terça-feira, 26 de setembro de 2017

2941 - OS PÁSSAROS

     
 
Tippi Hedren e Suzanne Pleshette
OS PÁSSAROS (THE BIRDS, USA, 1963) – Pouco se fala da primeira sequência desta obra-prima do mestre Hitchcock: Melanie Daniels (Tippi Hedren) atravessa uma rua em São Francisco e entra numa “pet shop”, onde conhece Mitch Brenner (Rod Taylor, exalando carisma pelos poros). A conexão entre os dois vai se intensificando, num diálogo rápido que tateia os espaços de sedução que ambos se concedem parcimoniosamente. A conversa gira em torno de pássaros (que mais, né?) e, a partir daí, as aves passam a ser referência em todas as cenas, inclusive com uma identidade muito sutil, na forma de uma senhora, funcionária da loja, cujo perfil aquilino nos remete ao universo ornitológico. Outra coisa é a relevância dos sets – Hitch não gostava de externas – e, por isso, as cenas em estúdio são, por si só, tensas e perfeitamente sintonizadas com o clima de suspense. Um exemplo disso: mesmo um local supostamente ensolarado como Bodega Bay deixa o espectador com aquela sensação incômoda de que alguma coisa ruim vai acontecer, ainda mais porque é notável o fato de o medo aparecer exatamente quando não há qualquer pássaro em cena – a apreensão dos personagens, diante de mais um ataque, vai tomando, também, conta do espectador, resultado da genialidade do diretor britânico. Trívia de bastidor: Suzanne Pleshette fora a escolha inicial para ser a Mulher-Gato em BATMAN (1966), mas as negociações não se concretizaram, e o papel foi para Julie Newmar.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

2940 - A GAROTA NO TREM

Emily, wasted, in both senses...
        A GAROTA NO TREM (THE GIRL ON THE TRAIN, USA, 2016) – A sensação que se tem ao ver Emily Blunt no papel de uma alcóolatra que não se conforma com o fim do casamento é que ela está muito além deste papel, num filme de suspense apenas mediano, cujo único laivo mais ousado é a narrativa do ponto de vista das três personagens principais: Rachel (Blunt), Anna (Rebecca Fergunson, a atual mulher do seu ex marido e Megan (Haley Bennet), a loira que Rachel observa diariamente, ao passar de trem diante da sua casa, imaginando, numa mistura de inveja e desespero, que este, sim, seja o casamento perfeito e não o desastre em que o dela se transformou. Em certo momento, tem-se a impressão de que o roteiro se perde na descrição vazia dos personagens, como se estivesse fazendo um esforço inócuo para chegar a um trecho final previsível de um filme muito aquém do talento refinado de sua protagonista. 

domingo, 24 de setembro de 2017

2939 - ASSASSINATO NA CASA BRANCA

  
Alan Alda e Snipes
    ASSASSINATO NA CASA BRANCA (MURDER AT 1600, USA 1997) – Depois de tantos anos, o filme perdeu sua força, em função do roteiro ser muito datado e com algumas imprecisões que não seriam perdoadas atualmente. Wesley Snipes fazia mais um personagem da sua então fase áurea: um detetive que insiste em investigar um misterioso assassinato de uma funcionária do governo na Casa Branca, mas começa a enfrentar resistência do Serviço Secreto e de autoridades do primeiro escalão. Conta, então, com a ajuda de uma agente (Diane Lane), que também desconfia de que esteja havendo uma tentativa de acobertar o que realmente aconteceu. Uma curiosidade: paralelamente, o governo americano, na história, estava em vias de entrar em guerra com a Coreia do Norte. Dá para assistir, embora não seja um grande filme. Contudo, as paisagens belíssimas da capital americana compensam, sem dúvida. Alan Alda está mal escalado num personagem que está a um passo do “spoiler”.  




sexta-feira, 22 de setembro de 2017

2938 - OUIJA: A ORIGEM DO MAL

Lulu, com o diabo no corpo
      OUIJA: ORIGEM DO MAL (OUIJA: ORIGIN OF EVIL, USA 2016) – Suspense de terror, dirigido por Mike Flanagan, com uma narrativa rápida, meio incomum aos filmes do gênero. A história não é lá muito original: é uma prequela do filme de 2014 (OUIJA: O JOGO DOS ESPÍRITOS), com acertos aqui e acolá. Se comparado ao ótimo A INVOCAÇÃO DO MAL, do qual guarda inúmeras semelhanças, sai perdendo. Mas, de toda forma, Flanagan consegue explorar bem a questão dos conflitos humanos mais terrenos (a mãe e as duas filhas, em uma pindaíba de fazer gosto, ganham o pão de cada dia, forjando sessões mediúnicas na sua casa) e as visitas de espíritos, manisfestadas na encantadora filha mais nova, Doris (a adorável Lulu Wilson, que também esteve em ANNABELLE). Para finalizar, Henry Thomas (o então garotinho do E.T.) aparece como um padre sensível e valente, e está na cena que homenageia o padre Merrin de Max von Sydow, em seu momento mais icônico de O EXORCISTA, ao se deter diante da casa da família assombrada, segurando uma maleta e um tanto resignado com o destino que se descortina.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

2937 - COCKTAIL

  
Cruise, no balcão
   COCKTAIL (USA 1987) – Tom Cruise era o astro de maior prestígio nos anos 90. NASCIDO EM 4 DE JULHO e MAGNÓLIA pareciam colocá-lo na rota do Oscar, mas a estatueta preferiu a estante de outras celebridades, não necessariamente melhores que ele. Cruise entrou nos anos 2000 com altos e baixos. A parte de cima se deve, principalmente, à série MISSÃO IMPOSSÍVEL. A ladeira abaixo teve seu carimbo como o recente e constrangedor A MÚMIA. Parece que agora, como MADE IN AMERICA, Thomas Cruise Mapother IV reencontrou o caminho dos bons personagens e dos bons roteiros. Contudo, muito antes disso tudo, ele protagonizara TOP GUN, um sucesso estrondoso, e este COCKTAIL, em que faz um ex-soldado imaturo, cheio de filosofia de bar, com talento para se meter em confusões e magoar a mocinha do filme (Elizabeth Shue). A história tangencia uma leve reflexão sobre o amadurecimento pessoal e existencial, ao explorar os conflitos de Brian Flanagan (Cruise) com os sonhos de se tornar um yuppie de Wall Street e a realidade de descobrir-se um bartender de talento. Além disso, o diretor Roger Donaldson ainda encontra espaço para uma discussão sobre a ambição, sucesso e fracasso na sociedade americana.  






domingo, 17 de setembro de 2017

2936 - IMAGINE

   IMAGINE (USA, 1988) – A vida de John Lennon é o foco deste íntimo documentário de 1988, montado a partir de imagens de arquivo dos Beatles e 240 horas de filmes caseiros feitos por Lennon e sua viúva Yoko Ono. Apresentando entrevistas com David Bowie, o produtor George Martin e seu filho Julian Lennon, o documentário narra os altos e baixos da vida do artista e sua carreira, concentrando-se mais em seu período pós-Beatles, e revela o homem privado por trás da persona pública. Ainda hoje, continua sendo um excepcional registro da vida do beatle de oclinho, com todas as suas contradições e, principalmente, com suas grandezas.

sábado, 16 de setembro de 2017

2935 - NARCOS - TEMPORADA 3

Pedro Pascal, destaque absoluto
NARCOS – TEMPORADA 3 - (USA, COLÔMBIA - 2017) – Esta terceira temporada prova que, apesar das aparências, o personagem de Escobar, apesar de importante como condutor na narrativa sobre a tibieza moral que se abate sobre boa parte dos países latino-americanos, não faz falta na continuação da crônica do populismo, da corrupção, do crime (que toma conta das instituições) e das muitas outras mazelas típicas do continente. Agora, a história é guiada pela perspectiva do agente do DEA, Javier Peña (o estupendo Pedro Pascal), sempre angustiado por perceber que sua luta contra o tráfico de drogas da região pode nunca mais ter fim, pois no narcotráfico, o jogo está sempre recomeçando, com novos esquemas, novos personagens, mas com a violência desmedida de sempre. Neste momento, o Cartel de Cáli está dando as cartas, adotando um estilo mais discreto do que o estilo traficante-ostentação de Escobar, porém igualmente brutal e sanguinário. A direção firme, o mix de documentário com thriller de suspense e o elenco excepcional garantem uma temporada de arrepiar, ainda mais arrebatadora do que as duas anteriores. 


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

2934 - LINHA DE FRENTE

 LINHA DE FRENTE (HOME FRONT, USA 2013) – Longa escrito por Sylvester Stallone, LINHA DE FRENTE é baseado no livro de mesmo nome escrito por Chuck Logan. A trama gira em torno de um ex-policial (Jason Statham) que, após perder sua esposa, se muda para uma cidade do interior da Luisiana com sua filha. Ao chegar lá, os dois acabam se envolvendo com a família que toma conta da região e está envolvida com produção de drogas. A ausência de um roteiro mais sólido enfraquece uma história que, por si, não é lá muito original e que acaba comprometendo as atuações de bons atores, como James Franco que, num papel de vilão, não convence.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

2933 - UM TIRO NO ESCURO

Peter Sellers, um gênio
       UM TIRO NO ESCURO (A SHOT IN THE DARK, USA 1964) – Embora não seja dos melhores da série com o Inspetor Closeau, este filme traz algumas cenas geniais de Richard Henry Sellers (a.k.a. Peter), explorando um tipo de humor bem diferente do que se faz hoje em dia. Peter Sellers dá ao seu Closeau uma dimensão que flutua nas fímbrias do neonsense, destacando, nas situações em que se mete, uma fina ironia, imperceptível pelo olhar distraído do cotidiano. Atenção para o sensacional plano-sequência do início do filme. É, de fato, um dos aspectos mais extraordinários do cinema: uma única tomada, sem corte, câmera e ação existindo simultaneamente com a ação, diante de nós. Atenção para a animação da abertura, ao som do mestre Henry Mancini. 

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

2932 - LONGA JORNADA NOITE ADENTRO

Hepburn, Robards e Stockwell - memoráveis...
LONGA JORNADA NOITE ADENTRO (LONG DAY’S JOURNEY INTO NIGHT, USA 1962) – Soberba adaptação de Sidney Lumet da peça autobiográfica de Eugene O’Neill. A belíssima fotografia em preto e branco só valoriza as atuações memoráveis de Katherine Hepburn, Ralph Richardson, Jason Robards e Dean Stockwell. Perfeita combinação entre teatro e cinema, a história dos conflitos de uma família que vive numa profunda simbiose, com cada personagem se alternando entre vítima e perseguidor, agressor e protetor, nos deixa com uma sensação de catarse diante de um renascimento emocional depois de uma habilidosa descontrução: ninguém, na história, deve ser visto como particularmente melhor ou pior do que o outro. Isto se constitui numa das forças de uma peça que se caracteriza pela justiça e a falta de preconceitos, mostrando que os defeitos dos personagens podem ser entendidos como positivos quando analisados sob um novo e inesperado ângulo. Destarte, o texto de O’Neill cria um mundo no qual a comunicação está comprometida, já que um dos maiores conflitos da peça é a quase intransponível incapacidade dos personagens de estabelecê-la efetivamente, de uma forma que vá além da beligerância imanente das suas relações familiares.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

2931 - STAR WARS III - A VINGANÇA DOS SITH

Hayden Christensen e Ewan McGregor
.       STAR WARS – EPISÓDIO III: A VINGANÇA DOS SITH (STAR WARS – EPISODE III: THE REVENGE OF THE SITH, USA 2005) – O terceiro filme da trilogia dirigida por George Lucas confirma a impressão geral: é tão ruim quanto os outros dois e peca, principalmente, por ter a pretensão de ser épico, quando ficou apenas rasteiro e desenxabido. Do elenco, só se salva Ewan McGregor, que continua a dar a dignidade cabível ao seu Obi-Wan Kenobi. O CGI é exagerado e mal feito – ainda temos a vívida e incômoda impressão de estarmos vendo uma animação canhestra que nunca está a serviço da história. O que seria a grande atração desta terceira edição – a transformação definitiva de Anakin em Darth Vader – ficou parecendo ter sido feita às pressas, sem o cuidado necessário para se construir uma atmosfera dramática adequada a um personagem tão importante da saga. 

domingo, 10 de setembro de 2017

2930 - JACK REACHER: SEM RETORNO

    
Tom Cruise, na direção errada
  
JACK REACHER: SEM RETORNO (JACK REACHER: NEVER GO BACK, USA, 2016) – Nem todos os preceitos da Cientologia poderiam salvar este filme. Tudo é muito, mas muito ruim, desde a primeira cena. O roteiro é paupérrimo, sem qualquer originalidade, as atuações são pífias e as soluções para algumas cenas chegam a ser constrangedoras, de tão pedestres. O personagem Jack Reacher (Tom Cruise) tenta emular um Jason Bourne com memória, mas sem o mesmo charme e desenvoltura de Matt Damon. Os diálogos são ruins, beirando um amadorismo indesculpável para uma produção cujo astro principal já foi, em priscas eras, um sucesso inevitável. Mas não é o caso aqui. Cruise está perdido numa história em que nem ele parece acreditar – assim como aconteceu no recente A MÚMIA, que também é um filme feito apenas com clichês, sem o mínimo de consideração com a inteligência do espectador e com a pretensão de ser algo acima da média. É exatamente o que acontece com este lamentável JACK REACHER. Ah, o desfecho é risível de tão simplório. Sem desculpa. 

sábado, 9 de setembro de 2017

2929 - A FÚRIA

 
Douglas e Amy Irving: Spielberg já estava de olho
     
A FÚRIA (THE FURY, USA, 1978) – Este filme de Brian De Palma é sobre um plano do governo americano que envolve o recrutamento involuntário de jovens com capacidades psíquicas e transformá-los em armas de guerra. Kirk Douglas é um ex-agente do próprio governo, que tenta resgatar seu filho, ele também um desses jovens com “talentos específicos”. No entanto, nada funciona no roteiro, e A FÚRIA perde ritmo rapidamente, à medida em que a história se replica em subtramas que vão criando desinteresse no espectador e também uma certa fúria de estar perdendo tempo. Para piorar, os diálogos são duros em algumas cenas, apenas para tentar explicar os buracos do argumento. Amy Irving e John Cassavetes completam o elenco deste filme que deverá ficar numa das primeiras posições na lista dos piores da década de 70.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

2928 - NEVE NEGRA

 
Dois grandes do cinema argentino: Sbaraglia e Darín
 
NEVE NEGRA (NIEVE NEGRA, Argentina/Espanha, 2017) – Ricardo Darín é obrigatório. Aqui, ele é Salvador, que há trinta anos se isolou num chalé perdido entre as montanhas geladas da Patagônia. Seu irmão, Marcos (Leonardo Sbaraglia), juntamente com a esposa, tenta contato com ele, a fim de combinar a venda da serraria que herdaram. A partir daí, o excelente filme do diretor Martin Hodara esclarece que a família está se destroçando de tantos segredos guardados, e que a neve ajuda a esconder. O roteiro hábil e sutil vai construindo uma história de suspense que reserva, a cada sequência, surpresas que arrebatam o espectador. Atenção à última cena, que epitomiza a atmosfera deste filme precioso, como são quase todos os filmes argentinos. 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

2927 - O ESTRANHO SEM NOME

Clint, sem nome
O ESTRANHO SEM NOME (HIGH PLAIN DRIFTER, USA 1973) - Na isolada cidade de Lago há uma mineradora explorada por cidadãos locais e situada em terras do governo, fato que quando descoberto, leva ao assassinato do delegado Jim Duncan (Buddy Van Horn). Duncan é morto a chicotadas na rua principal de Lago por Stacey Bridges (Geoffrey Lewis) e pelos irmãos Cole Carlin (Anthony James) e Dan Carlin (Dan Vadis). Os três assassinos cometem o crime a mando de seus patrões, os comerciantes locais, todos sócios da mineradora. Para se livrar do trio que é procurado pela Justiça, os habitantes de Lago executam uma emboscada para os três homens, resultando na prisão dos mesmos. Libertados um ano depois, Bridges e os irmãos Carlin se dirigem a Lago para o acerto de contas com seus traidores ex-patrões. Antes, porém, de chegarem a Lago, adentra a cidade um estranho (Clint Eastwood) que mata friamente, em legítima defesa, três homens que o provocaram. Em seguida o estranho estupra Callie Travers (Marianna Hill), jovem mulher que igualmente provoca e xinga o desconhecido. Atemorizados, os homens importantes de Lago decidem contratar o estranho para protegê-los do trio de assassinos que está a caminho. O estranho impõe uma série de condições para aceitar o trabalho e entre essas condições, aceitas com pouca relutância, está nomear o diminuto quase anão Mordecai (Billy Curtis) como delegado e prefeito de Lago. Outra exigência do desconhecido é pintar inteiramente a cidade de vermelho, chamando-a de ‘Hell’ (inferno). O estranho treina os habitantes de Lago/Hell para recepcionar a tiros os três assassinos que se aproximam e estes quando chegam dominam facilmente a situação. 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

2926 - STAR WARS - O ATAQUE DOS CLONES

Poderia ter sido melhor...
        STAR WARS – O ATAQUE DOS CLONES (STAR WARS – THE ATTACK OF THE CLONES, USA, 2002) – Dos três episódios iniciais da saga de STAR WARS, este segundo filme talvez seja o menos ruim, em termos de roteiro. Aqui, Anakin Skywalker (Hayden Christensen, fraquíssimo) continua seu treinamento como Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor, excelente), e os dois estão encarregados da proteção da senadora Amidala (Natalie Portman), depois que ela sofre um atentado quando chega a Coruscant, para votar um projeto de criação de um exército que ajudasse os Jedi a proteger a República. Anakin e Amidala, então, começam o romance mais sem graça que já se viu na galáxia. Neste meio tempo, Obi-Wan descobre um exército de clones que tem o caçador de recompensas Jango Fett como matriz. O excesso de CGI (de baixa qualidade) é um dos pontos negativos: às vezes, tem-se a impressão de estarmos vendo um filme – pobre - de animação, com alguns atores de carne e osso insertos no cenário. No entanto, e apesar de um pouco longo demais, O ATAQUE DOS CLONES se resolve no seu entrecho final, principalmente por causa da chance que temos de acompanhar a gradual transformação de personalidade de Anakin (que mereceria um ator de maior envergadura dramática). A participação do grandíssimo Christopher Lee, como o Conde Dooku, é um dos pontos altos, ao contrário do CG que anima Yoda – a tecnologia tirou todo o charme do personagem que, na trilogia anterior, era muito mais legal na sua conformação mecânica. A Força não estava com ele nesta sequência. E, admitamos: George Lucas não é um bom diretor.



terça-feira, 5 de setembro de 2017

2925 - JOVEM GUARDA AOS 50 - A HISTÓRIA DE MEIO SÉCULO DA JOVEM GUARDA

   
Roberto não apareceu
 
 
JOVEM GUARDA AOS 50 – A HISTÓRIA DE MEIO SÉCULO DA JOVEM GUARDA (BRASIL, 1916) – Documentário sobre os 50 anos da Jovem Guarda, narrando histórias dos bastidores e da época que antecedeu este fenômeno de popularidade nas tardes de domingo, na TV Record de São Paulo. Há entrevistas com vários artistas, inclusive Erasmo e Wanderléa, mas Roberto Carlos não aparece. O diretor Sérgio Baldassarini Júnior deixa claro que ele não quis participar do documentário, embora não forneça mais informações sobre isso. Um dos pontos altos da produção é a história do grupo The Jordans, sucesso no Brasil naquela época que, ao excursionar pela Europa, e estando em Londres, tiveram um inesperado encontro com os Beatles, do qual só se tem um resto de filme e uma foto bem precária. Resultado: chegaram ao Brasil como heróis. Este caleidoscópio da música brasileira é narrado, com a competência de sempre, por Milton Gonçalves.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

2924 - NIXON BY NIXON: IN HIS OWN WORDS

Nixon, o presidente maluquinho
  NIXON BY NIXON: IN HIS OWN WORDS (USA, 2014) – De 1971 a 1973, Richard Nixon gravou, secretamente, sua conversas telefônicas na Casa Branca. Agora liberadas para o público, estas gravações mostram muito da intimidade e da personalidade de um presidente sem carisma, com quase nenhuma desenvoltura diante das câmeras e afeito à declarações infelizes sobre diversos temas – algo meio parecido com o atual ocupante da Casa Branca. É curioso notar que Nixon não se preocupou em deixar gravadas várias declarações que o retratam como corrupto e antiético, o que nos leva a crer como o poder é mesmo altamente enebriante, deixando seu detentor, em muitos casos, sem qualquer laivo de autopreservação.

domingo, 3 de setembro de 2017

2923 - A DAMA DE VERMELHO

  
Gene Wilder e Kelly LeBrock
  
A DAMA DE VERMELHO (THE WOMAN IN RED, USA 1984) – Clássico dos anos 80, este filme dirigido e protagonizado pelo genial Gene Wilder ainda é muito melhor do que se produz em termos de comédia no cinema contemporâneo. O roteiro é uma abordagem bem-humorada do comportamento dos homens de meia idade, numa sociedade falocrática, mas que, ao mesmo tempo, se deixa dominar pelo apelo sexy das supermodelos que, então, começavam a aparecer em escala planetária. A escolha de Kelly LeBrock para a dama em questão tem tudo a ver com a estética da década, quando os cabelos naturais encaracolados reinavam absolutos. O elenco é sensacional: Gilda Radner, Joseph Bologna e o talentosíssimo Charles Grodin, que tem uma cena engraçadíssima, na qual faz um cego que quebra os copos em cima do balcão de um bar, enquanto grita à procura de seu amigo. A amizade, inclusive, é outra feliz abordagem do roteiro: os amigos de Teddy (Wilder) estão do lado dele, em todas as situações, como fiéis escudeiros da sua missão quixotesca e, por isso mesmo, hilária: conquistar a mulher mais desejada do mundo (segundo padrões da época). E, claro, a estupenda trilha sonora de Stevie Wonder!!! 

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

2922 - TUDO VAI DAR CERTO

 
James Franco, em atuação memorável
   
TUDO VAI DAR CERTO (EVERY THING WILL BE FINE, ALEMANHA, CANADÁ, 2015) – Delicado e profundo filme de Wim Wenders sobre um escritor, Thomas (James Franco, excelente) que, numa noite de inverno, atropela fatalmente uma criança e, a partir daí, fica emocionalmente ligado à mãe dela (Charlotte Gainsbourg) e ao outro irmão que presencia a cena. O filme é uma aula de direção, belo, sólido, sutil e tão emocionalmente rico que transfere sentimentos e ideias com o máximo impacto, através de um mínimo de meios. O roteiro dá saltos para que acompanhemos o efeito que o acidente teve em Thomas que, mesmo se tornando um escritor de sucesso, ao se olhar no espelho, ainda vê um assassino e uma história inconclusa. O diretor de ASAS DO DESEJO e PARIS, TEXAS mostra o efeito que o acidente teve em todas as pessoas ligadas ao Thomas, deixando sempre as possibilidades de aceitação e reconciliação abertas, contrastando abertamente com a atual tendência cultural de resolver tudo com violência e vingança. A fotografia  belíssima ajuda a compor este belo e inesperado retrato da solidão, culpa e dor na vida de pessoas comuns.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

2921 - O SILÊNCIO DO CÉU

 
Sbaraglia e Carolina, personagens um para o outro
  
SILÊNCIO DO CÉU (ERA EL CIELO, Brasil, 2016) – Diana (Carolina Dieckman) é brutalmente estuprada por dois homens, em sua casa, em um bairro residencial de Montevidéu. Quando eles se vão, ela tenta se recompor, liga para o marido pegar as crianças na escola, tudo com a voz controlada. Sobre o estupro, nenhuma palavra. Mario (o excelente Leonardo Sbaraglia), o marido, também tem seu próprio segredo a respeito do que aconteceu com Diana: ele a viu ser atacada e tentou reagir, mas não consegui esboçar nenhuma reação. Suas razões aparecem na sua narração em off: ele tem medo de tudo, esses medos se multiplicam e, em sua cabeça, o impedem de ser a pessoa plena que sempre idealizou para si. A partir daí, o roteiro se desenvolve na direção da investigação que Mário se propõe fazer para encontrar os agressores e, desta forma, vencer o medo que o habita. Tem-se, portanto, um desvio do olhar em situações tão dramáticas como esta: é o marido, e não a mulher, que a plateia vai acompanhar, na sua expectativa de, também ela, obter as respostas que o véu do mistério encobre. 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

2920 - HAWAII 50 (1968)

   
Jack Lord, reinando no Havaí
  HAWAII 5.0. (USA, 1968) – Jack Lord, protagonista desta série, já havia feito um teste para ser o capitão Kirk de STAR TREK, mas recusou o papel por se achar ridículo com o uniforme da Federação Estelar. Ele teria sido um bom Kirk, mas certamente ficou bem melhor nos ternos do detetive Steve McGarrett, chefe da unidade 5. 0. da polícia do Havaí (o 5.0. faz referência ao quinquagésimo estado americano). Durante os 11 anos em que esteve no ar, H50 nos trouxe episódios realmente excitantes, bem elaborados e entremeados com as belas paisagens do litoral do Havaí. E, claro, o sensacional tema de abertura se tornou um dos mais conhecidos em todos os tempos. 

domingo, 27 de agosto de 2017

2919 - ALIEN: COVENANT

    
Alien: o avô era melhor
  
ALIEN – COVENANT (USA, 2017) – Alguém deveria impedir os grandes criadores que, por qualquer razão que seja, tentam destruir suas obras-primas. Por mais estranho que isso possa parecer, acontece com frequência. Ridley Scott vem se empenhando em desqualificar seu magistral ALIEN, O OITAVO PASSAGEIRO (1979) desde o equivocado PROMETHEUS, de 2012. Pois bem, ALIEN: COVENANT é uma continuação que degrada e corrompe sua fabulosa criação, protagonizada por Sigourney Weaver e que assombrou o mundo – este e outros. O roteiro deste filme é amadorístico, as interpretações são sofríveis, incluindo a do grande Michael Fassbender, como David e seu gêmeo sintético Walter. O que mais dói é a tentativa de explicar o que não deve ser explicado. Em STAR WARS, não se sentiu a necessidade de explicar a Força; em ALIEN, ninguém se preocupava em apresentar a árvore genealógica da espécie alienígena que marcou gerações. Por que, agora, esta tentativa de esclarecer tudo e, pior, esclarecer mal? Não há em COVENANT suspense nem tensão, mas tão somente tédio e repetição, desfigurando o nobre ato que o cinema simboliza tão bem: a criação. 

sábado, 26 de agosto de 2017

2918 - STAR TREK (2009)

J.J. Abrams na ponte de comando

 STAR TREK (USA, 2009) – J. J. Abrams é um corajoso. Encarrou o desafio de ressuscitar uma das maiores franquias da ficção científicas já criadas, mesmo confessando que não era fã da série, o que colocou os fãs em permanente estado de suspeição, com as orelhas (pontudas, claro) em pé. Contudo, Abrams oxigenou a história e acertou em cheio ao revisitar a saga canônica, reescrevendo o “Velho Testamento” dos trekkers e rejuvenescendo os personagens que pareciam intocáveis no nosso imaginário. Sim, sem dúvida, Chris Pine é o melhor Kirk que se poderia arranjar em todo o universo, Zachary Quinto é praticamente um filhote de Leonard Nimoy, a cotia Zoe Saldana coube perfeitamente no uniforme justinho da Tenente Uhura, Karl Urban tem a mesma ranzinzice adorável de DeForest Kelly, o Scotty de Simon Pegg é tão legal quanto fora James Dooham, John Cho está perfeito como Sulo e o saudoso Anton Yelchin vai fazer falta como Checov. O roteiro é envolvente e dotado daquele equilíbrio que caracteriza a Força (Oops! Misturei os universos, sorry!) de uma história que, audaciosamente, ousou ir aonde nenhum homem houvera ido antes. Isto se comprova com as duas sequências, alvissareiramente anunciando uma vida longa e próspera para STAR TREK. 


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

2917 - UM ATO DE CORAGEM

  
Denzel Washington, grandíssimo
 UM ATO DE CORAGEM (JOHN Q, USA 2002) – Denzel Washington é sempre obrigatório. Neste filme, ele faz uma equipe médica de refém, por não poder pagar o transplante de coração do filho, já que seu plano de saúde não cobre as despesas. Na realidade, este filme de Nick Cassavetes (filho de John Cassavetes) expõe as fragilidades e hipocrisias do sistema de saúde americano, bem antes de Obama querer resolver o problema. É impressionante como Denzel Washington é capaz de interpretar o homem comum como se estivesse num personagem de Shakespeare, embora o roteiro previsível não esteja à sua altura. O que parece um pouco questionável no filme é a heroificação de um ato que pode ser de coragem, mas, por mais baseado em razões justas que seja, não é lá o que se pode chamar de ético. O grande Robert Duvall está no elenco, juntamente como o correto James Woods. 

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

2916 - DEXTER, TEMPORADA 7

 
Dexter
    
DEXTER – SÉTIMA TEMPORADA (USA, 2012) – A esta altura, a história passou por cima de algumas diretrizes que formataram o fascínio que a série despertou nos expectadores durantes as primeiras temporadas. Dexter parece ter esquecido as normas rígidas do Código, Deb continua sendo o contraponto emocional do irmão, por quem ela descobre sentimentos inesperados, LaGuerta encasqueta que Dexter é muito mais suspeito do que parece e a entrada de Hanna McKay parece querer mostrar que, de fato, os iguais se atraem de maneira irresistível. Num olhar mais crítico, faltou tempero a esta temporada. A conduta de Deb, por exemplo, fica meio forçada, principalmente depois de ela descobre o que não deveria. Pelo menos, agora, não. 

terça-feira, 22 de agosto de 2017

2915 - FLORENCE: QUEM É ESTA MULHER?

Helberg, Meryl e Grant
   FLORENCE: QUEM É ESTA MULHER? (FLORENCE FOSTER JENKINS, Inglaterra, 2016) – Desde a juventude, a socialite Florence Foster Jenkins cismara que seria uma soprano operística admirada. Ao herdar a fortuna da família, na meia-idade, investiu tudo em sesu sonho. No entanto, foi sua voz medonha que a tornou célebre. Juntamente com uma quantidade inesgotável de autoilusão, Florence era motivo de zombaria e fascínio na Nova Iorque da primeira metade do século passado. No fundo, o filme é um ensaio sobre os efeitos deletérios da vaidade sobre a percepção que as pessoas têm (ou não têm) de si mesmos. Nada muito diferente das execráveis “redes sociais” de hoje em dia. Meryl Streep está correta no papel de Florence: não brilha, porque o personagem também não. É Hugh Grant, porém, menos “Hugh Grant” do que nunca, quem rouba o filme, como o marido oportunista, mas também devotado. Simon Helberg, o Howard, de THE BIG BANG THEORY, faz o pianista que acompanha Florence, mas com os mesmos trejeitos que o consagraram na série. Não chega a atrapalhar, mas a gente fica sempre esperando que Raj apareça de uma hora para outra. 

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

2914 - DEXTER - SEXTA TEMPORADA

       
He saw. She saw: teaser genial
DEXTER – SEXTA TEMPORADA – Nesta temporada, Dexter se vê às voltas com dois fanáticos religiosos, o professor James Gellar e Travis, que acreditavam que o fim do mundo estava chegando e, por isso, matavam. Depois de vários assassinatos surpreendentes (como, por exemplo, uma mulher degolada que posteriormente “transformava-se” em anjo) inicia-se um jogo de gato e rato entre Dexter e Gellar, durante o qual Travis decidiu ajudar o nosso protagonista. Os roteiristas não aproveitaram a chance de fazer Dexter se confrontar com as questões conflitantes que os preceitos religiosos inseridos nesta temporada poderiam proporcionar. Isso resultou em muitos episódios desenxabidos, nos quais o personagem principal perdeu muito do “punch” que o caracterizava nos anos anteriores. Mas a vida é mesmo irregular, fazer o quê?