sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

2562 - A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS

 
A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS (AROUND THE WORLD IN 80 DAYS, USA, 1956) – Este clássico infelizmente se tornou quase impossível de ser assistido de uma sentada só hoje em dia. Uma das razões – e, talvez, a principal – é a lentidão da narrativa por quase três horas, sendo que várias sequências se arrastam, quase sem diálogos, e sem um significado direto na trama. Phileas Fogg (David Niven, perfeitamente fleumático), um britânico rico e metódico, aposta com seus pares de clube, que vai dar a volta ao mundo em 80 dias. Planeja cada etapa da viagem com seu empregado, Passe-partout (Cantinflas), responsável pela parte humorística da empreitada. Foi o primeiro filme a incluir “cameos” na história. Por exemplo, em rápidas participações, podemos ver Frank Sinatra, Charles Boyer, Cesar Romero, Peter Lorre, Shirley MacLaine, Marlene Dietrich, Buster Keaton, entre outros.   

2561 - INFERNO NO OESTE

INFERNO NO FAROESTE (DEAD IN TOMBSTONE, USA 2013) – Aproveitando a fama construída nos filmes de Robert Rodriguez, Danny Trejo desfila sua feiura pétrea neste filme com o mesmo personagem de sempre: um matador truculento, que vai até o fim para conseguir seus objetivos. Eles, neste caso, se resumem à vingança sanguinária em relação aos ex-companheiros de ladroagem que o mataram depois de saquear uma cidade. Sim, você leu direito: ele foi morto e volta ao mundo dos vivos pela mão do próprio diabo, vivido (ou morrido) pelo morto-vivo Mickey Rourke. Tudo bem surreal (ao estilo de Rodriguez). A fotografia é excelente.

2560 - FORA DE RUMO


FORA DE RUMO (DERAILED, USA, 2005) – Revi o filme para checar se a atuação de Jennifer Aniston tinha sido acima da média dos seus outros filmes, nos quais ela não consegue se desgrudar da Rachel, de FRIENDS. Neste, de fato, ela tem uma boa atuação, mais segura, num personagem difícil, meio dúbio, ao mesmo tempo sedutor e desprotegido. Mas é Clive Owen que faz de cada cena sua uma aula de contenção dramática tão intensa, que acaba nos arrastando com ele até o desfecho cheio de licenças poéticas. Owen já deu mostra de seu imenso talento no thriller policial de Spike Lee, O PLANO PERFEITO, onde passa a maior parte do tempo com uma máscara, atuando só com os olhos. Em FORA DE RUMO (a tradução está perfeita), ele é um marido que tem um caso com uma estranha (Aniston) que conhece num trem (daí o título original).


2559 - HENDRIX



HENDRIX (HENDRIX, USA 2000) – Cinebio de Jimi Hendrix bem didática, enfocando seus primeiros e últimos anos como guitarrista. Nota-se que sua música não ficou bem representada, embora o ator que o interpreta, Wood Harris, tenha feito um bom trabalho na caracterização. O filme tem como fio condutor uma suposta entrevista, na qual ele conta como foi sua trajetória, até aquele momento, já às vésperas de sua morte. Fica-se com a impressão de que Hendrix merecia mais.



 

 


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

2558 - LOUCA ESCAPADA

LOUCA ESCAPADA (THE SUGARLAND EXPRESS, USA 1974) – Estreia de Steven Spielberg num filme para cinema (os anteriores, como o magistral DUEL, forma feitos para a TV). Aqui, alguns temas recorrentes nas obras posteriores de Spielberg já podem ser vistos: uma família desestruturada, pais querendo recuperar filhos, pessoas à margem da sociedade mas que possuem um “coração de ouro”, um humor meio melancólico e, claro, soluções geniais para sequências que, nas mãos de outros diretores mais inábeis, teriam ficado horríveis. Baseada em fatos que realmente ocorreram, LC é um road movie por excelência: um presidiário foge com a esposa, para tentar reaver o filho, criado por um casal, devido a uma ordem judicial. Na fuga, acabam ganhando a simpatia e a solidariedade das pessoas por onde passam. Goldie Hawn, com sua espontaneidade juvenil, está muito bem. Apesar de um pouco longo, o filme ainda conserva uma ingenuidade cativante, ao mostrar a missão quixotesca dos personagens e uma risível incompetência da polícia para resolver um caso banal.  

domingo, 15 de fevereiro de 2015

2557 - SEM EVIDÊNCIAS


 SEM EVIDÊNCIAS (DEVIL’S KNOT, USA, 2013) – Num enfoque de documentário, o filme conta a história real de três meninos que foram assassinados num rito satânico, em uma cidade do interior dos Estados Unidos. A narrativa passa também pelo julgamento de três adolescentes, suspeitos da autoria dos crimes, e da obstinação de um advogado (Colin Firth, meio deslocado, mas convincente) para prova a inocência deles. Reese Witherspoon mostra, mais uma vez, que é uma excelente atriz, no papel sofrido da mãe de uma das crianças.  


 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

2556 - O PODEROSO CHEFÃO II





O PODEROSO CHEFÃO II (THE GODFATHER II, USA 1974) – Sempre que revejo os dois filmes em sequência, como fiz agora com Giovanni, fico na dúvida de qual é o melhor. O primeiro GODFATHER é perfeito, tem uma narrativa linear, clássica e, claro, Marlon Brando. Nesta sequência, que para muitos supera o filme original, Coppola estende o desespero e o niilismo da saga dos Corleones. Fico na dúvida, confesso (o que não é um problema, pois adoro dúvidas). Esta continuação é toda assombrada pelo espectro do primeiro filme. Por isso, é mais sombrio, profundo e possivelmente mais envolvente na sua elaboração de como a corrupção gerada pelo poder resulta em uma completa decadência moral. As sequências, os planos gerais, a temática do controle absoluto sobre tudo e sobre todos refletem deliberadamente o original, mas, durante o filme, sentimos que a história é mais triste e levada a uma escala muito maior, em função dos flashbacks complexos – e ao mesmo tempo naturais – que entrelaçam os dois Corleones, Vito (Robert De Niro) e Michael (Al Pacino). Vemos Michael se dilacerando aos poucos. Sua irmã o odeia pela morte do marido, seu irmão o trai, sua esposa tem medo e seus filhos são muito pequenos para entender o que se passa naquele universo de desconfiança e isolamento. Michael vai ficando cada vez mais só, à medida em que ganha poder, ao contrário de seu pai, que era sozinho e vai se tornando um homem cercado de pessoas que o amam, o admiram ou o temem. Mais uma vez o fechamento dos ciclos é cuidadosamente construído, como na cena final, em que Michael tem de decidir por um caminho que, mais uma vez, o leva à sua inexorável solidão. Uma aula de cinema – esta é que é a verdadeira realidade. 


 
 
 

 

2555 - A FAMÍLIA


A FAMÍLIA (MALAVITA, França, USA, 2013) – Com este filme, Luc Besson recupera, de certa forma, o talento que parecia meio perdido com filmes como CARGA EXPLOSIVA e BUSCA IMPLACÁVEL. A FAMÍLIA é uma comédia de humor negro, gênero que geralmente polariza as opiniões – uns adoram, e outros detestam (talvez porque não consigam entender o “espírito da coisa”). Também ajuda a atuação, desta vez marcante, de Robert De Niro, e de Michelle Pfeiffer. Não gosto muito de Robert De Niro em comédia, mas acho que, desta vez, ele acertou no tom. Ele é Giovanni Manzoni, mafioso que anos antes dedurou seus parceiros de crime e, desde então, vive no programa de proteção a testemunhas do FBI, rodando de localidade em localidade, com a mulher (Pfeiffer) e os filhos. A chave da graça está no fato de a família Manzoni não perde dos hábitos violentos até na hora de tratar dos assuntos mais comezinhos e, por isso, tem de ser arrancada às pressas de seus esconderijos pelo resignado agente Stansfield (Tommy Lee Jones, completamente subaproveitado). Há bons momentos no filme. Um deles, talvez o melhor, é a presença da belíssima Dianna Agron, que faz a filha de Giovanni. Egressa de GLEE, ela surpreende nas cenas em que mostra toda sua raiva e um sorriso matador, totalmente condizente com o clima de um filme sobre mafiosos. 








2554 - O CHAMADO 2


       O CHAMADO 2 (THE RING 2, USA, 2005) – Se o primeiro filme já não foi lá essas coisas, esta sequência só poderia mesmo ficar muito aquém de qualquer expectativa. Apesar de Naomi Watts voltar ao papel, o roteiro ficou meio previsível, na linha da vingança de Samara – a garotinha-fantasma do primeiro filme. O diretor, desta vez, é o mesmo do original japonês, que é muito legal. Porém, ele perde a mão e acaba fazendo mais um daqueles remakes americanos com todos os defeitos que já conhecemos.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

2553 - OS SUSPEITOS

OS SUSPEITOS (PRISIONERS, USA, 2013) – Depois que sua filha de quatro anos desaparece com a amiga, filha do casal em cuja casa todos estavam, há pouco, comemorando o Thanksgiving, Keller Dover (Hugh Jackman) vai fazer de tudo para encontrá-la, até passando a agir com violência contra quem ele considera suspeito. Este é o ponto de partida para o tenso filme de Denis Villeneuve, cineasta canadense do espetacular INCÊNDIOS, que se aventura, sempre conscientemente, no delicado terreno da violência contra crianças e na discussão sobre se é aceitável descartar as regras e avançar nas trevas. No filme, veem-se penumbras em toda parte: na cinematografia em cinza, marrom e chumbo do grande Roger Deakins e nas zonas de sombra dos personagens principais, como por exemplo, no olhar ao mesmo tempo compassivo e discernidor do detetive tão bem interpretado por Jake Gyllenhaal. Vale cada trincada de dente do espectador, diante de uma trama interessante e, ao mesmo tempo, perturbadora.  

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

2552 - NÁUFRAGO


NÁUFRAGO (CASTWAY, USA 2000) – Sempre que revejo NÁUFRAGO, me vem à cabeça a dúvida se o filme ajuda na resolução da crença de que a solidão é algo a ser evitado a todo custo, mesmo que você esteja isolado numa ilha deserta no meio do Pacífico. Continuo achando que a história apenas reforça a dependência afetiva e a coloca como parte inevitável do processo existencial. Apesar disso, considero NÁUFRAGO um grande momento cinematográfico, principalmente pela atuação corajosa e imersiva de Tom Hanks. Além do mais, talvez seja o único filme no qual o merchandising está colocado de forma perfeita, em total consonância com o roteiro. Afinal, FedEx e a fábrica de material esportivo Wilson não poderiam estar mais de acordo com o que se passa com o protagonista vivido por Hanks, Chuck Noland, alguém que não tinha tempo para nada, mas que passa a ter todo o tempo do mundo, ao se ver perdido no meio do oceano. O mito do náufrago representa um medo primal, perene e agorafóbico, e o diretor Robert Zemeckis mostra isso muito bem, a começar pela até hoje impressionante cena da queda do avião, durante uma tempestade. Na ilha, só se ouvem as ondas batendo à praia, enquanto Chuck começa a desenvolver uma relação de amizade com a bola de vôlei adequadamente batizada de Wilson. Devo dizer que Wilson se mostra um ator nato e só precisou de uma mãozinha para roubar as cenas em que contracena com Hanks. A sequência em que ele arranca o próprio dente infeccionado, com a ajuda da lâmina de um sapato de patinar no gelo, ainda é a que mais me impressiona. É também interessante como o diretor enfoca a feitichização dos objetos que, ao fim, mantêm Chuck vivo no meio do nada. No mais, NÁUFRAGO é também uma história de um reencontro amoroso – Chuck estava prestes a casar com Kelly (Helen Hunt, seca, como sempre) -, e isso é sempre um perigoso retorno às saudades adormecidas. Neste aspecto, o filme nos deixa com a sensação de que o tempo pode ter efeitos diversos nas pessoas que se amavam e que, por algum motivo, nunca mais se viram. Um outro aspecto do roteiro é a capacidade de adaptação exercida num ambiente tão belo quanto hostil – Chuck tem sucesso nesta empreitada, mas, paradoxalmente, não consegue os mesmos resultados na sua volta à civilização. Uma vez salvo, ele se mostra com uma expressão distante de tudo o que o cerca e que traduz a traumática experiência que o separou do mundo em que estava o grande amor de sua vida. Percebe-se que, dali para adiante, uma parte essencial dele ainda viverá solitariamente naquela ilha, onde ele tinha o amor de Kelly, representado na sua foto na tampa do relógio de bolso que ele nunca abandonou. 


2551 - E AGORA, MEU AMOR?


E AGORA, MEU AMOR? (FOOLS RUSH IN, USA 1997) – Matthew Perry (o Chandler, de FRIENDS) e Salma Hayek protagonizam esta comédia bem fraquinha, na qual, no entanto sobressai o talento (sempre subutilizado) da mexicana de Coatzacoalcos. Perry, de certa forma, repete a fórmula vencedora de Chandler, com os mesmos trejeitos e chistes que lhe deram fama. O roteiro explora o manjadíssimo choque de culturas, o que, convenhamos, mesmo na época, já deveria ter sido evitado, pois acentua os estereótipos e procura mostrar uma suposta superioridade americana. A fotografia é excelente, e o cenário natural do Grand Canyon é sempre arrebatador.



















 
 
 


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

2550 - O CHAMADO

O CHAMADO (THE RING, USA 2002) – Eu já tinha esquecido a maior parte deste filme. Só o revi agora, porque é dirigido por Gore Verbinsky, de PIRATAS DO CARIBE e o sensacional RANGO. Revisto hoje, percebo que ainda mantém um bom ritmo e mostra Naomi Watts com a competência de sempre. No entanto, percebe-se que o tempo passou quando nos damos conta de que a história é sobre uma fita de vídeo ( ! ) amaldiçoada que condena a morte, depois de sete dias, que assistir ao seu conteúdo.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

2549 - AMOR BANDIDO



AMOR BANDIDO (MUD, USA, 2012) – Este é um filme emocionante e imperdível. Melhores amigos, Ellis (Tye Sheridan) e Neckbone (Jacob Lofland), de 14 anos, descobrem num trecho do Rio Mississipi um barco encarapitado em uma árvore de uma ilha deserta, e que há alguém morando ali: Mud (Matthew McConaughey), um sujeito fustigado pela vida dura e tanto mais sedutor por ter algo de sinistro. Ellis, porém, se afeiçoa ao estranho, que é para ele uma versão mais misteriosa e rebelde de um pai (o seu próprio, interpretado pelo ótimo Ray McKinnon). Ellis logo descobre que a polícia procura por Mud, que tem atrás de si uma complicada história de amor. E é aí que o filme encontra sua beleza. Mud pretende reencontrar sua namorada, Juniper (Reese Witherspoon, sem ter espaço para mostrar seu talento) - e é isso que causa mais comoção em Ellis, que está apaixonado por uma menina mais velha. O plano de Mud é retirar o barco da árvore e fugir com Juniper. Aos poucos, o diretor Jeff Nichols revela que este é um filme sobre amor, vários tipos de amor: Mud e Juniper, a amizade entre Ellis e Neckbone, os pais do garoto. Amores que precisam de concessões para se manter vivos. O diretor, que também assina o roteiro, parece acreditar que as pessoas são fruto, entre outras coisas, de seu espaço. E, se, na reta final, aparecem histórias demais em "Amor bandido", a delicadeza do filme compensa o acúmulo. O garoto Tye Sheridan entrega uma atuação verdadeira e comovente e se consagra como revelação. McConaughey soma mais um desempenho lapidar nesta fase anterior ao seu Oscar do ano passado.



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

2548 - FOREVER


FOREVER (USA, 2014) - First of all, the acting, especially that of Ioan Gruffudd, is just fantastic. The cast has great on-screen chemistry. All of them, especially Gruffudd, are so charismatic in their roles. They make fans care about the characters and what happens to them. The writing is great. It is exciting, emotional, funny, and cinematic and keeps viewers on the edges of their seats. Also, each episode carries a message of hope and the advice that life should be cherished and never taken for granted. With all the suffering in this world, with all of the challenges we all face, that is a wonderful message and a wonderful piece of advice to receive. Also in regards to the writing, the characters all stand out as individuals. They all have their own personalities, thus each of them brings something to the table, so to speak. Fans are able to love them all equally because they are all different. Forever also stands out against other procedurals because Henry Morgan is immortal. It has a supernatural element to it. No other procedural airing right now can claim that. The show's mystery element is also great. How did Henry become immortal? Who or what cursed him? Will he ever figure out how to break his curse? If he does, what will he do? And just who is Adam? What does he want from Henry? How did he even find out about Henry? How did he come to know that Henry is afflicted with the exact same curse? These questions the show has posed keep viewers on the edges of their seats!

sábado, 31 de janeiro de 2015

2547 - VOCÊ É O PRÓXIMO


    VOCÊ É O PRÓXIMO (YOU’RE NEXT, USA 2011) Apesar de muitas críticas positivas (que não fazem sentido para mim, confesso), o filme é mais uma versão da velha história de um grupo de pessoas, numa casa isolada, que é atacado por assassinos usando máscaras de bichinhos. A premissa, como se vê, é pouco original, o elenco, todo desconhecido, não tem muito trabalho além de morrer em cena e o twist final, que seria a grande sacada do filme, é fraco e não justifica o esforço que fiz esperando qual alguma coisa acontecesse. Não seja o próximo.  
 

2546 - DIVERGENTE

DIVERGENTE (DIVERGENT, USA 2014) – Entre os filmes que tratam do futuro distópico, este aqui é, sem dúvida, um dos piores. Na onda do paupérrimo JOGOS VORAZES, com uma abordagem juvenil na qual aparece, do nada, uma heroína adolescente, DIVERGENTE é mais um exemplar da subliteratura que anda alimentando as mais recentes “trilogias” do cinema americano. Este filme consegue ser ruim em tudo: atores jovenzinhos que não saber atuar, diálogos risíveis e um roteiro com mais furos que um queijo suíço. A história é tão boba que nem vale a pena contá-la aqui. O que merece ser registrado é o roteiro fraco e demasiado explicativo, caracterização esquemática, ação quase sempre decepcionante, falta de estilo e de imaginação. Se cada vez mais as jovens heroínas proporcionam lucros opulentos aos estúdios, a paciência de quem considera o cinema o conjunto de todas as artes vai, gradativamente, se esgotando.  
 

2545 - O ATENTADO

 
O ATENTADO (THE ATTACK, França, 2012) – O renomado cirurgião árabe Amin Jaafari vive em Israel e tem um casamento feliz com Siham, uma cristã palestina. Até que recebe a notícia de que uma bomba explodiu num restaurante, matando e ferindo dezenas de pessoas, inclusive crianças. Seu mundo rui quando é informado de que a responsável pelo atentado foi sua mulher. Inicialmente, Amin se recusa a acreditar nas autoridades israelitas, mas começam a surgir provas inegáveis de que Siham foi mesmo a autora da explosão. Ao se dirigir para a Cisjordânia, onde se encontra com um cunhado e dois sobrinhos (um deles envolvido com a organização de Siham), o cirurgião fica chocado ao descobrir que a falecida mulher é venerada como uma mártir pelo povo local. A convivência de Amin com a imagem da esposa é muito interessante, sempre procurando proteger as boas memórias que guarda dela e os retratos físicos da amada, algo visível quando pega na moldura com a fotografia de Siham que se encontrava no chão e a coloca à mostra na estante. Mais do que uma mera fotografia, este retrato conserva uma imagem de momentos de felicidade, de um casamento marcado por um segredo devastador descoberto no leito da morte, mas um notório amor e cumplicidade durante a vida. O diretor Ziad Doueiri aborda estas temáticas de forma humana e delicada, explorando as intolerâncias mútuas entre israelitas e palestinianos, mostrando que muito os divide e pouco os parece conduzir a uma paz, conduzindo a ataques extremistas como o protagonizado por Siham. Sem criticar os personagens que permeiam a narrativa, nem fazer a apologia dos mesmos, Ziad Doueiri exibe em "O Atentado" que existe algo de muito mais complexo para além dos estereótipos associados aos ataques terroristas e às questões relacionadas com Israel e Palestina. O filme revela-se uma obra competente e intrigante, capaz de abordar questões polêmicas e delicadas, enquanto mostra um marido que procura preservar as memórias da sua esposa e preencher os espaços em branco de um casamento terminado de forma dolorosa e sentida.

2544 - O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA 2


O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA 2: A AMEAÇA DE ELECTRO (THE AMAZING SPIDERMAN 2, USA 2014) – Assim como o anterior, este Homem-Aranha é péssimo, na minha opinião. O filme é todo ruim, da direção dos atores ao roteiro, passando pela descaracterização do personagem. A escalação de Andrew Garfield é totalmente equivocada, assim como a de todo o elenco. O que fizeram com Jamie Foxx, por exemplo, é inimaginável – ele, que é um ótimo ator, está completamente perdido na composição do vilão da vez. Emma Stone também parece não saber o que fazer em cena. Os efeitos especiais não funcionam. O filme é um desastre, os diálogos são pobres, a direção simplesmente parece não existir e, no fim, a gente só fica com mais saudade dos primeiros filmes com a direção de Sam Raimi e com Tobey Maguire no papel principal.
 

2543 - THE WALKING DEAD - 3.a TEMPORADA

 
THE WALKING DEAD, 3.a TEMPORADA - Na trama, após o confronto com os errantes na fazenda de Hershel e o desencontro com Andrea na fuga, Rick e o grupo de sobreviventes decidem se instalar em uma prisão. Com a proteção das grades, o local parece ser ideal para se proteger dentro do mundo dominado por mortos-vivos. Logo descobre-se que não muito longe dali existe uma cidadezinha chamada Woodybury, comandada por um homem intitulado de Governador. À medida que as situações vão surgindo e personagens vão de encontrando, vem à tona que o local vive de aparências e sobre a fragilidade de um homem doentio. Quando Governador acaba descobrindo a existência do grupo de sobreviventes na prisão, sente-se ameaçado e decide então, cravar uma sanguinária guerra onde os errantes parecerão ameaçadas inofensivas.

2542 - CLUBE DE COMPRAS DALLAS

 
CLUBE DE COMPRAS DALLAS (DALLAS BUYER’S CLUB, USA 2013) – Matthew McConaughey realmente mereceu o Oscar de Melhor Ator pelo papel de Ron Woodroof, um caubói urbano promíscuo, ignorante e preconceituoso que, em 1985, descobriu que estava no estágio terminal da Aids. Os médicos lhe deram um mês de vida. De pura teimosia, ele sobreviveu sete anos, nos quais se tornou um ativista na busca de um coquetel de medicamentos e um filantropo na sua distribuição. Jared Leto também arrasa como o travesti com quem Ron se associa na montagem do Clube de Compras do título. O filme – e o Oscar, claro – marcam uma guinada na vida profissional de McConaughey, antes tido apenas como um ator meio preguiçoso que se fiava mais no gesto de tirar a camisa em cena do que em dar um show de interpretação, como faz aqui.

2541 - O PODEROSO CHEFÃO


O PODEROSO CHEFÃO (THE GODFATHER, USA 1972) – O filme é sobre um conflito dentro da máfia, e este é o palco que Coppola usa para exibir o que realmente lhe interessa: lealdade, família e, o mais importante, poder. Um dos truques mais hábeis de Coppola é como ele cria empatia pelos heróis, nos levando a ter uma ligação intensa com eles. Isso é conseguido limitando o âmbito do filme, boa parte do qual se passa em um cenário de família, casamento, batismo e reuniões de negócio. Mas THE GODFATHER vai muito além disso. Já se tornou uma lenda que ultrapassa o cinema como história cheia de tiroteios de gângsteres, brigas e rivalidade. Por trás das câmeras havia tanta ação como na frente dela, com mafiosos reais no set, ameaças de morte enviadas para os produtores, e outros mistérios que talvez tenham sido elementos chave para que o filme passasse uma sensação tão autêntica, que parece que estamos vendo a vida real da janela de nossa casa. Clássico dos clássicos.

2540 - CBGB: O BERÇO DO PUNK ROCK

 
CBGB: O BERÇO DO PUNK ROCK (CBGB, USA, 2013) - Filme sobre o famoso clube de punk rock de Nova York, CBGB, com foco na vida de Hilly Kristal, seu fundador. A casa, que foi fechada em 2006, testemunhou o nascimento de grandes nomes da cena musical, como Ramones, Talking Heads, Patti Smith, Blondie, The Dead Boys e Misfits. Não tem lá muito interesse para quem não está familiarizado com o universo punk da década de 70, mas é bem feito e, de acordo com as críticas, bem fiel ao que aconteceu. Dá para ver o início de THE POLICE. Alan Rickman arrasa, mais uma vez.

2539 - INSÔNIA

INSÔNIA (INSOMNIA, USA 2002) – Mais uma vez, Al Pacino mostra que é um dos maiores atores do mundo, de todos os tempos. Neste filme de Christopher Nolan, ele é Will Dormer (sim, o nome é uma provocação), um detetive de Los Angeles que vai ao Alaska investigar o assassinato de uma adolescente. Chega ao culpado, um escritor esquisitão vivido com surpreendente contenção por Robin Williams. Clássica, mas não convencional, INSÔNIA é uma espécie de noir branco: seus personagens são repletos de zonas escuras, mas tentam escondê-las da melhor forma possível sob a luz onipresente do Àrtico. Hillary Swank, talentosa e incomumente bela num uniforme de polícia, está encantadora ao acompanhar com admiração e doçura os passos de Dormer em direção à resolução do crime e de seus próprios fantasmas.  

2538 - CHARLIE CHAN - CRIME EM NOVA IORQUE


CHARLIE CHAN – CRIME EM NOVA IORQUE (MURDER IN NEW YORK, USA 1940) – Another entry in the series of Charlie Chan movies finds the Asian detective (Sidney Toler) in New York to attend a police convention with his young son (Victor Sen Yung). While there, he begins investigating a case involving sabotage and murder in the airline industry. What caught my attention here is a small part with Shemp Howard, one of the original Stooges. As always, Toler is great at the role, delivering the lines wittily.

2537 - O ULTIMATO BOURNE


O ULTIMATO BOURNE (THE BOURNE ULTIMATUM, USA, 2007) – Se o primeiro filme fazia uma indagação existencial – “quem sou eu?” -, e, no segundo, tudo girava em torno de um dilema moral – “o que eu fiz?”, neste, agora, Jason Bourne passa à etapa seguinte desse questionamento. Bourne quer deixar de ser quem é e, para isso, precisa descobrir como foi criado. Um agente secreto em crise moral e missão de vingança é um artigo perigoso, e há muita gente que deseja mata-lo. Assim, movendo-se por instinto e por reflexo, ele precisa ser, mais do que nunca, uma arma absolutamente mortífera. Este ritmo incessante passou a ser a marca característica da série que, em muito, deve seu sucesso ao seu protagonista – Matt Damon. Com os cabelos curtos, o rosto liso, o físico ágil e compacto, Damon parece ter sido escolhido por suas características aerodinâmicas. Mas ele vai além deste aspecto exterior. Criar um personagem tão sólido a partir de tão pouco é trabalho para um ator que, mais que tudo, emana autenticidade. Seja como Bourne, ou como um viúvo, dono de um zoológico decadente, em COMPRAMOS UM ZOOLÓGICO, Damon é um daqueles astros que vendem um artigo raro nas atuações da maior parte das celebridades de Hollywood: a verdade de seu personagem, seja ele qual for. 

2536 - A SUPREMACIA BOURNE

 
A SUPREMACIA BOURNE (THE BOURNE SUPREMACY, USA 2004) – Acelerado e frenético, esse segundo filme se inicia dois anos após o primeiro. Jason Bourne se determinou a abandonar de vez o seu passado, mantendo uma existência anônima em detrimento de qualquer tipo de estabilidade. Motivado por fragmentos de pesadelos e assombrado por um passado que não consegue lembrar, Bourne vai se mudando com Marie de cidade em cidade, tentando se manter um passo à frente da ameaça de ser levado de volta a um mundo que espera ter deixado para trás, implícita em olhares inexplicáveis de cada estranho e em telefonemas recebidos por engano. Quando um agente aparece na tranquila vila onde estão vivendo, Bourne e Marie abandonam suas vidas e fogem. Com o passado batendo à sua porta, a única opção é correr. Mas depois que são feitas as apostas num novo jogo internacional de perseguição, aquele Jason Bourne criado pela Treadstone — uma operação secreta envolvendo assassinos profissionais de sangue frio — volta à ação. Não há como não se deixar tocar pela história de Bourne – especialmente por causa de Matt Damon -, sempre marcada por enormes perdas que nem sua amnésia é capaz de aliviar. Na cena aí do lado, um dos momentos mais tristes da narrativa: Bourne, após o assassinato de Marie (Franka Potente), queima fotos, cartas, tudo enfim que registra a presença dela em sua vida. Já vi este filme.

2535 - A IDENTIDADE BOURNE

 
A IDENTIDADE BOURNE (THE BOURNE IDENTITY, USA, 2002) - In Jason Bourne the movies have a fascinating new anti-hero. Portrayed definitively by Matt Damon, Bourne, the cool and methodical star of author Robert Ludlum's trilogy, is a worthy addition to the list of memorable screen assassins. After a turbulent production, which began without a completed script, the knives were being sharpened in anticipation of the film's failure, but whatever problems existed in its making were not in evidence on screen. The Bourne Identity is a hugely entertaining and absorbing action thriller. It is possessed of a rare intelligence, style and irreverent wit that places it head and shoulders above its labored and clichéd counterparts. Compelling, fascinating and with a great deal to be discussed, THE BOURNE IDENTITY is the beginning of one of the most perfect trilogy in action thrillers.


2534 - O HOMEM MAIS PROCURADO

O HOMEM MAIS PROCURADO (A MOST WANTED MAN, USA, Inglaterra e Alemanha, 2014) – No seu último filme completo, Philip Seymour Hoffman se entregou por inteiro no papel de Günther Bachmann. A serviço do departamento de espionagem alemão, ele investiga os passos de Issa Karpov, um checheno mulçumano que chegou clandestinamente a Hamburgo e, segundo informações, pode estar envolvido com terroristas islâmicos. Bachmann é cauteloso na apuração dos fatos, mesmo pressionado por mandachuvas da CIA. Descobre, então, que Karpov, auxiliado por uma advogada especializada em imigração ilegal (Rachel McAdams, cada vez mais linda, como pode?), está tentando entrar em contato com um poderoso banqueiro (Willem Dafoe) a fim de reaver a fortuna deixada por seu pai. Arrasador, o desfecho faz uma crítica à prepotência dos americanos.   
 

2533 - CONEXÃO PERIGOSA


CONEXÃO PERIGOSA (PARANOIA, USA 2013) – Apesar da presença de dois astros – Harrison Ford e Gary Oldman – este pode ser considerado um dos piores filmes de todos os tempos. Previsível, sem graça, com diálogos toscos, coadjuvantes em ponto morto e um protagonista, Liam Hemsworth, que simplesmente não sabe atuar. Além disso, o título original sugere uma coisa que inexiste na história: paranoia. Pelo menos, o título em português aponta para uma leve conexão com o roteiro fraco e sem originalidade que gira em torno de empresas de telefonia móvel. Amber Heard é bonita e sexy, mas parece não ter outras credenciais artísticas, além de ser namorada de Johnny Depp. Tudo muito constrangedor.