terça-feira, 8 de maio de 2007

60 - FRANKENSTEIN


frankenstein (usa, 1931) – de James Whale. Obrigatório rever sempre esse clássico do cinema gótico americano. Teria muito o que falar, mas hoje só quero me ater a uma cena, já no final do filme, quando Henry Frankenstein (Colin Clive) se vê diante da Criatura (Boris Karlof), no alto de uma colina, em que Whale, magistralmente, elabora um jogo óptico mostrando a diferença de tamanho entre os dois. A cena dura alguns segundos, mas é emblemática da tensão entre o criador atônito e sua criatura desnorteada, querente de respostas para um torvelinho de perguntas. Se Karlof imortalizou com sua atuação o protótipo do monstro criado por Mary Shelley, Clive também marcou a história do cinema com a figura do cientista ensandecido e, ao mesmo tempo, maravilhado com sua criação.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

59 - UM LOBISOMEM AMERICANO EM PARIS


um lobisomen americano em paris (na american werewolf in paris, usa 1997) – de Anthony Waller. Um jovem americano, em Paris, Andy (Tom Everett Scott, 07 de setembro de 1970) se vê envolvido com uma turma de lobisomens, depois que salva uma jovem (Julie Delpy, 21 de dezembro de 1969) que quer pular da torre Eiffel. Só que ela também está tomada pela licantropia e, ao feri-lo, o transforma em lobisomem. Efeitos especiais razoáveis, numa história que mistura terror e comédia, mas erra na mão: embora com algumas boas gags e o clima de romance, o filme se perde e não satisfaz quem gosta dos dois gêneros. Muito aquém do original Um Lobisomem Americano em Londres, de John Landis, de 1981. Vale só por causa de Julie.

domingo, 6 de maio de 2007

58 - TRÊS SOLTEIRÕES E UM BEBÊ


três solteirões e um bebê (three men and a baby, usa 1987) – de Leonard Nimoy. Um dos meus filmes favoritos de todos os tempos. Típico exemplo de uma direção segura, roteiro redondo e um elenco que funciona magicamente. Tom Selleck, Ted Danson e Steve Guttemberg (24 de agosto de 1958) são os três solteirões do título, que vivem como playboys num apartamento fashion em Nova York. Um dia, um bebê é deixado na porta deles e a vida de cada um se transforma completamente. Mary, o bebê, é filha de Jack (Danson, 29 de dezembro e 1947), um ator sem muita responsabilidade. Selleck é Peter, um arquiteto que, junto com Michael, dedica-se a cuidar da filha recém-chegada. Os três têm atuações soberbas, mas Selleck (29 de janeiro de 1945) talvez tenha tido o maior papel da sua vida neste filme (e não tivesse recusado o papel de Indiana Jones, na época). A cena em que Peter e Michael tentam abafar o barulho de uma sirene, enquanto fazem Mary dormir é antológica. E tem mais: os três cantando para ela, os créditos de abertura, a edição ágil de Nimoy, o contraste entre as vidas dos rapazes, antes e depois da chegada de Mary, Peter lendo o jornal para Mary e explicando que o que importa é o tom da voz, a beleza de Nancy Travis (21 de setembro de 1961) – a mãe de Mary –, que aparece de repente para pegar a filha de volta e, com isso, mostra aos rapazes como a pequena Mary é importante para eles. A seqüência - Três Solteirões e uma Pequena Dama - também é ótima!

57 - A LUTA PELA ESPERANÇA


a luta pela esperança (cinderella man, usa 2005) – de Ron Howard. Para quem perdeu a série de Rocky, com Stallone, temos aqui um genérico com certa qualidade, não estivesse Russel Crowe (07 de abril de 1964) brilhando, mais uma vez, no papel de Jim Braddock, boxeador de vida tortuosa durante a Grande Depressão. Para abrilhantar, o grande Paul Giamatti (06 de junho de 1967) faz seu técnico, e Renée Zellweger (25 de abril de 1969), a sua esposa sofrida. Tudo quase igualzinho à saga de Balboa, mas com atores de verdade. Howard tem sensibilidade para explorar dramaticamente, e sem excessos, a difícil vida de Braddock.

sábado, 5 de maio de 2007

56 - ÁGUA NEGRA


água negra (dark water, usa 2005) – de Walter Salles. Após separar-se do marido, Dahlia (Jennifer Connely, 12 de dezembro de 1970)) se muda com a filha para um apartamento num antigo prédio na periferia de Nova York. Uma misteriosa goteira com uma água escura começa a provocar estranhos acontecimentos. O ótimo John C. Reilly (24 de maio de 1965) também está no elenco. A maior parte do filme se passa sob chuva, forçando um clima meio depressivo, mas Salles consegue seu intuito. A esposa de Paul Bettany continua ótima atriz nos mesmos papéis sofridos de sempre. É um remake de um filme de terror japonês, invariavelmente envolvendo uma garotinha perdida entre o mundo dos mortos e dos vivos.

55 - POR UMA NOITE APENAS


por uma noite apenas (one night stand, usa 1997) – de Mike Figgis. Max (Wesley Snipes, 31 de julho de 1962) mora em Los Angeles é casado com Mimi (Ming-Na Wen, 20 de novembro de 1963). Quando vai a Nova York visitar seu amigo Charlie (Robert Downey Jr., 04 de abril de 1965), que está com Aids, conhece Karen (Nastassja Kinski, 24 de janeiro de 1959) e passam a noite juntos. Um ano depois, em outra visita ao amigo, descobre que ela é a esposa do irmão de Charlie, Vernon (Kyle MacLachlan, 22 de fevereiro de 1959). É um filme sobre infidelidade, com um roteiro superficial que se complica na medida em que chega o final do filme. Snipes faz um personagem parecido com o de Febre na Selva, de Spike Lee, quando ele (Snipes) iniciava uma carreira com ares de seriedade. Curiosamente, Julian Sands (04 de janeiro de 1958) faz um papel pequeno e o maravilhoso John Ratzenberger (06 de abril de 1947), o Cliff Clavin de Cheers, quase não aparece.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

54 - REI ARTHUR


rei artur (king arthur, eua 2004) – Antoine Fuqua, de Dia de Treinamento. Excelente versão dos cavalheiros da távola redonda. Clive Owen (Arthur) comprova que é um ator de presença magnética e faz um personagem íntegro, angustiado e convencido dos valores humanistas que fizeram a lenda de Lancelot e seus pares. A bela Keira Knightley (26 de março de 1985) é Guinevere. Aqui, ela empunha o arco e flecha com destreza e não se importa em se pintar como guerreira para enfrentar o inimigo no campo de batalha, cujas cenas receberam uma ajudazinha do computador, embora sem afetar a, digamos, naturalidade da ação. Mas é sempre bom ver o Rei Arthur liderando seus cavaleiros na defesa da ordem e da honra. E é bom também ver Keira, ainda mais linda quando fala com aquele sotaque britânico característico. Inclusive, foi votada como a segunda voz mais sexy, logo depois de Sean Connery, numa pesquisa feita pelo Instituto Real dos Cegos, na Inglaterra, no aniversário de 70 anos do seu serviço de Audio Books.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

53 - IMPÉRIO SUBMARINO


Império submarino (undersea kingdom, usa 1936) – poder-se-ia dizer que Império Submarino é uma espécie de Flash Gordon debaixo d’água, mas não é só isso. Esse seriado da Republic, que disputava com a Paramount a audiência nos cinemas, é mesmo uma cópia descarada do Flash Gordon, coqueluche na primeira metade do século passado (alguém, hoje em dia, entende coqueluche neste sentido?). Pois bem, em vez de ser no espaço sideral, a história aqui se passa no fundo do mar, no continente perdido de Atlântida, onde o insano imperador Uga Khan (Monte Blue,11 de janeiro de 1887 – 18 de fevereiro de 1963) quer conquistar o mundo da superfície, com a ajuda de um cientista, professor Norton (C. Montague Shaw), que chega a Atlântida no seu submarino, juntamente com seu filho Billy (Lee Van Atta), o atlético oficial “Crash” Corrigan (Ray Corrigan, 14 de fevereiro de 1902 – 10 de agosto de 1976) e a repórter Diana (Lois Wilde). Bem, o que eles encontram lá? Duas facções de guerreiros: os capa-branca, seguidores do sacerdote Sharad (William Farnum, 04 de julho de 1876 – 05 de junho de 1953) e, lógico (o filme é em preto e branco, lembram-se?), os capa-preta, acólitos de Khan, que são ajudados por uma espécie de lata de lixo ambulante – os robôs Volkites, que usam um blindado com uma sirene, o Juggernaut, um genérico do "caveirão" carioca.. A história se desenrola com Crash (Flash?) se tornando líder dos capa-branca e com Uga Khan capturando o professor Norton para que este fabrique os foguetes necessários para que sua torre suba à superfície. Um desperdiçado Lon Chaney Jr. (10 de fevereiro de 1906 – 12 de julho de 1973) faz o chefe da guarda da Khan. Note-se que Uga Khan, assim como Ming em Flash Gordon, também representa “a ameaça amarela”, como os americanos se referiam aos japoneses durante as grandes guerras. Os efeitos especiais são muito bons.

terça-feira, 1 de maio de 2007

52 - SPARTACUS


spartacus (spartacus, usa 1960) – de Stanley Kubrick. Clássico épico de gladiadores estrelado por Kirk Douglas. Spartacus (Douglas, 09 de dezembro de 1916) é um escravo das legiões romanas que, depois de treinado para lutar nas arenas, lidera uma revolta para libertar seus companheiros do cruel julgo de Marcus Licinius Crassus (Lawrence Olivier, 22 de maio de 1907 – 11 de julho de 1989). A dublagem em português é extremamente bem feita. Atores famosos da época, como os já citados Douglas e Olivier, fazem do filme um daqueles momentos memoráveis do cinema: Peter Ustinov (16 de abril de 1921 – 28 de março de 2004), perfeito como o treinador de gladiadores, Charles Laughton (01 de julho de 1899 – 15 de dezembro de 1962), fazendo o senador romano Grachuus, que parece ter saído diretamente do velho Império e Jean Simmons (31 de janeiro de 1929), que interpreta a esposa de Spartacus. Tudo é muito grandioso, como soia acontecer com as produções de época da Hollywood do pós-guerra.

51 - DOROTHY DANDRIDGE


dorothy dandridge – o brilho de uma estrela (introducing dorothy dandridge, usa 1999) – biografia da primeira atriz negra a ser indicada ao Oscar. Na década de 40, cantava com suas irmãs e logo chamou a atenção por seu talento e beleza. Virou uma estrela de cinema, mas ainda teve que enfrentar o preconceito. Hale Berry (14 de agosto de 1966) faz o papel principal à perfeição, mostrando uma versão negra de Marilyn Monroe, com o mesmo vício em tranqüilizantes e uma vida recheada de decepções amorosas até o final trágico. Ela está linda no filme. É pena que sua carreira tenha tido muito mais baixos do que altos, haja vista o horroroso Mulher-Gato e o pavoroso Gothika (2003). Quem está muito bem é Brent Spiner (02 de fevereiro de 1949), o Data de Jornada nas Estrelas – Nova Geração, como o empresário que se apaixona por ela e que não a abandona até o final da vida. O ator austríaco Klaus Maria Brandauer (22 de junho de 1944) faz o papel de Otto Preminger, diretor austríaco que fez fama em Hollywood nos pós-guerra e responsável por Anatomia de um Crime (1950).

sexta-feira, 27 de abril de 2007

50 - A LENDA DO ZORRO


a lenda do zorro (the legend of the zorro, usa 2005) – interessante seqüência do ótimo A Máscara do Zorro (1988). Movimentado, com diálogos espirituosos e, claro, com a presença radiante de Catherine Zeta-Jones (UK, 25de setembro de 1969) esposa de Alejandro de La Vega (Antonio Banderas, Espanha, 10 de agosto de 1960). O roteiro é original: Elena é recrutada pelo governo americano para ser uma espiã junto a um aristocrata francês líder de uma seita que planeja a destruição dos Estados Unidos e, no meio disso tudo, se separa do marido. Boa fotografia. Pura diversão, função primordial do cinema. Direção de Martin Campbell, que também dirigiu o filme anterior. Spielberg foi um dos produtores executivos. Catherine é mesmerizante. É bem verdade que este Zorro, com suas noções antiquadas de fidalguia, seus vilões almofadinhas e seus figurantes vestidos de mexicanos de araque, acabe virando um artigo que desperta apenas curiosidade moderada do público mais jovem, se comparado às aventuras de heróis mais bem desenvolvidos e afinados com o zeitgeist atual, como o Homem-Aranha. Sob uma ótica mais crítica, o filme não deixa dúvida de que o personagem está sentindo o peso dos anos e a força da concorrência, porque o obriga a trabalhar três vezes mais: agora, ele tem que, ao mesmo tempo, socorrer os camponeses, seduzir de novo a sua mulher e ser um pai presente, que vai buscar o filho na escola na hora certa. Mas herói de verdade também é capaz de encaixar na sua agenda aulas de artes marciais. Além de dominar a esgrima ao estilo espanhol, Don Alejandro agora luta como um ninja, porque, bem, hoje em dia, ou o sujeito luta como um ninja ou vai para a fila dos heróis desempregados, presume-se. No conjunto da obra, vale a pena ainda se deleitar com o justiceiro mascarado que Guy Williams eternizou na minha lembrança de menino. O mais low-tech dos heróis ainda tem potencial para novas aventuras, enfrentando os mesmos vilões de bigode, riscando com a espada o Z emblemático e, agora, tendo ao lado uma mulher como Catherine Zeta-Jones.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

49 - FIREWALL


firewall, segurança em risco (firewall, usa 2006) – de Richard Loncraine, de Wimbledon. Harrison Ford (13 de julho de 1942) é Jack Stanfield, um alto executivo de um banco em Seattle, que é chantageado por um criminoso com ares de cavalheiro, Bill Cox (Paul Bettany, 27 de maio de 1971), que seqüestra sua esposa (Virginia Madsen, 11 de setembro de 1961) e filhos. Obrigado a burlar os softwares que asseguram o dinheiro do banco e transferir uma bolada para a conta de seus algozes, Jack se vê acuado até ter uma chance de reagir. Nada muito heróico como nos filmes de Indiana. Harrison parece, aqui, e não por força do personagem apenas, mal humorado e carrancudo, demonstrado certa má vontade de atuar. O filme se passa, em quase sua totalidade, sob chuva, o que remete o espectador mais atento ao cenário de Blade Runner, com o mesmo Ford.

terça-feira, 24 de abril de 2007

48 - SUPERSIZE ME


supersize me, a dieta do palhaço (supersize me, usa 2004) – impressionante documentário sobre os malefícios que uma dieta baseada apenas em fast food pode causar à saúde. O filme acompanha uma bizarra experiência que tem como cobaia o próprio diretor. Seguido de câmaras e especialistas em nutrição, Morgan Spurlock passou um mês fazendo todas as refeições no McDonalds e mostra, sempre com bom humor – o que é mais incrível – os resultados: muitos quilos extras e variados problemas de saúde, com direito à vomição em via pública.

47 - AS LOUCAS AVENTURAS DE JAMES WEST


as loucas aventuras de james west (WILD, wild, west, usa 1999) – roteiro original sobre uma espécie de James Bond do velho oeste americano, James West (Will Smith) que, junto de um cientista (Kevin Kline, 24 de outubro de 1947), tenta impedir que um louco de cadeiras de rodas (Kenneth Branagh, UK, 10 de dezembro de 1960), a bordo de uma gigantesca aranha mecânica, tente assassinar o presidente. Direção de Barry Sonnenfeld. O filme é muito divertido, especialmente pelas invenções mecânicas malucas e as boas atuações de Will Smith (25 de setembro de 1968) e Kevin Kline. Ainda tem a Salma Hayek (México, 02 de setembro de 1966) em trajes sumários, o que não é para se desprezar. Na década de 60, havia na TV uma série homônima, estrelada por Robert Conrad.

46 - ALGUÉM TEM QUE CEDER


alguém tem que ceder (someone’s got to give, usa) – sempre vale a pena rever este filme por causa de Nicholson e Diane Keaton, além, claro, de Amanda Peet e seu sorriso mesmerizante. Ela está encantadoramente linda no filme. Nicholson e Diane terçam armas como dois dos maiores atores americanos de todos os tempos e, mais do que isso, parecem se divertir com os personagens antípodas que se descobrem apaixonados. Tudo funciona, desde a belíssima casa situada nos Hamptons, onde se passa a maior parte da ação, aos diálogos originais e engraçados. O filme é uma reflexão profunda sobre as relações humanas, os desejos, a busca da felicidade e a ilusão da juventude.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

45 - O VIRGEM DE 4O ANOS


o virgem de 40 anos (the 40 year old virgin, usa 2005) – de Judd Apatow. Uma total decepção! Achei que o ótimo Steve Carell (16 de agosto de 1963), que havia brilhado em O Todo Poderoso, iria arrasar neste filme, mas tudo é tão ruim que fica difícil até de comentar. Carell está inexplicavelmente contido, o que me leva a crer que sua participação no filme de Carrey tenha sido, talvez, aquilo que chamamos de sorte de principiante, embora ele não seja exatamente um neófito no gênero. É necessário cotejar com uma próxima produção para se ter um conceito definitivo sobre Carell. Confesso que fiquei desapontado com sua atuação neste filme.

44 - AS VIOLETAS SÃO AZUIS


as violetas são azuis (violets are blue, usa 1986) – romance com Sissy Spacek. Depois de 15 anos viajando pelo mundo como fotógrafa, Gussie (Spacek) volta à sua cidadezinha natal e reencontra o namorado de juventude (Kevin Kline) que, depois de ter decidido partir com ela, se dá conta que não tem como sair daquele lugar, largando a esposa e o filho. Estas histórias de reencontros me fascinam e por isso assisti ao filme. O final é muito previsível, mas Spacek e Kline demonstram grande sintonia.

sábado, 7 de abril de 2007

43 - O TALENTOSO RIPLEY


o talentoso ripley (the talented mr. ripley, usa 1999) – o personagem Tom Ripley é um presente para qualquer ator que queira um desafio: amoral, cínico, inconfiável, capaz das maiores maldades sem que uma gota de arrependimento corra no rosto de bom garoto. Matt Damon (08 de outubro de 1970) dá conta do recado como Ripley e ainda se dá ao luxo de nos deixar na dúvida se compreendemos ou não o tipo psicótico que vai à Itália, nos anos 50, fingindo-se de amigo de faculdade de um playboy amante do jazz, Dickie (Jude Law, 29 de dezembro de 1972), quase noivo de uma bela loira (Gwyneth Paltrow, 27 de setembro de 1972), a mando do pai daquele. Fazendo de tudo – tudo mesmo – para se enfronhar na vida de Dickie, até tomar-lhe a identidade, Ripley se mostra frio e com verdadeiro talento para resolver, na hora, as complicações que o enredo bem feito oferece. Ainda tem Philip Seymour Hoffman (23 de julho de 1967), excepcional num papel pequeno, mas notável e a classy Cate Blanchett (14 de maio de 1969). Direção de Anthony Minghella

42 - AS LOUCURAS DE DICK E JANE


as loucuras de dick and jane (fun with dick and jane, usa 2005) – de Dean Parisot. Comédia irregular com Jim Carrey e Téa Leoni. Depois de ser promovido na empresa onde trabalha, Dick (Carrey, 17 de janeiro de 1962), o que faz sua mulher Jane (Leoni, 25 de fevereiro de 1966) abandonar o emprego medíocre, para ser, em seguida despedido, em função da inesperada falência da firma, o casal resolve entrar na vida do crime, até chegar à conclusão de que o melhor é tirar o dinheiro do ex-presidente corrupto da empresa onde trabalhava (Alec Baldwin, 03 de abril de 1958).. As tentativas que fazem são engraçadas, mas o filme não consegue fôlego para chegar ao final. Menos careteiro do que o costume, Carrey, que também é o produtor, tem química com Téa Leoni, mas poderia render mais. O filme expõe as falcatruas de algumas grandes corporações americanas como a Enron.

41 - QUO VADIS


quo vadis (quo vadis, usa 1951) – de Mervin LeRoy. "Não queime o seu filme". Ao retornar a Roma, depois de três anos de batalha, o general Marcus Vinicius (Robert Taylor, 05 de agosto de 1911 – 08 de junho de 1969) conhece Lygia (Deborah Kerr, 30 de setembro de 1921) e se apaixona por ela. Como cristã, ela não quer nada com o comportamento bélico dele. Sendo uma refém de Roma, Marcus Vinicius pede ao imperador Nero (Peter Ustinov, 16 de abril de 1921 – 28 de março de 2004) para tê-la como serviçal. Ela reluta, mas acaba se rendendo aos seus encantos. Neste meio tempo, Nero, cada vez mais alucinado, incendeia Roma e joga a culpa nos cristãos. O filme ainda é muito bom, especialmente pela magnética e vulcânica atuação de Ustinov como um Nero arrogante e afetado, personagem que acaba roubando as cenas e a atenção da platéia, além de dar outro sentido à expressão "botar fogo na casa". Estréia de Sophia Loren no cinema, como uma das escravas do imperador. Elizabeth Taylor também aparece numa ponta.

40 - A FUGA DAS GALINHAS


a fuga das galinhas (chicken run, usa 2000) – de Peter Lord e Nick Park. Animação muito bem feita com uma série de referências ao filme A Grande Escapada, com Steve MacQueen, de 1963. Imagine um campo de concentração em torno do qual cercas de arame farpado isolam os prisioneiros, alimentados com parcas migalhas. De vez em quando, um deles é separado violentamente do grupo e levado para a execução sumária. Pior: os sobreviventes descobrem que está próxima a hora em que todos irão para o forno. Documentário sobre o Holocausto? Não. Estou falando de um filme para crianças – uma fábula sobre a liberdade, que tem por cenário uma granja e, como heroínas, galinhas tão cheias de alma que, depois de ver o filme, a gente fica na dúvida se encara ou não um fricassé ou uma coxinha. Os diretores vão na contramão das tendências. Enquanto os desenhos animados já então se aproveitavam a valer da tecnologia dos computadores, os dois ingleses são fiéis a uma técnica antiquada: a modelagem com massinhas. As simpáticas galinhas pretendem fugir antes de virar torta nas mãos da cruel dona da granja, com a ajuda de um galo falastrão (voz de Mel Gibson). Adorável, vale a pena ver sempre. Como diriam os baianos, o filme é massa!

quinta-feira, 5 de abril de 2007

39 - MATADORES DE VELHINHA


matadores de velhinha (ladykillers, usa 2004) – excelente filme dos irmãos Cohen, com Tom Hanks (09 de julho de 1956) fazendo o chefe de uma gang muito atrapalhada que planeja roubar um cassino cavando um túnel entre o porão da casa de uma velhinha, de quem é inquilino, e o cofre onde está o dinheiro da jogatina. Falando ar professoral e citando Poe em quase todas as cenas, Hanks está muito engraçado, usando dentes tortos e com um discurso extravagante, mas sempre com aquele jeito contido que o caracteriza. Refilmagem do clássico inglês O Quinteto da Morte, estrelado por Alec Guinness, retratando uma Londres típica do pós-guerra e que ainda tinha o requinte de contar com a presença de um jovem Peter Sellers. Nesta versão, a velhinha é vivida pela ótima Irma P. Hall que, caminhando no sentido contrário ao do filme, tira da figura genérica que lhe foi confiada uma ingenuidade e uma honestidade críveis e encantadoras. Achei uma grande comédia. Curiosamente, foi o segundo filme este ano que vejo sobre velhinhas espertas. O primeiro o foi o excelente Duplex, com Ben Stiller

terça-feira, 3 de abril de 2007

38 - MATCH POINT


match point (match point, usa 2005) – os ares britânicos fizeram bem a Woody Allen, que parece renovado ao escrever e dirigir este thriller de suspense policial que começa, assim como quem não quer nada, como uma das suas comédias sobre relacionamentos, e passa para uma história surpreendente. Chris (Jonathan Rhys Meyers, 27 de julho de 1977) é uma espécie de Tom Ripley um pouco mais diluído, mas com pretensões de subir na sociedade londrina. Depois de fazer amizade com um ricaço, Tom Hewet (Matthew Goode, 03 de abril de 1978), a quem ensina tênis como empregado num clube, casa-se com a irmã dele, mas se sente profundamente atraído pela noiva de Tom, Nola (Scarlet Johansson, 22 de novembro de 1984), uma dublê de loira fatal e atriz aspirante. Allen mostra um fascinante jogo de reflexão sobre a sorte (sim, a sorte pura e simples) e das escolhas feitas na vida, principalmente aquelas que dizem respeito à satisfação imediata. Então, o filme toca numa questão delicada e incômoda: é melhor ser rico e insatisfeito ou pobre e feliz? A partir daí, o mestre Allen vai tecendo uma história envolvente, que tangencia valores burgueses e sonhos românticos, sem ser moralista ou parcial. Vale ver e rever. Maurice tinha razão.

37 - O GRITO


o grito (the grudge, usa, 2004) – de Takashi Shimizu. Uma casa simples em Tóquio é possuída por uma maldição que destrói a vida de quem por ela passa. Karen (Sarah Michelle Gellar, 14 de abril de 1977) aceita tomar conta de uma senhora que mora lá, iniciando um ciclo de mortes inexplicáveis. Há muito tempo que eu não via um filme que me causasse arrepios, premissa básica de uma boa história de terror. Ainda no filme, Bill Pulman (17 de dezembro de 1953) fazendo um papel quase secundário. Assim como O Chamado, O Grito foi garimpado por Hollywood na nova pátria do terror – o Japão – e tem o mesmo mote simples: fantasmas rancorosos vingam-se de sua passagem para o além perturbando os vivos e os levando também à morte

segunda-feira, 2 de abril de 2007

36 - EVELYN


evelyn (evelyn, ireland & Usa 2002) – de Bruce Beresford. Pierce Brosnan luta na justiça irlandesa para ficar com a guarda dos filhos, depois que sua mulher o deixou no dia de Natal. Drama sem grandes derramamentos, típico da Europa pós-guerra. Brosnan está muito bem como o pai carinhoso que, acusado de não ter recursos para ficar com os filhos, luta contra o alcoolismo e a descrença para reverter a sentença da corte irlandesa. Boa atuação de Brosnan, num filme que resvala na pieguice, mas que consegue fôlego para ir até o final.

domingo, 1 de abril de 2007

35 - LIGADAS PELO DESEJO


ligadas pelo desejo (bound, usa 1996) – de Andy e Larry Waschowski. Corky (Gena Gershon 10 de junho de 1962), uma ex-condenada, se envolve com Violet (Jennifer Tilly, 16 de setembro de 1958), amante de um mafioso (Joe Pantoliano), e planeja, junto com ela, roubar dois milhões de dólares dele. Alta tensão erótica entre os personagens de Gena e Tilly, que tinha feito A Noiva de Chuck, trash comercialmente bem sucedido. As duas estão lindas e altamente sexy. Thriller que rendeu aos futuros diretores de Matrix cacife suficiente para o sucesso que viria com as aventuras de Neo e seu mundo verde. A história prende a atenção do início ao fim, começando com a cantada à queima roupa que Violet dá em Corky

34 - A ILHA


a ilha (the island, usa 2005) – de Michael Bay, que dirigiu A Rocha e Bad Boys II. Qual a razão para ver este filme? É loura e possui dois lábios superiores: Scarlett Johansson (22 de novembro de 1984). Ela e Lincoln (Ewan McGregor, 31 de março de 1971) são clones que estão confinados num grande laboratório, com a promessa de ir para uma ilha, local onde ficarão os escolhidos para fugir de uma alegada contaminação que tomou conta da Terra. No entanto, a verdadeira razão de eles estarem ali é um gigantesco esquema de transplantes de órgãos, que são vendidos aos clientes endinheirados à procura de um prolongamento de suas vidas. Ao descobrirem a farsa, são perseguidos pelo médico responsável pelo comércio (Sean Bean, 17 de abril de 1959). Ficção científica eficiente, apesar de um pouco longa demais, parecendo um clone do afamado Blade Runner. Alguns diálogos espirituosos como, por exemplo, quando Lincoln contracena com seu próprio clone. Steve Buscemi (13 de dezembro de 1957) está ótimo, como sempre. Fotografia caprichada, embora beire aquela luz artificial que estraga tanto alguns filmes. Tudo bem que a latílabra Angelina Jolie tem seus atributos, mas, na minha modestíssima opinião, ninguém é páreo para Scarlett.

33 - O FUGITIVO


o fugitivo (the fugitive, usa 1993) – de Andrew Davis. Excelente adaptação do seriado de TV dos anos 60, com o talentoso e carismático David Janssen (27 de março de 1931 – 13 de fevereiro de 1980). Ninguém mais que Harrison Ford (13 de julho de 1942) para fazer o papel do Dr. Richard Kimble, acusado de matar a esposa e que, após fugir, tenta desesperadamente provar sua inocência. Sério, contido, convincente, ele está perfeito no papel. Ele seria o intérprete perfeito para os filmes de Hitchcock, como era James Stewart. Tommy Lee Jones (15 de setembro de 1946), sensacional como sempre, é o chefe de polícia que o persegue meio em dúvida se Kimble é mesmo culpado. Julianne Moore (03 de dezembro de 1960) faz um papel secundário como uma médica, durante uma das cenas marcantes: Kimble, no hospital, altera o diagnóstico que ela fez de um menino acidentado, e o dirige ao setor para o tratamento adequado. Excelentes atuações.

32 - ROUBANDO VIDAS


roubando vidas (taking lives, usa/canada 2004) – agente do FBI (Angelina Jolie, 04 de junho de 1975) vai a Montreal ajudar na investigação de uma série de crimes e acaba se envolvendo com uma das testemunhas (Ethan Hawke, 06 de novembro de 1970). Violento, mas razoavelmente Eeficiente thriller que melhora muito do meio para o final. Angelina está linda no filme. Por algum motivo, Hawke não está bem no papel. Vale dar uma olhada, mas não espere muito. É uma espécie de genérico de O Colecionador de Ossos e Seven. Direção de D.J. Caruso.