quarta-feira, 7 de novembro de 2007

168 - JORNADA NAS ESTRELAS, O FILME


jornada nas estrelas, o filme (star trek, the motion picture, usa 1989) – o filme, infelizmente, ficou datado em alguma data estelar do século passado. É legal ver a Enterprise turbinada e reconvocação de Kirk e seus comandados para um test drive na nave depois da lanternagem patrocinada pela confederação. No entanto, a história é fraca e os efeitos muito pobres. Mas, claro, vale para quem é fã da série. Direção de Robert Wise, do clássico The Day the Earth Stood Still, de 1951.

167 - REI DOS REIS


rei dos reis (king of kings, usa 1961) – de Nicholas Ray. Há certos filmes da infância que a gente não esquece e fica atraído por eles a vida inteira. Rei dos Reis se encaixa neste caso. É uma produção tão bem cuidada que não há como não se deixar levar pela narrativa da vida de Cristo pelo simples prazer de ver como foi a produção do roteiro mais conhecido de todos os tempos. Jeffrey Hunter (25 de novembro de 1926 – 27 de maio de 1969) está perfeito como Jesus (apesar do look ianque demais), assim como Hurt Hatfield (O Dorian Gray, de Lewin) convence muito como Pôncio Pilatos. Um detalhe: a dublagem brasileira é excelente. Hunter, que já foi o capitão da Enterprise no piloto de Star Trek, tem o melhor desempenho de sua vida (ainda bem que Richard Burton, a quem o papel foi oferecido, não aceitou). A parte em que Salomé (Brigid Bazlen, 09 de junho de 1944 – 25 de maio de 1989) aparece foi baseada na peça homônima de Oscar Wilde.

166 - ATRAÍDOS PELO DESTINO


atraídos pelo destino (it could happen to you, usa 1994) – de Andrew Bergman. Comédia romântica com Nicolas Cage e Bridget Fonda. Ele, um policial, promete a ela, uma garçonete, uma gorjeta na próxima vez que voltar à lanchonete. Nesse meio tempo, ele ganha 4 milhões de dólares na loteria e decide dar a ela metade do prêmio. Por causa disso, sua esposa (Rosie Perez) decide deixá-lo. Passatempo anódino, sem grandes alcances dramáticos.

165 - CHOCOLATE


chocolate (chocolat, usa 2000) – filme adorável do sueco Lasse Hallström, com Johnny Depp e Juliette Binoche (09 e março de 1964). Vianne (Binoche) e sua filha abrem uma loja de chocolate numa pequena vila na França, no final dos anos 50, e abala as vigas de moralidade dos seus habitantes, com seu jeito saudável de ver a vida e tratar as pessoas. Alfred Molina, ótimo, é o prefeito que persegue Vianne para que ela se mude da cidade; Carrie-Ann Moss é a mãe super-protetora que impede que o filho veja a avó (Judy Dench, memorável) e Johnny Depp, um pirata de rio que se apaixona por Vianne. A história é linda, delicada, inesquecível. Um dos filmes da minha vida.

164 - O GRANDE TRUQUE


o grande truque (the prestige, usa/ inglaterra 2006) – na Londres da virada do século XIX para o XX, dois jovens mágicos concorrem para desvendar os respectivos truques – primeiro movidos pela vingança, já que um atribui a morte de sua mulher ao outro, e depois, pelo simples espírito de rivalidade, que os motiva cada vez mais. A grande sacada do filme, Robério, é a diferença entre o que se vê e o que se pensa ter visto, o que é, no fundo, uma homenagem ao próprio cinema. Hugh Jackman (12 de outubro de 1968, Austrália) e Christian Bale (30 de janeiro de 1974, País de Gales) (sim, Wolverine e Batman!) são os mágicos rivais. Além disso, há ótimas participações de Michael Caine e David Bowie. Imperdível! Um dos melhores filmes dos últimos tempos, principalmente pelo desafio intelectual ao espectador. Ah, sim, e tem ainda Scarlett Johansson.

163 - O CÓDIGO DA VINCI


o código da vinci (da vinci code, usa 2006) – de Ron Howard. Assisti ao filme com certa reserva, mas até que o considerei um bom thriller de suspense. Howard optou por uma narrativa didática para os que não leram o livro de Dan Brown (eu inclusive) e expôs com competência a trama que envolve um segredo milenar: a descendência de Cristo, que teria sido casado com Maria Madalena e deixado filhos. Pressupõe-se, daí, que Maria Madalena teria sido o receptáculo do sangue de Jesus, na forma do filho ou dos filhos que teve com ele. A ausência do cálice (Santo Graal) na Última Ceia pintada por Leonardo confirmaria esse papel de Madalena. O que se sabe sobre a arte da Renascença contradiz essa sugestão: o cálice está ausente também em algumas pinturas italianas anteriores à de Leonardo, já que o costume era enfatizar não a Eucaristia – a partilha do pão e do vinho -, mas o choque dos discípulos perante a afirmação de um deles trairia Jesus. A história, a meu ver, só tem um aspecto consistente: retrata muito bem a força feminina e como a sua figura tem sido temida pela Igreja Cristã. O Código da Vinci pode seduzir alguns leitores por seu verniz de informação histórica, mas esse, segundo consta, não é o forte do autor e nem foi a preocupação de Howard. Crível ou não, tudo bem explicadinho, menos uma coisa: a chapinha no cabelo de Tom Hanks. Não perca tempo com esse filme e reveja O Nome da Rosa, com muito mais pedigree acadêmico.

162 - A CASA DA COLINA


a casa da colina (house on the haunted hill, usa 1999) – terror rasteiro, repetindo os lugares-comuns do gênero. Não há nada de criativo em A Casa da Colina, ainda mais por ser uma refilmagem (preguiçosa) do clássico de 1958, A Casa dos Maus Espíritos, estrelado por Vincent Price. O diretor William Malone faz uma homenagem a Price, dando seu nome ao personagem principal feito pelo ótimo Geoffrey Rush (06 de julho de 1951), um excêntrico magnata que decide comemorar o aniversário da esposa (a bela Famke Janssen, 05 de novembro de 1965) num manicômio que pegou fogo em 1931 e é considerado assombrado. Oferece a cada convidado US$ 1 milhão para passar a noite lá. O restante do elenco é fraquíssimo.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

161 - UM GRANDE GAROTO


um grande garoto (about a boy, inglaterra, 2001) – outro dos meus filmes favoritos. Da escolha da trilha sonora – excelente! – á direção segura dos irmãos Weitz, a dupla por trás do medonho American Pie. Hugh Grant (09 de setembro de 1960) é Will Freeman (o sobrenome é de propósito), um sujeito com quase 40 anos, sem compromisso com o trabalho e muito menos com as mulheres. Vive nababescamente às expensas dos direitos sobre uma canção de Natal composta por seu pai. Sua vida de playboy se resume a namoros de curtíssima duração e ao consumo – roupas, carrões e tudo mais que o mundo capitalista possa oferecer. “Sou o centro do meu mundo mesmo. E daí?”, pergunta Will durante a narração que acompanha todo o filme e que expõe a estrutura psíquica do personagem. O destino o faz encontrar Marcus, um menino de 12 anos, cuja mãe riponga e depressiva (Toni Collete) é sua preocupação constante. Ao se aproximar de Marcus, Will vislumbra um novo sentido na sua vida. Filme maravilhoso! Este filme marcou, de certa forma, o amadurecimento (coincidência?) de Grant como ator – menos “britânico” e com um irrepreensível timing para comédia, ele faz de Will um personagem inesquecível, justamente por trabalhar nos extremos da escala. Will não é um canalha completo, como gostaria; mas também não é o herói, apenas um cara legal, como qualquer pessoa pode ser. Grant está memorável como londrino rico que se deixa comover por um menino incompreendido. Veja sem medo Um Grande Garoto - uma jóia da comédia britânica, pode-se dizer.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

160 - TRATAMENTO DE CHOQUE


tratamento de choque (anger management, usa 2003) – um dos filmes mais engraçados dos últimos tempos, principalmente por causa da atuação estupenda de Jack Nicholson como médico que trata David Buznik (Adam Sandler, 09 de setembro de 1966) de uma suposta síndrome de raiva. O roteiro é bem costurado e leva o personagem de Sandler numa viagem meio kafkiana, na qual ele é permanentemente levado ao banco dos réus sem razão aparente. Mas tudo funciona a partir do Dr. Rydell que só um grandíssimo ator como Nicholson seria capaz de fazer. Veja e ria. A bela Marisa Tomei (04 de dezembro de 1964) é a namorada de Buznick. Há uma participação hilariante de Woody Harrelson (23 de julho de 1961) como um travesti, e o talentoso John Turturro (28 de fevereiro de 1957) confirma a regra de sempre fazer papéis marcantes. Atenção para um cameo de John McEnroe como um dos pacientes que não podem conter a sua raiva.

159 - VOLVER


volver (volver, espanha 2006) – Pedro Almodóvar, como é costume em seus filmes, exalta a mulher poderosa e, no caso, a mulher poderosa espanhola, sintetizada numa tríade que domina a história: Raimunda (Penélope Cruz), sua filha adolescente, Paula (Yohana Cobo), e sua irmã, Soledad (Lola Dueñas). Raimunda e Soledade perderam os pais num incêndio, mas, ao visitarem uma tia, no interior, começam a ter surpresas em relação à mãe. Neste filme, como sói acontecer, os homens não valem nada e apenas servem como contraponto para a saga das mulheres que, ao se verem sozinhas diante do insólito destino, constatam que só podem contar consigo mesmas. Penélope está absolutamente linda.

158 - QUARTO 6


quarto 6 (room6, eua 2006) – suspense misturado com terror sem grandes resultados. Depois de um acidente, Amy (Christine Taylor) vê seu namorado ser levado a um hospital misterioso, onde ela enfrenta perigos característicos de filmes deste gênero. Para esquecer. Direção de Michael Hurst.

domingo, 4 de novembro de 2007

157 - GARRINCHA, ESTRELA SOLITÁRIA


garrincha, estrela solitária (brasil, 2003) – de Milton Alencar. Baseado no livro de Ruy Castro, essa biografia tem pontos altos e baixos. Entre os altos, a atuação de André Gonçalves como Garrincha e, entre os baixos, a de Taís Araújo como Elza Soares, exagerada e sem noção como sempre. A vida dramática do craque, por si só, se presta ao exagero das cores trágicas e o filme cai mesmo nessa cilada, tanto na narrativa em flashback feita pelo próprio Mané (Gonçalves), como nas fracas atuações do elenco de apoio. O cenário é descuidado – veja a reconstituição do desfile de carnaval em que Garrincha foi homenageado. O filme confronta o mito com o homem humilde e ingênuo. Produção muito abaixo do que merecia o jogador.

156 - UM CRIME DE MESTRE


um crime de mestre (fracture, usa 2007) – Matou a mulher e foi ao cinema. Marido (Anthony Hopkins, 31 de dezembro de 1937) atira na mulher adúltera, assina a confissão, dispensa advogado e, cerebralmente, se livra da cadeia, uma vez que cada um de seus passos foi calculado para invalidar o processo. O jovem promotor (Ryan Gosling, 12 de novembro de 1980), que nunca havia perdido um caso, sai determinado a colocar o criminoso atrás das grades. Parece com O Silêncio dos Inocentes? Sim, parece, mas não deixa de ser um passatempo divertido, especialmente se você tiver paciência de checar os finais alternativos que estão no DVD – só assim dá para entender como a história se resolve. A velha máxima hollywoodiana para filmes assim se repete: basta um olhar mais cuidadoso para achar o ponto fraco. Destaque estético para Rosamund Pike (28 de janeiro de 1979), cujo personagem só entra para enfeitar o roteiro.

155 - DRACULA


drácula (dracula, UK 2006) – decente adaptação da BBC para a TV do livro de Stoker. Sem exagerar nos efeitos especiais, o filme só tem um senão: a escolha de Marc Warren para o papel-título. Ele parece não ter entendido as sutilezas que o papel exige. Apesar da importância do personagem, esse erro não compromete muito o resultado final. Destaque para Sophia Myles (18 de março de 1980), no papel de Lucy - na foto aí do lado. Boa fotografia.

154 - O EXORCISTA II, O HEREGE


o exorcista II, o herege (the exorcistt II, the heretic, usa 1997) – certamente, um dos piores filmes jamais feitos, sem nada a ver com o original O Exorcista (1973). É tão ruim que não dá para ser comentado muito a sério. O conjunto de equívocos já começa com a escalação de um Richard Burton (10 de novembro de 1925 – 05 de agosto de 1984) totalmente deslocado do personagem do padre que pretende investigar a morte do Padre Merrin (Max Von Sidow, 10 de abril de 1929, Suécia), durante o exorcismo de Regan (Linda Blair, 22 de janeiro de 1959), no primeiro filme. O roteiro o faz viajar até África, onde, supostamente, vai encontrar o espírito maligno que possuiu a menina. Aliás, nesta seqüência, ela está levando uma vida normal e tem, inclusive, uma das mais inacreditáveis falas de um personagem que já ouvi, quando diz para uma menina autista: “Eu fui possuída por um demônio. Oh, mais tudo bem, ela já foi embora!”. No elenco, a excelente e bela Louise Fletcher (22 de julho de 1934), que já havia brilhado em “O Estranho no Ninho”, e Paul Heinred (10 de janeiro de 1905 – 29 de março de 1992), o Victor Lazlo, de Casablanca (1942), no seu último filme. Digno de estar numa das edições de “Todo mundo em pânico!”, esse O Exorcista II, O herege é uma piada mal contada. Heresia mesmo foi terem realizado essa seqüência, muito mais para uma paródia de baixíssima qualidade.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

153 - 20 MILHÕES DE MILHAS DA TERRA


20 milhões de milhas da terra (20 million mile to earth, usa 1957) - Clássico exemplo dos monster movies, neste caso com uma criatura que, a cada noite, duplica seu tamanho. Ante a queda de uma nave espacial norte-americana na costa da Sicília, um povoado de pescadores se ocupa das visitas inesperadas. Por um lado, o coronel Calder (William Hopper) e outros sobreviventes da missão a Vênus, que terminou em acidente; por outro, uma massa gelatinosa que envolve um pequeno monstro com forma de réptil e corpo de homem. Os meninos crescem e a criatura também: a princípio trancada em um zoológico de Roma, não há grade que depois consiga detê-la e, com mais de 20 metros de atura, é encurralada no alto do Coliseu ( ! ), onde é abatida a tiros, lembrando um pouco a história de King Kong. A concepção e o desenvolvimento são tão inesperados que vale a pena conferir.

152 - BRANDO


brando (brando, usa 2007) - Cenas de arquivo inéditas e uma série de entrevistas com familiares e grandes nomes de Hollywood compõem este rico documentário sobre a vida do ídolo Marlon Brando. A história do astro também é ilustrada por clipes de clássicos como “O Poderoso Chefão”, “Uma Rua Chamada Pecado”, "Sindicato de Ladrões” e “O Selvagem”. Entre as entrevistas, há participações de Bernardo Bertolucci, James Caan, Johnny Depp, Angie Dickinson, Robert Duvall, Jane Fonda, Al Pacino e Martin Scorsese. O documentário ainda aborda o envolvimento de Brando nas questões dos direitos civis, como seu apoio ao Movimento dos Índios Norte-Americanos e à Fundação Black Panthers, e tem participação da atriz Sacheen Littlefeather, que, em 1973, compareceu à cerimônia da Academia vestida de índia para recusar o Oscar dado ao ator por “O Poderoso Chefão”.

151 - PRINCESAS


princesas (princesas, espanha 2005) – de Fernando Leon de Aranoa. Duas prostitutas se tornam amigas em Madrid, depois que descobrem aproximações entre suas vidas. Uma, Caye, é espanhola e esconde da família que trabalha fazendo programas; a outra, Zulema, é estrangeira e tenta ganhar a vida para mandar dinheiro para o filho, na República Dominicana. O filme promete mais no início, mas acaba não rendendo, depois que os personagens caem no estereótipo da “prostituta-de-bom-coração-que-foi-obrigada-a-cair-na-vida”.

150 - A ÚLTIMA ESPERANÇA DA TERRA


a última esperança da terra (omega man, usa 1971) – de Boris Sagal. Robert Neville (Charlton Heston, 04 de outubro de 1924) é um médico que, graças a uma vacina, se torna o único sobrevivente de uma guerra química que matou todo mundo, exceto algumas centenas de pessoas deformadas e fotofóbicas que acreditam que a ciência e a tecnologia foram as responsáveis pela guerra e pelo que aconteceu a eles. Neville passa a ser o alvo de sua vingança. As primeiras cenas são impactantes: mostram Neville dirigindo nas ruas vazias de Los Angeles, à procura de comida, combustível e objetos que possam ser úteis. À noite, ele se refugia dos mutantes, que querem matá-lo. Essa primeira dicotomia do filme – Neville X Mutantes - vai evoluindo até que, sob determinado ângulo, nos damos conta de que Neville passa a ser o verdadeiro mutante. Ele é o único humano que sobrou do mundo como o conhecemos, portanto, um estranho para aquela realidade pós-apocalíptica. Há elementos datados (roupas, arquitetura, automóveis) e certo excesso de diálogos que emperram o desenvolvimento da história, mas esta produção ainda tem força para nos alertar sobre o risco da destruição do planeta. Charlton Heston é um ator perfeito para esse tipo de filme. Seu personagem aqui lembra o Taylor de O Planeta dos Macacos (1968) e o detetive Robert Thorn, de O Mundo de 2020 (1973). A derradeira cena, com Neville meio que “crucificado” na fonte de uma praça, sugere uma abordagem cristã. Nota-se também a presença do blaxpoitation que, no início dos anos 70, representava um gênero de filme cujo alvo era a comunidade negra urbana. Baseado num conto de Richard Matheson, de 1954, que já havia sido adaptado em 1964, com Vincent Price – The Last Man on Earth, daí o titulo Omega Man (ômega é a última letra do alfabeto grego).

149 - TODO MUNDO EM PÂNICO 4


todo mundo em pânico 4 (scary movie 4, usa 2006) – esta série de filmes não acrescenta coisa alguma, mas tem dois pontos que justificam uma espiada: um é tentar identificar as paródias de sucessos do cinema que, aqui, são reduzidas a sketches de gosto duvidoso e que só têm sentido para quem viu os filmes originais. Outro – e o melhor – é ver Leslie Nielsen no papel de presidente americano, especialmente na cena em que ele recebe a notícia de que a Terra está sendo atacada, emulando o episódio em que Bush foi informado dos ataques às Torres Gêmeas. Maravilhoso! No mais, nada que valha a pena. Esse tipo de humor americano nem sempre funciona aqui nos trópicos.

148 - A DAMA NA ÁGUA


a dama na água (lady in the water, usa 2006) – é uma pena, mas M. Night Shyamalan parece mesmo ter perdido o jeito para a coisa, depois de O Sexto Sentido. A Dama na Água é uma história confusa que, para quem a acompanhou até o fim, deixa uma sensação de que, no mínimo, perdeu seu tempo. Nem a presença do talentosíssimo Paul Giamatti (06 de junho de 1967) justifica uma olhada nesta história escrita e dirigida pelo outrora alvissareiro indiano. Sua carreira já desandava com Sinais e A Vila e, agora, se perdeu de vez. O zelador de um condomínio cheio de gente esquisita encontra uma moça (Bryce Dallas Howard, 02 de março de 1981) na piscina na qual ele faz a manutenção. Depois, ele descobre que ela é personagem de uma história de ninar que quer voltar para casa, mas é perseguida por uma misteriosa criatura feita de grama. Difícil, não? Pois é.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

147 - OS ARISTOCRATAS


os aristocratas (the aristocrats, usa 2005) – de Paul Provenza. A premissa é original – Os Aristocratas é um documentário sobre uma piada escatológica contada tradicionalmente entre os comediantes americanos. É também um risco e tanto para descambar para o mau gosto, mas Provenza consegue manter um, digamos, certo nível, enquanto desfila quase 150 atores (alguns famosos como Robin Williams, Jason Alexander, Paul Reiser e Gilbert Gottfried – na foto aí em cima) que parecem mesmo se divertir ao dizer as maiores barbaridades diante da câmera. Cada um dá a sua versão sobre a piada, cujo nome “Os Aristocratas” já é uma brincadeira em relação ao seu conteúdo nada correto politicamente. O que conta é o desenvolvimento da história, não o seu final. Por isso, “Os Aristocratas” é mais uma prova de resistência do que qualquer outra coisa. Vale a pena ver pela originalidade e pela ousadia.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

146 - 12 HORAS ATÉ O AMANHECER


12 horas até o amanhecer (journey to the end of the night, brasil/alemanha/usa, 2006) – eis um filme totalmente inesperado e surpreendente, o que não quer dizer que seja bom. Alguns atores americanos de segunda linha e uma história de sexo e drogas que se passa em São Paulo, à noite, como um pesadelo. Uma pitada de exotismo bem ao gosto do estrangeiro (leia-se americano), prostitutas a granel, mais o clima de bas-fond do terceiro mundo e temos uma produção horrorosa que, agora se entende, passou despercebida à época de seu lançamento. Além do mais, é esquisito mesmo ver atores brasileiros e americanos conversando entre si, cada um em sua língua. Brendan Fraser, que já fez coisas boas como Deuses e Monstros e Crash perdeu a noção. Scott Glen não convence como cafetão da Augusta e dói ver Matheus Nachtergaele, mais uma vez, fazendo um travesti caidaço. Alice Braga tem um papel pequeno. A fotografia é depressiva, condizente com o péssimo roteiro deste filme pretensamente noir, e as atuações são constrangedoras. O diretor Eric Eason, por mim, continuará desconhecido.

sábado, 20 de outubro de 2007

145 - PEARL HARBOR


pearl harbor (pearl harbor, eua 2001) – de fato, é sempre constrangedor assistir a um filme com Ben Affleck (15 de agosto de 1972) no elenco, e Pearl Harbor confirma a regra. Ele, magistralmente, consegue ser ruim o tempo todo, sem nenhum momento que se salve. Na ficha técnica, ficamos sabendo que esta foi a produção que mais bombas usou numa filmagem até então – isso explica Affleck no papel do protagonista Rafe que, junto com seu melhor amigo Danny (Josh Harnett), se torna um grande piloto de caça durante a segunda guerra. Acabam se apaixonando pela bela enfermeira Evelyn (Kate Beckinsale, 23 de julho de 1973, Londres), que se envolve com Rafe na véspera de ele partir para uma missão na Inglaterra. Aí, tudo vira um dramalhão mexicano, até a impressionante seqüência do bombardeio a Pearl Harbor – realmente, um primor de técnica quase sem defeitos. Eu não me lembrava do apuro realista e convincente do ataque japonês aos americanos. De resto, uma visão unilateral mostrando os americanos como os bonzinhos da história, enganados pelos japoneses para, então, serem “covardemente” atacados sem condições de revidar. Esse é o segundo grande defeito de Pearl Harbor (o primeiro, lógico, é Affleck): não fazer uma autocrítica histórica que permitiria uma melhor compreensão do complexo contexto daqueles anos de guerra. Jon Voight (29 de dezembro de 1938) está bem no papel do presidente Roosevelt, embora seja possível ver algumas imperfeições na maquiagem, especialmente nos close-ups. Kate está linda como sempre e é excelente atriz. Josh Harnett (21 de julho de 1978) faz o papel com correção, e Cuba Gooding, Jr. (02 de janeiro de 1968) não surpreende com um papel pequeno, mas marcante. Alec Baldwin está exagerado como o coronel Doolittle. A linda Jennifer Garner (17 de abril de 1972) é uma das enfermeiras que, além de ajudarem os feridos de guerra, estão lá para acharem um marido. Infelizmente, na vida real, acabou se casando com Affleck. Direção de Michael Bay, num filme longo demais que mereceria um roteiro à altura dos ótimos efeitos especiais.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

144 - O CHEIRO DO RALO


o cheiro do ralo (brasil, 2007) – Lourenço (Selton Mello) é dono de uma loja que compra objetos usados de pessoas que passam por dificuldades financeiras, o que o leva a desenvolver um jogo perverso, trocando a frieza pelo prazer de explorar as pessoas. Esse processo é colocado em xeque no momento em que ele se vê obrigado a se relacionar com uma mulher, usando uma moeda que deixou de lado há muito tempo: o afeto. A mulher, no caso, é a belíssima Paula Braun, por cujos atributos calipígios Lourenço se apaixona à princípio. Mas ele só a quer se ela o deixar pagar para ver seu fabuloso derrière. Perturbado pelo cheiro fedorento do ralo que existe na loja, ele passa a ser confrontado pelos personagens que julgava controlar. De início, Lourenço se explica para seus clientes, mas, depois, numa guinada surpreendente, ele como que abraça esse cheiro ruim e passa a sorvê-lo. De tanto corromper seus clientes desesperados, ele próprio se degradou a ponto de só se sentir bem junto ao esgoto. Além disso, crescem nele a paranóia e a sensação de poder. Selton está à vontade para mostrar seu imenso talento num personagem esquisito, egocêntrico, sexista, neurótico e profundamente simpático, pois retrata o lado nebuloso que todos temos com uma naturalidade impressionante. Tudo funciona nesta justificada produção que logo se tornou cult sem esforço algum. Ou melhor, teve esforço sim e com ótimos resultados. Muito bons os extras do DVD.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

143 - DRÁCULA, MORTO MAS FELIZ


drácula, morto, mas feliz (dracula, dead and loving it, usa 1995) – de Mel Brooks. Muito boa paródia de Brooks, com Leslie Nielsen, ótimo como sempre, no papel do Drácula mais engraçado do cinema. Nem mesmo George Hamilton, que estrelou “Amor à primeira mordida”, em 1979, consegue tirar o título de Nielsen. Além disso, Peter MacNicol rouba a cena com um hilariante Reinfield, e Brooks diverte como Van Helsing. As situações e os diálogos foram diretamente tirados do filme original com Lugosi, de 1931.

142 - TROPA DE ELITE


tropa de elite (brasil, 2007) – de José Padilha. Sucesso mais que justificado, Tropa de Elite é mais um típico filme brasileiro. Brasileiro porque, embora tenha lá suas inspirações na SWAT americana, toca na ferida do caos urbano que é a guerrilha carioca do tráfico de drogas. Toca apenas não – fura, maltrata, aperta, arrebenta e mais qualquer outro verbo perfurocortante que exista. A violência urbana é isso que se vê na edição nervosa, mas eficiente, do filme sobre, entre outras coisas, as atividades do BOPE, que reúne os mais malvados heróis do cinema nacional jamais vistos. Tudo sob a ótica, ao mesmo tempo fria e emocionada, do capitão Nascimento - um vulcânico desempenho de Wagner Moura - que se esforça para deixar o batalhão em função da chegada do primeiro filho. Ele precisa decidir quem o substituirá nas incursões mais perigosas às favelas: Neto (Caio Junqueira) ou Matias (André Ramiro, numa ótima estréia como ator). O primeiro é perigosamente impetuoso, e o segundo é inteligente, mas se encontra dividido entre a carreira na polícia e o curso de Direito, onde convive com a classe média consumidora de drogas. Paralelamente a isso, um grupo de jovens trabalha numa ONG na favela no intuito de ajudar as pessoas. A tropa de elite aposta na violência esquece e subverte o lema “tortura nunca mais”, o que, assustadoramente, ganha a platéia, acostumada a reclamar exatamente disso. Vale como cinema polêmico? Vale. Vale como denúncia de que os ricos financiam a indústria da droga? Vale. Vale como exposição da podridão das instituições exemplares como a polícia militar? Vale também. Vale como pedra incômoda no sapato dos otimistas? Vale sim, a ponto de a gente se perguntar como isso tudo se mantém às custas de vidas humanas e não só de inocentes. Agora, vale como motivo de reflexão daqueles que realmente podem mudar esse cenário? Não sei. A ver. Essas questões aparecem quando obras de ficção retratam a realidade, despertando o debate sobre o nexo causal entre a violência e as estruturas subjacentes a ela. O personagem de Moura, o capitão Nascimento, por exemplo, poderia ser enfocado por uma ótica hamletiana: sua angústia reflete, de certo modo, o comportamento dividido do príncipe dinamarquês que dialoga com a caveira (símbolo do BOPE) e se vê diante de atitudes de vingança e de questionamentos de valores. O que permeia o filme, então, mais do que a violência implícita, é o desejo visceral de não ser corrupto. Uma outra linha de pensamento se impõe em função do imenso sucesso popular de Tropa de Elite: é curioso constatar a contradição de o público ter se interessado tanto por esta produção através de um meio ilícito – a cópia ilegal. Ou seja, as pessoas viram um filme que fala do crime, usando um produto do próprio crime organizado - a pirataria. Isso é mais um exemplo de que a sociedade brasileira vive de uma profusão de ilegalismos, também mostrada na história. No fundo, Tropa de Elite é uma discussão sobre a grande tragédia humana, a do descompasso entre a intenção e a realização. Tanto o capitão Nascimento quanto o grupo de jovens ongueiros querem acabar com a iniqüidade e melhorar as condições de vida das pessoas. A verdadeira tragédia está aí: eles não conseguem mudar o mundo e acabam engolidos pelo “monstro” representado pelo sistema que tanto combatem.

sábado, 6 de outubro de 2007

141 - FENÔMENO


fenômeno (phenomenon, usa 1996) – filme simpático com John Travolta (18 de fevereiro de 1954) no papel de um mecânico que vê uma luz no céu e passa a ter uma inteligência fora do comum. As coisas se complicam quando ele, acidentalmente, decifra um secreto código militar e fica sob investigação. No mais, a história ressalta a importância da energia que liga todos os seres – isso fica evidente nas cenas em que aparecem as árvores balançando com o vento e no que o personagem de Travolta diz às crianças sobre dar uma mordida na maçã e fazê-la, assim, ser parte deles. No elenco, Kyra Sedwick (19 de agosto de 1965), Forest Whitaker e Robert Duvall. Na trilha sonora, “Change the World”, com Eric Clapton.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

140 - JACK


jack (jack, eua 1996) – de Francis Ford Coppola. Por causa de um raro distúrbio de crescimento, um garoto de 10 anos vai pela primeira vez à escola com a aparência de 40. Quem seria o ator mais adequado para um papel desses? Se você disse Robin Williams (21 de julho de 1951), acertou. Ele possui o talento raro para mergulhar no universo infantil – já tinha feito isso em Hook – sem resvalar para a pieguice ou a caricatura. Nessa comédia com tons dramáticos (ele é uma criança presa num corpo adulto, correndo contra o tempo), Williams parece mais à vontade do que nunca, tentando fazer amigos na escola e enfrentando as dificuldades que sua aparência provoca nesse processo. Nesse contexto, a pergunta “O que você quer ser quando crescer?”, assume uma perspectiva totalmente nova. Diane Lane (22 de janeiro de 1965) faz a sua mãe, e Jennifer Lopez (24 de julho de 1969) a professora por quem, claro, ele vai ter uma queda. Vale a pena ver, embora seja um filme inesperado para um diretor como Coppola.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

139 - VIOLAÇÃO DE CONDUTA


violação de conduta (basic, usa 2003) – um sargento durão (Samuel L. Jackson, 21 de dezembro de 1948) é assassinado durante um treinamento com soldados numa floresta no Panamá. Um dos soldados, tido como suspeito, é resgatado, mas só admite falar com um Ranger. Então, John Travolta (18 e fevereiro de 1954) se apresenta para ajudar uma oficial encarregada do caso (Connie Nielsen, 03 de julho de 1965, Dinamarca). O problema com o roteiro é que há twists demais, e isso acaba por enfraquecer as boas surpresas da trama. De qualquer forma, Travolta faz o papel com competência, mas Connie Nielsen, mesmo de cabelo curtinho, não convence muito como militar. Melhor vê-la como a Lucilla de Gladiador (2000) ou a Christabella do excelente O Advogado do Diabo (1997).