sábado, 2 de agosto de 2008

678 - ANTI-HERÓI AMERICANO

anti-herói americano (american splendor, usa 2003) – de Robert Pulcini e Shari Springer Berman. Misto de ficção, documentário e história em quadrinhos, o filme reinventa e expande os formatos convencionais do cinema para acomodar a visão do seu protagonista sobre a banalidade em que transcorre a existência. A trajetória de Harvey Pekar, um roterista de HQ e Joyce, sua mulher é reencenada pelos excelentes Paul Giamatti e Hope Davis, com freqüentes intervenções dos personagens reais e de dramatizações em desenho. O que o filme canta e decanta é a idéia que As Horas, com toda a sua pretensão, mal chegou perto de arranhar: a de que o que nos define não é o resultado de nossas eventuais inspirações, mas sim o acúmulo de nossas banalidades

677 - OS IMPERDOÁVEIS

os imperdoáveis (unforgiven, usa 1992) – de Clint Eastwood. Maravilhoso filme sobre um pistoleiro aposentado (Clint) que, depois da morte da esposa, se isola numa pequena fazenda para cuidar dos filhos pequenos. Ao ser oferecido uma última missão, decide volta à ativa e procura seu velho companheiro (Morgan Freeman). O filme é lindo, bem feito, irretocável. Além do mais, conta com Clint e Freeman, um show duplo e inesquecível. The town of Big Whisky is full of normal people trying to lead quiet lives. Cowboys try to make a living. Sheriff 'Little Bill' tries to build a house and keep a heavy-handed order. The town whores just try to get by.Then a couple of cowboys cut up a whore. Unsatisfied with Bill's justice, the prostitutes put a bounty on the cowboys. The bounty attracts a young gun billing himself as 'The Schofield Kid', and aging killer William Munny. Munny reformed for his young wife, and has been raising crops and two children in peace. But his wife is gone. Farm life is hard. And Munny is no good at it. So he calls his old partner Ned, saddles his ornery nag, and rides off to kill one more time, blurring the lines between heroism and villainy, man and myth

676 - INFIDELIDADE

infidelidade (unfaithful, usa 2002) – de Adrian Lyne. Um desastre quase completo este pastiche de Atração Fatal, com roteiro implausível e situações dramáticas em a mínima justificativa. Richard Gere é o marido traído e a esposa é Diane Lane. O final veiculado é constrangedor. Foi gravado outro, que não foi ao ar por ter sido considerado menos comercial.

675 - O DIA EM QUE A TERRA PAROU

o dia em que a terra parou (the day the earth stood still, usa 1951) – de Robert Wise, que morreu, aos 91 anos, este ano. Foi o diretor de A Noviça Rebelde. Mesmo depois de tantos anos, este clássico da ficção científica dos anos 50, continua sensacional, mesmo eivado de alusões à guerra fria e ao fantasma do comunismo. Klaatu (Michael Rennie, 25 de agosto de 1909 – 10 de junho de 1971) vem à Terra para alertar os homens para o perigo do uso de energia atômica em naves espaciais, que poderia abalar a harmonia dos planetas. A arrepiante trilha sonora de Bernard Hermann foi tão marcante que passou a ser usada em outras produções do gênero na época. Rennie apareceu em Perdidos no Espaço no único episódio em duas partes da série, como o Colecionador; e também participou do primeiro episódio de Túnel do Tempo, como o capitão do Titanic, onde Doug e David vão parar. Tecnicamente o filme é muito bom, com um preciso ajuste de efeitos e trilha sonora.

674 - A GUERRA DOS MUNDOS

a guerra dos mundos (the war of worlds, usa 2005) – de Steven Spielberg. De certa forma, uma decepção. Tom Cruise parece meio perdido – e de fato está – quando seu personagem se depara com criaturas mecânicas que emergem do solo, após uma estranha chuva de raios cósmicos. Bola fora do Spielberg, creio.

673 - NA LINHA DE FOGO

na linha de fogo (in the line of fire, usa 1993) – de Wolfgang Petersen. Adoro este filme com Clint fazendo um ex guarda-costas em vias de se aposentar e ainda traumatizado por achar que foi o responsável pela morte de Kennedy, em Dallas. Perseguido hoje por um maníaco (John Malkovich) que quer matar o atual presidente, ele conta com a ajuda de uma agente do FBI (René Russo, horrível, parecendo um travesti). Sharon Stone estava cotada para o papel, imagine só. Até então, foi o último filme de Clint que ele estrelou sem ser também o diretor

672 - A PIANISTA

a professora de piano (La pianiste, França/áustria, 2001) – de Michael Haneke. La Pianiste reinforces the "Austrians=grim" thesis I'm formulating. Isabelle Huppert won a well-deserved Best Actress award at Cannes for her portrayal of a woman who, in her efforts to attain the artistic ideal, loses her humanity. Trapped by her talent, she suppresses her emotions and her sexuality until they can only be expressed in twisted and terrifying ways. When a younger student falls in love with her, our hopes rise, but are soon dashed by the realization that she cannot experience love the way others can. It is too late for her, and the film's final 30 harrowing minutes are, tellingly, devoid of the beautiful music that carried the first 90 minutes. The message seems to be that the music itself is not enough without the life and beauty it's describing

671 - PEQUENO DICIONÁRIO AMOROSO

pequeno dicionário amoroso (brasil, 1996) – de Sandra Werneck. O filme me impressionou mais quando o vi pela primeira vez, mas ainda conserva um certo charme, especialmente pela presença de Andréa Beltrão, linda.

670 - JANELA SECRETA

janela secreta (SECRET window, usa 2004) – de David Koepp. Bom thriller de suspense com Johnny Depp e John Turturro. Depp é Mort Rainey, um escritor recluso numa casa de campo, depois de ter descoberto a traição de sua mulher. Neste estado vulnerável, Mort é presa fácil para John Shooter (Turturro) um caipira que bate à sua porta com uma acusação de plágio. O escritor sabe que não plagiou o conto a que Shooter se refere – e poderia prová-lo, não fosse a prova estar na casa de sua ex-mulher, com quem o escritor está em péssimos termos. Com uma bela fotografia, o filme serve de palco para a atuação quase solo de Depp, metido num robe velho sobre as roupas amarrotadas, com os cabelos desgrenhados e o olhar confuso de quem foi pego dormindo fora de hora. O roteiro é um dilema clássico dos heróis hitchcockianos: ser um inocente, cuja culpa é dada como certa, e que tem que se ver com forças que ele mal entende para desfazer o equívoco, antes que este lhe custe a vida.

669 - AUSTIN POWERS, O AGENTE BOM DE CAMA

austin powers, o agente bom de cama (austin powers, the spy who shagged me, usa 1999) – de Jay Roach. Dr. Evil quer roubar o mojo de Austin Powers, com a ajuda de Igor Dão (todos feitos por Mike Myers) e de uma máquina do tempo que o leva a 1968, quando Powers foi congelado. Este segundo filme é muito bom, principalmente por causa de Heather Graham, a mocinha desta vez. A belíssima Liz Hurley, do primeiro filme, faz uma aparição especial no início que é uma coisa: de camisola curta e cabelo preso. Inesquecível. Maravilhosa a seqüência dos créditos iniciais, em que se vê Austin numa piscina, junto com uma equipe de nado sincronizado. Fotografia ótima, enfatizando a leitura psicodélica do universo Austin. Participações de Michael York, Robert Wagner e Rob Lowe.

668 - O CADÁVER ATÔMICO

o cadáver atômico (Creature with the atom brain, usa 1955) – este é um trash de pai e mãe, sem dúvidas. Um mafioso condenado foge da cadeia e, junto com um cientista louco, dá vida a cadáveres que matam os responsáveis por sua prisão. Só um roteiro como esse já era indicação certa para a lista dos piores filmes já feitos. A única observação relevante sobre o filme é que nele foram usadas, pela primeira vez, cápsulas explosivas que imitavam ferimentos à bala. Definitivamente, um exemplo típico de filme B dos anos 50, quando a humanidade se apavorava com as experiências atômicas então recentes. Mas, aparentemente, foi feito com honestidade e boas intenções. Vale conferir.

667 - MANDRAKE - PRIMEIRA TEMPORADA

mandrake (brasil, 2005) – de José Henrique Fonseca. Em tempos de violência generalizada na telinha, José Henrique Fonseca preferiu sair do lugar comum. O diretor mostrou o resultado da série "Mandrake", primeira produção brazuca do tipo do canal por assinatura HBO, numa parceria com a Conspiração Filmes, não foi filmar numa favela nem escolheu como narrativa principal um romance entre uma princesa do asfalto e um chefe do tráfico de drogas. O primeiro episódio é sobre a paixão de um ricaço (Daniel Dantas) por uma prostituta que dança num dos inferninhos de Copacabana. Marcos Palmeira está bem como o advogado Mandrake, embora o estilo cool do personagem esteja mais para um Keanu Reeves em Constantine, do que para um típico carioca. Destaque para a cena da boate com Suzana Alves, a ex-Tiazinha. Uma coisa!

666 - O PODEROSO CHEFÃO

o poderoso chefão I (the godfather I, usa 1971) – de Francis Ford Coppola. Certamente, um dos melhores filmes de todos os tempos, pela história, pelos atores, pela direção, por tudo o que caracteriza a produção de um filme. Só ter Marlon Brando e Al Pacino num mesmo filme é um privilégio. Para ficar co como um dos maiores momentos do cinema: a cena em que Dom Vito Corleone (Brando), diante do filho morto Sonny (James Caan), pede ao responsável pelo funeral que melhore sua aparência, pois ele não queria que a mãe o visse assim. Outra cena emocionante: a morte de Don Vito, enquanto brinca com o neto, numa horta no quintal da de sua casa. O filme é todo pontuado de cenas inesquecíveis e dramáticas. Al Pacino já mostrava o grandíssimo ator que é, com uma atuação magistral como Michael Corleone, o filho mais novo de Vito e que, conforme as circunstâncias vão acontecendo, se torna o novo cappo da família. Robert Duvall, como Tom Hagen, o consigliere da família, adotado como filho por Don Vito e o único com equilíbrio emocional durante os imbricados casos relacionados com as famílias de Nova York, tem excelente atuação. Um grande ator esse Duvall. Basta lembrar dele terçando armas com Richard Harris no maravilhoso “Who is wrestling Ernest Hemingway?”. No mundo de O Poderoso Chefão, não há lugar para as mulheres, a não ser no papel de esposa e mãe. Assim são os personagens de Thalia Shire (Connie, a única filha de Don Corleone) e Kay (Diane Keaton), esposa de Michael.

665 - SEINFELD - PRIMEIRA TEMPORADA


seinfeld, 1a e 2a temporadas (seinfeld, usa 1989 –1991) – são 18 episódios em 4 discos, com excelentes extras e uma ótima oportunidade de sentir como a série evoluiu desde o primeiro episódio. A idéia de se fazer uma série sobre coisa alguma, a não ser as pequenas neuroses universais, é uma coisa difícil, mas seria preciso ser mesmo um gênio para por tudo isso em prática. Larry David e Jerry Seinfeld, juntamente com um elenco talentosíssimo (Jason Alexander, Michel Richards e Julia Louis-Dreyfus) conseguiram isso. Seinfeld (29 de abril de 1954) mora em um apartamento em Nova York e tem como seu vizinho de porta Kramer (Michael Richards, 24 de julho de 1949), que sempre abre a porta da sala da maneira mais atabalhoada. Elaine (Julia Louis-Dreyfus, 13 de janeiro de 1961) e George Constanza (Jason Alexander 23 de setembro de 1959) completam o grupo de amigos: na série, ela é uma ex-namorada de Jerry e George é o baixinho sempre às voltas com dificuldades nos relacionamentos amorosos. Julia tem um dos sorrisos mais belos do cinema. Foi até considerada uma das 50 pessoas mais bonitas do mundo pela People. Curiosamente, ela não está no episódio piloto “The Seinfeld Chronicles”, onde já aparecem Kramer e George. Destaque para o episódio "The Chinese Restaurant".

664 - COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ

como se fosse a primeira vez (50 first dates, usa 2004) – de Peter Segal. Adorei o filme. Adam Sandler (09 de setembro de 1966) é um veterinário marinho que se apaixona por Drew Barrymore (22 de fevereiro de 1975), sem saber que ela tem uma doença que a faz esquecer tudo o que se passou nas últimas 24 horas. Desta forma, ele precisa conquistá-la todos os dias. A mensagem pode até passar despercebida em função do tom de comédia, mas, no fim, é exatamente no ficamos pensando na medida em que rolam os créditos. Rob Schneider faz um havaiano, assistente de Sandler. Dan Aykroyd é o médico que cuida de Drew. Bela fotografia das praias havaianas

663 - NA COMPANHIA DO MEDO

na companhia do medo (gothika, usa 2003) – quando acorda, depois de um acidente, a psicóloga Miranda Grey (Hale Berry) descobre que está internada na instituição psiquiátrica onde trabalha e não tem qualquer lembrança do assassinato de que é acusada. O filme é ruim, como também é ruim a atuação de Hale, que caiu na armadilha das atrizes oscarizadas: depois do prêmio máximo do cinema, muitas atrizes acabam fazendo filmes sofríveis e nunca mais obtendo o mesmo sucesso. Foi o que aconteceu com Hale neste pífio thriller que pretende misturar suspense e terror. É pena vê-la tão desperdiçada.

662 - A DONA DA HISTÓRIA

a dona da história (brasil) – de Daniel Filho. Muito interessante a forma escolhida para contar os 30 anos de casados de Carolina e Luiz Cláudio (Marieta Severo/Antônio Fagundes e Déborah Fallabela e Rodrigo Santoro) e a velha questão do processo decisório. A melhor sacada é quando as duas personagens, a jovem Carolina (Débora Fallabela) e a Carolina madura (Marieta Severo) dialogam sobre sua opções existenciais. O show é de Marieta, apesar de Déborah estar muito bem. O personagem delas é o centro da trama: a Carolina é inquieta, sonhadora e numa constante procura da felicidade

661 - FOME DE VIVER

fome de viver (the hunger, usa 1983) – de Tony Scott. Adaptação muito boa da novela gótica de Whitley Strieber, com Catherine Deneuve, David Bowie e Susan Sarandon. A palavra “vampiro” nunca é mencionada neste filme perturbador, cheio de sutilezas e com um excelente trabalho de iluminação. A violência é cuidadosamente medida de acordo com a extensão dramática de cada cena. A seqüência da cena de amor entre Catherine Deneuve e Susan Sarandon é muito bonita e delicada. Tony Scott tem a cara e a mão típicas dos anos 80. Um período meio arrumadinho, sofisticado e cheio de novas versões para velhas histórias. Assim como o irmão Ridley – autor do filme símbolo da década, Blade Runner – era publicitário. Ou seja: estava acostumado a vender e retocar qualquer coisa que lhe colocassem nas mãos. Assim fez com Fome de Viver, que antecipa a padronagem estética que, dali para frente, foi usada e abusada pelos bravos homens do ramo da publicidade.

660 - A CASA DE DRÁCULA

a casa de drácula (the house of dracula) – David Carradine faz um Conde Drácula meio improvável, que procura um médico para se curar do seu vampirismo (!). Neste meio tempo, Lon Chaney Jr. também está atrás da cura para sua licantropia. Como vêem, os monstros da Universal entraram numa de se recuperar para a sociedade e resolveram procurar ajuda profissional. Mas, como previsto, nada dá certo e o tal médico, contaminado pelos dois monstros, acaba se tornando mais maluco ainda. E ainda tem o monstro de Frankenstein que, trazido de novo à vida, começa a fazer o que sabe: atacar as pessoas e derrubar os objetos do cenário

659 - A CASA DE FRANKENSTEIN

a casa de frankenstein (house of frankenstein, usa 1944) – depois de escapar de um asilo para loucos, um médico idem (Boris Karloff) e seu ajudante corcunda (J. Carrol Naish) tentam reviver o conde Drácula. Esta “casa” do título se refere às ruínas do castelo de Ludwig Frankenstein, segundo filho de Henry, no filme “O Fantasma de Frankenstein”. É também a mesma casa em que Lon Chaney descobre o monstro congelado no filme “Frankenstein encontra o Lobisomem”. John Carradine faz um Drácula sofisticado, com uma atitude britânica e cool, sem o jeitão de cadáver com o que Bela Lugosi calcou o personagem. Foi o primeiro filme da Universal em que não aparecem membros da família Frankenstein.

658 - A LENDA DO TESOURO PERDIDO

a lenda do tesouro perdido (national treasure, usa, 2004) – muito menos do que eu esperava. Nicolas Cage é um caçador de tesouros que, desde pequeno, ouve do pai (Jon Voight) que existe um mapa do tesouro escondido atrás da Declaração de Independência dos Estados Unidos. Juntamente com a bela Diane Kruger (a Helena, de Tróia), começa a decifrar os enigmas que levarão ao tesouro. Boas paisagens de Washington e excelente fotografia. A história é fraca e é pena ver o excelente Cage meio perdido numa aventura com tintas de Indiana Jones.

657 - 007 THE LIVING DAYLIGHTS

007 the living daylights – ótima estréia de Timothy Dalton como James Bond, sucedendo Roger Moore. Ação intermitente e ótimas sequências de suspense.

656 - FRANKENSTEIN ENCONTRA O LOBISOMEM

frankenstein encontra o lobisomen (frankenstein meets the werewolf, usa 1941) – o mais espetacular sobre este filme é ver Bela Lugosi no papel da Criatura, enquanto Lon Chaney Jr, como era de se esperar, faz o bichano. A atuação de Bela é horrível! Seu Monstro, aqui, está mais desconjuntado do que nunca e a maquiagem do rosto, como não poderia deixar de ser, deixa claro que Drácula não morreu no filme de 31.

655 - UM CONVIDADO BEM TRAPALHÃO

um convidado bem trapalhão (the party, usa 1968) – de Blake Edwards. Essa comédia co Peter Sellers se tornou um clássico do cinema. Ele é um ator indiano, totalmente atrapalhado, que vai para Hollywood e acaba se metendo em situações hilariantes numa festa de um dos chefões dos estúdios. Sellers quase que não-atua, deixando que seu ar blasé provoque a confusão ao redor. Memorável.!!!

654 - MENINA DE OURO

menina de ouro (Million dollar baby, usa 2004) – obra-prima de Clint Eastwood, com vários Oscar, todos mais que merecidos. Neste filme magnífico, Clint olha o passado e o futuro nos olhos. E sem tremer. Tudo foge ao esperado estereótipo. Todos os dias, o ex-boxeador Frank Dunn (Eastwood) enxota de seu ginásio decadente a garçonete Maggie Fitzgerald (Hilary Swank), e todos os dias ela volta, obstinada em ser uma lutadora e à espera que Frank finalmente aceite treiná-la. Esta relação mestre-aluno parece anunciar uma história que, em seus contornos básicos, poderia parecer requentada – não falta nem o amigo negro e sábio do treinador (e excelente Morgan Freeman). Mas, nas duas horas seguintes, Eastwood vai conduzir o enredo e seus personagens por caminhos em que nenhum clichê cinematográfico jamais teve a bravura de se aventurar, e cujo destino é o encontro tardio, árduo e terrivelmente doloroso com a salvação, ainda que decidida e deliberadamente contrária a qualquer cânone religioso. Recomenda-se, pois, abaixar a guarda ao assistir ao filme.

653 - 12 HOMENS E UM OUTRO SEGREDO

12 homens e um outro segredo (ocean’s 12, usa 2004) - de Steven Soderbergh. Excelente continuação de 11 Homens e um Segredo, agora com o mesmo time de astros reforçado com Catherine Zeta-Jones. A música que abre o filme é uma versão de “Sentado à beira do caminho”, com Ornela Vanoni. Tão bom quanto o primeiro, o elenco parece, de fato, estar se divertindo, sem muito compromisso com a veracidade, bem no clima dos seriados dos anos 60, como Persuaders, por exemplo

652 - A NOIVA DE FRANKENSTEIN

a noiva de frankenstein (bride of frankenstein, usa) – de James Whale. Seqüência do grande sucesso Frankenstein (1931), do mesmo Whale e, para muitos, Leonard Maltin inclusive, melhor do que o primeiro. Tenho minhas dúvidas. Nos créditos, Boris Karloff aparece apenas como “Karloff”, dado ao imenso sucesso como o Monstro do primeiro filme. A história retoma o final do filme anterior, com a Criatura sobrevivendo ao incêndio do moinho e encasquetando nos miolos apodrecidos que precisa de uma companheira. Neste meio tempo, um cientista mais louco do que Henry Frankenstein, como incrível nome de Pretorious, instiga Henry a ajudá-lo na criação da tal mulher, também feita de restos de cadáveres. Essa, de fato, é um pedaço de mulher. A introdução mostra uma cândida restituição do jantar entre Percy Shelley, Mary Shelley e Lord Byron, afetadíssimo, por sinal. Elsa Lanchester, a noiva do título, faz o papel de Mary também.

651 - FILHO DE FRANKENSTEIN

o filho de frankenstein (son of frankenstein, usa, 1939) – Tal pai, tal filho. Filho do barão Frankenstein (Basil Rathbone, 13 de junho de 1892 – 21 de julho de 1967) vai, com a mulher e o filho pequeno ao castelo de seu pai no coração da Europa, e lá encontra a criatura (Boris Karloff, 23 de novembro de 1887- 2 de fevereiro de 1969) e um estranho criado, Ygor (Bela Lugosi, 29 de outubro de 1882- 16 de agosto de 1956) que pretende se vingar dos burgos-mestres que o condenaram à forca. Um fato engraçado aconteceu com Boris Karloff durante as gravações: com o nascimento de seu primeiro filho, ele foi ao hospital visitar sua esposa e o bebê, ainda vestido como a Criatura, causando pânico entre os pacientes. A atmosfera gótica é bem representada por uma fotografia em preto-e-branco, mas sem o impacto do primeiro filme. O sul-africano Rathbone é um caso a parte: seu porte elegante, nariz adunco e indefectível bigode fino, o fazem quase um personagem além dos vários vilões que interpretou durante sua carreira, com em Capitão Blood. Era considerado o melhor espadachim do cinema, acima até de Errol Flynn. Lugosi faz um personagem estranhíssimo, com pescoço quebrado, peruca ridícula e dentes postiços, e que toca uma espécie de flauta durante os ataques do monstro. Lugosi morreu na penúria e, segundo consta, seu funeral, curiosamente, foi pago por Frank Sinatra. Só teve fama mesmo com Dracula (1931) e, depois, se afundou em produções de baixíssimo orçamento e doses cavalares de heroína. Ironicamente, Martin Landau ganhou um Oscar ao viver Lugosi em Ed Wood.

650 - FRANKEINSTEIN


frankenstein (frankenstein, usa 1931) - Boris Karloff interpretou, em 1931, a mais famosa das adaptações cinematográficas da novela gótica escrita por Mary Shelley, passando de ator quase desconhecido à estrela de Hollywood. Dirigido por James Whale, o filme relata a conhecida história de Henry Von Frankenstein (Colin Clive), um cientista envolvido em seu mais ambicioso e audaz projeto: a criação de um novo ser humano utilizando diferentes partes de cadáveres. Com a ajuda de seu criado Fritz (Dwight Frye), o cientista procura, no cemitério, os componentes necessários para dar vida à sua criatura. A experiência parece funcionar, mas quando o monstro sente o repúdio do doutor Frankenstein, se converte em um ser feroz à procura de afeto. Influenciado pelo movimento expressionista alemão, o filme de Whale criou muitas das convenções dos filmes de horror, como o monstro de movimentos toscos ou o cientista transtornado. Obra-mestra do gênero, “Frankenstein” combina terror e melodrama em uma história que conserva, ainda hoje, um grande interesse, ao propor conflitos tão atuais, como a manipulação da vida pela ciência, mesmo que o principal do filme seja o terror do homem em abandono. Karloff usou um expediente para dar mais credibilidade à expressão cadavérica do Monstro: consta que ele retirou a ponte móvel para ficar com o rosto mais escaveirado. De fato, funcionou.

649 - DRACULA

dracula (dracula, usa 1931) - Com este mítico filme do diretor Tod Browning, Bela Lugosi marcaria para sempre sua caracterização como o famoso Conde Drácula. Baseada no romance original de Bram Stoker, a história começa com a viagem do vampiro, dos Cárpatos até Londres. Lá, conhece a bela Mina Harker (Helen Chandler), filha do doutor Seward (Herbert Bunston). Apaixonado pela jovem, o Conde começa a visitá-la com freqüência para beber seu sangue e poder, assim, convertê-la em sua mulher. Mas a saúde de Mina logo começa a se deteriorar e isto alerta a sua família, que decide acudir ao professor Van Helsing (Edward Van Sloan), especialista em vampiros. Depois que o doutor descobre que o Conde Drácula é, na realidade, um vampiro, o noivo de Mina (David Manners) e seu pai terão de evitar que a jovem converta-se, também, em uma morta em vida. Com suas imagens perturbadoras e obscuras, este clássico de 1931 influenciaria as produções de horror das próximas décadas. No mesmo estúdio onde se filmava Drácula, durante a noite estava sendo filmada, também, uma versão em espanhol, com um elenco de artistas de língua espanhola. O final é pífio, sem nenhuma grandiloqüência, como foram, posteriormente, os filmes da Hammer com Christopher Lee.