terça-feira, 24 de janeiro de 2012

1254 - DEIXA ELA ENTRAR

DEIXA ELA ENTRAR (LAT DEN RÄTTE KOMMA IN, SUÉCIA 2008) – eis uma ideia original: um filme sobre bullying e vampiros, que conta a história de uma afinidade profunda e intensa entre um menino e uma menina que vivem um pesadelo – ele, o de ser atormentado pelos colegas e ela, o de ser uma vampira. É mais do que um filme de horror. É também uma história sobre a aceitação irrestrita de uma condição do amor – aquela em que se quer o outro não apesar de suas monstruosidades, mas com elas. Entre os vários significados desta estranha relação, encontra-se uma alegoria da solidão infinita que recebemos como herança da infância, uma fantasia de poder e a capacidade de se enxergar além das aparências, uma lição e tanto, especialmente nos dias atuais em que as características externas se sobrepõem com extrema facilidade às que realmente valem a pena e que estão bem longe da visão comum. O título é uma referência a um ponto importante na mitologia acerca dos vampiros, segundo a qual eles não podem entrar numa casa sem ser convidados.O filme é excelente. 

1253 - SHERLOCK HOLMES: O JOGO DE SOMBRAS

SHERLOCK HOLMES: O JOGO DE SOMBRAS (SHERLOCK HOLMES: A GAME OF SHADOWS, USA 2011) - este Sherlock de Guy Ritchie, anabolizado e versado em artes marciais, consegue ser convincente e interessante por causa da atuação apaixonada e, ao mesmo tempo, desleixada, de Robert Downey Jr. No fundo. É a mesma performance que ele tem em O Homem de Ferro, sem que isso seja um defeito – é sim uma qualidade rara num ator que parece não levar a sério seus personagens e, por isso mesmo, acaba ganhando a simpatia incondicional da plateia. Destarte, o filme é dele. Jude Law continua fazendo um Watson bem mais tradicional, servindo de contraponto para o comportamento de doidivanas que Downey Jr impõe ao personagem. Aí, reside um questionamento à abordagem deste novo Holmes que, em sua configuração original, é um homem de personalidade aparentemente pacata, sem deixar que sua fleuma britânica denuncie qualquer insight que se aplique na solução de algum crime. As novas gerações, que certamente nunca ouviram falar de Conan Doyle, acabam ficando com uma ideia alterada do verdadeiro Holmes. Pode ser que no futuro ninguém mais tenha a referência original do personagem, o que, convenhamos, é lamentável. Neste filme, uma curiosidade: Stephen Fry, que faz o irmão de Holmes, contracena novamente com Jude Law, depois de terem trabalhado juntos em Wilde, de 1997. A bela Rachel MacAdams só aparece rapidamente nas primeiras cenas, o que é uma pena. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

1252 - ASCENSÃO E QUEDA DE UM PAQUERA

ASCENSÃO E QUEDA DE UM PAQUERA (BRASIL, 1970) – de Victor di Mello. Sintomático produto cinematográfico que atesta a modificação dos padrões de comportamento em relação ao sexo, iniciada nos anos 60, especialmente no Rio de Janeiro. Nota-se a preocupação do diretor em focalizar as praias e a desinibição crescente das meninas desfilando na areia com os primeiros biquinis mais ousados. O clima de azaração perpassa todas as sequências, e mostra Claudio Cavalcanti como o típico playboy dos anos 70, ansiando pelo apartamento do amigo para levar as conquistas. Ele cai de amores por Dilma Loes, parecidíssima então com a filha Vanessa Loes, também atriz. A fotografia colorida estraga um pouco o filme, que deveria ser em preto e branco, creio. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

1251 - O HOMEM-MOSCA

O HOMEM-MOSCA (SAFETY LAST, USA 1023) – este talvez seja o filme mais famoso de Harold Lloyd, principalmente pela icônica sequência em que ele fica pendurado num relógio no alto de um prédio que escala para promover a loja de departamento onde trabalha como balconista. Aliás, sob esta ótica, estão as mais engraçadas tiradas do filme, quando ele se vê obrigado a atender um exército furioso de freguesas ávidas por um corte de tecido. Lloyd faz seu personagem costumeiro, ingênuo e bem intencionado, que vem do interior para fazer a vida na cidade grande e, enfim, casar com a namoradinha da terra natal, vivida por Mildred Davis que, por sinal, tornou-se sua esposa na vida real e foi proibida por ele a continuar a atuar. Loyd havia perdido o polegar e o dedo indicador anos antes e usa uma prótese que mal se nota na tela, muito devido à desenvoltura com que faz suas atléticas performances. O título em português não tem nada a ver.  

1250 - MACHETE

MACHETE (MACHETE, USA 2010) – de Robert Rodriguez, partidário do “quanto pior melhor” caprichado e cuidadosamente planejado para que tudo que seja errado saia o mais certo possível. Por isso, o feioso Danny Trejo, o Machete do título, leva para a cama as três gatas do filme – Jessica Alba, Michele Rodriguez e Lindsay Lohan – e, por meio da sátira rasgada, se transforma numa “máquina mortífera” latina que se junta aos imigrantes mexicanos ilegais na luta contra um senador ultraconservador (Robert De Niro), em troca de uma bolada de dinheiro. O roteiro toca em temas sisudos, entre a corrupção política e imigração ilegal. Precisa-se, no entanto, embarcar no espírito da coisa. Realizada  dentro dos padrões de uma produção B, o filme resgata a ação dos filmes dos anos 80, revestida de uma violência cartunesca e um viés irônico, além de uma exagerada litragem de sangue cenográfico. O personagem-título ficou conhecido ao estrelar um falso trailer que acompanhava o pré-pensado trash Planeta Terror (2007). É muito divertido, desde que você saiba ver. 



sábado, 14 de janeiro de 2012

1249 - X-MEN - PRIMEIRA CLASSE

X-MEN, PRIMEIRA CLASSE (X-MEN – FIRST CLASS, USA 2011) – o filme conta como o primeiro grupo de mutantes se reuniu, no início da década de 60, para deter um supervilão (Kevin Bacon) que queria provocar a III Guerra Mundial. Este resumo do roteiro, simples até a espinha, poderia dar ideia de mais um filme didático sobre a origem e, no caso, a organização dos mutantes. No entanto, o diretor Matthew Vaughn conseguiu fazer um filme bem interessante, mesclando imagens históricas – como a de Kennedy falando sobre a invasão a Cuba – com o universo dos heróis representantes de um extrato social marginalizado que se identifica animicamente com eles. Um dos mutantes, o “Beast”, é Nicolas Hoult, o menininho de “Um grande garoto”, com Hugh Grant. Atenção para a estonteante January Jones, como a gelada Emma Frost, e para Zöe Kravitz, filha de Lenny e de Lisa Bonet, a sensual mulata que virou a cabeça de Mickey Rourke,  em “Coração Satânico” (1987). 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

1248 - AS VIAGENS DE GULLIVER

AS VIAGENS DE GULLIVER (GULLIVER’S TRAVELS, USA 2010) – sempre vejo um filme com Jack Black com certa desconfiança, pois ele não me convence como comediante. Talvez um dia, pode ser, mas ainda não vejo graça nos trejeitos exagerados que ele literalmente impõe aos personagens que incorpora. Pois bem, este filme, claro, não é para ser levado a sério mesmo, pois o enredo serve apenas como egotrip para o rotundo protagonista. Porém, também permite que as gerações mais jovens conheçam um pouco (mas muito pouco mesmo) da história original de Gulliver, de Jonathan Swift. Entretanto, sempre há uma boa razão para se assistir a uma furada dessas. Neste caso, a razão, ótima, por sinal, é Amanda Peet e sua mesmerizante beleza que, por si só, já é o suficiente, até porque, como personagem, o dela, como de todos os outros na história, pouco acrescenta à trama monopolizada por Black. Por Amanda Peet vale o sacrifício.



1247 - I WAS A TEENAGE WEREWOLF

I WAS A TEENAGE WEREWOLF (USA 1957) – o filme é emblemático da safra dos anos 50: um adolescente problemático e agressivo, Tony Rivers (Michael Landon) passa a ser tratado por Dr. Alfred (Whit Bissel, o General Kirk, de O Túnel do Tempo) com uma droga que o levará ao estado primitivo do ser humano (que, de acordo com o filme, sabe-se lá, é um lobisomem) e, claro, tudo foge ao controle e o lobinho passa a matar asa pessoas mais desavisadas, donzelas, sobretudo. Apesar de ser um eficiente exemplo de licantropia cinematográfica, o roteiro se perde totalmente das origens tradicionais dos lobisomens, pois, ao invés de ser mordido, Rivers se transforma num lobo mau através da hipnose e de uma droga injetável. Landon, anos depois, brilharia como o filho mais jovem do clã Cartwright, em Bonanza. Depois, ainda faria uma série de relativo sucesso, Os Pioneiros (1974), que tem passado no TCM atualmente. Porém, a razão principal era ver Guy Williams, de Perdidos no Espaço, num papel pequeno, como um policial. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

1246 - RANGO

RANGO (RANGO, USA 2011) – depois de três Piratas do Caribe, Gore Verbinsky envolveu-se num curioso projeto: um western de animação. O título parece uma brincadeira com Django, personagem-ícone do western. No filme, Rango é um lagarto doméstico em crise existencial, que passa a ser extremamente simpático, principalmente pela dublagem de Johnny Depp. Ele acaba indo parar numa vila no deserto, onde se faz passar por um valente herói a fim de enfrentar os mandachuvas do pedaço. A realização é simplesmente fantástica, com enquadramentos inusitados para reverenciar os clássicos do faroeste. É impressionate o realismo dos cenários. O roteiro não é nada infantil, com cenas até fortes, mesmo para adultos, com certa violência e passagens indigestas. Mas é uma obra-prima.

1245 - BATMAN, O CAVALEIRO DAS TREVAS

BATMAN, O CAVALEIRO DAS TREVAS (THE DARK KNIGHT, USA 2008) – de Christopher Nolan. O “dark” do título é mais do que adequado para este filme, no qual Batman passa por uma reciclagem moral, pois começa a ter dúvidas sobre a sua missão no mundo e é ofuscado por um vilão que convence pela eloquência – o Coringa, de Heath Ledger. Ainda por cima, a prematura morte de Ledger nos faz vê-lo de uma forma ainda mais dramática, não fosse a sua atuação que tende a despertar simpatia, mas também medo. É essa figura bizarra que nos mostra que vivemos tempos de relativismo moral, nos quais o Bem e o Mal se misturam a ponto de os limites se tornarem invisíveis. Este contraponto fez, no entanto, que o Batman de Christian Bale se multiplique em várias facetas da natureza amargurada que, por sinal, era mesmo a gênese do personagem criado por Bob Cane, em 1939. O enredo não linear às vezes torna o filme um pouco confuso, mas não falha em mostrar a emulação da tragédia grega em que os protagonistas se envolvem: a lei não funciona, e é preciso achar alguém para salvar o mundo do caos. A vingança se torna, então, a nova lei, jogando o público para o abismo das dúvidas sobre a condição do heroísmo no mundo de hoje. Excelente. 



domingo, 8 de janeiro de 2012

1244 - GODZILLA



GODZILLA (GODZILLA, USA 1998) – de Roland Emmerich. Sempre assisto a este filme por causa de meu amigo Giovanni Bizzotto, que também é fã da invasão de Nova York por um lagartão, oriundo de mutações atômicas, mais aditivado do que seu similar japonês. O fato é que nada justifica muito esta história, que já teve inúmeras versões, inclusive uma em que Godzilla enfrenta King Kong, o que, convenhamos, é o máximo do nonsense. Longe de ser purista, não vejo razão de o Godzilla americano deva ser semelhante ao japonês das produções da Toho. Os efeitos são bons, mas envelheceram, sem dúvida nenhuma.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

1243 - BESOURO

BESOURO (BRASIL, 2009) - A história. ambientada em 1924, é baseada no caso - dizem - real de Besouro (Aílton Carmo), capoeirista dos mais hábeis que foi vítima da própria vaidade: escolhido para ser o guarda-costas de seu mestre Alípio, jurado de morte, Besouro se descuida da função para se exibir em suas habilidades na capoeira. E, indiretamente, acaba sendo responsabilizado pela morte de seu mentor, uma verdadeira lenda vida (agora morta) do Recôncavo Baiano, de onde é banido pela sua própria sociedade e caçado pelo coronel local. Bem, aí o filme desanda mesmo, ao começar a recorrer ao misticismo  (vocês não imaginam a bronca que tenho desta temática) e às forças ocultas para tentar sobreviver. O filme carece de lapidação dramática.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

1242 - A CAIXA

A CAIXA (THE BOX, USA 2009) – o filme, de fato, promete mais do que oferece. Desperta algum interesse no início, quando, misteriosamente, um casal (Cameron Diaz, sem graça, como sempre; e James Mardsen) recebe um caixa de um homem com o rosto desfigurado (o grandíssimo Frank Langela). Na caixa, há um  botão que, se acionado, fará o casal ganhar um milhão de dólares, mas, por outro lado, provocará a morte de uma outra pessoa. Ou seja, o começo é promissor, como num daqueles episódios de “Além da Imaginação”. O roteiro, a partir daí, fica confuso, e o único entendimento é que a caixa é apens um pretexto para testar se o ser humano é capaz de optar pelo dinheiro em função da morte de uma outra pessoa. 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

1241 - DÍVIDA DE SANGUE

BLOODY WORK, USA 2002 - de Clint Eastwood. Este é um dos meus filmes favoritos de Clint, que faz um agente federal aposentado, que passou por um transplante de coração e é procurado pela irmã da doadora, que ela acredita ter sido assassinada. Clint mora num barco, num lugar maravilhoso. As cenas da Marina são lindas. Conforme já disse num outro comentário, o filme tem um defeito que entrega logo o misterioso assassino, mas só para quem conhece bem os atores principais de Hollywood. O título em português é muito melhor do que em inglês. Umas das coisas de que mais gosto neste filme é o amor que o personagem de Clint encontra com Graciella, a irmã da doadora involuntária do seu coração. Além, do simbolismo óbvio, há uma naturalidade tão fascinante, que a gente passa também a sonhar como o amor dando certo, como num filme. É linda a cena dos dois, no barco, no final da tarde.

1240 - CONTOS DE NOVA YORK

CONTOS DE NOVA YORK (NEW YORK STORIES, USA 1989) – o filme consiste em três curtas dirigidos, respectivamente, por Martin Scorsese, Coppola e Woody Allen. O de Coppola é o pior, sem dúvida nenhuma. O primeiro, de Scorsese, é sobre um pintor (Nick Nolte) apaixonado por sua assistente (Patricia Arquette), e é um primor de angústia e solidão no mundo das artes. É triste, mas vale a pena. O episódio de Allen é típico do diretor: depois que sua mãe "mala" desaparece num número de mágica, ela passa a assombrá-lo aparecendo no céu de Nova York, contando todos os detalhes constrangedores do filho para toda a população. Agora, atenção para a atuação de Nick Nolte, no primeiro episódio - não há como não se identificar com a dor que ele sente por não poder estar com a mulher que ama.

domingo, 1 de janeiro de 2012

1239 - O VIDENTE

O VIDENTE (NEXT, 2007) – Nicolas Cage parece um pouco indiferente no papel de um mágico de Las Vegas, que possui a capacidade de ver o futuro dois minutos antes de acontecer. É então procurado por uma gente federal (Julianne Moore, com rosto de pedra), para tentar impedir que uma bomba seja explodida por terroristas. Neste meio tempo, ele se apaixona por Liz Cooper (Jessica Biel, por quem, convenhamos, qualquer um cairia de quatro). No entanto, falta química entre os dois, mais talvez pela atuação meio “aloof” de Cage, que parece não acreditar muito no personagem. Aliás, achei a história mal conduzida que, em certo ponto, se perde, até um final meio confuso. Já tinha visto há alguns anos atrás e não mudei de opinião. 

sábado, 31 de dezembro de 2011

1238 - MÁQUINA MORTÍFERA 4

MÁQUINA MORTÍFERA 4 (LETHAL WEAPON 4, USA 1998) – este último episódio não acrescenta muito ao anterior, a não ser a aposentadoria de Riggs e o nascimento do seu filho com Lorna (Rene Russo). Murtaught torna-se avô e, no meio disso tudo, ele têm que enfrentar uma gangue chinesa, chefiada por Jet Li. Há um personagem irritante vivido pelo não menos irritante Chris Rock – um equívoco do roteiro de uma série que poderia ser fechada com chave de ouro, não fosse o tom excessivo no politicamente correto. 

1237 - MÁQUINA MORTÍFERA 3

MÁQUINA MORTÍFERA 3 (LETHAL WEAPON 3, USA 1992) – este talvez seja o mais fraco da série, com algumas situações ainda se repetindo, sem a mesma graça de antes. Mas Gibson consegue manter seu personagem vivo, apesar do tom cômico demais. Além disso, o par romântico que lhe deram não tem carisma, beleza ou talento: Rene Russo parece fora de contexto e não há fagulhas entre ela e Gibson. 

1236 - MÁQUINA MORTÍFERA II

MÁQUINA MORTÍFERA II (LETHAL WEAPON II, USA 1989) – já com o ritmo e o tom estabelecidos no primeiro filme, Donner oferece altas doses de ação nesta sequência, onde Riggs e Roger já estão mais entrosados e praticamente da mesma família, já que Riggs se deixa placidamente adotar pelos Murtaugh. O humor fica mais evidente, com a presença do personagem Leo Getz, de Joe Pesci, e Riggs aparentemente reencontra o caminho da paixão nas então curvas perfeitas de Patsy Kensit, que já foi casada com o líder do Oásis Liam Gallagher e que, anos depois, havia recusado o convite para ser a Emily, em Friends (pobre Ross...). O diretor claramente não tem medo de ousar aqui, tanto que umas das cenas mais memoráveis (e improváveis) é a de Murtaught sentado na privada com uma bomba prestes a explodir. A música de Eric Clapton e David Sandborn é a cereja do bolo. 

1235 - MÁQUINA MORTÍFERA

MÁQUINA MORTÍFERA (USA, 1987) – este primeiro filme da série dirigida por Richard Donner (do superbo “O Feitiço de Áquila) funciona com perfeição, em todos os sentidos, mesmo repisando a velha fórmula do “policial em fim de carreira que é forçado a trabalhar com um mais jovem e mais rebelde”. Isso já foi visto em vários filmes, antes e depois de Máquina Mortífera. No entanto, a química entre Mel Gibson e Danny Glover pode ser considerada a mais perfeita neste tipo de história, tanto que s sequências conseguem manter o alto nível e a adrenalina, que só caem um pouquinho no quarto filme. 

1234 - KING KONG (1976)

KING KONG (USA 1976) – tudo nesta refilmagem é ruim. Tentaram fazer uma adaptação, e há até alguns bons efeitos especiais, mas a sensação que temos no final é de um tremendo desperdício de tempo. A estreia de Jessica Lange não podia ser mais constrangedora, e tudo se acumula grotescamente numa trama que não faz uma homenagem ao Kong original (como fez Peter Jackson) nem cria alguma coisa nova. 



1233 - KING KONG 2

KING KONG 2 (KING KONG LIVES, USA 1986) – este é o tipo do filme que a gente tem vergonha de confessar que viu, mas, fazer o quê? É um dos piores jamais feitos! E que tira a dignidade de um ícone cinematográfico, como Kong. A fita começa com o nosso amigo primata sendo levado a um laboratório onde cientistas vão ressuscitá-lo. Eles constroem um coração mecânico para o Kong, só que para funcionar, precisam de alguns litros de sangue de gorila gigante, óbvio. Ora, é fácil! Existem muitos desses perdidos na Floresta Amazônica. E lá vão os humanos idiotas! Na floresta tropical fala-se todo tipo de línguas, menos o português. Também encontram uma “Lady Kong” que se apaixona por um dos cientistas, e assim, a capturam para reviver o protagonista desse besteirol. O único aspecto digno de nota é a presença a bela Linda Hamilton, mesmo assim, com um personagem completamente sem sentido. Mas ela é linda mesmo.

1232 - UNIVERSAL HORROR

UNIVERSAL HORROR (USA 1998) - Narrado pelo ator Kenneth Branagh, este documentário resgata a história dos monstros mais famosos, criados ou levados ao cinema pelos estúdios Universal entre os anos 20 e 50. Dirigido pelo aclamado Kevin Brownlow (Hollywood, The Pioneers, Cinema Europe, The Other Hollywood), "Universal Horror" é um passeio "por trás das câmeras" de personagens que se tornaram verdadeiros ícones da cultura norte-americana como Drácula, O homem invisível, Frankenstein e o Lobisomem, entre outros.

1231 - O QUE É ISSO COMPANHEIRO?

O QUE É ISSO COMPANHEIRO? (BRASIL, 1997) - O Que É Isso, Companheiro? é um filme brasileiro de 1997, dirigido por Bruno Barreto, com roteiro parcialmente baseado no livro homônimo de Fernando Gabeira, escrito em 1979. Produzido por Luiz Carlos Barreto, é estrelado por Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Cláudia Abreu, Matheus Nachtergaele, Luiz Fernando Guimarães e tem uma participação especial de Fernanda Montenegro e do ator norte-americano Alan Arkin no papel de Charles Burke Elbrick, entre outros. O enredo conta, com diversas licenças ficcionais, a história verídica do sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, por integrantes dos grupos guerrilheiros de esquerda MR-8 e Ação Libertadora Nacional, que lutavam contra a ditadura militar do país na época e pretendiam trocar o embaixador por companheiros presos. Alguns nomes dos personagens ligados à guerrilha foram trocados em relação a seus nomes verdadeiros no livro e na vida real.

1230 - PIRANHA (1978)

PIRANHA (PIRANHA, USA 1978) - O Piranha original recupera uma veia de filme B que em Tubarão (também um filme de orçamento reduzido) era inexistente ou atenuada, pois o trabalho de direção de Spielberg era inflado o suficiente para o seu filme querer tomar ares de grande produção (acabou se tornando o primeiro blockbuster do cinema), enquanto que Joe Dante não renega, e até reafirma, a sua condição de filme pequeno. Jack Arnold, um dos mestres do cinema de fantasia da década de 1950, é citado em mais de uma ocasião em Piranha, enquanto que a referência mais direta à obra de Spielberg é a da introdução em cena da protagonista, Maggie (Heather Menzies), jogando um fliperama baseado justamente em Tubarão, onde no jogo o que se controla é o tubarão, e o objetivo é devorar os banhistas. Passada essa menção muito rápida e até irônica, Dante pode continuar o seu filme do modo que lhe interessa, e que se distingue de Tubarão não apenas em estética, mas também em ponto de vista, porque se no filme de Spielberg o que há é um desejo de retornar o mais rápido possível à ordem como ela era antes, em Piranha a tragédia que prenuncia um caos apocalíptico serve de oportunidade para pensar no sistema que entrou em colapso, no caso a partir dos males da ciência a serviço dos políticos e militares (as piranhas destruidoras foram criadas pelo exército como estratégia de guerra na possibilidade de contaminar os rios vietnamitas, conforme declara o cientista responsável pela criação delas, e num descuido escapam do tanque em que estão confinadas e chegam aos lagos da região, com o risco de alcançar o oceano e se espalharem pelo mar de todo o país). Piranha se encerra com um final aberto bastante sombrio, após o clímax antológico no ataque das piranhas a uma colônia de férias infantil, que segue um desfecho aparentemente feliz no qual é impossível vivenciar um sentimento de triunfo ou vitória, o que é mais desconcertante e negativo que qualquer coisa encontrada nos filmes de gênero do seu tempo

1229 - BEIJOS PROIBIDOS

BEIJOS PROIBIDOS (BAISERS VOLÉS, 1968) - Esta terceira aventura de Antoine Doinel foi feita durante os protestos estudantis de maio de 1968 e por isso é dedicada ao diretor da Cinemateca francesa, Henri Langlois, na época ameaçado de demissão. Faz parte da série autobiográfica do diretor François Truffaut (1932-1984), sempre com o ator Jean-Pierre Léaud como Doinel e iniciada com "Os Incompreendidos" ("Les 400 Coups", 1959), que foi também a estréia do diretor no longa-metragem. Seguiu-se um episódio de "O Amor aos Vinte Anos" ("LŽAmour à 20 Ans", 1962) e depois este "Beijos Proibidos", no qual o personagem conhece sua futura mulher, interpretada por Claude Jade. Truffaut tirou o título original das palavras de uma canção de Charles Trenet, "Que-Rest-t-il de Nos Amours?", que pergunta o que resta de nossos amores, de nossos dias felizes, olhos amassados, beijos roubados. Truffaut dizia que, se o filme ficasse parecido com essa canção, ficaria contente. Foi esse exatamente o resultado: um filme suavemente melancólico, simples e complicado como a vida, ao mesmo tempo poético e divertido. E que na verdade não se parece com nada que já tivesse sido feito em cinema antes. Somente Truffaut conseguiria transformar em emoção uma imagem tão prosaica como a de uma carta "pnéumatique" -- um sistema já extinto, que havia apenas em Paris, pelo qual se podia enviar uma mensagem expressa por um sistema de tubos subterrâneos injetados com ar comprimido, chegando ao destinatário no mesmo dia. 
Se quisermos teorizar sobre os temas do filme, podemos dizer que Truffaut sempre condena as instituições como culpadas pelas formalidades e distorções das relações humanas, enquanto celebra a beleza da sorte e da coincidência. "Beijos Proibidos" é um belo e inesquecível filme, indicado ao Oscar de melhor produção estrangeira. Esta edição faz parte da coleção "As Aventuras de Antoine Doinel" e traz como extras os trailers da série com o personagem e biografia do diretor.

1228 - SIM SENHOR

SIM SENHOR (YES MAN, 2008) - O filme conta a história de Carl Allen (Jim Carrey), um homem que diz "não" a tudo. Sempre que é convidado para algo por algum amigo, ele nega, geralmente inventando uma desculpa para não fazê-lo. Porém um dia ele se inscreve num programa de auto-ajuda com base num princípio simples: dizer "sim" a tudo e a qualquer coisa... No início, o poder do "sim" transforma a vida de Carl, mas logo descobre que aceitar tudo que lhe é proposto pode gerar situações inconvenientes. O filme é inesperadamente muito bom. 

1227 - SIMPLESMENTE AMOR

O novo Primeiro-Ministro inglês (Hugh Grant) se apaixona por uma de suas funcionárias (Martine McCutcheon). Um escritor (Colin Firth) se refugia no sul da França para curar seu coração e acaba encontrando o amor. A mulher muito bem casada (Emma Thompson) suspeita que seu marido (Alan Rickman) a está traindo. A recém-casada (Keira Knightley) suspeita dos sentimentos do melhor amigo do marido (Andrew Lincoln) por ele. Um menino (Thomas Sangster) deseja chamar a atenção da garota mais inatingível da escola. Um viúvo (Liam Neeson) tenta se relacionar com o enteado (Thomas Sangster) que mal conhece. A americana (Laura Linney) há muito tempo espera uma chance de sair com o colega de trabalho (Rodrigo Santoro) por quem é perdida e silenciosamente apaixonada. O astro do rock (Bill Nighy), em fim de carreira, tenta um retorno ao palco de um jeito bem descompromissado. E, assim, o amor vai transformando a vida de todos os personagens dessa comédia romântica em um caos total. São vidas e amores de londrinos que colidem e se misturam.

1226 - APERTEM OS CINTOS, O PILOTO SUMIU 2

Há um louco detonador a bordo, o primeiro módulo lunar está para se autodestruir, as máquinas não estão funcionando e o pior de tudo: atripulação descobre que está sem nenhum café! É novamente a grandemaluquice de Apertem os Cintos..., Robert Hays e Julie Hagerty saindototalmente de órbita para recriar seus hilariantes personagensoriginais. Conseguirá Hays salvar o dia outra vez... mesmo sem café?Apertem os cintos para um vôo inesquecível... e boa viagem!

1225 - CLAMOR DO SEXO


CLAMOR DO SEXO (SPLENDOUR IN THE GRASS, USA 1961) - Elia Kazan é um dos maiores diretores norte-americanos de todos os tempos, suas obras são magníficas, abordando sempre temas polêmicos e relevantes. Citando alguns de seus melhores trabalhos, "A Luz é Para Todos" aborda o anti-semitismo, trazendo Gregory Peck como um jornalista que se passa por um judeu; "Sindicato de Ladrões" tem um tema político, estrelando Marlon Brando como um ex-boxeador que luta contra um sindicato de corruptos; "Vidas Amargas" retrata o drama de um jovem (James Dean) e sua dificuldade de relacionamento com o pai e "Uma Rua Chamada Pecado", com certeza o seu filme com o maior peso dramático, é a película com aspectos bastante semelhantes ao filme criticado aqui, sexualmente falando, de acordo com a moral da época. "Clamor do Sexo", depois de "Uma Rua", é o filme mais polêmico de Kazan. Os belíssimos Bud (Warren Beatty) e Deani (Natalie Wood) são jovens que formam um casal apaixonado no final dos anos 20, um ano antes da Grande Depressão. Bud é herdeiro de uma grande companhia de petróleo, já Deani é filha de um doceiro, mas a diferença econômica não é nem de longe o principal fator que vai interferir em seu relacionamento. E qual é então o fator principal? O simples e puro desejo sexual. Ora, estamos falando dos anos 20, uma época em que uma garota 'de família' não podia nem cogitar a idéia de transar com seu namorado antes do casamento, por mais que o desejo aflorasse. Na verdade, o desejo da mulher tinha que ser totalmente reprimido, como diz a mãe de Deani à filha: - Só fazemos essas coisas para satisfazer os nossos maridos, para reprodução. A mulher não sente tanta vontade quanto o homem. Com esse diálogo, vemos que realmente muita coisa mudou em menos de cem anos, e a década de 20 seria o ponto de partida para as grandes mudanças ocorridas nesse século.
Devido à essa repressão sexual, Bud começa a ficar cada vez mais e mais frustrado, e ainda tem que enfrentar o dilema entre ir para faculdade e casar com Deani só depois da graduação, ou continuar na cidade e trabalhar como fazendeiro. Ele também sofre uma forte pressão por parte de seu pai, que deseja ter um filho estudado. Esses típicas questões da época que ainda persistem de alguma forma. Para completar, Bud tem uma irmã que é a ovelha negra da família, o oposto de Deani, ela não liga para o que os outros pensam e não tem medo de satisfazer seus desejos, em 1928, uma verdadeira promíscua. As atuações são um dos maiores pontos fortes do filme, e não era de se esperar por menos, vindo de um verdadeiro diretor de atores. Em "Uma Rua Chamada Pecado", Marlon Brando e Vivien Leigh dão um show de intepretação, nesse o desejo sexual entre os dois é claro e confuso ao mesmo tempo, não há amor entre os dois, apenas um desejo carnal e um ódio espiritual. O diretor também tira o melhor de James Dean em um de seus únicos três filmes, Dean é mais que convincente na pele de um jovem atormentado por sua família. Estudante ilustre do Método Strasberg, Kazan desenvolveu com seus atores (principalmente Dean e Brando, esse último consagrado em "Uma Rua") um modo peculiar (para a época) de interpretação: falando de uma maneira mais superficial, o método consistia em fazer com que o ator resgatasse sentimentos (bons ou ruins) de seu passado e assim usá-los em prol do papel que estaria interpretando; um método muito controverso, recebendo pesadas críticas de grandes atores como, por exemplo, o shakesperiano Laurence Olivier, mas isso é outra história.
Em "Clamor", ele dá para Warren Beatty o seu primeiro papel de destaque, e o jovem ator se sai muito bem, mas é Natalie Wood, que já tinha provado ser uma grande atriz no eterno musical "Amor, Sublime Amor" e em "Juventude Transviada, que rouba o filme. A sua depressão gradativa por conta do afastamento de Bud é extraordinário. Esse aspecto não deixa de ser um pouco forçado por parte do roteirista Willian Inge, que exagera melodramaticamente ao internar Deani num hospício muito rapidamente. O exagero é ainda maior, pois não nos é mostrado claramente o afastamento do casal, quando percebemos, Deani já está berrando histericamente na banheira de sua casa. Entretanto, como Wood trabalha com muita competência acabamos nos convencendo e assim tudo se torna mais real. O elenco mais velho também está ótimo, destaque para Pat Hingle que interpreta "Bud's old man", Hingle possuía um carisma natural assim como Burl Ives, que interpretou o durão "Old Man" em "Gata em Teto de Zinco Quente". Um paralelo interessante pode ser feito com "Vidas Amargas" no que diz respeito à relação pais e filhos, em "Vidas" o sofrimento do jovem interpretado por James Dean é diretamente proporcional à indeferença do pai; já em "Clamor" não há culpados, a mãe de Deani apenas a criou como a sua mãe a tinha criado, e assim sucessivamente (um fator explícito na obra em um belo diálogo), era simplesmente a cultura da repressão sexual que predominava nas famílias.
A partir daí o romance acaba e o enredo segue outro rumo. Bud decide-se por ir à faculdade, mas não consegue terminar nem o primeiro ano devido ao seu desajustamento no ambiente acadêmico (- Sempre achei que não são todos que devem frequentar uma universidade, diz o reitor de Yale). Deani se apaixona por um jovem no centro psiquiátrico e quando entramos em 29, a crise financeira mundialmente conhecida afeta às duas famílias, causando um dano trágico para uma delas. Mesmo que parte da tragédia da película seja por conta dessa crise (outro aspecto mal explorado, ainda que não seja o tema principal), é impossível não termos a impressão que todos os acontecimentos são desencadeados pela repressão sexual dos jovens. As frustrações, os medos, as inseguranças, tudo é aumentado por causa disso, no começo de um século que mudaria completamente o jeito de pensar do Ocidente. 
Com uma direção correta, filmando algumas cenas com ângulos fora do tradicional (mas já usados em "Vidas"), Kazan é ousado em dirigir uma obra com temas fortes e pouco mostrados no Cinema ainda nos anos 60. Essa década serviu como caminho para o Cinema da década seguinte, que definiria os padrões da Sétima Arte até hoje, os anos 60 estavam aos poucos se libertando das amarras, abandonando as ingenuidades e hipocrisias dos anos anteriores, como o Código Hays (que afetou drasticamente o roteiro original de obras como "O Pecado Mora ao Lado", por exemplo).