terça-feira, 21 de abril de 2015

2584 - NÃO PARE NA PISTA

  (Brasil, 2014) - Dividido em três partes, o filme traz a adolescência conturbada de Paulo Coelho, marcada por internações, terapia com eletrochoque e o desabrochar da veia artística; a vida adulta, que mostra aos espectadores o uso de drogas, inúmeros casos amorosos e a amizade com Raul Seixas; e o tempo presente, em que ele faz uma cirurgia cardíaca, é reconhecido em estações de trens fora do Brasil e tenta manter uma rebeldia juvenil, tomando atitudes inesperadas e constantemente mudando de planos. O roteiro irregular, além de algumas atuações bem abaixo de qualquer crítica, compromete qualquer entendimento mais profundo da vida do personagem. É supreendente a presença, no elenco, da bela espanhola Paz Vega.


2583 - SIN CITY, A DAMA FATAL



   SIN CITY, A DAMA FATAL (SIN CITY, A LADY TO KILL FOR, USA 2014) – Depois de ver o filme de novo, fiquei com a impressão de que esta sequência é bem satisfatória, tecnicamente realizada com incrível fidelidade aos quadrinhos nos quais é baseada. Assim como no primeiro filme, há muito sangue, violência, aquelas vozes soturnas narrando em off, mulheres nuas e canos fumegantes de armas, tudo dentro do figurino do filme noir. No entanto, nesta edição, há um elemento que faz toda a diferença, quando cotejamos os dois filmes: Eva Green. É impressionante a sua presença em cena, não bastassem os olhos e o corpo capaz de provocar convulsões cardíacas. Ela é, de fato, muito boa atriz, e tem aquele algo mais que, em priscas eras, se chamou de apanágio das divas da sétima arte. O clima onírico perpassa toda a história e parece hipnotizar o espectador. Claro, Jessica Alba também contribui para que não desgrudemos os olhos das cenas em que ela dança em trajes de couro. Ah, e Rosario Dawson, evidentemente.


domingo, 19 de abril de 2015

2582 - O PRIMEIRO DIA DE UM ANO QUALQUER


O PRIMEIRO DIA DE UM ANO QUALQUER (BRASIL, 2012) - Mais uma vez, D.O. faz uma DR com as próprias memórias, se cerca de amigos para contar tramas e traumas contemporâneos com o a comicidade e sarcasmo que lhe são característicos, num quase diário oficial de sua rotina. Desenvolvido ao longo de um único dia, o primeiro do ano mencionado no título, o filme se debruça sobre uma série de personagens caricatos indignados com questões supostamente existencialistas e de origem romântica. Numa casa de campo nos arredores do Rio de Janeiro, tipos distintos dividem suas crises enquanto celebram o feriado. Ligados por problemas em comum, como suas próprias limitações, expectativas frustradas e a dificuldade em manter seus relacionamentos equilibrados, dividem suas frustrações enquanto discorrem sobre tudo e o nada. Pode-se nota um certo ranço obtuso num discurso machista e burguês que, sem cerimônia, flerta abertamente com a banalidade. Maitê Proença, que também assina a direção de arte, não está bem no papel, assim como os outros atores do elenco. O que mais chama a atenção é a participação meio lúdica de Ney Matogrosso.

2581 - 8 MM


8 MM (USA 1999) – Apesar de Nicolas Cage vir sofrendo críticas em relação aos seus últimos filmes (muitas realmente justas), acho-o ótimo em cena, mesmo quando está aquém do coeficiente mínimo de canastrice, como é o caso deste filme, onde ele faz um detetive particular investigando a suposta morte de uma adolescente que aparece num filme erótico sadomasoquista. A premissa não é lá muito original, mas o ar meio “aloof” de Cage e a direção segura de Joel Shumacker acabam inspirando o interesse do espectador. Joaquin Phoenix e o saudoso James Gandolfini no elenco.   

terça-feira, 14 de abril de 2015

2580 - TERRA PROMETIDA

TERRA PROMETIDA (PROMISED LAND, USA 2012) É incrível como Matt Damon é capaz de inspirar uma imediata simpatia, mesmo quando faz papéis, assim, digamos, não inteiramente bonzinhos. É o caso de seu personagem neste filme – um empregado de uma grande empresa exploradora de gás, que, com lábia e alguma malícia, visita os habitantes de uma pequena cidade do interior dos EUA, para convencê-los a vender suas terras, como forma de garantir-lhes um bom futuro, segundo suas próprias palavras. Claro que ele encontra resistência por parte de alguns habitantes e, neste enfrentamento, oscila entre ser o mocinho ou o vilão da história. A gente acaba torcendo por ele, claro. É um filme inesperado de Gus Van Saint, com roteiro do próprio Damon, que agrada principalmente por ser meio despretensioso e até um pouco ingênuo.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

2579 - O MANTO SAGRADO

  
O MANTO SAGRADO (THE ROBE, USA 1953) – Não, Nação Rubro-Negra, não é um documentário sobre o Flamengo. O MANTO SAGRADO é uma das produções da década de 50 sobre passagens bíblicas, que tanto sucesso fizeram com o público. Aqui, Richard Burton (numa atuação preguiçosa, sem o menor brilho) é Marcellus Gaio, o tribuno romano responsável pela crucificação de Jesus que passa a ser cristão e, assim, a lutar contra o poder de Calígula. O filme é muito ruim, sem o vigor de QUO VADIS e REI DOS REIS, da mesma época. Talvez a única história interessante deste filme é o caso amoroso de Burton com Jean Simmons, que contracena com ele, e que estava casada com “Scaramouche” Stewart Granger, à época – consta que Granger invadiu o estúdio com uma arma atrás de Burton. Ah, claro, também há o inacreditável Victor Mature, como Demétrius, o gladiador, que seria o título do filme que ele faria no ano seguinte.


 

terça-feira, 7 de abril de 2015

2578 - ENTRE O CÉU E O INFERNO


ENTRE O CÉU E O INFERNO (BLACK SNAKE MOAN, USA 2006) – Gosto particularmente de filmes sobre a amizade. Este é um desses. No interior do Mississippi, Lazarus (Samuel L. Jackson, soberbo), um cantor de blues temente a Deus e recentemente abandonado pela esposa, encontra Rae (Christina Ricci), uma prostituta desacordada na estrada perto de sua casa, depois de ter sido espancada. Ele passa a cuidar dela e, entre os dois, começa a nascer uma forte e inesperada amizade. Apesar das cenas cruas e mesmo violentas, o filme é muito bonito. E isso não se deve apenas à graça e à sensualidade de Cristina Ricci, mas também à atuação excepcional de Jackson. O título em português ficou perfeito.


segunda-feira, 6 de abril de 2015

2577 - OS MANSOS


OS MANSOS (BRASIL, 1972) – Filme característico desta época, com três histórias curtas, cada uma enfocando um confronto conjugal no qual, consoante com o título, o marido traído acaba se aproveitando da situação. Das três histórias, as duas primeiras são as mais intrigantes, por motivos distintos. Na primeira, Sandra Brea, casada com José Lewgoy, vai todos os dias à praia, com um biquini minúsculo (para a época, claro). Chama a atenção de Mario Benvenutti, que passa a fazer de tudo para conseguir seu sonho: passar a mão na bunda dela. O marido, diante do dinheiro prometido por Mario, aceita que ele tenha um momento a sós com ela. Qualquer semelhança com PROPOSTA INDECENTE não pode ser mera coincidência. Na segunda história, a surpresa é Paulo Coelho, atuando (pessimamente), como filho de Felipe Carone e Heloísa Mafalda.



 

domingo, 5 de abril de 2015

2576 - A RECOMPENSA


A RECOMPENSA (DOM HEMINGWAY, UK, 2013) – Um filme diferente, com Jude Law fazendo também um personagem completamente distinto de todos da sua carreira. Ele é o Dom do título, um ex-presidiário que procura os antigos companheiros para ter sua recompensa, por não os ter denunciado e passado 12 anos na prisão (doze anos parece ter sido um tema recorrente em 2013). O tom de comédia farsesca está presente o tempo todo, a partir da figura rotunda de Dom e seu sotaque “cockney” exagerado ao extremo. Law imprime ao seu personagem uma atitude sempre profana, poética e minimanente econônica no politicamente correto. A fala de abertura, numa cena de felação, é primorosa. Diversão estilística da melhor qualidade, apostando no jorro verborrágico do protagonista.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

2574 - O FANTASMA DE BARBA NEGRA



O FANTASMA DO BARBA NEGRA (BLACKBEARD GHOST, USA 1968) – Já se preparando Dean Jones para o mega sucesso SE MEU FUSCA FALASSE, do mesmo ano, a Disney o colocou nesta comédia muito bem produzida, com um elenco bem significativo: Peter Ustinov é o pirata, Suzanne Pleshette, uma das mulheres mais lindas do cinema de todos os tempos, e Elsa Lanchester, devidamente homenageada por Disney, como já acontecera em MARY POPPINS, com um papel à sua altura. Afinal, Elsa foi a protagonista de A NOIVA DE FRANKENSTEIN, de 1935. Jones está perfeito como principal leading man do estúdio, fazendo lembrar muito Fred MacMurray, em seus maneirismos e timing de comédia. Mas é mesmo Suzanne Pleshette que chama a atenção, com sua bela presença magnética.


2573 - OS AMORES DE PICASSO


OS AMORES DE PICASSO (SURVIVING PICASSO, USA 1996) – O título em inglês, “sobrevivendo a Picasso” tem muito mais sentido do que a pobre invenção em português. Como a história é contada sob o ponto de vista de Françoise Gilot (Natasha McElhone, em ótima atuação), uma das muitas esposas que Picasso teve na vida, faz todo o sentido entender o pintor como uma espécie de rolo compressor sentimental, marcado por um extremo comportamento egoísta, além de algumas pinceladas de sadismo. Foi assim com todas as mulheres com quem sem relacionou. Mas não apenas com elas. Agiu da mesma forma com os amigos, os filhos e todos que orbitavam em torno de sua figura tão desumana como fascinante. Anthony Hopkins está perfeito como Picasso, nos gestos, no olhar e, sobretudo, na forma de falar, sem medo de mostrar o que há de bom e ruim dentro do artista. De certa forma, ele me lembrou Luciano Maurício. Natasha McElhone teve, aqui, talvez o papel de sua vida. Há semelhanças entre ela e Maria Fernanda Cândido. Julianne Moore tem um papel pequeno, como Dora Maar, quarta das sete esposas de Picasso.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

2572 - CHEF


CHEF (CHEF, USA 2014) – Escrito e dirigido por um dos atores mais “gente boa” de Hollywood, Jon Favreau, CHEF, assim como um prato especialmente preparado por um talentoso cozinheiro, é uma delícia de ser degustado. É um filme leve, sem calorias dramáticas desnecessárias, perfeito para quem anda enjoado de engolir algumas produções supostamente sofisticadas, mas vazias do recheio principal do verdadeiro cinema: o entretenimento. Dando a impressão de que reuniu os amigos, para fazer um filme que agradasse a todos os gostos, Favreau se cercou dos melhores ingredientes para duas horas de prazer, como se salpicasse sobre as cenas o melhor tempero possível. Começa colocando Scarlett Johansson, mais linda e sexy do que nunca, com pouca roupa, em cima da cama, provando uma sopa; depois, encarrega Dustin Hoffman de ser um gerente mal humorado de restaurante e, por fim, coloca Robert Downey Jr. como ex-marido de sua ex-mulher (Sofia Vergara, que surpreende com uma inesperada atuação). Ainda há o excelente John Leguizamo roubando todas as cenas em que aparece. No fim, temos o resgate da relação de Casper (Favreau) com o filho, durante um road-movie que seduz e satisfaz à primeira dentada. Aproveitando a onda dos Food Trucks, Favreau faz um filme que deveria ser assistido por todos que têm bom gosto.