sábado, 2 de agosto de 2008

638 - QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL

quatro casamentos e um funeral (four weddings and a funeral, uk 1994) – Como ser solteiro em Londres. Este primeiro trabalho de Richard Curtis, que aqui faz o roteiro apenas, com Hugh Grant (09 de setembro de 1960) já inaugurava uma nova fase do humor britânico, focado no homem solteiro, que questiona o casamento e, por conseguinte, as relações afetivas. A dupla repetiu a abordagem em Um Grande Garoto e Simplesmente Amor, ambos com Grant. Em quatro Casamentos, Hugh é Charles, um atípico inglês que sempre chega atrasado às cerimônias de casamento de seus amigos, talvez indicando uma inconsciente resistência ao matrimônio. Numa dessas ocasiões, ele conhece Carrie (Andie McDonald – 21 e abril de 1958), que está prestes a se casar com um escocês. Os dois começam um romance que levará Charles a refazer seus conceitos sobre matrimônio. A bela (Fiona) Kristin Scott Thomas, uma das amigas do grupo, é apaixonada por Charles. Rowan Atkinson (06 de janeiro de 1955) faz uma hilariante ponta como um padre neófito que erra os nomes e as falas na hora da cerimônia. Bela trilha sonora. Direção de Mike Newell. Trívia literária: o poema lido no funeral de Garreth (Simon Callow) é de autoria de W.H. Auden – “Funeral Blues”.

637 - MAD MAX ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO

mad max além da cúpula do trovão (mad Max behond thunderdome, autralia/usa 1985) – Cinema poeira. De George Miller. Esta terceira incursão de Mel Gibson como o capitão Walker, diante da imensidão do deserto australiano depois do apocalipse que varreu a civilização como conhecemos da face da Terra. Aqui, fica evidente que o personagem de Gibson é uma espécie de Messias, que é levado à liderança de uma comunidade de jovens que, ao final do filme, enfrenta a gangue liderada por Auntie (Tina Turner), na já famosa e característica batalha de carros na empoeirada imensidão do interior da Austrália. Mas o filme é chato, meio parado demais, sem o frescor do primeiro da série e a contundência do anterior a este.

636 - PODER ABSOLUTO

poder absoluto (absolute power, usa 1997) – de Clint Eastwood (31 de maio de 1930). Interessante e envolvente thriller policial com três maravilhosos atores: Clint, Gene Hackman e Ed Harris. Clint é um ladrão de jóias que, involuntariamente, testemunha o assassinato de uma mulher pelos guarda-costas do presidente americano (Hackman). Harris é o policial que investiga o caso, mas seu papel não corresponde ao talento do protagonista de Pollock. Em meio a isso tudo, Clint tenta resgatar o amor da filha (Laura Linney, de Simplesmente Amor), uma advogada que passa a ser perseguida pelos agentes do governo. Mais uma vez, assim como fez em Dívida de Sangue, Clint retrata maravilhosamente as limitações da velhice sem cair em pieguices ou lugares-comuns, além de explorar com delicadeza as dores das relações familiares. Mais uma vez, excele na capacidade de dirigir um filme com sensibilidade.

635 - SEABISCUIT

seabiscuit (biscuit, usa 2003) – a história - verdadeira, segundo créditos iniciais – de um conjunto hípico desacreditado, um jóquei brigão (Tobey Maguire) e um cavalo sem os padrões hípicos exigidos para as corridas, serve de suporte para a reafirmação dos valores americanos maniqueístas do vencedor e do perdedor, da vitória apesar das adversidades, da esperança versus a descrença generalizada. Como o filme se passa durante a Grande Depressão americana, fica claro que as corridas de cavalo serviam como sublimação dos desejos que escoaram pelo ralo por causa da crise econômica. Excelente, como sempre, Chris Cooper ganhou o Oscar de Ator Coadjuvante neste ano pela atuação como o treinador de cavalos meio desacreditado que é contratado por um milionário do ramo automobilístico (Jeff Bridges) que perdeu seu filho pequeno num trágico acidente de carro. Maguire é um jovem que vive metido em brigas, mas que mostra suficiente ambição e coragem para fazer de um cavalo aparentemente inferior um campeão. Os conflitos são muito bem trabalhados pelo diretor que, ao invés de focar o lado fácil das competições, resolve sublinhar as lutas internas de seus personagens. Adorei o papel do ótimo William H. Macy, o homem com aparelhos nos dentes em Magnólia, como o narrador das corridas que passa a torcer descaradamente por Seabiscuit. Bridges também está ótimo, especialmente nas cenas em que chora a morte do filho segurando um dos brinquedos dele. Direção de Gary Ross.

634 - OS VIGARISTAS

os vigaristas (matchstick men, usa 2003) – de Ridley Scott. Nicolas Cage é Roy Waller que junto como seu sócio Frank (Sam Rockwell), vive de aplicar golpes em pessoas indefesas. Além disso, tem uma personalidade neurótica que o faz ser obcecado por limpeza. Um dia, descobre que tem uma filha de 14 anos, Angela (Alison Lohman, de Big Fish) que, além de mudar a sua vida, passa a participar de seus golpes, com extrema eficiência, diga-se de passagem. Há uma boa reviravolta no fim, que muda toda a ótica inicial do filme. Cage está muito bem como um neurótico parecido com Jack Nicholson em Melhor é Impossível. Sam Rockwell faz o parceiro de Roy. Bruce McGillis, o simpático Jack de Macgyver, faz, mais uma vez, o papel de vilão. Na realidade, o roteiro é bem inteligente, fazendo-nos acreditar numa premissa inicial, com conseqüências prováveis, quando Roy descobre que tem uma filha e se vê obrigado a modificar seus parâmetros existenciais.

633 - COLD MOUNTAIN

cold mountain – de Anthony Minguella. O filme é de uma simplicidade bem ao gosto do público americano. Um soldado confederado (Jude Law), durante a guerra de Secessão, tem um longo e doloroso trajeto para voltar à casa e aos braços de Nicole Kidman, a namorada que promete esperá-lo para que possam se casar. A fotografia é muito boa, mas é uma história sem muita originalidade, com muitos clichês e um final piegas e com ares de novela mexicana. Kidman está bonita como sempre e nota-se seu amadurecimento como atriz, embora o papel de donzela não ofereça nada para explorar. Achei que jude Law está pouco à vontade como soldado apaixonado que, apesar de gravemente ferido, ainda encontra tempo para dar uma espiada na foto da amada.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

632 - TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

teoria da conspiração (conspiracy theory, usa 1997) – filme estranho com Mel Gibson (03 de janeiro de 1956) fazendo um dos seus papéis de “neurótico de plantão”, o off-beat character, com tiques que lembram o Riggs de Máquina Mortífera. Tanto que a direção é do mesmo Richard Donner. Neste roteiro, ele é Jerry, um motorista de táxi em Nova York que acha que há uma conspiração em andamento em todos os lugares. Julia Roberts (28 de outubro de 1967) é uma advogada que o ajuda a fugir da polícia quando Jerry finalmente se vê envolvido numa conspiração de verdade. Patrick Stewart tem um papel que não está à altura de seu enorme talento. Mel Gibson, concluí no final do filme, está muito exagerado no papel do neurótico que vê traços de conspiração em tudo à sua volta.

631 - HERE COMES MR JORDAN

here comes mr jordan (usa, 1941) – uma das coisas que me chamaram a atenção neste filme é a presença de Robert Montgomery, pai da Feiticeira Samantha (Elizabeth Montgomery). Ele é Joe Pendleton, um lutador de boxe que morre num acidente com seu avião. Constatado o engano no céu – ele não deveria morrer naquele momento – ele exige sua volta ao mundo dos vivos. Mas há um problema: a esta altura, já cremaram seu corpo, o que o obriga a voltar na pele de um milionário que estava preste a ser assassinado pela mulher e o amante. Montgomery está excelente num papel difícil, no qual tem que se valer apenas da expressão facial para representar o falecido Joe e o dono do corpo atual. Houve uma versão recente com Warren Beatty como protagonista, em “O Céu Pode Esperar”. Fique esperto para ver Lloyd Bridges bem novinho, fazendo uma ponta, logo no início do filme.

630 - TODO MUNDO EM PÂNICO 3

todo mundo em pânico 3 (scary movie 3) – mais uma das besteiras de que só o cinema americano é capaz. A única atração do filme é a presença de Leslie Nielsen, como o presidente americano. Como sempre, há citações de vários filmes recentes como, por exemplo, O Chamado e Sinais. O problema com este tipo de roteiro é que nem todo mundo reconhece os filmes satirizados. Pamela Anderson faz uma participação por causa dos seus, digamos, atributos físicos, é claro

629 - MEDO X

medo x (fear x, usa 2003) – suspense psicológico com o excelente John Turturro (28 de fevereiro de 1957), que faz um guarda de shopping cuja mulher foi assassinada misteriosamente. Depois de analisar várias fitas do circuito interno, ela acaba chegando numa cidade, onde começa a procurar o responsável, a partir de uma foto de uma mulher com uma criança. O filme vai bem até ao meio, mas, depois, fica completamente sem sentido, como se o diretor quisesse terminar logo. É pena, porque Turturro é ótimo ator, mas não consegue salvar a história, que termina de inopino, nos deixando no ar. Direção de Nicolas Winding Refn.

628 - TUDO EM FAMÍLIA

tudo em família (it runs in the family, usa 2003) – é um daqueles filmes sobre três gerações da mesma família, com os conflitos de sempre. Neste caso, a pedra de toque é a família Douglas, Kirk e Michael, pai e filho também na história. Infelizmente, o velho Kirk (09 de dezembro de 1916) não estava mesmo em condições de atuar – seu rosto está deformado e, nitidamente, tem sérias dificuldades para falar. Michael (25 de setembro de 1944) está claramente orgulhoso de prestar uma homenagem ao pai, mas o filme, com aquelas já conhecidas neuroses dos americanos, não funciona, tanto na execução e na originalidade do roteiro. A história, inclusive, lembra aquele último filme de Burt Lancaster, grande companheiro de Kirk na vida real. Há, inclusive, a presença de Rory Culkin, irmão de Macauley, que também era neto de Lancaster no outro filme. Diana Douglas, mãe verdadeira de Michael, e de quem Kirk se separou quando ele era muito pequeno, faz a mãe dele no filme. Cameron Douglas, filho de Michael, também faz seu filho no filme. Direção de Fred Schepisi

627 - WATCH THE SKIES

watch the skies (usa, 2005) – documentário de Richard Schickel sobre os filmes de ficção científica dos anos 50 que influenciaram três grandes diretores: Steven Spielberg, James Cameron e George Lucas. Os três comentam trechos de filmes clássicos. Spielberg, por exemplo, diz que a melhor parte de O dia em que a Terra parou, de Bill Weisner, é quando Klatuu, feito por Michael Reinnie, entra no escritório de um cientista e completa uma complicada equação no quadro negro. Há trechos comentados de O Planeta Proibido e Guerra dos Mundos. Ridley Scott também é entrevistado.

626 - UMA ONDA NO AR

uma onda no ar (brasil, 2002) – bom filme de Helvécio Ratton, contando a história da formação da Rádio Favela, uma rádio pirata numa comunidade pobre em Belo Horizonte, e a repressão das autoridades quando percebem o processo de conscientização que a rádio representava. Os atores principais são desconhecidos, mas, assim como aconteceu em Cidade de Deus, dão conta do recado, muito em função de estarem vivendo uma situação provavelmente próxima dos lugares de onde vieram. Alexandre Moreno, que faz o fundador da rádio, está muito bem.

625 - BOOGIE NIGHTS

boggie nights (boggie nights, usa 1997) – bastidores do cinema pornô americano nas décadas de 70 e 80. Burt Reynolds faz Jack Horner um diretor destes filmes e está excelente. Mark Wahlberg tem um papel aparentemente baseado na vida do lendário John Holmes. Julianne Moore, a musa do Miranda, é uma atriz do cinema adulto que sofre por não ter a guarda do filho. Uma curiosidade: quase todo o pessoal de Magnólia está no filme: a própria Julianne, John Philip Hoffman, John C. Reilly e William Macy. Basicamente, é a história de Dirk Diggler (Wahlberg), astro pornô que conheceu as glórias do sucesso e o ostracismo, juntamente com o submundo das drogas. Heather Graham é Rollergirl, uma aspirante à atriz pornô que, como o nome já diz, só anda de patins. Leonardo di Caprio estava cotado para fazer o papel de Wahlberg, mas preferiu Titanic à época. Nina Hartley faz uma participação como a esposa depravada de Macy.

624 - CON DUZINDO MISS DAISY

conduzindo miss daisy (driving miss daisy, usa 1989) – comovente história de uma senhora judia (Jessica Tandy) e a amizade que acontece entre ela e seu motorista (o excelente Morgan Freeman). É impressionante a doçura que Freeman dá ao personagem e constrói, juntamente com Jessica, o retrato de uma amizade profunda e improvável entre um negro e uma senhora preconceituosa, num momento histórico altamente racista nos Estados Unidos.

623 - DIÁRIO DE UMA PAIXÃO

diário de uma paixão (the notebook, usa 2004) – de Nick Cassavettes. Maravilhoso filme dois jovens que viveram um amor, no verão de 1940, se separam por causa da família dela, mas que se reencontram para a vida inteira. Rachel McAdams, que fez Garota Veneno. Mais uma bela história sobre o reencontro de duas pessoas que se amam.

622 - HOPE SPRINGS

hope springs (usa, 2003) – comédia com o excelente Colin Firth e a bela Heather Graham. A história é simpática: depois de uma desilusão amorosa, o britânico Colin (Firth) atravessa o Atlântico para curar o sofrimento na cidade de Hope Springs, exatamente por causa do nome. Lá conhece Heather, uma esfuziante jovem que o cativa por ser o oposto da sua fleumática personalidade. Ele se apaixona por ela, o que, fique bem claro, não é nada difícil. Pouco teriam a sorte de encontrar uma Heather Graham disponível e disposta a curar qualquer dor de cotovelo. Neste ponto, o filme explora muito bem as diferenças culturais entre Inglaterra e EUA. Previsivelmente, a noiva (Minnie Driver) que o largara vem à cidade, arrependida e querendo reatar o noivado. Gosto muito de Colin Firth e do seu jeito contido, bem britânico, aliás, de atuar.

621 - DESAPARECIDAS

desaparecidas (the missing, usa 2003) – de Ron Howard. Faroeste com Cate Blanchett e Tommy Lee Jones. Cate é Maggie, uma médica que vive com as filhas numa fazenda no Novo México, quando recebe a visita de seu pai (Jones) que, depois de viver um tempo com os índios, aparece como um deles. A princípio, ela o rejeita, mas, depois de ter uma das filhas raptadas por um bando de índios, aceita sua ajuda para resgatá-la. Dois grandes atores numa história que começa bem, mas que desanda um pouco do meio para o final

620 - SOB O SOL DA TOSCANA

sob o sol da toscana (under the tuscan sun, usa italy, 2003) – ótimo filme com Diane Lane (22 de janeiro de 1965) fazendo uma escritora que, depois de uma desilusão no amor, faz uma viagem a Itália e resolve comprar uma casa na Toscana e reconstruir sua vida. Diane Lane está muito bem no papel, bonita e convincente no processo de redimensionamento de valores na sua vida. É tipicamente um filme feminino, sem ser feminista. Audrey Wells, a diretora, não vitimizou a protagonista, nem a transformou em heroína. Apenas contou a história de uma mulher que apenas deseja reencontrar as oportunidades para ser feliz, num país diferente, com pessoas mais simples e com sentimentos mais verdadeiros. Diane foi casada com Christopher Lambert, com quem tem uma filha, Eleanor. A fotografia é excelente e as locações na Itália são um sonho.

619 - SELENA

selena (selena, usa 1997) – de Gregory Nava. Biografia da cantora Mexicana, protagonizada por Jennifer Lopez, numa ótima atuação, num filme que me surpreendeu do meio para o fim. Edward James Olmos está excelente como o pai de Selena e empresário que comandava o grupo formado pelos filhos com autoridade. O filme começa com Selena ainda menina e a descoberta de seu talento musical, o que leva seu pai, um cantor frustrado dos anos 50, a investir na sua carreira. Jennifer está mais linda do que nunca e, como também é cantora na vida real, dá muito mais realismo às cenas de palco. A história é dramática mesmo: depois de anos de batalha e de ganhar o tão cobiçado Grammy, Selena se preparava para ganhar o mercado americano quando foi assassinada pela chefe de seu fã-clube e gerente de suas butiques.

618 - A IDENTIDADE BOURNE

a identidade bourne (the bourne identity, usa 2002) – de Doug Liman. The name Bourne came from Ansel Bourne, a preacher in Rhode Island, the first documented case of "dissociative fugue", a condition not unlike dissociative amnesia or dissociative identity disorder (multiple personality disorder). One day in 1887 he forgot who he was, started a new life in Pennsylvania under the name Brown, and opened a convenience store. About three months later, he woke up and not only remembered his life as Bourne, but forgot all of his life as Brown... and needless to say was quite confused as to why he was in Pennsylvania. Um filme totalmente excelente, como diria o Paulo Bonfá! Matt Damon é Jason Bourne, achado por uma traineira boiando no mar, com dois tiros nas costa e sem lembrar quem é e o que faz ali. O filme relata sua luta para descobrir sua identidade. Aos poucos, vai se dando conta que é um agente secreto altamente preparado que, agora, passa a ser perseguido pelo antigo chefe, o ótimo Chris Cooper. Ótimas cenas de luta.

617 - IDENTIDADE

identidade (identity, usa 2003) – de James Mangold. Thriller interessante sobre um grupo de pessoas que se vê aparentemente por acaso obrigado a pernoitar num motel em uma noite de chuvas torrenciais. O elenco impressiona, a começar pela belíssima Amanda Peet (11 de janeiro de 1972) que, devo confessar, foi o motivo principal de eu ter me interessado em assistir a este filme. Mas o restante também é competente: John Cusak, Ray Liotta, Alfred Molina, Rebecca De Mornay, e Pruitt Taylor Vince, aquele gordinho careca que fazia um jornalista em Simone, e que é um ótimo ator. Pois bem, nesta noite chuvosa, acontece uma série de assassinatos misteriosos, e todos do grupo são suspeitos. O roteiro é eficiente, nos deixa grudados até o fim que, infelizmente, é um pouco decepcionante e não está à altura da história. Mas tem Amanda Peet e ela pode tudo.

616 - INIMIGO DE ESTADO

inimigo do estado (enemy of thestate) – excelente filme de Tony Scott com Will Smith, John Voight e Gene Hackman. Ação e suspense em doses certas, como se fosse um Hitchcock com ares modernos. Smith é um advogado que passa a ser perseguido pela CIA, por ser involuntariamente portador da gravação do assassinato de um importante senador (Jason Roberts) por um diretor da agência de inteligência (John Voight). O roteiro totalmente excelente trata da paranóia (bem atual, aliás) da invasão de privacidade, especialmente por órgãos do governo, sob alegação de manter a segurança das instituições. O ritmo é alucinante, do princípio ao fim. A bela Lisa Bonet (16 de novembro de 1967), que fez a filha de Mickey Rourke em Coração Satânico (1987), reaparece depois de muito tempo. Lisa foi casada com Lenny Kravitz e, devido aos altos e baixos de sua carreira, não alcançou o sucesso que era previsto para ela. Voltando ao filme: vale a pena rever. O ótimo Gene Hackman é um ex-agente da CIA que acaba ajudando Smith a sair da confusão em que se meteu. Ainda tem o excelente Gabryel Byrne num papel pequeno. Vi este filme no cinema, em Niterói, naquela sala pequena de uma galeria da Moreira César.

615 - OS PÁSSAROS

os pássaros (the birds, usa 1963) – um dos grandes filmes de Hitch na minha opinião. Cada fotograma é feito com cuidado e revela a mão do gênio do suspense. As pausas, os efeitos especiais usados com impressionante parcimônia e mesmo a atuação pífia de Tippi Hedren fazem do filme um momento de transe na história do cinema. Rod Taylor (11 de janeiro de 1930), um dos meus atores favoritos, está magnífico como Mitch Brenner, o solteirão convicto que se deixa abalar pela abordagem meio agressiva de Melaine (Hedren), que o persegue até a casa da mãe possessiva (a ótima Jessica Tande), em Bodega Bay, um resort perto de São Francisco, onde os pássaros, sem nenhuma razão aparente, resolvem atacar os habitantes da região. Verônica Cartwright, irmã de Angela, faz a irmã mais nova de Mitch, numa proporção etária que, em si, já é um mistério hitchcockiano. A belíssima Suzanne Pleshette (31 de janeiro de 1937) está magnífica como a professora de Bodega Bay, antigo caso de Mitch, que resolve se resignar à solidão e cultivar o amor platônico por ele. A tensão inicial entre ela e Melaine é notável. Reforço a impressão de que o velho Hitch colocou alguns atores que, a meu ver, lembram pássaros, como a dona da loja de aves na qual Melanie conhece Mitch. O filme é irretocável: enquadramento, cortes, decupagens, tudo num timing perfeito. Uma curiosidade a respeito de Suzanne Pleshette é que ela tinha sido a primeira escolha dos produtores de Batman para ser a Mulher-Gato, mas como as negociações não deram certo, o papel acabou nas garras de Julie Newmar.

614 - CRADLE 2

cradle 2 the grave (usa, 2003) – pancadaria urbana. Jet Li, agente da polícia chinesa, é uma mistura de James Bond com ninja que junta forças a um ladrão de jóias (o rapper DMX) que, depois de ter o resultado de seu furto (valiosos diamantes negros – não o chocolate, claro) roubado por um traficante local de Los Angeles, ainda precisa resgatar a filha pequena seqüestrada por um outro chinês que chefia uma gangue.

613 - AEROPORTO 75

aeroporto 75 (airport 75, usa 1974) – sem querer fazer graça, mas este é mais um desastre, tal como sua seqüência, de 1977, a que assisti este ano. Eu já tinha visto, mas não me lembrava de que era tão ruim. Um 747 é atingido, na cabine de comando, por um Cesna, matando o co-piloto e ferindo gravemente o piloto. Karen Black, a aeromoça, passa então a tentar aterrissar o bichano, com auxílio de seu namorado Murdoch (Charlton Heston). Ela está péssima, fazendo caretas e custando a convencer que conseguiria pilotar o avião. Gloria Swanson, como ela mesma, faz seu último filme. Uma curiosidade: sua acompanhante é a Linda Harrison que, quatro anos antes, foi Nova, companheira de Heston em O Planeta dos Macacos. George Kennedy está de novo como Joe Patroni. As performances são canhestras, a produção é paupérrima, o roteiro é cheios de furos, mas a produção ainda é referência dos filmes catástrofes dos anos 70. Não dá para não lembrar do ótimo “Apertem os cintos... o piloto sumiu” que parodia cada cena deste filme.

612 - LÁGRIMAS DO SOL

lágrimas do sol (tears of the sun, usa 2003) – de Antoine Fuqua. Bruce Willis é um soldado americano designado a resgatar uma médica (Mônica Belluci, 30 de setembro de 1964) num acampamento na África, mas é surpreendido quando ela só aceita ir se levar 70 refugiados com ela, obrigando sua equipe a correr grandes perigos. Bom, pela Mônica Belluci até eu me arriscaria levar uns tiros. Apesar do tema pesado, o filme não é chato e as poucas cenas de ação são muito bem encenadas. Willis não está bem no papel de tenente durão que desafia os chefes para salvar os refugiados e corresponder ao interesse da doutora. Acho-o bom ator, vide O Sexto Sentido. Mas, aqui, está muito canastrão. Mônica apenas enfeita as locações feitas na selva africana e não acrescenta nada ao personagem.

611 - SHERLOCK HOLMES E O CASO DAS MEIAS DE SEDA

sherlock holmes e o caso das meias de seda (sherlock holmes and the case of the silk stockings, uk 2004) – de Simon Cellan Jones. Holmes (Rupert Everett) e Watson (Ian Hart) tentam solucionar o caso de uma série de assassinatos de moças que aparecem com uma meia de seda na boca. Everett é excelente ator, mas está blasé demais nesta produção da BBC para a TV. Em alguns momentos, ele parece se distanciar tanto da história que dá a impressão que não mais vai voltar na próxima cena. Seu vício em heroína e o hábito de tocar violino quando preocupado continuam presentes, além da consabida aversão às mulheres. Ian Hart repete o papel de Watson que já havia feito em O Cão dos Baskervilles (2002).

610 - O DIA SEGUINTE

o dia seguinte (the day after, usa 1983) – ainda hoje, este filme estrelado por Jason Roberts ainda impressiona pela narrativa seca e objetiva, que suplanta, em dramaticidade, os efeitos especiais acanhados até mesmo para a época. Uma das curiosidades deste filme é que, produzido para a TV, não teve nenhum patrocinador no comercial que sucede à explosão nuclear. Daquele ponto em diante, foi mostrado sem intervalos. Atmosfera tensa e deprimente como não podia deixar de ser. O anódino Steven Gutenberg também está no elenco. Direção de Nicholas Meyer.

609 - SOB A NÉVOA DA GUERRA

sob a névoa da guerra (the fog of war, eleven lessons from the life of robert S. mcnamara, usa 2003) – documentário sobre os anos de Robert S. McNamara à frente do Departamento de Defesa dos EUA nos governos de Kennedy e Lyndon Johnson. Um dos intelectuais mais brilhantes de sua geração, Robert Strange McNamara conheceu o auge de sua carreira à frente do Dept. de Defesa dos EUA e sua derrota administrativa durante os anos do Vietnã. Ele reconhece que cometeu erros na condução das operações de guerra, mas em nenhum momento se desculpa pela morte de 50 mil americanos e ouros tantos milhões de vietnamitas. Ele se defende dizendo que só queria servir ao presidente eleito pelo povo americano. Aos 84 anos, ele se emociona ao lembrar da morte de John Kennedy. Gostei muito. Direção de Errol Morris.