CHEF (CHEF, USA 2014) – Escrito e dirigido por um dos atores mais “gente boa” de Hollywood, Jon Favreau, CHEF, assim como um prato especialmente preparado por um talentoso cozinheiro, é uma delícia de ser degustado. É um filme leve, sem calorias dramáticas desnecessárias, perfeito para quem anda enjoado de engolir algumas produções supostamente sofisticadas, mas vazias do recheio principal do verdadeiro cinema: o entretenimento. Dando a impressão de que reuniu os amigos, para fazer um filme que agradasse a todos os gostos, Favreau se cercou dos melhores ingredientes para duas horas de prazer, como se salpicasse sobre as cenas o melhor tempero possível. Começa colocando Scarlett Johansson, mais linda e sexy do que nunca, com pouca roupa, em cima da cama, provando uma sopa; depois, encarrega Dustin Hoffman de ser um gerente mal humorado de restaurante e, por fim, coloca Robert Downey Jr. como ex-marido de sua ex-mulher (Sofia Vergara, que surpreende com uma inesperada atuação). Ainda há o excelente John Leguizamo roubando todas as cenas em que aparece. No fim, temos o resgate da relação de Casper (Favreau) com o filho, durante um road-movie que seduz e satisfaz à primeira dentada. Aproveitando a onda dos Food Trucks, Favreau faz um filme que deveria ser assistido por todos que têm bom gosto.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
2572 - CHEF
CHEF (CHEF, USA 2014) – Escrito e dirigido por um dos atores mais “gente boa” de Hollywood, Jon Favreau, CHEF, assim como um prato especialmente preparado por um talentoso cozinheiro, é uma delícia de ser degustado. É um filme leve, sem calorias dramáticas desnecessárias, perfeito para quem anda enjoado de engolir algumas produções supostamente sofisticadas, mas vazias do recheio principal do verdadeiro cinema: o entretenimento. Dando a impressão de que reuniu os amigos, para fazer um filme que agradasse a todos os gostos, Favreau se cercou dos melhores ingredientes para duas horas de prazer, como se salpicasse sobre as cenas o melhor tempero possível. Começa colocando Scarlett Johansson, mais linda e sexy do que nunca, com pouca roupa, em cima da cama, provando uma sopa; depois, encarrega Dustin Hoffman de ser um gerente mal humorado de restaurante e, por fim, coloca Robert Downey Jr. como ex-marido de sua ex-mulher (Sofia Vergara, que surpreende com uma inesperada atuação). Ainda há o excelente John Leguizamo roubando todas as cenas em que aparece. No fim, temos o resgate da relação de Casper (Favreau) com o filho, durante um road-movie que seduz e satisfaz à primeira dentada. Aproveitando a onda dos Food Trucks, Favreau faz um filme que deveria ser assistido por todos que têm bom gosto.
terça-feira, 24 de março de 2015
2571 - VERSOS DE UM CRIME

VERSOS DE UM CRIME (KILL YOUR DARLINGS, USA 2013) – Interessante filme sobre a juventude dos autores da Beat Generation, Allen Ginsberg (Daniel Radcliffe), Jack Kerouac e Williams Burroughs. Tendo como pano de fundo um triângulo amoroso inusitado, com uma boa dose de desejo reprimido, Versos de um Crime é um bom filme que mostra um pouco da juventude de escritores que se tornaram ícones da América pós-2ª Guerra Mundial, seja pelo espírito libertário que carregavam consigo ou pela própria quebra das regras do status quo de momento.
segunda-feira, 23 de março de 2015
2570 - COMO ESQUECER

COMO ESQUECER (BRASIL 2010) – Finalmente, vejo um filme brasileiro bem acima das produções vazias de conteúdo que vêm se tornando um triste retrato do cinema nacional contemporâneo, como bem disse Paulo José em uma entrevista recente. A dor da perda da pessoa amada está ao centro de "Como Esquecer", um drama de Malu de Martino ("Mulheres do Brasil"). Como protagonista, está Ana Paula Arósio (que está a cara da Rachel Weiss, olhe só, aí do lado), interpretando a professora universitária Júlia, cuja separação da ex companheira Antonia causa uma grande ruptura em sua vida. COMO ESQUECER é um filme sobre deixar de lado velhas rotinas para abraçar o novo, seja ele um amor, uma casa ou um grupo de amigos. Sem saber lidar com a dor, Júlia se fecha em si mesma e passa evitar as pessoas, tem dificuldades para preparar suas aulas e não poupa ninguém de seu mau humor e ódio do mundo. Ana Paula Arósio, supreendentemente, para mim, está muito bem no papel, contida na medida certa, tensa e angustiada diante de uma existência nova, na qual o grande amor da sua vida não mais está. Se por um lado há uma boa dose de previsibilidade na trama, por outro, a sólida interpretação de Ana Paula traz um vigor muito bem-vindo ao filme. Júlia é uma personagem chata, beira o insuportável, mas a atriz é capaz de trazer à tona sua essência humana e fazer com que o público simpatize e torça por ela, ao menos, o mínimo necessário. Se há outro aspecto que chama a atenção do longa é a maneira como ele retrata o corpo da mulher, com sensibilidade e sensualidade femininas, diferente do voyeurismo masculino, a que o cinema, geralmente dirigido a partir da visão do homem, tanto se fartou de mostrar, com elegância ou não.
domingo, 22 de março de 2015
2569 - INTRIGAS DE ESTADO
1.
INTRIGAS
DE ESTADO (STATE OF PLAY, USA 2009) – Thriller
político-jornalístico envolvendo um congressista republicano (Ben Affleck,
sempre mostrando que não sabe atuar), cuja assessora e amante é morta sob
condições suspeitas. Um jornalista veterano, Cal McAffrey (Russel Crowe,
excelente, como sempre) e uma blogueira novata (Rachel McAdams, linda, linda,
linda) passam a investigar o caso, supervisionados pela “mais que britânica”
editora do jornal onde trabalham (Helen Mirren). Paralelamente, temos a
discussão sobre a crise dos jornais impressos, ameaçados em boa parte por suas
próprias versões on-line. O filme tem um ritmo intenso em suas quase duas horas
e meia, sempre explorando um enredo que retrata as tramoias corporativistas
propiciadas pela guerra, ou na questão sempre explosiva para os americanos da
vida sexual de seus políticos. terça-feira, 17 de março de 2015
2568 - AS LOUCAS AVENTURAS DE JAMES WEST

AS LOUCAS AVENTURAS DE JAMES WEST (WILD, WILD, WEST, USA 1999) – A crítica arrasou este filme. Até seu protagonista, Will Smith, que, equivocadamente, o preferiu em vez de estrelar MATRIX, considera esta a sua pior decisão profissional. No geral, não acho o filme ruim. Os efeitos especiais são bem razoáveis, mas, realmente, o roteiro e as atuações do elenco ficam um pouco a dever. Baseado numa série de TV dos anos 60, WWW compromete seu impacto justamente no que ele tem de melhor – os bons efeitos que misturam, pela primeira vez, ficção científica com faroeste, bem antes de ALIENS & COWBOYS, com Daniel Craig e Harrison Ford. Acontece que os efeitos acabam sendo o que mais chama a atenção, por causa da fotografia caprichada. O personagem de Salma Hayek praticamente some no terço final.
segunda-feira, 16 de março de 2015
2567 - OLDBOY - DIAS DE VINGANÇA
OLDBOY – DIAS DE VINGANÇA (USA, 2013) – De início, não entendi muito bem por que Spike Lee dirigiu este remake do filme coreano homônimo de 2003. Continuo não entendendo, pois, independentemente das críticas – quase todas negativas -, também achei que o original (que não vi) deve ter sido bem superior a esta versão americana. Talvez intencionalmente, Lee tenha carregado no exagero em relação às atuações dos personagens principais. O excelente Josh Brolin está quase irreconhecível num papel que, em termos dramáticos, não combina com seu estilo sóbrio de atuar. Samuel L. Jackson também tem um papel menor, muito abaixo de seu talento. A surpresa fica a cargo de Elizabeth Olsen, bem mais bonita do que o costume. A trama é muito semelhante à do filme original: um homem é sequestrado durante muito tempo (20 anos, na refilmagem) e mantido preso em um quarto, sem conhecer a razão de seu cárcere, nem o autor do sequestro. Enquanto isso, descobre que está sendo acusado de matar a própria esposa. Quando é liberado, parte em busca de vingança. Spike Lee conseguiu criar uma história monótona e mesmo previsível, com enquadramentos pouco inspirados, montagem didática e uma direção de arte atrapalhada na tentativa de combinar elementos americanos e nipônicos. Apesar de todo o sangue, línguas cortadas, crânios partidos e pedaços de pele arrancados, OLDBOY – DIAS DE VINGANÇA é dirigido como um filme de ação genérico, sem vigor nem tentativa de imprimir um traço pessoal. O excesso de violência, sempre mostrado sem anestesia, não possui o charme tarantinesco de KILL BILL, por exemplo. Talvez, se estivesse nas mãos de um diretor mais corrosivo, poderia render um pequeno clássico cult, do tipo que marca o circuito independente de vez em quando – assim como ocorreu com Ken Park, Crash – Estranhos Prazeres e mesmo Faça a Coisa Certa e A Hora do Show, do próprio Lee, na época em que era mais questionado.
domingo, 15 de março de 2015
2566 - AJUSTE DE CONTAS
AJUSTE DE CONTA (GRUDGE MATCH, USA 2013) – Sempre fui um admirador de Sylvester Stallone, não por seus dotes dramáticos, mas pela persistência no ofício de ator, diretor e produtor, e pela capacidade, sempre saudável, de rir de si mesmo. Neste filme, de título autoexplicativo, ele é Razor Sharp, um ex-boxeador que se vê diante de uma revanche com seu tradicional rival, Kid MacDonnen (Robert De Niro, este sim um grande ator que parece aposentado e sem vontade de encarar papeis mais sérios). Além da oportunidade de acertarem as contas, os dois têm de resolver uma parada antiga e de difícil digestão: há trinta anos, Kid transou com a então namorada de Razor (Kim Bassinger, incrivelmente bela) e desta breve relação nasceu um filho (Jon Bernthal, o Shane, de THE WALKING DEAD). Também no elenco, o excelente Alan Arkin, um nome promissor na década de 60 que caíra em relativa obscuridade até voltar com tudo na idade avançada. Um pouco longo demais e também exagerado nas piadas óbvias com a senilidade dos seus protagonistas, ACERTO DE CONTAS tem seu charme ao trazer para o ringue dois atores que viveram famosos boxeadores em filmes célebres da década de 70 e 80, ROCKY, UM LUTADOR e TOURO INDOMÁVEL.
quinta-feira, 12 de março de 2015
2565 - O HOMEM DUPLICADO

O HOMEM DUPLICADO (ENEMY, Canadá e Espanha, 2013) – Adaptação do romance homônimo de José Saramago. Jake Gyllenhaal é Adam Bell, um professor de história solitário que, certo dia, descobre, num filme, que um dos atores é um duplo seu. Depois de alguma pesquisa, Adam localiza o sósia: é Anthony Claire, que tem uma esposa grávida com quem não anda muito bem e que está metido em algumas atividades pouco ortodoxas. Ninguém, nem Helen (a bela Sarah Gadon), a esposa grávida nem Mary (Mélanie Laurent, a dona do cinema em BASTARDOS INGLÓRIOS), a amante eventual de Adam, parece ser capaz de distingui-los. Apesar de ter aparentemente um roteiro aberto e sujeito a várias interpretações, ficou claro para mim que o sósia é fruto da imaginação de Adam, que é realmente casado com Helen, mas que tem um caso com Mary. Toda a sua fantasia é resultado do seu esforço para resgatar seu casamento. Fotografando Toronto sob uma doentia luz amarelada e às vezes se valendo de elementos fantásticos – uma tarântula é um símbolo recorrente), o diretor Denis Villeneuve distorce não só a cidade como também o senso de orientação do espectador, numa experiência cinematográfica intrigante e, de certo modo, saudavelmente incômoda.
quarta-feira, 11 de março de 2015
2564 - O ABRIGO

O ABRIGO (TAKE SHELTER, USA 2011) – Este segundo longa escrito e dirigido por Jeff Nichols (do excelente MUD) é um dos mais excepcionais filmes americanos recentes, no qual se fundem de maneira indistinguíveis o sobrenatural, o psíquico e o econômico, além de apontar que há pelo menos um apocalipse no horizonte: a insegurança. É exatamente neste aspecto que O ABRIGO me chama a atenção – mostra, claramente, que a insegurança é um fator imanente à existência e que, de uma forma ou de outra, fingimos que esta condição não existe e nos assustamos quando alguém a coloca como sua preocupação principal. É o caso de Curtis (Michael Shannon, soberbo) que, achando que uma grande tempestade vai se abater sobre todos, decide ampliar um abrigo subterrâneo contra furacões que já existe em seu quintal, o que suscita o estranhamento de sua esposa e dos seus amigos. Seu comportamento obstinado é mostrado na interpretação de nuances magistrais de Michael Shannon. O ABRIGO não é um suspense psicológico, ou um filme-catástrofe, ou uma parábola sobre a recessão e a destruição que ela vem cavando na vida das pessoas chamadas comuns. Mas é todas essas coisas e nenhuma delas, graças ao desempenho superlativo de Shannon e a um roteiro que considera isso tudo e, ao mesmo tempo, rejeita o comum e a solução fácil.
quinta-feira, 5 de março de 2015
2563 - DIÁRIO DE UM JORNALISTA BÊBADO
DIÁRIO DE UM JORNALISTA BÊBADO (THE RUM DIARY, USA 2011) – Johnny Depp é Paul Kemp, alter ego do jornalista americano Hunter S. Thompson, uma dessas figuras folclóricas do jornalismo, principalmente por causa de uma vida errática e exótica. No filme, Paul vai para San Juan, em Porto Rico, no fim dos anos 50, para trabalhar num jornaleco à beira da falência. Para quem conhece a história do personagem original, o filme dá uma deliciosa visão de uma característica típica de um tempo em que os americanos exportavam o mau comportamento e a especulação predatória para paraísos tropicais como San Juan. O título em português não explica muita coisa e reduz a percepção antecipada da história.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
2562 - A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS

A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS (AROUND THE WORLD IN 80 DAYS, USA, 1956) – Este clássico infelizmente se tornou quase impossível de ser assistido de uma sentada só hoje em dia. Uma das razões – e, talvez, a principal – é a lentidão da narrativa por quase três horas, sendo que várias sequências se arrastam, quase sem diálogos, e sem um significado direto na trama. Phileas Fogg (David Niven, perfeitamente fleumático), um britânico rico e metódico, aposta com seus pares de clube, que vai dar a volta ao mundo em 80 dias. Planeja cada etapa da viagem com seu empregado, Passe-partout (Cantinflas), responsável pela parte humorística da empreitada. Foi o primeiro filme a incluir “cameos” na história. Por exemplo, em rápidas participações, podemos ver Frank Sinatra, Charles Boyer, Cesar Romero, Peter Lorre, Shirley MacLaine, Marlene Dietrich, Buster Keaton, entre outros.
2561 - INFERNO NO OESTE
INFERNO NO FAROESTE (DEAD IN TOMBSTONE, USA 2013) – Aproveitando a fama construída nos filmes de Robert
Rodriguez, Danny Trejo desfila sua feiura pétrea neste filme com o mesmo
personagem de sempre: um matador truculento, que vai até o fim para conseguir
seus objetivos. Eles, neste caso, se resumem à vingança sanguinária em relação
aos ex-companheiros de ladroagem que o mataram depois de saquear uma cidade. Sim,
você leu direito: ele foi morto e volta ao mundo dos vivos pela mão do próprio
diabo, vivido (ou morrido) pelo morto-vivo Mickey Rourke. Tudo bem surreal (ao
estilo de Rodriguez). A fotografia é excelente.
2560 - FORA DE RUMO
FORA DE RUMO (DERAILED, USA, 2005) – Revi o filme para checar se a atuação de Jennifer Aniston tinha sido acima da média dos seus outros filmes, nos quais ela não consegue se desgrudar da Rachel, de FRIENDS. Neste, de fato, ela tem uma boa atuação, mais segura, num personagem difícil, meio dúbio, ao mesmo tempo sedutor e desprotegido. Mas é Clive Owen que faz de cada cena sua uma aula de contenção dramática tão intensa, que acaba nos arrastando com ele até o desfecho cheio de licenças poéticas. Owen já deu mostra de seu imenso talento no thriller policial de Spike Lee, O PLANO PERFEITO, onde passa a maior parte do tempo com uma máscara, atuando só com os olhos. Em FORA DE RUMO (a tradução está perfeita), ele é um marido que tem um caso com uma estranha (Aniston) que conhece num trem (daí o título original).
2559 - HENDRIX
HENDRIX (HENDRIX, USA 2000) – Cinebio de Jimi Hendrix bem didática, enfocando seus primeiros e últimos anos como guitarrista. Nota-se que sua música não ficou bem representada, embora o ator que o interpreta, Wood Harris, tenha feito um bom trabalho na caracterização. O filme tem como fio condutor uma suposta entrevista, na qual ele conta como foi sua trajetória, até aquele momento, já às vésperas de sua morte. Fica-se com a impressão de que Hendrix merecia mais.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
2558 - LOUCA ESCAPADA
LOUCA ESCAPADA (THE SUGARLAND EXPRESS, USA 1974) –
Estreia de Steven Spielberg num filme para cinema (os anteriores, como o
magistral DUEL, forma feitos para a TV). Aqui, alguns temas recorrentes nas
obras posteriores de Spielberg já podem ser vistos: uma família desestruturada,
pais querendo recuperar filhos, pessoas à margem da sociedade mas que possuem
um “coração de ouro”, um humor meio melancólico e, claro, soluções geniais para
sequências que, nas mãos de outros diretores mais inábeis, teriam ficado horríveis.
Baseada em fatos que realmente ocorreram, LC é um road movie por excelência: um
presidiário foge com a esposa, para tentar reaver o filho, criado por um casal,
devido a uma ordem judicial. Na fuga, acabam ganhando a simpatia e a solidariedade
das pessoas por onde passam. Goldie Hawn, com sua espontaneidade juvenil, está
muito bem. Apesar de um pouco longo, o filme ainda conserva uma ingenuidade
cativante, ao mostrar a missão quixotesca dos personagens e uma risível
incompetência da polícia para resolver um caso banal.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
2557 - SEM EVIDÊNCIAS
SEM EVIDÊNCIAS (DEVIL’S KNOT, USA, 2013) – Num enfoque de documentário, o filme conta a história real de três meninos que foram assassinados num rito satânico, em uma cidade do interior dos Estados Unidos. A narrativa passa também pelo julgamento de três adolescentes, suspeitos da autoria dos crimes, e da obstinação de um advogado (Colin Firth, meio deslocado, mas convincente) para prova a inocência deles. Reese Witherspoon mostra, mais uma vez, que é uma excelente atriz, no papel sofrido da mãe de uma das crianças.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
2556 - O PODEROSO CHEFÃO II
O PODEROSO CHEFÃO II (THE GODFATHER II, USA 1974) – Sempre que revejo os dois filmes em sequência, como fiz agora com Giovanni, fico na dúvida de qual é o melhor. O primeiro GODFATHER é perfeito, tem uma narrativa linear, clássica e, claro, Marlon Brando. Nesta sequência, que para muitos supera o filme original, Coppola estende o desespero e o niilismo da saga dos Corleones. Fico na dúvida, confesso (o que não é um problema, pois adoro dúvidas). Esta continuação é toda assombrada pelo espectro do primeiro filme. Por isso, é mais sombrio, profundo e possivelmente mais envolvente na sua elaboração de como a corrupção gerada pelo poder resulta em uma completa decadência moral. As sequências, os planos gerais, a temática do controle absoluto sobre tudo e sobre todos refletem deliberadamente o original, mas, durante o filme, sentimos que a história é mais triste e levada a uma escala muito maior, em função dos flashbacks complexos – e ao mesmo tempo naturais – que entrelaçam os dois Corleones, Vito (Robert De Niro) e Michael (Al Pacino). Vemos Michael se dilacerando aos poucos. Sua irmã o odeia pela morte do marido, seu irmão o trai, sua esposa tem medo e seus filhos são muito pequenos para entender o que se passa naquele universo de desconfiança e isolamento. Michael vai ficando cada vez mais só, à medida em que ganha poder, ao contrário de seu pai, que era sozinho e vai se tornando um homem cercado de pessoas que o amam, o admiram ou o temem. Mais uma vez o fechamento dos ciclos é cuidadosamente construído, como na cena final, em que Michael tem de decidir por um caminho que, mais uma vez, o leva à sua inexorável solidão. Uma aula de cinema – esta é que é a verdadeira realidade. 2555 - A FAMÍLIA
A FAMÍLIA (MALAVITA, França, USA, 2013) – Com este filme, Luc Besson recupera, de certa forma, o talento que parecia meio perdido com filmes como CARGA EXPLOSIVA e BUSCA IMPLACÁVEL. A FAMÍLIA é uma comédia de humor negro, gênero que geralmente polariza as opiniões – uns adoram, e outros detestam (talvez porque não consigam entender o “espírito da coisa”). Também ajuda a atuação, desta vez marcante, de Robert De Niro, e de Michelle Pfeiffer. Não gosto muito de Robert De Niro em comédia, mas acho que, desta vez, ele acertou no tom. Ele é Giovanni Manzoni, mafioso que anos antes dedurou seus parceiros de crime e, desde então, vive no programa de proteção a testemunhas do FBI, rodando de localidade em localidade, com a mulher (Pfeiffer) e os filhos. A chave da graça está no fato de a família Manzoni não perde dos hábitos violentos até na hora de tratar dos assuntos mais comezinhos e, por isso, tem de ser arrancada às pressas de seus esconderijos pelo resignado agente Stansfield (Tommy Lee Jones, completamente subaproveitado). Há bons momentos no filme. Um deles, talvez o melhor, é a presença da belíssima Dianna Agron, que faz a filha de Giovanni. Egressa de GLEE, ela surpreende nas cenas em que mostra toda sua raiva e um sorriso matador, totalmente condizente com o clima de um filme sobre mafiosos.
2554 - O CHAMADO 2
O CHAMADO 2 (THE RING 2, USA, 2005) – Se o
primeiro filme já não foi lá essas coisas, esta sequência só poderia mesmo
ficar muito aquém de qualquer expectativa. Apesar de Naomi Watts voltar ao
papel, o roteiro ficou meio previsível, na linha da vingança de Samara – a garotinha-fantasma
do primeiro filme. O diretor, desta vez, é o mesmo do original japonês, que é
muito legal. Porém, ele perde a mão e acaba fazendo mais um daqueles remakes
americanos com todos os defeitos que já conhecemos.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
2553 - OS SUSPEITOS
OS SUSPEITOS (PRISIONERS, USA, 2013) –
Depois que sua filha de quatro anos desaparece com a amiga, filha do casal em
cuja casa todos estavam, há pouco, comemorando o Thanksgiving, Keller Dover
(Hugh Jackman) vai fazer de tudo para encontrá-la, até passando a agir com violência
contra quem ele considera suspeito. Este é o ponto de partida para o tenso
filme de Denis Villeneuve, cineasta canadense do espetacular INCÊNDIOS, que se
aventura, sempre conscientemente, no delicado terreno da violência contra
crianças e na discussão sobre se é aceitável descartar as regras e avançar nas
trevas. No filme, veem-se penumbras em toda parte: na cinematografia em cinza,
marrom e chumbo do grande Roger Deakins e nas zonas de sombra dos personagens
principais, como por exemplo, no olhar ao mesmo tempo compassivo e discernidor
do detetive tão bem interpretado por Jake Gyllenhaal. Vale cada trincada de
dente do espectador, diante de uma trama interessante e, ao mesmo tempo,
perturbadora.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
2552 - NÁUFRAGO

NÁUFRAGO (CASTWAY, USA 2000) – Sempre que revejo NÁUFRAGO, me vem à cabeça a dúvida se o filme ajuda na resolução da crença de que a solidão é algo a ser evitado a todo custo, mesmo que você esteja isolado numa ilha deserta no meio do Pacífico. Continuo achando que a história apenas reforça a dependência afetiva e a coloca como parte inevitável do processo existencial. Apesar disso, considero NÁUFRAGO um grande momento cinematográfico, principalmente pela atuação corajosa e imersiva de Tom Hanks. Além do mais, talvez seja o único filme no qual o merchandising está colocado de forma perfeita, em total consonância com o roteiro. Afinal, FedEx e a fábrica de material esportivo Wilson não poderiam estar mais de acordo com o que se passa com o protagonista vivido por Hanks, Chuck Noland, alguém que não tinha tempo para nada, mas que passa a ter todo o tempo do mundo, ao se ver perdido no meio do oceano. O mito do náufrago representa um medo primal, perene e agorafóbico, e o diretor Robert Zemeckis mostra isso muito bem, a começar pela até hoje impressionante cena da queda do avião, durante uma tempestade. Na ilha, só se ouvem as ondas batendo à praia, enquanto Chuck começa a desenvolver uma relação de amizade com a bola de vôlei adequadamente batizada de Wilson. Devo dizer que Wilson se mostra um ator nato e só precisou de uma mãozinha para roubar as cenas em que contracena com Hanks. A sequência em que ele arranca o próprio dente infeccionado, com a ajuda da lâmina de um sapato de patinar no gelo, ainda é a que mais me impressiona. É também interessante como o diretor enfoca a feitichização dos objetos que, ao fim, mantêm Chuck vivo no meio do nada. No mais, NÁUFRAGO é também uma história de um reencontro amoroso – Chuck estava prestes a casar com Kelly (Helen Hunt, seca, como sempre) -, e isso é sempre um perigoso retorno às saudades adormecidas. Neste aspecto, o filme nos deixa com a sensação de que o tempo pode ter efeitos diversos nas pessoas que se amavam e que, por algum motivo, nunca mais se viram. Um outro aspecto do roteiro é a capacidade de adaptação exercida num ambiente tão belo quanto hostil – Chuck tem sucesso nesta empreitada, mas, paradoxalmente, não consegue os mesmos resultados na sua volta à civilização. Uma vez salvo, ele se mostra com uma expressão distante de tudo o que o cerca e que traduz a traumática experiência que o separou do mundo em que estava o grande amor de sua vida. Percebe-se que, dali para adiante, uma parte essencial dele ainda viverá solitariamente naquela ilha, onde ele tinha o amor de Kelly, representado na sua foto na tampa do relógio de bolso que ele nunca abandonou.
2551 - E AGORA, MEU AMOR?
E AGORA, MEU AMOR? (FOOLS RUSH IN, USA 1997) – Matthew Perry (o Chandler, de FRIENDS) e Salma Hayek protagonizam esta comédia bem fraquinha, na qual, no entanto sobressai o talento (sempre subutilizado) da mexicana de Coatzacoalcos. Perry, de certa forma, repete a fórmula vencedora de Chandler, com os mesmos trejeitos e chistes que lhe deram fama. O roteiro explora o manjadíssimo choque de culturas, o que, convenhamos, mesmo na época, já deveria ter sido evitado, pois acentua os estereótipos e procura mostrar uma suposta superioridade americana. A fotografia é excelente, e o cenário natural do Grand Canyon é sempre arrebatador.quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
2550 - O CHAMADO
O CHAMADO
(THE RING, USA 2002) – Eu já tinha esquecido a maior parte deste filme. Só
o revi agora, porque é dirigido por Gore Verbinsky, de PIRATAS DO CARIBE e o
sensacional RANGO. Revisto hoje, percebo que ainda mantém um bom ritmo
e mostra Naomi Watts com a competência de sempre. No entanto, percebe-se que o
tempo passou quando nos damos conta de que a história é sobre uma fita de vídeo
( ! ) amaldiçoada que condena a morte, depois de sete dias, que assistir ao seu
conteúdo.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
2549 - AMOR BANDIDO
AMOR BANDIDO (MUD, USA, 2012) – Este é um filme emocionante e imperdível. Melhores amigos, Ellis (Tye Sheridan) e Neckbone (Jacob Lofland), de 14 anos, descobrem num trecho do Rio Mississipi um barco encarapitado em uma árvore de uma ilha deserta, e que há alguém morando ali: Mud (Matthew McConaughey), um sujeito fustigado pela vida dura e tanto mais sedutor por ter algo de sinistro. Ellis, porém, se afeiçoa ao estranho, que é para ele uma versão mais misteriosa e rebelde de um pai (o seu próprio, interpretado pelo ótimo Ray McKinnon). Ellis logo descobre que a polícia procura por Mud, que tem atrás de si uma complicada história de amor. E é aí que o filme encontra sua beleza. Mud pretende reencontrar sua namorada, Juniper (Reese Witherspoon, sem ter espaço para mostrar seu talento) - e é isso que causa mais comoção em Ellis, que está apaixonado por uma menina mais velha. O plano de Mud é retirar o barco da árvore e fugir com Juniper. Aos poucos, o diretor Jeff Nichols revela que este é um filme sobre amor, vários tipos de amor: Mud e Juniper, a amizade entre Ellis e Neckbone, os pais do garoto. Amores que precisam de concessões para se manter vivos. O diretor, que também assina o roteiro, parece acreditar que as pessoas são fruto, entre outras coisas, de seu espaço. E, se, na reta final, aparecem histórias demais em "Amor bandido", a delicadeza do filme compensa o acúmulo. O garoto Tye Sheridan entrega uma atuação verdadeira e comovente e se consagra como revelação. McConaughey soma mais um desempenho lapidar nesta fase anterior ao seu Oscar do ano passado.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
2548 - FOREVER
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