domingo, 17 de maio de 2015

2599 - TERRA DE SOMBRAS



1.     TERRA DE SOMBRAS (SHADOWLANDS, USA 1993) – O filme conta a história real envolvendo o escritor C.S.Lewis (Anthony Hopkins), o mesmo de AS CRÔNICAS DE NÁRNIA, e a escritora americana Joy Gresham (Debra Winger), admiradora literária de Lewis. Desta aproximação, nasce a história de amor entre os dois, numa época em que as pessoas se procuravam para falar de poesia. O roteiro e a presença de Hopkins nos remetem a um filme com temática similar – NUNCA TE VI, SEMPRE TE AMEI. Na primeira parte do filme, dá-se uma ênfase nas diferenças culturais entre a Inglaterra e os Estados Unidos, especialmente quando os personagens principais contracenam. Muito triste no seu terço final, o filme é mais uma oportunidade de ver como Anthony Hopkins é um dos maiores atores de todos os tempos.


quarta-feira, 13 de maio de 2015

2598 - AMANTE A DOMICÍLIO


AMANTE A DOMICÍLIO (FADING GIGOLO, USA 2013) – Dirigido e estrelado pelo gente boa John Turturro, este filme tem como principal interesse a participação de Woody Allen apenas como ator. Em cena, ele repete a mesma personagem a um passo da neurose de outros filmes em que é o autor. Aqui, Murray (Allen) faz de tudo para convencer o amigo Fioravante (Turturro) a se tornar um garoto de programa. Apesar de relutar no início, ele aceita o serviço e acaba assumindo uma nova profissão e um novo nome, enquanto Murray se transforma em um gigolô. Existem alguns alívios cômicos no roteiro, que servem para equilibrar a narrativa às vezes previsível. Turturro tem uma atuação claudicante e mostra certa inabilidade como roteirista, com uma história meio clonada no estilo woodyalleniano, tanto no aspecto romântico quanto cômico. Allen e Sharon Stone se salvam apenas por remeterem às suas próprias personas cinematográficas. A boa trilha sonora, salpicada de standards americanos, é que dá força ao filme.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

2597 - LENDAS DA VIDA



1.   
LENDAS DA VIDA (THE LEGEND OF BAGGER VANCE, USA 2000) - O problema com filmes sobre esportes predominantemente americanos – como é o caso aqui com o golfe, e também o beisebal, é a gente ficar sem aquela conexão emotiva total, como teríamos com o futebol, por exemplo. Este filme trata de um golfista (Matt Damon) que, depois de voltar da guerra, entra num torneio defendendo sua cidade. Will Smith, num papel meio inadequado para ele, é o seu treinador. A história é contada sob o ponto de vista de uma criança, para quem o personagem de Damon é um herói. Charlize Theron está no elenco, mais linda do que nunca.




2596 - ENTRE LENÇÓIS

ENTRE LENÇOIS (BRASIL, 2008) – Um filme brasileiro, pretensamente sério, passado quase inteiramente dentro de um quarto de motel, com dois atores belos, mas ainda muito crus dramaticamente, dialogando a maior parte do tempo, e dirigido por um colombiano, tinha tudo para dar errado. E deu mesmo. ENTRE LENÇOIS é um dos piores filmes de todos os tempos. Os diálogos chegam a ser constrangedores de tão fracos. Mesmo as cenas supostamente sensuais não passam qualquer estremecimento erótico. Paola de Oliveira está linda, como sempre, e assistir ao filme só se justifica por ter a chance de vê-la bem, digamos, à vontade.

2595 - BETO ROCKFELLER


BETO ROCKFELLER (BRASIL, 1970) – Aproveitando o sucesso da novela homônima, o filme, fraco, coloca, mais uma vez, Luiz Gustavo no papel que tinha tudo a ver com o espírito da época: um malandro da zona sul que quer fazer parte da elite rica da cidade, através de mentiras e pequenos golpes, sem a menor preocupação com o que hoje se chama de politicamente correto ou o mínimo de ética. No entanto, naqueles anos de chumbo da sociedade brasileira, acredite ou não, isso fazia sucesso. De certa forma, Reginaldo Farias e outros também se aproveitaram deste universo ilusoriamente permissivo, para fazer filmes com uma temática idêntica, replicando, inclusive, o perfil do personagem que só quer se dar bem, sem fazer força.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

2594 - PARKLAND TRAUMA ROOM ONE REUNION

PARKLAND TRAUMA ROOM ONE REUNION (USA, 2013) - The Sixth Floor Museum at Dealey Plaza presented "Parkland Hospital: Trauma Room One Reunion" on September 24, 2013. The program featured Dr. Ronald C. Jones and Dr. Robert N. McClelland, two of the physicians who contributed to President John F. Kennedy's treatment in Trauma Room One, and—less than 48 hours later—tried to save the life of the accused assassin, Lee Harvey Oswald. Dr. Jones was the chief surgery resident in Parkland Memorial Hospital's emergency room on November 22, 1963. Dr. McClelland was an instructor in surgery at the time, and he assisted in the surgery of Texas Governor John Connally. Moderator was WFAA-TV's award-winning anchor John McCaa, who, in my opinion, did not conduct the interview in the best way. If I were there, I would have asked more questions about the procedures taken on that fateful day in Dallas.

2593 - O MESTRE


O MESTRE (THE MASTER, USA 2012) – Diretor do excelente MAGNÓLIA (1999), Paul Thomas Anderson não costuma fazer filmes fáceis. Neste filme, o diretor se liberta das formas narrativas tradicionais, para contar a história de um ex-soldado (o magnífico Joaquin Phoenix) que se encanta pelo líder de uma seita suspeita (o também magnífico Philip Seymour Hoffman). A partir daí, o diretor faz uma interessante incursão na natureza da relação entre líderes espirituais e seus seguidores, normalmente chamados de “soldados”. Com uma belíssima fotografia em 65 mm que ressalta o clima nostálgico do roteiro, O MESTRE é um veículo para, talvez, a maior atuação de Phoenix no cinema, especialmente nas cenas em que está com Hoffman. Há, dentro do argumento, uma discussão sobre a Cientologia, numa visão bem particular do diretor.
Joaquin Phoenix não apenas habita visceralmente seu personagem, como também consegue mostrar um homem que se reinventa depois de destroçado física e psicologicamente, passo a passo. Seu personagem é uma mistura de uma revolução interna – imprevisível, impulsivo, intenso. Com maestria Phoenix controla isso todo este processo, mesmo que, em certos momentos, pareça estar prestes a pôr tudo a perder. Onde Phoenix e Hoffman são mercuriais e explosivos, Amy Adams é resignada e sutil, mas sempre flertando com as fímbrias do ser. Um filme de mestre.  

quinta-feira, 30 de abril de 2015

2592 - MISSÃO IMPOSSÍVEL


MISSÃO IMPOSSÍVEL 1 (MISSION IMPOSSIBLE 1, USA 1996) – Esta primeira edição de MI, com Tom Cruise, e dirigida por Brian De Palma, mantém um pouco o ritmo do que se via no seriado homônimo da década de 60. Por isso, aos olhos de hoje, parece um pouco lento e arrastado. Durante uma missão de rotina em Praga, Ethan Hunt e seu grupo de agentes caem numa emboscada. Ethan descobre que apenas ele e uma outra agente sobreviveram. Ao ser acusado de ser o traidor que falhou a missão ele foge e tenta provar sua inocência, mas o verdadeiro inimigo está dentro da própria agência.
 
 

2591 - MONELA, A TRAVESSA

MONELA, A TRAVESSA (MONELLA, Itália, 1998) – O filme conta a história de Lola uma jovem alegre, meiga, desinibida e que acabou de ficar noiva do filho do padeiro, Masetto. Como o rapaz é um progressista, um homem sério e temente a Deus, ele acredita que a mulher deve casar virgem. A partir deste fiapo de argumento, com um pé – talvez os dois – na pornochanchada, o diretor Tinto Brass conta uma história que pretende ser engraçada, mas que, em vários momentos, descamba para cenas gratuitas, cujo único objetivo é mostrar uma das mulheres mais sensuais do cinema contemporâneo (Anna Ammirati) com pouquíssima roupa. Nada a reclamar.

2590 - ENGRAÇADINHA DEPOIS DOS TRINTA



ENGRAÇADINHA DEPOIS DOS TRINTA (BRASIL, 1966) – Baseado na peça de Nelson Rodrigues, o filme dirigido por J.B. Tanko, traz Irma Alvarez (muito bonita e extremamente parecida com Gisele Bündchen) como Engraçadinha e Fernando Torres como o impagável Dr. Odorico Quintela. No cotejo com a série de TV, Claúdia Raia ficou muito melhor como a recatada dona de casa, e Paulo Betti, talvez no seu melhor papel na TV, consegue superar a atuação do marido de Fernanda Montenegro. No elenco ainda, Claudio Cavalcanti e Carlos Eduardo Dolabela.  











 
 
 
    
        
 
 
 

2589 - X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO

X-MEN, DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO (X-MEN, DAYS OF FUTURE PAST, USA 2014) – De todos os filmes dos X-Men, este é, para mim, o melhor. O diretor Bryan Singer conseguiu narrar uma história que se passa em duas dimensões temporais, de maneira bem clara e objetiva, equilibrando dramaticamente inúmeros personagens, sem evidenciar a figura de Logan (Hugh Jackman), que já tinha sido destaque nas outras edições da série e em mais dois longas solo. Apesar de algumas semelhanças com OS VINGADORES, o filme apresenta um roteiro bem original e cativante. Particularmente, há uma indicação – já sugerida numa história anterior – que me interessa: a de que John Kennedy, assassinado por Magneto (Michael Fassbender), também era um mutante.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

2588 - GIGOLÔ AMERICANO

GIGOLÔ AMERICANO (AMERICAN GIGOLO, USA 1980) – Hoje tão anacrônico como a palavra “gigolô” (Céus, alguém ainda fala assim?), este filme trata, com certa cerimônia, de um assunto meio tabu no início dos anos 80: a prostituição masculina. Richard Gere, bem jovem e apostando na figura atlética para se consolidar como astro de Hollywood, se submete a um papel sem profundidade e expressão, bem consonante com seus limitados atributos dramáticos na época. A modelo Lauren Hutton, também “desatua” ao seu lado. O mais interessante, neste filme, é Gere contracenar com Hector Elizondo que, em PRETTY WOMAN, fez o gerente boa-praça do hotel para onde o personagem de Gere traz Julia Roberts.

2587 - COMEDY CENTRAL ROAST OF CHARLIE SHEEN

COMEDY CENTRAL ROAST OF CHARLIE SHEEN (USA, 2011) – Este é um daqueles programas malucos da TV Americana. O convidado (nesta edição, Charlie Sheen) fica no centro do palco, enquanto o anfitrião (o ótimo Seth MacFarlane, que escreveu e dirigiu o divertido TED) convoca os amigos do “homenageado” para, no microfone, esculhambarem, de todas as formas, o convidado. Claro que tem muita coisa combinada, mas, em certos momentos, não dá para duvidar da mordacidade de algumas observações. De qualquer forma, fica evidente o fair-play de Sheen durante as estocadas que vão da sua briga com Chuck Lorre ao vício em drogas e prostitutas.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

2586 - A FAMÍLIA SAVAGE



      
 
 A FAMÍLIA SAVAGE (THE SAVAGES, USA 2007) – Eu não deveria rever este filme exatamente agora, mas acabei me rendendo à vontade de assistir a dois dos maiores atores americanos juntos, na mesma história: Philip Seymour Hoffmann e Laura Linney. Eles são irmãos que não se veem há muito tempo e que têm que passar a cuidar do pai senil, também ausente das suas vidas. A partir deste argumento, o que se vê são dois excepcionais atores no pináculo de suas talentosas carreiras. E como dói saber que não teremos mais Hoffman daqui para frente. No começo os irmãos Wendy e Jon estão cada um em seu canto, ela em Nova Iorque, sem saber se suas transas com um homem casado são compromisso de verdade, e ele em Buffalo, sofrendo porque sua namorada polonesa perdeu o visto e vai deixar os EUA. Wendy e Jon não deixam transparecer esses dilemas pessoais. Ela está tentando conseguir uma bolsa para custear sua peça de teatro e ele segue focado no livro que está escrevendo sobre Bertolt Brecht. Ou seja, para nós, é também um filme que tangencia a Literatura. Os dois decidem lhe dar a atenção que o pai negara quando eles eram pequenos. Por sugestão de Jon, Lenny, o pai,  será levado a uma casa de repouso em Buffalo, e Wendy, sentindo-se culpada por largá-lo num asilo, acompanha o périplo. Sob a neve de dezembro em Buffalo os dois irmãos, com o pai a tiracolo, começam a lavar a roupa suja de uma vida inteira. Um detalhe não deve passar despercebido, porém, no final do filme. É quando Jon, lecionando na faculdade, começa a falar sobre Brecht - a cena corta justamente na hora em que uma aluna o perguntava sobre a divisão que o dramaturgo alemão faz entre ação e narrativa. Essa divisão não só é central à teoria do teatro moderno brechtiana como também ao cinema minimalista a que a diretora Tamara Jenkins, esbanjando interdisciplinaridade, expõe aos olhos mais atentos.
 

sábado, 25 de abril de 2015

2585 - TOOTSIE

TOOTSIE (USA, 1982) – Bem no clima da emancipação feminina, que começou nos anos 70 e se consolidou na década seguinte, TOOTSIE é uma daquelas produções que fogem do óbvio, embora com alguns defeitos de roteiro. Já sabemos que, na história, Dustin Hoffman se veste de mulher para provar que pode conseguir um emprego como ator numa daquelas novelas cafonas de TV. Acaba se apaixonando pela estrela da emissora (Jessica Lange, numa atuação muito ruim) e despertando a paixão no pai dela e no veterano ator com que contracena. O ponto alto do filme são as cenas de Hoffman e Sidney Pollack, que também se encarrega da direção. Se Pollack prova que foi, de fato, um ótimo ator que não se dedicou à carreira, fica claro, contudo, que, apesar do sucesso do filme (mérito de Hoffman, quase que exclusivamente), ele se perdeu na condução da história. Ainda temos Bill Murray, excelente, como de costume. Só para esclarecer: "tootsie" é uma gíria para mulher jovem, que também pode ser estendida para "prostituta", sentidos que não aparecem no personagem principal.

terça-feira, 21 de abril de 2015

2584 - NÃO PARE NA PISTA

  (Brasil, 2014) - Dividido em três partes, o filme traz a adolescência conturbada de Paulo Coelho, marcada por internações, terapia com eletrochoque e o desabrochar da veia artística; a vida adulta, que mostra aos espectadores o uso de drogas, inúmeros casos amorosos e a amizade com Raul Seixas; e o tempo presente, em que ele faz uma cirurgia cardíaca, é reconhecido em estações de trens fora do Brasil e tenta manter uma rebeldia juvenil, tomando atitudes inesperadas e constantemente mudando de planos. O roteiro irregular, além de algumas atuações bem abaixo de qualquer crítica, compromete qualquer entendimento mais profundo da vida do personagem. É supreendente a presença, no elenco, da bela espanhola Paz Vega.


2583 - SIN CITY, A DAMA FATAL



   SIN CITY, A DAMA FATAL (SIN CITY, A LADY TO KILL FOR, USA 2014) – Depois de ver o filme de novo, fiquei com a impressão de que esta sequência é bem satisfatória, tecnicamente realizada com incrível fidelidade aos quadrinhos nos quais é baseada. Assim como no primeiro filme, há muito sangue, violência, aquelas vozes soturnas narrando em off, mulheres nuas e canos fumegantes de armas, tudo dentro do figurino do filme noir. No entanto, nesta edição, há um elemento que faz toda a diferença, quando cotejamos os dois filmes: Eva Green. É impressionante a sua presença em cena, não bastassem os olhos e o corpo capaz de provocar convulsões cardíacas. Ela é, de fato, muito boa atriz, e tem aquele algo mais que, em priscas eras, se chamou de apanágio das divas da sétima arte. O clima onírico perpassa toda a história e parece hipnotizar o espectador. Claro, Jessica Alba também contribui para que não desgrudemos os olhos das cenas em que ela dança em trajes de couro. Ah, e Rosario Dawson, evidentemente.


domingo, 19 de abril de 2015

2582 - O PRIMEIRO DIA DE UM ANO QUALQUER


O PRIMEIRO DIA DE UM ANO QUALQUER (BRASIL, 2012) - Mais uma vez, D.O. faz uma DR com as próprias memórias, se cerca de amigos para contar tramas e traumas contemporâneos com o a comicidade e sarcasmo que lhe são característicos, num quase diário oficial de sua rotina. Desenvolvido ao longo de um único dia, o primeiro do ano mencionado no título, o filme se debruça sobre uma série de personagens caricatos indignados com questões supostamente existencialistas e de origem romântica. Numa casa de campo nos arredores do Rio de Janeiro, tipos distintos dividem suas crises enquanto celebram o feriado. Ligados por problemas em comum, como suas próprias limitações, expectativas frustradas e a dificuldade em manter seus relacionamentos equilibrados, dividem suas frustrações enquanto discorrem sobre tudo e o nada. Pode-se nota um certo ranço obtuso num discurso machista e burguês que, sem cerimônia, flerta abertamente com a banalidade. Maitê Proença, que também assina a direção de arte, não está bem no papel, assim como os outros atores do elenco. O que mais chama a atenção é a participação meio lúdica de Ney Matogrosso.

2581 - 8 MM


8 MM (USA 1999) – Apesar de Nicolas Cage vir sofrendo críticas em relação aos seus últimos filmes (muitas realmente justas), acho-o ótimo em cena, mesmo quando está aquém do coeficiente mínimo de canastrice, como é o caso deste filme, onde ele faz um detetive particular investigando a suposta morte de uma adolescente que aparece num filme erótico sadomasoquista. A premissa não é lá muito original, mas o ar meio “aloof” de Cage e a direção segura de Joel Shumacker acabam inspirando o interesse do espectador. Joaquin Phoenix e o saudoso James Gandolfini no elenco.