quinta-feira, 14 de julho de 2016

2786 - OS ÚLTIMOS CAVALEIROS

1.   OS ÚLTIMOS CAVALEIROS (LAST KNIGHTS, UK, 2015) – Bem, Morgan Freeman é obrigatório. Dito isto, acrescente-se que Clive Owen também o é. É uma aventura medieval, bem ao estilo Games os Thrones, com uma fotografia caprichada e um roteiro marcado por corrupção, batalhas sangrentas e vingança. Owen, como sempre, está perfeito no papel de um cavaleiro que busca justiça, depois que um vilão começa a tomar conta do reino de seu mestre (Freeman).


sexta-feira, 8 de julho de 2016

2785 - SONHOS À DERIVA

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SONHOS À DERIVA (RUDDERLESS, USA 2014) Na SKY, este filme vem com o título SEM RUMO. Excelente estreia de William H. Macy na direção. É também uma ótima oportunidade de ver como Billy Crudup é um excelente ator e que merece melhores papéis. Aqui ele é Sam, cujo filho foi responsável por uma chacina na faculdade onde estudava, acabando morto também. Deprimido, largo o emprego e vai morar num barco e viver de pintar paredes de casas de classe média. Quando encontra um material musical deixado pelo filho, decide tocar suas canções, como uma forma de elaborar a perda e a culpa de ter sido um pai ausente. A narrativa tem ritmo e profundidade, nunca deixando de lado a perspectiva das transformações que ocorrem dentro de Sam. Crudup faz um excelente trabalho, lembrando Joaquin Phoenix até fisicamente. O dado dramático é a presença de Anton Yelchin, que morreu agora em junho, num acidente com o próprio carro. Ele também está ótimo como o rapaz que instila novamente em Sam a vontade de viver e de superar o trauma que a tragédia que o filho provocou.  

quinta-feira, 7 de julho de 2016

2784 - VOCÊ ACREDITA?

 VOCÊ ACREDITA (DO YOU BELIEVE? USA 2015) - Doze pessoas, seguindo caminhos diferentes, têm suas vidas interceptadas de forma inesperada. Cada um deles está prestes a descobrir o poder que há na cruz de Cristo, ainda que muitos deles não acreditem nisso. Uma crença verdadeira sempre requer ação e esta é a mensagem deste filme cristão, feito especialmente para este grupo de pessoas. O roteiro é fraco e as atuações são muito constrangedoras. Vale observar a participação de Lee Majors e Cybill Shepherd, como casal protagonista de um dos esquetes. Na indústria cinematográfica, um título com ponto de interrogação é considerado sinal de má sorte.   

quarta-feira, 6 de julho de 2016

2783 - A COSTA DO MOSQUITO

1.   A COSTA DO MOSQUITO (THE MOSQUITO COAST, USA 1986) – Harrison Ford diz que, na sua carreira, este é o filme em que mais gostou de atuar. De fato, ele faz muito bem o papel de um homem desiludido com o “american way of life”, que decide levar a família para o meio de uma selva, numa região da América Central. Lá, ele pretende construir uma sociedade longe dos preceitos capitalistas que tanto o confrangem. Segunda parceria de Ford com o diretor Peter Weir – a primeira foi o ótimo A TESTEMUNHA, o filme é baseado no livro de Paul Theroux, e traz Helen Mirren e River Phoenix que, mais tarde, faria o jovem Indiana Jones no terceiro filme da série. O roteiro acaba ficando meio cansativo, mas a história é instigante, porque mostra que o desejo do personagem principal esbarra na duplicação do cenário do qual ele tanto quis fugir. O fato é que Allie (Ford) segue o caminho da loucura, como acontece com os extremistas, igual como acontece na vida real. Mas é aí que reside o poder envolvente de sua trama. Uma variação moderna da vida de Robinson Crusoé, só que diferentemente nesse filme a sua ida a selva, ou diria o encontro com a natureza exuberante é por vontade própria e não por conta de um naufrágio. Muitas vezes, encontramos pessoas que nunca se contentam com suas vidas, sonhando com outro lugar, em outro ambiente, onde teriam a vida perfeita, mas esquecem que, na mudança, também se levam todas as angústias e fantasmas interiores. Mas o fato é que não adianta fugir de você, ou seja, o mundo que se leva é o mesmo, por isso pondere com cuidado, pois não mergulhe em mudanças extremas, elas podem ser para muito pior.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

2782 - RÁPIDA E MORTAL

RÁPIDA E MORTAL (THE QUICK AND THE DEAD, USA 1995) Neste western, com excepcional fotografia, traz Sharon Stone como uma pistoleira sem nome, bem ao estilo Clint Eastwood, buscando vingança pela morte do pai. O alvo desta vendeta é o grande Gene Hackman, num papel bem abaixo de seu talento. Leonardo DiCaprio também está presente, assim como Russel Crowe, num papel ao seu estilo: poucas falas, menos risos ainda. O filme tem uma pretensão de ser grande, mas acaba ficando chato, muito em função do enredo pouco original e da pouca variação de locações, embora o deserto do Arizona emoldure a ação esplendorosamente. Sharon Stone num personagem misterioso, sedutor e mortal. Acho que já vimos este filme antes, não?  

quinta-feira, 30 de junho de 2016

2781 - TED 2

TED 2 (USA, 2015) Embora com roteiro meio fraco, esta sequência do primeiro filme funciona como entretenimento leve e descompromissado, repleto de piadas politicamente incorretas e referências pop. No elenco, Seth McFarlane continua a dar voz e alma ao simpático Ted, e Mark Wahlberg prova que também funciona em papeis cômicos, mas os reforços também não fazem feio: Amanda Seyfried, tão consciente de sua beleza que nem sem importa de ser comparada ao Gollum, em uma das piadas sem-noção do roteiro, e o grandíssimo Morgan Freeman, que já chegou ao ponto de sequer atuar para que suas cenas sejam memoráveis. A grande sacada ainda é o personagem-título: um fofo ursinho de pelúcia com a boca suja e sem qualquer noção de ética, que acaba sendo encantadoramente irresistível.    

quarta-feira, 22 de junho de 2016

2780 - TERAPIA DO SEXO

TERAPIA DO SEXO (THANKS FOR SHARING, USA 2012) – Comédia romântica que flerta com o tema se SHAME: o vício em sexo. Evidentemente, a abordagem é rasa demais, embora o elenco, à primeira vista, prometa muito: Mark Ruffalo, Tim Robbins e Gwyneth Paltrow. O roteirista parece ter se perdido na premissa pouco original – personagens com um problema comum e que acabam se ajudando – e, desta forma, o filme não engrena em momento algum. Mas a bela Gwyneth Paltrow compensa tudo.


quinta-feira, 9 de junho de 2016

2779 - BRUCE E EU

BRUCE E EU (USA, 2015) Interessante documentário com depoimentos dos fãs de Bruce Springsteen em todo o mundo. As letras e a simpatia de Bruce Springsteen no palco ajudam a criar um laço entre ele e os fãs. E é justamente sobre essa relação que o documentário Springsteen and I se debruça. Com depoimentos de fãs e imagens inéditas, o filme tenta explicar a proximidade que conecta o artista e seu público. De fato, Bruce é o máximo! 

2778 - ATÉ O FIM

ATÉ O FIM (ALL THE WAY, USA 2016) – Telefilme contando o primeiro ano de Lyndon Johnson como presidente e sua atuação diante da aprovação das leis sobre os direitos civis. A narrativa é um pouco desinteressante para quem não está familiarizado com os fatos daquela época, mas mostra bem como Johnson enfrentou as pressões do próprio partido contra o Civil Rights Act, alinhavado por JFK na sua administração. De qualquer forma, a direção é segura, e os fatos são mostrados de maneira viva e relevante. Bryant Cranston (do ótimo BREAKING BAD e de TRUMBO) está plenamente convincente como LBJ, dando ao personagem uma suposta humanidade que não se encontra nos registros históricos.   

2777 - NOITE SEM FIM

NOITE SEM FIM (RUN ALL NIGHT, USA 2015) Liam Neeson parece ter se especializado em personagens com perfil muito parecido: um ex policial ou um assassino profissional aposentado, com problemas de relacionamento com a ex-mulher ou com os filhos. Foi assim na série TAKEN e em outros similares. Neste filme aqui, ele é um desses pistoleiros marginalizados, que volta à ativa quando seu filho se envolve no assassinato de um chefe de uma quadrilha de traficantes. A ação se passa numa só noite chuvosa, em Nova Iorque.  

terça-feira, 31 de maio de 2016

2776 - VICTOR FRANKENSTEIN

VICTOR FRANKENSTEIN (USA, 2015) A tendência de refilmar clássicos sob a ótica de personagens originalmente secundários tem tido seus acertos e erros. Este filme recria a história de Victor Frankenstein, dentro de um cenário vitoriano, seguindo as observações de Igor, o ajudante que, no original de 1931, interpretado por Dwight Frye, acompanhava o dr. Frankenstein na, digamos, coleta de partes cadáveres nos cemitérios. Aqui, Igor é vivido por Harry Potter, digo, Daniel Radcliffe. O roteiro começa bem, e o excelente James McCavoy consegue impressionar como o cientista obcecado pela criação da vida, sob a ótica unicamente científica. Sim, em dado momento aparece o conflito entre ciência e religião, aspecto que, infelizmente, o roteiro deixa de contemplar no seu terço final. O desfecho tradicional – com o castelo destruído, juntamente com a Criatura, no meio de uma tempestade – dá a impressão de uma solução fácil, sem aproveitar a chance de aprofundar os personagens ou de discutir a finitude humana em face do embate entre ciência e religião. Se a Criatura não ficou completa, também ficou faltando um pedaço neste filme.  

sexta-feira, 27 de maio de 2016

2775 - SHERLOCK, EPISÓDIO 2, TEMPORADA 1

SHERLOCK - EPÍSÓDIO 2 (UK, USA, 2010) – Este segundo episódio ficou um pouco abaixo da excelente estreia. Mas, mesmo assim, é um prazer ver como Benedict Cumberbatch vai se amalgamando ao personagem, assim como Martin Freeman também encontra a calibragem certa de comicidade do seu Watson. O roteiro é sobre contrabandistas que deixam sinais misteriosos nos locais dos crimes. As críticas em relação a este episódio procedem, na medida que tivemos tantos pontos altos no piloto. De qualquer forma, está muito acima da média de algumas produções do mesmo gênero.  

quinta-feira, 26 de maio de 2016

2774 - O EQUILIBRSTA

O EQUILIBRISTA (MAN ON A WIRE, USA, UK, 2008) – Em 1974, um malabarista francês, de 25 anos, encasqueta que vai atravessar o vão das duas torres do recém construído World Trade Center, com a ajuda de três amigos, sem que as autoridades percebam. Este ótimo documentário é sobre a façanha de Phillipe Petit, contada por ele mesmo, com uma emoção que, aos poucos, vai contagiando também o espectador. De fato, aqui está a história de alguém que resolveu fazer uma coisa diferente, apenas por paixão e por não se adequar aos padrões da vida considerada “normal”. Gosto imensamente de história assim, pois elas que nos mostram como vivemos de forma limitada, geralmente presos à crenças e comportamentos que não são genuinamente nossos. Phillipe Petit pode ser considerado um grande artista, cuja grande obra é mostrar para todo mundo que, na realidade, queiramos ou não, vivemos sempre na corda bamba. Em 2015, foi lançado A TRAVESSIA, de robert Zemeckis, com Joseph Gordon-Levitt, no papel de Petit.  

quarta-feira, 25 de maio de 2016

2773 - SOB O SOL DA TOSCANA

SOB O SOL DA TOSCANA (UNDER THE  TUSCAN SUN, USA 2003) - Diane é uma das atrizes mais queridas de Hollywood e do público em geral. É simpática, bonita, talentosa. Fez filmes bem legais como O SELVAGEM DA MOTOCICLETA e RUAS DE FOGO. Possui aquele ar de heroína romântica desprotegida, mas sempre altiva. Foi casada com o highlander Christopher Lambert e com o talentoso Josh Brolin. Neste filme, ela parece encarnar sua própria vida, sob o ponto de vista de estar sempre disposta a recomeçar – é o que faz seu personagem, que larga tudo depois de uma desilusão amorosa, vai para a Europa e acaba comprando uma casa centenária na região da Toscana. Entre uma e outra falha no roteiro, a história passeia por locações belíssimas, personagens simpáticos e uma revigorante mensagem de esperança.

domingo, 22 de maio de 2016

2772 - SHERLOCK

SHERLOCK (UK, 2010) Excelente série britânica, com o mais excelente ainda Benedict Cumberbatch no papel-título. O roteiro possui a finesse tradicional das falas britânicas, com diálogos desconcertantes e imaginativos. O personagem, transposto para os dias atuais, nos quais interage abertamente com a tecnologia, está perfeitamente adaptado ao mundo pós-moderno baumaniano, sem a barra forçada de outras produções que puseram Sherlock vagando por um mundo moderno que ele não entendia e vice-versa. Neste caso, tudo contribui para que o raciocínio lógico-dedutivo do detetive sobressaia ainda mais claro e objetivo. Como Watson, o também grandíssimo Martim Freeman, cujos espasmos de emoção constituem um contraponto perfeito para a (aparente) frieza racional de Holmes. Extraordinário, estupendo, altamente estimulante, o seriado (com três episódios por temporada, pasmem) é uma das melhores surpresas da TV nos últimos tempos. Obrigado, Gabriel. 

sábado, 21 de maio de 2016

2771 - GOLPE DUPLO

 
GOLPE DUPLO (FOCUS, USA 2015) – O filme começa bem, mas vai deixando a desejar a partir da metade. Will Smith faz um daqueles personagens que já se tornaram cansativos na história do cinema recente: o trapaceiro simpático e charmoso, que acaba conquistando a mulher bonita do filme que, no caso, é uma das mais mesmerizantes do cinema contemporâneo: Margot Robbie. Pois bem, de repente, o filme passa Buenos Aires (a produção também é Argentina), e temos Rodrigo Santoro, num bom personagem: ele é um milionário que contrata Smith para alguns trabalhos escusos. Tecnicamente bem realizado, o filme traz belíssimas locações e uma fotografia caprichada. O roteiro flerta com o do excelente OCEAN’S ELEVEN, principalmente na primeira metade. Vai irregular depois disso, mas o impacto estético de Margot Robbie compensa tudo.


sexta-feira, 20 de maio de 2016

2770 - A VERDADE SOBRE MARLON BRANDO

A VERDADE SOBRE MARLON BRANDO (LISTEN TO ME, MARLON, USA 2015) - Com acesso exclusivo ao seu arquivo pessoal incomum, que inclui centenas de horas de áudio gravado ao longo de sua vida, este é o documentário definitivo sobre Marlon Brando. Traçando sua brilhante carreira como ator e sua vida fora do palco, o filme vai explorar em profundidade os meandros do homem que conta a sua história de uma forma única a partir da perspectiva de Marlon Brando, com sua  própria voz. Não há cabeças falantes, nem entrevistados, apenas Brando e sua vida. O diretor Stevan Riley decupou mais de 300 horas de áudio gravadas por Brando, que fazia auto hipnoses e dissertava sobre vários assuntos recorrentes em sua vida: carreira, filhos, vida, morte, proteção das causas sociais e raciais, família, etc. O filme começa com uma imagem em 3D de Marlon Brando, dizendo que, hoje em dia, por conta da computação gráfica chegará um momento no qual os atores não serão mais necessários. Pois é essa imagem em 3D de Brando que "narra" o filme, trazendo trechos de sua extensa filmografia e de entrevistas e fotos que vão desde a sua infância até o fim da vida. Adotado pela atriz e professora de um método de interpretação, Stella Adler, ele aprendeu que a vivência e a memória emotiva são peças fundamentais para o seu desenvolvimento como ator. Esse método, apropriado de Stanislawsky, foi a base de toda a arte de atuação de Brando, contrariando as performances realizadas em Hollywood até então, que, segundo as palavras de Brando, eram óbvias e pouco convincentes. O que importava agora, é a verdade das emoções, que devem ser vivenciadas pelo momento. Este é um dos melhores documentários que já vi.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

2769 - MACUMBA NA ALTA

MACUMBA NA ALTA (BRASIL, 1958) – Comédia que mistura chanchada e um pouco de drama, com Armando Bogus e Felipe Carone. O curioso, nesta produção, é que ela foi dirigida pela roteirista de BOCCACCIO (1940), Maria Basaglia, que evitou o uso do termo “chanchada” e optou por “cine-comédia”, logo nos créditos iniciais. De fato, o filme se afasta um pouco do foco usual das chanchadas e lembra – vagamente, devo dizer – os filmes italianos pré-realistas. Atenção para a beleza inesperada da atriz Maria Dilnah.      

quarta-feira, 18 de maio de 2016

2768 - NÃO OLHE PARA TRÁS

  NÃO OLHE PARA TRÁS (DANNY COLLINS, USA, 2015) – Baseada na história real de um músico que recebeu, no início da década de 70, uma carta de John Lennon, convidando-o para conversar, o filme tem o grandíssimo Al Pacino no papel-título. O roteiro se concentra numa reviravolta que realmente aconteceu: a carta só chegou ao seu destinatário mais de 40 anos depois. É aí que Danny (Pacino), cantor de rock veterano, que ainda vive como um pop star tresloucado, começa a se transformar. Contracenando com a também excelente Annette Bening, o Danny Collins de Pacino entra num processo de autodescoberta que passa pelo resgate da relação com o filho que ele mal viu durante a vida e pelo questionamento dos seus valores. Como sempre, Pacino emociona com sua simples presença em cena. O filme é uma daquelas pequenas joias esquecidas entre um e outro blockbuster. É um privilégio poder assistir a um grande ator no total domínio de sua técnica e talento.       

segunda-feira, 16 de maio de 2016

2767 - UM BOM ANO



UM BOM ANO (A GOOD YEAR, USA, UK, 2006) – Este é um dos meus filmes favoritos, sem qualquer razão especial. A belíssima fotografia do interior da França, aliada a uma história simples, mas comovente, com excelentes atores, como Russel Crowe, Albert Finney e Marion Cotillard, talvez sejam motivos suficientes. Nos momentos em que Max (Crowe) fica em silêncio e se lembra das conversas que teve com o tio (Finney), é que vemos como ele é um grande ator. A história é envolvente e charmosa, regada a vinho e à beleza inebriante de Marion Cotillard. Assim como um bom vinho, o filme melhora com o tempo.    

2766 - OU TUDO, OU NADA

OU TUDO OU NADA (THE FULL MONTY, USA 1997) – Seis desempregados de uma metalúrgica, numa cidade pequena da Inglaterra, resolvem ensaiar um número de strip numa boate local. O drama do desemprego implode identidades pessoais, de gênero e de classe, constituídas no período de desenvolvimento do capitalismo industrial. O capital em sua sanha de reestruturação produtiva, deslocando e tornando obsoletos homens e territórios de produção, expõe dramas existenciais singulares. É o que The Full Monty tenta traduzir através de um mote narrativo curioso e intrinsecamente metafórico: desempregados montando um show de striptease, buscando se desnudar para um público de mulheres curiosas.   
 

2765 - EXTERMINADOR DO FUTURO, GÊNESIS

O EXTERMINADOR DO FUTURO: GÊNESIS (TERMINATOR GENISYS, USA 2015) – Seguindo a cartilha de STAR WARS, O DESPERTAR DA FORÇA, esta sequência também retoma o espírito (e quase todo o roteiro) do filme de maior sucesso, no caso, o segundo EXTERMINADOR, que, junto com o primeiro, fez coisas que ninguém esperava: arrasou na bilheteria, revolucionou o conceito de efeitos especiais e ocupou, a partir de então, o imaginário da cultura pop. Schwarzenegger faz até um pouco mais do que se poderia esperar dele: atua ( ! ) com aquele mesmo jeito mecânico do personagem, mas acaba por adir algumas nuanças de interpretação, mais para o lado cômico, como se fizesse troça consigo mesmo. O filme vai bem até a metade, mas, a meu ver, se complica ao trazer para o presente um John Connor híbrido de ser humano e máquina de metal líquido, como conviria a uma abordagem baumaniana. O Kyle Reese feito por Jay Courtney nos faz ter saudade da forma excepcional como Michael Bhien retratou um personagem um pouco fragilizado, com cicatrizes psicológicas, que vinha do futuro para salvar a mulher que amava. Há um excesso de CGI que também não funciona – os animatronics dos primeiros filmes davam conta do recado de maneira muito mais eficiente. Mas temos uma recompensa: Emilia Clarke, a Daenerys, de GAME OF THRONES, como Sarah Connor, sem a força de Linda Hamilton, mas ainda belíssima.   
  

 

 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

2764 - TOP GANG, ASES MUITO LOUCOS

TOP GANG, ASES MUITO LOUCOS (HOT SHOTS, USA 1991) o que chama a atenção nesta paródia do hit TOP GUN (1986) é a presença, junto com Charlie Sheen, de Jon Cryer que, anos depois, faria com o próprio Sheen o grande sucesso TWO AND A HALF MEN. Dentro da linha de TOP SECRET, o roteiro é repleto de referências cinematográficas e da cultura pop americana e mundial. Creio que, para as gerações mais jovens, em geral sem qualquer conhecimento que vá além das fofocas veiculadas por facebooks e what’up, o filme não tenha qualquer apelo. A cena em que Sheen e Valeria Golino emulam a sequência da geladeira de 9 SEMANAS E MEIA DE AMOR ainda é memorável. É curioso notar também que Sheen e Cryer já tinham a mesma química que apresentaram em TAHM.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

2763 - MINIONS

MINIONS (USA, 2015) – O roteiro simplista e linear não invalida a tentativa de colocar os simpáticos Minions como protagonistas de uma história que diverte mais pelo coeficiente de fofura das criaturinhas do que propriamente as situações em eles se envolvem. Lá para o meio do filme, dá para ficar meio cansado dos esquetes quase previsíveis. É interessante checar a passagem que faz alusão ao Mito da Caverna, de Platão.

sábado, 23 de abril de 2016

2762 - MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA

MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA (MAD MAX: FURY ROAD, Austrália, 2015) – este sensacional filme do diretor George Miller redefine o que é ação cinematográfica: uma anarquia meticulosamente coreografada de movimento, deslocamento, velocidade, atrito e colisão, nos levando a um êxtase bem-humorado que pode ser representado pela seguinte frase – é um filme para quem quer morrer de tanto cinema, elaborada pelo crítico Stuart Klawans no fim dos anos 90. Mal podia ele imaginar seu real significado. Tirando a primeira cena, em que Max (Tony Hardy, com alta energia anímica) contempla o enorme deserto à sua frente, é só se entregar a uma profusão de sequências de se perder o fôlego. Charlize Theron esbanja força e beleza na sua Furiosa, um personagem-chave no argumento: no fundo, MAD MAX pode ser definido como uma metáfora da busca das raízes, a força motriz que a leva a cruzar o deserto imenso que representa, entre outras coisas, o vasto vazio da vida pós-moderna. É de Charlize, pois, o grande personagem da história, já que é ela que oferece a opção existencial para seus seguidores, além de dar uma mãozinha a Max nos momentos mais agudos. Miller reduz a gramática cinematográfica ao que ela tem de mais essencial: tempo e movimento, filmando cada ação no que ela tem de mais alta octanagem, junto ao caos tão palpável e violento, que parece nos esperar do lado de fora da porta. Vale a previsão; nunca mais um filme pós-apocalíptico será o mesmo; assim como nunca mais se fez ficção científica sem se basear em ALIENS, O OITAVO PASSAGEIRO. Miller tira o máximo de elementos que estão incrivelmente presentes nos dias atuais: a manipulação da água, a selvageria das relações humanas, o tráfico sexual, o trabalho escravo, as distorções das manipulações genéticas e a sensação de que, neste mundo barbárico em que vivemos, só nos resta mesmo fugir para as lembranças de tudo o que poderia ser mas não foi, se pensarmos em Bandeira, ou para uma inocência que só os verdes anos podem proporcionar, como disse Wordsworth. Além de tudo, o diretor faz um afago necessário nas mulheres contemporâneas: é a Furiosa da bela Charlize Theron que comanda a história. Ela é o motor; Max, por sua vez, é só as rodas. Olhe para sua mulher, aí do lado. Não é que é assim mesmo?    
 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

2761 - SAMBA

SAMBA (FRANÇA, 2014) – O s diretores Olivier Nakache e Eric Toledano foram responsáveis por INTOCÁVEIS (2011), um dos maiores sucessos do cinema francês dos últimos anos e que revelou Omar Sy, que retorna agora neste mais recente trabalho dos diretores. Samba, o personagem-título é um senegalês que mora em Paris há dez anos. Depois de ser preso, é ajudado por Alice (Charlotte Gainsbourg, com um pé ainda em NINFOMANÍACA), uma executiva com depressão. O destino se encarrega de promover um encontro entre os dois. O papel de Sy é muito semelhante ao do filme com François Cluzet. Atenção para a trilha sonora, com Gil (Palco) e Jorge Ben (Tale easy, my brother Charles).   

terça-feira, 12 de abril de 2016

2760 - O DESTINO DE JÚPITER

O DESTINO DE JÚPITER (JUPITER ASCENDING, USA 2015) O filme tem um enredo fraco e, de certo modo, difícil de entender, pois envolve a tentativa de sequestro de Júpiter (Mila Kunis, sem qualquer traço expressivo no belo rosto), por um grupo de alienígenas liderado por Balam (Eddie Redmayne, incrivelmente ruim) e que é protegida por um mutante meio policial, meio lobo ( ! ), vivido com discrição por Channing Tatum. Os personagens não humanos são estereotipados, sem qualquer apelo. Pelo que parece, o destino de Júpiter parece mesmo ser o olvido.

2759 - JURASSIC WORLD

JURASSIC WORLD – O MUNDO DOS DINOSSAUROS (JURASSIC WORLD, USA 2015) – Apoiado num roteiro pouco original, o filme joga todas as suas fichas nos CGIs que dão vida a todo tipo de dinossauro. Diga-se, a bem da verdade, que os bichinhos possuem uma carga dramática muito mais expressiva dos que os protagonistas humanos – Chris Pratt e Bryce Dallas Howard. É evidente que um filme produzido quase que exclusivamente numa plataforma digital acabe cansando o espectador. A ilha Nublar, de tão perfeita, nas cores e na paisagem, mais parece um desenho animado em muitas sequências. A história retoma os temas do Jurassic Park original, de 1993 – a tentativa de conciliar o ímpeto empresarial com a manipulação genética, coisa que leva o perigo tanto a turistas quanto a cientistas.  

terça-feira, 5 de abril de 2016

2758 - O GAROTO DA CASA AO LADO

O GAROTO DA CASA AO LADO (THE BOY NEXT DOOR, USA, 2015) Desastroso veículo para ressuscitar a já sofrível carreira cinematográfica de Jennifer Lopez, produzido e estrelado por ela própria. Este é um dos filmes que aparecem de vez em quando e logo assumem o posto de “pior já feito”. Este é ruim mesmo – do roteiro à realização, das atuações sofríveis à pretensão quase infantil de JLo, no sentido de ainda se colocar no mercado como uma estrela sexy. Chega a ser constrangedor o seu esforço para atuar de maneira séria. Tudo lamentável, um lixo.  

2757 - O MÉDICO ALEMÃO

O MÉDICO ALEMÃO (WALKODA, Argentina, 2013) - O filme de Lúcia Puenzo narra algumas semanas da convivência do médico nazista Josef Mengele com uma família de classe média argentina e sua tentativa de ajudar a resolver o problema de crescimento da filha do casal. A jovem Lilith, cuja estética aproxima-se do modelo ariano de beleza, é considerada baixa para os seus doze anos. Contra a vontade do pai, mas com a conivência da mãe (de origem alemã), o médico, que condenou à morte um número incalculável de crianças consideradas baixas, tenta mudar o processo natural de crescimento da menina, procurando transformá-la em um ser esteticamente perfeito. Mengele quer transformá-la em sua mais nova cobaia. Sua intenção é repetir o mesmo tipo de experiência que testara em milhares de judeus do campo de concentração de Auschwitz. Eugenista, o que é quase um sinônimo de nazista, o médico acreditava que a mistura das raças era prejudicial ao desenvolvimento da humanidade e que era possível alterar o patrimônio genético das pessoas no sentido de transformar alguns seres humanos em um protótipo da raça perfeita de super-homens (reinterpretação vulgar e tendenciosa do conceito nietzschiano de “Übermensch”) sonhada por Hitler. O roteiro insere um elemento meio óbvio para fazer a ponte entre o delírio do médico e a atividade profissional do pai da menina: ele é um fabricante artesanal de bonecas. Esta metáfora pretende mostrar o que seria a Alemanha, se o nazismo tivesse triunfado: uma sociedade despersonalizada transformada em um grupo de bonecas (de autômatos?), louras de olhos azuis, produzidas, em escala industrial, pelas mãos de um simples artesão. As belas paisagens da Patagônia procuram amenizar o terror contido no semblante fleumático de Mengele, vivido com maestria pelo ator espanhol Alex Brendemühl, que também estaria perfeito numa cinebio de Omar Shariff. A históra também nos remete a Lolita, em função da relação de sedução mútua entre ele e a menina Florencia Bado. E é justamente nessa imperturbabilidade e ausência de paixões do médico que reside todo o suspense do filme. Sua atitude conduz o espectador a se inquietar sobre o destino da menina e os membros da família a se questionarem sobre a natureza da ajuda, sobre se eles estariam sendo testemunha do humanismo de um médico generoso e solidário ou vítima e presa das maldades de um monstro.