
BORDEL – NOITES PROIBIDAS (Brasil, 1979) – Como defender o horror? Como achar
as palavras certas para descrever o caos estético e cognitivo? Não... não estou
falando dos campos de concentração da WW2, mas sim de um filme chamado BORDEL –
NOITES PROIBIDAS, cujo roteiro ( ! ) envolve o jogo do bicho, um cassino clandestino
servindo de fachada para um bordel e um garçom que planeja um golpe no patrão,
apesar dos avisos de advertência da prostitua Margot (Rossana Ghessa). É necessária
uma visão adredemente panglossiana para levar essa produção a sério, pois não
há qualquer laivo de bom senso que torne a história minimamente inteligível, além
da atuação constrangedora de todo o elenco, o que não é um apanágio só deste
filme, mas também de quase toda a produção da época. Num mundo invertido, o
destaque é Ruy Leal, no papel de um soi-disant chefe de uma máfia da
contravenção e que foi escalado para interagir, digamos, virilmente, com as
atrizes do filme, fazendo do ato de assistir a essa tranqueira um exercício de
estoicismo do qual não se sai impunemente.
How
to defend horror? How to find the right words to describe aesthetic and cognitive
chaos? No... I'm not talking about the WW2 concentration camps, but about a movie
called BROTHEL – FORBIDDEN NIGHTS, whose script ( ! ) involves the jogo do bicho,
a clandestine casino serving as a front for a brothel and a waiter who plans a scam
on the boss, despite the warnings of the prostitute Margot (Rossana Ghessa). A Panglossian
vision is required to take this production seriously, as there is no hint of common
sense that makes the story minimally intelligible, in addition to the embarrassing
performance of the entire cast, which is not only a hallmark of this film, but also
of almost the entire production of the time. In an upside-down world, maybe in
Hawkins, the highlight is Ruy Leal, in the role of a soi-disant boss of a misdemeanor
mafia and who was cast to interact, let's say, manly, with the actresses of the
film, making the act of watching this junk an exercise in stoicism from which one
does not get away with it. Canal Brasil.