segunda-feira, 27 de agosto de 2007

125 - CORRA, LOLA, CORRA


corra, lola, corra (lola rennt, alemanha 1998) – de Tom Tykwer, de O Perfume. Primorosa montagem de uma história sobre a influência dos fatos na vida dos personagens, a partir de Lola (Franka Potente, 22 de julho de 1974, Alemanha) que, depois de receber um telefonema do seu namorado em apuros – precisa de dinheiro para pagar um bandido que o ameaça de morte – sai em correria por Berlim para tentar ajudá-lo de alguma forma. O problema é que ela só dispõe de 20 minutos para arrumar o dinheiro e chegar a ele. Neste ponto, Tykwer repete a narrativa três vezes, com exatos 20 minutos cada, mostrando em cada uma delas como o destino pode ser diferente se alterado por fatos casuais. O conceito é simples: como nossas ações afetam nossas vidas, assim como àqueles em que tocamos? De que forma as coincidências se refletem no resultado final? A partir daí o filme conta três possíveis histórias, lembrando o livro de Ítalo Calvino: “Se um Viajante Numa Noite de Inverno...”, que conta uma pluralidade de histórias. Lola é um produto deste diálogo pós-modernista. Não existe uma única verdade, são várias, e elas não são mutuamente exclusivas. Isso, inevitavelmente, nos faz pensar neste mundo virtual e na ficção criada a partir dele. Original e instigante, Corra, Lola, Corra é um exemplo de cinema inteligente.

124 - DEUSES E MONSTROS


deuses e monstros (gods and monsters, usa 1998) – de Bill Condon. Vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado de 1999, Deuses e Monstros é mais uma história do crepúsculo de estrelas de Hollywood. No caso, James Whale (22 de julho de 1889 – 29 de maio de 1957) (Ian McKellen, 25 de maio de 1939, Inglaterra), diretor aclamado de Frankenstein (1931), A Noiva de Frankenstein (1935) e O Homem Invisível (1933). Já vivendo um quase ostracismo, Whale mora sozinho em sua mansão em Hollywood e tem sua atenção despertada por um jovem, Clayton Boone (Brendan Fraser, 03 de dezembro de 1968, Indiana), que está trabalhando no seu jardim. A relação dos dois passa a ser uma fonte de energia e esperança para o velho diretor e de profundas lições de vida para Boone. Whale precisa de alguém que valide sua existência e que enterre os monstros do passado, enquanto Boone procura a figura paterna que deixou um vazio em sua vida.

123 - DESAFIANDO LIMITES


desafiando limites (the world’s fastest indian, USA, nova zelândia, 2005) – filme baseado na história do neozelandês Burt Munro, que passou anos construindo uma antiga motocicleta para conseguir o recorde mundial em 1967, nos Estados Unidos. Emocionante interpretação do grande Anthony Hopkins (31 de dezembro de 1937, País de Gales) no papel de Munro, que sempre acreditou em realizar seu sonho de ir aos EUA para correr na sua velha Indian de 1920. Enfoque original e sensível na já batida idéia de que temos que acreditar nos nossos sonhos. Bela fotografia. Direção de Roger Donaldson.

122 - CACHÉ


caché (caché, frança, 2005) – de Michael Haneke. Rodado antes de os conflitos provocado pelos jovens descendentes de imigrantes na periferia de Paris, Caché (“oculto” em francês) é um filme premonitório em que não há violência física, só psicológica. Um casal parisiense, Georges e Anne, (Daniel Auteuil e Juliette Binoche) começa receber anonimamente uma fita de vídeo que mostra tão-somente o exterior de sua casa, com idas e vindas da família. Posteriormente, as fitas passam a ser acompanhadas de desenhos infantis mostrando um menino sangrando pela boca, ou uma galinha de pescoço cortado. Esse detalhe aterroriza Anne e o marido. Novas fitas aparecem. Georges reconhece lugares que dizem respeito à sua infância. Pronto. Para ele, as imagens estão relacionadas com um passado de egoísmo e discriminação que sempre preferiu esquecer. A lembrança de Majid (Maurice Bénichou) - um órfão argelino - se torna uma constante. Quando criança, o protagonista armou para que este não crescesse ao seu lado. Seu plano deu certo e Majid foi parar num orfanato. Mesmo nesse período, Georges já conhecia muito bem as diferenças sociais; o outro não poderia ter as mesmas oportunidades. A partir daí, a vida do casal se desestabiliza com a insegurança de se sentirem vigiados. Um dos fatores mais marcantes do filme é focalizar a diáspora social francesa, especialmente nos dias de hoje. A Europa, como um todo (homenagem a Almir), nunca teve boa vontade com os imigrantes pobres e, além de outras coisas, Haneke toca fundo nesta ferida. Paralelamente, Caché se transforma num filme incômodo, ao mostrar os segredos individuais de um casamento, a fragilidade da vida numa cidade grande e como uma imagem sistematicamente repetida pode ser manipulada até que seu significado original desapareça ou se transforme diametralmente. Assim sendo, o filme trata da imagem e do seu efeito sobre o homem contemporâneo e deixa latente o poder desestruturador da vigilância. E vai mais longe ao questionar a natureza e o sentido das mídias audiovisuais, assim como o processo de criação delas. E como um bom artista que utiliza seu ofício para confrontar a realidade, Haneke não perde a oportunidade de estampar as relações ambíguas entres as classes sociais, sempre partindo do ponto de vista do passado e da culpa Tal como em “Código Desconhecido”, realizado pelo cineasta em 2000, “Caché” também começa de maneira indecifrável. Começa mostrando o plano fixo de uma fachada residencial de classe média. Minutos depois, a imagem é rebobinada e acompanhamos o visual característico dessa ação. A perda de referências passa a ser instantânea, pois existe uma câmera misteriosa que recorta uma realidade qualquer sem ser a do filme, e este recorte não é nem um pouco inofensivo. Não sabemos a origem dele, muito menos o seu destino. O estranho é que nada, inicialmente, distingue essa imagem solta da outra utilizada para contar a história em si. O valor de todas as imagens, então, já se torna discutível. De volta ao enredo: Georges vai atrás de Majid para exigir explicações. Mas será este o responsável pela produção e envio das fitas? Ou será o filho do argelino, para vingar a desgraça do pai? Ninguém está fora de suspeita, nem mesmo Georges e sua família. De qualquer forma, Haneke não tem interesse em oferecer respostas - uma marca pessoal do diretor que começou a carreira na TV. O importante em “Caché” não é a autoria e sim a conseqüência das imagens.

sábado, 18 de agosto de 2007

121 - O RATO QUE RUGE


o rato que ruge (the mouse that roared, UK 1959) - de Jack Arnold. Grande sucesso de Peter Sellers fazendo três papéis: a Grã-Duquesa Gloriana XII, o Primeiro-ministro Conde Rupert Mountjoy e Tully Bascombe, todos habitantes de um minúsculo país chamado Fenwick, que declara guerra aos Estados Unidos na intenção de ser derrotado e, então, receber ajuda dos próprios americanos. Sellers queria fazer vários personagens num filme para emular seu grande ídolo Alec Guiness (02 de abril de 1941, Londres – 5 de agosto de 2000), que tivera múltiplas atuações em King Hearts and Coronets (1949). Jean Seberg (13 de novembro de 1938, EUA – 08 de setembro de 1979), com seu típico cabelo curtinho, está no elenco. O filme tem uma atmosfera meio surrealista em função do argumento que se torna ideal para o histrionismo e, claro, o talento de Sellers.

120 - DIAMANTES DE SANGUE


diamantes de sangue (blood diamonds, usa 2006) – mais do que um ótimo thriller de ação, Diamantes de Sangue é uma denúncia aberta da exploração selvagem a que o continente africano tem sido submetido há muito tempo. Os diamantes em questão (e sangue aqui não é apenas uma metáfora) são garimpados em regiões dominadas por guerrilhas e extraídos à base do trabalho escravo para serem entregues a comerciantes na Europa, principalmente. Em Serra Leoa, cenário escolhido pelo diretor Edward Zwick, a Frente Revolucionária Unida (FRU) usou as pedras para custear mais de uma década de violência, entre 1991 e 2002. Mostra-se claramente as ações de guerrilheiros e a dizimação de populações inteiras de zonas cobiçadas. Numa excelente interpretação, Leonardo DiCaprio (11 de novembro e 1974 – Califórnia) é Danny Archer, um ex-soldado de elite sul-africano e atual traficante de armas para guerrilheiros, que se encontra casualmente com Solomom Vandy (Djimon Hounson, 24 de abril de 1964, estupendo), pescador que perdeu o filho para a guerrilha e foi “recrutado” como escravo no garimpo. Solomon encontra, e esconde, um fabuloso diamante e, com isso, deflagra uma vertiginosa seqüência de ação raras vezes vista no cinema. Jennifer Connely (12 de setembro de 1970, EUA) completa o elenco como uma jornalista que enxerga em Archer a chance de um furo sobre a cumplicidade da indústria de diamantes com a mineração clandestina. Imperdível. A atuação de Hounson é admirável – ele também fez A Ilha, Amistad e Constantine. Robério indicou.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

119 - DESEJOS


de Phil Joanou. Richard Gere (31 de agosto de 1949, Filadélfia) é Isaac Barr, um psiquiatra que cuida de Diana (Uma Thurman, 29 de abril de 1970, Boston) e com cuja irmã, Heather (Kim Basinger, 08 de dezembro de 1953, Geórgia) acaba se envolvendo. Quando esta mata o marido autoritário (Eric Roberts, 19 de abril de 1956, Mississipi)) e vai a julgamento, Barr se vê enredado numa trama inesperada. O filme melhora do meio para o final, mas não o bastante para ser considerado um grande thriller de suspense, já que algumas situações são plenamente previsíveis (Basinger como loura fatal, por exemplo).

118 - HOLLYWOODLAND - BASTIDORES DO PODER


hollywoodland, bastidores do poder (hollywoodland, usa 2006) – de Allen Coulter, diretor de Sex and the City e Os Sopranos. Retrato sórdido, no melhor estilo noir, do amor, do poder e da fama na Hollywood dos anos 50, tendo como pano de fundo um crime típico das encenações exibidas nas grandes salas da Sunset Boulevard. Em 1959, George Reeves (Ben Affleck, 15 de agosto de 1972, Califórnia), já decadente astro da série As Aventuras do Super-Homem, produzida entre 51 e 58, é encontrado morto com um tiro na sua mansão – caso considerado suicídio pela polícia. O detetive Louis Simo (Adrien Brody, 14 de abril de 1973, Nova York), no entanto, não está convencido da história oficial e descobre o caso de amor entre Reeves e Toni Mannix (Diane Lane, 22 de janeiro de 1965, Nova York), esposa do poderoso produtor de cinema Eddie Mannix (o ótimo Bob Hoskins, 26 de outubro de 1942, Inglaterra). É a velha história: pode-se ficar famoso por viver em Hollywood e se tornar uma lenda quando se morre lá. O roteiro alfineta o lado mafioso de Hollywood, numa época em que os estúdios praticamente controlavam a vida de seus astros, e seus diretores eram capazes de qualquer perfídia para garantir lucros nas bilheterias. Paralelo a isso, vemos a superexposição de atores de seriados, que os condena a repetir o mesmo personagem e não ter outras oportunidades profissionais (o caso de Reeves). O título se refere ao famoso letreiro no qual, inicialmente, lia-se “Hollywoodland”, para promover o loteamento do local em 1920 – as últimas quatro letras foram removidas em 1949. Brody, Lane e Hoskins estão excelentes e, devo admitir, até Affleck se sai bem no papel de um ator com estampa e sem talento, até porque, para isso, ele não precisa interpretar mesmo.

domingo, 5 de agosto de 2007

117 - 300


300 (300, usa 2006) – de Zack Snyder. Espetáculo visual impactante, 300 é um exemplo refinado da adaptação das graphic novels de Frank Miller (de Sin City), com direção de Zack Snyder. O virtuosismo técnico é revestido de cores e tonalidades que nos remetem aos pintores da Renascença, notadamente Caravaggio, dando à história um halo onírico que enfeitiça o espectador. Além disso, Snyder é magistral na alternância de ritmos das seqüências, sem, no entanto, perder o senso do épico trágico da morte heróica e anunciada. As cenas de luta lembram um balé sangrento e hipnótico. O rei espartano Leônidas (Gerard Butler, 13 de novembro de 1969, Escócia) leva sua força de elite para combater o exército de Xerxes (Rodrigo Santoro, decepcionante), numa missão suicida, justificada apenas pela guerra como instrumento de salvaguarda da democracia. Destaque para Lena Headey. Roger deve ter gostado.

116 - ABRA LOS OJOS


abra os olhos (abre los ojos, espanha, 1997) – de Alejandro Amenábar, de Mar Adentro (2005) e Os Outros (2001). De fato, este filme é mais interessante do que sua refilmagem americana, Vanilla Sky (2001), com Tom Cruise. Especialmente por tratar da questão da imagem facial e dos transtornos psicológicos que sua deformação pode causar. César (Eduardo Noriega, 01 de agosto de 1973, Espanha) é um jovem extremamente bonito que se apaixona por Sofia (Penélope Cruz, 28 de abril de 1974, Madrid), interesse amoroso de seu melhor amigo Pelayo (Fele Martinez, 22 de fevereiro de 1975, Espanha). Depois de um acidente de carro, César tem o rosto desfigurado e passa a sofrer por causa do afastamento de Sofia. A partir daí, o filme sugere várias interpretações para a história, sendo a mais comum é que César, que narra os fatos para seu psiquiatra, tenha imaginado tudo. Há, decerto, a possibilidade de César ter elaborado toda a trama na sua mente. O final é aberto e dá margem a diversas discussões “cabeça”. Melhor dizer se gostou ou não. Penélope Cruz repete o mesmo personagem em Vanilla Sky, quando namorava Cruise.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

115 - MATADOR DE ALUGUEL


matador de aluguel (road house, usa 1989) – James Dalton (Patrick Swayze, 18 de agosto de 1952, Texas), um sofisticado segurança de bares, é contratado para “limpar” a clientela de uma casa noturna, mas acaba batendo de frente com o manda-chuva da cidade, Brad Wesley (Ben Gazarra, 28 de agosto de 1930, Nova York). Dalton tem a fama de apartar brigas com classe e manter um certo ar blasé diante da mais feraz pancadaria, e a história nos faz crer que isso se deve ao fato de ele ser formado em filosofia ( ! ). Nas horas vagas, Dalton pratica tai chi chuan e lutas marciais. Seu personagem é um exemplo clássico do herói solitário, que chega a um lugar hostil e tem que provar seu valor combatendo uma ameaça coletiva. Para corroborar essa teoria, ele recorre ao seu guru, Wade Garret (Sam Elliott, 09 de agosto de 1944, Califórnia), mestre do “deixa - disso”, que se junta a ele na batalha contra o perigo. Claro que Dalton se apaixona pela mocinha, Dra. Elizabeth Clay (Kelly Linch, 31 de janeiro de 1959, Minnesota), médica que cuida de seus ferimentos físicos e sentimentais.

domingo, 29 de julho de 2007

114 - O SEGREDO DE BEETHOVEN


o segredo de beethoven (copying beethoven, usa/alemanha 2006) – um dos aspectos interessantes deste filme é mostrar um lado mais humano de Beethoven, sempre estereotipado como irascível e temperamental. Isso Ed Harris (28 de novembro de 1950, New Jersey) faz bem, como protagonista que se deixa descobrir como alguém capaz de emoções, depois que Anna Holtz (Diane Kruger, 15 de julho de 1976, Alemanha) vai trabalhar para ele com copista de suas partituras. Felizmente, o filme não explora essa aproximação de forma carnal e sim através de uma metáfora inesperada e original – na estréia da Nona Sinfonia, durante a qual Anna passa o tempo todo como os olhos nos olhos do mestre, marcando o tempo para que ele pudesse reger a orquestra sem ouvi-la. O Beethoven de Harris soma tudo o que ele possa ter sido em vida: temperamental, rude, egoísta, e até divertido, e nos leva a considerar o conceito de que a beleza pode estar no tumulto, na mistura do vulgar e do sublime, no paradoxo humano de buscar uma arte livre através de regras rígidas. Direção de Agnieszka Holland.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

113 - ANTES E DEPOIS


antes e depois (before and after, usa 1996) – de Barbet Schroeder. Meryl Streep e Liam Neeson formam um casal cujo filho (Edward Furlong, o filho de Linda Hamilton em O Exterminador do Futuro 2) é acusado de ter assassinado uma jovem. A questão é se entregam ou não o filho à polícia. Alfred Molina é o advogado do rapaz. Drama que não prende atenção, apesar da presença dos dois grandes atores. Streep e Neeson levam com correção uma história com gosto de tradicionais valores familiares dos americanos. Passo.

112 - RATATOUILLE


ratatouille (ratatouille, usa 2007) – uma das animações mais brilhantes e ambiciosas da Pixar, com direção de Brad Bird, Ratatouille é a história de Remy, um ratinho que sonha em ser chef de cozinha – e tem talento para isso – que acaba, por obra do destino, entre pratos e fogões do restaurante de seu ídolo, o falecido Auguste Gusteau, uma alusão direta ao cozinheiro francês Bernard Loiseau, que se suicidou em 2003, supostamente por também ter perdido as estrelas e a glória de seu badalado restaurante. Sendo obrigado a uma existência clandestina, Remy passa a ajudar o recém-lavador de pratos, Linguini, um rapaz que precisa fingir que sabe cozinhar. Os dois têm que enfrentar o sinistro sous-chef que herdou o restaurante Skinner (referência a Burrhus Frederic Skinner, que utilizava ratos para demonstrar suas teorias behavioristas) e a perfídia do assustador crítico gastronômico Anton Ego, que perdeu o prazer à mesa e só se compraz arrasando os estabelecimentos que visita. Ratatouille é o primeiro desenho feito pela Pixar desde a sua compra pela Disney (certo, Silvério?) e acerta em cheio nos quesitos técnica e originalidade. Tudo funciona nesta mistura de realidade e hiper-realidade que já começa no fato de Remy falar, mas só com seus semelhantes, abrindo uma ingente possibilidade de explorar, do ponto de vista da animação, um vasto repertório de gestos e expressões, quando ele tem que se relacionar com os humanos. Ratatouille é adorável, bem feito, divertido, segue a receita do sucesso, não desanda e se mantém saboroso até o final.

terça-feira, 24 de julho de 2007

111 - VEM DANÇAR


vem dançar (take the lead, usa 2006) - de Liz Friedlander. Numa história que lembra muito Ao Mestre com Carinho, com Sydney Poitier, mas sem a mesma categoria, Antonio Banderas é um professor de dança de salão que resolve ensinar sua arte a um grupo de alunos problemáticos de uma escola de Nova York. Previsivelmente, os jovens o rejeitam à princípio, mas acabam gostando dos novos passos que darão na vida. História sem força e, se me permitem, sem ritmo.

110 - VIAGEM AO FUNDO DO MAR



viagem ao fundo do mar (voyage to the bottom of the sea, usa 1961) – de Irwin Allen. Para quem está acostumado com o seriado, este filme (que originou a série de TV) é um tiro n’água. Os efeitos especiais são bons, realçados pela excelente fotografia, mas não bastam para evitar que toda produção afunde. Claro que tiro o meu chapéu para o velho Allen, a quem devo muito da minha diversão diante da TV (Perdidos no Espaço, Terra de Gigantes, Túnel do Tempo), mas, mesmo para a época, a história é fraca e, cá para nós, muito nos moldes do que Julio Verne havia feito com Vinte Mil Léguas Submarinas. Pois bem, temos o Almirante Nelson/Nemo (Walter Pidgeon, 28 de setembro de 1897 – 25 de setembro de 1984), criador de um super-submarino, Seaview/Nautilus, querendo salvar o mundo de uma catástrofe bem atual: o superaquecimento da Terra. Para enfeitar, Barbara Éden (23 de agosto de 1934, Arizona) está no elenco, juntamente com o marido, Michael Ansara (15 de abril de 1922). Ah, e tem o inacreditável: Frankie Avalon (18 de setembro de 1939) também embarcou nesta canoa submarina furada e ainda ousa cantar o tema de abertura, que em nada se coaduna com uma aventura de ficção científica, ficando mais para os filmes adocicados em que azarava Annette Funicello. Peter Lorre (que também estava em Vinte Mil Léguas) é um cientista que ajuda Nelson a salvar o mundo (bem, pelo menos, há uma evolução aí – Nemo queria destruí-lo). Pidgeon está mal na fita e não convence como o valente almirante tão bem interpretado por Richard Basehart na TV. Del Monroe, o Kowalski, já estava na tripulação neste filme.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

109 - PERFUME - A HISTÓRIA DE UM ASSASSINO


perfume – a história de um assassino (perfume – the story of a murderer, Alemanha, frança, espanha 2006) – de Tom Tykwer, de Corra, Lola, Corra. Adaptação fiel e engenhosa do livro de Patrick Süskind, um dos maiores sucessos editoriais dos anos 80. A direção segura de Tykwer consegue suprir um sentido, o olfato, que o cinema não é capaz de estimular através da evocação dos aromas com imagens detalhadas e exuberantes dos objetos que os emitem. A história gira em torno de Jean-Baptiste Grenouile (Ben Whishaw, 14 de outubro de 1980, Londres), nascido, não por acaso, no reduto mais fétido de Paris, no século XVIII. Jean-Baptiste desenvolve uma personalidade autista e obcecada pela fórmula de um aroma perfeito que, vejam só, vem a ser o de certas virgens ruivas de um vilarejo na Europa. A excelente fotografia realça cenas impressionantes como a do seu nascimento, embaixo de uma barraca de peixe, e uma imensa orgia em praça pública, na seqüência climática do filme. As interpretações podem variar muito, especialmente se levarmos em conta que Jean-Baptiste parece procurar o amor através da morte, mas é considerado um anjo pelas pessoas tocadas pelo perfume definitivo. Ou seja, não era mesmo flor que se cheire. O excelente Alan Rickman (21 de fevereiro de 1946, Londres) e o grandíssimo Dustin Hoffman (08 de agosto de 1937, Los Angeles) compõem o elenco. Atenção para a ruiva inicial, Karoline Herfurth (22 de maio de 1984, Berlim), na foto aí em cima.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

108 - A CONQUISTA DA HONRA


a conquista da honra (flag of our fathers, usa 2006) – outra extraordinária aula de cinema de Clint Eastwood. Aqui, ele mostra o outro lado da tomada da ilha de Iwo Jima pelos americanos, indo além do massacre no campo de batalha: desvenda, sem cerimônia, a articulação do marketing de guerra que visava à captação de recursos através da venda de bônus. Para tanto, três dos soldados que levantaram a bandeira americana no alto do Monte Suribachi, simbolizando a união de todos os americanos, foram “convocados” para uma turnê pelo país. Juntos, arrecadam 28 milhões de dólares para os cofres da Defesa. Todos os três foram aos poucos desmoronando, vitimados pelo stress pós-traumático, pela culpa de ter sobrevivido e pela vergonha de usar o epíteto de heróis enquanto quase 7000 de seus companheiros iam morrendo em solo japonês. Eastwood levanta questões importantes: a leviandade com que se emprega a palavra heroísmo e as cicatrizes que a guerra deixa naqueles que conseguem sobreviver. O filme é extraordinário, mais pela coragem de expor o aspecto sórdido do jingoísmo e do absurdo da guerra em si do que pela dramaticidade das cenas do conflito. A Conquista da Honra é muito complexo e incômodo do que Cartas de Iwo Jima, sobretudo para uma indústria de mitos como Hollywood. A história, magistralmente dirigida por Clint, é uma ótima oportunidade para discutir os valores que formaram uma sociedade com tanta necessidade de fabricar, consumir e descartar heróis. O melhor filme de guerra dos últimos anos, na realidade, não é sobre a guerra em si, mas sobre uma foto – o grande Clint Eastwood, numa obra metafísica, dialoga com a “câmara clara” de Barthes, ao mostrar como uma simples captação de uma imagem, em uma fração de segundo, dilata o tempo, reordena as ações e oferece novos sentidos à vida. Os dois filmes são complementares e refletem sobre até que ponto de barbárie pode chegar o homem dividido em nações. O título em português é bom, mas perde a sonoridade aliterada do original.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

107 - CASANOVA


casanova (casanova, usa 2005) – de Lasse Hallström. Apesar das belíssimas locações em Veneza e do figurino apurado, o filme não funciona. Heath Ledger (04 de abril de 1979, Austrália) faz um Casanova blasé demais, sem as sutilezas do personagem que seduzia pela inteligência e perspicácia. O timing da comédia se perde numa profusão de cenas totalmente desnecessárias, como a do sexo oral embaixo da mesa. Bons atores, como Jeremy Irons (19 de setembro de 1948, Inglaterra) e Oliver Platt (12 de janeiro de 1960), estão mal escalados em papéis sem consistência. Um aspecto positivo do filme – talvez o único – é a beleza madura de Lena Olin (22 de março de 1955, Suécia). Sienna Miller (28 de dezembro de 1981, New York), a ex de Jude Law, tem atuação apagada.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

106 - FLASH GORDON CONQUISTA O UNIVERSO


flash gordon conquista o universo (flash gordon conquers the universe, usa 1940) – Buster Crabbe (17 de fevereiro de 1907 – 23 de abril de 1983) foi o único ator que fez Tarzan, Buck Rogers e Flash Gordon, os maiores heróis da década de 30. Nestes doze episódios, Flash (Crabbe) tem que enfrentar de novo o Imperador Ming (Charles Middleton, 03 de outubro de 1974 – 22 de abril de 1949), que está infestando a Terra com uma misteriosa praga, A Morte Púrpura. Como era rodado com baixíssimo custo e sobras de outros cenários – na série anterior dá para ver o moinho usado em Frankenstein (1931) -, há várias seqüências repetidas, além dos indefectíveis iguanas representando monstros alienígenas. A indumentária, aqui, é toda calcada em Robin Hood, com direito a espadas e flechas – sim, no futuro ainda se usa todo aquele armamento medieval e cavalos, é claro. Uma curiosidade: As aberturas dos capítulos são feitas com aqueles letreiros que, muito mais tarde, ficariam famosos em Guerras nas Estrelas. Não deixe de ver.

105 - CARTAS DE IWO JIMA


cartas de iwo jima (letters from iwo jima, japan 2006) – só mesmo o grande Clint Eastwood para fazer uma obra-prima como essa! É impressionante como ele consegue tirar o mais profundo lirismo de uma batalha de guerra tão sangrenta como foi a de Iwo Jima. Assim como em Menina de Ouro, que trata de outro tema difícil, Clint sublinha com sensibilidade o lado mais humano de cenários brutalizantes e de terrenos tão resvaladiços como a violência da luta de boxe em si e o horror da guerra. Em Cartas de Iwo Jima, descobre-se, graças ao imenso talento do diretor, as delicadezas que sobrevivem a granadas e a condições de vida subumanas. A fotografia é perfeita, além de excelentes efeitos especiais. E tem o magistral Ken Watanabe, como o general Kuribayashi, que havia estudado nos EUA e que, ciente da condição desfavorável dos japoneses em relação ao iminente ataque dos americanos e decidido a impedir ou ao menos postergar a queda de Iwo Jima, aplicou idéias do oponente à sua estratégia. Ordenou que, em vez de cometerem haraquiri quando fracassassem em determinada frente de defesa, seus soldados se reorganizassem para continuar a resistência. Eastwood ficou fascinado com o militar e o homem, revelado nas cartas escritas à família durante a estada americana de Kuribayashi e de dentro dos túneis e cavernas que ele mandou escavar na ilha. Identificar a si mesmo no inimigo, como Clint faz em Cartas, é um dos maiores desafios que qualquer ser humano pode enfrentar. O outro filme, A Conquista da Honra, funciona como contraponto desta história emocionante.

104 - TITANIC


titanic (titanic, usa 1953) - de Jean Negulesco. Neste filme, Julia (Barbara Stanwick, 16 de julho de 1907 – 20 de janeiro de 1990) está em crise com seu marido Richard (Clifton Webb, 11 de novembro de 1889 – 13 de outubro de 1966). A história gira mais ou menos em torno disso até o choque do navio com o iceberg. Bons efeitos especiais para a época e um elenco interessante com Robert Wagner (10 de fevereiro de 1930, Michigan) e Richard Basehart (31 de agosto de 1914 – 17 de setembro de 1974), o futuro almirante Nelson de Viagem ao Fundo do Mar. Stanwick, mais uma vez, vive uma mulher atormentada, pobrezinha.

103 - O ALBERGUE


o albergue (hostel, usa 2005) – de Eli Roth, responsável (ou seria culpado?) também pelo péssimo Cabin Fever (2005). Bem, o que dizer? Três jovens vão a um albergue perto de Amsterdã onde, hipoteticamente, terão as mulheres que quiserem. Quando chegam lá, descobrem que caíram numa armadilha: o tal albergue é uma fachada para pessoas matarem com requintes de crueldade gente sem noção como eles. Acreditem ou não, parece que há mesmo essa espécie de turismo macabro em alguns lugares na Europa, um continente de um povo supostamente civilizado. Nos créditos, a produção executiva de Quentin Tarantino parece mais um chamariz para um público desavisado. Um filme mais hemático do que hermético. Vale ver a tcheca Barbara Nedeljakova (16 de maio de 1979), uma das moças do tal albergue. Dica do Juan.

domingo, 15 de julho de 2007

102 - PREMONIÇÃO 3


premonição 3 (finaldestination 3, usa 2006) – de James Wong. Sanguinoso exemplo de terror à base de baldes de tinta vermelha. Destaque para a protagonista Mary Elizabeth Winstead (28 de novembro de 1984, North Carolina), que também está em Bobby (2006), de Emilio Estevez. Ela é bonita, suave e interpreta com correção o limitadíssimo papel de uma menina que tem premonições das mortes de seus amigos que escaparam de um acidente numa montanha-russa. É curioso que as novas gerações tenham se acostumado a este tipo de terror, mais nauseante do que assustador, no qual conta mais a litragem de sangue cenográfico do que um enredo sutil e inteligente. Definitivamente, não me aprouve.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

101 - ARSÈNE LUPIN


arsène lupin, o ladrão mais charmoso do mundo (arsÈne lupin, frança 2004) – o personagem Arsène Lupin é mais conhecido na Europa e foi criado por Maurice Leblanc (1864 – 1941) para ser o Sherlock Holmes da França. Nasceu assim Arsène Lupin, um personagem vivo, audacioso, impertinente, desafiando sem cessar o Inspetor Ganimard, arrastando corações atrás de si, zombando das posições conquistads e ridicularizando os burgueses. Socorrendo os fracos, Arsène Lupin é um Robin Hood da Belle Époque. Arsene Lupin (Romain Duris, 28 de maio de 1974, Paris) é um órfão de 20 anos que perdeu o pai, o ladrão Theophraste (Nicku Naude), há pouco tempo. Arsene decide seguir a carreira do pai e logo se torna um ladrão despreocupado e empolgado com seus primeiros êxitos, mas também sem paciência nem auto-controle. Seu encontro com a Condessa de Cagliostro (Kristin Scott Thomas, 24 de maio de 1960, Inglaterra) lhe dá a formação necessária para que se torne um batedor de carteiras de primeira categoria. Sentindo-se pronto para vôos mais altos, ele decide roubar um fabuloso tesouro perdido dos reis da França. Eva Green é o amor da sua vida. O filme é muito bom, com boas seqüências de ação e ótima fotografia. Direção de Jean-Paul Salomé.

terça-feira, 10 de julho de 2007

100 - A PROVA


prova (proof, usa 2005) – Catherine (Gwyneth Paltrow, 27 de setembro de 1972, Los Angeles) passa cinco anos cuidando de seu pai (Anthony Hopkins, 31 de dezembro de 1937, País de Gales), um matemático brilhante com grandes distúrbios mentais. Após a morte dele, sozinha aos 27 anos, ela precisa lidar com a irmã autoritária (Hope Davis, 23 de março de 1964, Nova Jersey) e o afeto de Hal (Jake Gylenhaal, 19 de dezembro de 1980, Los Angeles), professor de matemática e ex-aluno de seu pai, que freqüenta a sua casa na esperança de encontrar algum trabalho valioso nas dezenas de cadernos onde Robert escreveu durantes os anos de insanidade. Além disso, ela precisa descobrir se herdou do seu pai a loucura ou a genialidade.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

99 - DÉSIRÉE, O AMOR DE NAPOLEÃO


desirée, o amor de napoleão (desiree, usa 1954) – de Henry Koster, de O Manto Sagrado (1954). A ascensão e queda de Napoleão (Marlon Brando, 03 de abril de 1924, Nebraska – 01 de julho de 2004, Los Angeles) é mostrada aqui tendo como pano de fundo sua relação amorosa com Desirée (Jean Simmons, 31 de janeiro de 1929), casada com o general que o derrotaria, Bernadotte (Michael Rennie, 25 de agosto de 1909 – 10 de junho de 1971). Brando faz um Napoleão contido, o que me surpreendeu, pois não era assim que me lembrava dele desde que vi o filme há muitos anos. Na caracterização, usa um nariz postiço, que o deixou parecido com um pingüim. Michael Rennie está perfeito como Jean Baptiste Bernadotte, fleumático, altivo, apaixonado por sua esposa. Anos depois, seria o capitão do Titanic, no primeiro episódio de O Túnel do Tempo, e O Colecionador, em Perdidos no Espaço. Jean Simmons é a típica donzela romântica da época da Revolução Francesa (1789 – 1799). Aliás, o filme mostra a importância da arquitetura que dominaria a Europa no século XIX.

domingo, 8 de julho de 2007

98 - VISÕES


visões (Gin gwai 2/the eye 2, china 2004) – depois de terminar o namoro, tentar o suicídio e descobrir que está grávida, mulher se vê às voltas com espíritos que pretendem reencarnar em recém-nascidos. Parecido demais com os outros filmes orientais do gênero, com cortes rápidos de câmera e uma temática que não foge dos espíritos inquietos. Direção de Oxide Pang Chun e Danny Pang.

97 - 171


171 (criminal, usa 2004) – de Gregory Jacobs. Rodrigo (Diego Luna, 29 de dezembro de 1979, México) e Richard (John C. Reilly, 24 de maio de 1965, Chicago) são uma dupla de trapaceiros que vivem dando golpes em cassinos e hotéis. Decidem, então, roubar uma valiosa chapa para impressão de dinheiro que está em poder de um hóspede do hotel onde trabalha a irmã de Richard (Maggie Gylenhaal, 16 de novembro de 1977, Nova York). O tom de comédia e a atuação do ótimo Reilly, além do toque hispano da presença de Luna, fazem prendem a atenção até o final (bom) de uma história que é, também, uma homenagem às ruas de Los Angeles.

sábado, 7 de julho de 2007

96 - POR UMA BOA BRIGA


por uma boa briga (play it to the bone, usa 1999) – de Ron Sheldon. Woody Harrelson (23 de julho de 1961, Texas) e Antonio Banderas (10 de agosto de 1960, Espanha) são dois lutadores de boxe decadentes que vão a Las Vegas para uma luta que dá direito a enfrentar Tyson pelo título mundial. Raro filme de boxe que mistura comédia ao drama inerente à história dos dois protagonistas. A luta entre os dois, violenta e emocionante, no final, é muito bem realizada. O filme vale por essa seqüência. Ver o grande Woody atuando é sempre muito bom. Lolita Davidovich (15 de julho de 1961) e Lucy Liu (2 de dezembro de 1968) fazem as respectivas namoradas. Robert Wagner (10 de fevereiro de 1930) também está no elenco.