segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

2755 - DOC HOLLYWOOD

DOC HOLLYWOOD (USA, 1991) Esta pequena obra-prima traz Michael J. Fox no papel de um médico que, a caminho de Los Angeles, se vê emocionalmente envolvido com uma pequena comunidade do interior dos EUA, onde ele acaba se encontrando com seu verdadeiro ser. É uma daquelas comédias que tiveram seu ápice nos anos 80 e que se tornaram inesquecíveis. Fox havia sido diagnosticado com Parkinson um pouco antes da filmagem, o que, sob a ótica de hoje, torna o filme um pouco dramático. De fato, DOC HOLLYWOOD marca, de certa forma, o fim de uma era de um tipo de filme que não precisava apelar para a baixaria para ter sucesso.

sábado, 30 de janeiro de 2016

2754 - OS BELOS DIAS

OS BELOS DIAS (LE BEAUX JOURS, França, 2013) Uma dentista aposentada (Fanny Ardant) se matricula numa aula de informática e se apaixona pelo instrutor, bem mais jovem do que ela, que é casada e se sente desprezada pelo marido e pela família. Com uma fotografia excepcional, o filme vai desenvolvendo o roteiro meio previsível, mas a atuação segura e intensa de Fanny Ardant ajuda a manter o interesse até o fim. É uma boa reflexão sobre os conflitos que a velhice pode gerar quando os laços familiares foram gradativamente esquecidos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

2753 - INTERESTELAR

INTERESTELAR (INTERSTELLAR, USA/ENGLAND 2014) O filme é uma obra-prima visual do anglo-americano Christopher Nolan, o mesmo que reimaginou a trajetória de Batman, com a trilogia O CAVALEIRO DAS TREVAS, em escala operística, rompendo a barreira fenomenológica discutida por Husserl e seu método de investigação permanente, e criando filme de perspectiva profundamente niilista. Neste sentido, INTERESTELAR é um quadro sinóptico de uma pletora de opostos, desde as cenas iniciais, num cenário totalmente rural e agrícola, até às imensidões inexploradas do universo, como uma metáfora para a função do buraco negro “wormhole” – um “furo” no universo que ligaria dois pontos linearmente distantes entre si, permintindo viajar em velocidade superior à da luz. É exatamente aí que se desenrola o roteiro bem original: com os recursos esgotados na Terra, uma missão a planetas numa outra galáxia se torna essencial e isso só é possível em função da travessia por um desses buracos negros. Filhote direto do magistral 2001 – UMA ODISSEIA NO ESPAÇO, de Kubrick, o filme de Nolan, na sua imperfeição, é muitas vezes magnífico, especialmente quando se propõe a discutir a natureza do tempo e seus efeitos físicos e psicológicos no ser humano. Atuação de primeira grandeza de Matthew McConaughey, sempre com um trabalho com uma austeridade dramática que emociona e convence em todos os sentidos. A trilha sonora, do grande Hans Zimmer, é épica, impressionista e capaz de envolver o espectador desde o primeiro acorde. Assim, imagem e som se fundem num concerto de ideias e emoções que torna o cinema de Chris Nolan algo que deve ser degustado por quem sabe sentir o sabor que as coisas, desse mundo e dos outros, realmente devem ter.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

2752 - CHAMAS DA VINGANÇA

CHAMAS DA VINGANÇA (MAN ON FIRE, USA 2004) Passada na cidade do México, a história tem Denzel Washington como um ex-agente que, relutantemente, arranja um emprego como guarda-costas da filha (Dakota Fanning) de um industrial, que é sequestrada sob sua proteção. Ele, então, passa a caçar os culpados e eliminá-los. Curiosamente, a montagem rápida e moderna que segue o padrão publicitário, além do cenário desolado e suburbano da Cidade do México lembra muito a estética filmográfica de Cidade de Deus. Fica evidente que a visão americana do contexto social da América Latina: um lugar feio, sujo, pobre, perigoso, cheio de prostitutas, drogas e bandidos, todas características básicas do subdesenvolvimento. Denzel é, de fato, um astro de primeira grandeza, e consegue colocar o filme acima dos estereótipos sublinhados pelo diretor Tony Scott.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

2751 - SHAFT

SHAFT (USA, 2000) – A retomada do célebre personagem vivido na década de 70 por Richard Roundtree funcionou muito bem neste filme estrelado por Samuel L. Jackson. Logo na primeria sequência espetacular, ele contracena com Christian Bale, visceral como sempre, e dá o tom do filme – Shaft (Jackson) tenta, de todas as maneiras colocar um playbozinho arrogante (Bale) na cadeia, depois de este ter agredido e matado um rapaz negro num bar. Muito atual, a temática do preconceito racial é bem explorada pelo diretor John Singleton.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

2750 - CHAPPIE

CHAPPIE (USA, 2015) – De certa forma, a estética do diretor sul-africano Neill Blomkamp vai se impondo nesta série de filmes, começando com o ótimo DISTRITO 9 e o irregular ELYSIUM, com histórias ambientadas nos arredores de Johanesburgo, sempre com uma leitura social crítica e contundente. Em termos técnicos, CHAPPIE é perfeito – o robozinho dotado de consciência é adorável, e sua adaptação ao mundo-cão da cidade é mostrada com sensibilidade e extremo realismo. Ótima atuação também de Dev Patel, o protagonista do QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO? Só não entendi bem a escalação de Hugh Jackman como um cientista invejoso, meio Salieri, que vai enlouquecendo com o desenrolar do roteiro. O papel é muito limitado para ele. O filme teve muitas críticas negativas, mas eu o achei simpático e comovente, até porque eu adoro histórias com robôs.

sábado, 16 de janeiro de 2016

2749 - ROUBANDO VIDAS

ROUBANDO VIDAS (TAKING LIVES, USA 2004) Angelina Jolie é uma agente do FBI convocada pela polícia canadense para investigar um assassino que vem assumindo a identidade de suas vítimas. É um thriller policial mediano, sem muita originalidade, cujo roteiro acaba por dar algumas dicas involuntárias. Angelina se repete numa atuação sem muitas nuances, parecendo estar, na maioria das vezes, entediada com o que está fazendo. A sequência final é um pouco forçada, meio desconectada do ritmo da história até então.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

2748 - EXPRESSO DO AMANHÃ

EXPRESSO DO AMANHÃ (SNOWPIERCER, USA, KOREA, 2013) – No alucinatório e claustrofóbico filme do sul-coreano Joon-ho Bong, um trem em constante movimento procura preservar o que restou da humanidade em todas as suas infinitas desigualdades, após a Terra ter sido esterilizada por uma glaciação. O trem é uma boa metáfora para um mundo marcado mais por suas diferenças do que por suas igualdades – os pobres e oprimidos se espremem nos últimos vagões, enquanto os líderes do regime despóticos ocupam espaços mais generosos, com comida abundante e conforto, nas composições dianteiras, mais próximas da locomotiva. Uma boa surpresa é a atuação de Chris Evans, mostrando que é um ator de bons recursos dramáticos, coisa que não aparece muito quando ele assume a persona do Capitão América. Minha única crítica vai para uma produção de arte um tanto acanhada, com CGIs meio forçados, em descompasso com a proposta original e instigante: num mundo exterior destruído, de que valeria uma sublevação em um tubo de metal com mais de 1000 partes, se não há praças a ocupar e ruas pelas quais marchar?  

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

2747 - NOVEMBER MAN: UM ESPIÃO NUNCA MORRE

NOVEMBER MAN: UM ESPIÃO NUNCA MORRE (THE NOVEMBER MAN, USA, UK, 2014) – A espichada no título em português, certamente para pegar carona em um dos filmes que Pierce Brosnan estrelou como 007, era desnecessária: o filme é mesmo uma espécie de retorno (do herói), no caso um agente nem tão secreto assim, depois da aposentadoria. É isso o que acontece com Peter Devereaux, um ex-agente da CIA, que tem que voltar à ativa para resolver uma trama que tem a ver com seu passado. Brosnan, como sempre, entrega o que promete, numa atuação entre o cinismo e a amargura, mais ou menos como seu James Bond dos últimos filmes. Olga Kurylenko, bela e sexy, enfeita a trama com mais talento do que se espera.   

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

2746 - GRANDES OLHOS

GRANDES OLHOS (BIG EYES, USA 2014) O filme escorrega em uma ligeireza meio didática, que nos remete a um telefilme, com o recurso burocrático de contar em textos o que ocorreu com os personagens após o final. Em poucos momentos o longa envereda pelo surrealismo pop que é a marca de seu diretor, o maravilhoso Tim Burton, e se caracteriza por uma inesperada sobriedade. Margareth Keane (Amy Adams, excelente), recém-separada, em São Francisco, é abordada por um aspirante a artista Walter Keane (Christoph Waltz, sensacional), que a seduziu, casou com ela e a obrigou a pintar quadros kitsch que fizeram imenso sucesso nos anos 60. Walter, sem qualquer escrúpulo, a fez endossar a farsa de que era ele o autor das obras. O enredo, baseado em fatos reais, é o veículo perfeito para o jeitão meio cara de pau de Waltz – ele faz à perfeição o picareta bon-vivant, capaz de tudo para se dar bem. Há uma boa discussão sobre a farsa no mundo das artes plásticas, junto com as manipulações do mercado para satisfazer o desejo coletivo de consumir arte. É mais ou menos o que Umberto Eco chama de “mentira estética”, uma obra que se vende como arte, mas que é na verdade apenas um cardápio que informa ao consumidor o que sentir diante de sua criação. Não dá para não achar que Emma Stone, com seus olhos grandes naturais, seria uma piada pronta dentro do contexto do filme. Mas Burton fez bem em evitar esta armadilha que também seria de consumo fácil e descartável.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

2745 - O COLECIONADOR DE OSSOS

O COLECIONADOR DE OSSOS (THE BONE COLLECTOR, USA 1999) Denzel Washington é um ex-policial tetraplégico que busca a eutanásia, quando tem seu interesse despertado por uma série de crimes que parecem transmitir uma mensagem a ser decifrada. Com a ajuda de uma oficial (Angelina Jolie, belíssima), ele tenta desvendar as pistas do assassino. O ritmo é meio lento, mas o roteiro é eficiente e, claro, é um prazer ver como um ator talentosíssimo, como Denzel Washington, num papel difícil, mostrar o que é atuar no cinema.   

2744 - DÍVIDA DE SANGUE

DÍVIDA DE SANGUE (BLOOD WORK, USA 2002) – Este ainda é um dos filmes de que mais gosto de Clint Eastwood, em que ele aborda com serenidade e consciência os efeitos da velhice e a busca por um objetivo que dê sentido à vida. Na história, ele é Terry McKaleb, um agente do FBI aposentado e com um coração recém-transplantado, que é procurado pela irmã da doadora. A partir daí, sua vida assume uma nova perspectiva, pois ele começa uma investigação para descobrir quem matou a pessoa que lhe doou o coração e por quê. Um dos aspectos do filme que mais me chamam a atenção é o fato de ele morar num barco, em uma marina linda. A única falha do roteiro, a meu ver, é a escalação de Jeff Daniels num papel aparentemente sem importância para um ator de sua qualidade, o que nos leva inexoravelmente a um spoiler.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

2743 - STAR WARS - O DESPERTAR DA FORÇA

STAR WARS, O DESPERTAR DA FORÇA (STAR WARS, THE FORCE AWAKENS, USA 2015) Objeto de paixão e devoção, o novo STAR WARS espalhou pelo mundo inteiro – e por algumas galáxias também – uma emoção que recompensa o apego e a dedicação que lhe são largamente dedicados. Ao fim da exibição, entende-se por que tanta confiança foi depositada no diretor J.J. Abrams: o filme emociona do princípio ao fim, costurando com habilidade os universos distantes com o atual ,e os personagens da primeira trilogia com a nova geração que fazem seu debut neste episódio VII. Sempre redimensionando as diferenças dramáticas das locações e dos personagens, o filme não se limita a uma passagem para uma galáxia distante, muito tempo atrás – STAR WARS se propõe sobretudo do drama bem mais próximo e familiar da experiência humana, projetando-o numa galáxia devorada por uma guerra civil que nunca termina e que empurra seus personagens para cada um de seus lados, a Primeira Ordem, o Estado fascista que se ergueu a partir dos escombros do Império, ou o lado bom da Força, que a Resistência quer restaurar, e no qual Gabriel e eu estávamos quando, boquiabertos, vislumbramos a primeira cena, na qual as dunas de Jakku revelam sua imensidão verdadeira ao lado das carcaças das naves gigantescas que restaram ali de alguma batalha. Logo em seguida surge Rey, uma jovem solitária que vive de catar e vender sucata espacial, vivida com impressionante força dramática pela inglesa Daisy Ridley. Há, no filme, doses certas de drama, aventura, romance e humor, tudo misturado numa profusão de emoções que fazem o novo STAR WARS ser mais que um ótimo filme para se tornar uma experiência tão prazerosa e eletrizante – de fato não dá para conter as lágrimas em vários momentos. E quem poderia imaginar que seria possível criar um androide mais legal do que o R2D2? Pois bem, o que é difícil mesmo é imaginar algo mais gracioso que o redondinho BB-8, que acompanha a heroína Rey. Claro que há muito mais para falar sobre o filme, mas um adjetivo resume tudo: maravilhoso. Sim, Abrams dá um reboot no roteiro de UMA NOVA ESPERANÇA, o episódio VI, mas de uma forma inesperadamente inteligente e sedutora. Há aspectos a serem melhorados para os episódios VII e IX? Sim, há-os, mas não se pode negar que O DESPERTAR DA FORÇA é magnífico na sua concepção e realização, indo totalmente ao encontro dos anseios de fãs de todos os mundos, pois parece mesmo ser essencial encontrar Luke e ver como Rey vai liderar os esforços para um universo melhor, e acordo com os ganchos que no roteiro deixa para as próximas continuações. Esta é uma história que ainda vai longe, muito longe.

2742 - REI ARTHUR

REI ARTHUR (KING ARTHUR, USA, UK, 2004) O filme conta uma história fictícia baseada em dados arqueológicos de que a lenda do Rei Arthur teria se originado em uma pessoa real, um comandante romano de nome Artur. Mistura as evidências históricas com elementos das lendas arturianas. O excelente Colin Owen faz o personagem-título, e Ioan Gruffudd, da ótima série FOREVER, é Lancelot. Keira Knightley faz uma Guinevere guerreira e está linda, como sempre. 
 

2741 - ALEXANDRE E O DIA TERRÍVEL...

ALEXANDRE E O DIA TERRÍVEL, HORRÍVEL. ESPANTOSO E HORROROSO (USA, 2014) – Comédia com Steve Carell e Jennifer Garner, sem grandes momentos para registrar. O título quilométrico já dá uma dica do que pode ser um roteiro meio nonsense, com aquelas histórias que giram em torno de famílias disfuncionais, coisa que o cinema americano médio adora.

2740 - JESUS CRISTO, EU ESTOU AQUI

JESUS CRISTO, EU ESTOU AQUI (BRASIL, 1970) – O que há de notável aqui é a música de Roberto Carlos num filme ruim, com Zé Trindade e Costinha, e com locações em Friburgo. O roteiro é baseado na peça de teatro "Zefa entre os homens" de Henrique Pongetti. As filmagens foram em Magé e Nova Friburgo, apesar de a história trazer temas típicos da Região Nordeste do Brasil, como a seca, a religiosidade popular e a política dos coronéis.

2739 - REFÚGIO DO MEDO

REFÚGIO DO MEDO (USA, 2014) – Versão de A Mansão da Loucura (1973), com um bom elenco: Kate Beckinsale, Ben Kingsley e Michael Caine. Evidentemente que a atração maior é a presença de Kate, linda como sempre. Não há muita ação, mas o ritmo lento ajuda a construir o suspense eficiente do roteiro. Baseado num conto de Edgard Allan Poe.

domingo, 27 de dezembro de 2015

2738 - MEIA HORA E AS MANCHETES QUE VIRAM MANCHETE

MEIA HORA E AS MANCHETES QUE VIRAM MANCHETE (BRASIL, 2014) – Documentário sobre a criação do jornal Meia Hora, resposta de O Dia à entrada do Extra no mercado jornalístico, no fim dos anos 90. O que é mais curioso de ver é forma como seus editores procuram justificar suas linhas editoriais, sempre calcadas no sensacionalismo sangrento e na total indiferença ao que pode ser ético na veiculação da informação para um público menos elitizado. Esse aspecto é amenizado com os depoimentos de Muniz Sodré, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Sylvia Debossan Moretzsohn, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF). Sylvia destaca o aspecto do sensacionalismo no estilo “sangue-sexo-futebol” (semelhante ao “pão e circo” da antiga Roma) que gera manchetes ditas preconceituosas, machistas e homofóbicas. Já Muniz destaca o jornal como diversão e entretenimento visto que é, segundo suas palavras, um “meio-jornal” (devido ao formato tabloide) com as notícias de sangue que faz o gosto dos leitores. Muniz, como sempre, faz uma exposição brilhante.

2737 - GENTE COMO A GENTE

GENTE COMO A GENTE (ORDINARY PEOPLE, USA 1980) – Robert Redford, na sua estreia como diretor, ganhou o Oscar com este drama familiar estrelado por Mary Tyler Moore, Donald Sutherland e Timothy Hutton. Minha maior curiosidade era ver MTM neste papel pesado, depois de ela ter tido seu ápice na TV, com a série que levava seu nome. E ela realmente surpreende, com uma atuação contida e perfeita, como a mãe em eterno luto pela morte de seu primogênito, ao mesmo tempo que rejeita o filho mais novo (Hutton). Donald Sutherland também brilha como o vértice sofridamente mais silencioso e mostra que é um ator excepcional. Hutton, também no seu debut, ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, com toda justiça. É um filme sem leveza, mas realizado com talento de sobra, da direção ao elenco.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

2736 - A TEORIA DE TUDO

A TEORIA DE TUDO (THE THEORY OF EVERYTHING, ENGLAND 2014) – Torci muito para que Michael Keaton ganhasse o Oscar de Melhor Ator este ano, mas devo dizer que, de fato, a atuação de Eddie Redmayne como Stephen Hawking excedeu todas as expectativas e, realmente, ele mereceu o Oscar. Interpretar uma personalidade cujo brilhantismo excede qualquer parâmetro é mais que um desafio dramático para um ator – a inteligência, no seu estado simples e puro, não é algo que se possa emular, sem correr o risco de cair em estereótipos de fácil absorção. Há uma cena em que Redmayne mostra que é realmente um grande ator e que entendeu a natureza particular de seu personagem: o brilho no seu olhar, quando ele chega ao título de seu livro – Uma Breve História do Tempo – diz mais sobre a agudeza e profundidade de Hawking que qualquer outra sequência do longa que consagra tanto Redmayne quanto Felicity Jones, que faz Jane, sua esposa por 26 anos, cuja dedicação dá ao amor o sentido sempiterno que talvez Hawking tenha tentado alcançar no universo físico.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

2735 - OS MERCENÁRIOS 3

OS MERCENÁRIOS 3 (THE EXPENDABLES 3, USA 2014) – Arrisquei dar uma olhada neste filme por causa da presença de astros importantes do cinema, como Harrison Ford, Mel Gibson, Kelsey Grammer e Antonio Banderas. O que estes atores renomados estariam fazendo numa história de tiros e pancadaria, bem ao estilo dos outros do elenco, Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e Jason Statham? Não consegui descobri. O filme é ruim, até mesmo no que poderia ter de melhor: as cenas de ação. No entanto, a presença de Ronda Rousey acaba sendo a melhor desculpa para perder duas horas de vida diante da TV.

2734 - UMA NOITE NO MUSEU 3

UMA NOITE NO MUSEU 3: O SEGREDO DA TUMBA (NIGHT AT THE MUSEUM: SECRET OF THE TUMB, USA 2014) – Apesar de gostar muito de Ben Stiller, a série nunca foi das minhas favoritas. Acho a linha narrativa chata, repetitiva e, o que é fatal numa comédia, sem graça. O filme tem sua importância por ser a última aparição de Robin Williams e de Mickey Rooney. Os efeitos são razoáveis, mas acabam saturando a história.

2733 - UM RETRATO DE MULHER

UM RETRATO DE MULHER (THE WOMAN IN THE WINDOW, USA 1944) – O diretor Fritz Lang colocou Edward G. Robinson como um professor que se encanta pelo retrato de uma mulher, numa vitrine. Ao conhecê-la, ela vai se enredando numa trama que envolve assassinato e chantagem, conforme o cânon dos filmes noir. O ritmo é intenso, e a atuação contida de Robinson ajuda manter o interesse até o desfecho meio desconexo com o restante da história.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

2732 - O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?

O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? (BRASIL, 1997) – Depois de tanto tempo, é curioso ver atores que se consagraram na comédia fazendo um drama político – o filme é sobre o sequestro do embaixador dos EUA, em plena ditadura militar – como: Luiz Fernando Guimarães, Fernanda Torres e Pedro Cardoso. Também não lembrava de Lulu Santos fazendo um sargento do exército. Alan Arkin faz o papel de Charles Elbrick. A reconstituição de época é razoável, embora a modernidade dos anos 90 apareça aqui e ali, quando se tem uma panorâmica do Rio de Janeiro. O filme de Bruno Barreto trata de um importante episódio da história brasileira, com honestidade e acurácia.  

2731 - A ESTRADA

ESTRADA (THE ROAD, 2009) – Mais uma vez, um futuro distópico, a Terra semidestruída, salteadores atrás do que ainda sobrou depois de uma provável hecatombe. Mas, no elenco, tinha Charlize Theron, e isso vale uma olhada. Na realidade, eu já tinha começado a assistir ao filme há algum tempo, mas, por algum motivo, não fui em frente. Desta vez, valeu a pena. Apesar de um roteiro nada original, a história de Viggo Mortensen e de seu filho vagando num lugar árido, tendo como sonho chegar ao mar, é mesmo muito emocionante. O desfecho faz chorar, vou logo avisando. Charlize aparece pouco, o que é lamentável, mas açula as nossas esperanças, caso o mundo esteja em vias de acabar.  


2730 - ANTES DE DORMIR

ANTES DE DORMIR (BEFORE I GO TO SLEEP, USA 2014) O que me chamou a atenção para este filme é a presença de Colin Firth, bem colocado na minha lista de favoritos. Já de Nicole Kidman eu não posso dizer o mesmo. Ela é fraca como atriz e, agora, colocou Botox nos lábios, o que lhe deu um certo ar de Barbosa, da anciã TV Pirata. Ela faz o papel de uma mulher que sofreu um acidente e perde a memória todos os dias, logo após acordar (premissa de COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ, de 2004). O roteiro trilha um caminho bem óbvio: se ela não se lembra de nada, quem é o mocinho e quem é o vilão desta história. Colin Firth tem um personagem apagado e inane - devia estar precisando de um troco quando aceitou trabalhar nesta furada. Tudo muito chato e até previsível. Se possível, durma ao invés de assistir.  

2729 - RATATOUILLE

RATATOUILLE (USA, 2007) – Paris. Remy (Patton Oswalt) é um rato que sonha se tornar um grande chef. Só que sua família é contra a ideia, além do fato de que, por ser um rato, ele sempre é expulso das cozinhas que visita. Um dia, enquanto estava nos esgotos, ele fica bem em baixo do famoso restaurante de seu herói culinário, Auguste Gusteau (Brad Garrett). Ele decide visitar a cozinha do lugar e lá conhece Linguini (Lou Romano), um atrapalhado ajudante que não sabe cozinhar e precisa manter o emprego a qualquer custo. Remy e Linguini realizam uma parceria, em que Remy fica escondido sob o chapéu de Linguini e indica o que ele deve fazer ao cozinhar. O filme é tão saboroso quanto os pratos que Remy ensina a Linguini. Vale cada garfada.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

2728 - NOCAUTE

NOCAUTE (SOUTHPAW, USA 2015) – Jake Gyllenhaal é Billy Hope, boxeador da categoria meio-pesado que, emocionalmente, nunca superou a infância e a juventude passadas num orfanato. Billy é um campeão, milionário, mas, por dentro, continua órfão, inseguro e infantilizado. Sua única paz está no amor de sua mulher (Rachel McAdams, linda, como sempre) e de sua filha. A partir deste cenário, o diretor Antoine Fuqua constrói aquilo que vai ser o momento de declínio do protagonista, a partir de uma resposta passional a uma ofensa de um rival latino arrogante (sim, o estereótipo também é arrogante). É sempre uma tarefa difícil fugir da metáfora do boxe como conflito entre a agressividade e a obstinação, entre o sentimento de inferioridade e a afirmação pessoal – muitos filmes do gênero já se dedicaram a esmiuçar este universo que, não raro, inspira uma imediata simpatia com o protagonista – é só lembrar de TOURO INDOMÁVEL, O CAMPEÃO e MENINA DE OURO. De qualquer forma, é impressionante a maneira como Gyllenhaal, tanto física quanto psicológica, expressa a fúria e o medo do personagem. O filme, em todo o seu esplendor, é unicamente dele, pois a direção dura de Fuqua é pesada e sem as nuances necessárias para emoldurar a grande atuação do seu ator principal.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

2727 - O JUIZ

O JUIZ (THE JUDGE, USA 2014) – Este grande filme reúne dois fundamentos hollywoodianos reconhecíveis em todo mundo: a trama de tribunal e o resgate das relações de pais e filhos. Feito para ser veículo de um astro que está em grande fase – Robert Downey Jr., atualmente o ator mais bem pago do cinema americano – ele não decepciona como Hank Palmer, um advogado-vedete de Chicago que, com a morte da mãe, vai à sua cidade natal para se reencontrar com o pai (Robert Duvall, excepcional), com quem nunca se deu bem. Neste trajeto, ele reencontra um antigo amor (Vera Farmiga, linda, como sempre) e tem que defender, no tribunal, o pai, agora acusado de ter matado um marginal. O filme é muito emocionante e, claro, tem em Robert Downey Jr e em Duvall seu grande destaque, principalmente quando contracenam. Em alguns momentos o Tony Stark se sobressai na atuação de Downey Jr., mas isso em nada desmerece o seu trabalho.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

2726 - LIVRE

LIVRE (WILD, USA 2014) – Com a dissolução do seu casamento e com a morte prematura da mãe, Cheryl Strayed (Reese Witherspoon) perdeu toda a esperança na vida e em si mesma. A fim de se encontrar consigo mesma, ela decide fazer, sozinha, uma trilha de mais de mil milhas, da Califórnia ao estado de Washington. Ao longo de quatro anos de desintegração e luto caótico, Cheryl largou os estudos, viciou-se em heroína, transou com qualquer um em qualquer lugar, destruiu sistematicamente seu bom casamento, até que, atônita com o ponto a que chegara, decidiu que iria sair andando e que não pararia até se transformar na mulher que sua mãe acreditava que ela fosse. A metáfora do filme é o reaprendizado do essencial: como manter-se viva e inteira pelos próprios meios. Claro que o destaque é mesmo Reese Witherspoon, que já tinha a minha admiração desde o primoroso JOHNNY & JUNE. Um grande filme e uma excelente atriz.