sábado, 20 de junho de 2015

2637 - BOA SORTE

BOA SORTE (BRASIL, 2014) – Primeiro longa de Carolina Jabor. Com um roteiro facilmente previsível, o filme logo chama a atenção pelos estereótipos que conhecemos numa clínica de reabilitação: personagens com maneirismos exagerados, o enfermeiro corrupto, pais ausentes que querem se livrar da culpa da internação dos filhos. O uso de remédios leva o adolescente João (João Pedro Zappa) à clínica, onde conhece Judite (Deborah Secco, que ainda não convence como atriz), que tem HIV. A partir daí, a história aponta para uma pouco original “jornada de autodescoberta”, pontificada pelo surgimento do amor entre os dois protagonistas. Há uma tentativa de mostrar uma metáfora de “invisibilidade” dos “excluídos”, em função do preconceito com os que se perdem (ou se acham) no universo das drogas e da depressão. O filme também peca ao se estender além da cena em que João resgata o diário de Judite, na casa da avó dela (Fernanda Montenegro, sem brilho e repetitiva). As boas questões que o filme poderia levantar – relação ruim entre pais e filhos, uso e drogas ilícitas, compra e venda de remédios sem receita, a precária realidades das clínicas de reabilitação – se perdem no foco de um romance raso, com um desfecho nada original e uma sequência final que derruba as possíveis boas intenções do roteiro.