terça-feira, 28 de dezembro de 2010

987 - FROST VS NIXON


FROST VS NIXON (USA, 2008) - Richard Nixon (Frank Langella, incrível) permaneceu em silêncio por três anos após renunciar à presidência dos Estados Unidos. Em 1977 ele concordou em dar uma entrevista, visando esclarecer pontos obscuros do período em que esteve no governo e usá-la para uma possível volta à política. O entrevistador do programa foi o jovem David Frost (Michael Sheen, perfeito, como também o fora em A Rainha), o que fazia com que Nixon acreditasse que seria fácil dobrá-lo. Entretanto o que ocorreu foi uma grande batalha entre os dois, que resultou em um confronto assistido por 45 milhões de pessoas ao longo de quatro noites. Ron Howard fez uma beleza de filme, que prende a atenção do início ao fim. Langella merecia o Oscar.

986 - INIMIGOS PÚBLICOS


INIMIGOS PÚBLICOS (PUBLIC ENEMIES, USA 2009) - John Dillinger (Johnny Depp, sempre ótimo) era um criminoso audacioso e violento, mas que atraía a opinião pública ao seu favor, principalmente, porque dizia retirar das instituições financeiras o dinheiro que elas roubavam do cidadão. Seus assaltos a bancos e fugas rápidas enlouqueciam a polícia que não tinha condições de enfrentá-lo. Assim, prender o assaltante tornou-se uma obsessão do então burocrata J. Edgar Hoover (Billy Crudup), que disposto a tudo para fortalecer o famoso F.B.I., coloca Dillinger como o inimigo público número um. Para ajudar em sua missão, Hoover contrata o policial Melvin Purvis (Christian Bale) e o deixa igualmente obcecado pela captura do bandido, que se apaixona por Billie Frechetti (Marion Cotillard, com atuação perfeita) e acaba complicando a sua vida.

985 - GAROTA INFERNAL


GAROTA INFERNAL (JENNIFER’S BODY USA 2009)Um filme de terror sexy – pelo menos, é o que dizem os produtores - com um pretenso e equivocado senso de humor, GAROTAINFERNAL conta a história da estudante Jennifer (MEGAN FOX), que mora em uma pequena cidade e é possuída por um demônio da floresta. Ela passa de "a garota diabólica da escola" (aquela que sabe que é a mais bonita), metida e arrogante, ao mal em pessoa. A garota de beleza estonteante se torna uma criatura pálida e doentia, louca por um pedaço de carne; os rapazes que nunca tiveram uma chance com ela ficam fascinados com o apetite insaciável de Jennifer. Enquanto isso, sua melhor amiga, Needy (Amanda Seyfried), que sempre viveu à sombra de Jennifer, precisa proteger os jovens imbecis da cidade, inclusive Chip, seu namorado nerd (Johnny Simmons). Pura perda de tempo.

984 - GUERRA AO TERROR


GUERRA AO TERROR (THE HURT LOCKER, USA 2009) - de Kate Bigelow. O ator Jeremy Renner é o protagonista deste filme, e desempenha muito bem o seu papel ao interpretar o William James, soldado designado para o esquadrão de bombas, e que é viciado na adrenalina provocada pela guerra. Renner faz um personagem forte e crível, mas não é nenhum show de interpretação. Além de Jeremy Renner, o filme tem a participação rápida de outros atores e atrizes conhecidos do grande público, como Ralph Fiennes, Guy Pierce e a Evangeline “Kate de Lost” Lilly, como Connie James, esposa do protagonista. No mais, um filme decente, porém, ao meu ver, sem o peso dramático que merecesse o Oscar.

983 - 500 DIAS COM ELA


500 DIAS COM ELA (500 DAYS OF SUMMER, USA 2009) – de Marc Webb. O filme “500 dias com ela” (500 days of Summer) é uma brincadeira séria sobre um assunto que muito nos interessa, porque muito nos acontece: o desencontro amoroso. Shakespeare já falava disso e, num tempo bem mais recente, há uma obra prima dos Beatles, “Hello, Goodbye”, que traduz com extrema simplicidade as divergências amorosas: “you say goodbye, and I say hello”. Sim, pois é um drama de dimensões ingentes não encontrar com a pessoa amada e, pior até, desencontrar-se dela, quando mais a procura. “Por que você diz adeus exatamente agora quando digo alô?”. Basta abrir a janela e lá fora estarão casais que foram e, de repente, deixam de ser, gente sozinha que se perdeu na própria busca, jovens, os nem tão jovens assim, baixos, altos, gordos, magros, ricos, pobres. Todos se lembrando de uma história que passou ou sentindo aquela saudade do futuro, de tudo aquilo que ainda virá e que se advinha nos olhos daquela que passa distraída, ou no semblante daquele que parece estar atrasado para o trabalho. No filme, Tom se apaixona por Summer, eles se aproximam, mas um fato torna a existência do rapaz um tormento permanente: ela não acredita no amor e no compromisso da entrega, coisas que são essenciais à alma romântica de Tom, que sofre, sofre, sofre, pois está certo de que é ela a pessoa que dará sentido à sua vida, a quem amará total e incondicionalmente e que, claro, espera receber igual devoção do objeto amado. Summer, por sua vez, é uma torre de certezas sobre a forma como quer amar e ser amada. Nos 500 dias que passam juntos, Tom e Summer vivenciam inúmeros encontros e desencontros e chegam até a pensar que o amor é isso mesmo – um constante processo de inconstâncias, de diferenças que se harmonizam, dia sim, dia não. O que chama a atenção é a diferença entre os dois reside principalmente naquilo que deveria os unir: a dimensão do sentimento, que nele se manifesta como uma hidrelétrica que se rompe e, nela, aparece tímida, como uma torneira que pinga. Acontece que, neste ponto, não dá para cotejar o amor dos dois. Eles amam, isto é certo. Outra história é como eles se amam. Durante o filme, é fácil bipolarizar a questão e considerar, em alguns momentos, Tom como a vítima e Summer como a vilã. Mas não é nada disso, nem no filme nem na vida, vamos aprender logo depois, como os acontecimentos que se precipitam sobre os dois. Vamos, assim, concluindo que não há perdedores nos jogos amorosos, embora seja uma tentação querer impor aos jogadores papéis de injustiçado, perseguido, humilhado, etc. Claro que, mesmo com a dimensão lúdica que a palavra “jogo” sugere, nas experiências amoráveis, corre-se o risco de ressentimentos e mágoas, que são logo esquecidos com a chegada de um novo e grande amor, como já dizia Vinicius. Por isso, é interessante vermos como Tom descreve o pouco mais de um ano que passou com Summer, como avalia as situações sob o seu particular ponto de vista sentimental, como sente que ela é o seu destino neste vale de lágrimas. Os dias de outono podem ser tão proveitosos que os dias de verão, como diz o título em inglês, fazendo um jogo de palavras, impossível em língua portuguesa, que tem tudo a ver com o desfecho da história. Este é um daqueles filmes que podem ser apenas um passatempo para a sessão da tarde, como também um bom pretexto para reflexões mais profundas a respeito dos relacionamentos amoráveis que mantemos ou que queremos manter. De qualquer forma, é muito bom poder se equivocar de vez em quando, até acertar, pois se acumula com isso experiência e paciência, duas palavrinhas valiosas que rimam além dos sufixos que gramaticalmente as unem e que se mostram mais que úteis no mapeamento amoroso. A paciência nos faz ter mais critério na hora de escolher e nos salva de armadilhas fatais. Por outro lado, a experiência, cumulativa e globalizante, nos dá o GPS interno que nos guia aonde queremos chegar e a segurança para dar o primeiro passo, dizer a melhor palavra e mesmo interromper qualquer coisa supostamente importante para que o amor de outono possa entrar definitivamente, ou não, na nossa vida.

982 - NOVIDADES DO AMOR


NOVIDADES DO AMOR (REBOUND, USA 2009) - Após um doloroso divórcio, a dona de casa Sandy (Catherine Zeta-Jones, incrivelmente magra e um tanto inadequada para o papel ) se muda para Nova York com os dois filhos. Além de ter que voltar a trabalhar, ela tenta encontrar um novo amor e acaba se envolvendo com um jovem de 25 anos, Aram (Justin Bartha) que contratara para cuidar das crianças. É um bom filme para que gosta de locações em Nova York, como é o meu caso. Curiosa participação, meio apagada, de Art Garfunkel, como pai de Aram.

981 - INVICTUS

INVICTUS (INVICTUS, USA 2009) - de Clint Eastwood. Magnífico relato de como Nelson Mandela conseguiu unir o povo da recém democrática África do Sul, através da valorização do seu time de rúgbi, até o campeonato mundial da modalidade, realizado naquele país. Morgan Freeman está perfeito como o líder sul-africano,e Matt Damon convence como Pierre Piennar, capitão do time, que entende a intenção de Mandela de passar para seu povo que aqueles não eram tempos de vingança ou ódio. Até hoje um abismo social, cultural e linguístico ainda separa brancos e negros sul-africanos, mas a solução momentânea encontrada por Mandela - que acabou permitindo que seu governo prosperasse - foi certeira para agradar a todos: transformar o rugby, sem descaracterizá-lo, também num esporte para os negros. Todo filme, mesmo o mais mecânico, espelha uma visão de mundo de seus realizadores, e no caso de Eastwood - com toda a mítica que acompanha o ator e diretor - fica mais difícil dissociar Invictus, ainda que baseado em uma história real, da filosofia de vida do grande cineasta Clint Eastwood. Eis o belo poema que inspirou Mandela e o time:

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

980 - O VIZINHO


O VIZINHO (LAKEVIEW TERRACE, USA 2008) – Samuel L. Jackson (21 de dezembro de 1948) é um policial viúvo, pai de dois adolescentes, que faz tudo para que seus vizinhos, um casal formado por um branco e uma negra, que acabaram de se mudar, desapareçam do lugar. O filme é interessante e prende a atenção, principalmente pela atuação de Jackson, cujas ações do seu personagem acontecem numa escalada constante, por mais absurdas que pareçam. O roteiro dá uma explicaçãozinha para tal comportamento, mas ninguém sai convencido, devo dizer. O final é previsível, mas não estraga a tensão do filme.

979 - ROBUR, O CONQUISTADOR

Dirigido pelo mestre das produções-B, William Witney, o roteiro é de Richard Matheson, baseado na clássica obra do francês Júlio Verne. No século 19, a pequena Morgantown, na Pensilvânia, é atingida por um tremor de terra. Para aumentar ainda mais o susto da população, uma misteriosa voz vinda da cratera de um vulcão inativo faz ameaças apocalípticas ao mundo. Strock (Charles Bronson), um agente do governo americano, é designado para investigar o caso. Pede ajuda a um fabricante de armas que, junto com a filha e seu namorado, embarcam num balão até a montanha. Não demora muito para serem atingidos, derrubados e aprisionados por Robur (Vicent Price). Robur é um cientista notável e, no comando de uma fortaleza voadora futurística chamada Albatross, pretende colocar em prática um plano para acabar com as guerras no mundo. Inventor idealista, construiu a aeronave, equivalente ao Náutilus, com a qual tentará persuadir os líderes mundiais para promover a paz mundial. Versão aérea de "20.000 Léguas Submarinas" e na tradição de "Volta ao Mundo em 80 Dias", do mesmo Júlio Verne, "Master of the World" é uma ficção científica no melhor estilo dos filmes de aventura desta época.

domingo, 26 de dezembro de 2010

978 - O SEGREDO DOS SEUS OLHOS


O SEGREDO DOS SEUS OLHOS (ARGENTINA, 2009) - o oficial de justiça recém aposentado Benjamín (Darín) começa a escrever um romance policial sobre um caso que ele mesmo investigou em 1974. Ao revisitar o passado pelas palavras e pela memória, ele questiona o resultados das investigações e a forma como conduziu sua vida até então. Entre indas e vindas no tempo, descobrimos como foi o crime e o que ele causou aos envolvidos, além de desvendarmos que as decisões passadas ainda podem ser fatais no presente. Para um roteiro tão bom, o elenco só podia ser brilhante. Falar que Ricardo Darín dá um espetáculo em cena é cair no lugar comum: o ator brilha com um olhar carregado de paixão e veracidade, mostrando-se grandioso a cada cena. Soledad Villamil, uma das atrizes mais lindas do cinema, evolui com talento nos tempos distintos da trama, amadurecendo com a personagem. Ela é cativante, mas contida, como a Irene do passado, e direta e sensível como a Irene do presente. Porém, o destaque extremo fica por conta de Guillermo Francella,que interpreta Sandoval, melhor amigo de Benjamín. Ponto cômico do longa, ele consegue ir do riso às lágrimas com rara desenvoltura. O final é digno de Hitchcock. O diretor Juan José Campanella faz uma pequena obra-prima: um mistério policial que entretece o presente ao passado em uma costura virtuosística, e é também uma revisita a um momento que obseda os argentinos - o da ditadura militar dos anos 70.

977 - O HOMEM DO ANO


O HOMEM DO ANO (BRASIL, 2002) – Uma ingênua aposta entre amigos transforma Máiquel (Murilo Benício), um homem comum, em um assassino e herói de toda uma cidade. Deixando-se levar pelos acontecimentos, Máiquel torna-se respeitado por bandidos e pela polícia, sendo também amado por duas mulheres, além de enriquecer. Impressionante atuação de Murilo Benício, que incorpora com assustadora autenticidade um indivíduo meio bronco, meio ambicioso, que vai subindo socialmente através do crime. Destaque para Cláudia Abreu e Natália Lage, uma graça. Adaptado do Best-seller O Matador, de Patrícia Melo, o filme mostra a escalada da violência na vida de um rapaz de periferia pacato e sem rumo que, um dia, mata gratuitamente um sujeito. Mas eis que a vítima é um ladrão conhecido nas redondezas e odiado pelos habitantes do bairro. Com isso, o ato de Máiquel é comemorado por todos. Se antes era um Zé Ninguém, que nunca tinha feito nada que presta na vida, depois do crime Máiquel vira ídolo da baixada, recebe presentes e é cortejado pelas mulheres.

976 - A FAMÍLIA SAVAGE


A FAMÍLIA SAVAGE (THE SAVAGES, USA 2007) – os Savages são um casal de irmãos quarentões, magnificamente interpretados por Philip Seymour-Hoffman e Laura Lynney. Ele é um professor universitário depressivo, e ela uma dramaturga frustrada, que mantém um caso com o vizinho casado. Os dois se reencontram quando descobrem que o pai (Philip Bosco, perfeito) está com demência. A situação é inversa à do passado: largados pelo pai na juventude, agora eles têm que cuidar dele. Os diálogos são cheios de ironias inteligentes e várias cenas se equilibram numa curiosa linha entre a comicidade e angústia. Preciso e delicado.

975 - EU TRANSO, ELA TRANSA


EU TRANSO, ELA TRANSA (BRASIL, 1972) – comédia erótica de baixíssima qualidade, tanto no roteiro, como nas atuações, tentando retratar os costumes da classe média brasileira, no início da década de 70. Algum destaque para Jorge Dória e Dayse Lucidi, que fazem os pais de Marcos Paulo, e para as pernas de Sandra Barsoti, além de Rose Di Primo. De resto, cansativas cenas longas e mixagem mal feita.

974 - O AMOR PEDE PASSAGEM


O AMOR PEDE PASSAGEM (MANAGEMENT, USA 2008) – Jennifer Aniston é Sue, uma vendedora que se hospeda no hotel de Mike (Steve Zahin) que, ao vê-la, logo se apaixona por ela. Eles têm um affair e, depois que ela parte, Mike vai atrás dela, cruzando o país. O curioso é que o filme não é uma comédia, ou um drama ou um romance apenas. No entanto, abstraindo-se todas as incoerências do roteiro, o filme é uma pequena jóia na sua simplicidade e simbolismo: mostra tudo que alguém pode fazer por amor. Claro que dava para dar uma caprichada no roteiro, saindo um pouco do realismo mágico que preside a história. Ainda no elenco, o ótimo Woody Harrelson, num papel horrível.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

973 - A ÚLTIMA NOITE


A ÚLTIMA NOITE (25TH HOUR, USA 2002) – de Spike Lee. Qualquer filme com Edward Norton vale a pena, e este não foge à regra. Ele é um traficante de drogas, quase redimido, que é condenado a sete anos na prisão. Decide, então, passar o último dia de liberdade com seus amigos, Jacob (Philip Seymour Hoffman, excelente) e Frank (Barry Pepper) e a namorada, Naturelle, a bela Rosario Dawson. O vulcãozinho Anna Paquim faz uma espevitada adolescente por quem o personagem de Hoffman se apaixona pateticamente. Spike Lee se renova ao lançar um olhar sobre um drama urbano, sem as pesadas cores dos conflitos étnicos. O final é inesperadamente poético.

domingo, 19 de dezembro de 2010

972 - JUVENTUDE E TERNURA


JUVENTUDE E TERNURA (BRASIL, 1968) – neste subproduto da Jovem Guarda, Wanderléa fez uma cantora em ascensão, patrocinada por tipo meio mafioso e autoritário (Anselmo Duarte, péssimo), que tem interesse nela. Tudo mal dublado e feito aparentemente às pressas. O roteiro, paupérrimo, se bifurca numa história policial em que as perseguições acontecem em vários lugares do país. As atuações são sofríveis, contudo, vale a pena o olhar sobre o Rio de Janeiro da década de 60.


971 - TE AMAREI PARA SEMPRE


TE AMAREI PARA SEMPRE (THE TIME TRAVELER’S WIFE, USA 2009) – o que me chamou a atenção para o filme foi o título – bem melhor em português – e a presença da doce Rachel McAdams. Te Amarei Para Sempre conta a curiosa história do bibliotecário Henry DeTamble (Eric Bana), que desde cedo descobriu-se portador de um raro fenômeno: uma disfunção genética que o permite viajar no tempo – tanto passado como futuro – de forma involuntária e sem controle. Suas constantes viagens fazem com que ele se veja constantemente metido em confusões já que cada vez que se desloca para um novo espaço-tempo está nu e precisa sair à caça de roupas. Assim como a vida de Henry, a história é, da mesma forma, apresentada de forma fragmentada. Embora a linha mestra do roteiro conduza a narrativa a partir do momento em que ele conhece a sua futura esposa Clare Abshire (Rachel McAdams), o desenvolvimento na história se dá em forma de flashbacks – nesse caso as viagens temporais dele - onde descobrimos que Henry já conhece e visita Claire desde que a garota tinha nove anos de idade. A história de Henry já é apresentada e bem desenvolvida aos olhos do espectador, e o foco deixa de ser as suas viagens e passa a ser a situação de Claire, a fiel e compreensiva esposa que entende o drama do marido e procura conviver com ele da melhor maneira possível. Utilizando as palavras de Claire, a mudança de foco é claramente explicitada no roteiro quando ela afirma saber “qual é a sensação de quem fica, mas não qual é a sensação daquele que parte”. O deslocamento da narrativa é leve e, em momento algum, temos a impressão de ver dois filmes distintos. Essa suavidade na condução da história – que revela um bom trabalho do diretor Robert Schwentke (Plano de Vôo) – contudo a partir de certo momento acaba tendo um efeito contrário para o desenvolvimento do filme. Se por um lado temos a segurança de que o filme dificilmente irá se perder, por outro ficamos com a sensação de uma falta de ousadia, já que não há grandes reviravoltas ou revelações. Mesmo nos principais pontos de virada da história, os momentos de clímax são apresentados de forma amena, tendo pouco impacto no destino da história, mas sem comprometê-la. Em uma das suas falas, Henry afirma que conduziu sua vida para “nunca ter nada que não pudesse suportar a dor da perda”. A atitude pouco corajosa dele nesse quesito parece se refletir na maneira como a história é apresentada – de maneira segura e burocrática, mas com poucas inovações e diferenciais, o que é uma pena já que este é o tema que levanta uma série de possibilidades. Não espere um filme de ficção científica, como ele aparenta ser mas, em termos de romance, ele apresenta os elementos que costumam conquistar as platéias de casais. Uma sólida história de amor, daquelas que estendem pela vida toda e que, qualquer pessoa certamente gostaria de vivenciar. A gente fica com a sensação de ter faltado alguma coisa, ao final. Mas, vale, pelo amor desejado.

sábado, 18 de dezembro de 2010

970 - SETE MULHERES


SETE MULHERES (SEVEN WOMEN, USA 1966) – último trabalho do diretor John Ford. Na China, em 1935, um grupo de mulheres missionárias tentam se proteger do avanço do sanguinário exército Mongol. Anne Bancroft, excelente, faz uma médica cujo comportamento liberal afronta a diretora da missão, Agatha Andrews (a impressionante Margareth Leighton) que, por sua vez, se consome com culpas e desejos reprimidos, principalmente em relação à bela Emma Clark (Sue Lyon, que, anteriormente, fizera Lolita). Magnético e pungente, é uma obra-prima que deveria ser vista mais vezes, principalmente pelas atuações de Bancroft e Leighton.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

969 - A QUEDA! AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER


A QUEDA! AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER (DER UNTERGANG, ALEMANHA, ITÁLIA, ÁUSTRIA 2004) - Baseado nos livros “Der Untergang” (“No Banker de Hitler: Os Últimos Dias do 3º Reich”), de Joachim Fest, e “Bis zur letzten Stunde” (“Até a Hora Final: A Última Secretária de Hitler”), de Traudl Junge e Melissa Müller, “A Queda!” conta com uma competente direção de Oliver Hirschbiegel. O cineasta contou com a ajuda de uma equipe técnica em total sintonia e com a presença de atores de primeira grandeza no cinema europeu. O maior deles é Bruno Ganz (“Pão e Tulipas” e “Sob o Domínio do Mal”), que dá vida justamente a Adolf Hitler. Como a mais detestável figura do século passado, Ganz surge como um ator maior. O ator está impecável como Hitler. Ele não apenas se parece com o comandante alemão, ele consegue convencer que é Hitler. Durante os 156 minutos de projeção a impressão é de que se trata de um um documentário, tamanha a autenticidade das atuações. No meio de uma noite de novembro de 1942, um grupo de jovens mulheres é escoltado por oficiais das SS, através do bosque, até a Toca do Lobo, o QG de Hitler na Prússia Oriental. São candidatas ao cargo de secretária pessoal do Führer. Entre elas, está Traudl Junge, uma jovem de Munique, de 22 anos. Ela é escolhida para o trabalho, e a idéia de servir ao Führer pessoalmente a deixa radiante. Em abril de 1945 os russos tomam Berlim deixando o exército alemão em pânico.


968 - VÍRUS



VIRUS (CARRIERS, USA, 1999) - A trama segue 4 jovens dirigindo pela estrada, tentando fugir/sobreviver de um vírus mortal que assola o planeta. Neste cenário de caos e apocalipse, eles possuem suas próprias regras para se manterem vivos e chegarem até um local menos perigoso e esperar (leia-se ter fé) que o tal vírus desapareça e as coisas voltem ao normal. Dos espanhóis Àlex e David Pastor, o filme mostra o que aconteceria se o planeta fosse atacado por um vírus letal. Lembra os filmes de zumbis romerianos, ainda que traga uma abordagem própria. Começa com dois rapazes e duas moças dentro de um carro numa estrada. Não há nenhuma apresentação inicial do que está ocorrendo no mundo nem diálogos muito explicativos. Através do curso da ação, os irmãos Pastor nos situam no que está havendo. Logo nos primeiros minutos uma caminhonete interrompe a passagem do carro do grupo na estrada. Um homem está querendo ajuda. Sua filha pequena está com uma máscara cobrindo nariz e boca, o que já é indício de que ela está contaminada. Instala-se um clima de tensão e medo e é a partir daí que vemos a gravidade da situação. A luta é pela sobrevivência, custe o que custar. A gasolina vale mais do que água nesse mundo.

See: http://www.youtube.com/watch?v=ofnjLzMZhQM

967 - OS PREDADORES


OS PREDADORES (THE PREDATORS, USA 2010) – PREDADORES, um novo e ousado filme do universo de Predador, com produção de Robert Rodriguez, é estrelado por Adrien Brody como Royce, um mercenário que relutantemente lidera um grupo de combatentes de elite e descobre que eles foram levados para um planeta alienígena para servirem como presas. À exceção de um médico que caiu em descrédito, todos são assassinos a sangue frio: mercenários, mafiosos da Yakuza, presidiários, membros de esquadrões da morte - ou seja, "predadores" humanos que agora serão sistematicamente caçados e eliminados por uma nova raça de Predadores alienígenas, da mesma espécie dos de cabelos rastafári e visão em infravermelho apresentados no Predador original.Perda de tempo. Dá pena ver Brody numa tranqueira dessas.


966 - TROPA DE ELITE 2


TROPA DE ELITE 2 (BRASIL, 2010) – de José Padilha. Os mais de 11 milhões de espectadores que assistiram ao filme testemunharam Wagner Moura de volta à pele de Nascimento, promovido a tenente –coronel do Bope. Depois de uma missão fracassada em Bangu , que o obriga a se afastar do comando do grupo para assumir o burocrático cargo de subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro. O excesso de violência e de narração em off quase se diluem no evidente salto de qualidade técnica, que também não ajuda a disfarçar a frustração do desfecho sem clímax. Wagner Moura, bem como sempre, é ofuscado pelo ativista dos direitos humanos, Irandhir Santos (de Besouro), agora casado com sua ex-mulher (a insossa Maria Ribeiro).


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

965 - BATMAN, A SÉRIE COMPLETA (1943)


BATMAN, A SÉRIE COMPLETA (USA, 1943) - Lançado pela Columbia Pictures, este seriado fez grande sucesso. Na época, ver o seu super-herói na telona era o sonho de todo fã. E foi com este seriado que Batman estreou nos cinemas, em 15 capítulos. O enredo mostrava Batman (Lewis Wilson) e Robin (Douglas Croft) tentando pegar o terrível vilão Dr. Tito Daka (J. Carrol Nash). Não há o Coringa, Duas Caras ou qualquer desses vilões conhecidos. A trama gira em torno dos planos maléficos do Dr. Tito Daka, servo do Imperador japonês Hirohito que visa destruir a democracia na América e instalar a “Nova Ordem Mundial” (seja lá o que for isso). Tudo a ver: o ano era 1943, o mundo estava em plena Segunda Guerra Mundial e qual país era aliado dos nazistas e atacou Pearl Harbor? Ou seja: era o vilão certo para aquele momento histórico. Outro ponto a ser lembrado é que Batman foi criado em 1939 ou seja, este seriado foi feito apenas quatro apenas após o aparecimento do Batman nos quadrinhos. Detalhes que fazem toda a diferença: o chapéus dos vilões nunca caem durantes as brigas, e o tamanho da cabeça do ator que faz o Robin. Tudo deliciosamente tosco e surreal.


964 - FORÇA POLICIAL


FORÇA POLICIAL (PRIDE AND GLORY, USA 2008) – o filme mostra, mais uma vez, o talento de Edward Norton, que faz um policial que desconfia de corrupção no departamento onde seu cunhado é o chefe. Violento e com fotografia escura, mostra o lado sombrio de Nova York e da polícia que, no final das contas, é sempre a mesma, em todos os lugares. Ao tocar no tema “escândalo em família”, o filme remete o espectador à velha escola americana de Elia Kazan e os dramas dos anos 50. No elenco, Colin Farrell (muito bem no papel maverick) e Jon Voigh. Direção de Gavin O’Connor.


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

963 - O FANTASMA


O FANTASMA (THE PHANTOM, USA 1995) – na época do lançamento, o filme sofreu com algumas críticas injustas, outras nem tanto. Vendo-o hoje, podem-se achar algumas qualidades nesta versão mais recente dos quadrinhos de Lee Falk. Billy Zane, por exemplo, está muito bem no papel que lhe exige muito mais músculos do que especificamente da arte de representar. Catherine Zeta-Jones, muito bonita, como sempre, tem um papel que não tem muito a ver com ela e nem prenunciava o estrelato que viria depois. A minha maior surpresa foi a belíssima Kristy Swanson (19 de dezembro de 1969), como uma Diana Palmer decidida e intempestiva, que cativa o coração do herói. No mais, o filme se perde na metade final, abusando dos clichês dos filmes de aventura, embora seja notável o capricho com a cenografia.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

962 - O HOMEM DO PLANETA X

A história se passa nos confins de uma ilha pantanosa da Escócia, quando o Professor Elliot (Raymond Band) descobre um planetóide desgarrado no espaço em rota de colisão com a Terra, que ele imediatamente denomina como "Planeta X". Passado algum tempo, uma nave proveniente desse planeta pousa próximo ao observatório do astrônomo e revela seu único tripulante: um humanóide esquisito e sem expressão, que deseja apenas consertar sua nave e voltar embora para casa. O problema é que acidentalmente um outro cientista, o Dr. Mears (William Schellert), descobre o alienígena no pântano e o leva para o observatório, com intenções nem um pouco pacíficas - ele deseja torturar e matar a criatura, depois de obter seus segredos. Mas a criatura, para seu azar, tem poderes telepáticos de dominação, podendo transformar os mais inescrupulosos cientistas em inocentes vegetais. Nesse meio tempo, o jornalista norte americano John Lawrence (Robert Clark), recém chegado à Escócia para investigar o fenômeno, e a filha do astrônomo, Enid Elliot (Margaret Field), acabam se envolvendo em aventuras com o misterioso ser enquanto o restante da população local entra em pânico na iminência do fim do mundo.
Estão todos lá: cientista sério e amável, em busca de conhecimento; seu ajudante inescrupuloso e cheio de ambições; jornalista bisbilhoteiro e heróico (e nesse caso duplamente heróico, porque é norte-americano); mocinha-indefesa-filha-do-cientista-velho-mas-bem-intencionado; chefe de polícia incrédulo e incompetente; aldeões amedrontados e histéricos, etc... No entanto, não seria totalmente correto dizer que esses elementos não passam de clichês mais do que explorados pelo cinema de então, já que é justamente esse o filme que os introduziu, retrabalhando de maneira mais completa idéias que já haviam sido exploradas em menor escala na década de 30. Seu clima, por falar nisso, é bem próximo das produções pós-expressionistas da Universal Pictures, a responsável pela introdução dos grandes monstros clássicos da literatura no cinema, como aqueles nossos velhos amigos já conhecidos. O disco voador, por exemplo, é uma coisa totalmente bizarra, que em nada lembra um disco voador, mais se parecendo com uma garrafa bojuda; mas, para o próprio alienígena, a produção teve o impressionante cuidado de dotá-lo com uma roupa adequada e uma máscara de respiração, coisas geralmente ignoradas pelos outros filmes (se os marcianos do clássico de Byron Haskin tivessem se lembrado deste detalhe, não teriam caído vítimas de simples micróbios terrestres...). A fotografia em preto & branco é sombria e atmosférica, com a desolada paisagem escocesa (em estúdio, obviamente) o tempo inteiro tomada por brumas densas e sinistras, igualzinho aos filmes da Universal. Assim, acho que o verdadeiro mérito de introduzir os conceitos modernos de invasão da Terra por seres pilotando discos voadores cabe mesmo ao filme de Robert Wise, produzido no mesmo ano e levado às telas meses depois. Também de 1951 é o filme O Monstro do Ártico, dirigido por Howard Hawks e com a mesma temática de invasão da Terra, mas cada coisa a seu tempo.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

961 - A ÓRFÃ

A ÓRFÃ (ORPHAN, USA 2009)suspense razoável, com a bela e talentosa Vera Farmiga, com final mais que previsível. Casal que perde seu bebê acaba por adotar uma menina de 10 anos, aparentemente cheia de talentos e extremamente educada e cativante. Como verão, ela vai infernizar os pais adotivos e os outros filhos destes. Nos Estados Unidos, o filme causou polêmica, fazendo com que instituições especializadas temessem uma diminuição no número de casais que procuram orfanatos em busca de adoção. Uma frase ("Deve ser difícil amar uma criança adotiva mais do que seus verdadeiros filhos"), em especial, teve repercussão negativa e acabou sendo removida do trailer do filme. Dirigido pelo espanhol Jaume Collet-Serra ("A casa de cera"), o filme combina todos os tiques básicos do gênero: ruídos abruptos, momentos de surpresa e música típica. Quem se destaca é Isabelle Fuhrman, no papel-título, capaz de provocar arrepios de medo e aflição.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

960 - NOSFERATU

NOSFERATU ("Nosferatu, eines Symphonie des Grauens", 1922, Friedrich Werner Murnau)
Este foi o primeiro filme a adaptar o livro "Drácula" para o cinema. Como o estúdio não tinha autorização dos herdeiros de Stoker, os nomes dos personagens foram trocados — o conde aqui se chama Orlok, e Mina, sua vítima, vira Ellen. Mesmo assim, na época, o filme acabou sendo retirado de circulação. "Nosferatu" conta a história de um ganancioso corretor de imóveis, que parte para aTransilvânia para vender um casarão abandonado, sem saber que está trazendo para dentro de sua vida um espírito do mal, que atacará sua cidade como uma peste. É importante ressaltar que "Drácula" é uma novela epistolar (escrita em forma de cartas e anotações de diários). Assim, "Nosferatu" é responsável por criar a primeira narrativa linear dessa história, que será usada como paradigma pelos filmes de vampiro que virão depois dele, até mesmo por "Drácula", em 1931, a primeira filmagem "autorizada" do livro. A fotografia e a direção de arte de "Nosferatu" são magníficas até nos menores detalhes. Logo nas primeiras cenas, atente, por exemplo, para a carta de Orlok, toda feita de diagramas manuscritos. Muitas das soluções dadas por Murnau em termos de enquadramentos e uso de sombras também serão repetidas por inúmeros filmes de terror. Isso já bastaria para explicar por que o filme é considerado um clássico do expressionismo alemão, mas há ainda a interpretação excepcional de Max Schreck, que criou o vampiro mais repugnante história do cinema. Em 1979, "Nosferatu" ganhou uma refilmagem, também clássica, de Werner Herzog, e, em 2000, a homenagem de "À Sombra do Vampiro", indicado ao Oscar .


sábado, 6 de novembro de 2010

959 - OPERAÇÃO VALQUÍRIA

Em 1943, na Tunísia (África),o coronel Claus von Stauffenberg ( Tom Cruise) é ferido gravemente numa missão fracassada do Terceiro Reich e perde um olho, a mão direita e dois dedos da esquerda. Ele retorna à Alemanha cheio de ira contra o regime assasssino de Hitler.Ao chegar se envolve num esquema que tenciona acabar com o governo atual e por em prática um plano já existente (Operação Valquíria), inicialmente traçado para uma emergência (no caso da Alemanha ser bombardeada em massa), que se adequa a revolta do grupo contra as atitudes ditatoriais de Hitler e também prevê a implementação de um novo governo após a morte do mesmo.O coronel Claus adquire a confiança do grupo rebelde de oficiais e é encarregado de cometer o assassinato de Adolph Hitler.O filme "Operação Valquíria" é baseado em fatos reais e conduzido em tom didático pelo diretor Bryan Singer.O drama aborda a revolta contra o nazismo, a Segunda Guerra e as atrocidades cometidas a mando de Hitler.Sugere também uma tentativa de heroísmo para acabar com a ditadura que tinha inimigos no próprio exército alemão, fileiras que ainda mantinham a ideologia do dever à Alemanha e ao povo.O filme instrui porque narra acontecimentos ligados aos nazistas, mas peca por omissão, porque muitos personagens da história mereciam um destaque maior.A interpretação de Tom Cruise é marcada por um excessivo distanciamento, à primeira análise, mas se justifica por uma hipotética mutilação da personalidade de Stauffenberg, após a mutilação física . Embora necessário e compreensível pela época e pela situação, o tom frio e impessoal pode roubar do personagem o lado humano e passível de sentimentos. Destaque para Terence Stamp e Bill Nighy. Excelente filme!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

958 - UM CRIME

UM CRIME (A CRIME, FRANÇA 2006) - Manuel Pradal. Interessante thriller de suspense policial com Harvey Keitel, excelente, e Emmanuelle Béart, com boca de pato, envolvendo o assassinato de uma mulher, cujo marido, Vincent, ainda procura o responsável. Interessada nele, Béart se aproxima de Keitel e o seduz, para que fique evidente aos olhos de Vincent que ele é o assassino. Só assim, segundo seu entendimento, ele teria olhos para ela. Há alguns furos no roteiro, especialmente na parte final, mas o filme prende a atenção. Keitel está impecável.