quinta-feira, 24 de setembro de 2026

5047 - O ANIVERSÁRIO (2025)


O ANIVERSÁRIO (ANNIVERSARY, USA, 2025) - O filme O Aniversário pode ser lido como uma alegoria sobre o avanço do neofascismo, sobretudo quando observamos seus elementos narrativos e estéticos sob a ótica da política contemporânea. A reunião familiar ou social que dá título ao filme funciona como microcosmo da sociedade: o espaço privado, aparentemente festivo, vai sendo contaminado por discursos autoritários, ressentimentos e exclusões. Essa dinâmica espelha como o neofascismo se infiltra em ambientes cotidianos, normalizando práticas de intolerância e violência simbólica. Personagens que assumem posições de poder ou liderança durante a narrativa utilizam estratégias retóricas típicas do neofascismo: simplificação de problemas complexos, apelo emocional ao medo e à insegurança, e a construção de inimigos internos. O filme mostra como tais discursos encontram terreno fértil em momentos de crise, revelando a fragilidade das instituições democráticas. A festa, que deveria ser espaço de celebração, torna-se palco de exclusão e hostilidade. Essa inversão dramatiza o modo como o neofascismo transforma rituais comunitários em arenas de disputa e segregação. A lógica do “nós contra eles” é encenada em escala íntima, mas remete ao processo social mais amplo de radicalização política. A mise-en-scène reforça o clima de claustrofobia e vigilância, sugerindo que o autoritarismo não precisa de grandes espetáculos militares para se afirmar: ele pode nascer de pequenos gestos, olhares e silêncios. O desconforto crescente dos personagens funciona como metáfora para a erosão da convivência democrática. Ao relacionar a narrativa com o crescimento do neofascismo global, o filme evidencia como o autoritarismo contemporâneo se alimenta de crises econômicas, insegurança cultural e nostalgia de uma ordem perdida. A obra não apenas denuncia, mas também alerta: o perigo não está distante, ele se manifesta no cotidiano, nos vínculos pessoais e nas celebrações aparentemente inocentes. Em suma, “O Aniversário” dramatiza a banalização do autoritarismo e mostra como o neofascismo se infiltra em espaços íntimos, corroendo relações sociais e normalizando discursos de ódio. É um filme que, ao mesmo tempo, reflete e critica o presente político, no qual o dsicurso de ódio toma o lugar do entendimento e da aceitação das diferenças. Não é agradável de assistir, contudo, pedagogicamente, pode mostrar como identificar e combater a extrema-direita fascista que grassa no mundo atualmente. Diane Lane tem atuação vigorosa interpretando Ellen Taylor, uma personagem central que simboliza a resistência intelectual e moral diante da ascensão de ideologias autoritárias. Sua trajetória mostra como uma mulher culta e privilegiada vê sua vida e família serem corroídas pela polarização política e pela infiltração de ideias radicais. Ellen representa a voz da razão e da democracia. Como intelectual, ela confronta ideias radicais já no passado, quando Liz (Phoebe Dynevor) era sua aluna. Ellen encarna o lado liberal e democrático, em contraste com Liz, que defende “A Mudança”, um movimento totalitário.  O arco de Ellen mostra que o autoritarismo não chega com tanques, mas com discursos sedutores e normalizados. Sua derrota parcial é um alerta: mesmo vozes respeitadas podem ser silenciadas quando a sociedade abdica do diálogo. Lane frequentemente interpreta mulheres que enfrentam rupturas — seja no casamento, na carreira ou na política. Um exemplo é o simpático Sob o Sol da Toscana, em que ela é France Mayes, uma escritora que busca reconstruir a vida depois do divórcio. Ambas compartilham a resiliência diante da perda, porém, com desfechos distintos – Frances encontra a renovação e a esperança, enquanto Ellen tem diante de si somente destruição e desesperança. The film The Anniversary can be read as an allegory about the advance of neofascism, especially when we observe its narrative and aesthetic elements from the perspective of contemporary politics. The family or social gathering that gives the film its title functions as a microcosm of society: the private space, apparently festive, is contaminated by authoritarian discourses, resentments, and exclusions. This dynamic mirrors how neofascism infiltrates everyday environments, normalizing practices of intolerance and symbolic violence. Characters who assume positions of power or leadership during the narrative use rhetorical strategies typical of neofascism: simplification of complex problems, emotional appeal to fear and insecurity, and the construction of internal enemies. The film shows how such discourses find fertile ground in moments of crisis, revealing the fragility of democratic institutions. The party, which should be a space for celebration, becomes a stage of exclusion and hostility. This inversion dramatizes the way neofascism transforms community rituals into arenas of dispute and segregation. The logic of "us against them" is staged on an intimate scale, but refers to the broader social process of political radicalization. The mise-en-scène reinforces the climate of claustrophobia and surveillance, suggesting that authoritarianism does not need great military spectacles to assert itself: it can be born from small gestures, looks, and silences. The growing discomfort of the characters works as a metaphor for the erosion of democratic coexistence. By relating the narrative to the growth of global neofascism, the film shows how contemporary authoritarianism feeds on economic crises, cultural insecurity, and nostalgia for a lost order. The work not only denounces but also warns: danger is not far away; it manifests itself in everyday life, in personal bonds, and in seemingly innocent celebrations. In short, "The Anniversary" dramatizes the trivialization of authoritarianism and shows how neofascism infiltrates intimate spaces, eroding social relations and normalizing hate speech. It is a film that, at the same time, reflects and criticizes the political present, in which the discourse of hatred takes the place of understanding and acceptance of differences. It is not pleasant to watch; however, pedagogically, it can show how to identify and combat the fascist far right that is raging in the world today. Diane Lane has a vigorous performance playing Ellen Taylor, a central character who symbolizes intellectual and moral resistance in the face of the rise of authoritarian ideologies. Her trajectory shows how a cultured and privileged woman sees her life and family being eroded by political polarization and the infiltration of radical ideas. Ellen represents the voice of reason and democracy. As an intellectual, she confronts radical ideas already in the past, when Liz (Phoebe Dynevor) was her student. Ellen embodies the liberal and democratic side, in contrast to Liz, who defends "The Change", a totalitarian movement. Ellen's arc shows that authoritarianism does not arrive with tanks, but with seductive and normalized discourses. Her partial defeat is a warning: even respected voices can be silenced when society abdicates dialogue. Lane often plays women who face ruptures – whether in marriage, career or politics. An example is the nice Under the Tuscan Sun, in which she is Frances Mayes, a writer who seeks to rebuild her life after divorce. Both share resilience in the face of loss, but with different outcomes – Frances finds renewal and hope, while Ellen is only destruction and hopelessness.