segunda-feira, 28 de maio de 2012

1341 - TODA FORMA DE AMOR

TODA FORMA DE AMOR (BEGINNERS, 2011) – perto dos 40 anos, Oliver (Ewan McGregor, estupendo) perde a mãe e seu pai anuncia que vai se assumir “gay”. Estes fatos o atingem e forma devastadora, o que vai dar início a uma resconstrução pessoal tendo como contraponto a felicidade libertária do pai. Christopher Plummer que, aos 82 anos, tornou-se o ator mais velho a receber o Oscar, tem uma atuação emocionante e inspiradora, sublinhando com sutilezas as alegrias recém-descobertas, a partir do momento que saiu do armário e passa a ter contato com a beleza desajeitada da autodescoberta. No entanto, é o escocês Ewan Mcgregor a alma do filme, no papel do filho que começa a se descobrir muito menos corajoso que o pai, especialmente diante da possibilidade de ser feliz com a francesa Ana (Mélaine Laurent, de Bastardos Inglórios). A percepção do passar do tempo se agudiza dramaticamente quando um fato inesperado abrevia esta fase de descoberta do próprio pai. E atenção para Arthur, o cachorro de Oliver. 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

1340 - UM CONTO CHINÊS

UM CONTO CHINÊS (UM CUENTO CHINO, ARGENTINA, 2001) o filme é uma dessas joias que, felizmente, o cinema portenho vem nos oferecendo há alguns anos. É incrível como os argentinos desenvolveram a capacidade de contar com simplicidade, bons diálogos e ótimos atores uma história cotidiana que em mãos menos hábeis não teria o mesmo resultado. “Um Conto Chinês” prima pelo bom humor e pela capacidade de se fazer bom cinema com donaire, sem efeitos de câmera publicitária como gostam os diretores brasileiros, e para grandes plateias. E eles ainda têm a sorte de contar com patrimônio nacional, que é Ricardo Darín, sustentando sozinho esta comédia dramática do diretor Sebastián Borensztein. Enxuto no tom, austero na encenação, simples mas preciso na execução e primorosamente escrito, o filme se alinha a uma corrente que vem ganhando corpo no cinema argentino: competência no drama sentimental (sem os arroubos tradicionalmente trágicos em excesso que caracterizam a “anima” portenha), no realismo  intransigente, na vocação memorialista e no experimentalismo. Aqui, o choque de culturas ganha novos contornos ao colocar frente a frente, num golpe do destino, um chinês perdido em Buenos Aires e o metódico e rabugento dono de uma pequena loja de ferragens, vivido com brilhantismo por Darín. É deste encontro inusitado que vai aflorar um resgate marcante com emoção perdida nos desvãos das vidas de duas pessoas tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão idênticas na capacidade de experimentar a própria dor. 

1339 - ARMADILHA DO DESTINO

ARMADILHA DO DESTINO (WRECKED, USA 2010) – este é um daqueles filmes que começa pelo fim: no meio de um bosque, um homem (Adrien Brody) acorda dentro de um carro, após um acidente que provoca a morte dos outros ocupantes, e, muito machucado, não se recorda de nada. Então, tenta sair das duas prisões – a primeira são as ferragens do próprio carro e a segunda, a solidão da floresta. Aos poucos, as lembranças vão voltando. É um roteiro difícil, principalmente para o protagonista, pois ele tem que praticamente atuar sozinho, com pouquíssimas falas. O que salva o filme é precisamente é a atuação correta e sensível de Brody que, por sinal, vem se esforçando para conseguir bons papeis, desde que conseguiu o Oscar, em 2002, por seu trabalho em O Pianista. 



1338 - O PODER E A LEI

O PODER E A LEI (LINCOLN LAYWER, USA 2011) - Michael Haller (Matthew McConaughey, surpreendentemente bem no papel) um advogado criminal que procura o seu grande caso para o sucesso mas que no entanto vai aproveitando as oportunidades que lhe aparece para ganhar algum dinheiro defendendo toda a espécie de clientes. Sem se esforçar muito aceita na maior parte das vezes casos fáceis de ganhar algum dinheiro simples tais com motoqueiros, prostitutas, vigarista, motoristas bêbados e traficantes de droga, de forma a garantir o seu ganho do dia-a-dia, pois para este advogado a lei raramente é sobre a culpa ou inocência - é sobre a negociação e a manipulação. Às vezes é até mesmo sobre a justiça. Mas certo dia o grande caso da sua vida aparece e tudo aparenta que vai mudar o ruma da sua carreira, defender um rico playboy que se meteu num grande problema, porque acaba por ser acusado de violação e tentativa de assassinato de uma prostituta. 
Aparentemente o que parecia a Michael mais um caso fácil onde podia ganhar grandes somas de dinheiro fácil, acaba por descobri que afinal não mergulhou no mar de rosas, mas que tudo acaba por muda de figura quando na realidade ele descobre que este caso lhe transforma a vida num louco e perigoso jogo de sobrevivência. Descobre que o cliente mente e encobre uma verdadeira intriga chegando mesmo a identificar que poderá haver ligação com um anterior, estranho e misterioso caso passado pelas suas mãos, cujo ex-cliente compre pena de prisão. Para escapar sem ser queimado, ele deve implementar cada estratégia, despiste, e instinto como sua fiel arma para poder desta vez salvar sua própria vida e de sua família. 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

1337 - O MISTÉRIO DA RUA 7


1.      MISTÉRIO DA RUA 7 (VANISHING ON 7TH STREET, USA 2010) - O filme partilha dessa mesma premissa moral com uma novidade: a mescla do subgênero ficção científica pós-apocalipse com o terror. O resultado é um surpreendente encontro entre a religião e o pensamento ecologicamente correto que encobre a velha estrutura clichê moralista da narrativa hollywoodiana: quebra-da-ordem-e-retorno-a-ordem, isto é, a punição dos personagens que ousam quebrar a ordem moral, política, social e, no caso desse filme, o pensamento ecologicamente correto. O filme inicia até com uma interessante sacada metalinguística. O projecionista Paul (John Leguizamo) exibe a comédia mais recente de Adam Sandler enquanto folheia um livro sobre demônios antigos. Entediado, critica o filme como previsível desde o início. De repente as luzes se apagam e todos no cinema desaparecem, deixando para trás suas roupas, com exceção de Paul que estava com uma lanterna.Nas próximas sequências vemos outros três personagens (o repórter de TV Luke - Hayden Christensen – a fisioterapeuta Rosemary – Thandie Newton – e o quase órfão James – Jacob Latimore) que sobrevivem em refúgios de luz enquanto todos vão desaparecendo ao redor. Os dias estão ficando mais curtos e a escuridão mais longa. Logo percebem que há em meio à escuridão  vozes e vultos ameaçadores, seres de origem desconhecida à espera de que as luzem se apaguem para sumirem com as pessoas desse mundo. Mas em “Mistério da Rua 7” temos uma novidade: a entrada do discurso ecológico como uma nova base moderna para o fundamentalismo moral. O subgênero cinematográfico com temas apocalípticos parece adotar a temática ecológica para criar um novo tipo de moralismo onde todas as catástrofes do planeta (tsunamis, terremotos, nova era glacial etc.) seriam decorrentes dos pecados humanos. Tecnologias “sujas” (química-industrial) como decorrência direta da mentalidade suja e decadente da humanidade. O fundamentalismo ecológico encontra-se com o puritanismo moral.

1336 - QUO VADIS

QUO VADIS (QUO VADIS, USA 1951) - Após três anos em campanha, o general Marcus Vinicius (Robert Taylor) retorna à Roma e encontra Lygia (Deborah Kerr), por quem se apaixona. Ela é uma cristã e não quer nenhum envolvimento com um guerreiro, mas apesar de ter sido criada como romana Lygia é a filha adotiva de um general aposentado e, teoricamente, uma refém de Roma. Marcus procura o imperador Nero (Peter Ustinov) para que ela lhe seja dada pelos serviços que ele fez. Lygia se ressente, mas de alguma forma se apaixona por Marcus. Enquanto isso as atrocidades de Nero são cada vez mais ultrajantes. Quando ele queima Roma e culpa os cristãos, Marcus salva Lygia e a família dela. Nero captura os todos os cristãos e os atira aos leões, mas no final Marcus, Lygia e o cristianismo prevalecerão. O grande barato deste filme é a atuação de Peter Ustinov como o ensandecido Nero. 

1335 - STAR TREK

STAR TREK (STAR TREK, USA 2009) - James Tiberius Kirk é um adolescente rebelde de Iowa sempre em busca de emoções, um líder por natureza à procura de uma causa. Spock cresceu no planeta Vulcano, excluído por ser metade humano. Ele é um aluno engenhoso e o primeiro de sua raça a ser aceito na Frota Estelar. Em sua busca para descobrir quem realmente são e o que têm a oferecer ao mundo, Kirk e Spock logo tornam-se competitivos cadetes em treinamento. Com estilos drasticamente opostos, um movido por paixão, o outro, por lógica, tornam-se adversários, fazendo de tudo para estar entre os escolhidos da mais avançada nave já criada, a U.S.S. Enterprise.

terça-feira, 22 de maio de 2012

1334 - PADRE

PADRE (PRIEST, USA 2011) thriller pós-apocalíptico que tem como cenário um mundo alternativo, no qual vampiros e a humanidade lutam entre si há séculos. O ótimo Paul Bettany faz um padre que é obrigado a viver numa cidade completamente controlada pela Igreja, até que tem que entrar em ação contra os vampiros que seqüestraram sua sobrinha. É o tipo do filme “nem aqui nem lá”, se é que me entendem. Não? Pois é, talvez seja um filme para não ser levado a sério mesmo, apesar da presença de um ator muito bom, como Bettany – e de sorte, pois é casado coma Jennifer Connely. 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

1333 - SHAME

SHAME (SHAME, INGLATERRA 2011) – não fosse o diretor Steve McQueen também um artista plástico, “Shame” não seria o que é: um filme como uma escultura, uma instalação mais ou menos permeável à interação com o espectador, uma tela onde convivem tintas fortes e angustiantes. Toda a narrativa do filme gira em torno de Brandon, magnificamente interpretado por Michael Fassbender, um personagem que é a própria personificação do que há de mais paradoxal no ser humano. Brandon é um viciado em sexo. Não alguém que gosta de sexo, ou que apenas faz muito sexo, mas alguém patologicamente dependente de sexo. Mais que um atalho escapista, sexo, para ele, é um ritual de auto-humilhação e degradação, como se sua vida não representasse nada e fosse um vazio niilista que, numa metáfora ousada, mais se aproxima de um buraco negro, num processo autofágico que assusta, de tão real. Brandon está numa bolha – todos os dias, a mesma rotina: metrô, trabalho, sexo, drinques em locais “descolados” em Manhattan e mais sexo. Sempre imerso numa solidão cósmica que parece não acabar, mesmo com a chegada de sua irmã (Carey Mulligan), outra solitária, porém mais conectada com a vida, seja pela música ou pelos desencontros amorosos. Numa cena, Brandon vai vê-la cantar “New York, New, York”, cuja letra parece refletir o mundo cruel e competitivo da grande cidade: numa ideologia neoliberal, só não vence quem não tem competência para isso. Mas o que é “vencer”? O que é essa necessidade brutal que nos faz correr ansiosos para o futuro, enquanto a vida só está no presente? Brandon está mergulhado até a raiz dos cabelos cuidadosamente penteados com gel nesta corrida maluca e acometido por um vício que, paradoxalmente, envolve o outro, mas só desenvolve o isolamento social e psíquico. Isso fica claro quando se encontra com Marianne, uma colega de trabalho e, inesperadamente, brocha – este é o ponto de inflexão decisivo de “Shame”, pois qualquer rachadura na redoma de sua vida o faz tremer e perder a suposta segurança que o mantém vivo. Marianne não é uma prostituta ou uma mulher que ele não verá no dia seguinte, mas sim uma mulher com todas as qualidades amoráveis que ele não consegue ver e que acredita em relacionamentos. Ao não conseguir ter sexo com a mulher de quem se aproxima de forma um pouco mais consistente, o personagem entra em uma espiral que o leva a uma catarse profunda. Só esta reflexão justifica assistir ao filme que, entre outras coisas, lida com habilidade incomum e corajosa, com as incoerências que tanto abominamos em nós e nos outros, mas que – não há como negar – é matéria inerente à constituição existencial do homem pós-moderno. Sem aprontar soluções, o filme coloca Brandon, na última sequência do filme, de volta ao cenário da primeira cena, impecavelmente vestido, dando em cima da mesma passageira. Um cartaz, dentro do trem, dá um toque ao mesmo tempo irônico e intrigante, porém bem consonante como o ritmo da selva de pedra e aço: “Improving, don’t stop” (“Melhorando, não pare”). Talvez aí esteja a sutil solução – ou o começo dela – para gente como Brandon, em todas as partes do mundo. 

sábado, 12 de maio de 2012

1332 - EU SOU O NÚMERO QUATRO

EU SOU O NÚMERO QUATRO (I AM NUMBER FOUR, USA 2011) - aula de matemática - nove alienígenas fugiram do planeta Lorien, onde eram conhecidos por números, para se esconder na Terra. O objetivo era se esconder dos Mogadorians, inimigos que precisam eliminar todos eles - e na ordem certa - para que poderes especiais não possam ser usados contra eles no futuro. A caçada já começou e os números Um, Dois e Três já foram assassinados. O número Quatro vive disfarçado entre os humanos, como John Smith (Alex Pettyfer), ajudado por seu protetor Henri (Timothy Olyphant) na tranquila cidade de Paradise, em Ohio. Enquanto descobre seus novos poderes, Smith conhece a estudante Sarah Hart (Dianna Agron) e se apaixona por ela, colocando em risco a vida de ambos e o futuro de sua raça, porque o inimigo já o localizou. A sua sorte é que a número Seis (Teresa Palmer) também o encontrou e ela pode ajudar na batalha. Há uma série de coisas mal explicadas no roteiro deste filme fraco, baseado numa premissa sem sentido – daí os furos, pois fica muita coisa sem explicação. Alguns efeitos razoáveis e uma bela atriz, Diana Agron, de Glee.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

1331 - A SUPREMA FELICIDADE

A SUPREMA FELICIDADE (BRASIL, 2011) – Arnaldo Jabor volta a filmar, depois de 25 anos. Necessariamente, um bom diretor não perde a mão, se deixar de botar a mesma na massa cinematográfica por tanto tempo, mas esta retomada me deixou um pouco perdido em relação ao que o filme realmente se relacionava. Há um certo descompasso entre a proposta memorialista/nostálgica e a tentativa de emular a estética felliniana. Notei uma teatralidade forçada nos diálogos – muito talvez porque Jabor venha sendo muito mais um escritor do que um diretor de cinema nos últimos tempos. A verborragia dos personagens os descaracteriza da humanidade que o diretor/autor pretendeu, quando costurou sua colcha de retalhos das lembranças de sua vida durante os anos 40 e 50. A edição retalha com mão muito pesada o espaço temporal do filme em um vai-e-vem que só prejudica a evolução do personagem central. Há, entretanto, algumas luzes que prendem a atenção e que, não por acaso, são oriundas mais das atrizes do que dos seus personagens: Maria Flor sequestra nossa atenção em apenas duas cenas, e Tammy Di Calafiori, que começa apenas como um clone de Marilyn Monroe e, na cena seguinte, num dos raros bons diálogos do filme, faz o espectador se dar conta de que está diante de uma atriz que promete. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

1330 - ADRENALINA 2

ADRENALINA 2 (CRANK: HIGH VOLTAGE, USA 2009) – se o primeiro filme até que tinha uma boa premissa – homem envenenado precisa estar sempre “pilhado” para que o veneno não o mate - , esta sequência descamba para o esculacho geral, na trama que conta como Chev Chelios (Jason Statham) sobreviveu à queda de um helicóptero (!) e teve o coração roubado, literalmente, por uma gangue chinesa, que queria o órgão para ser implantado num chefão mafioso. Pois é, nada mais louco, não? Acontece que, neste tipo de filme, não dá para sermos lógicos ou coerentes. O que vale é o conceito, e basta aceitar que uns podem gostar e outros não. Nada de mergulhos radicais em interpretações mirabolantes sobre o que o diretor quis dizer. Embarca-se na trama como se entra numa montanha russa, esperando apenas sustos e excitação visual. É isso que o filme propõe, e nada mais devemos esperar dele. A simpática Amy Smart volta ao papel da esposa de Chelios e dá ao filme charme e a sensualidade que os aficionados pelo gênero também apreciam. Uma surpresa; David Carradine aparece numa cena rápida, como um chinês idoso, numa referência clara a Kung Fu. 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

1329 - O MANTO SAGRADO

Nos últimos anos do reinado de Tibério (Ernest Thesiger), quando Roma era a "dona do mundo", Marcellus Gallio (Richard Burton) é um tribuno que está sempre envolvido com jogos ou mulheres. Além disto tem uma rixa pessoal com Calígula (Jay Robinson), o herdeiro do trono. A situação se complica quando Marcellus oferece, em um leilão de escravos, a absurda quantia de três mil moedas de ouro por Demétrio (Victor Mature), que também estava sendo disputado por Calígula. Ao se ver derrotado por Marcellus, Calígula encara isto como uma afronta pessoal e então manda o tribuno ir servir imediatamente em Jerusalém, na Palestina, considerado o pior lugar do império. Entretanto, devido a motivos políticos, após pouco tempo em Jerusalém o tribuno é chamado de volta por Tibério. Mas, antes de partir, recebe a missão de supervisionar a execução de uma sentença: a crucificação de Jesus Cristo. Finda a tarefa, ele e outros soldados disputam em um jogo de dados próximo à cruz a posse do manto vermelho usado pelo mártir. Marcellus vence mas o manto fica com Demetrius, pois quando Gallio tentou usar o manto algo o afligiu de forma indescritível. Demétrio, que já tinha se tornado um cristão, lhe tirou o manto e disse que jamais o serviria novamente, pois ele tinha crucificado seu mestre. Em seu retorno Gallio fala frases sem sentido, como se algo muito forte o atormentasse. Já em Capri, onde estava o imperador e Diana (Jean Simmons), que Gallio ama e é correspondido, alguns membros da corte e o próprio Tibério, vendo que Gallio se portava de modo estranho, ouvem por horas o que aconteceu com o tribuno em Jerusalém. Tibério acha que o tribuno pode ter perdido a razão, mas quando Gallio atribui que a aflição que sente só aconteceu após se cobrir com o manto de Jesus, então o adivinho da corte conclui que o manto estava enfeitiçado e precisa ser destruído. Isto parece lógico tanto para Tibério como para Marcellus, então o tribuno irá retornar à Palestina para destruir o manto e descobrir os nomes dos cristãos, mas esta viagem irá afetar profundamente sua vida.

1328 - TWO AND A HALF MEN - TERCEIRA TEMPORADA

TWO AND A HALF MEN, TERCEIRA TEMPORADA – esta terceira temporada tem os seguintes episódios destacados: Charlie arranja uma namorada adoradora de Satã, e Alan embarca na mesma história; Martin Sheen aparece como o pai de Rose e, depois, cai de amores pela mãe de Charlie; Emmanuelle Vauguier faz o papel de Mia, professora de dança por quem Charlie se apaixona, mas que tenta mudar o seu estilo de vida; Alan começa a se envolver com a descerebrada Kandi, até se casar com ela em Las Vegas.

1327 - O HOMEM SEM SOMBRA

O HOMEM SEM SOMBRA (HOLLOW MAN, USA 2000) – este interessante filme do holandês Paul Verhoeven vai muito além da ficção científica carregadas nas tintas sanguinolentas do horror. Ao se desumanizar, a ponto de se achar acima do bem e do mal e cometer os mais atrozes crimes, Sebastian Caine (Kevin Bacon, eletrizante), descobre, com sua equipe, a fórmula a invisibilidade e a aplica em si próprio. A abordagem existencial começa aí: a discussão de como o suposto poder da invisibilidade é capaz de transformar o homem até destituí-lo das mais civilizadas características humanas. Isto também acontece no filme seminal com Claude Rains, de 1933, de James Whale. Numa sequência, o personagem de Caine diz: “Você não pode imaginar o poder de alguém que não vê sua imagem no espelho”. Claro que, quem me conhece, não deixaria de imaginar que eu atrelaria esta fala ao meu norte temático desde os tempos de mestrado: O Retrato de Dorian Gray. Ou seja, O Homem sem Sombra é mais uma releitura do romance de Wilde, cujo personagem principal também passa a nãos e ver no retrato que lhe foi pintado fielmente. O título – Hollow man – é perfeito: “hollow”, em inglês, significa “vazio”, “oco”. Pois bem, o personagem, a partir do momento em que se torna invisível, perde também os sentimentos, as emoções, os valores, se tornando uma pessoa literalmente vazia, oca. A reflexão imediata é claríssima: o ser humano só o é quando o seu interior é continente daquilo que compõe a humanidade. Em termos de roteiro, o filme começa muito bem, mas acaba como um banal arremedo de um filme de terror de segunda categoria. Os efeitos especiais são excelentes e deveriam ser aproveitados numa aula de Biologia. Paralelamente, temos Elizabeth Shue no auge da beleza, o que não faz mal em ninguém. 

domingo, 29 de abril de 2012

1326 - ESPELHOS DO MEDO 2

ESPELHOS DO MEDO 2 (MIRRORS 2, USA 2010) – esta sequência, como quase sempre acontece, nada traz de novo à história original, que também não era lá essas coisas. Para quem gosta de ver sangue, muuuuiiito sangue, o filme se presta muito bem. Os bons efeitos ajudam muito mais a dar nojo que medo. Um ponto positivo é a presença de Emmanuelle Vauguier, que fez Two and a Half Men, mas seu papel é muito menos do que ela merece. O ator principal, Nick Stahl, é fraco. O roteiro não oferece suspense, e o final é de dar raiva.

1325 - A INFORMANTE

A INFORMANTE (USA 2010) uma policial americana (Rachel Weisz) é convocada para ajudar na reconstrução da Bósnia, como uma espécie de monitora para garantir a paz. Lá, ela descobre que membros das Nações Unidas estão administrando uma rede de tráfico humano e prostituição. Claro que ela tenta agir pela lei, mas logo descobre que terá que recuar nas suas intenções. A atuação de Weisz é muito boa e convence como a policial íntegra e incorruptível. Monica Bellucci tem uma pequena participação. O bom foi ver Vanessa Redgrave de novo em cena, ótima, como sempre. Baseado em fatos reais, o filme vale a pena.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

1324 - A VIDA DOS OUTROS

A VIDA DOS OUTROS (DAS LEBEN DER ANDEREN, ALEMANHA, 2006) - este continua sendo um dos filmes mais lindos que já vi. A história, as atuações, a presença magnética de Ulrich Mühe (1953 – 2007), como o agente da Stasi que passa a espionar um casal de artistas considerado perigoso para o regime, mas que acaba tendo a vida transformada justamente por esta observação supostamente distante e fria. Um fato interessante sobre este filme esplêndido é que Mühe também foi espionado pela Stasi, que o considerava um ator que também representava uma ameaça à Alemanha socialista. É tudo perfeito aqui. Talvez, um dos maiores filmes de todos os tempos. 

1325 - UMA MANHÃ GLORIOSA

UMA MANHÃ GLORIOSA (MORNING GLORY, USA 2010) – qualquer filme que tenha a presença radiante de Rachel McAdams, talvez um dois três mais lindos sorrisos do mundo em todos os tempos, é, para mim, obrigatório. Neste, ela é uma produtora-executiva de um programa matinal, em que os dois âncoras – Diane Keaton e Harrison Ford – se digladiam para ver quem tem o ego maior. Claro que, inserido aí, está a velha história da pessoa de bom coração, que trabalha duro, que tem boas intenções e que, no fim, vence todos os obstáculos. Ford, mais uma vez, me parece meio perdido num papel cômico, ao passo que Keaton é uma erupção de talento histriônico. No fim, o que fica é a beleza de Rachel, que também é talentosa, e que podia ter mais chances em melhores filmes na Califórnia. 

sábado, 21 de abril de 2012

1324 - PODEROSA AFRODITE

PODEROSA AFRODITE (MIGHTY APHRODITE, USA 1995) – de Woody Allen. Allen é Lenny, casado com Amanda (Helena Bohan Carter), e os dois adotam um bebê de pais desconhecidos. Ao notar que o filho vai se transformando num pequeno gênio, Lenny cisma em procurar sua verdadeira mãe. Depois de muito procurar, ele descobre que ela é uma prostituta, Linda (Mira Sorvino), e começa a ter uma realção de afeto paternal com ela. Uma das grandes sacadas do filme é o coro grego, que sempre entra nas cenas para questionar as atiutudes dos personagens. De fato, Mira Sorvino está encantadora como uma prostituta ingênua, de bom coração, que mais parece uma criança perdida na Big Apple. Curiosamente, ela nunca mais fez um filme de grande repercussão, à excessão de Romy e Michele, de 1997, contracenando com a "friend" Lisa Kudrow. 

1323 - ELES

ELES (ILS, FRANÇA 2006) o mais assustador nesta história é que ela é baseada em fatos reais: numa casa de campo, um casal passa a ser aterrorizado por um grupo de adolescentes que justificam a violência por ela própria. Ou seja, a história não chega a ser original, muito menos a forma como o diretor David Moreau a conduziu, com a detestável câmera nervosa e alguns lugares-comuns do gênero. Por outro lado, acerta na não exibição de sangue, focando mais o terror psicológico. Atenção para a bela Olivia Bonamy.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

1322 - SEINFELD - 9.a TEMPORADA

SEINFELD NONA TEMPORADA (SEINFELD, 9TH SEASON) – esta última temporada de Seinfeld, alterna momentos clássicos hilariantes com episódios meio perdidos, sem a charmosa ausência de sentido que tanto caracterizou a série. Por exemplo, o episódio final, com uma hora de duração, tem um roteiro que poderia ter sido reformulado para culminar com a maior comédia de todos os tempos. Mas, não foi assim. Seinfeld terminou mal, tenho que admitir. No entanto, há momentos que ficarão para sempre, no melhor sentido. O episódio que abre a temporada, “The Butter Shave”, em que Kramer resolve se barbear com manteiga e se acaba se besuntando todo, causando alucinações em Newman, é simplesmente antológico. No quarto episódio, “The Merv Griffin Show”, Kramer transforma seu apartamento no cenário de um antigo talk show dos anos 70 – é sensacional! E, claro, o mais original de todos, “The Betrayal”, todo contado de trás para frente. No fundo, vale ver tudo de novo. 

1321 - BRAVURA INDÔMITA

BRAVURA INDÔMITA (TRUE GRIT, USA 2010) – de Ethan e Joel Coen. A história é de uma simplicidade muito grande e, por isso mesmo, é um ótimo filme: uma menina de 14 anos quer vingar a morte do pai e, decidida, contrata, um “marshal” meio aposentado (Jeff Bridges, mais uma vez, brilhante) para caçá-lo. Junta-se a eles um “ranger” (Matt Damon), que também está atrás do mesmo homem, só que por razões diferentes. Nada de mais e nada de menos, e, mais uma vez, os irmãos Coen dão uma aula de cinema. O final é emocionante.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

1320 - AMEAÇA TERRORISTA

AMEAÇA TERRORISTA (UNTHINKABLE, USA 2010) – a neurose com o terrorismo acabou por produzir um filme excelente. O fato é que um americano convertido ao islã anuncia que pôs três bombas nucleares, em três cidades americanas e se deixa capturar pelo FBI, mesmo sabendo que vai ser torturado para revelar a localização dos explosivos. Aí, entra em cena o grande Samuel L. Jackson, como o torturador oficial do governo, numa atuação impressionante. Carrie-Anne Moss faz o contraponto com a violência dele, interpretando uma agente federal cujas atitudes são sempre pautadas pelo politicamente correto. E esta é a questão do filme: até onde podem ir os homens da lei para proteger a população? Em alguns momentos, ficamos sem saber quem pratica o verdadeiro terrorismo: o prisioneiro ou os militares que o torturam? Martin Sheen faz o terrorista, com tamanha autenticidade que impressiona. No entanto, é mesmo Samuel L. Jackson que domina as ações. Um filmaço! 

terça-feira, 17 de abril de 2012

1319 - A OCASIÃO FAZ O LADRÃO

A OCASIÃO FAZ O LADRÃO (HENRY’S CRIME, USA 2010) este é um filme que fica a meio caminho do romance, da comédia e do drama. Keanu Reeves, James Caan e a bela Vera Farmiga compõem um trio de respeito, que, de qualquer forma, chamaria a minha atenção. O problema é que o roteiro é fraco: Henry, o personagem de Reeves, é preso injustamente por causa de um assalto a um banco, cumpre a pena e, quando é solto, resolve roubar de fato o mesmo banco, já que, segundo sua lógica, já tinha pago por isso. Vera Farmiga continua sendo, para mim, uma das atrizes mais magnéticas e lindas do cinema. Uma coisa: o título em português é lamentável. 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

1318 - THOR

THOR (THOR, USA 2011) – colocar Kenneth Branagh para dirigir a história deste super-herói da segunda divisão da Marvel pode ter sido um equívoco dos produtores, mas a intenção era boa: trata-se de um deus em um universo de heróis, o que tem tudo a ver com a natureza dramática shakespeariana de Branagh. O problema para as gerações mais jovens é que Thor é inspirado na mitologia nórdica, filho de Odin, que governa o mítico reino de Asgard, ligado à Terra por uma ponte mágica. Acho que não faz muito sentido para quem não viu os desenhos antigos. O grande Anthony Hopkins faz um Odin muito pouco convincente. Além disso, os efeitos especiais são confusos, e Natalie Portman deveria ter evitado um papel tão raso, depois de ter conquistado um Oscar. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

1317 - A PAIXÃO DE CRISTO

A PAIXÃO DE CRISTO (THE PASSION OF CHRIST, USA 2004) – de Mel Gibson. A crítica, que foi implacavelmente violenta com este filme, mostrou a mesma violência que se vê em cena: A Paixão de Cristo é, de fato, um filme sangrento no sentido mais denotativo da palavra. O argumento de Gibson foi que seu filme tinha que ser chocante para que o espectador se desse conta da enormidade do sacrifício de Jesus, transformando os soldados romanos em verdadeiras máquinas mortíferas. Alia-se o fato de que Gibson é membro de uma seita tradicionalista ferrenha que se empenha para restaurar os parâmetros medievais da história. O filme, sob o aspecto estético, apesar da litragem de sangue, não é ruim. Toda a polêmica que envolve o filme serve para que fiquemos atentos até o fim, para ver como o diretor se encarrega de resolver algumas situações delicadas, como a clara sugestão de antissemitismo que o roteiro não faz questão de esconder ou disfarçar. Enfim, tem hora que não se sabe ao certo se estamos vendo um filme histórico ou uma produção de horror gongórico. Contudo, isso não invalida uma olhada curiosa num festival de violência que não é muito diferente de tantas produções de hollywood, como os favela-movies brasileiros. 

domingo, 8 de abril de 2012

1316 - A INQUILINA

A INQUILINA (THE RESIDENT, USA 2011) – Hillary Swank é Juliet, uma médica que procura um apartamento em Nova York e acaba encontrando um, cujo dono, Max (Jeffrey Dean Morgan) logo demonstra interesse por ela. Mas Juliet ainda tem sentimentos pelo ex-namorado, o que provoca uma reação violenta por parte de Max. Thriller de suspense um pouco previsível demais e que abusa dos clichês do gênero (barulhos à noite, sustos, lugares escuros...). no entanto, o filme traz um dos grandes do cinema, embora num papel indigno da sua carreira: Christopher Lee. Hillary Swank está inesperadamente sexy e provocante, o que é curioso numa mulher que não é especialmente bonita, mas que, como demonstra, sabe se fazer interessante.

1315 - BARRABÁS

BARRABÁS (BARRABAS, ITÁLIA, 1961) – de Richard Fleischer (que, em 1966, faria Viagem Fantástica). Meu interesse neste tipo de filme é puramente histórico, além da curiosidade de ver como os produtores da época refizeram os cenários dos tempos bíblicos. Contudo, o que mais me interessava aqui era ver Anthony Quinn, um dos atores que mais admiro, fazendo um personagem que não tem muita importância histórica, mas que ele transforma numa figura que nos desperta compaixão e entendimento pelo processo de transformação pelo qual passa. A atuação de Jack Palance é muito badalada, mas a achei caricata e exagerada. Quinn, por outro lado, mostra uma verdade escondida no personagem poupado da morte quando o povo o escolhe para não ser crucificado no lugar de Cristo. 

1314 - ED WOOD

ED WOOD (ED WOOD, USA 1994) – de Tim Burton. Este ainda é um grande filme, realizado por um importante diretor e um protagonizado pelo talentosíssimo Johnny Depp. A história de Ed Wood não teria sentido – nem graça, diga-se – sem Burton e Depp à frente do projeto. Não é qualquer um que consegue entender a figura apaixonante e apaixonada, em todos os seus sentidos, de Ed Wood e seus sonhos de fazer grandes filmes. Sua obsessão reverenciosa a Bela Lugosi demonstra que Wood era, acima de tudo, um grande ser humano, certamente, à época, incompreendido por muitos. As atuações são excelentes. Além de Depp, Martin Landau está perfeito como o velho ator húngaro, estigmatizado pelo papel de Drácula.