domingo, 25 de junho de 2017

2971 - O ESPAÇO ENTRE NÓS

Britt Robertson  e Asa Butterfield
    O ESPAÇO ENTRE NÓS (THE SPACE BETWEEN US, USA 2016) - É 2018, e um grupo de seis astronautas vai se estabelecer em Marte, em um experimento pioneiro. Mas, a astronauta do time embarcou grávida, sem saber. Dar meia-volta é impossível. Ou seja, a criança vai ter de nascer e crescer em Marte, como um segredo muito bem guardado pela Nasa. Eis uma bela ideia que o diretor Peter Chelson não soube aproveitar, entregando um filme muito aquém do esperado, especialmente se estivesse nas mãos habilidosas de Steven Spielberg, um especialista em temas como este. O filme, depois que Gardner (Asa Butterfield), já adolescente, chega à Terra e sai à procura da namoradinha virtual, com quem só tinha contato pelo equivalente futurista do Skype, descamba para aquelas aventuras juvenis da década de 80, sem que isso combine com o que o argumento sugere. Foi pena também ver o grande Gary Oldman vivendo um personagem meio cientista louco, cuja importância na trama acaba se diluindo em função da sua fraca atuação, num filme que poderia render mais. Havia espaço para isso.

sábado, 24 de junho de 2017

2970 - BONECO DO MAL

   
Lauren Cohen e seu sorriso avassalador
    BONECO DO MAL (THE BOY, USA 2016) – Muito bem filmado, este thriller de horror se diferencia dos seus congêneres porque soube construir uma atmosfera de suspense através de uma carpintaria cinematográfica estilizada, lembrando muito os melhores episódios de ALÉM DA IMAGINAÇÃO, desdobrando, gradativamente, as ações e revelando as camadas de mistério sobre o porquê de um casal de idosos estarem cuidando de um boneco como se ele estivesse vivo. Sim, este é o argumento: Greta (Lauren Cohan, excelente), depois de uma decepção amorosa, vai trabalhar como uma babá de um garoto de 8 anos, numa mansão no meio do nada, na Inglaterra. Ao chegar lá, ela se depara com uma constatação perturbadora: o tal garoto é um boneco em tamanho natural do filho do casal que a contratara e que morrera num incêndio vinte anos antes. O diretor William Brent Bell consegue desenvolver o roteiro sem cair nas armadilhas do susto fácil e das soluções óbvias, deixando a imaginação do espectador livre para as eventuais ilações. Claro que a talentosa – e belíssima – Lauren Cohan, que tem um sorriso avassaldor, atesta, desde o início a qualidade deste trabalho e tem uma atuação primorosa, assim como faz em THE WALKING DEAD.  

sexta-feira, 23 de junho de 2017

2969 - CHICO - ARTISTA BRASILEIRO

    
 CHICO – ARTISTA BRASILEIRO (BRASIL, 2015)Trazendo apresentações de várias composições do músico feitas por diversos intérpretes exclusivamente para o projeto, Chico – Artista Brasileiro intercala estas performances com entrevistas que surpreendem por fugir das perguntas óbvias, cujas respostas já são conhecidas por qualquer um com um mínimo de conhecimento sobre o cantor/ compositor/ dramaturgo/ escritor, e se dedicar a questões que buscam explorar mais sua personalidade do que os fatos de sua carreira. Leve, com bom ritmo e com uma aproximação da figura do artista pouco vista em documentários, aqui temos um Chico intimista, falando sobre a carreira, os amigos e revelando episódios familiares que já estavam num terreno mítico, como o irmão alemão que ele nunca chegou a conhecer.






2968 - KÓBLIC

     
Darín, estupendo...
 
KÓBLIC (Argentina, 2016) – Ricardo Darín é obrigatório. Aqui ele é Kóblic, um ex-capitão da Marinha que, durante a ditadura argentina, vai para uma pequena cidade com o intuito de levar uma vida normal. Sua chegada, no entanto, atrai o olhar de curiosos, principalmente do delegado local que decide investigá-lo. Kóbick era o responsável por coordenar as operações aéreas conhecidas como os "voos da morte", onde elementos considerados subversivos eram arremessados vivos ao mar de dentro dos aviões. Atormentado com as lembranças das pessoas pedindo ajuda, ele decide largar tudo e se refugiar, incógnito, dentro do possível, num lugar em que ninguém o conheça. Darín é mesmo um excepcional ator: o trabalho que desenvolve com seu personagem é magistral – em vez de nos entregar o choro fácil de um oficial arrependido, ele mostra todo o seu sofrimento através de pequenos gestos e olhares sublinhados por um silêncio imenso, fugindo do óbvio universo da figura de alguém traumatizado com os horrores produzidos naqueles anos terríveis na Argentina. Ricardo Darín é um dos maiores atores da atualidade. A direção de arte e de fotografia são apresentadas com perfeição. A lógica visual do longa é muito bem-feita, utilizando cores frias e quase neutras, que servem para simbolizar monotonia da aldeia ou até mesmo o sentimento de tristeza daquele momento político do país.

 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

2967 - CROCODILO DUNDEE II

Linda e Paul Hogan
  CROCODILO DUNDEE II (USA, 1988) – A sequência do inesperado sucesso do primeiro filme, embora pretensamente mais elaborada, não deu certo. Desta vez, o filme começa em Nova Iorque (onde terminou o anterior) e tem eu desfecho na Austrália. O que se percebe aqui é que Hogan tinha um ótimo personagem nas mãos, mas não soube ou não quis desenvolvê-lo. A ideia de um caipira esperto, numa grande cidade americana, se dando bem em relação aos donos do território (inclusive ganhando o coração da mocinha), não é nova, mas poderia ter sido explorada com êxito, muito em função da simpatia de Hogan. Mas nada aqui funciona. Nem Linda Koslowski permaneceu com o brilho e o magnetismo do primeiro filme. 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

2966 - CROCODILO DUNDEE

  
Linda Koslowski, na cena inesquecível
  CROCODILO DUNDEE (AUSTRÁLIA, 1986) – Segunda bilheteria do ano nos EUA – perdendo apenas para PLATOON – este filme estrelado pelo australiano Paul Hogan foi um sucesso inesperado, que rendeu mais duas sequências sem o mesmo impacto de público. Revisto hoje, CD é um filme apenas simpático, explorando, sobretudo, o choque cultural de um caipira australiano numa cidade como Nova Iorque. Só mesmo o aparentemente autêntico ar de surpresa de Hogan, misturado com uma também verdadeira ingenuidade, para explicar a popularidade do filme. Claro que a cena de biquíni de Linda Koslowski (com quem Hogan se casaria na vida real, mostrando que não tinha nada de bobo) ainda está impressa no cerebelo da rapaziada que assistiu ao filme várias vezes na Sessão da Tarde até hoje. A sequência final (sorry, spoiler ahead), em que Hogan, num metrô lotado, caminha sobre as cabeças das pessoas para se reencontrar com Linda ajudou muito a transformar CD num dos filmes-ícones da década de 80.  








quinta-feira, 15 de junho de 2017

2965 - A VIDA DE MILES DAVIS

Don Cheadle, sensacional como Miles Davis
A VIDA DE MILES DAVIS (MILES AHEAD, USA 2015) – Estreia na direção de Don Cheadle, num filme que é mais sobre as atitudes e personalidade de Miles Davis do que um relato fiel sobre seus últimos anos. No papel-título, Cheadle é uma revelação como Miles – a voz rascante, o trompete tocado visceralmente, a consciência da própria genialidade muitas vezes explorada pelas gravadoras, tudo fica plenamente afinado, especialmente com os flashbacks insertos na narrativa, mostrando um Miles mais light, fazendo o contraponto com o furacão em que o músico se transformaria anos mais tarde. Uma excepcional performance de Cheadle, que há muito já merecia uma oportunidade para mostrar seu imenso talento como ator e, agora também, como diretor.     

2964 - VÍTIMA DE UMA PAIXÃO

      
Connery e Lana Turner
VÍTIMA DE UMA PAIXÃO (ANOTHER TIME, ANOTHER PLACE, USA 1958) – O maior interesse deste filme é a escalação de Sean Connery, ainda em início de carreira e bem antes de James Bond. Dá para ver também uma das piores atuações de Lana Turner, como uma repórter que, durante a II Guerra, se apaixona por um correspondente (Connery, claro) na Europa. Quando ele morre, em um desastre de avião, ela, que acabara de descobrir que ele era casado e tinha um filho pequeno, numa cidade pequena no norte da Inglaterra, se manda para lá, a fim de conhecer a viúva, numa típica atitude tresloucada do universo feminino que, ao ser posta num filme, fica mais sem sentido ainda. Roteiro pífio, atuações idem. Uma trívia sobre as filmagens: o então namorado de Lana Turner, o mafioso Johnny Stompanato, tomado de ciúmes, foi até as locações, tirar satisfação com Connery, com quem ele suspeitava que Lana estivesse tendo um caso. O futuro James Bond o derrubou com um soco, e Stompanato voltou para os EUA imediatamente.  


segunda-feira, 12 de junho de 2017

2963 - ELIS

   
Andreia Horta: a escolha perfeita para uma bela cantora
   ELIS (BRASIL, 2016) – Realizado de maneira quase burocrática, a cinebiografia de Elis Regina não traz aquilo que a cantora sempre representou na sua carreira: emoção. Beirando o didatismo biográfico, no pior sentido do termo, o diretor Hugo Prata perfila shows e apresentações de TV, em que a cantora, supostamente, vai construindo sua trajetória, mas o problema é que nada disso emociona quem assiste e, sobretudo, quem conhece minimamente a vida – e a força dramática - de Elis Regina. A narrativa linear é pobre, apressada e fria, como a cena da sua morte, causada por uma mistura de álcool e cocaína. Por outro lado, há a vigorosa performance, da belíssima Andreia Horta. Ela segura o personagem com talento, procurando dar a ele a emoção que faltou ao roteiro. Embora seja muito mais bonita que Elis, Andreia a traz para a tela de forma bem convincente, especialmente nos números musicais, nos quais entrelaça sua voz com os registros originais da cantora. 

domingo, 11 de junho de 2017

2962 - ADAM WEST

Adam Wayne or Bruce West?
  ADAM WEST (1928 – 2017) – Adam West é um daqueles atores que se transformaram em ícones de, talvez, mais de uma geração. Já um ator experiente e de prestígio em Hollywood, aceitou ser o protagonista da série mais “campy” da TV americana, nos psicodélicos anos 60. Sua personificação de Batman não foi só produto da imaginação desenfreada do produtor William Dozier: seu jeito sério de entregar as falas de uma maneira quase shakespeariana, tonificando com uma borrifada de seriedade os roteiros sem-noção da série, o transformaram num personagem que foi além do personagem inicial. West era quase um alter-ego de Batman, um Bruce Wayne com os dois pés num caldo cultural que efervescia ao redor, com altas doses de ácido e nem sempre bom senso. Sim, embora a série fosse mesmo debochada, volitivamente ridícula, abusando dos ângulos tortos e do paroxismo ontológico dos vilões, em especial, West levava sua atuação aparentemente a sério, caminhando habilmente entre o sarcasmo e o fino humor de quem tem plena consciência do seu legado para a cultura pop. Revendo agora todos os episódios, tem-se a certeza de que West dominava o ofício e sabia que ficaria para a eternidade. Mesmo marcado pelo personagem, depois de apenas três temporadas, ele ainda fez alguns programas marcantes, como, por exemplo, o hilariante LOOKWELL (1991), uma divertidíssima série que sequer foi ao ar (só foi feito o piloto, que pode ser conferido no Youtube), em que ele faz um ex-astro de TV que se põe a resolver casos policiais. Recentemente, esteve num episódio de THE BIG BANG THEORY, numa participação muito aquém do que merecia, pois ele era um dos ídolos de Leonard e Sheldon. Assim como Roger Moore, falecido há um mês, West tinha um talento específico para não se levar a sério, o que o tornou, como Moore, um ídolo que, na infância, costumávamos ter como nossos melhores amigos.

   


segunda-feira, 5 de junho de 2017

2961 - NORMAL

   
Wilkinson, estupendo...
 NORMAL (NORMAL, USA, 2003) Este é um filme sobre a aceitação decorrente do amor: no interior dos EUA, Irma e Roy (Jessica Lange e Tim Wilkinson), casados há 25 anos, são cidadãos-modelo na sua comunidade. Então, Roy comunica à esposa que ele é uma mulher num corpo masculino e quer fazer uma operação para mudar de sexo. Roy tem que enfrentar a decepção dela e a intolerância de seus colegas de trabalho, dos membros da igreja e de seu filho. Tudo é tratado com delicadeza e sensibilidade. Lange e Wilkinson – principalmente ele – tem uma atuação memorável e profundamente emocionante. Não há como não ser tocado pela maneira como Roy vai se transformando, fisicamente, numa mulher, e a aceitação gradual de sua família das circunstâncias que são condições essenciais para a sua felicidade. A cena final, num diálogo entre Roy e Irma é avassaladora.














sexta-feira, 2 de junho de 2017

2960 - EU SOU A FÚRIA

     
Travolta: que cabelo é esse???
 
EU SOU A FÚRIA (I AM WRATH, USA, 2016) - Bem ao estilo da série DESEJO DE MATAR, com Charles Bronson, temos aqui John Travolta como um vingador da morte da mulher por bandidos de rua. Relutante de início, ele se junta com um velho parceiro, para ir atrás dos assassinos. O roteiro é muito previsível e, se você não está esperando uma obra-prima, o filme até que se mostra como um passatempo razoável, ainda que sem uma gota de originalidade. Travolta? Bem, ele aproveita a oportunidade para dar conta, apenas competentemente, mas sem brilho, de um personagem raso, que teria sido feito, talvez com o mesmo enfado, por Nick Cage (ele saíra do projeto). Mas, devo dizer que, depois do implante, sua “hair line” o deixou com uma expressão artificial, não muito diferente da de uma boneca de pano. Para ver e esquecer.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

2959 - O RIO POR ELES

   
O RIO POR ELES (BRASIL, 2016) - O diretor Ernesto Rodrigues reuniu uma grande compilação de imagens produzidas por telejornais e documentários de emissoras e cineastas do exterior para mostrar como, ao longo das décadas do último século, o mundo enxergou o Brasil através dos cenários e costumes cariocas. Narrado por Pedro Bial, o documentário faz um extenso trabalho de busca para resgatar vídeos gravados desde a primeira metade do século passado até tempos recentes. O documentário revela paisagens perdidas no tempo, transformações urbanas surpreendentes e as características dos cariocas que impressionaram cinegrafistas e editores, mostrando a vida cultural e social do Rio, dissecando vícios, clichês e preconceitos no enfoque estrangeiro da cidade e sua gente. Há registros do ex-presidente Getúlio Vargas no Palácio do Catete, antiga sede do governo federal, e visitas de autoridades como o ex-presidente americano Richard Nixon e a Rainha Elizabeth da Inglaterra. As reportagens discutem questões sociais relevantes, como a remoção de moradores de favelas da zona sul. Além disso, recupera filmagens de carnavais da metade do século passado, com imagens dos desfiles de um mundo completamente diferente. Imperdível.

domingo, 21 de maio de 2017

2958 - CORRA!

    
Chris começa a desconfiar que há algo errado
  CORRA (GET OUT, USA, 2017) – Estreia auspiciosa do comediante Jordan Peele na direção de um filme surpreendente, na proposta e na originalidade. O fotógrafo negro Chris Washington (Daniel Kaluuya) vai com a namorada, Rose (Allison Williams), para conhecer os pais dela na enorme propriedade rural da família. Chegando lá, Chris começa a desconfiar da recepção que recebe: os Armitage, perfeitos WASPS americanos, o acolhem com uma benquerença efusiva que logo lhe soa meio artificial. A partir daí, o filme vai construindo uma atmosfera de suspense, que leva ao terror, de forma esplêndida, e continua assim quando parte para a sátira e a crítica social. Raramente, elementos tão díspares na sua temática, foram reunidos de maneira tão eficaz num roteiro que é um primor de acabamento. É como se revisitássemos ADIVINHE QUEM VEM PARA JANTAR, estrelado por Sidney Poitier, 50 anos atrás, com um toque de ironia. Mas Peele trata da discriminação racial sob um ponto de vista da degradação do caráter de quem a comete, pessoas consideradas “de bem” que camuflam seus gestos politicamente corretos com a mesma desfaçatez com a qual tratavam os negros nos tempos da escravidão, quando esta se mantinha sob o véu das exigências econômicas. No filme, nota-se que pouco ou quase nada mudou a este respeito.    



terça-feira, 16 de maio de 2017

2957 - CONTRABANDO

  
Kate Beckinsale, um ótimo motivo para Mark Wahlberg voltar para casa

    CONTRABANDO (CONTRABAND, USA 2012) – O roteiro nada tem de original: um ex-contrabandista (Mark Wahlberg) volta à ativa, para proteger seu cunhado, vítima de ameaças por parte de um traficante (Giovanni Ribisi, muito caricato). O filme segue a cartilha dos seus similares, com cenas construídas a partir de desdobramentos previsíveis, mas eficientes. Mark Wahlberg encontra, nestas produções, um veículo perfeito para sua linha de interpretação, que mistura personagens, de certa forma, injustiçados na sua tentativa de regeneração. A bidimensionalidade dos personagens é um empecilho relevante à fruição deste thriller de ação que aposta muito mais no seu elenco famoso: além de Wahlberg e Ribisi, o ótimo J.K. Simmons (num personagem secundário) e o intenso Ben Foster (também num personagem mal resolvido). Ah, mas há Kate Beckinsale, cuja presença melhora tudo.   

segunda-feira, 15 de maio de 2017

2956 - A INVOCAÇÃO DO MAL 2

   
A bela Vera Farmiga e Patrick Wilson
 A INVOCAÇÃO DO MAL 2 (THE CONJURING 2, USA 2016) – O terror é uma seara difícil para qualquer realizador. O diretor malaio de origem chinesa, James Wan, criado na Austrália e hoje radicado nos EUA, de 39 anos, tem uma sensibilidade que redimensionou o gênero neste ótimo filme (ele também dirigiu o primeiro, e ótimo, A INVOCAÇÃO DO MAL). Sua desenvoltura e ritmo de direção vão construindo uma atmosfera que seduz (por medo, desconfiança, curiosidade?) o espectador, de uma maneira quase hipnótica, especialmente por sua habilidade de posicionar a câmera em ângulos inusitados e surpreendentemente originais, deixando margem para que a imaginação de quem assiste produza as sensações mais angustiantes e sempre incômodas. Patrick Wilson e Vera Farmiga (em absoluta química em cena) estão de volta como Ed e Lorraine Warren, os mais célebres caça-fantasmas americanos que, em dezembro de 1977, vão a Londres para investigar um caso de possível possessão que a imprensa local transformara em circo. Wan vai expondo os acontecimentos magistralmente, expandindo zonas de incertezas e nos convencendo de que estamos diante de um filme memorável.  



2955 - OS COSMONAUTAS

 
Neide Aparecida, Grande Otelo e Golias
      OS COSMONAUTAS (BRASIL, 1962) – Divertida comédia com Golias e Grande Otelo, na onda da corrida espacial entre americanos e russos que acontecia na época. Há boas cenas do centro do Rio, o que sempre é fascinante para o observador dos costumes daquele momento histórico nacional. O roteiro é simples, mas extremamente eficiente, muito em função dos trejeitos de Golias e das oportunas estocadas nos políticos que queriam pegar carona no pioneiro projeto. 

2954 - TWO AND A HALF MEN - TEMPORADA 12


Alan e Walden
 TWO AND A HALF MEN, TEMPORADA 12 (USA, 2014) – Esta  última temporada foi constrangedora. A começar pelo argumento frágil do casamento de fachada entre Walden e Alan, para que eles pudessem adotar uma criança, já que Walden concluiu que só isso daria sentido à sua vida de bilionário ( ! ). Os episódios foram se arrastando com histórias pífias e desenxabidas. Chuck Lorre, ainda com a vaidade ofendida por Charlie Sheen, parecia querer provar que a série não dependia dele e, assim apostou tudo na comicidade natural de Jon Cryer que, coitado, foi obrigado a transformar seu personagem num salva-vidas para um barco que já vinha afundando desde a entrada de Ashton Kutcher. É bem verdade que, em vários episódios, a autogozação com a insistência na continuidade do programa apareceu de forma muito saudável, um mea-culpa inevitável diante de uma temporada final que poderia ter sido abreviada em respeito aos fãs da série.  

terça-feira, 9 de maio de 2017

2953 - AO MESTRE, COM CARINHO

  
Sidney Poitier aponta o caminho
    
AO MESTRE, COM CARINHO (TO SIR, WITH LOVE, USA 1965) - Ainda é uma boa referência para se tratar sobre diversos aspectos da sociedade e principalmente em relação as metodologias pedagógicas, o filme apresenta a dificuldade de um engenheiro (Sidney Poitier), recém-formado, que tenta melhorar sua condição de vida indo para a capital Londrina trabalhar como professor. Sua situação acaba virando um grande desafio, pois ele acabou diante da turma mais problemática de uma escola pública, com alunos agressivos e desestimulados. A problemática começa a ser resolvida, quando o professor percebe que antes da questão do ensino, era preciso trabalhar os valores morais e psicológicos daquele grupo. A rebeldia já era presente naquele momento, com a influência de novos hábitos e comportamentos, como, por exemplo, o fenômeno dos “Beatles” e da ascensão do jovem numa sociedade até então mais gerontocrata. A história é contada com sensibilidade e leveza e o sucesso do filme se deve muito à charmosa atuação de Poitier. 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

2952 - DEXTER - TEMPORADA 5

    
Julia Stiles dá uma mãozinha a Dexter
 
DEXTER – TEMPORADA 5 (USA, 2010) – Depois da devastadora quarta temporada, era natural que o coeficiente dramático caísse um pouco na seguinte. No entanto, na sequência, DEXTER consegue manter a tensão radical que sempre caracterizou a série, agora focando nos sentimentos de culpa de Dexter e no inesperado encontro com um pessoa que, gradativamente, aceita seu “passageiro sombrio” e, inesperadamente, começa a preencher afetivamente um vazio que nem Rita havia conseguido. Lumen (“luz”, em latim), vivida por Julia Stiles com seu magnestismo natural, traz luzes para alguns caminhos que Dexter não ousava trilhar, como, por exemplo, a aceitação do seu “lado sombrio” e a possibilidade de conexão com alguém com os mesmos impulsos, digamos, peculiares. Julia Stiles é uma atriz singular, com a capacidade de mimetizar uma pletora de emoções indefiníveis pela palavra. Combinou perfeitamente com o hermetismo dexteriano, em cujo universo pululam um sem número de contradições que traduzem uma personalidade complexa e instigante. Muitos não entendem. Mas não tem importância. A lógica é uma iguaria do pensamento, mas há quem prefira comer capim. 

domingo, 7 de maio de 2017

2951 - HORAS DECISIVAS

Chris Pine, como Bernie Webber
HORAS DECISIVAS (THE FINEST HOURS, USA, 2016) – O filme relata os fatos ocorridos em 1952, quando uma tempestade deixou à deriva dois petroleiros no mar de Massachusetts, nos EUA, e a Guarda Costeira se viu diante de um resgate dramático no meio da noite. Um pequeno grupo se lança ao mar revolto, num barquinho um pouco maior do que uma Kombi, cujo capitão, Bernie Webber (Chris Pine, aproveitando certamente a “expertise’ de Kirk) faz tudo para chegar ao local do desastre. O roteiro entrega uma boa história de aventura, em que a superação das adversidades é o maior destaque. Claro que as cenas de ação são totalmente geradas por CGI, o empobrece visualmente o filme, mas que, reconheço, são absolutamente necessárias a uma trama que se passa no mar, durante uma tempestade. A água é um obstáculo que a tecnologia do cinema ainda não superou. Haja vista as cenas de chuva, sempre artificiais e inconvincentes.

sábado, 6 de maio de 2017

2950 - A AUTÓPSIA DE JANE DOE

      
Cox e Hirsh tentando entender o que o corpo quer revelar
A AUTÓPSIA DE JANE DOE (THE AUTOPSY OF JANE DOE, USA, 2016) - Brian Cox e Emile Hirsch são pai e filho que tocam um negócio há gerações na família – uma funerária que é também a morgue da cidadezinha em que eles moram, na Virgínia. Certa noite, um cadáver estranho vai parar lá: no porão de uma casa em que a polícia está investigando o massacre de uma família, descobre-se, meio enterrado no chão de terra, o corpo de uma jovem. Não parece haver nenhuma ligação entre ela e os crimes do andar de cima, mas o defunto é tão fora do comum que o xerife o despacha com urgência, já no meio da noite, para os legistas. É aí que o filme do norueguês André Ovredal começa a tomar forma de uma peça de câmara, tirando partido do ambiente claustrofóbico da morgue, do elenco enxuto – três personagens, sendo um dos quais está morto - , dos elementos sobrenaturais que o roteiro incorpora gradativamente e da atmosfera do terror que nos remete a produções da década de 70, quando a imaginação do espectador era constantemente instigada por diretores mais preocupados com uma história original e criativa do que com efeitos especiais que nem sempre contribuem para um bom filme. Eu esperava mais, no entanto, o filme é muito melhor que muitos outros mais badalados. Jane Doe é um nome genérico que a polícia americana dá a vítimas de crimes que devem ter sua identidade protegida ou que seja desconhecida.





quinta-feira, 4 de maio de 2017

2949 - O FILHO DE KONG

 
Kong Jr., sem rebeldia
     O FILHO DE KONG (THE SON OF KONG, USA 1933) – Depois do rastro de destruição que Kong deixou em Nova Iorque, era natural que Carl Denham (Robert Armstrong) fosse responsabilizado. Ele, então, decide fugir e voltar à ilha onde havia descoberto a sua criatura e, pasmem, lá encontra o filho de Kong, quase albino e muito mais gente boa. Tanto que é ele que ajuda os humanos a fugir de criaturas ameaçadoras e, no fim ainda tem um ato heroico digno de Hollywood. Este Kong “light” é um filme simpático, surfando, evidentemente, no sucesso de seu antecessor, mas sem o mesmo brilho. As limitações orçamentárias ficam evidentes nas cenas de ação, embora muitas delas sejam bem razoáveis para a época. É uma sequência fraca que nem de longe chega perto de outras memoráveis, como A NOIVA DE FRANKENSTEIN e O PODEROSO CHEFÃO II.  



quarta-feira, 3 de maio de 2017

2948 - NEGÓCIO DAS ARÁBIAS

    

NEGÓCIO DAS ARÁBIAS (A HOLOGRAM FOR THE KING, USA, Inglaterra, França, Alemanha, México, 2016) Acho que quase todo mundo concorda que Tom Hanks é obrigatório. No entanto, este filme não parece estar à altura de sua exitosa carreira, embora seja uma história simpática cujo interesse se deve muito às oníricas paisagens do Oriente Médio. Hanks é Alan Clay, representante de uma empresa americana que pretende vender um sistema holográfico de conferências a distância para o rei saudita. Um pouco desorientado por causa do choque cultural inevitável para um ocidental num país tão diferente, Alan acaba conhecendo a doutora Zahra (Sarita Choudhury), que o encanta com seu jeito direto e, ao mesmo tempo, melancólico. Hanks continua com seu carisma, aquela delicadeza incorruptível que ele passa com a certeza de quem viveu altos e baixos e que só conta com o otimismo para acordar e tocar o dia. Ele dá ao papel uma dignidade que excede a própria narrativa que, a meu ver, acaba muito abruptamente, como se o diretor Tom Tykwer (do fabuloso CORRA, LOLA, CORRA) quisesse dar um desfecho feliz a uma história apenas bonitinha.

terça-feira, 2 de maio de 2017

2947 - PHOENIX

       
Nelly e o marido que a denunciou
 PHOENIX (Alemanha, Polônia, 2015) - Phoenix, do diretor Christian Petzold (Barbara), nos leva a um momento posterior à II Guerra. Mais precisamente, numa Berlim arrasada pelas bombas, com destroços por todo canto e uma população obrigada a conviver com a ocupação americana, e tendo que elaborar os horrores do passado, que conhecemos Nelly Lenz ou, pelo menos, o que sobrou de sua vida. Sobrevivente de um campo de concentração, a cabeça toda enfaixada por ter seu rosto desfigurado, ela tenta sobreviver. Física e psicologicamente, pois ela sabe que terá que recomeçar a vida, ou os pedaços do que ainda resta dela, em meio ao caos do pós-guerra. O próprio título do filme aponta para o renascimento, embora Phoenix também seja, aparentemente, apenas o nome de uma boate presente na história. Da reconstrução facial vem o inevitável estranhamento com o novo rosto, irreconhecível para si mesma. O desespero em voltar a ser quem era a faz vagar pela cidade, sempre ansiosa, em busca de seu marido, Johnny, que não a reconhece. Novo golpe. A perda da identidade parece se redimensionar numa dor que não tem fim. Nelly quer ir em busca de seu marido Johnny, que ela não vê desde que foi presa e enviada para Auschwitz. Outra revelação: Johnny (Ronald Zehrfeld) é também um dos principais suspeitos de a ter delatado e de ser o responsável direto pela sua prisão. Achando que a esposa está morta e de olho na sua herança, Johnny chama Nelly para participar de um golpe e passa a “transformá-la” na sua esposa falecida. O jogo que se forma entre a verdadeira Nelly e a falecida esposa de Johnny é uma trama que fascina e incomoda. Mesmo sabendo que o marido teve culpa na sua prisão, Nelly, a mulher ainda apaixonada, se ilude com a esperança de ter sua vida de volta. Atenção para, no primeiro terço do filme, a impactante cena em que Nelly vê um cego tocando violino, sob a luz de um poste, tendo ao fundo os destroços de uma casa bombardeada. É o belo em meio à guerra. E, no fim, um soco no estômago.


segunda-feira, 1 de maio de 2017

2946 - DEXTER - TEMPORADA 4

   
Arthur e Dexter, nem tão diferentes assim
  DEXTER, TEMPORADA 4 (USA, 2009) – Vivendo seu disfarce mais perfeito – chefe de família, pai de três filhos, morando numa bela casa num subúrbio de Miami – o serial-killer mais amado do mundo tem dificuldade para encontrar tempo para sair matando as pessoas. Num cenário, assim, tão perfeito, entra na história o vilão Trinity que, na atuação impressionante do veterano John Lithgow, assume proporções realmente assustadoras. Trinity também é um serial-killer que segue um padrão há quase trinta anos, sempre matando três pessoas de cada vez, em situações semelhantes. O envolvimento de Dexter com Trinity (na realidade, Arthur Mitchell, sua identidade paralela) vai obnubilando seus cuidados com sua segurança e de sua própria família, deixando-o, pela primeira vez, vulnerável. De acordo com K. Araújo, o serial killer do alto de Olaria, esta é a melhor temporada da série. De fato, cada episódio é memorável, e a tensão vai crescendo até o desfecho épico que sinaliza os caminhos que Dexter há de seguir no futuro. Michael C. Hall ganhou um Grammy e um Globo de Ouro por sua atuação perfeita, liderando um elenco sensacional que cativa a cada temporada. Dexter é um dos personagens mais perturbadores da TV americana: um sujeito que busca se equilibrar entre a atividade de psicopata homicida e uma vida politicamente correta. A chegada do seu primeiro filho é o tema que perpassa essa temporada e que contribui para aumentar ainda mais a confusão existencial de Dexter, já que a realidade, com todas as suas imposições, insiste em fazer dele um homem normal.