terça-feira, 6 de janeiro de 2015

2510 - BASTARDOS INGLÓRIOS

 BASTARDOS INGLÓRIOS (INGLÓRIOS BASTERDS, USA 2009) – Obra-prima do mestre Tarantino, com todos os elementos que compõem seu universo cinemático, mas que, agora, carregam consigo alcances que mostram uma maturidade fascinante, já vislumbrada no segundo KILL BILL. A sequência inicial, com a chegada do tenente-coronel Hans Landa (o maravilhoso Christoph Waltz) a uma pequena casa de fazenda, em algum lugar montanhoso da França, talhada com enquadramentos exímios e tempo impecável, é um dos momentos em que o cinema atinge o ápice da escala artística. Na maneira como Tarantino retrai e prolonga o tempo previsto para chegar ao desfecho, essa abertura é arrebatadora, dando a ideia exata de que estamos prestes a assistir a um filme que pertence só à história do cinema, não à outra, mais ampla. Tudo no filme funciona em consonância com as propriedades desestabilizadoras da elegância, em cada cena, na atuação precisa do elenco fantástico. BASTARDOS INGLÓRIOS assinala uma espécie de ruptura com o estilo do diretor – lá estão a violência, a litragem desmedida de sangue, as falas repletas de frases de efeito, mas também estão presentes a beleza de diálogos travados, não meramente disparados, a utilidade emocional da pausa e dos pequenos milagres que os bons atores podem proporcionar. Entre eles, o já mencionado Waltz, um ator de precisão absoluta, que rouba o filme com a anuência de quem atua e de quem assiste, todos igualmente galvanizados por seu talento. Waltz está simplesmente em outra esfera de talento. Oscar mais que merecido.