sábado, 30 de julho de 2016

2794 - O PROTETOR

O PROTETOR (THE EQUALIZER, USA 2014) – É impressionante como Denzel Hayes Washington, Jr. é um ator talentoso. Neste excelente filme, ele tem poucas falas e deixa a emoção dar as cartas em todas as suas cenas. Acreditando que colocou seu passado para trás, ao se dedicar a uma nova profissão e a uma vida frugal, Robert McCall (Washington) resolve pôr em prática novamente suas habilidades como ex-agente da CIA, para debelar uma máfia russa que controla a prostituição na sua cidade. Um dos aspectos mais legais nesta história é o fato de o personagem principal dar um valor especial à leitura, como uma forma de reencontrar a paz. Aos poucos, vamos descobrindo camadas de complexidade em McCall e alcances sutis de sua personalidade, revelados, em muitas cenas, apenas com o olhar do astro de TRAINING DAY, também dirigido por Antoine Fuqua. O PROTETOR entra fácil na lista de melhores filmes, especialmente por causa da força cênica incomparável de Denzel Washington.      
 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

2793 - ROBIN HOOD: PRÍNCIPE DOS LADRÕES

Freeman e Costner
ROBIN HOOD: PRÍNCIPE DOS LADRÕES (ROBIN HOOD: PRINCE OF THIEVES, USA 1991) – Surfando no sucesso de DANÇA COM LOBOS, Kevin Costner fez, aqui, um Robin Hood bem convincente, apesar do sotaque americano demais. Sem grandes pretensões, o filme acabou sendo um dos melhores da safra do início dos anos 90, reunindo todos os cânones que caracterizam esta tradicional história: muita ação, aventura, romance e o ingrediente infalível da vingança contra um vilão adorável (aqui, mais adorável ainda, pois é feito por Alan Rickman). Claro, Morgan Freeman está no elenco, o que torna qualquer filme obrigatório. Continua sendo diversão garantida. Atenção para a rápida participação do grande Sean Connery, na última cena.   

quinta-feira, 28 de julho de 2016

2792 - GRACE DE MÔNACO

Nicole Kidman
    GRACE DE MÔNACO (GRACE OF MONACO, USA, FRANCE, 2014) Biopics sempre têm seu quinhão de controvérsia, por vários motivos, principalmente por apresentarem, em muitos casos, uma versão mais fantasiosa do que real da vida dos personagens enfocados neste tipo de produção. Nicole Kidman tem uma atuação honesta, como sói acontecer com seus papéis, mas, na realidade, o roteiro não ajuda muito, mostrando, principalmente a sua dificuldade de adaptação às obrigações da realeza e a vontade, reprimida por Ranier, de voltar a atuar em Hollywood. O excelente Frank Langela aparece num papel pequeno, mas, quando está em cena, ele mostra como é bom ator. De todo modo, o filme traz de volta um aspecto histórico sobre o qual poucos falam: o Atlantismo, doutrina política que advoga uma intensa cooperação entre os EUA e os países europeus. Com a globalização contemporânea, acabou ficando mal vista. 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

2791 - A MARCA DA MALDADE

Charlton Heston e Janet Leigh
        A MARCA DA MALDADE (TOUCH OF EVIL, USA 1958) – Obra-prima de Orson Welles, é talvez o mais importante filme noir de todos os tempos. A fotografia em preto e branco é primorosa, refletindo com sutileza a natureza dos personagens, divididos de maneira bem clara entre o bem e o mal. O filme já arrebata a partir da impactante abertura, um plano-sequência espetacular que dá o tom sombrio da história: alguém põe uma bomba na mala de um carro, que explode logo em seguir, matando seus dois ocupantes, sob o olhar de Mike e Susan (Charlton Heston e Janet Leigh). Considerado o último grande filme noir, “A Marca da Maldade” encerra com dignidade o período clássico do movimento. Com um fascinante estudo de personagem, muitas cenas marcantes e uma trama envolvente, o longa comprova a competência de Orson Welles tanto na direção quanto na atuação, apresentando a dualidade do ser humano de maneira contundente e deixando o espectador reflexivo. O “toque de maldade” do título original em inglês poderia muito bem se referir ao toque de gênio que Welles dava em seus filmes.

terça-feira, 26 de julho de 2016

2790 - NUNCA É TARDE PARA AMAR

NUNCA É TARDE PARA AMAR (I COULD NEVER BE YOUR WOMAN, USA 2007) Apesar do título meio brega em português – e, convenhamos, um pouco “cheesy” em inglês também – o filme tem sua graça, principalmente por causa de Michelle Pfeiffer, sempre um encanto, mesmo quando se propõe a fazer um personagem que não tem nada a ver com o que ela emana: aqui ela é uma mulher divorciada, com uma filha adolescente, que se apaixona por um homem mais jovem, Adam (Paul Rudd, o agora HOMEM-FORMIGA e o então amor da vida de Phoebe, na temporada final de FRIENDS). O problema, a meu ver, é que, apesar de ser boa atriz, Michelle Pfeiffer não combina bem com um personagem pouco desenvolvido, como a sua Rosie desta história. Rudd se destaca com uma atuação debochada, mas criteriosamente dentro dos limites sensatos do histrionismo.  

segunda-feira, 25 de julho de 2016

2789 - AS CARIOCAS

AS CARIOCAS (BRASIL, 1966) – O filme é dividido em três partes dirigidas respectivamente por Fernando de Barros, Walter Hugo Khouri e Roberto Santos. O roteiro adapta três contos do livro homônimo de Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), que fez a narração do prólogo com cenas alusivas ao Rio de Janeiro da época, mostrando o futebol (cenas de gols de Pelé e Garrincha pela Seleção Brasileira), carnaval e desfiles de concurso de beleza. O filme fecha com imagem aérea do Cristo Redentor ao som de "Cidade Maravilhosa". O gênero cinematográfico variou conforme a história: a primeira é contada como uma comédia romântica, a segunda um drama e a terceira um pseudo-documentário. Nessa última parte, há uma curiosa comparação mostrando cenas das ruas da Penha e de Copacabana, destacando os contrastes sociais da pobre zona norte com a rica zona sul do Rio de Janeiro

2788 - EVEREST

EVEREST (EVEREST, USA, INGLATERRA, ISLÂNDIA, 2015) Em apenas dois dias, em 1995, morreram doze alpinistas que escalavam a montanha mais alta do mundo – é esta história trágica que EVEREST reconstitui, sem grandes alegorias dramáticas artificias, pois os fatos em si já dão a dimensão da aventura a que grupos de alpinistas se atiram pela razão simples dada pelo inglês George Mallory, que nunca retornaria de sua expedição de 1924: porque ela, a montanha, está lá. De fato, durante o filme, nos perguntamos o que pode levar uma pessoa a se lançar em um mundo no qual não há nem deveria haver lugar para o homem. O grande efeito desta produção bem cuidada, e com uma fotografia irretocável, é captar o feito de vontade que é subir a montanha mais alta da Terra. Keira Knightley tem um papel pequeno, mas marcante na forma como une o passado e o presente de uma história tão trágica como bela – não deixem de assistir aos créditos até o fim.   

terça-feira, 19 de julho de 2016

2787 - FORA DE ALCANCE

    
FORA DE ALCANCE (BEYOND THE REACH, USA 2014) – Michael Douglas ainda tem uma presença magnética em cena, mas o que segura mesmo este filme é a oportunidade que temos de ver o então recentíssimo Mercedes Benz 6X6, que também foi a estrela de JURASSIC WORLD, em ação no belíssimo cenário do deserto de Mojave. O roteiro, no entanto, é pífio e cheio de falhas: Douglas é um milionário que contrata um rapaz para ser seu guia no deserto, onde ele supostamente deseja caçar um animal exótico. Depois da reviravolta (previsível) os dois passam a viver um jogo de gato e rato, sem qualquer resultado dramático até o final constrangedor.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

2786 - OS ÚLTIMOS CAVALEIROS

1.   OS ÚLTIMOS CAVALEIROS (LAST KNIGHTS, UK, 2015) – Bem, Morgan Freeman é obrigatório. Dito isto, acrescente-se que Clive Owen também o é. É uma aventura medieval, bem ao estilo Games os Thrones, com uma fotografia caprichada e um roteiro marcado por corrupção, batalhas sangrentas e vingança. Owen, como sempre, está perfeito no papel de um cavaleiro que busca justiça, depois que um vilão começa a tomar conta do reino de seu mestre (Freeman).


sexta-feira, 8 de julho de 2016

2785 - SONHOS À DERIVA

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SONHOS À DERIVA (RUDDERLESS, USA 2014) Na SKY, este filme vem com o título SEM RUMO. Excelente estreia de William H. Macy na direção. É também uma ótima oportunidade de ver como Billy Crudup é um excelente ator e que merece melhores papéis. Aqui ele é Sam, cujo filho foi responsável por uma chacina na faculdade onde estudava, acabando morto também. Deprimido, largo o emprego e vai morar num barco e viver de pintar paredes de casas de classe média. Quando encontra um material musical deixado pelo filho, decide tocar suas canções, como uma forma de elaborar a perda e a culpa de ter sido um pai ausente. A narrativa tem ritmo e profundidade, nunca deixando de lado a perspectiva das transformações que ocorrem dentro de Sam. Crudup faz um excelente trabalho, lembrando Joaquin Phoenix até fisicamente. O dado dramático é a presença de Anton Yelchin, que morreu agora em junho, num acidente com o próprio carro. Ele também está ótimo como o rapaz que instila novamente em Sam a vontade de viver e de superar o trauma que a tragédia que o filho provocou.  

quinta-feira, 7 de julho de 2016

2784 - VOCÊ ACREDITA?

 VOCÊ ACREDITA (DO YOU BELIEVE? USA 2015) - Doze pessoas, seguindo caminhos diferentes, têm suas vidas interceptadas de forma inesperada. Cada um deles está prestes a descobrir o poder que há na cruz de Cristo, ainda que muitos deles não acreditem nisso. Uma crença verdadeira sempre requer ação e esta é a mensagem deste filme cristão, feito especialmente para este grupo de pessoas. O roteiro é fraco e as atuações são muito constrangedoras. Vale observar a participação de Lee Majors e Cybill Shepherd, como casal protagonista de um dos esquetes. Na indústria cinematográfica, um título com ponto de interrogação é considerado sinal de má sorte.   

quarta-feira, 6 de julho de 2016

2783 - A COSTA DO MOSQUITO

1.   A COSTA DO MOSQUITO (THE MOSQUITO COAST, USA 1986) – Harrison Ford diz que, na sua carreira, este é o filme em que mais gostou de atuar. De fato, ele faz muito bem o papel de um homem desiludido com o “american way of life”, que decide levar a família para o meio de uma selva, numa região da América Central. Lá, ele pretende construir uma sociedade longe dos preceitos capitalistas que tanto o confrangem. Segunda parceria de Ford com o diretor Peter Weir – a primeira foi o ótimo A TESTEMUNHA, o filme é baseado no livro de Paul Theroux, e traz Helen Mirren e River Phoenix que, mais tarde, faria o jovem Indiana Jones no terceiro filme da série. O roteiro acaba ficando meio cansativo, mas a história é instigante, porque mostra que o desejo do personagem principal esbarra na duplicação do cenário do qual ele tanto quis fugir. O fato é que Allie (Ford) segue o caminho da loucura, como acontece com os extremistas, igual como acontece na vida real. Mas é aí que reside o poder envolvente de sua trama. Uma variação moderna da vida de Robinson Crusoé, só que diferentemente nesse filme a sua ida a selva, ou diria o encontro com a natureza exuberante é por vontade própria e não por conta de um naufrágio. Muitas vezes, encontramos pessoas que nunca se contentam com suas vidas, sonhando com outro lugar, em outro ambiente, onde teriam a vida perfeita, mas esquecem que, na mudança, também se levam todas as angústias e fantasmas interiores. Mas o fato é que não adianta fugir de você, ou seja, o mundo que se leva é o mesmo, por isso pondere com cuidado, pois não mergulhe em mudanças extremas, elas podem ser para muito pior.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

2782 - RÁPIDA E MORTAL

RÁPIDA E MORTAL (THE QUICK AND THE DEAD, USA 1995) Neste western, com excepcional fotografia, traz Sharon Stone como uma pistoleira sem nome, bem ao estilo Clint Eastwood, buscando vingança pela morte do pai. O alvo desta vendeta é o grande Gene Hackman, num papel bem abaixo de seu talento. Leonardo DiCaprio também está presente, assim como Russel Crowe, num papel ao seu estilo: poucas falas, menos risos ainda. O filme tem uma pretensão de ser grande, mas acaba ficando chato, muito em função do enredo pouco original e da pouca variação de locações, embora o deserto do Arizona emoldure a ação esplendorosamente. Sharon Stone num personagem misterioso, sedutor e mortal. Acho que já vimos este filme antes, não?  

quinta-feira, 30 de junho de 2016

2781 - TED 2

TED 2 (USA, 2015) Embora com roteiro meio fraco, esta sequência do primeiro filme funciona como entretenimento leve e descompromissado, repleto de piadas politicamente incorretas e referências pop. No elenco, Seth McFarlane continua a dar voz e alma ao simpático Ted, e Mark Wahlberg prova que também funciona em papeis cômicos, mas os reforços também não fazem feio: Amanda Seyfried, tão consciente de sua beleza que nem sem importa de ser comparada ao Gollum, em uma das piadas sem-noção do roteiro, e o grandíssimo Morgan Freeman, que já chegou ao ponto de sequer atuar para que suas cenas sejam memoráveis. A grande sacada ainda é o personagem-título: um fofo ursinho de pelúcia com a boca suja e sem qualquer noção de ética, que acaba sendo encantadoramente irresistível.    

quarta-feira, 22 de junho de 2016

2780 - TERAPIA DO SEXO

TERAPIA DO SEXO (THANKS FOR SHARING, USA 2012) – Comédia romântica que flerta com o tema se SHAME: o vício em sexo. Evidentemente, a abordagem é rasa demais, embora o elenco, à primeira vista, prometa muito: Mark Ruffalo, Tim Robbins e Gwyneth Paltrow. O roteirista parece ter se perdido na premissa pouco original – personagens com um problema comum e que acabam se ajudando – e, desta forma, o filme não engrena em momento algum. Mas a bela Gwyneth Paltrow compensa tudo.


quinta-feira, 9 de junho de 2016

2779 - BRUCE E EU

BRUCE E EU (USA, 2015) Interessante documentário com depoimentos dos fãs de Bruce Springsteen em todo o mundo. As letras e a simpatia de Bruce Springsteen no palco ajudam a criar um laço entre ele e os fãs. E é justamente sobre essa relação que o documentário Springsteen and I se debruça. Com depoimentos de fãs e imagens inéditas, o filme tenta explicar a proximidade que conecta o artista e seu público. De fato, Bruce é o máximo! 

2778 - ATÉ O FIM

ATÉ O FIM (ALL THE WAY, USA 2016) – Telefilme contando o primeiro ano de Lyndon Johnson como presidente e sua atuação diante da aprovação das leis sobre os direitos civis. A narrativa é um pouco desinteressante para quem não está familiarizado com os fatos daquela época, mas mostra bem como Johnson enfrentou as pressões do próprio partido contra o Civil Rights Act, alinhavado por JFK na sua administração. De qualquer forma, a direção é segura, e os fatos são mostrados de maneira viva e relevante. Bryant Cranston (do ótimo BREAKING BAD e de TRUMBO) está plenamente convincente como LBJ, dando ao personagem uma suposta humanidade que não se encontra nos registros históricos.   

2777 - NOITE SEM FIM

NOITE SEM FIM (RUN ALL NIGHT, USA 2015) Liam Neeson parece ter se especializado em personagens com perfil muito parecido: um ex policial ou um assassino profissional aposentado, com problemas de relacionamento com a ex-mulher ou com os filhos. Foi assim na série TAKEN e em outros similares. Neste filme aqui, ele é um desses pistoleiros marginalizados, que volta à ativa quando seu filho se envolve no assassinato de um chefe de uma quadrilha de traficantes. A ação se passa numa só noite chuvosa, em Nova Iorque.  

terça-feira, 31 de maio de 2016

2776 - VICTOR FRANKENSTEIN

VICTOR FRANKENSTEIN (USA, 2015) A tendência de refilmar clássicos sob a ótica de personagens originalmente secundários tem tido seus acertos e erros. Este filme recria a história de Victor Frankenstein, dentro de um cenário vitoriano, seguindo as observações de Igor, o ajudante que, no original de 1931, interpretado por Dwight Frye, acompanhava o dr. Frankenstein na, digamos, coleta de partes cadáveres nos cemitérios. Aqui, Igor é vivido por Harry Potter, digo, Daniel Radcliffe. O roteiro começa bem, e o excelente James McCavoy consegue impressionar como o cientista obcecado pela criação da vida, sob a ótica unicamente científica. Sim, em dado momento aparece o conflito entre ciência e religião, aspecto que, infelizmente, o roteiro deixa de contemplar no seu terço final. O desfecho tradicional – com o castelo destruído, juntamente com a Criatura, no meio de uma tempestade – dá a impressão de uma solução fácil, sem aproveitar a chance de aprofundar os personagens ou de discutir a finitude humana em face do embate entre ciência e religião. Se a Criatura não ficou completa, também ficou faltando um pedaço neste filme.  

sexta-feira, 27 de maio de 2016

2775 - SHERLOCK, EPISÓDIO 2, TEMPORADA 1

SHERLOCK - EPÍSÓDIO 2 (UK, USA, 2010) – Este segundo episódio ficou um pouco abaixo da excelente estreia. Mas, mesmo assim, é um prazer ver como Benedict Cumberbatch vai se amalgamando ao personagem, assim como Martin Freeman também encontra a calibragem certa de comicidade do seu Watson. O roteiro é sobre contrabandistas que deixam sinais misteriosos nos locais dos crimes. As críticas em relação a este episódio procedem, na medida que tivemos tantos pontos altos no piloto. De qualquer forma, está muito acima da média de algumas produções do mesmo gênero.  

quinta-feira, 26 de maio de 2016

2774 - O EQUILIBRSTA

O EQUILIBRISTA (MAN ON A WIRE, USA, UK, 2008) – Em 1974, um malabarista francês, de 25 anos, encasqueta que vai atravessar o vão das duas torres do recém construído World Trade Center, com a ajuda de três amigos, sem que as autoridades percebam. Este ótimo documentário é sobre a façanha de Phillipe Petit, contada por ele mesmo, com uma emoção que, aos poucos, vai contagiando também o espectador. De fato, aqui está a história de alguém que resolveu fazer uma coisa diferente, apenas por paixão e por não se adequar aos padrões da vida considerada “normal”. Gosto imensamente de história assim, pois elas que nos mostram como vivemos de forma limitada, geralmente presos à crenças e comportamentos que não são genuinamente nossos. Phillipe Petit pode ser considerado um grande artista, cuja grande obra é mostrar para todo mundo que, na realidade, queiramos ou não, vivemos sempre na corda bamba. Em 2015, foi lançado A TRAVESSIA, de robert Zemeckis, com Joseph Gordon-Levitt, no papel de Petit.  

quarta-feira, 25 de maio de 2016

2773 - SOB O SOL DA TOSCANA

SOB O SOL DA TOSCANA (UNDER THE  TUSCAN SUN, USA 2003) - Diane é uma das atrizes mais queridas de Hollywood e do público em geral. É simpática, bonita, talentosa. Fez filmes bem legais como O SELVAGEM DA MOTOCICLETA e RUAS DE FOGO. Possui aquele ar de heroína romântica desprotegida, mas sempre altiva. Foi casada com o highlander Christopher Lambert e com o talentoso Josh Brolin. Neste filme, ela parece encarnar sua própria vida, sob o ponto de vista de estar sempre disposta a recomeçar – é o que faz seu personagem, que larga tudo depois de uma desilusão amorosa, vai para a Europa e acaba comprando uma casa centenária na região da Toscana. Entre uma e outra falha no roteiro, a história passeia por locações belíssimas, personagens simpáticos e uma revigorante mensagem de esperança.

domingo, 22 de maio de 2016

2772 - SHERLOCK

SHERLOCK (UK, 2010) Excelente série britânica, com o mais excelente ainda Benedict Cumberbatch no papel-título. O roteiro possui a finesse tradicional das falas britânicas, com diálogos desconcertantes e imaginativos. O personagem, transposto para os dias atuais, nos quais interage abertamente com a tecnologia, está perfeitamente adaptado ao mundo pós-moderno baumaniano, sem a barra forçada de outras produções que puseram Sherlock vagando por um mundo moderno que ele não entendia e vice-versa. Neste caso, tudo contribui para que o raciocínio lógico-dedutivo do detetive sobressaia ainda mais claro e objetivo. Como Watson, o também grandíssimo Martim Freeman, cujos espasmos de emoção constituem um contraponto perfeito para a (aparente) frieza racional de Holmes. Extraordinário, estupendo, altamente estimulante, o seriado (com três episódios por temporada, pasmem) é uma das melhores surpresas da TV nos últimos tempos. Obrigado, Gabriel. 

sábado, 21 de maio de 2016

2771 - GOLPE DUPLO

 
GOLPE DUPLO (FOCUS, USA 2015) – O filme começa bem, mas vai deixando a desejar a partir da metade. Will Smith faz um daqueles personagens que já se tornaram cansativos na história do cinema recente: o trapaceiro simpático e charmoso, que acaba conquistando a mulher bonita do filme que, no caso, é uma das mais mesmerizantes do cinema contemporâneo: Margot Robbie. Pois bem, de repente, o filme passa Buenos Aires (a produção também é Argentina), e temos Rodrigo Santoro, num bom personagem: ele é um milionário que contrata Smith para alguns trabalhos escusos. Tecnicamente bem realizado, o filme traz belíssimas locações e uma fotografia caprichada. O roteiro flerta com o do excelente OCEAN’S ELEVEN, principalmente na primeira metade. Vai irregular depois disso, mas o impacto estético de Margot Robbie compensa tudo.


sexta-feira, 20 de maio de 2016

2770 - A VERDADE SOBRE MARLON BRANDO

A VERDADE SOBRE MARLON BRANDO (LISTEN TO ME, MARLON, USA 2015) - Com acesso exclusivo ao seu arquivo pessoal incomum, que inclui centenas de horas de áudio gravado ao longo de sua vida, este é o documentário definitivo sobre Marlon Brando. Traçando sua brilhante carreira como ator e sua vida fora do palco, o filme vai explorar em profundidade os meandros do homem que conta a sua história de uma forma única a partir da perspectiva de Marlon Brando, com sua  própria voz. Não há cabeças falantes, nem entrevistados, apenas Brando e sua vida. O diretor Stevan Riley decupou mais de 300 horas de áudio gravadas por Brando, que fazia auto hipnoses e dissertava sobre vários assuntos recorrentes em sua vida: carreira, filhos, vida, morte, proteção das causas sociais e raciais, família, etc. O filme começa com uma imagem em 3D de Marlon Brando, dizendo que, hoje em dia, por conta da computação gráfica chegará um momento no qual os atores não serão mais necessários. Pois é essa imagem em 3D de Brando que "narra" o filme, trazendo trechos de sua extensa filmografia e de entrevistas e fotos que vão desde a sua infância até o fim da vida. Adotado pela atriz e professora de um método de interpretação, Stella Adler, ele aprendeu que a vivência e a memória emotiva são peças fundamentais para o seu desenvolvimento como ator. Esse método, apropriado de Stanislawsky, foi a base de toda a arte de atuação de Brando, contrariando as performances realizadas em Hollywood até então, que, segundo as palavras de Brando, eram óbvias e pouco convincentes. O que importava agora, é a verdade das emoções, que devem ser vivenciadas pelo momento. Este é um dos melhores documentários que já vi.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

2769 - MACUMBA NA ALTA

MACUMBA NA ALTA (BRASIL, 1958) – Comédia que mistura chanchada e um pouco de drama, com Armando Bogus e Felipe Carone. O curioso, nesta produção, é que ela foi dirigida pela roteirista de BOCCACCIO (1940), Maria Basaglia, que evitou o uso do termo “chanchada” e optou por “cine-comédia”, logo nos créditos iniciais. De fato, o filme se afasta um pouco do foco usual das chanchadas e lembra – vagamente, devo dizer – os filmes italianos pré-realistas. Atenção para a beleza inesperada da atriz Maria Dilnah.      

quarta-feira, 18 de maio de 2016

2768 - NÃO OLHE PARA TRÁS

  NÃO OLHE PARA TRÁS (DANNY COLLINS, USA, 2015) – Baseada na história real de um músico que recebeu, no início da década de 70, uma carta de John Lennon, convidando-o para conversar, o filme tem o grandíssimo Al Pacino no papel-título. O roteiro se concentra numa reviravolta que realmente aconteceu: a carta só chegou ao seu destinatário mais de 40 anos depois. É aí que Danny (Pacino), cantor de rock veterano, que ainda vive como um pop star tresloucado, começa a se transformar. Contracenando com a também excelente Annette Bening, o Danny Collins de Pacino entra num processo de autodescoberta que passa pelo resgate da relação com o filho que ele mal viu durante a vida e pelo questionamento dos seus valores. Como sempre, Pacino emociona com sua simples presença em cena. O filme é uma daquelas pequenas joias esquecidas entre um e outro blockbuster. É um privilégio poder assistir a um grande ator no total domínio de sua técnica e talento.       

segunda-feira, 16 de maio de 2016

2767 - UM BOM ANO



UM BOM ANO (A GOOD YEAR, USA, UK, 2006) – Este é um dos meus filmes favoritos, sem qualquer razão especial. A belíssima fotografia do interior da França, aliada a uma história simples, mas comovente, com excelentes atores, como Russel Crowe, Albert Finney e Marion Cotillard, talvez sejam motivos suficientes. Nos momentos em que Max (Crowe) fica em silêncio e se lembra das conversas que teve com o tio (Finney), é que vemos como ele é um grande ator. A história é envolvente e charmosa, regada a vinho e à beleza inebriante de Marion Cotillard. Assim como um bom vinho, o filme melhora com o tempo.    

2766 - OU TUDO, OU NADA

OU TUDO OU NADA (THE FULL MONTY, USA 1997) – Seis desempregados de uma metalúrgica, numa cidade pequena da Inglaterra, resolvem ensaiar um número de strip numa boate local. O drama do desemprego implode identidades pessoais, de gênero e de classe, constituídas no período de desenvolvimento do capitalismo industrial. O capital em sua sanha de reestruturação produtiva, deslocando e tornando obsoletos homens e territórios de produção, expõe dramas existenciais singulares. É o que The Full Monty tenta traduzir através de um mote narrativo curioso e intrinsecamente metafórico: desempregados montando um show de striptease, buscando se desnudar para um público de mulheres curiosas.   
 

2765 - EXTERMINADOR DO FUTURO, GÊNESIS

O EXTERMINADOR DO FUTURO: GÊNESIS (TERMINATOR GENISYS, USA 2015) – Seguindo a cartilha de STAR WARS, O DESPERTAR DA FORÇA, esta sequência também retoma o espírito (e quase todo o roteiro) do filme de maior sucesso, no caso, o segundo EXTERMINADOR, que, junto com o primeiro, fez coisas que ninguém esperava: arrasou na bilheteria, revolucionou o conceito de efeitos especiais e ocupou, a partir de então, o imaginário da cultura pop. Schwarzenegger faz até um pouco mais do que se poderia esperar dele: atua ( ! ) com aquele mesmo jeito mecânico do personagem, mas acaba por adir algumas nuanças de interpretação, mais para o lado cômico, como se fizesse troça consigo mesmo. O filme vai bem até a metade, mas, a meu ver, se complica ao trazer para o presente um John Connor híbrido de ser humano e máquina de metal líquido, como conviria a uma abordagem baumaniana. O Kyle Reese feito por Jay Courtney nos faz ter saudade da forma excepcional como Michael Bhien retratou um personagem um pouco fragilizado, com cicatrizes psicológicas, que vinha do futuro para salvar a mulher que amava. Há um excesso de CGI que também não funciona – os animatronics dos primeiros filmes davam conta do recado de maneira muito mais eficiente. Mas temos uma recompensa: Emilia Clarke, a Daenerys, de GAME OF THRONES, como Sarah Connor, sem a força de Linda Hamilton, mas ainda belíssima.