quarta-feira, 25 de maio de 2016

2773 - SOB O SOL DA TOSCANA

SOB O SOL DA TOSCANA (UNDER THE  TUSCAN SUN, USA 2003) - Diane é uma das atrizes mais queridas de Hollywood e do público em geral. É simpática, bonita, talentosa. Fez filmes bem legais como O SELVAGEM DA MOTOCICLETA e RUAS DE FOGO. Possui aquele ar de heroína romântica desprotegida, mas sempre altiva. Foi casada com o highlander Christopher Lambert e com o talentoso Josh Brolin. Neste filme, ela parece encarnar sua própria vida, sob o ponto de vista de estar sempre disposta a recomeçar – é o que faz seu personagem, que larga tudo depois de uma desilusão amorosa, vai para a Europa e acaba comprando uma casa centenária na região da Toscana. Entre uma e outra falha no roteiro, a história passeia por locações belíssimas, personagens simpáticos e uma revigorante mensagem de esperança.

domingo, 22 de maio de 2016

2772 - SHERLOCK

SHERLOCK (UK, 2010) Excelente série britânica, com o mais excelente ainda Benedict Cumberbatch no papel-título. O roteiro possui a finesse tradicional das falas britânicas, com diálogos desconcertantes e imaginativos. O personagem, transposto para os dias atuais, nos quais interage abertamente com a tecnologia, está perfeitamente adaptado ao mundo pós-moderno baumaniano, sem a barra forçada de outras produções que puseram Sherlock vagando por um mundo moderno que ele não entendia e vice-versa. Neste caso, tudo contribui para que o raciocínio lógico-dedutivo do detetive sobressaia ainda mais claro e objetivo. Como Watson, o também grandíssimo Martim Freeman, cujos espasmos de emoção constituem um contraponto perfeito para a (aparente) frieza racional de Holmes. Extraordinário, estupendo, altamente estimulante, o seriado (com três episódios por temporada, pasmem) é uma das melhores surpresas da TV nos últimos tempos. Obrigado, Gabriel. 

sábado, 21 de maio de 2016

2771 - GOLPE DUPLO

 
GOLPE DUPLO (FOCUS, USA 2015) – O filme começa bem, mas vai deixando a desejar a partir da metade. Will Smith faz um daqueles personagens que já se tornaram cansativos na história do cinema recente: o trapaceiro simpático e charmoso, que acaba conquistando a mulher bonita do filme que, no caso, é uma das mais mesmerizantes do cinema contemporâneo: Margot Robbie. Pois bem, de repente, o filme passa Buenos Aires (a produção também é Argentina), e temos Rodrigo Santoro, num bom personagem: ele é um milionário que contrata Smith para alguns trabalhos escusos. Tecnicamente bem realizado, o filme traz belíssimas locações e uma fotografia caprichada. O roteiro flerta com o do excelente OCEAN’S ELEVEN, principalmente na primeira metade. Vai irregular depois disso, mas o impacto estético de Margot Robbie compensa tudo.


sexta-feira, 20 de maio de 2016

2770 - A VERDADE SOBRE MARLON BRANDO

A VERDADE SOBRE MARLON BRANDO (LISTEN TO ME, MARLON, USA 2015) - Com acesso exclusivo ao seu arquivo pessoal incomum, que inclui centenas de horas de áudio gravado ao longo de sua vida, este é o documentário definitivo sobre Marlon Brando. Traçando sua brilhante carreira como ator e sua vida fora do palco, o filme vai explorar em profundidade os meandros do homem que conta a sua história de uma forma única a partir da perspectiva de Marlon Brando, com sua  própria voz. Não há cabeças falantes, nem entrevistados, apenas Brando e sua vida. O diretor Stevan Riley decupou mais de 300 horas de áudio gravadas por Brando, que fazia auto hipnoses e dissertava sobre vários assuntos recorrentes em sua vida: carreira, filhos, vida, morte, proteção das causas sociais e raciais, família, etc. O filme começa com uma imagem em 3D de Marlon Brando, dizendo que, hoje em dia, por conta da computação gráfica chegará um momento no qual os atores não serão mais necessários. Pois é essa imagem em 3D de Brando que "narra" o filme, trazendo trechos de sua extensa filmografia e de entrevistas e fotos que vão desde a sua infância até o fim da vida. Adotado pela atriz e professora de um método de interpretação, Stella Adler, ele aprendeu que a vivência e a memória emotiva são peças fundamentais para o seu desenvolvimento como ator. Esse método, apropriado de Stanislawsky, foi a base de toda a arte de atuação de Brando, contrariando as performances realizadas em Hollywood até então, que, segundo as palavras de Brando, eram óbvias e pouco convincentes. O que importava agora, é a verdade das emoções, que devem ser vivenciadas pelo momento. Este é um dos melhores documentários que já vi.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

2769 - MACUMBA NA ALTA

MACUMBA NA ALTA (BRASIL, 1958) – Comédia que mistura chanchada e um pouco de drama, com Armando Bogus e Felipe Carone. O curioso, nesta produção, é que ela foi dirigida pela roteirista de BOCCACCIO (1940), Maria Basaglia, que evitou o uso do termo “chanchada” e optou por “cine-comédia”, logo nos créditos iniciais. De fato, o filme se afasta um pouco do foco usual das chanchadas e lembra – vagamente, devo dizer – os filmes italianos pré-realistas. Atenção para a beleza inesperada da atriz Maria Dilnah.      

quarta-feira, 18 de maio de 2016

2768 - NÃO OLHE PARA TRÁS

  NÃO OLHE PARA TRÁS (DANNY COLLINS, USA, 2015) – Baseada na história real de um músico que recebeu, no início da década de 70, uma carta de John Lennon, convidando-o para conversar, o filme tem o grandíssimo Al Pacino no papel-título. O roteiro se concentra numa reviravolta que realmente aconteceu: a carta só chegou ao seu destinatário mais de 40 anos depois. É aí que Danny (Pacino), cantor de rock veterano, que ainda vive como um pop star tresloucado, começa a se transformar. Contracenando com a também excelente Annette Bening, o Danny Collins de Pacino entra num processo de autodescoberta que passa pelo resgate da relação com o filho que ele mal viu durante a vida e pelo questionamento dos seus valores. Como sempre, Pacino emociona com sua simples presença em cena. O filme é uma daquelas pequenas joias esquecidas entre um e outro blockbuster. É um privilégio poder assistir a um grande ator no total domínio de sua técnica e talento.       

segunda-feira, 16 de maio de 2016

2767 - UM BOM ANO



UM BOM ANO (A GOOD YEAR, USA, UK, 2006) – Este é um dos meus filmes favoritos, sem qualquer razão especial. A belíssima fotografia do interior da França, aliada a uma história simples, mas comovente, com excelentes atores, como Russel Crowe, Albert Finney e Marion Cotillard, talvez sejam motivos suficientes. Nos momentos em que Max (Crowe) fica em silêncio e se lembra das conversas que teve com o tio (Finney), é que vemos como ele é um grande ator. A história é envolvente e charmosa, regada a vinho e à beleza inebriante de Marion Cotillard. Assim como um bom vinho, o filme melhora com o tempo.    

2766 - OU TUDO, OU NADA

OU TUDO OU NADA (THE FULL MONTY, USA 1997) – Seis desempregados de uma metalúrgica, numa cidade pequena da Inglaterra, resolvem ensaiar um número de strip numa boate local. O drama do desemprego implode identidades pessoais, de gênero e de classe, constituídas no período de desenvolvimento do capitalismo industrial. O capital em sua sanha de reestruturação produtiva, deslocando e tornando obsoletos homens e territórios de produção, expõe dramas existenciais singulares. É o que The Full Monty tenta traduzir através de um mote narrativo curioso e intrinsecamente metafórico: desempregados montando um show de striptease, buscando se desnudar para um público de mulheres curiosas.   
 

2765 - EXTERMINADOR DO FUTURO, GÊNESIS

O EXTERMINADOR DO FUTURO: GÊNESIS (TERMINATOR GENISYS, USA 2015) – Seguindo a cartilha de STAR WARS, O DESPERTAR DA FORÇA, esta sequência também retoma o espírito (e quase todo o roteiro) do filme de maior sucesso, no caso, o segundo EXTERMINADOR, que, junto com o primeiro, fez coisas que ninguém esperava: arrasou na bilheteria, revolucionou o conceito de efeitos especiais e ocupou, a partir de então, o imaginário da cultura pop. Schwarzenegger faz até um pouco mais do que se poderia esperar dele: atua ( ! ) com aquele mesmo jeito mecânico do personagem, mas acaba por adir algumas nuanças de interpretação, mais para o lado cômico, como se fizesse troça consigo mesmo. O filme vai bem até a metade, mas, a meu ver, se complica ao trazer para o presente um John Connor híbrido de ser humano e máquina de metal líquido, como conviria a uma abordagem baumaniana. O Kyle Reese feito por Jay Courtney nos faz ter saudade da forma excepcional como Michael Bhien retratou um personagem um pouco fragilizado, com cicatrizes psicológicas, que vinha do futuro para salvar a mulher que amava. Há um excesso de CGI que também não funciona – os animatronics dos primeiros filmes davam conta do recado de maneira muito mais eficiente. Mas temos uma recompensa: Emilia Clarke, a Daenerys, de GAME OF THRONES, como Sarah Connor, sem a força de Linda Hamilton, mas ainda belíssima.   
  

 

 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

2764 - TOP GANG, ASES MUITO LOUCOS

TOP GANG, ASES MUITO LOUCOS (HOT SHOTS, USA 1991) o que chama a atenção nesta paródia do hit TOP GUN (1986) é a presença, junto com Charlie Sheen, de Jon Cryer que, anos depois, faria com o próprio Sheen o grande sucesso TWO AND A HALF MEN. Dentro da linha de TOP SECRET, o roteiro é repleto de referências cinematográficas e da cultura pop americana e mundial. Creio que, para as gerações mais jovens, em geral sem qualquer conhecimento que vá além das fofocas veiculadas por facebooks e what’up, o filme não tenha qualquer apelo. A cena em que Sheen e Valeria Golino emulam a sequência da geladeira de 9 SEMANAS E MEIA DE AMOR ainda é memorável. É curioso notar também que Sheen e Cryer já tinham a mesma química que apresentaram em TAHM.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

2763 - MINIONS

MINIONS (USA, 2015) – O roteiro simplista e linear não invalida a tentativa de colocar os simpáticos Minions como protagonistas de uma história que diverte mais pelo coeficiente de fofura das criaturinhas do que propriamente as situações em eles se envolvem. Lá para o meio do filme, dá para ficar meio cansado dos esquetes quase previsíveis. É interessante checar a passagem que faz alusão ao Mito da Caverna, de Platão.

sábado, 23 de abril de 2016

2762 - MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA

MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA (MAD MAX: FURY ROAD, Austrália, 2015) – este sensacional filme do diretor George Miller redefine o que é ação cinematográfica: uma anarquia meticulosamente coreografada de movimento, deslocamento, velocidade, atrito e colisão, nos levando a um êxtase bem-humorado que pode ser representado pela seguinte frase – é um filme para quem quer morrer de tanto cinema, elaborada pelo crítico Stuart Klawans no fim dos anos 90. Mal podia ele imaginar seu real significado. Tirando a primeira cena, em que Max (Tony Hardy, com alta energia anímica) contempla o enorme deserto à sua frente, é só se entregar a uma profusão de sequências de se perder o fôlego. Charlize Theron esbanja força e beleza na sua Furiosa, um personagem-chave no argumento: no fundo, MAD MAX pode ser definido como uma metáfora da busca das raízes, a força motriz que a leva a cruzar o deserto imenso que representa, entre outras coisas, o vasto vazio da vida pós-moderna. É de Charlize, pois, o grande personagem da história, já que é ela que oferece a opção existencial para seus seguidores, além de dar uma mãozinha a Max nos momentos mais agudos. Miller reduz a gramática cinematográfica ao que ela tem de mais essencial: tempo e movimento, filmando cada ação no que ela tem de mais alta octanagem, junto ao caos tão palpável e violento, que parece nos esperar do lado de fora da porta. Vale a previsão; nunca mais um filme pós-apocalíptico será o mesmo; assim como nunca mais se fez ficção científica sem se basear em ALIENS, O OITAVO PASSAGEIRO. Miller tira o máximo de elementos que estão incrivelmente presentes nos dias atuais: a manipulação da água, a selvageria das relações humanas, o tráfico sexual, o trabalho escravo, as distorções das manipulações genéticas e a sensação de que, neste mundo barbárico em que vivemos, só nos resta mesmo fugir para as lembranças de tudo o que poderia ser mas não foi, se pensarmos em Bandeira, ou para uma inocência que só os verdes anos podem proporcionar, como disse Wordsworth. Além de tudo, o diretor faz um afago necessário nas mulheres contemporâneas: é a Furiosa da bela Charlize Theron que comanda a história. Ela é o motor; Max, por sua vez, é só as rodas. Olhe para sua mulher, aí do lado. Não é que é assim mesmo?    
 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

2761 - SAMBA

SAMBA (FRANÇA, 2014) – O s diretores Olivier Nakache e Eric Toledano foram responsáveis por INTOCÁVEIS (2011), um dos maiores sucessos do cinema francês dos últimos anos e que revelou Omar Sy, que retorna agora neste mais recente trabalho dos diretores. Samba, o personagem-título é um senegalês que mora em Paris há dez anos. Depois de ser preso, é ajudado por Alice (Charlotte Gainsbourg, com um pé ainda em NINFOMANÍACA), uma executiva com depressão. O destino se encarrega de promover um encontro entre os dois. O papel de Sy é muito semelhante ao do filme com François Cluzet. Atenção para a trilha sonora, com Gil (Palco) e Jorge Ben (Tale easy, my brother Charles).   

terça-feira, 12 de abril de 2016

2760 - O DESTINO DE JÚPITER

O DESTINO DE JÚPITER (JUPITER ASCENDING, USA 2015) O filme tem um enredo fraco e, de certo modo, difícil de entender, pois envolve a tentativa de sequestro de Júpiter (Mila Kunis, sem qualquer traço expressivo no belo rosto), por um grupo de alienígenas liderado por Balam (Eddie Redmayne, incrivelmente ruim) e que é protegida por um mutante meio policial, meio lobo ( ! ), vivido com discrição por Channing Tatum. Os personagens não humanos são estereotipados, sem qualquer apelo. Pelo que parece, o destino de Júpiter parece mesmo ser o olvido.

2759 - JURASSIC WORLD

JURASSIC WORLD – O MUNDO DOS DINOSSAUROS (JURASSIC WORLD, USA 2015) – Apoiado num roteiro pouco original, o filme joga todas as suas fichas nos CGIs que dão vida a todo tipo de dinossauro. Diga-se, a bem da verdade, que os bichinhos possuem uma carga dramática muito mais expressiva dos que os protagonistas humanos – Chris Pratt e Bryce Dallas Howard. É evidente que um filme produzido quase que exclusivamente numa plataforma digital acabe cansando o espectador. A ilha Nublar, de tão perfeita, nas cores e na paisagem, mais parece um desenho animado em muitas sequências. A história retoma os temas do Jurassic Park original, de 1993 – a tentativa de conciliar o ímpeto empresarial com a manipulação genética, coisa que leva o perigo tanto a turistas quanto a cientistas.  

terça-feira, 5 de abril de 2016

2758 - O GAROTO DA CASA AO LADO

O GAROTO DA CASA AO LADO (THE BOY NEXT DOOR, USA, 2015) Desastroso veículo para ressuscitar a já sofrível carreira cinematográfica de Jennifer Lopez, produzido e estrelado por ela própria. Este é um dos filmes que aparecem de vez em quando e logo assumem o posto de “pior já feito”. Este é ruim mesmo – do roteiro à realização, das atuações sofríveis à pretensão quase infantil de JLo, no sentido de ainda se colocar no mercado como uma estrela sexy. Chega a ser constrangedor o seu esforço para atuar de maneira séria. Tudo lamentável, um lixo.  

2757 - O MÉDICO ALEMÃO

O MÉDICO ALEMÃO (WALKODA, Argentina, 2013) - O filme de Lúcia Puenzo narra algumas semanas da convivência do médico nazista Josef Mengele com uma família de classe média argentina e sua tentativa de ajudar a resolver o problema de crescimento da filha do casal. A jovem Lilith, cuja estética aproxima-se do modelo ariano de beleza, é considerada baixa para os seus doze anos. Contra a vontade do pai, mas com a conivência da mãe (de origem alemã), o médico, que condenou à morte um número incalculável de crianças consideradas baixas, tenta mudar o processo natural de crescimento da menina, procurando transformá-la em um ser esteticamente perfeito. Mengele quer transformá-la em sua mais nova cobaia. Sua intenção é repetir o mesmo tipo de experiência que testara em milhares de judeus do campo de concentração de Auschwitz. Eugenista, o que é quase um sinônimo de nazista, o médico acreditava que a mistura das raças era prejudicial ao desenvolvimento da humanidade e que era possível alterar o patrimônio genético das pessoas no sentido de transformar alguns seres humanos em um protótipo da raça perfeita de super-homens (reinterpretação vulgar e tendenciosa do conceito nietzschiano de “Übermensch”) sonhada por Hitler. O roteiro insere um elemento meio óbvio para fazer a ponte entre o delírio do médico e a atividade profissional do pai da menina: ele é um fabricante artesanal de bonecas. Esta metáfora pretende mostrar o que seria a Alemanha, se o nazismo tivesse triunfado: uma sociedade despersonalizada transformada em um grupo de bonecas (de autômatos?), louras de olhos azuis, produzidas, em escala industrial, pelas mãos de um simples artesão. As belas paisagens da Patagônia procuram amenizar o terror contido no semblante fleumático de Mengele, vivido com maestria pelo ator espanhol Alex Brendemühl, que também estaria perfeito numa cinebio de Omar Shariff. A históra também nos remete a Lolita, em função da relação de sedução mútua entre ele e a menina Florencia Bado. E é justamente nessa imperturbabilidade e ausência de paixões do médico que reside todo o suspense do filme. Sua atitude conduz o espectador a se inquietar sobre o destino da menina e os membros da família a se questionarem sobre a natureza da ajuda, sobre se eles estariam sendo testemunha do humanismo de um médico generoso e solidário ou vítima e presa das maldades de um monstro.


terça-feira, 15 de março de 2016

2756 - O CASAMENTO DE MEU MELHOR AMIGO

O CASAMENTO DO MEU MELHOR AMIGO (MY BEST FRIEND’S WEDDING, USA 1997) Ainda surfando no sucesso de PRETTY WOMAN (1990), Julia Roberts estrela esta comédia romântica, na qual encarna uma mulher que se dá conta do amor por um ex-namorado que está prestes a se casar. Na realidade, ele não é o “melhor amigo” do título, como se vê com o andamento da história. Este papel vai para o verdadeiro destaque do filme, Rupert Everett, que brilha em duas cenas bem bacanas: primeiro, quando canta “Save a little Prayer”, num karaokê, durante um jantar, e, depois, na cena final, quando conversa pelo celular com Julia Roberts e a convida para dançar – a fala é impecável. Julia está particularmente bonita, sem exagerar nas caretas que tanto a prejudicaram em outras produções. Cameron Diaz continua desenxabida, embora, no papel da noiva meio debiloide do ex-namorado de Julia, esteja bem convincente.  

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

2755 - DOC HOLLYWOOD

DOC HOLLYWOOD (USA, 1991) Esta pequena obra-prima traz Michael J. Fox no papel de um médico que, a caminho de Los Angeles, se vê emocionalmente envolvido com uma pequena comunidade do interior dos EUA, onde ele acaba se encontrando com seu verdadeiro ser. É uma daquelas comédias que tiveram seu ápice nos anos 80 e que se tornaram inesquecíveis. Fox havia sido diagnosticado com Parkinson um pouco antes da filmagem, o que, sob a ótica de hoje, torna o filme um pouco dramático. De fato, DOC HOLLYWOOD marca, de certa forma, o fim de uma era de um tipo de filme que não precisava apelar para a baixaria para ter sucesso.

sábado, 30 de janeiro de 2016

2754 - OS BELOS DIAS

OS BELOS DIAS (LE BEAUX JOURS, França, 2013) Uma dentista aposentada (Fanny Ardant) se matricula numa aula de informática e se apaixona pelo instrutor, bem mais jovem do que ela, que é casada e se sente desprezada pelo marido e pela família. Com uma fotografia excepcional, o filme vai desenvolvendo o roteiro meio previsível, mas a atuação segura e intensa de Fanny Ardant ajuda a manter o interesse até o fim. É uma boa reflexão sobre os conflitos que a velhice pode gerar quando os laços familiares foram gradativamente esquecidos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

2753 - INTERESTELAR

INTERESTELAR (INTERSTELLAR, USA/ENGLAND 2014) O filme é uma obra-prima visual do anglo-americano Christopher Nolan, o mesmo que reimaginou a trajetória de Batman, com a trilogia O CAVALEIRO DAS TREVAS, em escala operística, rompendo a barreira fenomenológica discutida por Husserl e seu método de investigação permanente, e criando filme de perspectiva profundamente niilista. Neste sentido, INTERESTELAR é um quadro sinóptico de uma pletora de opostos, desde as cenas iniciais, num cenário totalmente rural e agrícola, até às imensidões inexploradas do universo, como uma metáfora para a função do buraco negro “wormhole” – um “furo” no universo que ligaria dois pontos linearmente distantes entre si, permintindo viajar em velocidade superior à da luz. É exatamente aí que se desenrola o roteiro bem original: com os recursos esgotados na Terra, uma missão a planetas numa outra galáxia se torna essencial e isso só é possível em função da travessia por um desses buracos negros. Filhote direto do magistral 2001 – UMA ODISSEIA NO ESPAÇO, de Kubrick, o filme de Nolan, na sua imperfeição, é muitas vezes magnífico, especialmente quando se propõe a discutir a natureza do tempo e seus efeitos físicos e psicológicos no ser humano. Atuação de primeira grandeza de Matthew McConaughey, sempre com um trabalho com uma austeridade dramática que emociona e convence em todos os sentidos. A trilha sonora, do grande Hans Zimmer, é épica, impressionista e capaz de envolver o espectador desde o primeiro acorde. Assim, imagem e som se fundem num concerto de ideias e emoções que torna o cinema de Chris Nolan algo que deve ser degustado por quem sabe sentir o sabor que as coisas, desse mundo e dos outros, realmente devem ter.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

2752 - CHAMAS DA VINGANÇA

CHAMAS DA VINGANÇA (MAN ON FIRE, USA 2004) Passada na cidade do México, a história tem Denzel Washington como um ex-agente que, relutantemente, arranja um emprego como guarda-costas da filha (Dakota Fanning) de um industrial, que é sequestrada sob sua proteção. Ele, então, passa a caçar os culpados e eliminá-los. Curiosamente, a montagem rápida e moderna que segue o padrão publicitário, além do cenário desolado e suburbano da Cidade do México lembra muito a estética filmográfica de Cidade de Deus. Fica evidente que a visão americana do contexto social da América Latina: um lugar feio, sujo, pobre, perigoso, cheio de prostitutas, drogas e bandidos, todas características básicas do subdesenvolvimento. Denzel é, de fato, um astro de primeira grandeza, e consegue colocar o filme acima dos estereótipos sublinhados pelo diretor Tony Scott.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

2751 - SHAFT

SHAFT (USA, 2000) – A retomada do célebre personagem vivido na década de 70 por Richard Roundtree funcionou muito bem neste filme estrelado por Samuel L. Jackson. Logo na primeria sequência espetacular, ele contracena com Christian Bale, visceral como sempre, e dá o tom do filme – Shaft (Jackson) tenta, de todas as maneiras colocar um playbozinho arrogante (Bale) na cadeia, depois de este ter agredido e matado um rapaz negro num bar. Muito atual, a temática do preconceito racial é bem explorada pelo diretor John Singleton.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

2750 - CHAPPIE

CHAPPIE (USA, 2015) – De certa forma, a estética do diretor sul-africano Neill Blomkamp vai se impondo nesta série de filmes, começando com o ótimo DISTRITO 9 e o irregular ELYSIUM, com histórias ambientadas nos arredores de Johanesburgo, sempre com uma leitura social crítica e contundente. Em termos técnicos, CHAPPIE é perfeito – o robozinho dotado de consciência é adorável, e sua adaptação ao mundo-cão da cidade é mostrada com sensibilidade e extremo realismo. Ótima atuação também de Dev Patel, o protagonista do QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO? Só não entendi bem a escalação de Hugh Jackman como um cientista invejoso, meio Salieri, que vai enlouquecendo com o desenrolar do roteiro. O papel é muito limitado para ele. O filme teve muitas críticas negativas, mas eu o achei simpático e comovente, até porque eu adoro histórias com robôs.

sábado, 16 de janeiro de 2016

2749 - ROUBANDO VIDAS

ROUBANDO VIDAS (TAKING LIVES, USA 2004) Angelina Jolie é uma agente do FBI convocada pela polícia canadense para investigar um assassino que vem assumindo a identidade de suas vítimas. É um thriller policial mediano, sem muita originalidade, cujo roteiro acaba por dar algumas dicas involuntárias. Angelina se repete numa atuação sem muitas nuances, parecendo estar, na maioria das vezes, entediada com o que está fazendo. A sequência final é um pouco forçada, meio desconectada do ritmo da história até então.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

2748 - EXPRESSO DO AMANHÃ

EXPRESSO DO AMANHÃ (SNOWPIERCER, USA, KOREA, 2013) – No alucinatório e claustrofóbico filme do sul-coreano Joon-ho Bong, um trem em constante movimento procura preservar o que restou da humanidade em todas as suas infinitas desigualdades, após a Terra ter sido esterilizada por uma glaciação. O trem é uma boa metáfora para um mundo marcado mais por suas diferenças do que por suas igualdades – os pobres e oprimidos se espremem nos últimos vagões, enquanto os líderes do regime despóticos ocupam espaços mais generosos, com comida abundante e conforto, nas composições dianteiras, mais próximas da locomotiva. Uma boa surpresa é a atuação de Chris Evans, mostrando que é um ator de bons recursos dramáticos, coisa que não aparece muito quando ele assume a persona do Capitão América. Minha única crítica vai para uma produção de arte um tanto acanhada, com CGIs meio forçados, em descompasso com a proposta original e instigante: num mundo exterior destruído, de que valeria uma sublevação em um tubo de metal com mais de 1000 partes, se não há praças a ocupar e ruas pelas quais marchar?  

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

2747 - NOVEMBER MAN: UM ESPIÃO NUNCA MORRE

NOVEMBER MAN: UM ESPIÃO NUNCA MORRE (THE NOVEMBER MAN, USA, UK, 2014) – A espichada no título em português, certamente para pegar carona em um dos filmes que Pierce Brosnan estrelou como 007, era desnecessária: o filme é mesmo uma espécie de retorno (do herói), no caso um agente nem tão secreto assim, depois da aposentadoria. É isso o que acontece com Peter Devereaux, um ex-agente da CIA, que tem que voltar à ativa para resolver uma trama que tem a ver com seu passado. Brosnan, como sempre, entrega o que promete, numa atuação entre o cinismo e a amargura, mais ou menos como seu James Bond dos últimos filmes. Olga Kurylenko, bela e sexy, enfeita a trama com mais talento do que se espera.   

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

2746 - GRANDES OLHOS

GRANDES OLHOS (BIG EYES, USA 2014) O filme escorrega em uma ligeireza meio didática, que nos remete a um telefilme, com o recurso burocrático de contar em textos o que ocorreu com os personagens após o final. Em poucos momentos o longa envereda pelo surrealismo pop que é a marca de seu diretor, o maravilhoso Tim Burton, e se caracteriza por uma inesperada sobriedade. Margareth Keane (Amy Adams, excelente), recém-separada, em São Francisco, é abordada por um aspirante a artista Walter Keane (Christoph Waltz, sensacional), que a seduziu, casou com ela e a obrigou a pintar quadros kitsch que fizeram imenso sucesso nos anos 60. Walter, sem qualquer escrúpulo, a fez endossar a farsa de que era ele o autor das obras. O enredo, baseado em fatos reais, é o veículo perfeito para o jeitão meio cara de pau de Waltz – ele faz à perfeição o picareta bon-vivant, capaz de tudo para se dar bem. Há uma boa discussão sobre a farsa no mundo das artes plásticas, junto com as manipulações do mercado para satisfazer o desejo coletivo de consumir arte. É mais ou menos o que Umberto Eco chama de “mentira estética”, uma obra que se vende como arte, mas que é na verdade apenas um cardápio que informa ao consumidor o que sentir diante de sua criação. Não dá para não achar que Emma Stone, com seus olhos grandes naturais, seria uma piada pronta dentro do contexto do filme. Mas Burton fez bem em evitar esta armadilha que também seria de consumo fácil e descartável.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

2745 - O COLECIONADOR DE OSSOS

O COLECIONADOR DE OSSOS (THE BONE COLLECTOR, USA 1999) Denzel Washington é um ex-policial tetraplégico que busca a eutanásia, quando tem seu interesse despertado por uma série de crimes que parecem transmitir uma mensagem a ser decifrada. Com a ajuda de uma oficial (Angelina Jolie, belíssima), ele tenta desvendar as pistas do assassino. O ritmo é meio lento, mas o roteiro é eficiente e, claro, é um prazer ver como um ator talentosíssimo, como Denzel Washington, num papel difícil, mostrar o que é atuar no cinema.   

2744 - DÍVIDA DE SANGUE

DÍVIDA DE SANGUE (BLOOD WORK, USA 2002) – Este ainda é um dos filmes de que mais gosto de Clint Eastwood, em que ele aborda com serenidade e consciência os efeitos da velhice e a busca por um objetivo que dê sentido à vida. Na história, ele é Terry McKaleb, um agente do FBI aposentado e com um coração recém-transplantado, que é procurado pela irmã da doadora. A partir daí, sua vida assume uma nova perspectiva, pois ele começa uma investigação para descobrir quem matou a pessoa que lhe doou o coração e por quê. Um dos aspectos do filme que mais me chamam a atenção é o fato de ele morar num barco, em uma marina linda. A única falha do roteiro, a meu ver, é a escalação de Jeff Daniels num papel aparentemente sem importância para um ator de sua qualidade, o que nos leva inexoravelmente a um spoiler.