sexta-feira, 19 de agosto de 2016

2811 - THE WALKING DEAD - QUINTA TEMPORADA

Rick e seus dilemas
THE WALKING DEAD, QUINTA TEMPORADA (USA, 2015) – Esta temporada mostra como Rick e seu grupo chegam a Alexandria, um oásis de falsa tranquilidade que, aos poucos, vai se definindo como mais um obstáculo para a sobrevivência e para uma nova ordem pós-apocalíptica. O ritmo desta sequência é bem mais lento, e o roteiro se concentra na exploração interna dos personagens, diante de um panorama que, aos poucos, vai ensejando a instalação de um estresse pós-traumático. O universo da série demonstra que, aqui, não há espaço para a moralidade – o que importa é a capacidade de permanecer vivo, mesmo usando os métodos mais questionáveis. Os zumbis - notem que esta palavra nunca é mencionada na história - podem ser considerados um exemplo de personagens sem consistência e, ao mesmo tempo, de importância visceral para o roteiro. Não posso deixar de registrar que este mundo distópico de THE WALKING DEAD cada vez mais se assemelha ao vazio existencial representado pelas "redes sociais" e caçadas de Pokémon Go.  

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

2810 - O NEGÓCIO - TERCEIRA TEMPORADA

RAFAELA MANDELLI
O NEGÓCIO (BRASIL, 2016) – Esta terceira temporada da série da HBO continua mantendo o capricho técnico que vai da fotografia esmerada do ambiente urbano paulistano à produção sofisticada reproduzindo o suposto glamour do cenário da prostituição “chic” das grandes metrópoles. Tenho minhas dúvidas se a série retrata este panorama com total fidelidade. O ponto fraco, a meu ver, é um roteiro com situações muito implausíveis e, em certos momentos, desconexas com o argumento da série. O ponto alto, nesta temporada é, sem dúvida, a atuação de Guilherme Weber, como o politicamente incorreto – e engraçadíssimo – Ariel, sócio de Karin (Rafaela Mandelli, linda e sexy na sua seriedade empresarial). Ele brilha no décimo-primeiro episódio, no qual conta a sua vida. Destaque também para a bela Juliana Schalch, combinação explosiva de sorriso e voz raramente encontrada em um ser humano do sexo feminino.  

terça-feira, 16 de agosto de 2016

2809 - MANDANDO BALA

MANDANDO BALA (SHOOT ’EM UP, USA, 2007) – Este é um dos filmes mais interessantes no sentido do uso criativo e quase estilizado da narrativa cinematográfica, exagerando, de propósito nas cores dramáticas, para conseguir um efeito final extremamente estimulante para quem assiste. Além disso, temos o grande Colin Owen levando a sério um papel que não tem nada de sério e, por isso mesmo, entregando uma atuação sensacional, não fosse ele, Owen, um dos maiores atores do cinema contemporâneo. Claro que as curvas insinuantes de Monica Bellucci ajudam muito na sensação de vertigem que o filme provoca. Mas não é só isso: Paul Giamatti, novamente roubando a maioria das cenas em que está, atinge a perfeição no equilíbrio entre o cinismo e a verdade de um personagem quase caricatural, baseado no Elmer Fudd (no Brasil, Hortelino Troca-Letra), que vivia atrás do Pernalonga – tanto que, não à toa, o personagem de Owen passa o tempo todo comendo cenouras.    
 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

2808 - MR HOLMES

O GRANDE IAN McKELLEN
MR. HOLMES (USA, UK, 2015) – Sir Ian Murray McKellen tem uma carreira primorosa, passando mais recentemente por clássicos modernos como O SENHOR DOS ANÉIS e O HOBBIT. É um baita ator, que faz jus à linhagem dos grandes britânicos, como Laurence Olivier, Dirk Bogard, Michael Caine, Sean Connery, Alec Guinness, Anthony Hopkins, Jeremy Irons, Peter Sellers e Judi Dench. Nesta pequena obra-prima, ele é Sherlock Holmes, aos 93 anos, auto-exiliado num “cottage” em Sussex, na Inglaterra que, como o auxílio do filho de sua governanta (Laura Linney, soberba), reconstrói a história que está por trás do último caso que resolveu. É impossível não se emocionar com a atuação profunda e magistral de McKellen, um ator que fala à nossa alma através do silêncio e dos olhares. Um “performer” grandíssimo vivendo um personagem icônico de maneira original e reveladora. Indubitavelmente, coisa de gênio.     

2807 - LIÇÕES PARA TODA VIDA

LIÇÕES PARA TODA A VIDA (SECONDHAND LIONS, USA 2003) – Este é um dos filmes “coming of age” que realmente emocionam, pela simplicidade do roteiro e pelas atuações memoráveis de Haley Joel Osment (do sucesso O SEXTO SENTIDO) e dos grandíssimos Michael Caine e Robert Duvall. A história do menino Walter (Osment) que, rejeitado pela mãe , vai passar uma temporada com os tios (Caine e Duvall), aborda temas sensíveis como o resgate das relações familiares, a importância das coisas simples e o sentido reinventado da vida, a partir das descobertas afetivas inesperadas. A sensação é que o filme desabrocha como uma flor, à medida que o menino Walter vai entrando na vida dos dois irmãos que, até então, viviam para si, rejeitando qualquer interação com o mundo exterior. A construção da história épica dos irmãos, no imaginário de Walter, a partir da narrativa que eles fazem, é primorosa.     

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

2806 - O HOMEM IRRACIONAL

O estupendo Joaquin Phoenix observado pelos grandes olhos de Emma Stone
O HOMEM IRRACIONAL (IRRATIONAL MAN, USA 2015)
– Este filme recente de Woody Allen lida com uma questão interessante: já que a vida não faz sentido, não seria o caso de tentar alguma coisa para dar a ela alguma razão? O ritmo, os diálogos, os personagens angustiados, a trilha jazzística, tudo o que caracteriza o universo woodyalleniano está presente no filme, mas este é o tipo de falta de originalidade que é sempre muito benvinda. Woody se debruça sobre os questionamentos de um professor de filosofia (Joaquin Phoenix, sensacional, como de costume) e suas frustrações existenciais e sexuais, que acaba encontrando um propósito na vida ao tomar uma decisão inesperada que o reanima inteiramente.
Escritor por excelência, Allen não resiste ao impulso de, além dos muitos diálogos, encher o filme de offs explicativos dos pensamentos dos personagens principais. A trama ganha contornos rocambolescos, se enche de conversas didáticas, e o final parece apressado. Mas quem acompanha a carreira do diretor há algum tempo sabe que ele não tem grandes preocupações estéticas. Seus fortes são as premissas para uma trama e o humor refinado com que seus diálogos são redigidos, muitas vezes com citações à filosofia, música clássica, psicologia e outras áreas do conhecimento. As futuras gerações nos invejarão por termos sido contemporâneos de um gênio como
Allan Stewart Konigsberg.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

2805 - FRANKENSTEIN DE MARY SHELLEY

FRANKENSTEIN DE MARY SHELLEY (MARY SHELLEY’S FRANKENSTEIN, USA, JAPAN, 1994) – Esta versão em tons operísticos, bem “over”, dirigida e estrelada por Kenneth Branagh possui mais baixos do que altos. Cenas bombásticas, grandiloquentes, muito teatrais, no pior sentido do termo, nada disso contribui para o entendimento da obra de Shelley: o conflito existencial entre o homem e a criação artificial da vida, com todas as implicações éticas que a obra vem suscitando há tanto tempo. Branagh procura evidenciar a figura de Victor Frankenstein como um homem apaixonado pela tecnologia, questionando tudo que considera retrógrado na evolução científica. De certa forma, o filme acaba sendo mais sobre ele e suas contradições e perdas afetivas, deixando de lado a busca por afeto e aceitação da criatura, inesperadamente vivida por Robert De Niro. De Niro enfatiza o processo de “perda da inocência” por que a criatura passa ao se expor à civilização. Sim, é Robert De Niro, mas ainda fica a sensação de que alguma coisa ficou fora de lugar. Fofoca cinematográfica: Branagh, então casado com Emma Thompson, se apaixona, durante a filmagem, por Helena Bonhan-Carter, que, na história, faz Elizabeth, um personagem pouco desenvolvido, num roteiro, cá para nós, mal costurado, como o layout da criatura montada por Victor Frankenstein.     

terça-feira, 9 de agosto de 2016

2804 - PENNY DREADFUL - A PRIMEIRA TEMPORADA

PENNY DREADFUL – A PRIMEIRA TEMPORADA (USA, IRELAND, UK, 2014) – Na Inglaterra do fim do século XIX, as “penny dreadfuls” eram livretos baratos que ofereciam histórias macabras ao preço módico de alguns centavos para consumo ávido do povão. Ao contrário de sua gênese literária, a série produzida pelo canal americano Showtime é uma luxuosa produção de terror, cuja trama é um compêndio de tudo aquilo que atiçava os leitores da era vitoriana – um caldo cultural irresistível que mistura ciência, esoterismo e literatura. Neste cenário “mashup”, a bela, atormentada e sensitiva Vanessa Ives (Eva Green) e o explorador lorde Malcolm (Timothy Dalton) se encontram personagens impensáveis em contextos comuns, como o doutor Victor Frankenstein e Dorian Gray. Agora, o destaque mesmo vai para a provocante Eva Green, cujos olhos verdes e corpo metafísico mesmerizam seres estranhos deste e de outros mundos.  

2803 - DIVERTIDAMENTE

DIVERTIDAMENTE (INSIDE OUT, USA, 2015) – A Pixar agora leva o espectador a uma viagem pela mente de uma criança que tenta se adaptar a difíceis mudanças em sua vida, explorando as raízes bioquímicas das emoções e os mecanismos da memória de curto e longo prazo. O que parece um projeto complexo e desinteressante, principalmente para o público infantil, se mostra uma fascinante aventura dentro da cabeça de uma criança, Riley, uma menina que deixa para trás escola, time de hóquei e amigos, quando sua família se muda para São Francisco. O roteiro passeia delicadamente pela delicada psicologia infantil, oportunizando insights preciosos para a turma adulta que, em muitos momentos da vida, continua se comportando como crianças à mercê das emoções, verdadeiras ou não, mas nem sempre adequadas às situações que s estimulam ou das quais são resultado. O título em português é um achado.  

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

2802 - FILHOS DA ESPERANÇA

FILHOS DA ESPERANÇA (CHILDREN OF MEN, USA, INGLATERRA, 2006) – Excepcional filme com o também estupendo Colin Owen. A espécie humana está fadada a desaparecer não de forma súbita, mas pouco a pouco, devido a um surto de infertilidade que perdura há anos. Theodore Faron (Owen) mora na Inglaterra, um dos poucos países que ainda subsistem de alguma forma, apesar de ter as fronteiras acossadas por multidões de imigrantes. Faron se vê como guardião da única mulher grávida – fato que ninguém mais achava ser possível. Essa nova Eva, negra e imigrante ilegal, é um trunfo político para quem primeiro consiga pôr as mãos nela. O clima distópico toma conta de toda a narrativa e persiste incomodamente em nós bem depois que o filme acaba. Michael Caine faz um personagem interessantíssimo, cuja caraterização, segundo ele, foi baseada em John Lennon. Atenção para a cena em que a mulher, com o filho nos braços, paralisa o cenário de guerra apocalíptica - veja foto ao lado. Uma das melhores produções do gênero.  

2801 - A TRAVESSIA

A TRAVESSIA (THE WALK, USA 2015) – Com uma abordagem inicial quase didática,  Philippe Petit (Joseph Gordon-Levitt) explica o passo a passo do plano de caminhar na corda bamba entre as duas torres do World Trade Center, feito que concluiu com sucesso meses mais tarde, em agosto de 1974. Eram tempos bem diferentes: Petit, apesar de alguns imprevistos, entrou com sua trupe e com todo o material para a travessia, sem que fosse importunado pela segurança do então recém-inaugurado complexo. O roteiro acaba nos cativando, principalmente pela magnética atuação de Gordon-Levitt, que se equilibra entre a seriedade e uma saudável gaiatice na composição de um personagem que, na vida real, já era uma composição ficcional pronta. O próprio Petit contou no bom documentário O EQUILIBRISTA, de 2008, como a emoção tomou conta dele quando, ainda em Paris, encasquetou que iria fazer a travessia e que esta façanha se tornaria um dos marcos do século XIX. Os dois filmes confirmam isso.   

2800 - QUERO SER GRANDE

QUERO SER GRANDE (BIG, USA 1988) – Clássico do cinema dos anos 80, BIG eternizou a cena em que Tom Hanks e Robert Loggia tocam com os pés um teclado gigante, no chão de uma loja de brinquedos. Apesar de toda a leveza, o filme traz questões importantes – sem aprofundá-las, no entanto – sobre as contradições entre o mundo infantil e o adulto, ritos de passagem, relações pais e filhos, a descoberta da sexualidade e do amor, além de um vislumbre do mundo empresarial de Nova Iorque, algo longe de ser brincadeira de criança. Hanks já demonstra o talento e a empatia imediata com o público, logo na primeira cena, na qual acorda 17 anos mais velho, após ter seu desejo atendido por uma misteriosa máquina de parque de diversões. A cena final, simplíssima na sua concepção, é emocionante.  

 

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

2799 - INVASÃO A LONDRES

INVASÃO A LONDRES (LONDON HAS FALLEN, USA 2016) – Sequência pífia de outro filme constrangedor, INVASÃO À CASA BRANCA (2013), este aqui ainda se caracteriza por um roteiro mais pobre ainda, com atores perdidos - mas provavelmente bem pagos – em uma trama que é um festival de clichês e de mau gosto. Os CGIs são primários e as premissas da história – ataques terroristas em massa em Londres – apesar de possíveis, negligenciam o realismo e descartam qualquer inteligência por parte do espectador. Além do mais, Gerard Butler é mesmo um péssimo ator que consegue a proeza de ficar pior a cada filme de que participa. Fico com pena de ver o grande Morgan Freeman nesta roubada.  

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

2798 - O FRANCO-ATIRADOR

O FRANCO-ATIRADOR (THE GUNMAN, USA 2015) – Primeiramente, Sean Penn não era mesmo a melhor escolha para estrelar este thriller de ação, meio ao estilo Jason Bourne. Ao fim do filme, fica-se com a impressão de que outros atores poderiam dar mais charme e carisma ao personagem, já que Penn parece meio desconfortável com a exigência física que o papel demanda. Dito isto, THE GUNMAN prende a atenção por vários motivos. O principal deles talvez seja a já consabida vontade de misturar justiça com vingança, para, ao fim, ver os bandidos serem punidos exemplarmente. A bela paisagem da Europa ajuda a amenizar os diálogos pobres e a atuação anêmica de Penn.

2797 - LOCKE

LOCKE (LOCKE, USA, UK 2013) – Tom Hardy é Locke, um mestre de obras que, ao fim de um dia de trabalho, entra no seu carro e, numa noite chuvosa, empreende uma jornada inesperada entre duas cidades da Inglaterra. Sim, este trajeto é como se fosse uma metáfora da vida, na qual Locke se vê obrigado a tomar decisões que vão afetar sua existência profundamente. Exemplo excepcional de cinema minimalista, LOCKE retoma a premissa de um só ator num ambiente confinado durante todo o tempo, sem que isso canse o espectador em nenhum momento. Hardy tem uma atuação sólida e impressionante, baseada apenas em reações provocadas por chamadas telefônicas com as quais ele tem que lidar até chegar ao seu destino. Estupendo em todos os aspectos.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

2796 - UMA VIAGEM EXTRAORDINÁRIA

UMA VIAGEM EXTRAORDINÁRIA (THE YOUNG AND PRODIGIOUS T.S. SPIVET, USA 2013) – Um garoto de 10 anos sai de seu rancho em Montana e vai até Washington, para receber um prêmio por uma invenção sua, dado pelo Instituto Smithsonian. Esta é a história de TS Pivet, “cute as a button”, que, vivido por Kyle Catlett, lembra muito Macaulay Culkin, em ESQUECERAM DE MIM, e que constrói sua narrativa num road movie meio ao estilo de Tim Burton, em função dos personagens caricatos que vai encontrando pelo caminho. A primeira parte do filme prima pela estonteante fotografia do interior dos EUA, o que representa o grande atrativo deste filme fofo que encanta e leva à reflexão na medida certa, mas sem a magia de O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN (2001).

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

2795 - A ERA DO GELO: O BIG BANG

A ERA DO GELO: O BIG BANG (ICE AGE: COLLISION COURSE, USA 2016) – Esta quinta edição da franquia parece ter derrapado feio (no gelo, talvez), principalmente na concepção do roteiro, confuso demais para uma história que se pretende leve e divertida, como os primeiros três filmes. Ao lidar com uma situação hipotética – mas provável -, que é a colisão de um meteoro com a Terra, os personagens acabam aprofundando uma discussão que pode tirar o interesse do público infantil, principalmente. O filme tenta conferir a cada protagonista um conflito interno que muitas vezes não acompanha a trama, como se fosse mera atribuição burocrática, uma quase obrigação dos roteiristas. Heloísa também não gostou.

sábado, 30 de julho de 2016

2794 - O PROTETOR

O PROTETOR (THE EQUALIZER, USA 2014) – É impressionante como Denzel Hayes Washington, Jr. é um ator talentoso. Neste excelente filme, ele tem poucas falas e deixa a emoção dar as cartas em todas as suas cenas. Acreditando que colocou seu passado para trás, ao se dedicar a uma nova profissão e a uma vida frugal, Robert McCall (Washington) resolve pôr em prática novamente suas habilidades como ex-agente da CIA, para debelar uma máfia russa que controla a prostituição na sua cidade. Um dos aspectos mais legais nesta história é o fato de o personagem principal dar um valor especial à leitura, como uma forma de reencontrar a paz. Aos poucos, vamos descobrindo camadas de complexidade em McCall e alcances sutis de sua personalidade, revelados, em muitas cenas, apenas com o olhar do astro de TRAINING DAY, também dirigido por Antoine Fuqua. O PROTETOR entra fácil na lista de melhores filmes, especialmente por causa da força cênica incomparável de Denzel Washington.      
 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

2793 - ROBIN HOOD: PRÍNCIPE DOS LADRÕES

Freeman e Costner
ROBIN HOOD: PRÍNCIPE DOS LADRÕES (ROBIN HOOD: PRINCE OF THIEVES, USA 1991) – Surfando no sucesso de DANÇA COM LOBOS, Kevin Costner fez, aqui, um Robin Hood bem convincente, apesar do sotaque americano demais. Sem grandes pretensões, o filme acabou sendo um dos melhores da safra do início dos anos 90, reunindo todos os cânones que caracterizam esta tradicional história: muita ação, aventura, romance e o ingrediente infalível da vingança contra um vilão adorável (aqui, mais adorável ainda, pois é feito por Alan Rickman). Claro, Morgan Freeman está no elenco, o que torna qualquer filme obrigatório. Continua sendo diversão garantida. Atenção para a rápida participação do grande Sean Connery, na última cena.   

quinta-feira, 28 de julho de 2016

2792 - GRACE DE MÔNACO

Nicole Kidman
    GRACE DE MÔNACO (GRACE OF MONACO, USA, FRANCE, 2014) – Biopics sempre têm seu quinhão de controvérsia, por vários motivos, principalmente por apresentarem, em muitos casos, uma versão mais fantasiosa do que real da vida dos personagens enfocados neste tipo de produção. Nicole Kidman tem uma atuação honesta, como sói acontecer com seus papéis, mas, na realidade, o roteiro não ajuda muito, mostrando, principalmente a sua dificuldade de adaptação às obrigações da realeza e a vontade, reprimida por Ranier, de voltar a atuar em Hollywood. O excelente Frank Langela aparece num papel pequeno, mas, quando está em cena, ele mostra como é bom ator. De todo modo, o filme traz de volta um aspecto histórico sobre o qual poucos falam: o Atlantismo, doutrina política que advoga uma intensa cooperação entre os EUA e os países europeus. Com a globalização contemporânea, acabou ficando mal vista. 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

2791 - A MARCA DA MALDADE

Charlton Heston e Janet Leigh
        A MARCA DA MALDADE (TOUCH OF EVIL, USA 1958) – Obra-prima de Orson Welles, é talvez o mais importante filme noir de todos os tempos. A fotografia em preto e branco é primorosa, refletindo com sutileza a natureza dos personagens, divididos de maneira bem clara entre o bem e o mal. O filme já arrebata a partir da impactante abertura, um plano-sequência espetacular que dá o tom sombrio da história: alguém põe uma bomba na mala de um carro, que explode logo em seguir, matando seus dois ocupantes, sob o olhar de Mike e Susan (Charlton Heston e Janet Leigh). Considerado o último grande filme noir, “A Marca da Maldade” encerra com dignidade o período clássico do movimento. Com um fascinante estudo de personagem, muitas cenas marcantes e uma trama envolvente, o longa comprova a competência de Orson Welles tanto na direção quanto na atuação, apresentando a dualidade do ser humano de maneira contundente e deixando o espectador reflexivo. O “toque de maldade” do título original em inglês poderia muito bem se referir ao toque de gênio que Welles dava em seus filmes.

terça-feira, 26 de julho de 2016

2790 - NUNCA É TARDE PARA AMAR

NUNCA É TARDE PARA AMAR (I COULD NEVER BE YOUR WOMAN, USA 2007) – Apesar do título meio brega em português – e, convenhamos, um pouco “cheesy” em inglês também – o filme tem sua graça, principalmente por causa de Michelle Pfeiffer, sempre um encanto, mesmo quando se propõe a fazer um personagem que não tem nada a ver com o que ela emana: aqui ela é uma mulher divorciada, com uma filha adolescente, que se apaixona por um homem mais jovem, Adam (Paul Rudd, o agora HOMEM-FORMIGA e o então amor da vida de Phoebe, na temporada final de FRIENDS). O problema, a meu ver, é que, apesar de ser boa atriz, Michelle Pfeiffer não combina bem com um personagem pouco desenvolvido, como a sua Rosie desta história. Rudd se destaca com uma atuação debochada, mas criteriosamente dentro dos limites sensatos do histrionismo.  

segunda-feira, 25 de julho de 2016

2789 - AS CARIOCAS

AS CARIOCAS (BRASIL, 1966) – O filme é dividido em três partes dirigidas respectivamente por Fernando de Barros, Walter Hugo Khouri e Roberto Santos. O roteiro adapta três contos do livro homônimo de Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), que fez a narração do prólogo com cenas alusivas ao Rio de Janeiro da época, mostrando o futebol (cenas de gols de Pelé e Garrincha pela Seleção Brasileira), carnaval e desfiles de concurso de beleza. O filme fecha com imagem aérea do Cristo Redentor ao som de "Cidade Maravilhosa". O gênero cinematográfico variou conforme a história: a primeira é contada como uma comédia romântica, a segunda um drama e a terceira um pseudo-documentário. Nessa última parte, há uma curiosa comparação mostrando cenas das ruas da Penha e de Copacabana, destacando os contrastes sociais da pobre zona norte com a rica zona sul do Rio de Janeiro

2788 - EVEREST

EVEREST (EVEREST, USA, INGLATERRA, ISLÂNDIA, 2015) – Em apenas dois dias, em 1995, morreram doze alpinistas que escalavam a montanha mais alta do mundo – é esta história trágica que EVEREST reconstitui, sem grandes alegorias dramáticas artificias, pois os fatos em si já dão a dimensão da aventura a que grupos de alpinistas se atiram pela razão simples dada pelo inglês George Mallory, que nunca retornaria de sua expedição de 1924: porque ela, a montanha, está lá. De fato, durante o filme, nos perguntamos o que pode levar uma pessoa a se lançar em um mundo no qual não há nem deveria haver lugar para o homem. O grande efeito desta produção bem cuidada, e com uma fotografia irretocável, é captar o feito de vontade que é subir a montanha mais alta da Terra. Keira Knightley tem um papel pequeno, mas marcante na forma como une o passado e o presente de uma história tão trágica como bela – não deixem de assistir aos créditos até o fim.   

terça-feira, 19 de julho de 2016

2787 - FORA DE ALCANCE

    
FORA DE ALCANCE (BEYOND THE REACH, USA 2014) – Michael Douglas ainda tem uma presença magnética em cena, mas o que segura mesmo este filme é a oportunidade que temos de ver o então recentíssimo Mercedes Benz 6X6, que também foi a estrela de JURASSIC WORLD, em ação no belíssimo cenário do deserto de Mojave. O roteiro, no entanto, é pífio e cheio de falhas: Douglas é um milionário que contrata um rapaz para ser seu guia no deserto, onde ele supostamente deseja caçar um animal exótico. Depois da reviravolta (previsível) os dois passam a viver um jogo de gato e rato, sem qualquer resultado dramático até o final constrangedor.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

2786 - OS ÚLTIMOS CAVALEIROS

1.   OS ÚLTIMOS CAVALEIROS (LAST KNIGHTS, UK, 2015) – Bem, Morgan Freeman é obrigatório. Dito isto, acrescente-se que Clive Owen também o é. É uma aventura medieval, bem ao estilo Games os Thrones, com uma fotografia caprichada e um roteiro marcado por corrupção, batalhas sangrentas e vingança. Owen, como sempre, está perfeito no papel de um cavaleiro que busca justiça, depois que um vilão começa a tomar conta do reino de seu mestre (Freeman).


sexta-feira, 8 de julho de 2016

2785 - SONHOS À DERIVA

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SONHOS À DERIVA (RUDDERLESS, USA 2014) – Na SKY, este filme vem com o título SEM RUMO. Excelente estreia de William H. Macy na direção. É também uma ótima oportunidade de ver como Billy Crudup é um excelente ator e que merece melhores papéis. Aqui ele é Sam, cujo filho foi responsável por uma chacina na faculdade onde estudava, acabando morto também. Deprimido, largo o emprego e vai morar num barco e viver de pintar paredes de casas de classe média. Quando encontra um material musical deixado pelo filho, decide tocar suas canções, como uma forma de elaborar a perda e a culpa de ter sido um pai ausente. A narrativa tem ritmo e profundidade, nunca deixando de lado a perspectiva das transformações que ocorrem dentro de Sam. Crudup faz um excelente trabalho, lembrando Joaquin Phoenix até fisicamente. O dado dramático é a presença de Anton Yelchin, que morreu agora em junho, num acidente com o próprio carro. Ele também está ótimo como o rapaz que instila novamente em Sam a vontade de viver e de superar o trauma que a tragédia que o filho provocou.  

quinta-feira, 7 de julho de 2016

2784 - VOCÊ ACREDITA?

 VOCÊ ACREDITA (DO YOU BELIEVE? USA 2015) - Doze pessoas, seguindo caminhos diferentes, têm suas vidas interceptadas de forma inesperada. Cada um deles está prestes a descobrir o poder que há na cruz de Cristo, ainda que muitos deles não acreditem nisso. Uma crença verdadeira sempre requer ação e esta é a mensagem deste filme cristão, feito especialmente para este grupo de pessoas. O roteiro é fraco e as atuações são muito constrangedoras. Vale observar a participação de Lee Majors e Cybill Shepherd, como casal protagonista de um dos esquetes. Na indústria cinematográfica, um título com ponto de interrogação é considerado sinal de má sorte.   

quarta-feira, 6 de julho de 2016

2783 - A COSTA DO MOSQUITO

1.   A COSTA DO MOSQUITO (THE MOSQUITO COAST, USA 1986) – Harrison Ford diz que, na sua carreira, este é o filme em que mais gostou de atuar. De fato, ele faz muito bem o papel de um homem desiludido com o “american way of life”, que decide levar a família para o meio de uma selva, numa região da América Central. Lá, ele pretende construir uma sociedade longe dos preceitos capitalistas que tanto o confrangem. Segunda parceria de Ford com o diretor Peter Weir – a primeira foi o ótimo A TESTEMUNHA, o filme é baseado no livro de Paul Theroux, e traz Helen Mirren e River Phoenix que, mais tarde, faria o jovem Indiana Jones no terceiro filme da série. O roteiro acaba ficando meio cansativo, mas a história é instigante, porque mostra que o desejo do personagem principal esbarra na duplicação do cenário do qual ele tanto quis fugir. O fato é que Allie (Ford) segue o caminho da loucura, como acontece com os extremistas, igual como acontece na vida real. Mas é aí que reside o poder envolvente de sua trama. Uma variação moderna da vida de Robinson Crusoé, só que diferentemente nesse filme a sua ida a selva, ou diria o encontro com a natureza exuberante é por vontade própria e não por conta de um naufrágio. Muitas vezes, encontramos pessoas que nunca se contentam com suas vidas, sonhando com outro lugar, em outro ambiente, onde teriam a vida perfeita, mas esquecem que, na mudança, também se levam todas as angústias e fantasmas interiores. Mas o fato é que não adianta fugir de você, ou seja, o mundo que se leva é o mesmo, por isso pondere com cuidado, pois não mergulhe em mudanças extremas, elas podem ser para muito pior.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

2782 - RÁPIDA E MORTAL

RÁPIDA E MORTAL (THE QUICK AND THE DEAD, USA 1995) – Neste western, com excepcional fotografia, traz Sharon Stone como uma pistoleira sem nome, bem ao estilo Clint Eastwood, buscando vingança pela morte do pai. O alvo desta vendeta é o grande Gene Hackman, num papel bem abaixo de seu talento. Leonardo DiCaprio também está presente, assim como Russel Crowe, num papel ao seu estilo: poucas falas, menos risos ainda. O filme tem uma pretensão de ser grande, mas acaba ficando chato, muito em função do enredo pouco original e da pouca variação de locações, embora o deserto do Arizona emoldure a ação esplendorosamente. Sharon Stone num personagem misterioso, sedutor e mortal. Acho que já vimos este filme antes, não?