terça-feira, 25 de agosto de 2009

798 - OS MAIORAIS


OS MAIORAIS (THE MOGULS, USA 2005) – não dá para perder um filme em que Ted Danson (29 de dezembro de 1947) faz um gay. Por isso, assisti ao filme que também tem Jeff Bridges (04 de dezembro de 1949) liderando um grupo de meia-idade que, em virtude da lastimável situação financeira, decide fazer um filme pornô só com amadores, na pequena cidade em que vivem. A comédia tem bons momentos e só. Atenção a Joe Pantoliano e William Fichtner.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

797 - AGENTE 86


AGENTE 86 (GET SMART, USA 2008) – é claro que ninguém mais do que Steve Carell (16 de agosto de 1962) para fazer o Maxwell Smart de Don Adams, pelo menos aparentemente. Carell tem o physique de role do personagem, a mesma voz fina e aquele ar apalermado do agente 86. Acontece que a versão aqui não funciona. O filme fica a meio caminho da sátira aos agentes secretos e bem longe da comédia. O Smart de Carell é apenas uma repetição dos personagens que ele tem feito ultimamente: uma contrafação do humor a que se propõe. O que é uma pena, pois Steve Carell é excelente, como se pode constatar no papel de âncora de um telejornal em “O Todo-Poderoso”, com Jim Carrey. Anne Hathaway faz uma bela 99, mas não consegue dar o contraponto necessário para que as gags funcionem, como acontecia com Bárbara Feldon. Quem não viveu a série original pode até gostar.

796 - AS DUAS FACES DE UM CRIME


AS DUAS FACES DE UM CRIME (PRIMAL FEAR, USA 1996) – de Gregory Hoblit. Richard Gere (31 de agosto de 1949) faz, aqui, um advogado cheio de si que, em cobrar honorários, decide defender um rapaz (o ótimo Edward Norton, na sua estreia no cinema) acusado de assassinar um padre sob cuja custódia vivia, em Chicago. O caso fica ainda mais complicado quando o rapaz revela que poderia ter havido uma terceira pessoa na cena do crime. Bom thriller de tribunal, com excelentes atuações de Gere e do supracitado Norton (18 de agosto de 1969). Laura Linney é uma advogada, caso antigo do personagem de Gere. Miranda deve gostar.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

795 - A CASA DA MÃE JOANA


A CASA DA MÃE JOANA (BRASIL, 2008) – de Hugo Carvana. Três amigos que nunca trabalharam na vida têm agora que se virar para pagar a hipoteca do apartamento em que moram, em Copacabana. A intenção, creio, era fazer uma comédia de costumes, ao estilo daquelas que fizeram fama na década de 60 e 70, mas o resultado aqui chega a ser constrangedor, comprometendo atores com carreira consolidada, como Paulo Betti, José Wilker, Pedro Cardoso e Antonio Pedro, além do respeitado diretor. Carvana apelou para cenas de fácil consumo, com nudez ou pouca roupa de Juliana Paes, que dispensa maiores comentários, e a belíssma Fernanda de Freitas que, ao final, parece ser a única boa surpresa da casa. Até mesmo a atuação de Agildo Ribeiro, como um travesti da terceira idade – papel imaginado para ser memorável – fracassa inapelavelmente. Só vale por Juliana e Fernanda.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

794 - O GAROTO DO FUTURO


O GAROTO DO FUTURO (THE TEEN WOLF, USA 1985) – um adolescente (Michael J. Fox, 09 de junho de 1961) descobre que pode se transformar num lobisomem e, a partir daí, passa a ser o garoto mais popular entre seus amigos e o melhor jogador de basquete do time da escola. Típica comédia dos anos 80, enfatizando os imutáveis valores tradicionalmente americanos como a rivalidade do basquete, o brilhantismo acadêmico, o sucesso com as garotas e a certeza de que é melhor vencer sendo você mesmo do que apelar para poderes especiais. O filme, revisto agora depois de tanto tempo, ficou datado, o que ressalta ainda mais o roteiro simplório e as atuações pífias de quase todo o elenco, à exceção, é claro de Fox. Como o filme foi lançado no Brasil depois de “De Volta para o Futuro”, acabou recebendo esse título que em nada tem a ver com o original.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

793 - MAIS QUE O ACASO


MAIS QUE O ACASO (BOUNCE, USA 2000) – de Don Roos. A história é sobre Buddy Amaral, publicitário que troca sua passagem num vôo com outro homem, que morre na queda do avião. Sentindo-se culpado, procura a viúva e se apaixona por ela. Nada para se admirar: a viúva em questão é a bela e talentosa Gwyneth Paltrow. O problema é o tal Buddy Amaral (que nome meu Deus!!!!), vivido pelo calamitoso Ben Affleck, que compromete qualquer filme em que atue. Natasha Henstridge faz um papel pequeno, infelizmente. A única justificativa para ver "Mais que o Acaso" é Gwyneth. Este é o segundo longa-metragem dirigido por Don Roos, que também é o roteirista da trama. Sua estréia no cinema foi em 1998 com “O Oposto do Sexo”, sucesso de crítica e bilheteria.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

792 - CARNE TRÊMULA


CARNE TRÊMULA (CARNE TRÉMULA, ESPANHA 1997) – de Pedro Almodóvar. Como acontece em quase todos os seus filmes, Almodóvar aposta na falta de lógica do enredo para, a partir disto, provocar sensações diversas no espectador. Neste filme, em particular, essas sensações vão da graça inusitada de alguns personagens (a mulher adúltera do policial, vivida pela experiente Ângela Molina), à lacrimação do drama do marido paraplégico (Javier Bardem, excelente) que vive a dúvida em relação aos sentimentos possivelmente comiserativos da esposa (a bela Francesca Néri, a cara da Michelle Pffeifer, olha aí). Vejo, claramente, que o universo almodovariano possui características marcantes e reconhecíveis em todos os seus filmes.

terça-feira, 30 de junho de 2009

791 - VALENTE


VALENTE (THE BRAVE ONE, USA 2007) – de Neil Jordan. Jodie Foster (19 de novembro de 1962) é Erica Bain, uma mulher traumatizada por um ataque brutal de marginais que resultou na morte de David (Naveen Andrews, o Sayd de Lost), seu namorado, e que a deixou vários dias no hospital. Depois de comprar uma pistola, lança-se, então, numa caçada catarticamente vingativa, matando vários marginais até chegar ao assassino de David. O interessante, neste filme, é a figura do “vigilante-vingador”, popularizada por Charles Bronson na série “Desejo de Matar”, num personagem feminino. Jodie Foster faz uma Erica Bain atormentada com a idéia fixa de tomar para si a responsabilidade de “limpar” a cidade, depois de ir inutilmente à delegacia pedir providências. Os closes mostram como a adolescente espevitada de “Taxi Driver” está envelhecida.

sábado, 13 de junho de 2009

790 - VIVENDO E APRENDENDO


VIVENDO E APRENDENDO (SMART PEOPLE, USA 2008) – gosto de filmes em que o protagonista é professor e, ainda mais, quando é de literatura. Neste, o professor em questão é vivido por Dennis Quaid, viúvo, que se apaixona por uma ex-aluna (Sarah Jéssica Parker) que agora é médica. Dois elementos provocam tensão à história: sua filha (a talentosa Ellen Page), que não aprova o namoro, e seu irmão adotivo, Chuck (Thomas Haden Church, ótimo, como sempre), desempregado e meio doidão. Gostei de uma cena em que Quaid diz à turma que não responderá a qualquer pergunta que não seja precedida de “professor” ou “doutor”, tratamentos sem os quais nenhuma questão inteligente pode ser formulada. O roteiro não é original, mas os diálogos são espirituosos, especialmente na deliciosa contracena entre Page e Church.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

789 - X-MEN - ORIGENS: WOLVERINE


X – MEN ORIGENS: WOLVERINE (X-MEN ORIGINS: WOLVERINE, USA 2009) – de Gavin Hood. A intenção já está no título: mostra como Logan (Hugh Jackman), ainda criança, matou sem querer o pai e, mais tarde, viu a namorada morrer em circunstâncias misteriosas, para depois ganhar poderes fenomenais, após ser submetido a uma experiência ultrassecreta. As tintas, digamos, dramáticas, estão na relação conflituosa com o irmão (Liev Schreiber). Jackman está mais do que à vontade na pele de Wolverine e agarra o papel com garra ( ! ). Não me agradou de todo, mas é diversão decente.

788 - DIFÍCL DE MATAR


DIFÍCIL DE MATAR (HARD TO KILL, USA 1990) – depois de sete anos em coma, policial (Steven Seagal, 10 de abril de 1951) vai atrás dos responsáveis pela morte da sua mulher, para isso, conta com a ajuda da enfermeira que tomava conta dele no hospital (Kelly LeBrock, um remédio e tanto). Ação razoável, um pouco superestimada na época, mas que ainda funciona como sobremesa do almoço de domingo.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

787 - O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON


O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON (THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON, USA 2008) – de David Fincher, de Clube da Luta e Zodíaco. Para quem acredita na inevitabilidade dos fatos ligados ao amor, esse é o filme certo. Com Brad Pitt e Cate Blanchett nos papéis principais, o filme começa embaralhando o tempo, ao mostrar um relógio que gira ao contrário e ao revelar um menino que nasce velho, mas vai rejuvenescendo durante a vida. Tecnicamente impecável, o filme é uma fábula sobre as interferências do tempo em nossas vidas e obrigatoriamente nos faz repensar a perspectiva linear da existência, que ensina que nascemos jovens e morremos, se possível, velhos. Nem o amor – ou somente ele – é capaz de redimensionar as engrenagens que nos movem em direção ao outro, ou mesmo nos afastam dele. Belo, sensível, comovente. Um curioso caso de como o cinema pode ser, ao mesmo tempo, instigante e delicado.

786 - CASEI COM UM MONSTRO DO ESPAÇO SIDERAL


CASEI COM UM MONSTRO DO ESPAÇO SIDERAL (I MARRIED A MONSTER FROM OUTER SPACE, USA 1958) – ficção dirigida por Gene Fowler Jr, mas bem que poderia ter sido por Ed Wood. Como era de hábito nos filmes desta época, seres do espaço chegam a Terra e tomam o lugar dos humanos. O primeiro a cair nessa é um sujeito que está prestes a casar, como já sugere o inacreditável título do filme. No geral, é uma produção bem mais decente do que outras do gênero, chegando até a aprofundar a indicação que a noiva do título começava a se apaixonar pelo alienígena que havia tomado o lugar do noivo, esquecendo-se do original. Um dos meus favoritos.

785 - A LENDA DO TESOURO PERDIDO – O LIVRO DOS SEGREDOS


A LENDA DO TESOURO PERDIDO – O LIVRO DOS SEGREDOS (NATIONAL TREASURE: BOOK OF SECRETS, USA 2007) – é incrível como o talentoso Nicolas Cage é capaz de fazer filmes medíocres, ainda mais um tão pedestre como esse A Lenda do Tesouro Perdido – O Livro dos Segredos. Se foi uma tentativa de homenagear Indiana Jones, pobre do homenageado, que não merecia um roteiro tão ruim. Além do mais, é de um ufanismo à toda prova e totalmente injustificável: tudo se remete à história dos Estados Unidos, numa trama que inexplicavelmente atribui a autoria do assassinato de Lincoln ao bisavô de Ben Gates (Cage). Aí, o que se vê é um torvelinho de absurdas passagens secretas na Casa Branca, sequências de ação freneticamente editadas e uma cidade de ouro descoberta dentro do Monte Rushmore. São 124 soporíferos minutos agravados pelo excesso de péssimos efeitos de computador. O elenco, desperdiçado, é de primeira grandeza: Helen Mirren, Ed Harris, Harvey Keitel e a bela Diane Kruger. A direção é de Jon Turteltaub, culpado também pelo filme que deu seqüência a este.

domingo, 31 de maio de 2009

784 - O SUSPEITO


O SUSPEITO (RENDITION, USA 2007) – de David Hood. Depois de um ataque terrorista no Egito que mata um funcionário do governo americano, um egípcio casado com uma americana é impedido de entrar nos Estados Unidos, sob suspeita de estar envolvido com o fato. Ele é levado para uma prisão, onde é cruelmente torturado, sem direito a um advogado, por ordem de Corinne Whitman (Meryl Streep), poderosa autoridade em Washington. No meio disso tudo, Douglas Freeman (Jake Gyllenhaal, 19 de dezembro de 1980), também do governo americano, acompanha todo o sofrimento do suspeito, até desconfiar de que há alguma coisa errada. Muito bom, do começo ao fim, especialmente pelas excelentes atuações de Gyllenhaal e do israelense Yigal Naor, que trabalhou em Munich, de Spielberg. Meryl Streep faz o papel com a competência de sempre, mas acaba lembrando a Miranda Priestly, de O Diabo Veste Prada. Mas ela só pode ter uma nota: 10! Quem já viu o Expresso da Meia-Noite vai ficar impressionado.

783 - PARANÓIA


PARANÓIA (DISTURBIA, USA 2007) – thriller de suspense com Shia LaBeouf (11 de junho de 1986) que presta uma homenagem ao genial Janela Indiscreta, de Hitchcock. Kale (LaBeouf) cumpre pena domiciliar por ter agredido seu professor de espanhol. Sem nada para fazer, acaba por espiar o vizinho, Mr Turner (David Morse) e logo o relaciona ao misterioso assassinato de uma mulher. Com a ajuda de um amigo e de uma bela vizinha, ele tenta de todas as formas provar que Turner é culpado por uma série de mortes. Tudo muito previsível, mas vale a pena ver

782 - CLIENTE MORTO NÃO PAGA


CLIENTE MORTO NÃO PAGA (DEAD MEN DON’T WEAR PLEAD, USA 1982) – de Carl Reiner. Paródia engraçadíssima dos filmes noir, com antigos personagens famosos deste tipo de produção contracenando com um impagável Steve Martin (14 de agosto de 1945) no papel de um detetive, Rigby Reardon, que tem como seu assessor ninguém menos que Philip Marlowe (Humphrey Bogart 25 de dezembro de 1899 – 14 de janeiro de 1957). Reiner faz um trabalho de mestre, aproveitando magistralmente os recursos técnicos da época para inserir as cenas de filmes antigos no roteiro da história. Se fosse feito hoje, o filme poderia ser estragado pelo excesso de CGI e “morphing” que já arruinou os por si só péssimos “A Liga Estraordinária” e “Van Helsing”. As cenas com Ray Milland e Bogart são memoráveis. Atenção para a bela Rachel Ward como a mulher fatal que seduz Readon.

sábado, 30 de maio de 2009

781 - ESTÔMAGO


ESTÔMAGO (BRASIL/ITÁLIA, 2008) – de Marcos Jorge. Presos pelo estômago. De fato, o filme merece a fama que adquiriu: é finíssima iguaria da culinária cinematográfica paranaense, com sabor de quero mais. O cozinheiro nordestino Raimundo Nonato (João Miguel, a cara de Luiz Gustavo, quando jovem), ao chegar na cidade grande, se torna um grande mestre de cozinha, se apaixona pela prostituta Iria (Fabiúla Nascimento, uma delícia) e acaba na cadeia, onde seu talento culinário trar-lhe-á um poder inesperado. Engraçado, trágico, emocionante – a receita certa para um bom filme.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

780 - AMARGO REGRESSO


AMARGO REGRESSO (COMING HOME, USA 1978) – de Hal Ashby, do magnífico Muito Além do Jardim. Enquanto o marido (Bruce Dern) vai para a guerra do Vietnã, Sally (Jane Fonda) se apaixona por Luke (Jon Voight), um soldado que voltou paraplégico do mesmo conflito. Jane e Jon fazem um belo casal – ambos estão jovens e lindos no filme. Entende-se perfeitamente porque Jane está na história – Amargo Regresso é uma crítica ácida à guerra do Vietnã, que acaba se estendendo também a todas as guerras e, vale lembrar, Jane sempre esteve engajada nesta luta. Pena que Voight atualmente seja um desses direitistas aderentes à filosofia burra de Bush, que defendem a invasão do Iraque. Acabou ficando conhecido apenas como o pai de Angelina Jolie, o que não é pouco e injusto para ele, que é imerecedor da honraria. Seu personagem, Luke, faz um libelo contra a guerra, na última cena do filme. Excelente trilha sonora, dos Beatles aos Rolling Stones. E, claro, tem Jane Fonda, linda

domingo, 24 de maio de 2009

779 - OLHE QUEM ESTÁ FALANDO


OLHE QUEM ESTÁ FALANDO (LOOK WHO’S TALKING, USA 1989) – ainda dá um imenso prazer de assistir a Kirstie Alley e John Travolta contracenando esta história de uma mãe solteira que se envolve com um taxista gente-boa, enquanto o bebê observa o mundo com a voz de Bruce Willis. Kirstie está lindíssima e a química com Travolta funciona que é uma beleza, especialmente nas cenas de aproximação entre os dois. Ele está à vontade no papel, lembrando, inclusive cenas de Os Embalos de Sábado à Noite.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

778 - À PROCURA DE VINGANÇA


À PROCURA DA VINGANÇA (SERAPHIM FALLS, USA 2006) – de David Von Ancken. No final da Guerra Civil Americana, um homem sequioso de vingança (Liam Neeson, 7 de junho de 1952)persegue um ex-militar (Pierce Brosnan, 16 de maio de 1953) com quem tem contas a acertar. Paisagens lindíssimas, assim como a fotografia totalmente equilibrada, ajudam a história se desenrolar com interesse. Atenção para a entrada de Angélica Huston, já no final da história, numa cena inusitada em pleno deserto, dirigindo uma carroça em cuja parte de trás lê-se o nome de seu personagem, remetendo a uma das denominações do diabo. Há várias referências históricas como, por exemplo, o nome do personagem de Brosnan (Gideon) e de Wes Studi (Charon, “Caronte”, em português, o tal que conduziu a barca para o inferno). Grande filme.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

777 - ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO


ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO (BEFORE THE DEVIL KNOWS YOU’RE DEAD, USA 2007) – de Sidney Lumet. Dois irmãos, Hank e Andy (Ethan Hawke e Philip Seymour Hoffman) tramam o assalto à joalheria de seus pais, visando lesar a companhia de seguros, mas uma série de acontecimentos leva a situações inesperadas, até o final dramático. A narrativa não-linear explora os diversos pontos de vista dos personagens. Albert Finney faz o pai dos irmãos com uma tensão magnética que acaba roubando a cena. Marisa Tomei, numa explosiva e sensual atuação, é Gina, esposa de Andy, mas que tem um caso com Hank. O título vem de um brinde irlandês: “Que você possa ter comida, roupa e quarenta anos no céu, antes que o diabo saiba que você está morto”.

776 - O ENIGMA DE OUTRO MUNDO


O ENIGMA DE OUTRO MUNDO (THE THING, USA 1982) – de John Carpenter. Cientistas, numa estação científica na Antártida, têm que enfrentar uma criatura alienígena que assume a forma de tudo o que mata. Mesmo depois de tanto tempo, o filme ainda funciona como thriller de terror, que quatro anos mais tarde, em Aliens, de James Cameron, atingiria o seu auge. Bons efeitos especiais, todos mecânicos, perfeitamente ajustados ao roteiro de Bill Lancaster. Kurt Russel (17 de maio de 1951) é o protagonista. Refilmagem de The Thing from Another World (1951). Uma curiosidade: a escolha do nome de dois personagens do filme, Mac e Windows, foi acidental.

domingo, 12 de abril de 2009

775 - IRINA PALM


IRINA PALM (INGLATERRA, 2007) - Marianne Faithfull, musa dos anos 1960 e ex-namorada do Rolling Stone Mick Jagger, estrela "Irina Palm", drama que competiu no Festival de Berlim em 2007. Escrito e dirigido por Sam Garbarski ("O tango dos Rashevsky"), "Irina Palm" acompanha a história de Maggie (Marianne Faithfull), uma viúva sessentona que já vendeu até a própria casa para financiar o tratamento de saúde do único neto, Olly (Corey Burke). Todo o dinheiro dos pais da criança, Tom (Kevin Bishop), filho de Maggie, e Sarah (Siobhan Hewlett), é gasto na mesma finalidade. Mas, por algum motivo, o menino não melhora. Uma nova esperança surge num tratamento experimental na Austrália. A avó quebra a cabeça para descobrir como arranjar dinheiro para as caras despesas dessa viagem. Quando procura emprego, pesam contra ela a idade e a falta de experiência profissional da senhora, que foi apenas dona-de-casa e mãe a vida inteira. Tais características não a impedem de conseguir um emprego muito bem-pago num lugar onde não se fazem muitas perguntas, a boate Sex World, dirigida por Mikky (Miki Manojlovic, ator de vários filmes de Emir Kusturica, como "Underground -- Mentiras de guerra"). As mãos macias de Maggie, que adota o pseudônimo de Irina Palm, começam a render-lhe algumas centenas de libras por semana. Entretanto, ela não pode dizer a ninguém, muito menos ao próprio filho ou às amigas, o que anda fazendo em vez de participar das conversas do chá da tarde. Quando se descobre a origem do dinheiro que ela ganha, todo o peso do preconceito contra a tarefa sexual que ela exerce cai sobre seus ombros. Mas é nesse momento também que a personagem de Maggie cresce em dimensão humana. E seu patrão, Mikky, mostra um comportamento surpreendente, que leva a história a caminhos não tão previsíveis. Dica valiosa do Miranda.

sábado, 11 de abril de 2009

774 - GRAN TORINO


GRAN TORINO (USA, 2008) – de Clint Eastwood. Walt Kowalski (Eastwood, 31 de maio de 1930), veterano da Guerra da Coréia, operário aposentado da Ford e um poço de racismo, mostra-se, desde a primeira cena, como um sujeito irascível que rosna e cospe sempre que algo o desagrada. E várias coisas o fazem: os netos egoístas, os filhos gordos e consumistas, o padre que tenta reaproximá-lo da igreja atendendo ao último pedido de sua mulher e os vizinhos asiáticos do bairro de Detroit, onde ele, agora viúvo, mora sozinho com um cão e sua grande paixão, um Ford Gran Torino que Walt ajudou a montar na fábrica. É exatamente aí, ao se deparar com a flébil pele que separa a realidade de seus fantasmas, que Kowalsji se convence da real dimensão de sua solidão. Essa dimensão de exílio existencial começa a se romper quando Thao, um adolescente oriental que mora na casa ao lado, tenta roubar seu carro, por pressão de uma gangue da mesma etnia. Ele o surpreende na garagem, de rifle em punho. Thao foge, e Walt, surpreendentemente, acaba se tornando um herói involuntário para a família do jovem que, em gestos simples e sinceros como convidá-lo para festas e deixar presentes em sua porta, dedica a ele o que seus próprios filhos e netos são incapazes de oferecer: respeito e carinho. Ou seja, os asiáticos, a quem dedica profundo desprezo, cujas raízes estão nos horrores da guerra que tanto o marcou, são os que lhe vêem com respeito e admiração. Estes dois ingredientes formam a base da relação paternal que Walt passa a ter com Thao e com a irmã deste, Sue. O menino, então, se revela trabalhador, educado e ávido por informações que o façam crescer. Torna-se sobremodo pertinaz ressaltar a interpretação magnífica de Eastwood: seu personagem é de uma coerência rígida, um homem agressivo e atrelado visceralmente aos valores em que acredita. É aí que se tangenciam as histórias do veterano de guerra e dos vizinhos hmong: ambos têm valores tradicionais de que não abrem mão e são constantemente desafiados pelas circunstâncias sociais. O turning point da história são os trágicos acontecimentos que se abatem sobre Thao e Sue e, por um momento, tem-se a impressão de que Eastwood não hesitará em reviver Dirty Harry Callahan, o policial linha-dura que o colocou entre os astros de todos os tempos do cinema, e que Walt emula com laivos burlescos. A decisão que seu personagem toma é, em certo modo, um epítome de suas conclusões em relação à violência e uma forma de convidar seus novos amigos a ter uma participação digna num país estrangeiro que, ao mesmo tempo em que os acolhe, os repudia. Gran Torino é uma obra-prima de sensibilidade, cuja maior lição, entre muitas, é mostrar que o passar do tempo não é um empecilho à mudança e que nunca é tarde para vivenciarmos as grandes descobertas da vida, aquelas que verdadeiramente nos fazem humanos de verdade.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

773 - DRACULA


DRÁCULA (DRACULA, USA 1979) – de John Badham. Esta versão com Frank Langella (01 de janeiro de 1938), no papel do conde, e com Laurence Olivier (22 de maio de 1907 – 11 de julho de 1989) como o Professor Van Helsing já virou um clássico do cinema de horror, justamente porque foi uma adpatação de uma peça homônima estrelada pelo próprio Langella na Broadway. Além deles, Donald Pleasence compõe o elenco como o Dr. Jack Seward, chefe do manicômio de Londres. A música de John Williams tem os mesmo violinos do filme de Coppola.

772 - ENCURRALADOS


ENCURRALADOS (BUTTERFLY ON A WHEEL, USA 2007) – de Mike Barker. Convenhamos, o roteiro não é um primor de originalidade: uma pacata e feliz família norte-americana é completamente devastada quando a filha pequena é sequestrada por um homem que tem todo o controle da situação. No entanto, o filme funciona, principalmente por causa de Pierce Brosnan (16 de maio de 1953), num inesperado papel de homem mau, exatamente o sequestrador. O casal, ora feliz, é composto da bela Maria Bello (18 de abril de 1967) e de Gerard Butler (13 de novembro de 1969), de 300. O que parece ser um filme previsível, acaba revelando algumas surpresas. O título em inglês vem do ditado “Who breaks a butterfly upon a wheel?”, usado quando se faz um grande esforço para alcançar algum objetivo mínimo. Vale a pena

771 - CLÃ DAS ADAGAS VOADORAS


CLÃ DAS ADAGAS VOADORAS (SHI MIAN MAI FU, CHINA/HONG KONG 2004) – de Zhang Yimou. A primeira faz chun... Assim como HERÓI, do mesmo diretor, CAV é uma sinfonia de imagens poéticas. O enredo é simples: um guerreiro romântico ajuda uma prisioneira cega a fugir e se reencontrar com seus companheiros, que formam o Clã das Adagas Voadoras. Nesta fuga, eles são perseguidos pelos soldados e têm que lutar para sobreviver numa floresta. HERÓI e O CLÃ DAS ADAGAS VOADORAS são filmes opostos e paradoxalmente complementares. Talvez a melhor explicação para tal fato seja o conceito oriental de Yin e Yang, que simbolizam os opostos (luz/trevas, feminino/masculino, lua/sol,etc.), mas que prega que nem tudo é completamente Yin e nem tudo é completamente Yang, e que não há como existir um sem o outro, estando esses opostos em complementaridade. È neste sentido que os dois filmes de Yimou se encaixam um no outro. O CLÃ DAS ADAGAS VOADORAS é um excelente filme. Com personagens fortes e carismáticas, atuações excepcionais, seqüências bem feitas e belas de se ver, fotografia e figurinos exuberantes. A seqüência final, em especial, uma explícita homenagem aos filmes de samurai do mestre Kurosawa, é particularmente marcante, dada principalmente a seu forte apelo dramático. Roger deve ter gostado.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

770 - A MÁSCARA DA TRAIÇÃO


A MÁSCARA DA TRAIÇÃO (BRASIL, 1969) – Janete Clair na tela grande. Este é um daqueles filmes que só foram possíveis porque a década de 60 se permitiu a toda e qualquer imitação daquilo que se considerava sucesso. Pois bem, “A Máscara da Traição” é uma mistura de filmes policiais com tramas rocambolescas de telenovelas, não fosse a presença de Tarcísio Meira, Glória Menezes e Cláudio Marzo encabeçando a história de um roubo da renda de um jogo no Maracanã. César (Marzo), contador da Suderj, é despedido por seu chefe autoritário, Carlos (Tarcísio Meira), ao mesmo tempo em que começa um romance com a esposa deste (Glória Menezes). Para incriminá-lo pelo roubo da renda do jogo, César se faz passar por ele, usando uma máscara de borracha. Tosco e curioso, vale como registro do cinema nacional.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

769 - SENHORES DO CRIME


SENHORES DO CRIME (EASTERN PROMISSES, USA 2007) – de David Cronenberg. Uma adolescente russa dá à luz e morre num hospital em Londres, sob os cuidados de uma enfermeira (Naomi Watts, 28 de setembro de 1968) que, intrigada com um diário que encontra na bolsa da jovem, resolve investigar de onde é sua família. Acaba se envolvendo com um mafioso dono de um restaurante, cujo filho desajustado (Vincent Cassel, soberbo) vive vigiado pelo motorista (Viggo Mortensen, 20 de outubro de 1958, excelente). O filme trata da velha dicotomia entre o bem e o mal e, além disso, lança um olhar benigno sobre a suposta indelével capacidade humana de manter a ética mesmo nas situações mais difíceis. De fato, Cronenberg consegue mostrar isso no filme, sem ser sentimentalista. O personagem de Mortensen parece ser a representação desta possibilidade de remissão. É interessante a forma com que o diretor consegue ir desvendando as facetas dos personagens pouco a pouco.