SEM ESCALAS (NON-STOP, USA 2014) – Liam Neeson deu uma guinada tardia na sua carreira, primeiramente marcada por papeis dramáticos, para se dedicar a filmes de ação, embora tenha aparecido para o estrelato com o já longínquo DARKMAN (1990). Seus personagens, nesta fase, são agentes ou policiais aposentados, geralmente traumatizados com perdas afetivas (em SEM ESCALAS, ele perdera a filha), enfrentando problemas como o álcool ou a reclusão (se é que reclusão é mesmo um problema). Aqui, ele é um agente que viaja incógnito num voo comercial transatlântico. Já a bordo, começa a receber mensagens no celular com uma ameaça: alguém será morto no avião, em vinte em vinte minutos, até que 150 milhões de dólares sejam depositados numa conta. É sempre admirável um filme que consiga manter o interesse quando a ação se passa praticamente o tempo todo dentro de um tubo metálico. Por isso, SEM ESCALAS entrega o que promete, principalmente por causa da empatia que Neeson tem com o público. Julianne Moore está no elenco, mas com um papel bem aquém do seu talento. Os CGIs que mostram o avião por fora, na parte final do filme, são fracos.sábado, 21 de novembro de 2015
2714 - SEM ESCALAS
SEM ESCALAS (NON-STOP, USA 2014) – Liam Neeson deu uma guinada tardia na sua carreira, primeiramente marcada por papeis dramáticos, para se dedicar a filmes de ação, embora tenha aparecido para o estrelato com o já longínquo DARKMAN (1990). Seus personagens, nesta fase, são agentes ou policiais aposentados, geralmente traumatizados com perdas afetivas (em SEM ESCALAS, ele perdera a filha), enfrentando problemas como o álcool ou a reclusão (se é que reclusão é mesmo um problema). Aqui, ele é um agente que viaja incógnito num voo comercial transatlântico. Já a bordo, começa a receber mensagens no celular com uma ameaça: alguém será morto no avião, em vinte em vinte minutos, até que 150 milhões de dólares sejam depositados numa conta. É sempre admirável um filme que consiga manter o interesse quando a ação se passa praticamente o tempo todo dentro de um tubo metálico. Por isso, SEM ESCALAS entrega o que promete, principalmente por causa da empatia que Neeson tem com o público. Julianne Moore está no elenco, mas com um papel bem aquém do seu talento. Os CGIs que mostram o avião por fora, na parte final do filme, são fracos.sexta-feira, 20 de novembro de 2015
2713 - MEUS DIAS INCRÍVEIS
MEUS DIAS INCRÍVEIS (ARTHUR NEWMAN, USA 2014) – Colin Firth e Emily Blunt fazem o possível para dar consistência aos seus personagens, neste road movie com ares existenciais: ele é um executivo que, cansado da vida que leva e do desprezo da ex-mulher e do filho, resolve assumir uma outra identidade; ela também quer esquecer a vida que leva até então e, assim como o personagem de Firth, está atrás da fuga definitiva de seus problemas. O roteiro, sem muita originalidade, patina entre o lugar-comum e soluções bem previsíveis. No entanto, a química entre os protagonistas segura o filme até o desfecho anunciado.
2712 - ENCALHADOS
ENCALHADOS (LAGGIES, USA 2014) – O
título em português é totalmente equivocado, dando uma falsa impressão do que se
trata o filme. A história gira em torno de Megan (Keira Knightley), que aparentemente
tem problemas com a adultícia – mesmo depois de formada, mora com os pais, não se
definiu profissionalmente e vive um relacionamento meio morno com o namorado da
adolescência. Quando ele lhe propõe casamento, ela meio que surta e tira uma semana
de folga da sua vida para pensar no que vai fazer. É quando conhece Annika (Chloe
Grace Moretz), fica uns dias na sua casa e se apaixona pelo pai dela (Sam Stockwell).
A história retrata um pouco de como são as relações líquidas do mundo pós-moderno,
no qual as pessoas desistem facilmente das outras, buscando logo a seguir, um novo
relacionamento. Keira, toda linda, assim como Chloe, está no papel em que é insuperável:
a jovem sem rumo, meio tresloucada, mas que seduz todos por onde passa. Sam Stockwell
foi uma má escolha para o papel. O enredo está longe de ser original, o argumento
não foge das convenções das comédias românticas e tudo é muito, mas muito, previsível.
Só desperta mesmo interesse por causa de duas belas atrizes talentosas – Keira e
Moretz – e nada mais.
sábado, 14 de novembro de 2015
2711 - FOXCATCHER, A HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO
FOXCATCHER, UMA HISTÓRIA QUE
CHOCOU O MUNDO (FOXCATCHER, USA 2014) – O filme de Bennett Miller depende basicamente do
desenvolvimento dos personagens e do trabalho dos atores que compõem este triângulo
afetivo, que não é necessariamente sexual: Steve Carell, Channing Tatum e Mark
Ruffalo são, respectivamente, o milionário John Du Pont e os irmãos Schultz, atletas
de luta greco-romana que John contrata para treinar para as Olimpíadas de Seul.
Tatum e Carell caminham numa linha tênue entre a representação e a caricatura,
enquanto Ruffalo tem o mérito de compreender que sua impressionante mudança física
para o papel já era o suficiente para marcar o personagem e, ao contrário dos
outros, em momento algum subiu o tom de sua interpretação. Steve Carell é um
dos meus atores favoritos e, apesar do risco que correu aqui, merece destaque. O
que pode ter prejudicado é a forma um pouco estanque com que Miller dirigiu o
filme: tem-se a impressão de que não há comunicação entre a história com o momento
e com o mundo.
domingo, 8 de novembro de 2015
2710 - SUPERGIRL
SUPERGIRL (SUPERGIRL, USA 2015) – A série começou muito badalada nos EUA, embora eu ainda
duvide das suas potencialidades. Afinal, Supergirl nunca alcançou sucesso
parecido com a sua versão masculina, que também anda em baixa, haja vista as últimas
produções em que o Homem de Aço foi protagonista, todas meio inanes. Este primeiro
episódio procurou ser bem didático, explicando a origem da heroína defendida sem
muita garra pela bela Melissa Benoit, que esteve em WHIPLASH. No mais, atuações
planas, personagens idem e CGIs bem fraquinhos. Vale pela beleza de Melissa.
2709 - PRETTY BABY - MENINA BONITA
PRETTY BABY, MENINA BONITA (PRETTY BABY, USA 1978) – o diretor francês Louis Malle, no seu primeiro
filme na América, resolveu chocar a sociedade da época, fazendo um filme sobre
um bordel e, mais especificamente, a trajetória de uma prostituta,
Violet (Brooke Shields). Com doze
anos de idade, ela tem sua virgindade leiloada, a mãe se casa e a abandona, e a
menina casa com um fotógrafo bem mais velho do que ela (Keith Carradine que,
recentemente, fez o pai de Penny, em THE BIG BANG THEORY). Sob a ótica atual, o
filme não tem nada de mais e é até um pouco ingênuo em alguns momentos.
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
2708 - MR. ROBOT
MR. ROBOT (USA, 2015) - Mr. Robot acompanha Elliot (Rami Malek), um jovem programador que trabalha em uma empresa de cyber-segurança de dia e, a noite, como um hacker vigilante. Ele precisa tomar uma decisão quando conhece o misterioso líder (Christian Slater) de um grupo secreto de hackers que o recruta para destruir a firma que ele é pago para proteger. A série apresenta uma situação não muito distante do mundo em que vivemos hoje: Elliot Alderson é um jovem idealista que quer ajudar a humanidade com seus problemas. O twist: inicialmente, percebemos que há algo de errado com ele - afinal, somos seu "amigo imaginário". Elliot tem um problema mental que precisa fazer parte da equação para que o plano funcione. Primeiramente conhecemos apenas o solitário e introvertido Elliot. Engenheiro de segurança cibernética em uma firma que protege uma das maiores empresas tecnológicas (fictícia) do mundo, E Corp - ou Evil Corp, como o protagonista a chama ao longo dos dez episódios -, ele não parece ser uma ameaça muito grande ao mundo. Um dos melhores episódios de estreia que já vi. A série faz refletir sobre nossa realidade. Longe de ser chata (pelo contrário, é viciante), Mr. Robot envolve o telespectador numa discussão sobre como as pessoas estão vivendo em um mundo no qual é preciso registrar tudo e postar em redes sociais. Adorei quando Elliot diz, logo no primeiro episódio: “Eu odeio Facebook!”. A série me ganhou aí.
2707 - PONTE AÉREA
PONTE AÉREA (BRASIL, 2014) - Tive a curiosidade de
assistir a PONTE AÉREA, porque li que a diretora decidiu fazê-lo ao ler AMOR LÍQUIDO,
do Bauman. Bem, vi muito pouco do Bauman no filme. A história trata de duas pessoas
que se conhecem, passam a noite juntos, se apaixonam e, depois, se separam, por
razões ainda pouco claras para mim. Sim há alguma coisa dos relacionamentos líquidos, mas, como sói acontecer com o cinema nacional, tudo ficou muito
raso, sem amplitude, meio disfarçado num roteiro de comédia romântica. Só mesmo
beleza mesmerizante de Leticia Colin, que faz a moça em questão, mantém o interesse
até o fim. Seu personagem, Amanda - linda, profissional de propaganda, chique, sofisticada,
culta - é tudo aquilo que um homem sensato gostaria de encontrar numa mulher. Amanda
é sensível, antenada com o mundo, e possui uma qualidade admirável: é capaz de
rever seus pontos de vista, acatar outras visões epistemológicas sem que isso
afete suas certezas, pois as sabe sempre provisórias. Aí, sim, há uma tangência
com a teoria baumaniana. O filme vale por esta proposta e, sobretudo, pela atuação
(inclua-se aí o aspecto estético) da protagonista. A história é conduzida com delicadeza,
com a naturalidade de quem conhece o universo que está retratando – as tomadas
urbanas de São Paulo são prova disso. Contudo, a investigação existencial inserta
na proposição da diretora se dilui, como os laços líquidos de que fala Bauman.
domingo, 1 de novembro de 2015
2706 - SERENA
SERENA (SERENA, USA 2011) – Foram tantas as críticas ruins a
este filme, que fiquei curioso para constatar se seriam confirmadas. Foram. Três
atores talentosos – Bradley Cooper, Jennifer Lawrence e Toby Jones – jogados numa
história com ares de novela de segunda categoria tão ruim, que ficaram
parecendo totalmente perdidos num roteiro comatoso. A boa fotografia é logo
comprometida por uma das piores edições já vistas em filmes recentes. A história
é tão sem sentido, tão sem noção, que nem vale a pena recontá-la aqui. A direção
soporosa e a cinematografia pedestre são os aspectos que mais chamam a atenção,
negativamente.
sábado, 31 de outubro de 2015
2705 - TRANSCENDENCE, A REVOLUÇÃO
TRANSCENDENCE , A REVOLUÇÃO (TRANSCENDENCE, USA 2014) – Primeiro de tudo: filme com Morgan Freeman é obrigatório. Transcendence é a ficção científica que marca a estreia na direção de Wally Pfister. Na trama, cientistas trabalham para criar o primeiro computador com
consciência. Quando um grupo de terroristas anti tecnologia assassinam um dos
pesquisadores (vivido por Johnny Depp), a esposa (Rebecca Hall, linda, encantadora, mesmerizante) do cientista
faz um upload do cérebro do marido para o protótipo do computador. Inicialmente,
ela entende que o experimento fracassou, mas logo percebe que a mente dele está
viva dentro da máquina. Jack Paglen assina o roteiro. Kate Mara, Paul Bettany,
Cory Hardrict, Cole Hauser e Cillian Murphy também estão no
elenco. Christopher Nolan cuida da produção-executiva. Na trama, cientistas
trabalham para criar o primeiro computador com consciência.
2704 - MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO
MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO (STRANGER THAN FICTION, USA 2006) – Will Ferrell é Harold Crick, um homem metódico, de hábitos tão rígidos que, quando começa a ouvir dentro de sua cabeça uma voz de mulher, inglesa, que narra cada um dos seus gestos com mais estilo, e melhor escolha de palavras, do que ele próprio estaria apto a empregar, percebe que algo excepcional está prestes a acontecer. Com a ajuda de um professor de literatura (Dustin Hoffman), Harold descobre que passou a ser o personagem de um romance que está sendo escrito por Kay Eiffel (Emma Thompson). Quando descobre que Kay vai matar seu personagem central, que é ele próprio, Harold tenta convencê-la a mudar o desfecho. O mais interessante nesta história que tem laços fortes com o universo fantástico é mostrar que mesmo as pessoas das quais se costuma desdenhar podem conter gestos insuspeitáveis de grandeza. O diretor Marc Foster vira do avesso o batido mote do ‘loser que desabrocha’. O cinema indie de Hollywood tem forte tendência à fracassomania - quanto mais desgraçado o personagem principal, mais bonita será a sua volta por cima. Forster subverte a situação com ironia: até o próprio Crick sabe que é um perdedor, porque há uma voz, contando sua história, que não para de repetir isso. A autoconsciência hamletiana é a grande chave do filme. Somente ao entender a sua própria situação Crick tem a chance de domá-la. Nesse ponto, não há metalinguagem maior: onisciente, o personagem deixa de ser marionete do contador de história. Isto é, destronar o narrador da confortável posição de tirano, de dono total de sua biografia, é a grande sacada do autor deste roteiro. Maggie Gyllenhall está impressionantemente graciosa como objeto de paixão de Harold.
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
2703 - A GAROTA DA VITRINE
A GAROTA DA VITRINE (SHOPGIRL, USA 2005) – Rara e importante incursão de Steve Martin na seara dramática, SHOPGIRL, escrito por ele próprio, é uma espécie de peça de câmara sobre os desesperadamente solitários. Este grupo é representado pela jovem Mirabelle (Claire Danes), que passa horas olhando para o nada, detrás do balcão da loja de departamento Saks; pelo desajeitado Jeremy (Jason Schwartzman); e por Ray Porter, um milionário que se encanta por Mirabelle. No filme, os romances não começam porque a paixão ou a afinidade aconteceram. Antes, começam por causa do vazio – daquilo que não aconteceu entre os personagens. O tailandês Anand Tucker dirige o filme com suavidade e delicadeza, como se não quisesse ele próprio ferir os sentimentos destas pessoas já tão tristes ou menosprezar a sinceridade de seus esforços românticos. A questão da necessidade de companhia também aparece discutida, sempre envolta na consideração que cada um dos envolvidos tem com o outro. Claire tem um pé lindo.
2702 - VAMPIROS DE ALMA
VAMPIROS DE ALMAS (THE INVASION OF THE BODY SNATCHERS, USA 1956) – A invasão a que se refere o título original tem a ver com alienígenas que ocupam os corpos de pessoas de uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos. Ficção científica? Sim, em princípio. Mas o que estava por trás das intenções do diretor Don Siegel era mostrar uma metáfora do medo de uma suposta invasão comunista, fantasma que assombrou a América por mais de duas décadas no pós-guerra. O tema era a paranoia da época, o medo que os comunistas tomassem conta do país mais capitalista do mundo. Era o tempo do Macartismo. Após a Segunda Guerra Mundial, a divisão do mundo entre comunistas e capitalistas ficou exacerbada. Esse duelo ideológico alcançou lugares inimagináveis com a Guerra Fria. Como os Estados Unidos eram o maior representante do capitalismo, todos os comunistas que ali residiam passaram a ser amplamente perseguidos. Tudo isso foi muito bem orquestrado pelo senador republicano Joseph Raymond McCarthy. Os seus discursos conjuntamente com os diversos projetos de lei foram referência para caçar e perseguir todos aqueles que tinham atitudes suspeitas. Isso quer dizer que qualquer cidadão americano poderia ser investigado para ver se ele possuía uma conduta comunista. O filme foi selecionado para estar na Biblioteca do Congresso, por sua significância histórica, cultural e estética.
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
2701 - AGENTE DO FUTURO
AGENTE DO FUTURO (AUTOMATA, Bulgária, Espanha, USA e Canadá,
2014) – Tão surpreendente quanto excelente
thriller de ficção científica, como também um improvável Antonio Banderas como
protagonista. Ele é Jacq Vaucam, uma espécie de agente de seguros de uma fábrica
de robôs que, num futuro distópico (a Terra está praticamente destruída), investiga
o fato de algumas destas unidades terem se tornado autônomas e com conduta
independente das ordens humanas. O roteiro mistura um pouco de BLADE RUNNER com
DISTRITO 9, mas funciona, apesar de algumas pontos obscuros e mal explicados. Como
eu gosto de robôs e me interesso por filmes que discutam a relação deles com os
humanos, especialmente quando estão, ambos, num cenário pós-apocalíptico, considero o filme bem interessante.
domingo, 25 de outubro de 2015
2700 - A ENTREVISTA
A ENTREVISTA (THE INTERVIEW, USA 2014) – O filme, em si, não justifica o alvoroço que provocou quando supostamente
provocou a ira do já não muito certo da cabeça Kim Jon-um, ditador da Coréia do
Norte. Foi justamente por causa desta reação estúpida – hackeando e-mails da Sony
e ameaçando explodir cinemas – que o pequeno ditador acabou jogando os holofotes
sobre este esquete absurdista, bem ao estilo daqueles que o diretor John Landis
fazia nas décadas de 70 e 80, em filmes como o ótimo AS AMAZONAS NA LUA. O roteiro
e a direção de Seth Rogen trazem o que ele costuma fazer: muita escatologia, egotismo
desenfreado, piadas de sexo totalmente sem noção. O filme funciona, se não
tivermos qualquer expectativa, além do humor fácil, sem compromisso com a
inteligência. No entanto, possui uma atração imperdível: a bela Lizzie Kaplan,
como uma agente da CIA. Tão linda, que a gente até esquece que está assistindo
a um filme feito à base de brincadeira. Chequem aí embaixo.
sábado, 24 de outubro de 2015
2699 - VIRANDO A PÁGINA
VIRANDO A PÁGINA (THE REWRITE, USA 2014) – Keith
Michaels (Hugh Grant), é um roteirista premiado no passado, que agora amargando o
desemprego. Por sugestão de sua agente, ele aceita dar aulas de roteiro na Universidade
de Binghamton, no estado de Nova Iorque. Assim como nos outros filmes, Hugh faz
o personagem meio perdido e atrapalhado, numa sequência de situações em que demonstra
sua inabilidade para lidar com os fatos e as pessoas – e isso ela faz com
natural maestria, sempre nos inspirando certa empatia com sua aura de desajustado.
Claro que ele encontra uma mulher bonita (Marisa Tomei, ainda encantadora), que tem tudo a ver com ele, e,
assim, vai encontrando seu lugar no mundo prático e dos sentimentos. O roteiro,
sempre a serviço de Grant, que retribui com generosidade, se destaca pelo humor
ácido e irônico de um inglês em solo americano. Há várias citações de filmes e artistas,
o que faz quem for ligado em cinema tirar melhor proveito da história. Apesar de ser praticamente uma refilmagem do roteiro de LETRA E MÚSICA, com os mesmos Grant e o diretor Marc Lawrence, THE REWRITE surpreende pela revelação do amadurecimento dos dois, depois dos sete anos que separam as duas produções. No elenco, J.K. Simmons, excelente, mesmo num papel muito abaixo de seu imenso talento.
terça-feira, 20 de outubro de 2015
2698 - PRA QUEM FICA TCHAU
PRA QUEM FICA TCHAU! (BRASIL, 1970) – Um dos melhores filmes dirigidos por Reginaldo Faria, neste período pré-pornochanchada, em que pululavam produções que enfocavam, principalmente, a vida dos playboys de Copacabana, então o lugar mais badalado da zona sul carioca. Reginaldo volta a viver seu personagem Didi, um bon-vivant que vive paquerando as mulheres que conhece na praia ou nos bares. Recebe, então, em seu apartamento, seu primo Lui (Stepan Necerssian), que acaba se apaixonando por uma mulher um pouco mais velha (Rosana Tapajós). O filme é um escapismo delicioso, mostrando como devia mesmo ser a juventude naquela época romântica e, até certo ponto, pudica nas suas intenções – as histórias só se apimentariam a partir das reais pornochanchadas, que começariam a ser produzidas logo depois. Filmes com rapazes e moças hypados, festinhas em apartamentos minúsculos, trilhas-sonoras pra frentex, e Copacabana ao fundo, acabaram sendo produzidos ad nauseam, o que levou, nos anos seguintes, muitos diretores e produtores da época a se dedicarem à mesma estética sexualmente urbana, mais só com o vetor contrário, apontando suas lentes para subúrbios e periferias.
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
2697 - ANTES DA MEIA-NOITE
ANTES DA MEIA NOITE (BEFORE MIDNIGHT, USA 2013) – Dos três filmes dirigidos por Richard Linklater,
com Ethan Hawke e Julie Delpy, esta talvez seja o menos atraente, sob o ponto
de vista estritamente romântico. Sim, aqui, Jesse e Céline, casados e com filhos,
estão em férias na Grécia e, para variar, resolvem discutir a relação. De fato,
a iniciativa é de Céline que, desta vez que revi o filme, me pareceu ir um
pouco além do razoável nos questionamentos com Jesse. Ele, por sua vez, está
menos manipulado pela engenharia verborrágica da mulher, contrapondo bons argumentos
sempre que ela está a ponto de extrapolar. A cena final, em que ele lê uma
hipotética carta que uma Céline do futuro manda para a atual, é delicada e vale
o filme. Julie Delpy continua sendo linda, sensível e completamente mesmerizante.
2696 - QUANTO MAIS IDIOTA MELHOR
QUANTO MAIS IDIOTA MELHOR (WAYNE’S WORLD, USA 1992) – A dupla Mike Myers e Dana Carvey já fazia um baita
sucesso no SNL, quando foi convidada para estrelar este filme com a manjada fórmula
de enfileirar esquetes similares àqueles da TV, para não ter que correr muito risco.
Neste caso, funcionou muito bem, e o filme não envelheceu de todo, apresentando
algumas boas tiradas em cenas bem engraçadas. Uma delas é com Carvey, numa
lavanderia, contracenando com Kim Basinger, a grande estrela sensual da época;
a outra é a que Myers reclama que puseram um ator ruim para uma cena, e é logo
atendido pela produção, que traz imediatamente Charlton Heston, para dizer as
falas. Tudo num clima de nonsense, mas que, visto com a devida lente, passa a
ser bem aceitável. Ah, em outra sequência, Carvey está na casa do personagem de
Kim Basinger, sendo seduzido por ela ao som de Garota de Ipanema, com João Gilberto.
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
2695 - A ENTREGA
A ENTREGA (THE DROP, USA 2013)
– Último filme de James Gandolfini, o que já seria motivo suficiente para assistir a este excelente drama perpassado por laivos mafiosos. E Jim não decepciona: entrega uma atuação estupenda, misturando o clima de OS SOPRANOS com níveis de sutileza, dando um toque final mágico ao seu talento. Mas, além dele, Tom Hardy também brilha com um personagem denso, que quase não fala, mas que parece ter uma consciência hamletiana de tudo que ocorre no bar em que trabalha junto com o primo (Gandolfini). O ritmo lento ajuda na construção da atmosfera sombria de um filme que vem se tornando meio raro em Hollywood, por não apelar para diálogos rasos, perseguições de carros e subsequentes explosões, cardápio perfeito para quem não tem nada na cabeça. THE DROP é, pois, um filme obrigatório por causa de Jim Gandolfini e Tim Hardy, e também porque faz jus ao verdadeiro cinema de qualidade. O diretor belga Michaël R. Roskam, do formidável BULLHEAD, é um mestre da tensão, da textura e das maneiras intangíveis com que vidas separadas podem se conectar.
– Último filme de James Gandolfini, o que já seria motivo suficiente para assistir a este excelente drama perpassado por laivos mafiosos. E Jim não decepciona: entrega uma atuação estupenda, misturando o clima de OS SOPRANOS com níveis de sutileza, dando um toque final mágico ao seu talento. Mas, além dele, Tom Hardy também brilha com um personagem denso, que quase não fala, mas que parece ter uma consciência hamletiana de tudo que ocorre no bar em que trabalha junto com o primo (Gandolfini). O ritmo lento ajuda na construção da atmosfera sombria de um filme que vem se tornando meio raro em Hollywood, por não apelar para diálogos rasos, perseguições de carros e subsequentes explosões, cardápio perfeito para quem não tem nada na cabeça. THE DROP é, pois, um filme obrigatório por causa de Jim Gandolfini e Tim Hardy, e também porque faz jus ao verdadeiro cinema de qualidade. O diretor belga Michaël R. Roskam, do formidável BULLHEAD, é um mestre da tensão, da textura e das maneiras intangíveis com que vidas separadas podem se conectar.
terça-feira, 13 de outubro de 2015
2694 - BOYHOOD, DA INFÂNCIA À JUVENTUDE
BOYHOOD, DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, USA 2014) – Richard Linklater é um diretor especial, que
consegue algo raro: mistura, com talento incomum, o discurso verbal com uma enxurrada
de imagens, atingindo com isso a alma de quem assiste aos seus filmes. Foi assim
com ANTES DO PÔR DO SOL e suas duas sequências. Agora, com BOYHOOD, ele
atinge domínio total da linguagem (poética) cinematográfica. Tão sereno,
curioso e gentil é o filme que, enquanto ele vai transcorrendo, mal se percebe quão
sublime e definitiva é a experiência de vê-lo. Só o fato de manter a coesão dramática
de um elenco durante doze anos já seria, por si, um feito memorável. Colocar-nos
dentro de uma história emocionante, que em tudo nos inspira uma identificação
imediata e profunda, é coisa para escrever seu nome entre os grandes que
souberam manejar a lente de uma câmera. Desde a primeira cena, em que nos
reencontramos com aquela sensação de deslumbramento mesmerizante, através dos
olhos de Mason (Ellar Coltrane, fantástico), até a última, em que seu olhar
encontra um horizonte aberto à sua frente, convidando-o para ingressar no mundo
adulto, caminhando pelos próprios pés, BOYHOOD é uma experiência cinematográfica
revolucionária para quem entende que o cinema, no mínimo, é a arte que mais se
assemelha, metaforicamente, à vida.
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
2693 - OPERAÇÃO BIG HERO
OPERAÇÃO BIG HERO (BIG HERO 6, USA 2014) – Como eu gosto muito de robôs, não podia perder
esta animação da Pixar que segue um filão prolífico da cultura pop recente: a
exaltação da cultura geek. Há quase uma mensagem pedagógica nas entrelinhas,
que pode ser entendida como um estímulo aos estudos, embora quase não se veja
nenhum personagem realmente devorando livros. Com a ajuda do fofo (literalmente)
robô Baymax, inventado pelo irmão, Hiro Hamada, após uma virada trágica, vai
caçar o bandido da história. Neste momento, o roteiro aponta para uma receita
infalível: Baymax foi criado para ser um prestativo e inofensivo médico doméstico,
não para lutar contra gênios do mal. Boa parte do encantamento da história vem
do contraste entre a natureza pacífica do robô, com suas formas rechonchudas, e
as situações de destruição em escala industrial nas quais ele se envolve. OPERAÇÃO
BIG HERO reinventa, assim, a clássica história de amizade entre um menino e seu
animal de estimação, no caso, um robô.
domingo, 11 de outubro de 2015
2692 - O MENSAGEIRO
O MENSAGEIRO (KILL THE MESSENGER, USA 2014) – O diretor Michael Cuesta, veterano das séries como
A SETE PALMOS e DEXTER, conta a história de Gary Webb, um repórter de um
pequeno jornal californiano, que, em 1995, topou com uma história que lhe pareceu
absurda, mas apetitosa demais para ser ignorada: a CIA acobertava as atividades
de certos figurões do narcotráfico, para que eles ajudassem a financiar os
contras – as milícias antissandinistas na Nicarágua. Jeremy Renner interpreta o
jornalista com a intensidade de sempre, até descobrir que também está mexendo
com gente graúda e perigosa que não vão parar até desacreditá-lo. Este é um dos
filmes que mostram como o cinema americano é corajoso, ao expor as mazelas do
governo e de suas agências.
sábado, 3 de outubro de 2015
2691 - TEIA DE MENTIRAS
TEIAS DE MENTIRAS (THE TRIALS OF CATE MC CALL, USA 2013) – Ver Kate Beckinsale
é sempre uma experiência estética, por isso, considero qualquer filme com ela uma doce
obrigação. Neste, ela tem a oportunidade de mostrar, também, que é uma boa
atriz e que deveria ter tido mais bons papéis na sua carreira. Ela é a Cate do
título, uma advogada que luta para ter a guarda da filha, mas que enfrenta
problemas de alcoolismo. Ao ser designada a defender uma jovem de assassinato,
ela começa a ver que a verdade pode estar diluída nas volutas deste caso
criminal. Nick Nolte aparece como seu conselheiro, mas com um rabo de cavalo
que poderia ter sido evitado. Para quem gosta de filmes de tribunal, é uma boa
sugestão. O eterno James Cromwell faz um juiz meio safadinho.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
2690 - WHIPLASH - EM BUSCA DA PERFEIÇÃO
WHIPLASH EM BUSCA DA PERFEIÇÃO (WHIPLASH, USA, 2014) – Enxuto, tenso, angustiante, libertador, perfeito na sua proposta, WHIPLASH consegue fazer com que tudo – atores, roteiro, música – atinja, ao mesmo tempo, o máximo de potência e precisão. J.K. Simmons, no papel de Terence Fletcher, professor do mais prestigiado conservatório musical americano, tem um desempenho arrasador – o Oscar de ator coadjuvante que levou é mais que merecido. Sua performance, composta de inteligência e gestos minimalistas, misturando uma aparente suavidade com detonações imprevistas, nos leva a entrar no torvelinho emocional que vive o jovem protagonista (o também excepcional Miles Teller, no papel de Andrew Neiman). Um dos acertos do diretor e roteirista estreante Damien Chazelle é colocar a bateria no centro da história, sem se deixar seduzir pela sinuosidade sonora dos metais, por exemplo. Sentimos, então que ela é mesmo o motor de propulsão verdadeiro das bandas, ao mesmo tempo uma metáfora do coração pulsante, uma usina de força catalisando os sons e a atenção da plateia. Combinação singular de fúria e precisão, WHIPLASH nos envolve desde a primeira cena, em que Andrew detona o instrumento ao estilo do lendário Buddy Rich. Na vulcânica sequência final do filme, temos a certeza de que, entre muitas interpretações, a perfeição pode estar até mesmo no processo de obtê-la.
terça-feira, 29 de setembro de 2015
2689 - SABOTAGEM
SABOTAGEM (SABOTAGE, USA 2014) – Filme tosco, com Arnold Schwarzenegger, e roteiro sem qualquer originalidade. Um grupo de agentes especiais, renegados depois de passarem como suspeitos de terem roubado 10 milhões de dólares, volta à cena liderados por Schwarzenegger, para provar que são inocentes. Já sabemos como isso acaba, não? Para piorar, a sequência final, num lugarejo no México, é de uma pobreza cinematográfica imperdoável.
domingo, 27 de setembro de 2015
2688 - LUCY
LUCY (LUCY, USA 2014) – Ver Scarlett Johansson em cena é sempre um prazer,
mesmo que o roteiro deste filme de Luc Besson a vá transformando gradativamente
num computador, ideia que se aproxima de ELA, de Spike Jonze, em que ela faz a
voz do sistema operacional que seduz um indefeso Joaquin Phoenix e, claro,
todos nós. Em LUCY, que acabo de rever, ela é uma periguete perdida em Honk
Kong, que acaba virando mula de traficantes que querem mandar uma droga poderosíssima
para a Europa. A história é mais que conhecida: o pacote, inserido cirurgicamente
no seu abdômen, se rompe, e ela começa a fazer uso total da sua capacidade
cerebral. Ela está linda, de início com a cara de assustada mais encantadora do
planeta e, depois, tirando partido do seu olhar enviesado (veja aí do lado...), especialmente quando
diz que consegue sentir a rotação da Terra e o fluxo de sangue nas suas veias –
imagino que também poderia sentir o meu, pulsando, quando a vejo.
terça-feira, 15 de setembro de 2015
2687 - TRUE BLOOD - 4.a TEMPORADA
TRUE BLOOD – 4.a TEMPORADA (TRUE BLOOD, 4TH SEASON, USA 2012) - Sookie se vê envolvida em um triângulo amoroso - dividida entre o vingativo Bill, o novo Rei Vampiro do Mississippi, e Eric, que não é mais o ex-viking que costumava ser. Liderado por uma carismática bruxa chamada Marnie, que ameaça impedir que qualquer pessoa, viva ou morta, fique em seu caminho, um grupo de poderosas bruxas procura seduzir Lafayette, Tara e Jesus com poderes do outro mundo. Jessica tenta se adaptar a uma vida doméstica, enquanto Jason se vê sozinho no território dos were-panthers, os lobisomens locais. Arlene e Terry chegam a um acordo sobre seu incomum bebê, e Alcide é pego pelas garras de uma antiga paixão. Esta temporada ficou mais centrada nas maldades de Marnie (Fiona Shaw, a Petunia, de Harry Potter).
2686 - NO OLHO DO TORNADO
NO OLHO DO TORNADO (INTO THE STORM, USA 2014) – Apesar dos efeitos razoáveis, o filme sobre a
devastação provocada por um tornado F5 em uma região do interior dos EUA, sem
querer fazer blague, é um desastre quase total. É sempre interessante constatar
que existem pessoas que dedicam a vida a perseguir tornados e furacões e registrar
seus efeitos destrutivos. TWISTER, de 1996, com a mesma temática, é um filme excelente,
com bons diálogos e um roteiro bem amarrado, além de contar com a presença
luxuosa de Philip Seymour Hoffman. Este INTO THE STORM tem diálogos sofríveis, além
de um elenco que simplesmente não sabe atuar.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
2685 - SANGUE E VINHO
SANGUE
E VINHO (BLOOD AND WINE, USA 1996) – Dois grandes atores – Jack Nicholson e
Michael Caine – juntos numa espécie de noir moderno, envolvendo dois ladrões de
joias. Ao roubarem um valioso colar de diamantes, a esposa traída de Alex Gates
(Nicholson) entra na história e muda os planos da dupla. A notar: a presença de
Jennifer Lopez, devidamente meio vestida de shortinhos durante a maior parte de
suas cenas. Não é um grande filme, mas Caine dá um show.
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