ABBOT E COSTELLO VÃO A MARTE (A & C GO TO MARS, USA 1953) – a melhor sacada deste filme é quando A & C vão parar num desfile de Mardi Gras em Nova Orleans, achando que estão em Marte, depois de ficarem acidentalmente presos num foguete. Depois, acabam chegando a Venus, onde encontram uma civilização composta apenas de mulheres. Quem faz uma ponta é a Miss Suécia 1950, Anita Ekberg, que depois se engraçaria com Tyrone Power. Como todos os filmes da dupla, este aqui também é um clássico, especialmente pelas adivinhações futurísticas em relação à tecnologia e às viagens espaciais.
sábado, 23 de julho de 2011
1123 - ABBOTT E COSTELLO VÃO A MARTE
ABBOT E COSTELLO VÃO A MARTE (A & C GO TO MARS, USA 1953) – a melhor sacada deste filme é quando A & C vão parar num desfile de Mardi Gras em Nova Orleans, achando que estão em Marte, depois de ficarem acidentalmente presos num foguete. Depois, acabam chegando a Venus, onde encontram uma civilização composta apenas de mulheres. Quem faz uma ponta é a Miss Suécia 1950, Anita Ekberg, que depois se engraçaria com Tyrone Power. Como todos os filmes da dupla, este aqui também é um clássico, especialmente pelas adivinhações futurísticas em relação à tecnologia e às viagens espaciais.
1122 - OS COLETORES
OS COLETORES (REPO MEN, USA 2010) – ficção científica violenta e com mais sangue do que se poderia esperar, mesmo se tratando de uma história de coletores de órgãos humanos, responsáveis por recolher o material que não foi pago pelos usuários. É isso mesmo: o sujeito não pagou, e eles vão lá, cortam o cara e retiram, na hora, o que for preciso – rins, pâncreas, coração ou qualquer outra prótese. Apesar da truculência do roteiro, dá para assistir, especialmente se pensarmos que, num futuro nem tão distante assim, poderemos estar à mercê de negociantes de órgãos humanos, credenciados legalmente pelo governo. Jude Law, apático, é o protagonista, além do ótimo e intenso Forest Whitaker, sempre com jeitão de bom amigo. Alice Braga faz a mocinha e até que se sai bem, embora lembre um pouco seu papel em “Eu sou a Lenda”.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
1121 - DUPLA IMPLACÁVEL

DUPLA IMPLACÁVEL (FROM PARIS, WITH LOVE, FRANÇA 2010) – o filme transporta para Paris os tiroteios e as perseguições característicos dos filmes feitos em Hollywood. O roteiro não promete muita coisa: Reese (Jonathan Rhys Meyers, que estava muito bem em Match Point, mas está muito aquém agora) é um adido cultural em Paris, que tem que receber um agente americano, interpretado por um John Travolta careca e anabolizado, com jeitão de Bruce Willis, encarregado de encontrar terroristas na Cidade Luz. Repete-se, então, a velha fórmula da dupla composta por um malandro e outro apalermado que acaba dando certo no fim, como fica evidente no batido título em português. Vale pela presença do bombonzinho polonês Kasia Smutniak – confira aí do lado e diga se estou errado.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
1120 - PULP FICTION

PULP FICTION (PULP FICTION ,USA 1994) – de Quentin Tarantino. Três histórias são apresentadas de forma não cronológica ao público. Em uma, conhecemos Vincent Vega (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson), dois mafiosos que devem fazer uma cobrança, que termina em chacina e com uma violenta seqüência no carro. Em outra história, Vincent deve levar a mulher de seu chefe (Uma Thurman) para se divertir enquanto ele viaja, mesmo com todos os boatos que rodeiam o caso. Por último, conhecemos Butch Coolidge (Bruce Willis), um boxeador que deve lutar em um combate com vencedor pré-definido, mas que surpreende a todos, vence e foge com o dinheiro da luta para provar o seu valor, sendo perseguido logo após. Nesse filme, Tarantino faz uma homenagem à literatura pulp. É importante observar que a pulp fiction surgiu em 1896 nos EUA como uma opção de leitura e diversão para uma grande massa de trabalhadores que emigrava do campo para a cidade, formando o que seria chamado de sociedade de massas (o salário médio de um operário era de 7 dólares semanais e o preço dos pulps não pesavam no bolso). A partir da década de 1920 os pulps entraram em decadência devido à concorrência do rádio e do cinema. A mitologia criada pelos pulps é tão forte que impregnou o cinema, os quadrinhos e a imaginação de milhões de pessoas no mundo todo. De Indiana Jones ao Super-homem, a cultura pop deste século deve muito aos pulp fictions. O cinema de Tarantino pode ser considerado um pulp cinema, onde diversão e literatura (ou roteiro de alta qualidade) buscam atrair o público de massa. Por outro lado, a pulp fiction de Tarantino é pós-moderna. O universo de Tarantino é despedaçado. Incorpora a sintaxe simbólica do capitalismo global e seu caos sistêmico. A narrativa de Pulp Fiction possui uma temporalidade fragmentária e descontínua, que altera a causalidade natural dos acontecimentos. De fato, ao modificar a seqüência temporal do filme, Tarantino “flexibiliza” a causalidade. Por outro lado, as contingências produzem inflexões significativas na trama fílmica. Em Pulp Fiction os personagens são conduzidos pelo acaso e pelo desconhecido. Talvez a violência que permeia o filme seja expressão deste universo de casualidades quase transcendentes. Em cada detalhe contingente, um gesto de violência concentrada.
1119 - GODZILA VS KING KONG

GODZILA VS KING KONG (JAPÃO, 1962) – este é o tipo de filme que a gente vê por curiosidade, para descobrir como o roteirista conseguiu juntar duas histórias que tem lá seu cacife cinematográfico num mesmo e improvável filme. É tudo muito confuso, não bastasse o som dublado em italiano, com uma firma farmacêutica que traz King Kong para Tóquio, a fim de enfrentar Godzila que, naturalmente, está devastando a cidade. Bem, alguma coisa não está batendo bem nesta história, ou será que ninguém pensou que uma briga dos dois gigantes seria bem pior do que apenas um monstro apenas, nervosinho que seja? Vale por curiosidade.
1118 - RITMO LOUCO
RITMO LOUCO (SWING TIME, USA 1936) – o filme tem um roteiro pífio, mas que importa? Fred Astaire está em cena, dançado divinamente com Ginger Rogers, e isso é o que importa nesta produção de 1936 que, no final, mostra uma cena em que Astaire se caracteriza como Bojangles, ator americano e também excelente dançarino, que dançou com Shirley Temple numa série de filmes na década de 30. Coincidentemente, Bojangles nasceu em Richmond, na Virginia, cidade onde morei nos anos 90. Os números de dança de Astaire e Rogers são fantásticos. Um must-see. O título em português não tem nada a ver. domingo, 17 de julho de 2011
1117 - MEU MALVADO FAVORITO
MEU MALVADO FAVORITO (DESPICABLE ME, USA 2010) – apesar de conter todos os lugares-comuns do gênero, como, por exemplo, o pai que fará de tudo para compensar sua ausência numa apresentação dos filhos no colégio, o filme é uma gracinha, do princípio ao fim: Gru, o protagonista, é um supervilão empenhado no projeto de roubar a Lua. Como tem um competido mais jovem chamado Vector, adota três órfãs, apenas para utilizá-las em um plano para roubar o raio encolhedor do inimigo, que o fará capturar o satélite. Aí, é o que se sabe: todo malvado tem um coração de manteiga.1116 - 8 MM

8MM (8MM,USA 1999) – de Joel Schumacher. Aí está um ótimo filme de Nicolas Cage, que faz um detetive obcecado por descobrir a identidade de uma menina que foi morta num filme com características sados-masoquistas. A partir das primeiras pistas, ele parte para uma investigação que o levará a Nova York e de volta a Los Angeles, além de fazê-lo se afastar de sua família. Bem sombrio, o thriller se desenvolve numa sucessão de fatos magnéticos. Boa atuação de Joaquin Phoenix e de James Gandolfini, que depois brilharia com A Família Soprano.
1115 - 007 – UM NOVO DIA PARA MORRER

007 – UM NOVO DIA PARA MORRER (007 – DIE ANOTHER DAY, USA 2002) - 007 volta a salvar o mundo, o que não deve ter sido uma tarefa tão desagradável assim, quando se tem a companhia de Halle Berry. Apesar de irregular nas cenas de ação, o filme ainda continua despertando algum interesse, principalmente por causa da atuação de Pierce Brosnan, o melhor James Bond, em minha opinião. Alguns efeitos ficaram um pouco forçados.Madonna, que canta a canção-título, faz uma ponta irrelevante.
1114 - O NÚCLEO – MISSÃO AO CENTRO DA TERRA

O NÚCLEO – MISSÃO AO CENTRO DA TERRA (THE CORE, USA 2003) – bem, o problema é que o centro da terra está causando uma instabilidade mortal ao planeta, e um grupo de cientistas e astronautas tem que chegar lá, para salvar a humanidade. Péssimo argumento, não? Pois é, piores são os efeitos especiais, paupérrimos. O elenco é bom, a começar com Hilary Swank, Stanley Tucci, Richard Jenkins e Aaron Eckhart, no entanto, tudo acaba numa ficção científica sem pé nem cabeça.
domingo, 10 de julho de 2011
1113 - O CASTELO NEGRO

O CASTELO NEGRO (THE BLACK CASTLE, USA, 1952) – Richard Greene (que mais tarde seria o Robin Hood na série de TV) é Sir Ronald Burton, que vai à África para saber o paradeiro de dois amigos que, acredita-se, foram vítimas de um conde bem malvado, em cujo castelo acontecem as maiores atrocidades. O roteiro mistura um pouco de Shakespeare – num determinado momento, o mocinho e a donzela tomam uma droga para parecer que tinham morrido – e carrega nos diálogos excessivamente dramáticos. O curioso é a presença de Boris Karlof, numa atuação bem razoável, e de Lon Chaney Jr., que faz o papel de um criado abobalhado, sem qualquer importância na história.
1112 - SALT

SALT (SALT, USA 2010) - antes de se tornar agente da CIA, Evelyn Salt (Angelina Jolie) prestou juramento de servir e honrar o seu país. Ela colocará o seu juramento em prática, quando um desertor russo a acusa de ser uma espiã russa. Salt foge, usando todas as sua habilidades e anos de experiência como agente infiltrada para conseguir escapar dos seus inimigos, proteger o seu marido e fugir dos seus colegas da CIA. O filme é um thriller de ação que acaba prendendo a atenção, muito por causa da presença magnética de Angelina nas telas. O roteiro flerta com o impossível, mas proporciona algumas cenas de ação muito bem feitas. Vale, porém não muito.
1111 - O MÉDICO ERÓTICO

O MÉDICO ERÓTICO (THE MAN WITH TWO BRAINS, USA 1983) – de Carl Reiner. Um cientista americano especializado em cirurgia cerebral (Steve Martin), que nunca se recuperou da morte da esposa, se apaixona por uma mulher sedutora, mas também interesseira e traiçoeira (Kathleen Turner). Ao participar de uma convenção na Europa, descobre que sua alma-gêmea é mesmo um cérebro, que ele encontra no laboratório de um amigo e com quem se comunica por uma espécie de telepatia.O filme envelheceu, mas ainda contém algumas boas piadas, especialmente quando Steve Martin está em cena. A bombshell dos anos 80, Turner, faz de tudo para valorizar seus atributos físicos, mas só consegue prender a atenção em algumas cenas em que usou uma dublê. O título em português é lamentável.
1110 - O AMOR ACONTECE

O AMOR ACONTECE (LOVE HAPPENS, USA 1009) - Burke Ryan escreveu um livro de autoajuda que faz grande sucesso. Diferente do que escreve, ele ainda não conseguiu aceitar a morte da esposa. Durante uma de suas viagens de divulgação da sua obra, Burke conhece Eloise Chandler (Jennifer Aniston), a mulher certa que o ajudará a esquecer as perdas do passado. Esta comédia romântica se baseia no comatoso argumento acima e, creia, nada acontece mesmo que valha a pena. É um pouco triste ver a atuação apagada e sem brilho de Jennifer Aniston. Tudo perfeitamente dispensável.
1109 - ÀS MARGENS DE UM CRIME

ÀS MARGENS DE UM CRIME (IN THE ELECTRIC MIST, USA 2009) – o filme vale pela presença de Tommy Lee Jones, apenas. Mistura de drama com suspense e ação, a história acontece na cidade de New Ibéria na Lousiana: o detetive Dave Robicheaux (Jones) procura um serial killer, que faz suas vitimas entre mulheres bonitas e jovens, em crimes bárbaros. Após ser chamado à cena de um desses crimes, Dave volta para casa e, no caminho, encontra um famoso astro de cinema de Hollywood chamado Elrod Sykes, que está na cidade de New Ibéria gravando as cenas de seu próximo filme, que é patrocinado por um grande chefão do crime organizado daquela região, Baby Feet Balboni (o ótimo John Goodman), coincidentemente um grande amigo de infância do detetive.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
1108 - AS CORES DA VIOLÊNCIA
AS CORES DA VIOLÊNCIA (COLORS, USA 1988) - A polícia e o gabinete do xerife do município de Los Angeles possuem uma divisão para enfrentar os crimes de gangues. Esta divisão da polícia é chamada C.R.A.S.H. (Community Resources Against Street Hoodlums - Esforços Comunitários Contra os Arruaceiros das Ruas) e a divisão do xerife é chamada de O.S.S. (Operation Safe Streets - Operação Ruas Seguras) Os dois departamentos combinados têm um total de 250 integrantes e este é um número bem pequeno, pois na grande Los Angeles existem 600 gangues de rua, que têm quase 70 mil membros, o que provoca centenas de crimes por ano. Neste contexto um novato, Danny McGavin (Sean Penn), e um policial veterano, Bob Hodges (Robert Duvall), viram parceiros na C.R.A.S.H. Eles têm um estilo bem diferente de policiar as ruas, mas independente disto algo precisa ser feito, pois os Crips, que usam azul, e os Bloods, que usam vermelho, as duas principais gangues locais, intensificaram a rivalidade e isto está provocando várias mortes.
1107- MEU NOME É TRINITY
Na onda das sátira que o cinema italiano fez aos faroestes americanos, na década de 60, este filme talvez seja o mais emblemático, até por ter sido despretensioso e apostado mais na comédia do que nas conexões a serem exploradas. Acontece que ninguém esperava a química na tela dos dois protagonistas - Terence Hill e Bud Spencer - e o sucesso foi imediato. Os dois vivem à margem da lei, mas possuem um código de honra que os leva a sempre ajudar os indefesos e a salvar as belas donzelas que encontram pelo caminho. Surgido em pleno auge da contra-cultura, Trinity se apresenta como um típico hippie vagabundo, vestindo roupas rasgadas e coberto de poeira do deserto dos pé à cabeça. Para as longas travessias pelo Oeste, ele usa uma "cama índia" (espécie de esteira), puxada pelo seu obediente cavalo. Devido ao sucesso do filme de 1970, foi feita uma sequência, Trinity ainda é meu nome de 1971. No Brasil o personagem virou mania, sendo que quase todos os filmes da dupla Bud Spencer & Terence Hill foram lançados nos cinemas do país com Trinity incluído no título em português.
1106 - EQUILIBRIUM
Nos primeiros anos do século XXI aconteceu a 3ª Guerra Mundial. Aqueles que sobreviveram sabiam que a humanidade jamais poderia sobreviver a uma 4ª guerra e que a natureza volátil dos humanos não podia mais ser exposta. Então uma ramificação da lei foi criada, o Clero Grammaton, cuja única tarefa é procurar e erradicar a real fonte de crueldade entre os humanos: a capacidade de sentir, pois há a crença de que as emoções foram culpadas pelos fracassos das sociedades do passado. Desta forma existe um estado tolitário, a Libria, que é comandado pelo "Pai" (Sean Pertwee), que só aparece através de telões. Foi decretado que os cidadãos devem tomar diariamente Prozium, uma droga que nivela o nível emocional. As formas de expressão criativa estão contra a lei, sendo que ao violar qualquer regulamento a não-obediência é punida com a pena de morte. John Preston (Christian Bale) é um Grammaton, um oficial da elite da lei, que caça e pune os "ofensores", além de ter poder para mandar destruir qualquer obra de arte. Um dia, acidentalmente, Preston não toma o Prozia. Pela primeira vez ele sente emoções e começa a fazer questionamentos sobre a ordem dominante. Eu não me lembrava mais da citação de Yeats, na cena com Bale e Sean Bean, o que coloca o filme na categoria dos "especiais!, claro. É ótima a ideia de que, no futuro, ter-se-ia que eliminar as emoções e qualquer êxtase proveniente das obras de arte, para se encontrar uma suposta paz na humanidade. Vale cada fotograma.
terça-feira, 28 de junho de 2011
1105 - PERVERSA PAIXÃO

PERVERSA PAIXÃO (PLAY MISTY FOR ME, USA 1971) – de Clint Eastwood. Neste filme, Clint ainda se mostra um cineasta um pouco inseguro, com alguns bons momentos. Na época, ele estava ansioso para dirigir seu primeiro filme, e os produtores lhe ofereceram a chance, com a condição que nada lhe seria pago. O resto é História, como sabemos. O filme oscila entre bons momentos de suspense e outros um pouco exagerados, como, por exemplo, a atuação meio over de Jessica Walter, como a fã obcecada por DJ Dave (Clint), que repete a fórmula de “Atração Fatal”.
1104 - CIDADE ARDENTE
CIDADE ARDENTE (CITY HEAT, USA 1984) - Este não é um bom filme de Clint. Apesar de estrelar junto com outro peso-pesado, Burt Reynolds, a história que envolve a Máfia nos anos 30 se perde entre a confusão e o pastelão, sem grandes alcances. Na cidade do Kansas em 1933 Murphy (Burt Reynolds), um detective particular, segue a pista do assassino do seu parceiro. Entretanto o Tenente Speer (Clint Eastwood) da Polícia local não está nada contente com a guerra do submundo que assola a cidade. Os dois detestam-se, o que, naturalmente, faz deles mais uma versão dos parceiros que se odeiam, apesar de trabalharem juntos. Era para ser um daqueles encontros dos sonhos, com dois atores de imensa popularidade, mas que acabaou não dando certo na tela, muito em função do roteiro muito mexido.
1103 - COMO TREINAR SEU DRAGÃO
COMO TREINAR SEU DRAGÃO (HOW TO TRAIN YOUR DRAGON, USA 2010) – a história de um menino viking que se torna amigo de um temível dragão, depois de ajudá-lo a voar novamente, numa sociedade que se jacta de caçá-los como esporte, não tem lá muita originalidade, mas, aqui, funciona muito bem e a gente se delicia do princípio ao fim.
1102 - AS FACES DA VERDADE
AS FACES DA VERDADE (NOTHING BUT THE TRUTH, USA 2008) – de Rod Lurie. Rachel Amstrong (Kate Beckinsale) é uma jovem jornalista política que trabalha em um dos maiores jornais da capital dos EUA. A sorte bate á sua porta quando obtém informações seguras sobre um escândalo sem precedentes que pode abalar toda a estrutura do atual governo que, decidido a descobrir de onde a informação vazou, a obriga a revelar sua fonte. Ela se recusa a dar a informação e trair seus princípios e enfrentará um duro julgamento, comandado pelo procurador Patton (Matt Dillon), para ser presa, deixando sua família para manter sua integridade como jornalista. O filme é muito bom, com todos os ingredientes de um thriller policial e um desfecho surpreendente. Além disso, duas das mais belas e talentosas atrizes do cinema atual – Kate Beckinsale e Vera Farmiga. Atenção para David Schwimmer, o Ross de Friends, aqui num papel dramático, como marido de Kate. Alan Alda também tem uma atuação marcante, como advogado da protagonista.
1101 - O FUGITIVO
O FUGITIVO (THE FUGITIVE, USA 1993) – esta versão do seriado com David Janssen, na década de 60, é excelente, principalmente pela boa atuação de Harrison Ford e de Tommy Lee Jones. Harrison é Richard Kimble, acusado de ter assassinado sua esposa, que tenta de todas as formas provar sua inocência e encontrar o responsável. É aí que o filme tem alguma coisa de diferente – Kimble não se transforma em um herói de ação, como seria Indiana Jones, mas sim uma pessoa comum (ou quase) que consegue superar todos os obstáculos para encontrar a verdade.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
1100 - O SOLTEIRÃO
O SOLTEIRÃO (SOLITARY MAN, USA 2010) – Michael Douglas põe em cheque sua fama de garanhão – nas telas e fora delas, diga-se – na pele de um Don Juan em fim de carreira cuja vida vai naufragando numa cascata de fracassos profissionais e afetivos. O curioso – e fundamental – neste filme é que ele não se arvora em apontar saídas para a redenção e se concentra, numa abordagem bastante assertiva em consequências afetivas e em seus efeitos colaterais, sem o peso do julgamento moral. Destaca-se a atuação convincente de Douglas, que é um mestre em se apresentar com um olhar irresponsável, desleixado, desbocado e sem a mínima preocupação com o politicamente correto. O título em português é um equívoco total.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
1099 - AMOR AOS PEDAÇOS

AMOR AOS PEDAÇOS (LOVE & SEX, USA 2000) – comédia romântica sobre as idas e vindas do casal Kate e Adam (Famke Janssen e Jon Favreau, que agora dirigiu os dois Homem de Ferro). O que mais impressiona no filme é que, claro, a gente espera aquele dejà vu das comédias deste tipo, com todas as situações típicas dos romances que sofrem todo tipo de twists até dar tudo certo no fim, mas a diretora Valerie Breiman dá um ritmo que envolve o espectador e a química entre o Famke e Jon funciona. Neste caso, o título em português é muito melhor do que o original.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
1098 - À PROVA DE MORTE

À PROVA DE MORTE (DEATH PROOF, USA 2007) – de Quentin Tarantino. Fiel às características imanentes à filmografia pregressa do cineasta, Tarantino joga nos nossos olhos um filme explícito de gênero hollywoodiano. Inequivocamente, esbarra-se numa de suas referências mais nítidas - o tributo ao exploitation dos anos 1970, com os seus filmes B repletos de sexo e violência. Destarte, Tarantino compõe o pastiche com personagens caricatos, papo-furado feminino, signos da cultura pop americana e muita ação automobilística, além das alusões aos clássicos do cinema dos anos 70. Sem muito esforço, aparecem as motivações imediatas, as cores primárias, os lugares prosaicos e músicas populares da época: “Baby It´s You” (Burt Bacharach), “Down in Mexico” (The Coasters), “Hold Tight” (Dave Dee, Dozy, Beaky, Mick & Tich), entre outras da inspirada trilha, que é outro achado. A gente logo percebe que está diante da história manjadíssima (mas Tarantino nunca quis ser original) de um psicopata sádico persegue gostosas descerebradas para trucidá-las em cenas brutais que levam o termo “descerebradas” a ser entendido ao pé da letra. A câmera fetichista abusa nos closes em shortinhos apertados e pés desnudos, com direito à dança erótica (lap dance). Kurt Russell é Stuntman Mike: ex-dublê machão, com cicatriz e tudo, que pilota um Dodge Challenger extraído diretamente de Corrida Contra o Destino (1971). Sem uma gota de culpa a lhe rolar pela face cicatrizada, o assassino ao volante escolhe “namoradas” pela cidade e as mata com o seu muscle car preto. O personagem sublima a falta de amor/sexo de belas mulheres por meio de perseguições e rachas excitantes. Para ele, o possante carro é como extensão fálica, o que o faz, literalmente, penetrar as mulheres com o veículo. O velho charme do efeito retrô, aparece em imagens riscadas, cortes descontínuos, planos perdidos, manchas brancas e pretas, interrupções do áudio e falhas de montagem. O procedimento também serve para desnarrativizar a história e, e certo modo, perturbar o espectador, como quando há o primeiro desastre provocado por Mike. Entretanto, afora essa seqüência, À Prova de Morte é narrado de modo contínuo. Organizado como díptico, divide-se em duas partes de mesma estrutura de personagens e ação, que se antagonizam no desfecho. Se, na primeira, o psicopata motorizado é bem-sucedido em massacrar as três hot girls; na segunda, elas renascem na pele de outras atrizes, para uma vingança adivinhada e, confesso, deliciosa. Eis o tema tarantinesco da mulher poderosa, que faz e acontece, movida à vingança na mais alta octanagem, a exemplo de Jackie Brown (Pam Grier, no filme homônimo), Beatrix Kiddo (Uma Thurman, em Kill Bill) ou Shosana Dreyfus (Melanie Laurent, em Bastardos Inglórios). Todas elas se vingam de homens prepotentes e controladores. É a celebração da alegria na degustação da pura vingança. Se não há moral no universo de Tarantino, existe uma ética da potência, na medida em que os personagens lutam por si mesmos, na relação de forças, para sobrepujar os agressores. Tarantino se equilibra admiravelmente no processo de explorar até a última gota de sangue os lugares-comuns e os estereótipos do cinema da década de 70. No entanto, é exatamente na composição de seus filmes que ele se mostra genial, acrescentando minimalisticamente um e outro detalhe que faz toda a diferença. Os diálogos são superficiais, mas envolventes. Os personagens são caricatos, porém sedutores. Os cenários são pop, mas também pop art, na invocação da participação do espectador, na desmistificação do bom-gosto e do sublime da arte clássica. O diretor trilha o caminho inverso da comunicação de massa e mostra como a arte consegue surrupiar da sociedade hipócrita seus ícones e produtos para, então, jogá-los contra o mesmo sistema que os produziu. Sob esta ótica, À Prova de Morte prescinde de qualquer transcendência. Transcender o gênero seria perder a sua essência e, assim, a sua potência. Por isso, Tarantino desvela fraquezas, inseguranças, repressões exatamente no local que melhor exorciza o medo do abandono – a estrada – espaço onde o cinema americano se reinventou na década de 70, a partir de “Easy rider”. É um prazer degustar o coquetel que Tarantino prepara de referências à cultura pop e a um certo tipo de cinema que não costuma ser visto como obra de arte. O filme não força a idolatria à tipologia para reeditar a história já vista em outras produções ou para cultuar o cinema pelo cinema (religião). Apenas enfia com vontade a agulha na veia do gênero e de seus lugares-comuns, para encher a seringa com um espesso líquido quente que mistura cocotas de shortinho e bermudinha esfiapada ao redor de coxas grossas, close nos pés femininos, perseguições de carro e diálogos enebriantemente longos – tudo isso a serviço do universo tarantinolândico que tanto nos fascina.
domingo, 12 de junho de 2011
1097 - W

W (USA 2008) – de Oliver Stone, que apresenta a biografia de George W. Bush, desde de sua época de colégio, incluindo as bebedeiras e o eterno problema com o álcool, além de evidenciar sua relação problemática com o pai, mesmo depois de ser eleito presidente duas vezes. Josh Brolin está perfeito no papel de um Bush apalermado, vacilante, rude ao extremo e dominado por uma crença religiosa que o deixava ainda mais frágil diante das decisões que tomou em relação à guerra do Iraque. O elenco é de alto nível: Richard Dreyfuss é o vice Dick Cheney; Thandie Newton é Condoleezza Rice; Scott Glen é Rumsfeld e Jeffrey Wright é Colin Powell. O personagem principal, vivido por Brolin, é uma caricatura, mas tão verossímil que dá calafrios só de pensar no perigo que representou na Casa Branca.
1096 - O DIRIGÍVEL HINDERBURG

O DIRIGÍVEL HINDERBURG (THE HINDERBURG, USA 1975) – de Robert Wise. O filme narrar a viagem do dirigível Hinderburg, da Europa até os Estados Unidos, até o desastre que ocorre na sua chegada ao território americano. Os efeitos são meio toscos até mesmo para a época, mas acabam funcionando, em função das sequências extremamente lentas que ocorrem dentro da aeronave. Alguns nomes consagrados – como George C. Scott, Anne Bancroft e Charles Durning – reproduzem a estratégia de alguns filmes-catástrofes da época, que também tinham um elenco estelar. No final, há uma discutível edição de imagens, intercalando as da época com as feitas para o filme. Não me pareceu digno de Wise.
1095 - O CÉU DE OUTUBRO

O CÉU DE OUTUBRO (OCTOBER SKY, USA 1999) – na linha dos filmes que contam a história de alguém que acredita no seu sonho, apesar de todas as dificuldade, O Céu de Outubro cumpre bem o papel de emocionar o espectador, principalmente pela verdadeira atuação de Jake Gyllenhaal e de Chris Cooper, este último se mostrando muito à vontade no recorrente papel de pai severo e intransigente, como fez em Beleza Americana. A tensão entre os personagens de Jake e Chris leva o filme até o final emocionante, que coroa a história real de Homer Hickam, um jovem de uma cidade do interior dos EUA, que tem o sonho de construir um foguete.
sábado, 4 de junho de 2011
1094 - UMA NOITE EM 67

UMA NOITE EM 67 (BRASIL, 2010) – documentário sobre a final do Festiva de Música Brasileira, que a Record promovia nos anos 60. O que é notável é a quantidade de músicas de qualidade, de uma tacada só: Ponteio, a vencedora, Domingo No Parque, Roda-Viva e outras. O melhor da MPB estava lá: Chico, Caetano, Gil, Edu Lobo, Os Mutantes e até um extremamente relaxado Roberto Carlos, que fez até piadinha com o violão que Sérgio Ricardo quebrara momentos antes. A primeira reflexão, depois de assistir ao documentário é constatar que a música brasileira empobreceu de forma irresgatável, se levarmos em conta os grandes nomes acima citados. Os números musicais são entremeados por entrevistas atuais com os mesmos personagens. Dá para sentir a tensão que a violência da ditadura imprimia à competição.
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