terça-feira, 14 de abril de 2015
2580 - TERRA PROMETIDA
TERRA PROMETIDA (PROMISED LAND,
USA 2012) – É incrível como Matt Damon é capaz de inspirar
uma imediata simpatia, mesmo quando faz papéis, assim, digamos, não
inteiramente bonzinhos. É o caso de seu personagem neste filme – um empregado
de uma grande empresa exploradora de gás, que, com lábia e alguma malícia, visita os
habitantes de uma pequena cidade do interior dos EUA, para convencê-los a vender
suas terras, como forma de garantir-lhes um bom futuro, segundo suas próprias
palavras. Claro que ele encontra resistência por parte de alguns habitantes e,
neste enfrentamento, oscila entre ser o mocinho ou o vilão da história. A gente
acaba torcendo por ele, claro. É um filme inesperado de Gus Van Saint, com roteiro do
próprio Damon, que agrada principalmente por ser meio despretensioso e até um
pouco ingênuo.
quinta-feira, 9 de abril de 2015
2579 - O MANTO SAGRADO
O MANTO SAGRADO (THE ROBE, USA 1953) – Não, Nação Rubro-Negra, não é um documentário sobre o Flamengo. O MANTO SAGRADO é uma das produções da década de 50 sobre passagens bíblicas, que tanto sucesso fizeram com o público. Aqui, Richard Burton (numa atuação preguiçosa, sem o menor brilho) é Marcellus Gaio, o tribuno romano responsável pela crucificação de Jesus que passa a ser cristão e, assim, a lutar contra o poder de Calígula. O filme é muito ruim, sem o vigor de QUO VADIS e REI DOS REIS, da mesma época. Talvez a única história interessante deste filme é o caso amoroso de Burton com Jean Simmons, que contracena com ele, e que estava casada com “Scaramouche” Stewart Granger, à época – consta que Granger invadiu o estúdio com uma arma atrás de Burton. Ah, claro, também há o inacreditável Victor Mature, como Demétrius, o gladiador, que seria o título do filme que ele faria no ano seguinte.
terça-feira, 7 de abril de 2015
2578 - ENTRE O CÉU E O INFERNO
ENTRE O CÉU E O INFERNO (BLACK SNAKE MOAN, USA 2006) – Gosto particularmente de filmes sobre a amizade. Este é um desses. No interior do Mississippi, Lazarus (Samuel L. Jackson, soberbo), um cantor de blues temente a Deus e recentemente abandonado pela esposa, encontra Rae (Christina Ricci), uma prostituta desacordada na estrada perto de sua casa, depois de ter sido espancada. Ele passa a cuidar dela e, entre os dois, começa a nascer uma forte e inesperada amizade. Apesar das cenas cruas e mesmo violentas, o filme é muito bonito. E isso não se deve apenas à graça e à sensualidade de Cristina Ricci, mas também à atuação excepcional de Jackson. O título em português ficou perfeito.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
2577 - OS MANSOS

OS MANSOS (BRASIL, 1972) – Filme característico desta época, com três histórias curtas, cada uma enfocando um confronto conjugal no qual, consoante com o título, o marido traído acaba se aproveitando da situação. Das três histórias, as duas primeiras são as mais intrigantes, por motivos distintos. Na primeira, Sandra Brea, casada com José Lewgoy, vai todos os dias à praia, com um biquini minúsculo (para a época, claro). Chama a atenção de Mario Benvenutti, que passa a fazer de tudo para conseguir seu sonho: passar a mão na bunda dela. O marido, diante do dinheiro prometido por Mario, aceita que ele tenha um momento a sós com ela. Qualquer semelhança com PROPOSTA INDECENTE não pode ser mera coincidência. Na segunda história, a surpresa é Paulo Coelho, atuando (pessimamente), como filho de Felipe Carone e Heloísa Mafalda.
domingo, 5 de abril de 2015
2576 - A RECOMPENSA
A RECOMPENSA (DOM HEMINGWAY, UK, 2013) – Um filme diferente, com Jude Law fazendo também um personagem completamente distinto de todos da sua carreira. Ele é o Dom do título, um ex-presidiário que procura os antigos companheiros para ter sua recompensa, por não os ter denunciado e passado 12 anos na prisão (doze anos parece ter sido um tema recorrente em 2013). O tom de comédia farsesca está presente o tempo todo, a partir da figura rotunda de Dom e seu sotaque “cockney” exagerado ao extremo. Law imprime ao seu personagem uma atitude sempre profana, poética e minimanente econônica no politicamente correto. A fala de abertura, numa cena de felação, é primorosa. Diversão estilística da melhor qualidade, apostando no jorro verborrágico do protagonista.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
2574 - O FANTASMA DE BARBA NEGRA
O FANTASMA DO BARBA NEGRA (BLACKBEARD GHOST, USA 1968) – Já se preparando Dean Jones para o mega sucesso SE MEU FUSCA FALASSE, do mesmo ano, a Disney o colocou nesta comédia muito bem produzida, com um elenco bem significativo: Peter Ustinov é o pirata, Suzanne Pleshette, uma das mulheres mais lindas do cinema de todos os tempos, e Elsa Lanchester, devidamente homenageada por Disney, como já acontecera em MARY POPPINS, com um papel à sua altura. Afinal, Elsa foi a protagonista de A NOIVA DE FRANKENSTEIN, de 1935. Jones está perfeito como principal leading man do estúdio, fazendo lembrar muito Fred MacMurray, em seus maneirismos e timing de comédia. Mas é mesmo Suzanne Pleshette que chama a atenção, com sua bela presença magnética.
2573 - OS AMORES DE PICASSO
OS AMORES DE PICASSO (SURVIVING PICASSO, USA 1996) – O título em inglês, “sobrevivendo a Picasso” tem muito mais sentido do que a pobre invenção em português. Como a história é contada sob o ponto de vista de Françoise Gilot (Natasha McElhone, em ótima atuação), uma das muitas esposas que Picasso teve na vida, faz todo o sentido entender o pintor como uma espécie de rolo compressor sentimental, marcado por um extremo comportamento egoísta, além de algumas pinceladas de sadismo. Foi assim com todas as mulheres com quem sem relacionou. Mas não apenas com elas. Agiu da mesma forma com os amigos, os filhos e todos que orbitavam em torno de sua figura tão desumana como fascinante. Anthony Hopkins está perfeito como Picasso, nos gestos, no olhar e, sobretudo, na forma de falar, sem medo de mostrar o que há de bom e ruim dentro do artista. De certa forma, ele me lembrou Luciano Maurício. Natasha McElhone teve, aqui, talvez o papel de sua vida. Há semelhanças entre ela e Maria Fernanda Cândido. Julianne Moore tem um papel pequeno, como Dora Maar, quarta das sete esposas de Picasso.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
2572 - CHEF
CHEF (CHEF, USA 2014) – Escrito e dirigido por um dos atores mais “gente boa” de Hollywood, Jon Favreau, CHEF, assim como um prato especialmente preparado por um talentoso cozinheiro, é uma delícia de ser degustado. É um filme leve, sem calorias dramáticas desnecessárias, perfeito para quem anda enjoado de engolir algumas produções supostamente sofisticadas, mas vazias do recheio principal do verdadeiro cinema: o entretenimento. Dando a impressão de que reuniu os amigos, para fazer um filme que agradasse a todos os gostos, Favreau se cercou dos melhores ingredientes para duas horas de prazer, como se salpicasse sobre as cenas o melhor tempero possível. Começa colocando Scarlett Johansson, mais linda e sexy do que nunca, com pouca roupa, em cima da cama, provando uma sopa; depois, encarrega Dustin Hoffman de ser um gerente mal humorado de restaurante e, por fim, coloca Robert Downey Jr. como ex-marido de sua ex-mulher (Sofia Vergara, que surpreende com uma inesperada atuação). Ainda há o excelente John Leguizamo roubando todas as cenas em que aparece. No fim, temos o resgate da relação de Casper (Favreau) com o filho, durante um road-movie que seduz e satisfaz à primeira dentada. Aproveitando a onda dos Food Trucks, Favreau faz um filme que deveria ser assistido por todos que têm bom gosto.
terça-feira, 24 de março de 2015
2571 - VERSOS DE UM CRIME

VERSOS DE UM CRIME (KILL YOUR DARLINGS, USA 2013) – Interessante filme sobre a juventude dos autores da Beat Generation, Allen Ginsberg (Daniel Radcliffe), Jack Kerouac e Williams Burroughs. Tendo como pano de fundo um triângulo amoroso inusitado, com uma boa dose de desejo reprimido, Versos de um Crime é um bom filme que mostra um pouco da juventude de escritores que se tornaram ícones da América pós-2ª Guerra Mundial, seja pelo espírito libertário que carregavam consigo ou pela própria quebra das regras do status quo de momento.
segunda-feira, 23 de março de 2015
2570 - COMO ESQUECER

COMO ESQUECER (BRASIL 2010) – Finalmente, vejo um filme brasileiro bem acima das produções vazias de conteúdo que vêm se tornando um triste retrato do cinema nacional contemporâneo, como bem disse Paulo José em uma entrevista recente. A dor da perda da pessoa amada está ao centro de "Como Esquecer", um drama de Malu de Martino ("Mulheres do Brasil"). Como protagonista, está Ana Paula Arósio (que está a cara da Rachel Weiss, olhe só, aí do lado), interpretando a professora universitária Júlia, cuja separação da ex companheira Antonia causa uma grande ruptura em sua vida. COMO ESQUECER é um filme sobre deixar de lado velhas rotinas para abraçar o novo, seja ele um amor, uma casa ou um grupo de amigos. Sem saber lidar com a dor, Júlia se fecha em si mesma e passa evitar as pessoas, tem dificuldades para preparar suas aulas e não poupa ninguém de seu mau humor e ódio do mundo. Ana Paula Arósio, supreendentemente, para mim, está muito bem no papel, contida na medida certa, tensa e angustiada diante de uma existência nova, na qual o grande amor da sua vida não mais está. Se por um lado há uma boa dose de previsibilidade na trama, por outro, a sólida interpretação de Ana Paula traz um vigor muito bem-vindo ao filme. Júlia é uma personagem chata, beira o insuportável, mas a atriz é capaz de trazer à tona sua essência humana e fazer com que o público simpatize e torça por ela, ao menos, o mínimo necessário. Se há outro aspecto que chama a atenção do longa é a maneira como ele retrata o corpo da mulher, com sensibilidade e sensualidade femininas, diferente do voyeurismo masculino, a que o cinema, geralmente dirigido a partir da visão do homem, tanto se fartou de mostrar, com elegância ou não.
domingo, 22 de março de 2015
2569 - INTRIGAS DE ESTADO
1.
INTRIGAS
DE ESTADO (STATE OF PLAY, USA 2009) – Thriller
político-jornalístico envolvendo um congressista republicano (Ben Affleck,
sempre mostrando que não sabe atuar), cuja assessora e amante é morta sob
condições suspeitas. Um jornalista veterano, Cal McAffrey (Russel Crowe,
excelente, como sempre) e uma blogueira novata (Rachel McAdams, linda, linda,
linda) passam a investigar o caso, supervisionados pela “mais que britânica”
editora do jornal onde trabalham (Helen Mirren). Paralelamente, temos a
discussão sobre a crise dos jornais impressos, ameaçados em boa parte por suas
próprias versões on-line. O filme tem um ritmo intenso em suas quase duas horas
e meia, sempre explorando um enredo que retrata as tramoias corporativistas
propiciadas pela guerra, ou na questão sempre explosiva para os americanos da
vida sexual de seus políticos. terça-feira, 17 de março de 2015
2568 - AS LOUCAS AVENTURAS DE JAMES WEST

AS LOUCAS AVENTURAS DE JAMES WEST (WILD, WILD, WEST, USA 1999) – A crítica arrasou este filme. Até seu protagonista, Will Smith, que, equivocadamente, o preferiu em vez de estrelar MATRIX, considera esta a sua pior decisão profissional. No geral, não acho o filme ruim. Os efeitos especiais são bem razoáveis, mas, realmente, o roteiro e as atuações do elenco ficam um pouco a dever. Baseado numa série de TV dos anos 60, WWW compromete seu impacto justamente no que ele tem de melhor – os bons efeitos que misturam, pela primeira vez, ficção científica com faroeste, bem antes de ALIENS & COWBOYS, com Daniel Craig e Harrison Ford. Acontece que os efeitos acabam sendo o que mais chama a atenção, por causa da fotografia caprichada. O personagem de Salma Hayek praticamente some no terço final.
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