sábado, 2 de agosto de 2008

668 - O CADÁVER ATÔMICO

o cadáver atômico (Creature with the atom brain, usa 1955) – este é um trash de pai e mãe, sem dúvidas. Um mafioso condenado foge da cadeia e, junto com um cientista louco, dá vida a cadáveres que matam os responsáveis por sua prisão. Só um roteiro como esse já era indicação certa para a lista dos piores filmes já feitos. A única observação relevante sobre o filme é que nele foram usadas, pela primeira vez, cápsulas explosivas que imitavam ferimentos à bala. Definitivamente, um exemplo típico de filme B dos anos 50, quando a humanidade se apavorava com as experiências atômicas então recentes. Mas, aparentemente, foi feito com honestidade e boas intenções. Vale conferir.

667 - MANDRAKE - PRIMEIRA TEMPORADA

mandrake (brasil, 2005) – de José Henrique Fonseca. Em tempos de violência generalizada na telinha, José Henrique Fonseca preferiu sair do lugar comum. O diretor mostrou o resultado da série "Mandrake", primeira produção brazuca do tipo do canal por assinatura HBO, numa parceria com a Conspiração Filmes, não foi filmar numa favela nem escolheu como narrativa principal um romance entre uma princesa do asfalto e um chefe do tráfico de drogas. O primeiro episódio é sobre a paixão de um ricaço (Daniel Dantas) por uma prostituta que dança num dos inferninhos de Copacabana. Marcos Palmeira está bem como o advogado Mandrake, embora o estilo cool do personagem esteja mais para um Keanu Reeves em Constantine, do que para um típico carioca. Destaque para a cena da boate com Suzana Alves, a ex-Tiazinha. Uma coisa!

666 - O PODEROSO CHEFÃO

o poderoso chefão I (the godfather I, usa 1971) – de Francis Ford Coppola. Certamente, um dos melhores filmes de todos os tempos, pela história, pelos atores, pela direção, por tudo o que caracteriza a produção de um filme. Só ter Marlon Brando e Al Pacino num mesmo filme é um privilégio. Para ficar co como um dos maiores momentos do cinema: a cena em que Dom Vito Corleone (Brando), diante do filho morto Sonny (James Caan), pede ao responsável pelo funeral que melhore sua aparência, pois ele não queria que a mãe o visse assim. Outra cena emocionante: a morte de Don Vito, enquanto brinca com o neto, numa horta no quintal da de sua casa. O filme é todo pontuado de cenas inesquecíveis e dramáticas. Al Pacino já mostrava o grandíssimo ator que é, com uma atuação magistral como Michael Corleone, o filho mais novo de Vito e que, conforme as circunstâncias vão acontecendo, se torna o novo cappo da família. Robert Duvall, como Tom Hagen, o consigliere da família, adotado como filho por Don Vito e o único com equilíbrio emocional durante os imbricados casos relacionados com as famílias de Nova York, tem excelente atuação. Um grande ator esse Duvall. Basta lembrar dele terçando armas com Richard Harris no maravilhoso “Who is wrestling Ernest Hemingway?”. No mundo de O Poderoso Chefão, não há lugar para as mulheres, a não ser no papel de esposa e mãe. Assim são os personagens de Thalia Shire (Connie, a única filha de Don Corleone) e Kay (Diane Keaton), esposa de Michael.

665 - SEINFELD - PRIMEIRA TEMPORADA


seinfeld, 1a e 2a temporadas (seinfeld, usa 1989 –1991) – são 18 episódios em 4 discos, com excelentes extras e uma ótima oportunidade de sentir como a série evoluiu desde o primeiro episódio. A idéia de se fazer uma série sobre coisa alguma, a não ser as pequenas neuroses universais, é uma coisa difícil, mas seria preciso ser mesmo um gênio para por tudo isso em prática. Larry David e Jerry Seinfeld, juntamente com um elenco talentosíssimo (Jason Alexander, Michel Richards e Julia Louis-Dreyfus) conseguiram isso. Seinfeld (29 de abril de 1954) mora em um apartamento em Nova York e tem como seu vizinho de porta Kramer (Michael Richards, 24 de julho de 1949), que sempre abre a porta da sala da maneira mais atabalhoada. Elaine (Julia Louis-Dreyfus, 13 de janeiro de 1961) e George Constanza (Jason Alexander 23 de setembro de 1959) completam o grupo de amigos: na série, ela é uma ex-namorada de Jerry e George é o baixinho sempre às voltas com dificuldades nos relacionamentos amorosos. Julia tem um dos sorrisos mais belos do cinema. Foi até considerada uma das 50 pessoas mais bonitas do mundo pela People. Curiosamente, ela não está no episódio piloto “The Seinfeld Chronicles”, onde já aparecem Kramer e George. Destaque para o episódio "The Chinese Restaurant".

664 - COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ

como se fosse a primeira vez (50 first dates, usa 2004) – de Peter Segal. Adorei o filme. Adam Sandler (09 de setembro de 1966) é um veterinário marinho que se apaixona por Drew Barrymore (22 de fevereiro de 1975), sem saber que ela tem uma doença que a faz esquecer tudo o que se passou nas últimas 24 horas. Desta forma, ele precisa conquistá-la todos os dias. A mensagem pode até passar despercebida em função do tom de comédia, mas, no fim, é exatamente no ficamos pensando na medida em que rolam os créditos. Rob Schneider faz um havaiano, assistente de Sandler. Dan Aykroyd é o médico que cuida de Drew. Bela fotografia das praias havaianas

663 - NA COMPANHIA DO MEDO

na companhia do medo (gothika, usa 2003) – quando acorda, depois de um acidente, a psicóloga Miranda Grey (Hale Berry) descobre que está internada na instituição psiquiátrica onde trabalha e não tem qualquer lembrança do assassinato de que é acusada. O filme é ruim, como também é ruim a atuação de Hale, que caiu na armadilha das atrizes oscarizadas: depois do prêmio máximo do cinema, muitas atrizes acabam fazendo filmes sofríveis e nunca mais obtendo o mesmo sucesso. Foi o que aconteceu com Hale neste pífio thriller que pretende misturar suspense e terror. É pena vê-la tão desperdiçada.

662 - A DONA DA HISTÓRIA

a dona da história (brasil) – de Daniel Filho. Muito interessante a forma escolhida para contar os 30 anos de casados de Carolina e Luiz Cláudio (Marieta Severo/Antônio Fagundes e Déborah Fallabela e Rodrigo Santoro) e a velha questão do processo decisório. A melhor sacada é quando as duas personagens, a jovem Carolina (Débora Fallabela) e a Carolina madura (Marieta Severo) dialogam sobre sua opções existenciais. O show é de Marieta, apesar de Déborah estar muito bem. O personagem delas é o centro da trama: a Carolina é inquieta, sonhadora e numa constante procura da felicidade

661 - FOME DE VIVER

fome de viver (the hunger, usa 1983) – de Tony Scott. Adaptação muito boa da novela gótica de Whitley Strieber, com Catherine Deneuve, David Bowie e Susan Sarandon. A palavra “vampiro” nunca é mencionada neste filme perturbador, cheio de sutilezas e com um excelente trabalho de iluminação. A violência é cuidadosamente medida de acordo com a extensão dramática de cada cena. A seqüência da cena de amor entre Catherine Deneuve e Susan Sarandon é muito bonita e delicada. Tony Scott tem a cara e a mão típicas dos anos 80. Um período meio arrumadinho, sofisticado e cheio de novas versões para velhas histórias. Assim como o irmão Ridley – autor do filme símbolo da década, Blade Runner – era publicitário. Ou seja: estava acostumado a vender e retocar qualquer coisa que lhe colocassem nas mãos. Assim fez com Fome de Viver, que antecipa a padronagem estética que, dali para frente, foi usada e abusada pelos bravos homens do ramo da publicidade.

660 - A CASA DE DRÁCULA

a casa de drácula (the house of dracula) – David Carradine faz um Conde Drácula meio improvável, que procura um médico para se curar do seu vampirismo (!). Neste meio tempo, Lon Chaney Jr. também está atrás da cura para sua licantropia. Como vêem, os monstros da Universal entraram numa de se recuperar para a sociedade e resolveram procurar ajuda profissional. Mas, como previsto, nada dá certo e o tal médico, contaminado pelos dois monstros, acaba se tornando mais maluco ainda. E ainda tem o monstro de Frankenstein que, trazido de novo à vida, começa a fazer o que sabe: atacar as pessoas e derrubar os objetos do cenário

659 - A CASA DE FRANKENSTEIN

a casa de frankenstein (house of frankenstein, usa 1944) – depois de escapar de um asilo para loucos, um médico idem (Boris Karloff) e seu ajudante corcunda (J. Carrol Naish) tentam reviver o conde Drácula. Esta “casa” do título se refere às ruínas do castelo de Ludwig Frankenstein, segundo filho de Henry, no filme “O Fantasma de Frankenstein”. É também a mesma casa em que Lon Chaney descobre o monstro congelado no filme “Frankenstein encontra o Lobisomem”. John Carradine faz um Drácula sofisticado, com uma atitude britânica e cool, sem o jeitão de cadáver com o que Bela Lugosi calcou o personagem. Foi o primeiro filme da Universal em que não aparecem membros da família Frankenstein.

658 - A LENDA DO TESOURO PERDIDO

a lenda do tesouro perdido (national treasure, usa, 2004) – muito menos do que eu esperava. Nicolas Cage é um caçador de tesouros que, desde pequeno, ouve do pai (Jon Voight) que existe um mapa do tesouro escondido atrás da Declaração de Independência dos Estados Unidos. Juntamente com a bela Diane Kruger (a Helena, de Tróia), começa a decifrar os enigmas que levarão ao tesouro. Boas paisagens de Washington e excelente fotografia. A história é fraca e é pena ver o excelente Cage meio perdido numa aventura com tintas de Indiana Jones.

657 - 007 THE LIVING DAYLIGHTS

007 the living daylights – ótima estréia de Timothy Dalton como James Bond, sucedendo Roger Moore. Ação intermitente e ótimas sequências de suspense.

656 - FRANKENSTEIN ENCONTRA O LOBISOMEM

frankenstein encontra o lobisomen (frankenstein meets the werewolf, usa 1941) – o mais espetacular sobre este filme é ver Bela Lugosi no papel da Criatura, enquanto Lon Chaney Jr, como era de se esperar, faz o bichano. A atuação de Bela é horrível! Seu Monstro, aqui, está mais desconjuntado do que nunca e a maquiagem do rosto, como não poderia deixar de ser, deixa claro que Drácula não morreu no filme de 31.

655 - UM CONVIDADO BEM TRAPALHÃO

um convidado bem trapalhão (the party, usa 1968) – de Blake Edwards. Essa comédia co Peter Sellers já se tornou um clássico do cinema. Ele é um ator indiano, totalmente atrapalhado, que vai para Hollywood e acaba se metendo em situações hilariantes numa festa de um dos chefões dos estúdios. Sellers quase que não-atua, deixando que seu ar blasé provoque a confusão ao redor. Memorável.!!!

654 - MENINA DE OURO

menina de ouro (Million dollar baby, usa 2004) – obra-prima de Clint Eastwood, com vários Oscar, todos mais que merecidos. Neste filme magnífico, Clint olha o passado e o futuro nos olhos. E sem tremer. Tudo foge ao esperado estereótipo. Todos os dias, o ex-boxeador Frank Dunn (Eastwood) enxota de seu ginásio decadente a garçonete Maggie Fitzgerald (Hilary Swank), e todos os dias ela volta, obstinada em ser uma lutadora e à espera que Frank finalmente aceite treiná-la. Esta relação mestre-aluno parece anunciar uma história que, em seus contornos básicos, poderia parecer requentada – não falta nem o amigo negro e sábio do treinador (e excelente Morgan Freeman). Mas, nas duas horas seguintes, Eastwood vai conduzir o enredo e seus personagens por caminhos em que nenhum clichê cinematográfico jamais teve a bravura de se aventurar, e cujo destino é o encontro tardio, árduo e terrivelmente doloroso com a salvação, ainda que decidida e deliberadamente contrária a qualquer cânone religioso. Recomenda-se, pois, abaixar a guarda ao assistir ao filme.

653 - 12 HOMENS E UM OUTRO SEGREDO

12 homens e um outro segredo (ocean’s 12, usa 2004) - de Steven Soderbergh. Excelente continuação de 11 Homens e um Segredo, agora com o mesmo time de astros reforçado com Catherine Zeta-Jones. A música que abre o filme é uma versão de “Sentado à beira do caminho”, com Ornela Vanoni. Tão bom quanto o primeiro, o elenco parece, de fato, estar se divertindo, sem muito compromisso com a veracidade, bem no clima dos seriados dos anos 60, como Persuaders, por exemplo

652 - A NOIVA DE FRANKENSTEIN

a noiva de frankenstein (bride of frankenstein, usa) – de James Whale. Seqüência do grande sucesso Frankenstein (1931), do mesmo Whale e, para muitos, Leonard Maltin inclusive, melhor do que o primeiro. Tenho minhas dúvidas. Nos créditos, Boris Karloff aparece apenas como “Karloff”, dado ao imenso sucesso como o Monstro do primeiro filme. A história retoma o final do filme anterior, com a Criatura sobrevivendo ao incêndio do moinho e encasquetando nos miolos apodrecidos que precisa de uma companheira. Neste meio tempo, um cientista mais louco do que Henry Frankenstein, como incrível nome de Pretorious, instiga Henry a ajudá-lo na criação da tal mulher, também feita de restos de cadáveres. Essa, de fato, é um pedaço de mulher. A introdução mostra uma cândida restituição do jantar entre Percy Shelley, Mary Shelley e Lord Byron, afetadíssimo, por sinal. Elsa Lanchester, a noiva do título, faz o papel de Mary também.

651 - FILHO DE FRANKENSTEIN

o filho de frankenstein (son of frankenstein, usa, 1939) – Tal pai, tal filho. Filho do barão Frankenstein (Basil Rathbone, 13 de junho de 1892 – 21 de julho de 1967) vai, com a mulher e o filho pequeno ao castelo de seu pai no coração da Europa, e lá encontra a criatura (Boris Karloff, 23 de novembro de 1887- 2 de fevereiro de 1969) e um estranho criado, Ygor (Bela Lugosi, 29 de outubro de 1882- 16 de agosto de 1956) que pretende se vingar dos burgos-mestres que o condenaram à forca. Um fato engraçado aconteceu com Boris Karloff durante as gravações: com o nascimento de seu primeiro filho, ele foi ao hospital visitar sua esposa e o bebê, ainda vestido como a Criatura, causando pânico entre os pacientes. A atmosfera gótica é bem representada por uma fotografia em preto-e-branco, mas sem o impacto do primeiro filme. O sul-africano Rathbone é um caso a parte: seu porte elegante, nariz adunco e indefectível bigode fino, o fazem quase um personagem além dos vários vilões que interpretou durante sua carreira, com em Capitão Blood. Era considerado o melhor espadachim do cinema, acima até de Errol Flynn. Lugosi faz um personagem estranhíssimo, com pescoço quebrado, peruca ridícula e dentes postiços, e que toca uma espécie de flauta durante os ataques do monstro. Lugosi morreu na penúria e, segundo consta, seu funeral, curiosamente, foi pago por Frank Sinatra. Só teve fama mesmo com Dracula (1931) e, depois, se afundou em produções de baixíssimo orçamento e doses cavalares de heroína. Ironicamente, Martin Landau ganhou um Oscar ao viver Lugosi em Ed Wood.

650 - FRANKEINSTEIN


frankenstein (frankenstein, usa 1931) - Boris Karloff interpretou, em 1931, a mais famosa das adaptações cinematográficas da novela gótica escrita por Mary Shelley, passando de ator quase desconhecido à estrela de Hollywood. Dirigido por James Whale, o filme relata a conhecida história de Henry Von Frankenstein (Colin Clive), um cientista envolvido em seu mais ambicioso e audaz projeto: a criação de um novo ser humano utilizando diferentes partes de cadáveres. Com a ajuda de seu criado Fritz (Dwight Frye), o cientista procura, no cemitério, os componentes necessários para dar vida à sua criatura. A experiência parece funcionar, mas quando o monstro sente o repúdio do doutor Frankenstein, se converte em um ser feroz à procura de afeto. Influenciado pelo movimento expressionista alemão, o filme de Whale criou muitas das convenções dos filmes de horror, como o monstro de movimentos toscos ou o cientista transtornado. Obra-mestra do gênero, “Frankenstein” combina terror e melodrama em uma história que conserva, ainda hoje, um grande interesse, ao propor conflitos tão atuais, como a manipulação da vida pela ciência, mesmo que o principal do filme seja o terror do homem em abandono. Karloff usou um expediente para dar mais credibilidade à expressão cadavérica do Monstro: consta que ele retirou a ponte móvel para ficar com o rosto mais escaveirado. De fato, funcionou.

649 - DRACULA

dracula (dracula, usa 1931) - Com este mítico filme do diretor Tod Browning, Bela Lugosi marcaria para sempre sua caracterização como o famoso Conde Drácula. Baseada no romance original de Bram Stoker, a história começa com a viagem do vampiro, dos Cárpatos até Londres. Lá, conhece a bela Mina Harker (Helen Chandler), filha do doutor Seward (Herbert Bunston). Apaixonado pela jovem, o Conde começa a visitá-la com freqüência para beber seu sangue e poder, assim, convertê-la em sua mulher. Mas a saúde de Mina logo começa a se deteriorar e isto alerta a sua família, que decide acudir ao professor Van Helsing (Edward Van Sloan), especialista em vampiros. Depois que o doutor descobre que o Conde Drácula é, na realidade, um vampiro, o noivo de Mina (David Manners) e seu pai terão de evitar que a jovem converta-se, também, em uma morta em vida. Com suas imagens perturbadoras e obscuras, este clássico de 1931 influenciaria as produções de horror das próximas décadas. No mesmo estúdio onde se filmava Drácula, durante a noite estava sendo filmada, também, uma versão em espanhol, com um elenco de artistas de língua espanhola. O final é pífio, sem nenhuma grandiloqüência, como foram, posteriormente, os filmes da Hammer com Christopher Lee.

648 - O LOBISOMEM DE LONDRES

o lobisomem de londres (the werewolf of london, usa 1935) - Neste clássico do horror, Henry Hull interpreta Wilfred Glendon, um introvertido cientista dedicado à botânica, que viaja até o Tibet buscando uma estranha flor conhecida como mariphasa luminam lupina. A espécie cresce só nessa zona, com a luz da lua. A ponto de conseguir uma amostra, Glendon é atacado na escuridão pelo doutor Yogami (Warner Oland), um homem-lobo que lhe transmite o estigma do licantropo. Depois, Glendon volta a Londres convertido em homem-lobo, atemorizando a população durante as noites de lua cheia. Ali reaparece o doutor Yogami, que lhe revela que a estranha flor asiática é a única esperança de postergar, durante uma noite, a maldição da lua cheia. Dirigida por Stuart Walker, “Werewolf of London” conta com um notável trabalho estético de Charles Stumar, encarregado da fotografia. Também se destacam o trabalho do mestre da maquiagem Jack Pierce e as eficientes atuações de Hull e Oland como os dois licantropos. O projeto da Universal havia surgido em 1932 com o título “The Wolf Man” e Boris Karloff no papel protagonista, mas, finalmente, o lendário ator recusou o papel.

647 - ANJOS DA NOITE

anjos da noite (underworld, usa 2003) – Romeu e Julieta com dentes pontudos. Vampiros e lobisomens travam há séculos uma batalha sangrenta para conquistar a liderança das duas espécies. Isso tudo sob uma chuva constante e, logicamente, à noite. A excelente fotografia ajuda muito o filme, embora os personagens fujam um pouco do estereótipo já conhecido em produções assim. A bela Kate Beckinsale (23 de julho de 1973), que foi uma caçadora de vampiros em Van Helsing, aqui é Selena, uma vampira que se vê no meio da batalha, mas que se apaixona por um dos lobisomens (Scott Speedman, de Felicity e Duets). O estilo cool de Kate, neste filme, a deixa mais sexy do que nunca. Coincidentemente, logo depois assisti ao Lobisomem de Londres, de 1935, cuja temática – lobisomens – é a mesma. Direção de Len Wiseman que parece ser mesmo um cara de sorte, pois é marido de Kate Beckinsale. Já há uma seqüência em pré-produção para o ano que vem.

646 - FALANDO FRANCAMENTE

falando francamente (straight talk, usa 1992) – fala que eu te escuto. De Barnet Kellman. Dolly Parton (19 de janeiro de 1946) é uma moça do interior que decide mudar-se para Chicago, depois de fracassos afetivos e profissionais em sua cidade. De início, sem qualificação para qualquer atividade remunerada, ela acaba sendo testada como recepcionista de uma rádio, onde, por sorte, acaba na frente do microfone dando conselhos aos ouvintes, numa espécie de consultório sentimental. De repente, vira uma celebridade e vai conquistando uma fama com a qual ela nunca havia sonhado. Um repórter (James Woods, a8 de abril de 1947) se aproxima dela para tentar descobrir sua história e publicar no jornal. Dolly é uma figura simpática e doce, lembrando os momentos mais espontâneos de Julia Roberts, com quem se parece muito. Embora tenha tido muito sucesso como cantora country, Dolly estrelou alguns filmes com boa bilheteria. Griffin Dunne e Michael Madsen também estão no elenco.

645 - ENTRE AS PERNAS

entre pernas (entre las piernas, espanha 1999) – de Manuel Gomes Pereira. Mulher radialista (Victoria Abril, 4 de julho de 1959), casada com um policial, vai uma sessão de terapia para viciados em sexo e lá conhece um homem (Javier Bardem, de Carne Trêmula e Colateral) por quem se apaixona. Bom thriller que começa aparentemente como uma discussão sobre problemas sexuais, mas que vai se delineando como um suspense policial, com alguns bons twists. Fotografia muito escura prejudica uma melhor apreciação do da história.

644 - CONSTANTINE

constantine (constantine, usa 2005) – sangue de Jesus tem poder. Uma espécie de policial incumbido de patrulhar a fronteira terrena entre o céu e o inferno, Constantine (Keanu Reeves) é o responsável por caçar demônios extraviados e despacha-los de volta para as profundezas. Não por devoção, mas porque na adolescência ele também se suicidou, e por seu crime passou dois minutos nos inferno, para onde não tem a mínima vontade de voltar. Keanu Reeves repete aqui seus pontos de excelência em Matriz: o dom para tornar um figurino (aqui, terno preto e camisa branca) sublime, o jeito duro de dizer suas falas, que não raro as melhora, a presença física esplêndida e, em especial, seu ar meio ausente, que serve como ponto de fuga em que tudo o mais não pára de se mexer, como é o caso do supracitado Matriz e este Constantine. Dirigido pelo estreante Francis Lawrence, Constantine tem ritmo e exuberância, com destaques para Raquel Weisz, o par romântico de Constantine (afinal, ninguém é de ferro), a inglesa Tilda Swinton e o sueco Peter Stormare, que fez o oftalmologista deliciosamente decadente de Minority Report, e que aqui é o próprio Lúcifer. As imagens do filme são fortes e impressionam, o que ajuda muito no desenvolvimento do roteiro adaptado das HQ Hellblazer.

643 - O DOSSIÊ PELICANO

o dossiê pelicano (the pelican brief) – de Alan J. Pakula. Muito bom thriller de suspense com Julia Roberts e Denzel Washington. Julia é uma estudante de Direito que desenvolve uma teoria que desvenda o mistério do assassinato de dois juízes da Suprema Corte em Washington. Julia (28 de outubro de 1967) está linda, com os cabelos ruivos soltos, lembrando o personagem de Uma Linda Mulher. Devia mantê-lo assim. O excelente Stanley Tucci faz um assassino árabe e já demonstra, aqui, seu enorme talento. Lembro que comecei – e nunca havia terminado antes – a ver este filme num cinema em Richmond.

642 - O VELHO QUE LI ROMANCES DE AMOR

um velho que lia romances de amor (the old man who read love stories, usa 2001) – de Rolf de Heer. Eis um filme que começou bem, mas que ficou de um jeito que não entendi nada do meio para o fim. Richard Dreyfuss vive na floresta amazônica e só se afasta da solidão quando um dentista lhe traz livros. A premissa é interessante, a partir do título, que foi o que me levou a assistir ao filme, mas a história fica confusa, com flashbacks inexplicáveis e seqüências longas e cansativas.

641 - CRIME VERDADEIRO

crime verdadeiro (true crime, usa 1999) – de Clint Eastwood. Clint é Everett, um jornalista famoso e mulherengo que se interessa pelo caso de um condenado à pena de morte depois de, supostamente, ter matado uma mulher numa loja de conveniências, anos atrás. Com seu faro apurado, Everett desconfia que o rapaz é inocente e começa a buscar provas que provem isso. Como costuma fazer em seus filmes, Clint envereda pelos traumas familiares: aqui, ele trai a mulher, com quem tem uma filhinha pequena e é chegado à bebida e noitadas em bares. É justamente a chance de provar que ainda tem talento para desvendar uma história que o leva a rever seus valores, embora o filme não caminhe para um final moralista. Longe disso. Severo consigo mesmo, assim como fez em Dívida de Sangue, Clint explora o que há de melhor e pior na idade madura

640 - OLHE QUEM ESTÁ FALANDO

olhe quem está falando (look who is talking, usa 1989) – de Amy Herckeling. Mollie (Kirstie Alley – 12 de janeiro de 1951) é uma mãe solteira que procura um pai para seu filho. Aí aparece John Travolta (18 de fevereiro de 1954), inicialmente como babá do menino, e conquista o coração de Mollie. O filme aproveitou o sucesso enorme de dois pesos pesados do showbiz americano no final dos anos 80: Travolta, por motivos óbvios e Kirstie Alley, que vivia dias de ouro como a Rebecca Howe, em Cheers. A dublagem nos priva da voz do bebê, feita por Bruce Willis. Filme feito para a Sessão da Tarde, com toda a família sentada no sofá da sala. A grande sacada é a narração, do ponto de vista do bebê, da história previsível, mas envolvente, mesmo depois de tanto tempo. Vale ressaltar como Kirstie era, de fato, lindíssima e, mesmo hoje, com muitos quilos a mais, continua encantadora. Para conferir, basta dar uma olhada na sua série Fat Actress, atualmente na Warner. Travolta está à vontade, mostrando que era, mesmo naquela época, um ótimo ator. Logo em seguida, encontraria o ostracismo durante alguns anos, até que Quentin Tarantino o brindasse com Pulp Fiction.

639 - MUITO ALÉM DO JARDIM

muito além do jardim (being there, usa 1979) – de Hal Ashby. O roteiro de Jerzy Kosinski, também autor do livro, é primoroso. Rever este filme com Peter Sellers é sempre emocionante. Shirley Maclaine está linda e arrasa principalmente na cena em que se masturba, enquanto Chance está assistindo à televisão. O veterano Melvyn Douglas é Bem, conselheiro do presidente americano (Jack Warden) e marido de Eve (Shirley Maclaine), que começa a interpretar o discurso simplório de Chance sobre jardinagem como metáforas sobre a vida político-econômica do país.