quinta-feira, 29 de março de 2018

3061 - THE CLOVERFIELD PARADOX

   
THE CLOVERFIELD PARADOX (USA, 2016) – Não é à toa que a Paramount se livrou deste desastre: CP é uma mixórdia de elementos de ficção científica que não faz o menor sentido, neste ou em qualquer outro universo paralelo. É um amálgama de lógica de botequim, uma coleção de interpretações risíveis e uma enxurrada de diálogos constrangedores. Tem-se a impressão de que o filme foi desenvolvido equivocadamente, executado de forma tosca e jogado no cardápio de vidro moído da Netflix, sem qualquer aviso de insalubridade cinematográfica ao espectador. Se eu entendi direito, CP era para fazer parte do “universo Cloverfield”, cujo primeiro filme, de 2008, é simplesmente horrível; seguido pelo ótimo CLOVERFIELD 10, com John Goodman. Mas o fato é que PARADOX já começa mal das pernas como sci-fi da periferia e uma trama destruída por um contexto científico mais acanhado do que as feiras de ciência no antigo Colégio Estadual. Ou seja, pela premissa, PARADOX até que daria um bom episódio de BLACK MIRROR, mas se perde em tantos absurdos, que ficaria desataviado até num longa de Mr. Bean. Maurício, mais uma vez, acertou na análise.




3060 - KRAMPUS - TERROR DE NATAL

   KRAMPUS – O TERROR DO NATAL (KRAMPUS, USA, 2015) - Uma família extremamente desunida se junta para passar mais um tortuoso Natal repleto de desavenças. Max, o caçula, meio de saco cheio de tudo aquilo, acaba invocando um antigo espírito que, nas lendas, acompanha o Papai Noel punindo todos aqueles que não acreditam no espírito natalino. Aos poucos, os enfeites e símbolos icônicos da data festiva começam a ganhar vida de forma monstruosa, ameaçando a todos e forçando os parentes a unir forças para sobreviver. O ritmo do filme é irregular, sem maiores apelos do gênero e se perde entre o horror fraco e a comicidade involuntária. O tema da família disfuncional volta a ser explorado, mas sem brilhantismo e competência. É curioso que o filme tenha tido tantas críticas favoráveis; curioso e meio desalentador, pois comprova que a plateia, em geral, não faz mesmo questão de um produto de qualidade.

segunda-feira, 26 de março de 2018

3059 - ENCONTRO MALIGNO


ENCONTRO MALIGNO (MEETING EVIL, USA 2012) – O desenxabido Luke Wilson é o ex-agente imobiliário John que, um dia, atende à porta e é surpreendido pelo sujeito que irá mudar sua rotina. Após mais uma derrota no difícil ramo do "real estate", ele está desempregado, sem esperanças alguma de conseguir algo melhor na vida e se dedicar à sua família. O estranho Richie (Samuel L. Jackson, botando ressentimento pelo ladrão) pede ajuda para empurrar seu carro, aparentemente sem combustível, e o leva para uma viagem infernal pela região, matando todos que o incomodam. O interesse se mantém até a metade do filme, mas logo depois percebemos que este é um daqueles filmes com o final meio em aberto em que o vilão é quase uma entidade maléfica e o roteiro se equilibra entre o clichê o maniqueísmo previsível.

domingo, 25 de março de 2018

3058 - REGRESSO DO MAL

Cage, ainda tentando...
     REGRESSO DO MAL (PAY THE GHOST, USA 2015) - Ainda sou um daqueles que acreditam em Nicolas Cage. Ultimamente, sua carreira tem sido caracterizada por filmes muito ruins. De vez em quando, ele acerta uma, como é o caso de JOE (2013), em que ele tem uma atuação realmente memorável. Aqui, em REGRESSO DO MAL, ele parece se esforçar, mas o personagem não ajuda muito nem o roteiro pouco original: ele faz um pai que perde o filho numa noite de Halloween e descobre que um espírito maléfico anda sequestrando crianças sabe-se lá para quê. Nada memorável, REGRESSO DO MAL é um passatempo desenxabido para quem estiver disposto a perder 1 hora e 34 minutos com mau cinema.   

quinta-feira, 22 de março de 2018

3057 - 99 CASAS

Garfield e Shannon, sensacionais...
     99 CASAS (99 HOMES, USA 2016) – Esta é a segunda vez em que Andrew Garfield me convence de que é um bom ator. A primeira foi em ATÉ O ÚLTIMO HOMEM. Aqui, ele tem um personagem interessante que lhe permite uma atuação marcante: despejado de sua casa, onde mora com o filho e a mãe (Laura Dern) pelo agente imobiliário Rick Craver (Michael Shannon, incontrolável), Dennis Nash (Garfield) se vê diante da possibilidade de se corromper e dar uma vida melhor à família. Ao abordar este dilema ético, o diretor Ramin Bahrami vai fundo no universo do selvagem mercado imobiliário americano, durante a crise econômica de 2008. Só pelas cenas em que as pessoas irradiam desespero ao ser despejadas de suas casas, este filme já seria um caso à parte, mas as atuações viscerais de Shannon e Garfield fazem deste filme meio esquecido no cardápio da NETFLIX um programa imperdível. 

terça-feira, 20 de março de 2018

3056 - PELÉ: O NASCIMENTO DE UMA LENDA


   PELÉ: O NASCIMENTO DE UMA LENDA (PELÉ: BIRTH OF A LEGEND, USA 2106) – Imagine um filme ruim, mas muito ruim mesmo. Então, veja este aqui e convença-se de que nada poderia ser pior. O longa, que pretende contar a história do jovem Edson Arantes do Nascimento, desde sua infância pobre até a participação no primeiro título do Brasil na Copa do Mundo de 1958, quando tinha apenas 17 anos, começa de forma alvissareira: Pelé ouve transmissões de rádio que dizem o quanto a Seleção é fraca, desacreditada e que não tem chances de vencer a partida decisiva contra a União Soviética. Um corte, e ele se vê entrando no estádio, o número dez reluzindo às costas. Depois deste chute inicial, o filme se perde num sucessão de clichês – favelas, samba, bares toscos – que dão margem a personagens estereotipados (o jogador playboy, o treinador rabugento, o rival marrento, o cartola ambicioso) e diálogos de chorar. Apenas Seu Jorge aparece com talento num grupo horroroso de atores perdidos num roteiro idem. E, cá para nós, não há nada mais esquisito do que personagens brasileiríssimos falando inglês de modo artificial.   

segunda-feira, 19 de março de 2018

3055 - INSTINTO SELVAGEM

Stone e Douglas, no limite...
 INSTINTO SELVAGEM (BASIC INSTINCT, USA 1992) – Sharon Yvonne Stone se tornou mundialmente conhecida graças ao famoso “beaver shot” que o diretor Paul Verhoeven fez questão de manter neste filme. No mais, ela apenas desfilou a beleza deslumbrante diante dos olhos cúpidos de Michael Douglas, o detetive que fica literalmente de quatro diante de tanta sensualidade. No entanto, além das suas características físicas, ela provou ter talento em CASINO, de Scorsese, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar e lhe deu um Globo de Ouro. A carreira tem mais baixos do que altos, e talvez tenha faltado um encontro com Hitchcock para que ela chegasse e se mantivesse no panteão das grandes deusas do cinema. Em INSTINTO SELVAGEM, ela quase que não atua – apenas se deixa admirar por todos os personagens com quem contracena, e isso, de certa forma, passa para o espectador, mesmerizado com sua lânguida presença em cena. O filme realmente ficou datado, muito pela suposta audácia do roteiro, numa época em que as cenas sensuais simplesmente desapareceram dos cinemas, em função do choque que a AIDS produzia então.   

domingo, 18 de março de 2018

3054 - ANIQUILAÇÃO

    
A FONF adoraria...
 
ANIQUILAÇÃO (ANNIHILATION, USA 2018) – Jogue toda a lógica pela janela e comprometa a “suspensão de crença”, fator essencial para que se possa entrar de cabeça no universo cinematográfico de qualquer gênero e, principalmente, no da ficção científica. Maurício tinha razão: este filme parece querer acabar com nossas referências. O grupo protagonista – composto só de mulheres – pode vir a calhar nestes tempos de valorização feminina, mas acaba detonando a história logo de início: afinal, diante do que parece ser uma invasão alienígena, o governo resolve mandar uma expedição de mulheres totalmente despreparadas para enfrentar o mais elementar perigo (onde estão as luvas de borracha?), o que esperar deste filme? Onde estão os cientistas e a equipe militar devidamente treinada? Muitas perguntas que, ao final, ficam mesmo sem respostas. Bem, pelo menos ficamos sabendo aonde foi parar o crocodilo gigante de O MISTÉRIO DO LAGO.   

sábado, 17 de março de 2018

3053 - CORRA!

    
Adicionar legenda
 
CORRA (GET OUT, USA 2017) – Oscar deste ano de Melhor Roteiro, GET OUT é, de fato, um ótimo filme, com doses exatas de sustos e ironia, temperadas com um inesperado, mas bem-vindo, atrevimento na composição dos personagens. Apesar de a agenda do racismo sobressair numa apreciação mais geral, o filme de Jordan Peele vai além disso, trazendo um sopro de originalidade principalmente nos diálogos em que Chris (Daniel Kaluuya, ótimo) vai percebendo a estranheza das observações preconceituosas dos convidados da festa na casa do sogro – aliás, uma das melhores sequências de um filme com “twists” magistralmente sincronizados com a ação, magnífica movimentação de câmera e uma combinação perfeita de horror, suspense e humor. 

quarta-feira, 14 de março de 2018

3052 - A VIGILANTE DO AMANHÃ - GHOST IN THE SHELL

 
Scarlett, na concha...
    
A VIGILANTE DO AMANHÃ – GHOST IN THE SHELL (UK, China, USA, 2017) – Talvez minhas expectativas sejam sempre altas quanto vejo Scarlett Johansson no elenco e, por isso, insisto e persisto. Mais uma vez, contudo, ela embarca num filme que não funciona. Em um futuro no qual se confundem o real e o virtual, o orgânico e o mecânico, Major (Scarlett) é a única de sua espécie – seu cérebro humano, retirado de uma jovem à morte, comanda um corpo integralmente sintético. Arma mais letal da Hanka, uma empresa de robótica que comanda uma Hong Kong remodelada ao estilo Blade Runner, Major inadvertidamente se depara com revelações perturbadoras sobre seu passado. O filme se arrasta em meio ao visual dissonante das favelas verticais e vielas imundas, junto com holografias colossais e de gosto duvidoso. Fica a impressão de que o filme perde a chance de resgatar as provocações das suas fontes de inspiração, como o já mencionado BLADE RUNNER, além de MATRIX e ROBOCOP. Mesmo assim, Scarlett, séria e com um corte de cabelo ruim, é, no mínimo, provocante.   

segunda-feira, 12 de março de 2018

3051 - A NOITE É DELAS

Scarlett, por quê?
    A NOITE É DELAS (ROUGH NIGHT, USA 2017) OK, Scarlett Johansson é obrigatória, pelo talento, pela beleza, pela voz, pela mesmerizante presença cênica. Por isso, passei pela provação de assistir a esta produção canhestra, sem graça e demente. Tudo bem que estejamos passando pela reafirmação do papel da mulher na sociedade pós-moderna, mas ROUGH NIGHT só pode ser considerado um passo atrás de qualquer movimento de valorização feminina. Abstenho-me de comentar o roteiro (se é que ele existe...) e as atuações (até Scarlett se perdeu...). Até mesmo o “jab” intencional no queixo quadrado de Trump não funciona, inviabilizando a suposta crítica política que a história possa ter nas suas entrelinhas. Segunda bola fora de Scarlett, já que GHOST IN THE SHELL também não funcionou. Veja a seguir.  

domingo, 11 de março de 2018

3050 - HOMEM-ARANHA: DE VOLTA AO LAR

     
Holland, desperdiçado
 
HOMEM-ARANHA – DE VOLTA AO LAR (SPIDER-MAN: HOMECOMING, USA 2017) – A Marvel tem tido como característica adotar uma abordagem mais realista – e, às vezes, cativante – da imperfeição humana de seus heróis. Aqui, Peter Parker (Tom Holland), ainda empolgado com sua aventura conjunta com os Vingadores, se vê às voltas com as agruras de um adolescente que tropeça nas suas impaciências e inseguranças, sequioso por ingressar no mundo adulto do qual sentiu apenas o gostinho. O diretor Jon Watts tomar liberdades com os quadrinhos que irritam até os fãs menos “hard” – afinal de contas, o uniforme “high-tech” dado a Parker por Tony Stark fica meio forçado no universo aracnídeo no qual a picada da aranha radiativa já explicava tudo, sem manual de instruções. Holland é um ator de talento – sua atuação em O IMPOSSÍVEL, já demonstrava isso – mas está exagerado aqui, certamente por culpa da direção e dos roteiristas que, é óbvio, buscaram inspiração em filmes debiloides de adolescentes e no clássico CURTINDO A VIDA ADOIDADO (1986). Porém, John Hughes e seu protagonista, o insopitável Ferris Bueller, estavam mais antenados com os rompimentos de paradigmas que campeavam na década de 80, o que deu a seu filme a leveza perene que o sustenta até hoje. Kundera que o diga. Este HOMEM-ARANHA tem uma tocada pop que soa tão artificial e malfeita quanto os CGIs de algumas cenas. Tudo isso compromete o filme e nos faz sentir saudades cada vez maiores de Tobey Maguire.  

sexta-feira, 9 de março de 2018

3049 - VELOZES & FURIOSOS 8

    
Por que, Charlize...?
 
VELOZES & FURIOSOS 8 (THE FATE OF THE FURIOUS, USA 2017) – Esta franquia chega a sua oitava edição confirmando uma premissa assustadora: é um filme sem roteiro e sem atores, que se fia apenas na ousadia de cenas de perseguição de carros, tiros e explosões, quase tudo feito à base de um CGI irregular. Apesar de atrair algumas participações especiais (aqui, Charlize Theron e Helen Mirren), tudo resulta numa produção de ritmo acelerado, beirando a neurose, com personagens planos e sem qualquer carisma, ainda mais por serem “interpretados” por um grupo sem qualquer talento dramático. Paul Walker era o único da turma que exalava uma empatia quase automática da plateia. Mas sua morte, em 2013, interrompeu a trajetória do único personagem que era o diferencial da série. Emulando a atmosfera dos filmes de delinquência juvenil dos anos 50 e 60, o primeiro VELOZES exaltava a cultura do “racha”, as corridas clandestinas com carros “tunados”. Depois, os roteiristas resolveram transformar Vin Diesel e sua turma em super-heróis improváveis, capazes de manobras automobilísticas humanamente impossíveis, sempre entre muitas explosões e artilharia pesada. Enfim, cinema pobre (em conteúdo), para uma audiência descerebrada que exige muito pouco em termos de inteligência.  

quarta-feira, 7 de março de 2018

3048 - JFK, A HISTÓRIA NÃO CONTADA

      
Giamatti, estupendo
PARKLAND (USA, 2013) – Caos. Só assim pode ser descrita a situação na sala de Trauma 1, no hospital Parkland, Dallas, em 22 de novembro de 1963. O filme do diretor Peter Landesman retrata bem o clima de total descrença e tristeza daquelas primeiras horas depois do assassinato de John Kennedy. Mas ainda é pouco. De fato, ainda está por vir uma produção definitiva sobre esta história dramática. O filme de Oliver Stone se atém mais à investigação posterior e às teorias da conspiração que pulularam a partir de então – não era bem o que esperávamos. Em PARKLAND, as cenas do atendimento são bem-feitas e nos dão uma ideia aproximada do drama que todos aqueles personagens viveram. Um dos acertos do filme é Paul Giamatti no papel de Abraham Zapruder, o homem que capturou, com sua câmera, o momento em que Kennedy é atingido na cabeça. Giamatti rules! 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

3047 - DESPEDIDA EM GRANDE ESTILO

   
A amizade, sempre...
 
DESPEDIDA EM GRANDE ESTILO (GOING IN STYLE, USA, 2017) – Não dá para deixar um elenco desses passar batido: Michael Caine, Morgan Freeman e Alan Arkin. Embora a direção e o roteiro não ajudem, o trio esbanja vitalidade e talento, sempre cuidando para não deixar que a caricatura supere a malandragem de três senhores que, sem grana e com todos os problemas inerentes à quilometragem etária, decidem que vão roubar um banco – afinal, na pior das hipóteses, passarão alguns anos na cadeia, com teto, comida e assistência médica. O roteiro exagera no otimismo forçado e no sentimentalismo, mas o “dream team” consegue transformar o que poderia ser ridículo em forma de arte, especialmente nas cenas-solo, como as que mostram a sólida amizade entre eles. O filme é um agradável exemplar de um subgênero que cresce com a faixa demográfica que o protagoniza: o das comédias sobre velhinhos teimosos que resolveram dar a volta por cima e realizar seus sonhos. Freeman já havia feito algo similar com Jack Nicholson, em ANTES DE PARTIR (2007). A celebração de uma amizade tão duradoura é sempre algo que deve ser visto, revisto e incorporado. É uma pena que o personagem de Christopher Lloyd não tenha tido qualquer destaque nesta bela homenagem, sobretudo, à amizade que dura a vida inteira.  

domingo, 18 de fevereiro de 2018

3046 - RUPTURE - SUPERANDO O MEDO

    
RUPTURE - SUPERANDO O MEDO (RUPTURE, Canada/USA – 2016) – O diretor Steven Shainberg dirige este suspense psicológico que tem Naomi Rapace como protagonista, no papel de uma mãe divorciada que é sequestrada por uma organização misteriosa para ser objeto de uma experiência genética. Não chega a ser nada de excepcional, mas funciona como narrativa contida, na qual os segredos vão se revelando aos poucos, embora ao desfecho possa deixar muita gente frustrada. Naomi Rapace, que já enfrentou “aliens” em PROMETEUS, tem uma atuação condizente com o clima de angústia que permeia a história.  

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

3045 - BRIGHT

       BRIGHT (USA, 2017) – A Netflix investiu pesado nesta produção que chega ao serviço de “streaming” sem precisar do aval dos estúdios de Hollywood. Isto, certamente, serviu para que se visse com bons olhos um roteiro com bases pouco originais, mas que agrega elementos fantásticos a uma história que, em princípio, todo mundo já conhece. Então, BRIGHT pode ser definido como uma mistura de MÁQUINA MORTÍFERA com O SENHOR DOS ANÉIS, que o diretor David Ayer (do indesculpável ESQUADRÃO SUICIDA) leva adiante sem medo de errar e com uma saudável ousadia. É numa Los Angeles barra-pesada que o policial Dary Ward (Will Smith) se vê obrigado a trabalhar com Nick Jakoby (Joel Edgerton) o primeiro policial orc do país, uma novidade que encontra resistência em todos os setores. A partir daí, o que se vê é todo mundo em pé de guerra, numa cidade em que latinos, asiáticos, negros, brancos e, evidentemente, seres estranhos que pipocam em várias formas e cores, vão formando um painel de confronto de facções. BRIGHT tem jeito de piloto de série, o que creio ser o desejo dos seus protagonistas e dos produtores, apesar dos clichês dos filmes sobre duplas desajustadas, correria, explosões e diálogos pouco inspirados. Apesar dos pecadilhos, BRIGHT pode agradar  alguns exatamente pela aparente despretensão e pela coragem de revestir um modelo consagrado com uma boa camada de hibridismo exótico. 

3044 - KONG: A ILHA DA CAVEIRA

      
Kong rules!!
KONG – A ILHA DA CAVEIRA (KONG: SKULL ISLAND, USA 2017) – Nesta segunda visita ao filme do diretor Jordan Vogt-Roberts, constato que a excelente premissa da história acaba ficando diluída num segundo ato morno, que nos afasta daquilo que realmente importa: ver Kong em todo o seu esplendor, graças a um esmero técnico raramente encontrado neste tipo de gênero – talvez só superado pelo excepcional SHIN GODZILA, de 2016. Sim, porque filme de monstro (que adoro) bom é filme que mostra o monstro o máximo possível. Assim, A ILHA DA CAVEIRA, frustra um pouco ao não deixar Kong mais tempo em cena. O ótimo elenco – Samuel L. Jackson, Tom Hiddleston (o Loki, irmão de Thor), John C. Reilly e, apesar de mais magro, o grandíssimo John Goodman. A inspiração em APOCALYPSE NOW, do Coppola, é uma ótima sacada, juntamente com os hits musicais dos anos 70. Para os apressadinhos metidos a inteligentes, que se acham espertos por se levantar antes de o filme acabar, atenção: há uma cena reveladora após os créditos finais.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

3043 - CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ 33 1/3

     
Nielsen e Raquel Welch
CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ 33 1/3 (POLICE SQUAD 33 1/3, THE FINAL INSULT, USA – 1994) – No cotejo com os dois filmes anteriores da trilogia baseada na série de TV THE NAKED GUN, todos estrelados por Leslie Nielsen, este é o que mais fica devendo. Não chega a ser um insulto, como diz o título, mas as piadas perderam a força do filme original e da série (apenas seis episódios e todos eles imperdíveis!!!). Aqui, Drebin (Nielsen) está às voltas com o tédio da aposentadoria e os conflitos com sua esposa (Priscilla Presley), num roteiro meio irregular, mas que tem alguns bons momentos, como a sequência inicial, emulando cena da escadaria de OS INTOCÁVEIS e do ENCOURAÇADO POTEMKIN (1925). A “playmate” Anne-Nicole Smith está no elenco, assim como o competente Fred Ward e a tantalizante Raquel Welch.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

3042 - CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ - 2 1/2

Nielsen e George Kennedy
    CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ 2 ½ (THE NAKED GUN 2 ½: THE SMELL OF FEAR, USA – 1991) – Esta segunda edição da trilogia dos irmãos Zucker não é tão boa quanto o filme de estreia. As piadas absurdas, aqui, perderam a força num roteiro mais complexo e, assim, não coadunado com o espírito escrachado advindo da série THE NAKED GUN. Apesar destas dificuldades estruturais, Leslie Nielsen continua engraçado demais como Frank Drebin, dando uma dimensão maior ao “nonsense” das cenas. De fato, é preciso ficar atento ao volume das gags que se acumulam, ao fundo, a cada sequência. Na realidade, este tipo de humor – que é ótimo – não se coaduna com os tempos atuais, em que as pessoas não se dispõem a prestar atenção no que acontece paralelamente ao foco da cena. O WhatsApp não deixa. 

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

3041 - LIGADAS PELO DESEJO

   
Gina e Tilly
 
LIGADAS PELO DESEJO (BOUND, USA – 1996) – Este “noir” com tintas modernas tem como protagonistas Gina Gershon e Jennifer Tilly. De certa forma, o filme tem uma abordagem de “graphic novel”, o que sublinha a história de chantagem e manipulação, até o desfecho inesperado. BOUND é um filme que ficou meio esquecido entre as produções da década de 90 e está bem acima das produções da época. Gershon e Tilly demonstram uma conexão de alta voltagem em suas cenas, e seus personagens estão bem definidos nas suas características complementares: enquanto uma é de natureza bruta, a um passo da revolta, a outra faz uma leitura quase sussurrante do mundo, com um olhar oblíquo, altamente mesmerizante. O destaque dramático vai para Joe Pantoliano que, em 1987, fez uma sequência hilariante em AS AMAZONAS NA LUA. 

3040 - UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES

A transformação do licantropo
UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES (AN AMERICAN WEREWOLF IN LONDON, USA – 1981) – O filme fez um grande sucesso na época e é um dos trabalhos mais lembrados do diretor John Landis. Ainda hoje, a cena da transformação impressiona, e a história funciona eficientemente, embora haja uma valorização exagerada do filme como objeto cult. Não é para tanto. O humor – talvez involuntário – do roteiro acrescenta uma leveza inesperada a uma história clássica de licantropia que vem sendo explorada desde o clássico com Lon Chaney Jr, em 1941. O filme foi revolucionário em seu lançamento e venceu o Oscar de melhor maquiagem na primeira vez em que a categoria foi incluída na cerimônia realizada pela Academia. E também foi o impulso para a carreira de Rick Baker, especialista em maquiagem e efeitos especiais.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

3039 - FERIAS FRUSTRADAS EM VEGAS

   
   FÉRIAS FRUTRADAS EM LAS VEGAS (VEGAS VACATION, USA 1997) – Este quarto filme dá continuidade à saga da família Griswald, liderada com absoluta naturalidade pelo chefe do clã, Clark Griswald (Chevy Chase). O primeiro “FÉRIAS FRUSTRADAS” acertou em cheio no humor descompromissado, politicamente incorreto, sem a pretensão de apresentar um humor inteligente. As sequências foram desgastando esta premissa, até que só restasse um arremedo pouco original, com gags recicladas e desinteressantes. Ainda vale uma olhada, principalmente por causa do simpático Chase e do seu esforço para que sua família e nós, os espectadores, tenhamos bons momentos de diversão.

3038 - BLACK MIRROR - TEMPORADA 2

   
BLACK MIRROR (TEMPORADA 2, 2013) – Mais uma excelente antologia de contos perturbadores explorando o lado negativo da tecnologia e suas consequências nas relações humanas. O primeiro – BE RIGHT BACK - fala da dependência emocional de uma viúva que não aceita a morte do marido e usa um aplicativo que emula a movimentação dele em redes sociais. Uma crítica certeira à incapacidade das pessoas de ficarem sozinhas. O segundo – WHITE BEAR – gira em torno de uma mulher que acorda em uma casa sem qualquer memória do que lhe aconteceu e passa a ser perseguida por pessoas empunhando seus celulares. Aí está outra demonstração da dependência do celular, aspecto também presente no primeiro episódio. Em THE WALDO MOMENT, um personagem de animação, o ursinho Waldo, ganha o eleitorado de um candidato conservador, com uma proposta de comunicação mais direta com a população. No último, WHITE CHRISTMAS, dois homens relatam histórias relacionadas com a tecnologia que terminam de forma inesperada, e como estes fatos os levaram a se afastar da humanidade.

3037 - PLANETA DOS MACACOS - A GUERRA

     
Andy Serkis, magnífico
PLANETA DOS MACACOS A GUERRA (WAR FOR THE PLANET OF THE APES, USA 2017) – Não chega perto do original, de 1968, com Charlton Heston, mas este filme é realmente benfeito e com um arco dramático que faz referências explícitas aos genocídios e ao terror de forma tão contundente, que não há como fazer uma profunda reflexão sobre a natureza humana. Algo que tem a ver com a “banalidade do mal” de que falava Hannah Arendt perpassa o roteiro deste terceiro episódio da série iniciada em 2011. É um filme tenso, sofrido e extremamente estimulador à consciência dos elementos constitutivos das relações entre dominantes e dominados. Tecnicamente, é uma produção primorosamente espantosa. A “performance capture” é de um nível tão alto que beira a perfeição: é assim que Andy Serkis, numa atuação impecável, transmite, com suas expressões faciais, a dor e o sofrimento cósmico que Cesar, o símio que lidera o imenso contingente de macacos acuados em guetos naturais. É notável o assombro e a desilusão que brotam dramaticamente dos olhos de Cesar, diante do cortejo de horrores provocado pela violência do homem em relação ao seu povo. É um retrato de um retrocesso civilizatório inevitável, resultado, sobretudo, da ânsia de poder e da falta de diálogo. É, de longe, muito melhor do que os dois filmes anteriores.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

3036 - A FORMA DA ÁGUA

  
  A FORMA DA ÁGUA (THE SHAPE OF WATER, USA 2017) – A premissa, de tão simples e inusitada, é chocante: uma faxineira muda e uma criatura anfíbia presa em um laboratório se apaixonam. O diretor Guillermo de Toro, com este filme, mostra, entre muitas outras coisas, que o amor, em muitos casos, principalmente nos mais insólitos, não conhece limites. Mas A FORMA DA ÁGUA não é apenas isso. As camadas epistêmicas do roteiro são tão numerosas quanto as escamas do ser que, na memória afetiva dos espectadores, evoca o do clássico B O MONSTRO DA LAGOA NEGRA, de 1954 e também faz referência aos elementos de A BELA E A FERA. Contudo, Del Toro subverte as convenções que caracterizam histórias em que monstros se encantam por belas mulheres, fazendo exatamente o contrário: é Elisa (Sally Hawkins, estupenda) que se aproxima romanticamente da criatura que, por sua vez, assume o papel de mocinho da história. Ou seja, neste caso, a “fera” não precisa se transformar para realizar seu amor. A metáfora líquida está sempre presente. Eliza, aparentemente frágil e desprotegida, mostra que seu amor é como a água – pode ser contido, mas, uma vez liberado, flui incontrolavelmente. Assim sendo, o amor tem a conformidade da água, que assume a forma do seu continente. Destarte, o amor pode ter muitas formas. Não há como não se lembrar do belo poema de João Cabral de Melo Neto, A IMITAÇÃO DA ÁGUA. Aliás, atenção para o poema na sequência final. Há referências religiosas (Sansão e Dalila, com uma interpretação inusitada, a deidade da criatura na sua origem etc) e cinematográficas (além das já citadas, O CORCUNDA DE NOTRE DAME e KING KONG, claro). No elenco, Octavia Spencer, sensacional, e o grandíssimo Richard Jenkins, numa atuação memorável (e quando não é?). Michael Shannon, fantástico, mais uma vez, personifica o antagonista, mas com tanta profundidade que talvez merecesse um filme só para si. Assim sendo, não é à toa que a produção seja favorita ao Oscar deste ano. Definitivamente, A FORMA DA ÁGUA é um filme que te fisga ao primeiro fotograma. Portanto, quando a oportunidade vier, vá e mergulhe na experiência. Você encontrará mágica.  

3035 - KINGSMAN: O CÍRCULO DOURADO

  
   KINGSMAN: O CÍRCULO DOURADO (USA/UK, 2017) – O primeiro filme apostava na violência exageradamente simbólica (como em KIL BILL) e era deliciosamente debochado, oxigenando um gênero de ação que, em outras produções, apresentava algumas fissuras na originalidade. Colin Firth estava à vontade, à frente dos Kingsmen, agentes secretos que usam como fachada uma alfaiataria na Savile Row e adotam codinomes inspirados nas lendas da Távola Redonda. Nesta continuação, tudo vai por água abaixo. Quando passamos a prestar atenção nos “cameos” de atores famosos que aparecem só para uma pontinha, como é o caso aqui, é sinal de que algo vai mal. Situações de mal gosto (hambúrgueres feitos de carne humana???), um cantor pop de fama mundial se limitando a xingar cada vez que aparece em cena (Elton John precisava disso?), CGIs aquém do esperado e tentativas fracassadas de humor inteligente num roteiro confuso, disperso e incapaz de explorar os saudáveis absurdos do universo dos tradicionais agentes secretos britânicos. Tudo muito ruim. 

domingo, 28 de janeiro de 2018

3034 - TINHA QUE SER ELE?

     
TINHA QUE SER ELE (WHY HIM? USA, 2016) – Esta é uma daquelas comédias que caminham perigosamente na linha que limita o remotamente engraçado com o mau gosto inevitável. O normalmente sensato James Franco se arrisca num papel de nerd inconsequente e milionário do Vale do Silício, noivo de uma menina certinha, cujos pais tradicionais e caretas vão, claro, ter um baita choque cultural quando ela leva os pais para conhecer o futuro marido. O roteiro tenta explorar as diferenças comportamentais entre sogros e genro e despeja uma avalanche de situações escatológicas, desenxabidas e forçadas, sempre exagerando na crença infundada de que o excesso de palavrões gera humor automaticamente. O bom elenco – além de Franco, o ótimo Brian Cranston (de BREAKING BAD) – faz o que pode com o material rasteiro que recebe.

3033 - FEITO NA AMÉRICA

   
Tom Cruise, no rumo certo
 
FEITO NA AMÉRICA (AMERICAN MADE, USA 2017) – Tom Cruise revive a trajetória alucinada de um piloto de avião que se viu no meio de traficantes de drogas e conchavos do governo americano, que procurava um sujeito com seu perfil safo para transportar armas para os Contras, os milicianos que combatiam a revolução de esquerda sandinista instaurada em 1979 na Nicarágua. Acabou recebendo a proposta do cartel de Medellin para, na volta aos EUA, carregar drogas no compartimento que, na ida, viera atochado de armamento. O diretor Dough Liman – de A IDENTIDADE BOURNE e NO LIMITE DO AMANHÃ – imprime à narrativa uma tal efervescência e velocidade, que a torna irresistível. Principalmente por se tratar de fatos reais pautados por uma liberdade e aventura que não teriam mais lugar no mundo de hoje. O filme também acerta ao trazer de volta o Tom Cruise dos bons tempos em que se comprazia em viver um tipo de anti-herói que encantava pela ousadia e inconsequência juvenil, apesar dos 55 anos. O filme é uma montanha-russa de ações inacreditáveis, do começo ao fim, com o pano de fundo da corrupção e da política internacional e uma inesperada, mas bem-vinda, abordagem bem-humorada. 

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

3032 - COMEDIANS IN CAR GETTING COFFEE

     
Seinfeld e Obama, na Besta
COMEDIANS IN CAR GETTING COFFEE (USA, 2012) – Há vários destaques nesta divertidíssima série comandada por Jerry Seinfeld. O título já diz tudo, e não há necessidade de mais nada: são entrevistas reveladoras com comediantes americanos durante uma volta de carros (e que carros!) com Seinfeld, até a parada obrigatória para um café em alguma “coffee shop” fashion de Los Angeles. A edição ágil dá um ritmo leve que parece nos colocar no banco de trás de uns dos carrões usados por Jerry, ou à mesa, entre aromas e risos. Há vários destaques: Michael Richards, David Letterman, Don Rickles, Carl Reiner, Steve Martin, entre outros. Atenção para a entrevista que ele faz com Obama, realizada na Casa Branca, por motivos óbvios. Obama é o entrevistado perfeito: charmoso, inteligente, com oratória perfeita e sutilmente engraçado. A presença dele no programa do Letterman, MY NEXT GUEST NEEDS NO INTRODUCTION, é também um momento de perfeição.