junho de 1977). Há de se registrar a produçãoimpecável dos figurinos ao cenário, além da músicagrandiloqüente. Tudoisso ajudou a MGM sair do prejuízo. Claroque, sobcertoaspecto, Ben-Hur é umdramalhãocompilaresépicos e religiosos, meio over para os padrões de hoje. No entanto, ainda impressiona muito a seqüência da corrida de bigas, comseucódigocromáticoevidente: cavalosbrancospara Ben-Hur e os pretospara Messala. Muitomelhor do quequalquercorrida de fórmula 1. De fato, uma cenaparaficarparasempre. Aindaimpressionante o diálogofinalentre Ben-Hur e Messala. Os extras do DVD sãoexcelentes. Atençãopara o documentáriosobre a produção, no qual Gore Vidal declara que sugeriu a Wyler o prévio relacionamento romântico entre os protagonistas.
firefox (firefox, usa 1982) – de Clint Eastwood. Clint, aqui, é umpiloto aposentado que é chamado de voltapelogovernoamericanopararecuperar dos russos umavião sofisticadíssimo, quesóele é capaz de pilotar. O filmecomeçabem, mas fica meiochato no seuterçofinal. Os efeitosespeciaisque mostram o aviãosãofracos. Não é umgrandefilme de Clint. A Guerra Fria já está perdida no tempo e não oferece mais interesse ao espectador de hoje.
barrabás (barabba, usa 1961) – de Richard Fleischer. Highlander de Jerusalém. Barrabás (Anthony Quinn, 21 de abril de 1915, México – 03 de junho de 2001) é absolvido e Jesus Cristo é crucificado emseulugar. Elenão entende o porquê de ter sido escolhido paracontinuar a viver e enfrentar as mais difíceis situações. Produçãograndiosa, comatuaçõesbemteatrais, como acontecia comessesfilmes bíblicos nessa época. Atençãopara a performance canastrona de Jack Palance, como o cruelgeneral Torvald, e para Silvana Mangano, belíssima.
o labirinto do fauno (el laberinto del fauno, méxico, espanha e EUA, 2006) – de Guillermo Del Toro. Ofélia (Ivana Banquero) é uma menina de onze anosque viaja com a mãe ao encontro do padrasto, uma capitão franquista quetentaesmagar os focos de resistência republicana, numa Espanha emguerra, em 1944. Ofélia descobre, num labirinto, umfaunoque a informa queela é uma princesa e queprecisacumprirtrêstarefaspararetornar ao seureino. O interessante no filme é o paralelismoentre a realidadedura da guerra e o mundooníricoemque Ofélia adentra. No entanto, o filme tem momentosprofundamenteviolentos, o quemeleva a crerque estas duas dimensõestão dispares – realidade e sonho – são, porassimdizer, complementares nos seus apectos mais cruéis.