sábado, 31 de dezembro de 2011

1224 - POSSUÍDA


POSSUÍDA (THE NEW DAUGHTER, USA 2009) – “Possuída” é um filme de baixo orçamento convencional de casa assombrada e possessão com um final pavoroso. “Possuída” parece um “enlatado” feito para TV, com personagens e situações não bem desenvolvidos e uso excessivo de clichês e atitudes nem um pouco razoável. Louisa é um personagem desagradável desde o início e é impossível sentir qualquer empatia por ela. Eu não me lembro qual foi o último bom filme de Kevin Costner, cuja carreira parece estar indo ladeira abaixo.

1232 - A ALEGRE DIVORCIADA

A ALEGRE DIVORCIADA (THE GAY DIVORCEE, USA 1934) – esta segunda parceria de Fred Astaire e Ginger Rogers é um exemplo clássico de um roteiro a serviço dos números de dança. A história é um clone de “Top Hat”, com aquelas confusões de identidade totalmente previsíveis. Mas, aqui, o que importa é a dupla dançando maravilhosamente, e cada vez mais me convenço de que nunca mais haverá um dançarino como Astaire que, além de tudo, era um ótimo ator. Atenção para o número de dança em que ele canta “Night and Day”, de Cole Porter. E também a atuação engraçadíssima de Edward Everett Horton. 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

1230 - PERDIDOS NA NOITE

PERDIDOS NA NOITE (MIDNIGHT COWBOY, USA 1969) - Midnight Cowboy conta a história de dois homens – Joe Buck (Jon Voight) e Rico “Ratso” Rizzo (Dustin Hoffman) – que ao final da década de 1960 tentam manter vivas pequenas esperanças, frutos de vidas que floresceram na marginalidade. Joe é um caubói estilizado e sonhador, além de fã incondicional de John Wayne, um ícone do “macho man” americano da época. Acompanhado por um simples rádio de pilha, sai do Texas e desembarca em Nova Iorque com um sonho: ser gigolô de mulheres ricas. Mas, a cidade das “oportunidades” não lhe oferece nada mais que dissabores. Em meio à decepção, conhece Ratso, um vagabundo que lhe aplica um golpe e pega seu dinheiro. Mais tarde quando voltam a se encontrar, Joe cobra a grana usurpada por Ratso. Porém, logo se compadece desse sujeito tuberculoso e habitante de um prédio abandonado, que retrata as condições sub-humanas que a grande metrópole esconde em suas vísceras. Surge, daí, uma sólida amizade  – o único valor que sobra para os dois – e, unidos, perambulam entre os arranha-céus sem dinheiro, comida e condições de higiene. Nesse território nova-iorquino, Joe e Ratso se transformam em duas almas perdidas e errantes, embora ainda crentes nos seus sonhos trincados. O filme mostra como a terra da “liberdade” pode escravizar na miséria ingênuos sonhadores. Na qual a alternativa – escolhida em desespero – é o roubo, a prostituição ou a penhora de um bem, mesmo que este seja o simples rádio de pilha. As sequências dramáticas dirigidas por John Schlesinger  são surpreendentes e bem criativas, tangenciando uma estética mais realista, na qual os dramas das grandes cidades começavam a ser mostrados em cores cruas . Numa das cenas, por exemplo, Joe e Ratso recebem um convite para uma festa. Nela, o final da década de 1960, nos EUA, é mostrada como os primórdios da liberação sexual e da disseminação das drogas. Midnight Cowboy, entretanto, não se baseia apenas nas angústias de seus protagonistas. Apesar do sofrimento, ainda se é possível encontrar um certo humor amargo.  Joe, por exemplo, não abandona sua “pose” de John Wayne, sendo motivo de risos para as pessoas. Não deixa de ser engraçado um take em que Ratso sai mancando atrás de Joe pelas ruas da cidade, como a mostrar a diferença nem tão profunda assim dos seus mundos. Mas há ainda os planos que os mantêm vivos: Joe de conquistar sua primeira cliente. E Ratso por uma nova vida em Miami. É exatamente isso que dá ao filme seu profundo grau de dramaticidade.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

1229 - O GRANDE TRUQUE

O GRANDE TRUQUE (THE PRESTIGE, USA 2006) – Os filmes de Christopher Nolan costumam falar de homens movidos por obsessões. Desde o grande suspense de inversão temporal Amnésia até o filme noir Insônia e o épico Batman Begins, Nolan vem descrevendo uma trajetória que o conduziu naturalmente a O Grande Truque, um filme em que a obsessão domina tudo. A história gira em torno da rivalidade entre dois mágicos londrinos na virada do século 20 (Hugh Jackman e Christian Bale). Cada um é obcecado pelos segredos e o sucesso profissionais do outro. A obsessão é como uma droga: quanto mais mergulham nela, mais a desejam. Assim como os mágicos costumam serrar uma mulher ao meio em alguns números, os personagens deste filme também aparecem todo tempo divididos. Um truque de mágica pode parecer simples para os leigos, mas não é bem assim, principalmente na virada do século, em Londres, período em que é ambientada a história. O filme explica que são necessários três atos para constituir uma boa mágica: A Promessa, no qual o mágico apresenta um objeto comum que, geralmente, não é; A Virada, em que esse objeto comum será transformado em algo extraordinário, momento em que todos tentam descobrir o segredo; e O Grande Truque, no qual ocorre a mudança e a grande surpresa para a platéia que sempre fica estarrecida com o resultado. E é nessa mesma seqüência que os fatos vão acontecendo no filme, com um final surpreendente. E por falar em mágica, ainda tem Scarlett Johansson, tão bela, mas tão bela, que a gente custa a acreditar que seja de verdade. 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

1228 - O PLANETA DOS MACACOS - A ORIGEM

O PLANETA DOS MACACOS, A ORIGEM (RISE OF THE PLANET OF THE APES, USA 2011) – o que mais impressiona no filme é a fantástica caracterização de Andy Serkis como Caesar, graças a produtora neozelandeza Weta. A evolução do chimpanzé, desde a sua infância até o momento em que lidera a revolução que fez surgir o mundo que Charlton Heston encontrou no filme de 1968, é de fascinar, ao mesmo tempo em que aterroriza. Depois de mais de 40 anos, a ideia de destruição em função do húbris – a presunção do homem de se achar senhor do destino ou da criação – permanece intocável. Claro que o filme original é muito mais impactante. Este, apenas, cumpre uma função burocrática de explicar o que poderia ter ocorrido e capricha nos efeitos especiais, em especial, como já disse, na criação de Ceasar, cujo último olhar em cena é tão marcante que por si só dá o tom sombrio do filme. 

1227 - ROOKIE, UM PROFISSIONAL DO PERIGO

ROOKIE, UM PROFISSIONAL DO PERIGO (ROOKIE, USA 1990) – de Clint Eastwood. A velha fórmula do policial veterano (Clint) às voltas com um novo parceiro de investigações (Charlie Sheen), que não se dão bem no início, mas acabam ficando grandes amigos no final, depois de derrotarem um bandido meio caricato, vivido por Raul Julia. Aliás, o aspecto interessante neste filme é a presença de Sonia Braga, como uma vilão femme fatale, cuja única cena de certo destaque é a sedução imposta a um Clint Eastwood amarrado em uma cadeira. A fotografia é muito escura na maior parte das cenas. Dirty Harry no melhor estilo.



domingo, 25 de dezembro de 2011

1226 - MEGAMENTE

MEGAMENTE (MEGAMIND, USA 2010) - Megamente (Will Ferrell) ganhou uma reputação de ser o supervilão mais brilhante que o mundo já conheceu. Ao longo dos anos, ele tentou conquistar Metro City em todos os sentidos imagináveis. Cada tentativa foi um fracasso colossal, graças ao super-herói conhecido como "Metro Man" (Brad Pitt), , desde os seus dias em fraldas. De repente, apesar de ter derrotado seu inimigo, Megamente percebe que ele não tem nenhuma finalidade, tornando-se um supervilão sem um super-herói. Ele se dá conta de que alcançar a ambição de sua vida é a pior coisa que já aconteceu com ele. Megamente decide que a única maneira de sair de sua rotina é criar um novo herói chamado Titan a partir de um ex-cinegrafista chamado Hal (Jonah Hill), que tem uma paixão amarga e incorrespondida pela repórter Rosana  (Tina Fey). Titan inicialmente promete ser maior, melhor e mais forte do que Metro Man sempre foi. Rapidamente Titan começa a pensar que é muito mais divertido ser um bandido do que um cara bom, mas Titan não quer dominar o mundo, ele quer acabar com ele e com quem fica em seu caminho. Megamente, auxiliado por seu companheiro de infância Minion (David Cross), em seguida, pede para parar Titan, iniciando um caminho para a redenção do processo. Muito divertido.





1225 - FREUD, ALÉM DA ALMA

FREUD, ALÉM DA ALMA (FREUD, USA, 1962) – de John Huston. Huston havia chamado Sartre para escrever o roteiro do filme, mas os dois acabaram se desentendendo e o diretor acabou finalizando a produção sozinho, o que talvez tenha dado mais dramaticidade à história de Freud e de suas descobertas sobre o inconsciente e a teoria dos sonhos. Além disso, há a extraordinária atuação de Montgomery Cliff (1920 – 1966), em que o drama da sua vida real se reflete: ele havia sofrido um acidente de carro em 1956, durante a gravação de “A Àrvore da Vida”, quando teve seu rosto desfigurado. No filme, veem-se claramente s cicatrizes. Ademais, é sabido que Huston o perseguia no set de filmagens, aludindo de maneira negativa à sua homossexualidade. O que resulta daí é um Freud tenso, amargurado e, ao mesmo tempo, fascinado com suas descobertas. Susannah York é a sua paciente no filme e está lindíssima como a frágil Cecily. 

1224 - HOMEM DE FAMÍLIA



O HOMEM DE FAMÍLIA (THE FAMILY MAN, USA 2000) – como faço todos os anos, na época do Natal, assisto a este filme, que já se tornou um clássico que evoca desde de Frank Capra (em “A felicidade não se compra”) até o tradicional conto de Charles Dickens sobre a importância da família na vida de qualquer ser humano. Jack Cambell, o homem do título, é um executivo muito bem sucedido profissionalmente, mas completamente imerso numa solidão que a todo custo tenta disfarçar. Depois de intervir num assalto, na véspera do Natal, ele acorda em outra realidade no dia seguinte: está casado com a namorada de colégio (a belíssima Téa Leoni), é pai de suas crianças, e leva uma vida típica de classe média em Nova Jersey. Aí, vêm as reflexões sobre as escolhas que fazemos na vida. Um filme fascinante.


1223 - EM BUSCA DO OURO


EM BUSCA DO OURO (THE GOLD RUSH, USA 1925) – este clássico de Chaplin foi relançado em 1940, com a narração do próprio, o que não tira nem um pouco o brilho e a genialidade da produção. Há cenas que se eternizaram na história do cinema, como, por exemplo, a refeição que Chaplin faz com a bota, o delírio em que Chaplin se transforma num frango e a impressionante dança com os pãezinhos, que mistura simplicidade e mágica - veja aí em baixo. Um dos raros filmes de Chaplin em que há um final feliz. 



1222 - A GAROTA DA VITRINE

A GAROTA DA VITRINE (SHOPGIRL, USA 2005) – apesar da presença de Steve Martin, este filme é um drama e não é dos melhores. Além disso, é assustador o rosto de Martin, evidentemente arredondado com Botox. Parecia um boneco de cera. No filme, ele, um milionário playboy, se aproxima de uma moça que trabalha como balconista na Saks da Quinta Avenida, atuação razoável de Claire Danes. Ao mesmo tempo, entra em cena um rapaz meio perdido na vida, Jeremy (Jason Schwartzman, de Bored to Death), e o triângulo se forma. O filme se arrasta nestas idas e vindas, sem grandes surpresas. O roteiro foi baseado num romance escrito pelo próprio Martin. Na tela, faltam substância e profundidade, e sobra saudade do histrionismo que ele emprestava aos seus filmes antigos. 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

1221 - A MULHER DE 15 METROS

A MULHER DE 15 METROS DE ALTURA (THE ATTACK OF THE 50 FOOT WOMAN, USA 1958) – o filme foi lançado na esteira de outros na época que exploraram histórias com personagens e outros seres com alterações de tamanho, principalmente por causa da radiação atômica, a grande paranóia daquele tempo, como, por exemplo “The War of the Colossal Beast” e o “O Incrível Homem que encolheu”. Só que este aqui é, talvez, o mais campy de todos, já que a mulher em questão se agiganta em função de um contato com uma nave alienígena, totalmente inexplicada, diga-se, e vai atrás do marido que a está traindo com uma garota de programa. Os efeitos são paupérrimos, mesmo para os padrões da época, devido às evidentes restrições orçamentárias. O curioso é que o cartaz do filme mostra uma cena que não existe na história, mas que passou a ser mais conhecida do que o próprio filme (olhe aí do lado). Em 1980, houve um remake com Daryl Hannah, que fiz questão de esquecer. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

1220 - CAPITÃO AMÉRICA, O PRIMEIRO VINGADOR

CAPITÃO AMÉRICA, O PRIMEIRO VINGADOR (CAPTAIN AMERICA, THE FIRST AVENGER USA 2011) – bem, o filme é talvez a mais ousada exaltação do americanismo levada ao mais alto grau de paroxismo. Se você não levar isso muito a sério, dá para curtir e muito o filme sobre um jovem franzino cujo maior sonho é servir ao exército dos EUA na Segunda Guerra. Depois de submetido a uma experiência científica patrocinada pelo exército americano para formar super soldados, ele passa a ser a principal propaganda do governo para os famosos bônus de guerra. Bom, logo depois, se transforma num verdadeiro herói, como era de se esperar. A produção é caprichada, mas, a meu ver, erraram na escolha da mocinha, a fraca Hayley Atwell. Chris Evans nasceu para o papel-título. 

1219 - A MULHER DE MEU AMIGO

A MULHER DO MEU AMIGO (BRASIL, 2008) – de Cláudio Torres. Filme conta a história do bem-sucedido homem de negócios Thales (Marcos Palmeira), que está em crise com sua profissão. Casado com a rica, bonita e mimada Renata (Mariana Ximenes), ele trabalha no escritório do poderoso e amoral empresário Augusto (Antônio Fagundes) que, além de chefe, é também seu sogro. Durante uma temporada de férias, desfrutada numa casa de campo com sua esposa e os amigos de longa data Rui (Otávio Müller) e Pamela (Maria Luisa Mendonça), Thales decide que vai parar de trabalhar. A resolução, aparentemente pessoal e intransferível, acaba afetando a vida de todos que o cercam e desencadeando uma série de confusões, como uma improvável troca entre os casais. Pois é, mas o filme não presta, apesar da presença radiante de Mariana Ximenes. 

domingo, 18 de dezembro de 2011

1218 - CAMILLE, UM AMOR DE OUTRO MUNDO

CAMILLE, UM AMOR DE OUTRO MUNDO (CAMILLE, USA, UK, 2008) – o filme é uma fantasia amorável que se sustenta principalmente pelas atuações dos protagonistas, James Franco e Sienna Miller. Os dois saem para sua lua de mel, nas Cataratas do Niágara, com motivações aparentemente diferentes: ela está apaixonada, e ele apenas quer ter a chance de fugir do país, já que está em condicional, por causa de pequenos furtos. A partir daí, a fábula começa, flertando com a comédia e a seara sobrenatural, com um final previsível. No elenco, David Carradine (08 de dezembro de 1936 – 03 de junho de 2009). 

1217 - TRON, O LEGADO

TRON, O LEGADO (TRON: LEGACY, USA 2010) – o filme fecha a história que começou com o primeiro Tron, de 1982, também com Jeff Bridges. Agora, seu filho consegue entrar no programa criado por seu pai e tentar tirá-lo de lá. A tecnologia atual turbinou, claro, o cenário virtual do filme, mas sem grandes exageros. Há até o personagem rejuvenescido de Bridges, mas que ficou parecendo desenho animado. No mais, a história é fácil de acompanhar e ainda conta com a bela Olívia Wilde (na realidade, Olivia Cockburn –o Wilde é em homenagem a Oscar Wilde). 

sábado, 17 de dezembro de 2011

1216 - TROPA DE ELITE 2 - O INIMIGO AGORA É OUTRO

TROPA DE ELITE 2 – O INIMIGO AGORA É OUTRO (BRASIL, 2010) – de José Padilha. Completando a trilogia que começou com “Ônibus 174”, Padilha não deixa de, mais uma vez, mostrar da maneira mais crua e real o que se passa nos intestinos das forças policiais. Desta vez, a luta é contra a milícia, apoiada pelo governo. O coronel Nascimento de Wagner Moura é agora subsecretário de Segurança, mas logo vê que o tal “sistema” contra o qual sempre lutou possui tentáculos inatingíveis. Ao invés de culpar a classe média que compra drogas e financia o tráfico no país, mesmo que usando apenas uma carreira de pó, a sequência vai além e começa a mostrar que o buraco é mais em cima: os políticos usufruem de qualquer situação para conquistar dinheiro e fama, e recebem apoio dos demais corruptos. Muito boa atuação de Sandro Rocha, como chefe da milícia, e de Milhem Cortaz, sempre trazendo seu personagem entre o ridículo e o perverso. Os piores são Maria Ribeiro, que faz a ex-esposa de Nascimento e André Mattos, numa atuação exagerada e irritante. Valeu ter visto de novo. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

1215 - O ASSASSINO EM MIM

O ASSASSINO EM MIM (THE KILLER INSIDE ME, USA 2010) – O longa é uma adaptação do romance noir de Jim Thompson, publicado em 1952. Dirigido por Michael Winterbottom, o filme se passa no Texas nos anos cinquenta, onde Lou Ford (Casey Affleck) é um jovem xerife de uma pequena cidade do interior. A cidade, com seus aspectos interioranos e com fortes raízes do Texas, cresceu em pouco tempo e guarda uma característica marcante, as aparências valem e muito para a sociedade. Sem ter grandes tarefas, Lou ajuda seus conterrâneos com favores no limite da lei e é com uma dessas ajudas que ele acaba conhecendo Joyce (Jessica Alba, altamente deleitável e com pouca roupa, veja aí no preview), uma prostituta que se envolveu com o filho de um dos homens mais influentes da cidade. Lou recebe a missão de entregar um dinheiro para Joyce e expulsá-la da cidade, mas acaba se envolvendo com ela em uma relação de sexo e violência. O relacionamento faz brotar em Lou um assassino frio e sem pudores, que sem motivos aparentes, começa a se envolver ainda mais com mortes e violência. Há passagens extremamente violentas, mas muito bem filmadas. Os elementos do filme noir estão todos lá: a dama fatal, o crime, o inocente de quem ninguém suspeita. A trama lembra muito a de “Psicopata Americano”, livro que virou filme com Christian Bale no papel principal. Casey affleck pode entrar, com este personagem, na galeria dos psicopatas clássicos do cinema, como, por exemplo o Norman Bates de Psicose.  O final é meio decepcionante. Quando foi exibido no Festival de Sundance, a estrela Jessica Alba saiu do cinema no meio da exibição. Além dela, várias pessoas se retiraram no cinema.

1214 - POESIA

POESIA (CORÉIA DO SUL, 2010) – confesso que, de início, esperava muito mais deste filme, premiado em Cannes, justamente instigado pelo título e pela sinopse. É possível ensinar a escrever poesia? Aparentemente, sim. Num centro cultural numa cidade da Coreia do Sul, um grupo de pessoas senta-se em mesinhas escolares. Seus olhares são ávidos como de crianças no primário à espera de aprender as primeiras letras do alfabeto. O professor, um poeta conceituado, mostra-lhes uma maçã e pergunta se alguém já viu a fruta. Claro, todos já viram, como ele mesmo diz, milhares de maçãs em suas vidas. "Vocês nunca viram uma maçã de verdade", decreta. Mas qual a diferença entre ver e enxergar? Ao centro do drama sul-coreano "Poesia" está exatamente essa questão: o que vemos e o que enxergamos? Mija (Jeong-hie Yun) é uma senhora que cuida do neto, e trabalha como faxineira e uma espécie de enfermeira de um homem que sofreu um derrame (Hira Kim). Ela é a última a se matricular na aula de poesia, e a aluna mais esforçada. Em seu caderninho, faz anotações quando frases e observações lhe ocorrem – não importa onde esteja. A realidade tratará de dar à senhora material para sentir... A avó descobre que o neto que ela sustenta abusou sexualmente, com outros amigos de escola, de uma menina que acaba de se suicidar. Mija precisa juntar dinheiro para calar a mãe - dizem os pais dos outros garotos - mas o que ela ganha cuidando de um velho sequelado por um derrame não é suficiente. E as más notícias estão só começando. É aí que o filme aponta para a dualidade que a protagonista vive: quanto mais se aprofunda no universo mágico da poesia, mais a realidade exterior se mostra em crescente brutalidade e prosaísmo. Não é um filme fácil, adianto-lhes. Aprecia-se a história muito mais no depois, quando tentamos entender o que o diretor, também autor do roteiro, quis dizer, do que no momento em que o vemos. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

1213 - 20.000 LÉGUAS SUBMARINAS

20.000 LÉGUAS SUBMARINAS (20.000 LEAGUES UNDER THE SEA, USA 1954) – de Richard Fleisher. James Mason faz um Capitão Nemo como um heroi trágico, um homem tão à frente do seu tempo, que suas invenções eram vistas como ameaças à humanidade. Desta forma, o grande ator inglês transformou seu personagem numa imagem icônica (a barba, os cabelos grisalhos, a expressão amargurada...), que influenciou a formação do arquétipo do cientista brilhante (nem louco nem excessivamente racional), tão presente em outras produções do gênero (veja Vincent Price, em Rubor, o Conquistador do Mundo, 1961, também de Verne, uma versão aérea de Nemo). Uma nota dissonante do filme é a atuação meio over e estereotipada de Kirk Douglas, como um Ned Land que mais reflete a personalidade, então, exuberante do ator do que a descrição feita por Jules Verne no livro. À parte tudo isso, não há como negar que a obra contém elementos caracteristicamente shakespearianos: a ação, em geral, se passando dentro da mente dos personagens que se analisam mutuamente, a claustrofobia do submarino gerando alucinações, a luta com o polvo gigante emulando os fantasmas criados pelo Bardo. Quase sem muitas falas, Peter Lorre tem uma participação coadjuvante, sem muito brilho. Uma fato curioso sobre ele: quando jovem, foi aluno de Freud, em Viena. 


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

1211 - TROPA DE ELITE

TROPA DE ELITE (BRASIL, 2007) – ao rever este filme, pergunto-me como esses caras (o diretor José Padilha e os autores do livro) tiveram a coragem de mostrar, tão escancaradamente, o perverso submundo da polícia militar, composta, na sua maioria, de acordo com o filme, do que há de pior no universo da corrupção neste país. É realmente um grande filme, muito bem realizado, com elenco de primeira, capitaneado por uma atuação visceral de Wagner Moura, que colocou definitivamente o seu Capitão Nascimento no cenário pop nacional. 

1210 - THE BIG BANG THEORY - 1A. TEMPORADA - DISCO 1

THE BIG BANG THEORY – PRIMEIRA TEMP. DISCO 1(USA, 2007) - Situada em Pasadena, Califórnia, o show é sobre dois prodígios da Caltech: um físico teórico (Sheldon Cooper) e um físico experimental (Leonard Hofstadter), que moram do outro lado docorredor de uma atraente garçonete loira com aspirações para show-biz (Penny). A "nerdeza" e o intelecto puro de Leonard e Sheldon são comicamente contrastados com as habilidades sociais e o bom-senso de Penny. Leonard enxerga em Penny talvez a única coisa que o mundo racional-radical em que vive não pode lhe oferecer: a possibilidade de um amor. Isto provoca uma interface interessante no andamento dos episódios, nos quais sentimento e razão ficam sempre a um passo de se misturarem. Dois amigos igualmente nerds que estes possuem são Howard e Rajesh, e também são personagens principais. O curioso nesta série é a originalidade do argumento e a forma como os diálogos são construídos, sempre com uma referência pertinente e correta ao mundo científico. 

1209 - MÁRIO FILHO, O CRIADOR DE MULTIDÕES

MÁRIO FILHO, O CRIADOR DE MULTIDÕES (BRASIL. 2010) – de Oscar Maron Filho. O documentário é uma homenagem a Mário Filho o criador da mitologia do futebol brasileiro e maior cronista esportivo de todo os tempos. Os textos de suas crônicas são interpretados com imagens épicas de futebol, Rio de Janeiro e samba. O filme revive também o histórico prefácio de Gilberto Freyre para o livro “O Negro no Futebol Brasileiro” de Mario Filho. Entrevistas com Carlos Heitor Cony, João Máximo e Nelson Rodrigues, entre outros. Vale pelas cenas de jogos no Maracanã, entre os anos 60 e 70 e, principalmente, pelo foco nas partidas do Flamengo.

domingo, 4 de dezembro de 2011

1208 - AS MINAS DO REI SALOMÃO

AS MINAS DO REI SALOMÃO (King Solomon’s Mines, USA 1985) – rever este filme não mudou em nada minha opinião: história fraca, cenas mal feitas e o uso descarado dos elementos de Indiana Jones, a começar pelos personagens do canastrão Richard Chamberlain e de John-Rhys-Davies, que tinha feito o Sallah, em os Caçadores da Arca Perdida (1981). O único motivo para rever este desastre é contemplar Sharon Stone no auge da beleza, porém com uma atuação meio over.  Algumas cenas chegam a ser constrangedoras, como a que Richard e Sharon vão ser cozidos pelos canibais dentro de um caldeirão gigante. Só mesmo para os fãs mais descerebrados de Sharon Stone, nada mais. 

1207 - ATRAÇÃO PERIGOSA

ATRAÇÃO PERIGOSA (THE TOWN, USA 2010) – não se deixe levar pelo título fácil (e totalmente inapropriado) e pela direção de Ben Affleck, um dos piores atores que já vi no cinema. “The Town” é um filmaço, pela história, pelo elenco e – dou o braço a torcer – pela direção inesperadamente brilhante de Affleck, que se cercou de ótimos atores para dar início a uma carreira promissora, digna dos filmes da fase madura de Clint Eastwood. Atenção para a atuação explosiva de Jeremy Renner (de Guerra ao Terror) e para a Rebecca Hall (a Vicky, de “Vicky, Cristina, Barcelona”), muito bonita e igualmente talentosa. No final, a gente tem a certeza que viu uma obra bem cuidada em todos os aspectos. Só falta à história um clássico elemento do clichê hollywoodiano: as cenas de sexo estão praticamente escondidas no pacote dos tiros e explosões. Nada disso tira o brilho do filme, apesar da já esperada atuação de Ben Affleck que, em qualquer cena, faz aquela cara de... Ben Affleck. Como já disse, na direção, entretanto, ele consegue dar um ritmo ágil e surpreendente.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

1206 - ENTERPRISE - SEGUNDA TEMPORADA

ENTERPRISE – SEGUNDA TEMPORADA (ENTERPRISE, SECOND SEASON, USA 2002) – a segunda temporada começa com a segunda parte de “Shockwave”, que foi o último episódio da primeira. Archer está numa biblioteca em ruínas, no futuro, junto com o agente Daniels, que já tinha aparecido numa outra história. O segundo episódio é curioso: comemorando o primeiro aniversário de T’Pol a bordo da Enterprise, ela conta a Archer e Trip que sua bisavó e um grupo de vulcanos foram os que realmente chegaram primeiro à Terra. Mas, talvez, o mais curioso episódio é aquele em que T’pol fica no cio, depois de ter sido contaminada com um vírus e dá em cima de Phlox, enquanto eles estão numa câmera de quarentena. Esta temporada traz mais conflitos para Archer – ele, inclusive, é condenado por um tribunal Vulcano. Os personagens vão amadurecendo.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

1205 - MALU DE BICICLETA

MALU DE BICICLETA (BRASIL, 2010) – de Flávio Tambelini. Sem ser muito pretensioso, o filme pode ser considerado um tratado atemporal sobre o ciúme e as formas de como (não) lidar com ele. Marcelo Serrado é Luiz Mário, um daqueles playboys conquistadores que, num belo dia, sente uma irresistível necessidade de pertença ao esbarrar com o sorriso homicida de Malu (Fernanda de Freitas, linda e temperada com pimenta a gosto). O roteiro se desenrola de maneira simples e direta, contando como Luiz Mário se deixa deformar pelo ciúme machadiano que conduz o espectador a uma profunda reflexão sobre a natureza da posse sentimental.

1204 - FLOR DO DESERTO

FLOR DO DESERTO (DESERT FLOWER, UK, ALEMANHA, ÁUSTRIA 2009) – de Sherry Horman. A transposição para o cinema da emocionante autobiografia da top model Waris Dirie, que fugiu da Somália, ainda menina, depois de ter sido submetida à revoltante circuncisão feminina, feita a gilete, quando tinha três anos, funciona muito bem, muito devido à atuação de Liya Kabede e aos flash-backs do roteiro, que nos permite ver – mas nunca entender – a brutalidade com que as mulheres são tratadas em certas regiões da África. No final, há umas catucadas políticas, ao meu ver desnecessárias, mas que, no entanto, não comprometem a mensagem humanista do filme.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

1203 - MEIA-NOITE EM PARIS

MEIA-NOITE EM PARIS (MIDNIGHT IN PARIS, ESPANHA, USA 2011) – podem dizer o que quiserem de Woody Allen, até mesmo que ele já não faz mais filmes com a qualidade de antigamente, mas bata ir ao cinema e assistir a este aqui para ter certeza de que o homem não perdeu a mão na realização de coisas sensíveis. Mesmo que a arquitetura cênica de Meia-Noite em Paris seja um pouco simplista demais para alguns críticos (eu discordo – quem tem Paris como cenário não precisa de mais nada), o roteiro é recheado de simbolismos e alcances aos quais não podemos ficar indiferentes. Foi bom rever Owen Wilson num bom papel, depois da tentativa de suicídio em 2007, por causa de uma depressão. Ele é Gil, um escritor que volta para a Paris dos anos 20, quando chega meia-noite. Agora, mais bela que Paris, ou tanto quanto, está Rachel McAdams, no papel da afetada noiva de Gil. Uma coisa é certa: Woody Allen sabe escolher os mais belos enfeites para suas obras de arte, e Rachel ilumina a tela em todas as suas cenas. Prestem atenção no simbolismo do horário – meia-noite –nem cá nem lá, um instante suspenso, em que se pode optar por estar em qualquer das dimensões temporais que conhecemos – passado, presente, futuro – dependendo dos nossos desejos mais verdadeiros.

1202 - ANALISANDO O AMOR

ANALISANDO O AMOR (THE SHRINK IN ME, USA 2001) – o que me levou a assistir a este filme foi a presença de Courtney Cox, no auge da beleza e da fama alcançada em FRIENDS. A história é simples, mas bem realizada, embora contenha muitos dos clichês das comédias românticas americanas, especialmente quando o protagonista se faz passar por outra pessoa para conquistar seu objeto de amor (Fred Astaire já fazia isso há muito tempo...). Entretanto, o sorriso cativante de Cox e seu timing perfeito para comédia fazem tudo valer a pena. Só não posso deixar de registrar minha imensa tristeza pelo fato de Courtney esteja praticamente com a boca deformada de botox hoje em dia. Uma das mais belas (e talentosas) atrizes americanas não merecia ter sucumbido ao péssimo e inútil hábito de tentar deter o ritmo inexorável do tempo.