KRAKEN (Noruega, 2026) – Os filmes de monstros frequentemente funcionam como uma poderosa metáfora para tensões sociais e ambientais, e podem ser lidos como uma forma de catarse coletiva diante dos abusos humanos contra a natureza. Godzilla, por exemplo, originalmente concebido no Japão pós-Hiroshima e Nagasaki, pode ser interpretado como uma força da natureza que se volta contra a humanidade por seus experimentos nucleares. O monstro não é apenas uma ameaça externa: ele encarna o resultado dos excessos humanos. Muitas narrativas mostram cidades modernas destruídas, fábricas arrasadas, tecnologia impotente. É como se o monstro fosse a resposta ao desequilíbrio causado pela industrialização e pela exploração ambiental. Há nesses filmes uma mistura de culpa e expiação: o público experimenta medo e fascínio ao ver a destruição, mas também uma sensação de justiça poética: o monstro pune a arrogância humana. Assistir a um monstro devastar metrópoles permite que o espectador expresse inconscientemente sua frustração com sistemas que parecem incontroláveis — capitalismo, poluição, guerras. Espetáculo da destruição e a grandiosidade das cenas de caos criam um espaço seguro para lidar com medos reais (mudanças climáticas, pandemias, colapsos sociais) sem precisar enfrentá-los diretamente. Disso resulta um reinício simbólico: após a destruição, muitas histórias sugerem a possibilidade de reconstrução. O monstro, paradoxalmente, abre espaço para imaginar um mundo diferente, talvez mais equilibrado. Os filmes de monstros não são apenas entretenimento: eles funcionam como espelhos de nossas ansiedades coletivas e como rituais de catarse, onde a natureza, encarnada em criaturas gigantes, devolve à humanidade os abusos que sofreu. Isso posto, vamos a KRAKEN: o filme é um lixo, do roteiro desenxabido aos precários efeitos especiais, passando por atuações amadoras de atores tão ruins quanto a produção. O que se salva são as belas paisagens com os fiordes noruegueses. Monster movies often function as a powerful metaphor for social and environmental tensions, and can be read as a form of collective catharsis in the face of human abuses against nature. Godzilla, for example, originally conceived in post-Hiroshima Japan and Nagasaki, can be interpreted as a force of nature that turns against humanity for its nuclear experiments. The monster is not just an external threat: it embodies the result of human excesses. Many narratives show destroyed modern cities, razed factories, powerless technology. It is as if the monster is the answer to the imbalance caused by industrialization and environmental exploitation. There is in these films a mixture of guilt and atonement: the audience experiences fear and fascination at the sight of destruction, but also a sense of poetic justice: the monster punishes human arrogance. Watching a monster devastate metropolises allows the viewer to unconsciously express his frustration with systems that seem uncontrollable—capitalism, pollution, wars. The spectacle of destruction and the grandeur of the scenes of chaos create a safe space to deal with real fears (climate change, pandemics, social collapses) without having to face them directly. This results in a symbolic restart: after the destruction, many stories suggest the possibility of reconstruction. The monster, paradoxically, makes room to imagine a different, perhaps more balanced world. Monster movies are not just entertainment: they function as mirrors of our collective anxieties and as rituals of catharsis, where nature, incarnated in giant creatures, gives back to humanity the abuses it has suffered. That said, let's go to KRAKEN: the film is garbage, from the unkempt script to the precarious special effects, passing through amateur performances by actors as bad as the production. What is saved are the beautiful landscapes of the Norwegian fjords.
domingo, 20 de setembro de 2026
5043 - KRAKEN (2026)
KRAKEN (Noruega, 2026) – Os filmes de monstros frequentemente funcionam como uma poderosa metáfora para tensões sociais e ambientais, e podem ser lidos como uma forma de catarse coletiva diante dos abusos humanos contra a natureza. Godzilla, por exemplo, originalmente concebido no Japão pós-Hiroshima e Nagasaki, pode ser interpretado como uma força da natureza que se volta contra a humanidade por seus experimentos nucleares. O monstro não é apenas uma ameaça externa: ele encarna o resultado dos excessos humanos. Muitas narrativas mostram cidades modernas destruídas, fábricas arrasadas, tecnologia impotente. É como se o monstro fosse a resposta ao desequilíbrio causado pela industrialização e pela exploração ambiental. Há nesses filmes uma mistura de culpa e expiação: o público experimenta medo e fascínio ao ver a destruição, mas também uma sensação de justiça poética: o monstro pune a arrogância humana. Assistir a um monstro devastar metrópoles permite que o espectador expresse inconscientemente sua frustração com sistemas que parecem incontroláveis — capitalismo, poluição, guerras. Espetáculo da destruição e a grandiosidade das cenas de caos criam um espaço seguro para lidar com medos reais (mudanças climáticas, pandemias, colapsos sociais) sem precisar enfrentá-los diretamente. Disso resulta um reinício simbólico: após a destruição, muitas histórias sugerem a possibilidade de reconstrução. O monstro, paradoxalmente, abre espaço para imaginar um mundo diferente, talvez mais equilibrado. Os filmes de monstros não são apenas entretenimento: eles funcionam como espelhos de nossas ansiedades coletivas e como rituais de catarse, onde a natureza, encarnada em criaturas gigantes, devolve à humanidade os abusos que sofreu. Isso posto, vamos a KRAKEN: o filme é um lixo, do roteiro desenxabido aos precários efeitos especiais, passando por atuações amadoras de atores tão ruins quanto a produção. O que se salva são as belas paisagens com os fiordes noruegueses. Monster movies often function as a powerful metaphor for social and environmental tensions, and can be read as a form of collective catharsis in the face of human abuses against nature. Godzilla, for example, originally conceived in post-Hiroshima Japan and Nagasaki, can be interpreted as a force of nature that turns against humanity for its nuclear experiments. The monster is not just an external threat: it embodies the result of human excesses. Many narratives show destroyed modern cities, razed factories, powerless technology. It is as if the monster is the answer to the imbalance caused by industrialization and environmental exploitation. There is in these films a mixture of guilt and atonement: the audience experiences fear and fascination at the sight of destruction, but also a sense of poetic justice: the monster punishes human arrogance. Watching a monster devastate metropolises allows the viewer to unconsciously express his frustration with systems that seem uncontrollable—capitalism, pollution, wars. The spectacle of destruction and the grandeur of the scenes of chaos create a safe space to deal with real fears (climate change, pandemics, social collapses) without having to face them directly. This results in a symbolic restart: after the destruction, many stories suggest the possibility of reconstruction. The monster, paradoxically, makes room to imagine a different, perhaps more balanced world. Monster movies are not just entertainment: they function as mirrors of our collective anxieties and as rituals of catharsis, where nature, incarnated in giant creatures, gives back to humanity the abuses it has suffered. That said, let's go to KRAKEN: the film is garbage, from the unkempt script to the precarious special effects, passing through amateur performances by actors as bad as the production. What is saved are the beautiful landscapes of the Norwegian fjords.