sexta-feira, 31 de maio de 2013

2079 - CLIENTE MORTO NÃO PAGA

(DEAD MEN DON'T WEAR PLAID, USA 1992) - Rob Reiner faz, aqui, uma homenagem aos astros dos filmes noir dos anos 40, que tiveram em Humphrey Bogart seu representante mais proeminente. A história, protagonizada por um hilário Steve Martin, é uma colagem de cenas dos principais atores e atrizes do gênero, contracenando com o próprio Martin e a bela Rachel Ward. É muito legal ficar tentando identificar os atores e os filmes que vão aparecendo e, assim, guiando o roteiro. Tecnicamente, a produção é excelente, combinando os trechos dos filmes antigos com praticamente a mesma tessitura de imagem das cenas com Martin e Rachel.

domingo, 26 de maio de 2013

2078 - O DIA QUE DUROU 21 ANOS

(BRASIL, 2012) - Este documentário mostra a influência do governo dos Estados Unidos no Golpe de Estado no Brasil em 1964. A ação militar que deu início a ditadura contou com a ativa participação de agências como CIA e a própria Casa Branca. Com documentos secretos e gravações originais da época, o filme mostra como os presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson se organizaram para tirar o presidente João Goulart do poder e apoiar o governo do marechal Humberto Castelo Branco.

terça-feira, 21 de maio de 2013

2077 - O MUNDO PERDIDO (1960)

(THE LOST WORLD, 1960) - dirigido pelo homem que formatou minha concepção de ficção científica, Irwin Allen, esta produção com evidentes restrições orçamentárias cumpre o seu papel de iniciar a mágica década de 60 mostrando, na tela de cinema, o universo fantástico de Arthur Conan Doyle. Para quem tem alguma familiaridade com o universo irwinalleniano, podemos, logo de cara, reconhecer no elenco o futuro capitão Crane de Viagem ao Fundo do Mar,  David Hedison. Também podemos ver Michael Rennie, qwue também voltaria às produções de Allen, anos depois, como o Colecionador, no único episódio duplo de Perdidos no Espaço, e como o capitão do Titanic, no piloto de O Túnel do Tempo. Consta que Allen queria a técnica de Stop-motion para dar vida aos dinossauros do filme, mas, por causa da grana curta, preferiu colocar em cena alguns lagartos com adereços colados ao corpo, à guisa de barbatanas jurássicas, filmados em close. E, claro, também vemos Claude Rains, bem punk, com cabelo cor de laranja, e Vitina Marcus (foto) como uma bem produzida mulher pré-histórica.

domingo, 19 de maio de 2013

2076 - PSICOSE

(PSYCHO, USA 1960) - obrigatório, de tempos em tempos, este clássico de Hitchcock é uma aula de cinema, do começo ao fim. Tudo funciona como a harmonia do score de Bernard Hermann e seu naipe afiado de violinos que, logo nos créditos iniciais, dá o tom arrepiante da trama. É curioso como Janeth Leigh parece ficar mais bonita cada vez que revejo o filme. O mestre Hitch mostra mesmo que é um gênio, ao pilotar toda a produção com um orçamento baixíssimo - ele levou sua equipe do programa de TV para o set. Anthony Perkins, como Norman Bates, aproveitou o papel de sua vida e transformou seu personagem num dos ícones do cinema de todos os tempos. Atenção para Ted Knight, o futuro Ted Baxter de Mary Tyler Moore, num papel não creditado, já no finzinho do filme, como o guarda que abre a porta da cela de Perkins. Veja, também, a participação de John Anderson, o Charlie da concessionária onde Marion troca de carro - Anderson fez o papel de avô de Macgyver no seriado.


2074 - DÉJÀ VU

(DÉJÀ VU, USA 2006) - a premissa do filme, que envolve thriller policial com ficção científica, bem que poderia resultar num seriado bem bacana, pois a ideia de recuar no tempo para evitar que um atentado aconteça se prestaria, hoje em dia, a vários roteiros interessantes. Claro que a presença magnética de Denzel Washington põe boa dose de tempero e talento na história que muitos críticos acharam inverossímil demais, mas que, em minha opinião, funciona maravilhosamente. Até porque, do outro lado do eixo temporal, está a bela cotia Paula Patton, por quem Denzel e o resto da humanidade não hesitariam em voltar no tempo.

2073 - O VINGADOR DO FUTURO (2012)

(TOTAL RECALL, USA 2012) - este remake do filme do Arnoldão, de 1990, é um dos melhores filmes de ficção científica dos últimos tempos. Um exemplo perfeito de como usar CGI, sem aquela sensação de cenário fake de tantos outros filmes. Guardadas as devidas defasagens tecnológicas, que hoje em dia fazem mais evidentes os fracos efeitos especiais do primeiro filme, este "Total Recall" é deslumbrante, desde a realização à performance de seu elenco. Se antes, o Arnoldão era a figura de destaque, agora, pelo menos, temos um ator que sabe atuar - Colin Farrel; se Sharon Stone tinha uma rápida participação naquela época, agora seu papel ficou anabolizado em talento e curvas na belissima Kate Beckinsale. De quebra, a mesmerizante Jessica Biel ajuda a deixar o filme ainda mais impactante. Poucas vezes, vi um conjunto de efeitos especiais tão perfeito.

terça-feira, 14 de maio de 2013

2072 - CALL GIRL

(CALL GIRL - PORTUGAL, BRASIL 2007) - a ironia do título em inglês, numa produção portuguesa e brasileira, talvez seja proposital, no sentido de apontar que o que ela significa - a prostituição - é mesmo uma profissão internacional, que desconhece as fronteiras geográficas e, em alguns casos, éticas e emocionais, embora preserve sua característica linguística. Disto isto, vale sublinhar que o filme é bem feito e alcança seu objetivo através de uma simplicidade quase franciscana (afinal, é dando que se recebe), ao enfocar a vida atribulada de uma linda prostituta (Soraia Chaves, enebriante) dentro do universo da prostituição, tendo como referência a tradição do policial noir americano. O que me pareceu estranho no filme são as legendas em português brasileiro, o que leva o espectador daqui a se sentir um estranho no idioma pátrio. Atenção para Soraia Chaves, transbordando sensualidade e com a libido à la Instinto Selvagem. Esta Sharon Stone da Península Ibérica é considerada, com toda razão, a atriz mais bela daquela região da europa. Uma coisa. Olha aí.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

2071 - CREPÚSCULO DOS DEUSES

(SUNSET BOULEVARD, USA 1950) - clássico do cinema americano que, ironicamente, critica a forma como o showbiz usa e descarta seus astros, num mecanismo de trituração e aposentadoria compulsória dos atores que o sistema já considera superados. É a história de Norma Desmond (Gloria Swanson, visceral), uma estrela dos filmes mudos do início do século que vive numa mansão com seu canino mordomo. William Holden é um roterista desempregado que, por obra do destino, acaba entrando na vida delirante da estrela. Ela, por sua vez, estabelece uma relação romântica unilateral com ele que, mesmo relutante, acaba usufruindo das benesses que o dinheiro da diva oferece. Há uma cena em que aparece a piscina vazia da mansão, na qual se veem alguns ratos - Cazuza deve ter se inspirado nela para compor "O tempo não para".


quinta-feira, 2 de maio de 2013

2070 - EU SOU A LENDA

(I AM THE LEGEND, USA 2007) - esta versão do ótimo "Omega Man", com Charlton Heston, de 1973, não chega a ser inspiradora, apesar da presença vibrante de Will Smith, que faz um cientista sobrevivendo numa Nova Iorque abandonada, depois que um vírus dizimou quase toda a população do mundo, deixando apenas um feroz grupo de mutantes. Os efeitos especiais são irregulares  - embora mostrem uma convincente Nova Iorque completamente vazia, pisam feio na bola no momento em que apresentam os mutantes, que parecem ter sido feitos às pressas. A destacar, a competente atuação de Alice Braga, falando um inglês irretocável. Vem aí uma sequência. A ver.

domingo, 28 de abril de 2013

2069 - O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA

(THE AMAZING SPIDER-MAN, USA 2012) - vamos com calma: nem tão espetacular assim. Na verdade, a intenção de dar uma "refrescada" no herói, depois da trilogia de Sam Raimi, acabou sendo um tiro n'água. Apesar do esforço, Andrew Garfield, não tem a força dramática de Toby Maguire, e só fez o super aracnídeo perder em emoção e massa física. Sim, agora temos, se tanto, uma aranhinha de fundo de quintal, sem a performance atlético-acrobática dos filmes anteriores que, por sinal, reproduziam com saudável fidelidade o personagem dos desenhos. No quesito "heroína", o filme continua devendo: Emma Stone tem uma atuação pétrea, sem vivacidade e é tão sem sustança dramática quando a mocinha dos primeiros filmes, a desenxabida Kirsten Durnst. Longe de ser um espetáculo, a produção é apenas um entretenimento médio, mesmo assim para os fãs mais acríticos.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

2068 - HERÓI

(HERO, CHINA, HONG KONG 2002) - o mais caro filme chinês de todos os tempos ainda é visualmente arrebatador - sua beleza quase agressiva é o que se pode chamar de poesia em movimento. No mais, este filme me é especialmente querido porque foi tema de meu primeiro trabalho escrito no mestrado, o que me rendeu uma nota alta e algum prestígio durante o curso. «Herói» é uma obra com grande força estética, sem diluir uma estruturação narrativa, assente emflashbacks com vários pontos de vista de uma realidade já consumada (a morte dos três assassinos), desenvolvida, conforme referido, na prossecução do conceito de que tudo e todos se devem submeter a um ideal superior que é a criação da China imperial. A história é contada várias vezes, e Zhang, o diretor, conta com a arte e a técnica de Chris Doyle para compor vários segmentos, dominados por cores específicas (vermelho, azul, branco e verde), conferindo às imagens um certo abstraccionismo poético, isolando vários níveis de realidade. Os trajes desenhados por Wada foram tingidos numa multitude de tons (mais de 50 variações de vermelho, por exemplo) e os momentos para a rodagem de cada plano cuidadosamente selecionados (para capturar a cor certa nas folhas das árvores ou beneficiar da luz adequada). Confira aí

terça-feira, 23 de abril de 2013

2067 - JOSÉ E PILAR

(JOSÉ E PILAR, PORTUGAL, ESPANHA, BRASIL, 2010) - genialidade e simplicidade podem conviver numa mesma pessoa. É isso que se conclui quando terminamos de assistir ao documentário sobre José Saramago. O foco está na quase intimidade do escritor, no seu convívio com Pilar Del Rio, a quem ele devota o suave e inabalável amor dos lúcidos. Ao mesmo tempo que desvela a agridoce forma com que o autor de Ensaio Sobre a Cegueira, o diretor Miguel Gonçalves Mendes aponta sua câmera para uma Pilar um pouco agressiva demais, principalmente quando a coloca como defensora de algumas bandeira feministas.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

2066 - CHUVA NEGRA

(BLACK RAIN, USA 1989) - de Ridley Scott, que adotou o título em referência ao espesso e corrosivo temporal  provocado pela bomba atômica lançada pelos americanos contra Hiroshima e Nagasaki. O filme teve seu lançamento durante a a chamada "febre antiamarela" nos EUA, em função da expansão econômica do Japão, sobretudo no setor automobilístico. Acusado de corrupção, Nick Conklin ( Michael Douglas, inspirado) tem que viajar a Tóquio para escoltar o perigoso Sato (Yasaku Matsuda), um mafioso da Yakuza, preso em Nova Iorque. Depois de escapar e matar Charlie (Andy Garcia), parceiro de Nick, tudo conspira para a deflagração de uma cruzada regada a xenofobia. A partir daí, Nick poreja racismo com um jeitão capadócio. O dado trágico do elenco é que Yasaku já estava sofrendo com câncer durante as filmagens e pediu ao diretor - contra a vontade deste - que continuasse no filme até o fim.

2065 - OS VINGADORES

(THE AVENGERS, USA 2012) - nesta sopa de heróis dos estúdios Marvel, só o Homem de Ferro de Robert Downey Jr. e a deliciosa Scarlett Johnasson aguçam as papilas gustativas do espectador. O resto é apenas uma tentativa de sugerir um trabalho em equipe para que os mocinhos impeçam que Nova Iorque seja destruída por alienígenas. O filme funciona como a matinê que se propõe a ser. Nada mais.

sábado, 20 de abril de 2013

2064 - RABO DE FOGUETE

(VISIT TO A SMALL PLANET, USA 1960) - o diretor Normam Taurog, reponsável pelo Mágico de Oz e alguns filmes de Elvis Presley, conteve um pouco as caretas de Jerry Lewis que, neste filme, faz um alienígena curioso sobre a vida suburbana de uma típica família norte-americana. A história é simples e os efeitos especiais são mínimos. De fato, tudo é baseado numa peça de Gore Vidal, tanto que o filme todo parece mesmo encenado num palco, com marcações bem teatrais. Consta que Vidal não queria Lewis para o papel, mas teve que engoli-lo em função da fama que o jovem Jerry desfrutava na época. Numa das cenas, há uma referência direta ao movimento Beatnik, movimento sócio-cultural dos anos 50 e 60 que subscreveu um estilo de vida antimaterialista, na sequência da 2a. Guerra Mundial. O mais interessante, para mim, é que o título inspirou o nome de um dos meus episódios favoritos de Perdidos no Espaço: Visita a um Planeta Hostil.

terça-feira, 16 de abril de 2013

2063 - O IMPOSSÍVEL

(THE IMPOSSIBLE, SPAIN 2012) - o diretor catalão Antonio Bayona faz deste suposto filme-catástrofe um cinema de boa qualidade, estruturado sobre a sobriedade no trato com os sentimentos e a intensidade de sua linguagem visual, bem distante dos congêneros de baixa craveira que só objetivam impressionar o público menos crítico. A história - real, diga-se - de uma família que sobrevive ao tsunami ocorrido em 2004, na Tailândia, é tratada com o foco das vítimas na necessidade de ligar-se aos outros e numa extraordinária capacidade de interiorização. Tecnicamente, as cenas do tsunami são tão boas quanto as mesmas que aparecem em "Além da Vida", de Clint. Por outro lado, ainda temos as atuações magníficas de Ewan McGregor, o pai da família, Tom Holland, como o filho sobrevivente e, em particular, Naomi Watts, eletrizante, como Maria, a mãe.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

2062 - PHIL SPECTOR

(PHIL SPECTOR, USA 2012) - só o fato de contar com Al Pacino faz o filme ser obrigatório, costumo dizer. Este aqui ainda tem o apelo de chamar a atenção dos fãs dos Beatles, pois seu personagem principal, Phil Spector, está historicamene ligado a eles, por causa da invenção da Wall of Sound, técnica de gravação usada pelo grupo. Encarnado por Pacino com uma canastrice proposital que, aqui, funciona a favor da semelhança com a lendária figura - uma espécie de Caubi Peixoto americano - Spector se mostra delirante e um pouco alheio à acusação de ter matado uma atriz em sua casa, uma mansão repleta de coleções de armas e bustos de políticos assassinados, além de uma pletora de perucas. Apesar de tudo isso, o filme, que também conta com Hellen Mirren, é meio chato e não está à altura do talentoso David Mamet, roterista e diretor.

domingo, 14 de abril de 2013

2061 - O OPERÁRIO

(THE MACHINIST, SPAIN 2004) - Christian Bale é um ator impressionante: chegou a pesar 55 quilos para fazer o papel principal deste drama psicológico, em que faz um operário que está há mais de um ano sem dormir e que passa a duvidar da própria sanidade mental. Sua transformação física é tão impressionante que, não raro, deixamos de prestar atenção à história, para vê-lo atuando quase como um fiapo humano. É também chocante, devo dizer. Dê uma olhada nas fotos aí do lado. Consta que Bale ainda queria perder mais peso, mas foi impedido pelo diretor do filme. Ele, aliás, repetiu esta transformação física em O Vencedor (2010). Com toques hitchcokianos, principalmente na trilha sonora, "O Operário" vale a pena ser visto.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

2060 - AGENTES DO DESTINO

THE ADJUSTMENT BUREAU, USA 2011) - a história dos encontros e desencontros amorosos entre um político e uma bailarina serve eixo para uma fábula de ficção científica sobre a questão - bem terrena, por sinal - do livre arbítrio e do destino. É a premissa da história: nós controlamos nosso destino ou forças ocultas manipulam nossas ações? Isso tudo se concentra num espaço urbano simbólico - Nova Iorque, claro - onde todos têm seus passos literalmente seguidos por agentes misteriosos que se encarregam de que o planejamento não saia dos trilhos. Boa chance de pensarmos sobre como conduzimos nossas vidas. Além disso, "Agentes do Destino" (a tradução do título ficou tão boa quando seu correspondente em inglês) inaugura um novo gênero, bipartido entre sci-fi e o romance escancarado, que, a meu ver, funcionou muito bem aqui. Matt Damon dá credibilidade ao político apaixonado.

domingo, 7 de abril de 2013

2059 - A MALDIÇÃO DA MOSCA

(THE CURSE OF THE FLY, USA 1965) - apoiando-se no sucesso de "A mosca da cabeça branca" (THE FLY, 1958), com Vincent Price e David Hedison, e de "O monstro de mil olhos", este filme funciona como inseticida definitivo sobre o argumento original. A distorção começa com um roteiro que enfoca as primeiras experiências com o teletransporte e - pasmem - nenhuma mosca foi convidada para fazer parte do filme. Talvez seja uma influência de Star Trek. E ainda temos a sequência inicial mais exdrúxula jamis vista num filme deste gênero: a bela Carole Gray, fugindo de um hospício, apenas usando lingerie, até ser encontrada, no meio da estrada, por George Baker, o protagonista sem graça, meio mosca morta. Triste epílogo para a trilogia mosqueira.

terça-feira, 2 de abril de 2013

2058 - O SUBSTITUTO

(THE DETACHMENT, USA 2011) - o filme é uma crônica de três semanas na vida de professores, diretores e alunos de uma escola de ensino médio, sob a ótica de um professor substituto, Henry Barthes (o excepcional Adrien Brody) que assume uma turma problemática de adolescentes agressivos. Sendo substituto, Barthes assim evita qualquer aprofundamento de relações pessoais, o que vai ao encontro com seu desejo de se diluir existencialmente no mundo exterior. Ao chegar nesta escola, Henry acaba tendo seu secreto mundo emocional sacudido por três mulheres: uma colega de trabalho, uma aluna do primeiro ano e uma jovem prostituta, todas, assim como Henry, numa luta de vida e morte para achar beleza e sentido num mundo aparentemente sem amor. Atenção para o nome do personagem de Brody: Barthes - mais existencialista impossível. Aliás, que grande ator é Adrian Brody! A história é triste, mas o diretor Tony Keye consegue manter o interesse até o fim.

domingo, 31 de março de 2013

2057 - BRANCA DE NEVE E O CAÇADOR

(SNOW WHITE AND THE HUNTSMAN, USA 2012) - a tendência atual de transformar histórias infantis em filmes para o público adulto, como em A Garota da Capa Vermelha e Espelho Meu, trouxe um exemplar mais bem sucedido: Branca de Neve e o Caçador apresenta uma adaptação vigorosa e com algumas licenças mais que poéticas para a fábula dos irmãos Grimm. O tom aqui é sombrio, dramáiico e sem muitas identificações infantis. A princesa, Kristen Stewart (fraca) passa os dias aprisionada por causa de sua madrastra (Charlize Theron, linda e talentosa), que lhe tomou o trono após a morte do rei. É então que o caçador (Chris Hemsworth, o Thor) entra em cena. Atenção para a turma de atores talentosos que fazem os sete anões, como, por exemplo, o grandíssimo (!) Toby Jones.

2056 - DJANGO LIVRE

DJANGO UNCHAINED, USA 2012 - Tarantino's hit the jackpot again! If you haven't seen it, you don't know what you're are missing! The new and feverish Tarantino's movie unveils a territory in which few would  dare to explore. É um filme em que o desejo bestial do ser humano de desumanizar os que ele quer acreditar diferentes de si assume proporções quase épicas, beirando o esculacho com uma seriedade pertubadora. Só gênios como Tarantino são capazes de dirigir atores de forma que eles apareçam sob uma luz completamente nova - é o que acontece aqui, principalmente, com Leonardo DiCaprio e Samuel l. Jackson. Christoph Waltz, assim como em Bastardos Inglórios, está luminoso, contrastando com o minimalismo perfurocortante de Jamie Foxx.

2055 - REIS DOS REIS

A vida de Cristo contada com rigor histórico. Da manjedoura em que nasceu na cidade de Belém para a adoração de milhares de fiéis espalhados pelo mundo, a vida de Jesus Cristo (interpretado por Jeffrey Hunter) foi inegavelmente repleta de grandes acontecimentos. Acompanhe em O Rei dos Reis, dirigido por Nicholas Ray e escrito por Philip Yordan - adaptado de nada menos que o Novo Testamento. Você verá seus milagres, os pilares da construção de sua igreja, a escolha dos Doze Apóstolos, a última ceia, a traição de Judas (Rip Torn), o humilhante julgamento em praça pública conduzido por Pôncio Pilatos (Hurd Hatfield, que havia feito Dorian Gray), a crucificação e a ressurreição. Para os cristãos, a chance de ver seu líder espiritual.

2054 - GUERRA DOS MUNDOS (1953)

Adaptação do romance clássico escrito por H.G. Wells, em 1898, famoso depois da versão radiofônica feita por Orson Welles em 1938. Na história, os habitantes de uma pequena cidade no sul da Califórnia (EUA) são surpreendidos por uma invasão alienígena de seres nem um pouco amistosos. O cientista Dr. Clayton Forrester (Gene Barry) é escalado para investigar o meteorito que atingiu a cidade. É quando ele descobre que, na verdade, o que caiu na superfície é uma nave vinda de Marte, trazendo marcianos prontos para travar uma guerra com os terráqueos.

sábado, 30 de março de 2013

2053 - O PACTO

(SEEKING JUSTICE, USA 2011) - entre erros e acertos (mais erros, ultimamente), Nicolas Cage estrela este bom thriller de ação que funciona do início ao fim, embora parta de uma premissa já explorada ao extremo por Hollywood: o marido que busca vingança em função de uma agressão sofrida pela esposa. É assim que começa o filme: a esposa, January Jones (linda, como sempre) sofre um ataque misterioso, e seu marido (Cage) vai se enredando numa história intricada que começa com um oferecimento de justiça. Nada de mais, mas vale a pena dar uma olhada. Atenção aos interessados em Filosofia: há uma menção direta ao trabalho de Edmund Burke e a seu ótimo "An Inquiry into the Origin of Our Ideas of the Sublime and the Beautiful".

2052 - SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Nascido em berço de ouro, cercado de privilégios, paixões e luxo, Francisco de Assis veio a ser um dos mais amados e reverenciados santos da história. Bradford Dillman interpreta de modo marcante o ambicioso aventureiro que ouve a voz de Deus e responde abandonando sua vida de conforto. Ao trocar a espada pela cruz, ele se eleva à glória... mas acaba tendo o trabalho de sua vida ameaçado por uma hierarquia corrupta e ciumenta dentro da própria Igreja. Sob a batuta de Michael Curtiz, famoso diretor de Casablanca, esta história épica de coragem e sacrifício ficou marcada, pelo menos para mim, quando vi o filme na infância, pela estupenda atuação de Dillman.

segunda-feira, 25 de março de 2013

2051 - GUERRA DOS MUNDOS (2005)

(WAR OF THE WORLDS, USA 2005) - este é um filme estranho de Spilberg, principalmente se tratando de ETs: aqui, eles são maus, conforme a versão original de H.G.Wells. O diretor faz uma homenagem ao clássico de 1953, escalando Gene Barry para uma "cameo" no finzinho do filme, juntamente com Ann Robinson, que contracenou com ela na época. Dakota Fanning faz a criança mais irritante de todos os filmes já produzidos, como uma pré-adolescente histérica e com trejeitos anacronicamente adultos. Tom Cruise está totalmente aparlemado num papel frouxo de marido divorciado que tenta se aproximar dos filhos. Um filme meio preguiçoso de Spielberg, como registrei na primeira vez que vi. Os extras do DVD são bons, cobrindo de forma razoável o processo de criação de Spielberg e da sua equipe, embora, às vezes, tem-se a impressão de que os extras foram feitos para que nós acreditássemos que o filme é bom, tantas são as declarações de técnicos e atores sobre as qualidades da produção. A gozação que Pânico 4 faz em cima do filme é totalmente justificada: apesar da grife de Spíelberg, WOTW está mais para comédia do que para um filme sério, principalmente por causa da atuação caricata de seus personagens principais.

2050 - A CIDADE DOS CONDENADOS

(VILLAGE OF THE DAMNED, USA 1995) - esta refilmagem do original de 1960, por John Carpenter, traz algumas surpresas, como a última atuação de Christopher Reeve, antes do acidente que o deixou paraplégico. É curiosa a atuação de Kirstie Allen, supostamente séria, mas com alguns trejeitos da Rebecca de "Cheers" - apesar de boa atriz, fica claro que sua praia é mesmo a comédia. Mark Hammil - o eterno Luke Skywalker - faz um  padre, e Michael Paré (de Ruas de Fogo) só aparece no início, num papel pequeno, o que confirma sua equivocada carreira de ator de primeiro time. Linda Kozlowski (de "Crocodilo Dundee") completa o elenco dos mais conhecidos, numa atuação com muito menos viço do que nos filmes com Paul Hogan. Este remake traz violência mais explícita, o que não faz do filme um novo clássico. A história é uma adaptação do livro "The Midwich Cuckoos", de John Wyndham. De fato, o que mais interessa neste filme é a presença de Reeve, injustamente estereotipado como Super-Homen, o que nos leva à reflexão sobre como alguns atores nunca se livraram de alguns personagens. Ator de formação erudita, Christopher Reeve estudou em Cornell, encenou Shakespeare na Grã-Bretanha e aprofundou seus estudos de arte dramática em Juilliard. Mas só ficou famoso mesmo quando vestiu um collant azul e uma sunguinha vermelha para encarnar o Super-Homem nos cinemas. Antes de fazer o papel, Reeve mal conseguia participar de testes para bons papéis. Depois de quatro filmes do “homem de aço”, até disputava alguns deles, mas raramente era escolhido: a identificação com o personagem era estreita demais. Era a imagem da força e da resistência, mas ficou tetraplégico ao cair de um cavalo em 1995. Transformado em herói da vida real – pela coragem ao enfrentar suas limitações -, morreu em 2004.

2049 - À BEIRA DO ABISMO

(MAN ON THE LEDGE, USA 2012) - Mesmo com enredo improvável, o filme é eletrizante quanse o tempo todo, embora se mostre um tanto frouxo no final, quando se dá o embate entre o mocinho e o bandido. O que conta aqui é o ritmo ágil da narrativa, os momentos de tensão e a direção sem apelos para estrondosos efeitos visuais. Sam Worthington, de Avatar e Fúria de Titãs é o protagonista que resolve chamar a atenção da mídia ao se aboletar no parapeito do último andar de um hotel no centro de Nova Iorque.