UM BIRUTA EM ÓRBITA (WAY...WAY, OUT, USA, 1966) - Lançado no auge da Guerra Fria, o filme estrelado por Jerry Lewis e dirigido por Gordon Douglas, utiliza a comédia pastelão para satirizar a corrida espacial entre os Estados Unidos e a União Soviética, inserindo no conflito geopolítico o rígido moralismo sexual da sociedade americana da época. A premissa do filme coloca as superpotências dividindo bases concorrentes na Lua. Enquanto os soviéticos enviam um casal harmonioso e equilibrado para a exploração lunar, a NASA opta por enviar dois homens solteiros — que invariavelmente enlouquecem devido ao isolamento e à falta de convivência feminina (o que me leva a suspeita de que Luiz Fernando Verissimo escreveu uma de suas crônicas mais engraçadas, sobre dois astronautas enlouquecendo em órbita, inspirado nesse filme). Para corrigir o fracasso da missão, a NASA decide recrutar um casal misto de cientistas: Pete Mattemore (Jerry Lewis) e Eileen Forbes (Connie Stevens). No entanto, em nome da decência e dos bons costumes ocidentais, o governo dos Estados Unidos proíbe a convivência mista no espaço sem a devida sanção religiosa e legal. O controle estatal do corpo evidencia a narrativa dos falsos valores morais e evidencia como o Estado vigilante da década de 1960 precisava regular e normatizar a intimidade e a sexualidade até fora da Terra, provando que o puritanismo institucional era tão importante quanto o suprimento de oxigênio na base lunar. Released at the height of the Cold War, the film starring Jerry Lewis and directed by Gordon Douglas, uses slapstick comedy to satirize the space race between the United States and the Soviet Union, inserting the rigid sexual moralism of American society at the time into the geopolitical conflict. The film's premise places the superpowers dividing competing bases on the Moon. While the Soviets send a harmonious and balanced couple to lunar exploration, NASA chooses to send two single men — who invariably go crazy due to isolation and lack of female coexistence (which leads me to suspect that Luiz Fernando Verissimo wrote one of his funniest chronicles, about two astronauts going crazy in orbit, inspired by that movie). To correct the failure of the mission, NASA decides to recruit a mixed couple of scientists: Pete Mattemore (Jerry Lewis) and Eileen Forbes (Connie Stevens). However, in the name of decency and good Western customs, the United States government prohibits mixed coexistence in space without due religious and legal sanction. State control of the body highlights the narrative of false moral values and shows how the vigilante state of the 1960s needed to regulate and normalize intimacy and sexuality even outside Earth, proving that institutional puritanism was as important as the supply of oxygen in the lunar base. YouTube.
domingo, 16 de agosto de 2026
5019 - UM BIRUTA EM ÓRBITA (1966)
UM BIRUTA EM ÓRBITA (WAY...WAY, OUT, USA, 1966) - Lançado no auge da Guerra Fria, o filme estrelado por Jerry Lewis e dirigido por Gordon Douglas, utiliza a comédia pastelão para satirizar a corrida espacial entre os Estados Unidos e a União Soviética, inserindo no conflito geopolítico o rígido moralismo sexual da sociedade americana da época. A premissa do filme coloca as superpotências dividindo bases concorrentes na Lua. Enquanto os soviéticos enviam um casal harmonioso e equilibrado para a exploração lunar, a NASA opta por enviar dois homens solteiros — que invariavelmente enlouquecem devido ao isolamento e à falta de convivência feminina (o que me leva a suspeita de que Luiz Fernando Verissimo escreveu uma de suas crônicas mais engraçadas, sobre dois astronautas enlouquecendo em órbita, inspirado nesse filme). Para corrigir o fracasso da missão, a NASA decide recrutar um casal misto de cientistas: Pete Mattemore (Jerry Lewis) e Eileen Forbes (Connie Stevens). No entanto, em nome da decência e dos bons costumes ocidentais, o governo dos Estados Unidos proíbe a convivência mista no espaço sem a devida sanção religiosa e legal. O controle estatal do corpo evidencia a narrativa dos falsos valores morais e evidencia como o Estado vigilante da década de 1960 precisava regular e normatizar a intimidade e a sexualidade até fora da Terra, provando que o puritanismo institucional era tão importante quanto o suprimento de oxigênio na base lunar. Released at the height of the Cold War, the film starring Jerry Lewis and directed by Gordon Douglas, uses slapstick comedy to satirize the space race between the United States and the Soviet Union, inserting the rigid sexual moralism of American society at the time into the geopolitical conflict. The film's premise places the superpowers dividing competing bases on the Moon. While the Soviets send a harmonious and balanced couple to lunar exploration, NASA chooses to send two single men — who invariably go crazy due to isolation and lack of female coexistence (which leads me to suspect that Luiz Fernando Verissimo wrote one of his funniest chronicles, about two astronauts going crazy in orbit, inspired by that movie). To correct the failure of the mission, NASA decides to recruit a mixed couple of scientists: Pete Mattemore (Jerry Lewis) and Eileen Forbes (Connie Stevens). However, in the name of decency and good Western customs, the United States government prohibits mixed coexistence in space without due religious and legal sanction. State control of the body highlights the narrative of false moral values and shows how the vigilante state of the 1960s needed to regulate and normalize intimacy and sexuality even outside Earth, proving that institutional puritanism was as important as the supply of oxygen in the lunar base. YouTube.