o vidente (next, usa 2006) – Chris Johnson (Nicolas Cage, 07 de janeiro de 1964) faz shows em bares de Las Vegas, fiando-se na sua habilidade de prever o que vai acontecer com dois minutos de antecedência. É então convocado pelo FBI para tentar impedir uma ataque nuclear. A história é uma adaptação de “The Golden Man”, de Philip K, Dick, dirigida por Lee Tamahori. Julianne Moore parece desinteressada do papel de investigadora do governo. A sempre bela Jéssica Biel (03 de março de 1982) é Liz, a mulher que possibilita Chris ver além dos dois minutos regulamentares. Algumas belas locações, efeitos cansativos e um final pífio. Vale por Jéssica, apenas.
meu tio matou um cara (brasil, 2005) – de Jorge Furtado. Sherlock genérico. Duca (Darlan Cunha) vive com a família de classe média (Aílton Graça e Dira Paes) e é apaixonado por uma colega da escola. Quando seu tio Éder (Lázaro Ramos) é preso por ter matado o ex-marido da namorada Soraia (Déborah Secco), ele passa a investigar o caso e desvendar o mistério, na convicção de que Éder é inocente. Sempre com a narração em off do próprio Duca, essa comédia policial passa uma sensação de falta de originalidade, lembrando muito O Homem que Copiava (melhor do que este), do mesmo diretor e com Lázaro Ramos também.
a irmandade (the order, eua, 2002) – Rudy (Jean-Claude Van Damme) negocia relíquias roubadas com colecionadores. Seu pai é arqueólogo e está atrás de uma escritura sagrada que originou uma ordem secreta. Quando ele é raptado, Rudy vai a Israel procurá-lo e tem que enfrentar policiais corruptos que, claro, estão atrás do tesouro. O curioso, nesta produção de segunda, é a presença de Charlton Heston, num pequeno papel.
à procura da felicidade (the pursuit of happiness, usa 2006) – não é só o brasileiro que não desiste nunca. O norte-americano afro-descendente também, como mostra essa história com Will Smith, que é a própria Lei de Murphy elevada à décima potência. Pois bem, esse é o tipo do filme difícil de comentar sem que se revele toda a trama àqueles que ainda não o assistiram. Mas, vamos lá: Smith interpreta Chris Gardner, um vendedor de equipamentos médicos que sofreu o que se pode chamar de uma catástrofe quase total: foi abandonado pela mulher, perdeu tudo o que tinha e chegou a viver como sem-teto, com o filho pequeno, enquanto enfrentava um período de testes numa empresa de corretagem financeira. O filme se caracteriza por uma decência e honestidade que não tem nada de comum ao gênero dos “feel-good movies”, nos quais o protagonista sofre ao extremo, para, depois, encontrar uma saída gloriosa para seus problemas, de forma que ninguém deixe o cinema deprimido. Direção de Gabriele Muccino.
nunca te vi, sempre te amei (84 charing cross road, usa 1987) – repleto de delicadezas, o filme ainda é uma jóia rara de inspiração poética. A relação epistolar entre os personagens de Anne Bancroft (17 de setembro de 1931 – 06 de junho de 2005) e Anthony Hopkins (31 de dezembro de 1937) – ela em Nova York, ele em Londres – sustenta essa história emocionante. Atenção para o lindo poema de Yeats que o personagem de Hopkins diz para tentar traduzir a saudade e o sentimento. Direção de David Hugh Jones.
eu sou a lenda (i am legend, usa 2007) – refilmagem de A Última Esperança da Terra, de 1973, com Charlton Heston, uma pequena jóia da ficção científica. Aqui, Will Smith é Robert Neville o único ser humano a ter sobrevivido inalterado a uma epidemia deflagrada por um vírus modificado para o tratamento do câncer. Os que sobreviveram viraram uma espécie de vampiros mutantes que não toleram a luz do sol. Portanto, durante o dia, Neville está completamente só, com seu cão Sam, nas abandonadas ruas de Manhattan. É exatamente aí que Smith demonstra ser um ator de respeito e competência, ao gerar sozinho toda a ação dramática. Até que encontra a personagem de Alice Braga, também sobrevivente e imune. Muito bom.
sexo, amor e traição (brasil, 2004) – de Jorge Fernando. O Rio de Janeiro continua lindo, mas que povinho, hein? Se este filme tinha como intenção retratar as relações entre os casais modernos, a conclusão mais óbvia é que retrocedemos a algum ponto bem antes da pré-história. As mulheres, no filme, são fúteis e os homens, meu Deus, são verdadeiros imbecis. Se isso representa a raça humana do sexo masculino, registro aqui o meu protesto. O elenco, global, é fraco, à exceção de Malu Mader: Murilo Benício, Caco Ciocler e Fábio Assunção, cheio de tiques, como sempre. A bela Alessandra Negrini faz valer a pena essa produção com cheiro de Leblon, carpintaria de novela e sem inteligência alguma.
anjos da vida, mais bravos que o mar (the guardian, usa 2006) – de Andrew Davis. Ben (Kevin Costner, 18 de janeiro de 1955) é um dos mergulhadores de resgate mais famosos do país. Depois de um salvamento no qual seu amigo morre, ele é designado para treinar um grupo de jovens na Louisiana. Um dos jovens, Jake (Ashton Kutcher, 07 de fevereiro de 1978), de temperamento difícil e com ares arrogantes, bate logo de frente com ele. A partir daí, o filme segue a velha fórmula do jovem rebelde que acaba aprendendo os valores mais altos com o veterano, até o final previsível. Um pouco longo demais. Boa atuação de Costner.
cloverfield, o monstro (cloverfield, usa 2007) – gosto de filmes de monstros, principalmente quando eles destroem cidades sem a mínima cerimônia. Mas, esse foi um equivoco. Bem, aqui, Nova York é atacada por um monstro gigantesco e a história é contada a partir do ponto de vista de um cinegrafista amador e de grupo de jovens descerebrados, durante a tentativa de escapar da destruição da cidade. Os efeitos especiais são bons, especialmente o que mostra a cabeça da Estátua da Liberdade rolando no meio da rua. No entanto, nem mesmo isso justifica o suposto interesse que uma história sem explicação poderia ter.
em pedaços (going to pieces: the rise and the fall of the slasher films, usa, 2006) – documentário sobre a história do cinema americano de terror. Por décadas, os fãs do terror vem-se encantando com histórias de terríveis assassinos que assediam uma presa indefesa. Este documentário passeia por clássicos do gênero slasher como"Psicose", "Halloween", "Sexta-Feira 13" e outros.
ben hur (ben hur, usa 1959) – logo no início, o diálogo entre Ben-Hur e Messala, quando os dois se reencontram, já estabelece a tensão entre os dois personagens: as falas são carregadas de simbolismo e indicam a ruptura dramática da relação dos dois. Extraordinária atuação de Charlton Heston (04 de outubro de 1924) e de Stephen Boyd (04 de julho de 1931 – 02 de junho de 1977). Há de se registrar a produção impecável dos figurinos ao cenário, além da música grandiloqüente. Tudo isso ajudou a MGM sair do prejuízo. Claro que, sob certo aspecto, Ben-Hur é um dramalhão com pilares épicos e religiosos, meio over para os padrões de hoje. No entanto, ainda impressiona muito a seqüência da corrida de bigas, com seu código cromático evidente: cavalos brancos para Ben-Hur e os pretos para Messala. Muito melhor do que qualquer corrida de fórmula 1. De fato, uma cena para ficar para sempre. Ainda impressionante o diálogo final entre Ben-Hur e Messala. Os extras do DVD são excelentes. Atenção para o documentário sobre a produção, no qual Gore Vidal declara que sugeriu a Wyler o prévio relacionamento romântico entre os protagonistas.
firefox (firefox, usa 1982) – de Clint Eastwood. Clint, aqui, é um piloto aposentado que é chamado de volta pelo governo americano para recuperar dos russos um avião sofisticadíssimo, que só ele é capaz de pilotar. O filme começa bem, mas fica meio chato no seu terço final. Os efeitos especiais que mostram o avião são fracos. Não é um grande filme de Clint. A Guerra Fria já está perdida no tempo e não oferece mais interesse ao espectador de hoje.
barrabás (barabba, usa 1961) – de Richard Fleischer. Highlander de Jerusalém. Barrabás (Anthony Quinn, 21 de abril de 1915, México – 03 de junho de 2001) é absolvido e Jesus Cristo é crucificado em seu lugar. Ele não entende o porquê de ter sido escolhido para continuar a viver e enfrentar as mais difíceis situações. Produção grandiosa, com atuações bem teatrais, como acontecia com esses filmes bíblicos nessa época. Atenção para a performance canastrona de Jack Palance, como o cruel general Torvald, e para Silvana Mangano, belíssima.
o labirinto do fauno (el laberinto del fauno, méxico, espanha e EUA, 2006) – de Guillermo Del Toro. Ofélia (Ivana Banquero) é uma menina de onze anos que viaja com a mãe ao encontro do padrasto, uma capitão franquista que tenta esmagar os focos de resistência republicana, numa Espanha em guerra, em 1944. Ofélia descobre, num labirinto, um fauno que a informa que ela é uma princesa e que precisa cumprir três tarefas para retornar ao seu reino. O interessante no filme é o paralelismo entre a realidade dura da guerra e o mundo onírico em que Ofélia adentra. No entanto, o filme tem momentos profundamente violentos, o que me leva a crer que estas duas dimensões tão dispares – realidade e sonho – são, por assim dizer, complementares nos seus apectos mais cruéis.
uma verdade inconveniente (an inconvenient truth, usa 2005) – excelente documentário comandado surpreendentemente muito bem por Al Gore, que se revelou, pelo menos para mim, um apresentador merecedor de crédito. E sem oportunismo. Não sabia, por exemplo, que ele já discute esse assunto de preservação do meio-ambiente desde a década de 60. Depois de ter sido o candidato à presidência derrotado numa vitória suspeitíssima de George Bush, Gore deu a volta por cima, falando com autoridade sobre um tema que domina como poucos. O material científico que reuniu é amplo e impecável, e o encadeamento da palestra, vibrante. Imperdível.
uma noite no museu (night at the museum, usa 2006) – Larry (Ben Stiller) quer provar para o filho que não é um fracassado – situação mortal para um americano – e arruma um emprego no Museu de História Natural de Nova York, no lugar de três velhinhos que ocupavam o posto (Dick Van Dike, Mickey Rooney e Bill Cobbs). Descobre, em pânico, que, à noite todas as peças do acervo ganham vida, em função de uma misteriosa pedra oculta nas dependências do museu. Os efeitos são razoáveis, mas beiram àquela sensação de enjôo quando se come um pudim de leite condensado inteiro. O lado bom é ver novamente Dick Van Dike e Rooney, além de Robin Williams, num papel aquém de sua capacidade. Feito única e exclusivamente para as fantasias infantis. Direção de Shawn Levy.