sábado, 3 de outubro de 2026

5057 - COWBOYS & ALIENS (2011)


COWBOYS E ALIENS (COWBOYS AND ALIENS, USA, 2011) – Quando James Bond e Indiana Jones se reúnem, no velho Oeste americano, para lutar contra aliens que querem roubar o ouro da Terra, temos uma premissa original e extremamente promissora, capaz de resultar num filme de ficção científica espetacular. No entanto, não é essa a sensação que nos atinge depois que C&A termina, apesar do elenco estelar (Daniel Craig, Harrison Ford, Olivia Wilde, Sam Rockwell, Clancy Brown, Keith Carradine). A primeira parte, com Jake Lonergan (Craig) acordando no deserto do Arizona, sem lembrar quem é, de onde veio e sem saber o que é o estranho bracelete de aço no seu pulso, até o primeiro ataque dos aliens voadores, é promissora, graças ao charme misterioso de Craig, numa atuação que lembra o agente secreto mais famoso do MI6 (“agente secreto famoso” é o maior paradoxo do universo cinematográfico, mas quem se importa?). Os cowboys, símbolos da resistência humana contra a natureza e contra outros homens, agora enfrentam uma ameaça cósmica. Isso amplia o mito da “fronteira” para além da Terra. O espectador é convidado a aceitar uma lógica narrativa que parece absurda à primeira vista, mas que funciona como metáfora da luta contra o desconhecido. No entanto, as premissas ilocutórias vão perdendo força - a partir daí, o roteiro se arrasta até o final, quando o embate dos seres alienígenas com os cowboys e índios ( ! ) fica parecendo uma solução apressada e sem conexão com a proposta inicial. Cowboys & Aliens se destaca por sua ousadia em misturar gêneros díspares. O ineditismo do argumento é seu maior trunfo: ele abre espaço para imaginar o Velho Oeste como palco de uma batalha interplanetária. Mesmo que a execução tenha sido considerada irregular, o filme permanece como exemplo de como Hollywood pode renovar narrativas clássicas através de combinações inesperadas, já vistas em Westworld e Firefly, apesar de irregulares, como essa. Até mesmo Craig e Harrison parecem desanimados com o desenvolvimento da trama, que só se salva mesmo quando o ótimo diretor Jon Favreau põe em close o rosto de Olivia Wilde. When James Bond and Indiana Jones team up in the old American West to fight aliens who want to steal Earth's gold, we get an original and extremely promising premise, capable of becoming a spectacular science fiction movie. However, this is not the feeling that hits us after C&A ends, despite the stellar cast (Daniel Craig, Harrison Ford, Olivia Wilde, Sam Rockwell, Clancy Brown, Keith Carradine). The first part, with Jake Lonergan (Craig) waking up in the Arizona desert, without remembering who he is, where he came from and not knowing what the strange steel bracelet on his wrist is, until the first attack of the flying aliens, is promising, thanks to Craig's mysterious charm, in a performance reminiscent of MI6's most famous secret agent ("famous secret agent" is the greatest paradox in the cinematic universe, but who cares?). Cowboys, symbols of human resistance against nature and against other men, now face a cosmic threat. This expands the myth of the "frontier" beyond Earth. The viewer is invited to accept a narrative logic that seems absurd at first glance, but which works as a metaphor for the fight against the unknown. However, the illocutionary premises lose strength; from then on, the script drags on until the end, when the clash of alien beings with cowboys and Indians ( ! ) feels like a rushed solution, disconnected from the initial proposal. Cowboys & Aliens stands out for its boldness in mixing disparate genres. The novelty of the script is its greatest asset: it opens space to imagine the Wild West as the stage of an interplanetary battle. Even though the execution was considered irregular, the film remains an example of how Hollywood can renew classic narratives through unexpected combinations, already seen in Westworld and Firefly, although irregular, such as this one. Even Craig and Harrison seem discouraged by the development of the plot, which is only saved when the great director Jon Favreau closes in on Olivia Wilde's face.