(WAY, WAY, BACK, USA 2013) - Steve Carell é um dos meus atores favoritos. Neste filme, ele tem um papel completamente diferente dos que costuma fazer: é um sujeito arrogante, que trata mal o filho adolescente da namorada (Toni Collette, mais uma vez fazendo uma mãe problemática, como em UM GRANDE GAROTO). A família vai para uma cidade de praia, nas férias de verão. Com problemas de relacionamento, Duncan (Liam James, que fez o filho de John Cusack e Amanda Peet, em 2012) faz amizade com um funcionário de um parque aquático (o ótimo Sam Rockwell) e começa a construir uma autoestima que o fará se posicionar diante da mãe frágil e do padrasto autoritário. O filme é simpático, despretensioso e leva, mais uma vez, a repensarmos como tratamos os jovens que nãos e adaptam ao mainstream. Ah, curiosamente, a belíssima Amanda Peet tem um papel bobo, que em nada acrescenta ao roteiro. Mas ela é linda...
domingo, 19 de outubro de 2014
2422 - CAN'T STAND LOSING YOU - SURVIVING THE POLICE
(CAN'T STAND LOSING YOU, USA 2012) - Documentário sobre a trajetória do guitarrista do Police, Andy Summers, desde seu primeiro contato com o instrumento, até o reencontro com os antigos companheiros, na grande turnê mundial de 2007. Andy não esconde a rivalidade com os membros da banda, principalmente com Sting, a quem se refere, em alguns momentos, com certo desdém, totalmente injustificado, diga-se. Alguns bons momentos de entrevistas e backstage.
2421 - MEU MARCIANO FAVORITO
(MY FAVORITE MARTIAN, USA 1999) - A única razão para rever este filme é Elizabeth Hurley, lindíssima no papel de uma repórter de TV que, junto com Jeff Daniels, se vê às voltas com um marciano perdido na Terra, o excelente Christopher Lloyd. Embora seja uma merecida homenagem ao seriado homônimo da década de 60, estrelado por Ray Walston (que faz uma participação no filme), com bons atores, o filme fica muito abaixo das expectativas, tanto no roteiro quanto nos efeitos especiais fraquinhos.
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
2420 - THE WALKING DEAD (1a. TEMPORADA)
(THE WALKING DEAD, USA 2010) - Esta primeira temporada justifica, a meu ver, toda a fama que o seriado vem tendo nos últimos anos. Num estilo soap opera zumbi, a história é mesmo envolvente, apelando muito mais para o perfil psicológico dos personagens do que para a bizarrice do universo dos "walkers". E foi exatamente disso que mais gostei: o roteiro enfoca como seria um mundo pós-apocalíptico, no qual os zumbis seriam uma metáfora das doenças epidêmicas que podem acabar com a humanidade. Vem bem a calhar com as notícias mais recentes sobre o Ebola. Também fiquei curioso para ver como o britânico Andrew Lincoln se sairia no papel de um chefe de polícia do interior dos EUA. Eu já o conhecia por causa de um papel relativamente pequeno, mas importante, em SIMPLESMENTE AMOR, de 2003, que é um filme que adoro. Os episódios da segunda temporada mantêm o ritmo, além de aprofundar traços dos personagens que sobreviveram à sanha dos "geeks" (sim, a palavra "zumbi" nunca é usada no seriado).
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
2419 - THOR, O MUNDO SOMBRIO
(THOR, THE DARK WORLD, USA 2013) - Com um roteiro muito mais bem alinhavado do que o do filme anterior e com a direção segura de Alan Taylor (GAME OF THRONES), o filme funciona bem como fantasia misturada à ficção científica, com direito a rasantes de uma espécie de caça alienígena sobre o reino de Asgard. Chris Hemsworth prova que pode ter uma atuação dramática de qualidade, além do uniforme de super-herói. Nem todos os raios de Asgard conseguiram fazer Natalie Portman deixar de estar apagada - ela simplesmente desaparece em cena. Por outro lado, quem brilha é Kat Dennings, a baixinha de TWO BROKE GIRLS, que é muito mais bonita e sexy do que Natalie - e tem timing de comédia. O cenário futurista, às vezes, polui um pouco, mas dá para ver até o fim. O filme é uma ensandecida mistura de referências, não apenas ao Universo Marvel, mas também à cultura pop em geral. Prefiro o Homem de Ferro, mas Thor, com este filme, conquistou créditos na minha percepção das adaptações cinematográficas dos quadrinhos.
2418 - A GUERRA DO FOGO
(LA GUERRE DU FEU, França, USA, 1981) - Um dos filmes mais emblemáticos dos anos 80, AGF começa com um fato marcante: algo como 80 mil anos atrás, uma tribo perde seu maior bem: a fagulha, a partir da qual, todos os dias, acende o fogo. Alguns voluntários, então, saem pelas paisagens dramáticas do Paleolítico à cata de uma reposição para a preciosidade. São atacados por tribos antropófagas, fogem de animais, passam fome, até que encontram uma representante de gente bem mais avançada do que eles, que lhes ensina a produzir fogo, a rir (manifestação que eles desconheciam), entre outras coisas. O diretor Jean-Jacques Annaud, de O NOME DA ROSA e SETE ANOS NO TIBET, acerta num gênero difícil que já comprometeu o trabalho de outros que nele se aventuraram. terça-feira, 14 de outubro de 2014
2417 - CINDERELA EM PARIS
(FUNNY FACE, USA 1957) - CEP um filme sensível, um musical simples e ingênuo em que um olhar mais apurado e imaginativo pode observar detalhes interessantes para um aprofundamento, principalmente no cenário da geração beat. Aqui, a “gata borralheira” é Jo Stockton (Audrey Hepburn) uma intelectual dos anos 50 e o papel do fotógrafo (Fred Astaire) é uma homenagem a um dos maiores nomes da fotografia, Richard Avedon. Com o pretexto de mostrar a transformação de uma moça simples em uma modelo de sucesso, o filme de Stanley Donen aponta para várias abordagens do panorama cultural dos fins dos anos 50: a influência do Existencialismo de Sartre, a crescente importância da moda como instrumento de conquista social, já prenunciando a nossa era do exibicionismo explícito, o estilo beatnik nos cafés parisienses, nos cavanhaques e nos trajes, além da inevitável comparação de costumes entre a América e o Velho Continente. O grandíssimo Fred Astaire aparece como uma pluma nos números de dança, em que ele, mais do que qualquer outro, foi o grande nome, dentro do universo cinematográfico. A imagem de Audrey Hepburn sempre esteve associada à noção de elegância, classe e estilo. Sua doçura e encanto a tornaram signo universal, e referência na moda e na aparência feminina. Mas, o “efeito Cinderela” foi algo marcante e definitivo para sua pessoa, não apenas em sua carreira em Hollywood, mas também em sua própria história como mulher e atriz. No filme, Jo é seguidora da doutrina Enfaticalista, baseada na empatia, onde a pessoa deve projetar sua imaginação até sentir o que o outro sente. É se colocar no lugar do outro. Isto funcionará para a relação de cumplicidade entre ela e a editora e entre ela e seu amor. A filosofia, que romantizada em um “entendimento múltiplo”, resulta no fim dos conflitos da trama. A menina, avessa à moda e suas futilidade, se harmoniza naturalmente à alta-costura. Ah, o personagem de Audrey, Jo, trabalha, inicialmente numa livraria. Isto diz tudo, não?segunda-feira, 13 de outubro de 2014
2416 - UM ÁLIBI PERFEITO
(REASONABLE DOUBT, USA 2014) - O filme gira em torno de Mitch (Dominic Cooper), um advogado bem sucedido, casado e que acaba de se tornar pai. Certa noite sai para beber com os amigos e na volta pra casa ao invés de pegar um taxi, como havia combinado com a esposa, ele volta dirigindo e atropela um homem desconhecido. Desesperado ele apenas liga para a ambulância e foge. Mas depois fica sabendo que outro homem esta sendo acusado em seu lugar, Clinton (Samuel L. Jackson). Bom thriller, com atuações convincentes e boas lembranças das ruas de Boston. terça-feira, 7 de outubro de 2014
2415 - INVOCAÇÃO DO MAL
(THE CONJURING, USA 2013) - Por causa do lançamento do "prequel" ANNABELLE, revi A INVOCAÇÃO DO MAL, para checar alguns pontos que me fugiram quando assisti ao filme pela primeira vez. O mais importante deles é a forma como o diretor James Wan evita o formalismo dos filmes de terror de hoje e nos coloca, a cada cena, diante do imponderável. A montagem do filme usa o número de portas em cada quarto para nos desnortear, e a multiplicidade de ângulos (câmera ora no teto, ora de ponta-cabeça) e de perspectivas (câmera sobre o ombro da mãe, do pai, das filhas, é gente demais num lugar que já não parece grande o suficiente) termina de fazer o trabalho de nos apavorar, sem, contudo, fazer apologia ao susto fácil. Ah, e ainda há os olhos azuis da bela Vera Farmiga. A propósito, ela está em O JUIZ, com Robert Downey Jr. Ao voltar para a cidade onde cresceu, o personagem de Downey Jr. reencontra uma antiga paixão, vivida por ela. Sortudo este sujeito...
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
2414 - A GAROTA DA CAPA VERMELHA
(RED RIDING HOOD, USA 2011) - Esta versão anabolizada de Chapeuzinho Vermelho tem Amanda Seyfried no papel principal é uma boa tentativa de dar ao conto dos Grimm uma perspectiva mais sombria do que aquela que a história original já possuía, mas não consegue manter o clima o tempo todo, principalmente nas cenas em que o lobo aparece. A metáfora sexual fica, aqui, com um ar pouco original, quando lembramos do excelente A COMPANHIA DOS LOBOS, de Neil Jordan. De qualquer forma, o filme tem seu charme, principalmente por causa da presença de Amanda Seyfried.
2412 - ANTES DO AMANHECER
(BEFORE SUNRISE, Áustria, Suíça, EUA, 1995) - O diretor Richard Linklater e os atores Julie Delpy e Ethan Hawke criaram uma trilogia que acompanha os encontros e desencontros de um casal ao longo de duas décadas. Aqui, eles se conhecem num trem em Viena e decidem passar a noite passeando pela cidade. Julie está muito além do nível conhecido da capacidade de encantar as pessoas - este filme, como os outros dois subsequentes, é totalmente dela. Sua presença toma conta de todas as cenas, e não há como resistir ao seu charme e inteligência. Ela nos leva pelas ruas de Viena com uma intimidade surpreendente que emociona e faz a gente pensar que, de fato, pode mesmo existir pessoas assim, tão lindas, por dentro e por fora. Quem não se apaixonar junto é porque não tem coração.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
2411 - GOTHAM
(GOTHAM, USA 2014) - Este primeiro episódio da série que promete jogar luzes sobre as origens dos personagens de BATMAN foi apenas razoável. Não sei como os produtores e roteiristas vão fazer para lidar com a imensa pressão dos fãs em relação às premissas deste prequel. Tudo, ao que parece, gira em torno do Comissário Gordon, aqui vivido por Ben Mackenzie. Os cenários integram, com competência, locações reais e um CGI já manjado, mas eficiente. Nas primeiras cenas, vemos o assassinato dos pais de Bruce, testemunhado por aquela que deve ser a Mulher-Gato no futuro. A atriz que faz Selena Kyle é a bela Camren Bicondova, que idêntica a Michelle Pfeiffer, que fez o mesmo papel nos filmes de Tim Burton. Basta olhar aí ao lado. O Pinguim também aparece, numa temerosa atuação meio caricatural de Robin Lord Taylor. Vamos aguardar e ver como os próximos episódios vão acontecer.
domingo, 28 de setembro de 2014
2410 - POPEYE
(POPEYE, USA 1980) - Para quem não é familiarizado com o universo dos quadrinhos de onde vem Popeye, um marinheiro de bom coração que se fortalece comendo espinafre, o filme não é de muito interesse. Mas, mesmo assim, revendo hoje, achei que o resultado final não é bom. Sempre me intrigou o fato de Robert Altman, um diretor com características menos populares, estivesse à frente de um projeto que, no mínimo, está condenado a um esquecimento complacente. Um dos primeiros filmes de Robin Williams, que personifica o personagem-título à perfeição, POPEYE não chegou nem perto do que se esperava dele, em termos artísticos e de produção.
sábado, 27 de setembro de 2014
2409 - RUSH - NO LIMITE DA EMOÇÃO
(RUSH, USA 2013) - Protagonistas de um antagonismo tão simétrico, que até parece ter saído da mente perversa de um roteirista com a cabeça na ficção, o inglês James Hunt e o austríaco Nikki Lauda foram rivais tão ferozes e diametralmente opostos na Fórmula 1 dos anos 70, que suas histórias só poderiam resultar num filmaço. E foi o que aconteceu. O acidente que desfigurou Lauda no GP da Alemanha, em 1976, já daria para uma abordagem que nos remete ao Dorian Gray de Oscar Wilde - o belo Hunt, agressivo, meio libertino, cercado de mulheres bonitas, chegado a bebidas e drogas é o contraponto psicológico de Lauda, feio, também talentoso, regrado e discreto. Embora Chris Hemsworth convença no papel, sobretudo nas cenas que mostram o fervor e a arrogância do piloto inglês, um mix de 007 e playboy desmiolado, sua atuação fica abaixo ao ser cotejada com a Daniel Brühl, na pele - queimada - do austríaco. Sua transformação física, além de todos os trejeitos de Lauda, é de uma convicção assustadora, e colabora para o eixo dramático do filme: a rivalidade com um desafiante de peso acaba se tornando o grande incentivo à vitória, dentro de fora das pistas.
2408 - O HOMEM BICENTENÁRIO
(BICENTENNIAL MAN, USA 1999) - Adaptação de um conto de Isaac Asimov, o filme lembra muito o A.I. de Spielberg, mas, agora, com a morte recente de Robin Williams, passa a ter um apelo mais emocional do que nunca. A história de um robô doméstico, adquirido por uma família de classe média americana, e que vai acompanhando a vida de seus membros, por décadas, tem um significado especial para mim, que gosto muito de robôs em geral. Claro que a atuação marcante de Williams, dando realmente vida à uma máscara metálica, também contribui para que, hoje, o filme ainda seja bem recebido. O roteiro flerta com BLADE RUNNER, mas isso não compromete o resultado final. É emocionante para quem anda triste. Portanto, cuidado.
2407 - O DESPERTAR DE UMA PAIXÃO
(THE PAINTED VEIL, USA 2006) - Um médico britânico, Walter (Edward Norton, excelente), recém-casado com Kitty (Naomi Watts), vai para o interior da China, com a missão de combater um epidemia de cólera. As dificuldades iniciais da relação vão encontrando novas possibilidades, à medida em que os problemas, internos e externos, vão acontecendo. Toda a atmosfera de uma China praticamente medieval, no início do século passado, sufocante, quase patológica, nas saúde pública e nas relações sociais, nos chega com uma força impressionante. Naomi Watts é uma daquelas atrizes com talento suficiente para passar todo o drama de uma aparentemente superficial dama da sociedade perdida na selva e, de certa forma, distante do amor que a havia libertado da família opressora. E o grandíssimo Edward Norton revela, sutilmente, o sofrimento que leva à transformação em direção à verdade e o sentimento que se perde vivendo, proustianamente.
2406 - O LIVRO DE ELI
(THE BOOK OF ELI, USA 2010) - Não lembrava que Mila Kunis estava neste filme, dividindo o protagonismo com Denzel Washington. Num mundo distópico, pós-apocalítico, fica meio difícil acreditar num personagem que mais parece uma patricinha de Beverly Hills, com direito a óculos escuros nos momentos mais barra-pesada. Além disso, o clima meio messiânico do roteiro não me agrada, embora Denzel, como sempre, atue acima dos argumentos mais sem sentido, sempre dando uma envergadura dramática intensa e crível aos seus personagens. Jennifer Beals tem um papel que cairia como uma luva em Sonia Braga. Gary Oldman ficou abaixo do que pode render como o vilão meio ensandecido que está atrás do tal livro que Eli (Denzel) protege contra tudo, durante seu percurso. As conotações místicas e religiosas não atrapalham tanto a história que, a meu ver, poderia ter sido acrescida de outras ideias.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
2405 - MORTOS QUE FALAM
(DEAD MEN TELL, USA 1941) - Mais um dos filmes de Charlie Chan com Sidney Toler, com uma abordagem quase teatral e muito efetiva. Chan tem de resolver o assassinato de uma senhora que havia dividido um mapa de um tesouro em quatro partes e distribuído entre os passageiros de um navio cujo destino é a ilha onde a fortuna estava enterrada. Uma curiosidade: George Reeves tem um papel pequeno, tanto que seu nome nem aparece nos créditos iniciais. Aqui, coincidentemente, ele faz um repórter que tem uma identidade secreta. Premonitório, não? O filme é muito bom, com o humor de sempre e um cenário caprichado. Veja aí embaixo:
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
2404 - ESCRITO NAS ESTRELAS
(SERENDIPITY, USA 2001) - Um homem conhece uma mulher, numa noite antes do Natal, em Nova Iorque, se apaixona e se separam, convencidos de que, um dia, acabarão juntos. Fórmula batida da tradicional comédia romântica? Sim, mas funciona muito bem aqui. Por várias razões: dois protagonistas belos, charmosos e cativantes (John Cusack e Kate Beckinsale - Céus!!! Como pode ser tão linda???); o cenário de Manhattan, a ideia de que o destino une aqueles que se amam (o que pode até não ser verdade, mas é muito fascinante), o livro O AMOR NOS TEMPOS DE CÓLERA (o livro mais lindo que já li), os encontros e desencontros resolvidos satisfatoriamente e a sensação de esperança, ao acabarmos de assistir ao filme. Imperdível, mesmo para quem já não acredita em história de amor. Ah, vale por Kate Beckinsale, no mínimo...2403 - AS SESSÕES
(THE SESSIONS, USA 2012) - Um dos filmes mais emocionantes dos que vi ultimamente. É a história real de Mark O'Brien que, aos 38 anos, vítima da poliomielite que o deixou paralisado e deformado da cabeça para baixo e que o obriga a viver a maior parte do tempo dentro de um tubo que lhe permite respirar, decide procurar uma terapeuta sexual, para deixar de ser virgem. John Hawkes tem uma atuação inspiradora, contando apenas com a voz e o rosto semiparalisado. Paralelamente ao drama, o filme tem muito humor e uma certa crítica ao politicamente correto, especialmente quando apresenta a questão da vida sexual das pessoas com deformidade física sem qualquer filtro puritano ou hipócrita. Helen Hunt, que está com um rosto estranho, é a terapeuta sexual, que nos remete a "sexual surrogate", prática criada por Masters and Johnson, na década de 60. Destaque para o excelente William H. Macy, como o padre com quem Mark se confessa. Um dos filmes mais emocionantes, repito, que já vi. Você, certamente, teria gostado também.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
2402 - ABRAÇOS PARTIDOS
(LOS ABRAZOS ROTOS, Espanha 2009) - Este filme de Almodóvar fala da paixão pelo cinema - a julgar, sobretudo, pela única redenção possível para o seu protagonista - mas termina sendo muito mais marcante como retrato da paixão do cineasta por sua musa, Penélope Cruz. A metalinguagem, também presente em outros filmes do diretor, leva a narrativa para o uso das ficções dentro da ficção, sempre tecendo comentários sobre temas e estéticas do seu passado. O protagonista, o cineasta Mateo, com sua paixão arrebatadora por Lena (Cruz), e a tragédia que acompanha essa obsessão pela imagem e pelo som da musa, é a forma que Almodóvar encontra para espalhar elementos sensoriais que ecoam essa obsessão: ele faz o close-up até em chapas de raios-x para dar conta da necessidade de ir além nas coisas e nas pessoas que estão diante da sua lente. Em histórias assim, sempre há o desejo alucinante por uma mulher; e este desejo, sempiterno, atemporal, acaba por ter reverberações nas vidas das pessoas envolvidas neles, mesmo não diretamente. O desejo, aqui encapsulado nos lábios carnudos de Penélope Cruz, pode ser resumido como uma forma tantalizante dos ademanes femininos.
sábado, 13 de setembro de 2014
2401 - CAPITÃO PHILIPS
(CAPTAIN PHILIPS, USA 2013) - A questão, aqui, é de sobrevivência. Conseguir chegar até o minuto seguinte, estender a vida ao máximo - todos os significados de que o verbo sobreviver pode ter podem ser encontrados neste soberbo filme de Paul Greengrass, protagonizado por Tom Hanks. Quando a gente lembra que a tomada de um grande cargueiro americano por quatro sujeitos magérrimos e maltrapilhos aconteceu de fato, que não é uma ficção absurda saída de um roteiro alucinado, o filme assume sua real magnitude em termos dramáticos. O que se vê é um ritmo alucinante e sufocante, sempre se valendo da exposição de mundos opostos em todos os sentidos, que Greengrass exprime com incomum competência visual: a lancha frágil e o cargueiro imenso, a magreza esquálida dos piratas e o físico mais para adiposo da população, o diminuto salva-vidas e as colossais embarcações militares que o vão cercando. E Tom Hanks, perfeito, como sempre.
2400 - ATIRADOR
(THE SHOOTER, USA 2007) - Bom filme com Mark Wahlberg como um exímio atirador que é recrutado pelo governo para prever o assassinato do presidente americano. Enganado pelos chefões da CIA, ela passa a ser o principal suspeito e precisar arranjar um jeito de fugir e provar sua inocência. Ritmo intenso, do início ao fim, com boas atuações de Wahlberg, Danny Glover e Michael Pena. O diretor Antoine Fuqua, que acertou em DIA DE TREINAMENTO, mas errou feio em INVASÃO À CASA BRANCA, consegue prender a atenção do espectador, seguindo a cartilha dos filmes que seguem a mesma linha do "injustiçado-que-procura-provar-sua inocência".
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
2399 - O DIA DEPOIS DE AMANHÃ
(THE DAY AFTER TOMORROW, USA 2004) - Depois de assistir a este filme várias vezes, me convenço, cada vez mais, de que as previsões apocalíticas a respeito de uma mudança climática global estão cada vez mais perto de se tornarem verdades, em função dos maus tratos que a humanidade faz com sua própria casa. No mais, o filme continua com efeitos especiais razoáveis, especialmente nas cenas em que Nova Iorque é inundada pela água do mare as que mostram a destruição de Los Angeles por tornados. Há, claro, o inevitável conflito familiar, que geralmente é entre pai e filho (aqui, quem se encarrega deste drama doméstico é Dennis Quaid e Jake Gyllenhaal).
terça-feira, 9 de setembro de 2014
2398 - DOSE DUPLA
(2 GUNS, USA 2013) - Com Denzel Washington e Mark Wahlberg no papel de dois falsos ladrões de banco, o filme funciona do início ao fim. Claro que, para ajudar, também tem a bela Paula Patton com pouca roupa e todo aquele sorriso que nos obriga a assistir a suas cenas de óculos escuros. Fica a impressão de que Denzel e Wahlberg adotaram aquele tipo de atuação "relaxada", sem se levar muito a sério - e isso acaba funcionando, apesar de, no todo, 2 GUNS seja um filme bem parecido com os inúmeros que emulam a fórmula de um dupla de policiais. Vale muito mais pelas cenas de Paula Patton.
2397 - À PROCURA DO AMOR
(ENOUGH SAID, USA 2013) - Eis um filme que tinha tudo para dar certo, muito em função dos atores principais: James Gandolfini e Julia Louis-Dreyfus. Além disso, é uma daquelas comédias românticas que adoramos ver sempre que a nossa cota de sonhos anda beirando níveis críticos. Pois bem, devo dizer que o filme não funciona muito, o que é uma pena, pois foi o último de Gandolfini (1961 - 2013), um dos atores mais legais de Hollywood. Aliás, é dele a atuação mais emocionante e simpática, alternando ternura e carência, sem cair no lugar-comum de personagens deste tipo de história. Minha decepção maior ficou com Julia (a sensacional Elaine, de SEINFELD): ela não me parece bem no filme e se mostra meio desconcentrada no personagem, diminuindo-o de certa forma, principalmente quando contracena com o gigante (em todos os sentidos) Gandolfini. A intenção da diretora Nicole Holofcener de misturar a maturidade dos personagens com as incertezas das paixões adolescente não deu lá muito certo. De qualquer forma, gostaria de ter assistido a este filme com você.
2396 - FOUR DAYS IN NOVEMBER
(FOUR DAYS IN NOVEMBER, USA 1964) - This is definitely one of the best documentaries I have seen about JFK's assassination. It was nominated for an Academy Award for Best Documentary Feature. The film includes Dallas radio and television coverage of: The President's arrival at Love Field Progression of the motorcade First local bulletin of shooting Reports at Parkland Hospital Official announcement of President's death from Malcolm Kilduff Amateur films and photos include: Scenes along the motorcade route Orville Nix's films of the motorcade entering Dealey Plaza, the fatal head shot followed by Secret Service Agent Clint Hill climbing on top of the limousine and the post-shooting confusion at the Plaza Mary Moorman's photo taken just a fraction of a second after the fatal shot Bob Jackson's photo of Jack Ruby shooting Lee Harvey Oswald at the Dallas City Jail.
domingo, 7 de setembro de 2014
2395 - BLUE JASMINE
(BLUE JASMINE, USA 2013) - Claro que qualquer filme de Woody Allen é obrigatório, mesmo os menos brilhantes, como PARA ROMA, COM AMOR. Em BLUE JASMINE, Allan Stewart Konigsberg conta uma história sem ser implacável e compassivo como foi em MATCH POINT, outro filme seu sobre os perigos espirituais do privilégio e do apego material. Ou seja, faltou aquela pegada que o Allen dos velhos tempos tinha de sobra. Flertando com o universo de UM BONDE CHAMADO DESEJO, ele põe a excelente Cate Blanchett no papel de uma dondoca milionária nova-iorquina que fica pobre e tem de procurar abrigo (literalmente) na casa modesta da irmã que vive em São Francisco. Apesar do Oscar, Cate Blanchett, a meu ver, não tem uma atuação memorável, como se poderia supor num filme com a grife de Allen: ela fica naquele estágio intermediário entre a performance protocolar e uma atitude blasé de quem confia demais no seu taco. Mas tem crédito.
2394 - ADVINHE QUEM VEM PARA O JANTAR
(GUESS WHO'S COMING TO DINNER, USA 1967) - Os anos 60 foram particularmente racistas nos Estados Unidos. A ideia de um casamento inter-racial era considerada absurda e, naquela época, tinha mais a ver com a falsa moral e os preconceito de uma sociedade pretensamente liberal, do que com o fator amoroso. Por isso, o filme de Stanley Kramer é corajoso, pois levanta a questão do preconceito abertamente, sem alegorias que pudessem mascarar a realidade. O elenco impõe respeito: Sidney Potier, Spencer Tracy e Katherine Hepburn estão excelentes nos seus personagens. Talvez o aspecto mais emocionante é que este foi o último papel de Spencer Tracy, que morreria logo após o término das filmagens. Ele e Katherine Hepburn fizeram questão de estar no filme, porque se trata de uma história sobre um amor proibido, coisa que eles conheciam muito bem. Veja, abaixo, como Tracy era realmente um dos maiores atores de todos os tempos. Um clássico!
Assinar:
Postagens (Atom)
























