domingo, 20 de agosto de 2017

2913 - JERRY LEWIS

Um gênio
JERRY LEWIS – Ainda me lembro perfeitamente do dia em que vi meu primeiro filme com Jerry Lewis. Era DISORDELY ORDELY (Bagunceiro Arrumadinho, aqui no Brasil, que revi recentemente com Luana). Eu saí do Cinema Eldorado, arrastado por minha tia (eu não queria sair do cinema), achando que o mundo era assim mesmo: engraçado, como Jerry Lewis, e, ao mesmo tempo, trágico. Sim, na fita (ainda chamávamos filme de fita), Jerry se apaixonava por uma garota que não queria nada com ele e sofria, coitado, como se não houvesse mais futuro para ele. Felizmente, houve, sim. Misturando sua vida real com a dos filmes que estrelou, escreveu e dirigiu, Lewis passou nove décadas neste planeta, sempre produtivo, sempre genial. Ensinou cinema a Spielberg e George Lucas, que foram seus alunos na Univesidade da Califórnia, e era um “clothes horse”, expressão em inglês para um hábito peculiar: nunca usava ternos e meias mais de uma vez. Tinha muito de Holden Caulfield, personagem de O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO, era o melhor amigo de Sammy Davis Jr, um dos caras mais legais do showbiz americano, e do presidente Kennedy. Fã de Al Johnson, uma vez, disse: “Não há diferença entre comédia e tragédia”, a mesma percepção que eu tive quando o vi em tela grande, pela primeira vez. Não há mesmo. 

2912 - THE MAKING OF ABBOTT AND COSTELLO MEET FRANKENSTEIN

Monstros sagrados do cinema
  THE MAKING OF ABBOTT AND COSTELLO MEET FRANKENSTEIN – Documentário sobre os bastidores do filme ABBOTT AND COSTELLO MEET FRANKENSTEIN, de 1948, com algumas entrevistas interessantes, como a da filha de Costello, falando sobre a carreira do pai nos teatros de vaudeville, na década de 20. O roteiro também aborda a reunião dos monstros icônicos da Universal (os estúdios, não a igreja): a criatura de Frankestein (aqui, vivida por um ator com nome estranho, Glen Strange), Drácula, com Bela Lugosi de novo no papel que o consagrou e Lon Chaney Jr, o único ator que personificou (seria este o termo correto?) o Lobisomem no ciclo de horror da época. Ficamos sabendo que Boris Karloff não quis voltar ao personagem do monstro de Frankenstein, mas que, por força de contrato, fez publicidade do filme. O documentário é bem feito e vale a pena ser visto.

sábado, 19 de agosto de 2017

2911 - AUSTIN POWERS - GOLDMEMBER

    
Quem resiste a este olhar?
 AUSTIN POWERS: GOLDMEMBER (AUSTIN POWERS IN GOLDMEMBER, USA 2002) – Levando a autoparódia ao paroxismo (a sequência inicial vale o ingresso), Mike Myers entra com tudo, ao levar seu personagem-fetiche, Austin Powers, a situações mais absurdas. Embora com algumas cenas escatológicas dispensáveis, mas com uma direção de arte e trilha sonora deliciosamente retrôs, além das citações cinematográficas e o humor ao mesmo tempo chulo e metalinguístico, o personagem entrou, de vez, no imaginário pop da atualidade. Neste terceiro filme, Mike Myers parece ter desistido completamente de criar uma trama definida, optando por concentrar-se na elaboração de um grande número de gags, na esperança de que o espectador ignorasse a bagunça na qual o roteiro se transforma, ao servir como mera desculpa para que os personagens saltem de uma piada para outra (no processo, algumas gargalhadas são garantidas, é claro, mas a falta de lógica das situações acaba impedindo que o público se importe realmente com os personagens, ao contrário do que acontecia nos capítulos anteriores). Só para constar: Marcelo e eu conhecemos Austin Powers, em pessoa, nos corredores da Cultura Inglesa.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

2910 - O CONTADOR

  
Ben Affleck e sua impressionante capacidade de expressar o vazio existencial do personagem
  
O CONTADOR (THE ACCOUNTANT, USA 2016) – Ben Affleck no papel de um autista? Nada mais adequado para um ator com tão poucas expressões faciais e um talento dramático, digamos, difícil de ser apreciado. OK, má vontade com o irmão de Casey Affleck (este, sim, um grande ator) à parte, ele até que se sai bem neste thriller de suspense policial, em que faz o tal contador do título, num estilo meio Jason Bourne, é bem verdade. As mesmas premissas de uma história de paranoia e perseguição estão lá, mas, é sempre bom lembrar, Ben Affleck não é Matt Damon. Por isso, parece que estamos diante de um filme estrelado por um Lionel Messi – um daqueles gênios com Síndrome de Asperger que se especializam numa tarefa e a executam à perfeição, não por escolha mas porque assim determina esse tipo específico de autismo – num ambiente de intrigas, espionagem e uma boa dose de violência. Assim é O CONTADOR, personificado por Affleck com o nome de Christian Wolff, cuja educação rígida recebida do pai militar o capacitou a se defender do mundo (de todas as formas possíveis) e a ser um gênio das ciências contábeis a serviço de maracutaias internacionais, o que logo chama a atenção do FBI. No elenco, o excelente J.K. Simmons e a fraca Anna Kendrick (de AMOR SEM ESCALAS). Jon Bernthal, ressuscitado de THE WALKING DEAD, aparece bem num personagem meio óbvio para quem presta atenção a um roteiro que tem todo jeito de ser o início de uma franquia. Pode ser que dê certo. Mas, lembre: Affleck não é Damon.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

2909 - HORIZONTE PROFUNDO

    HORIZONTE PROFUNDO (DEEPWATER HORIZON, USA, 2016) – De acordo com a cartilha dos filmes que relatam tragédias da vida real, DH vai construindo o cenário de tensão na sua primeira parte, nos trazendo a história por trás do maior desastre ambiental dos EUA, causado pela explosão de uma plataforma de petróleo no Golfo do México, em 2010, que deixou 11 mortos, 16 feridos e espalhou petróleo por 1,5 mil quilômetros na costa americana. O roteiro mostra a relação de trabalho entre Mike Williams (Mark Wahlberg) e seu chefe, Jimmy Harrel (Kurt Russell, no melhor desempenho do filme). Há a alegoria do capitalismo selvagem que ameaça a natureza sublinhando uma moral meio preto no branco no meio de sequências cansativas de explosões. No entanto, isso não invalida a iniciativa de registro histórico deste episódio. No elenco, John Malkovich, meio blasé, como sói acontecer quando interpreta personagens mais chegados à vilania.   

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

2908 - CONTÁGIO

Matt Damon, ótimo, como sempre
     CONTÁGIO (CONTAGION, USA, 2011) – A paranoia da ameaça biológica é muito bem apresentada por Steven Soderbergh num thriller mais psicológico do que de ação. A plausibilidade de uma epidemia mortal, em âmbito global, é uma das maiores preocupações da atualidade, e Soderbergh aborda esta temática através de um eficiente estudo comportamental dos dois extremos do processo: nós, os cidadãos, sempre desprotegidos, e o governo, juntamente com as indústrias farmacêuticas, cujas tentativas de acobertamento da verdadeira dimensão do problema são muito mais reais do que se desejaria. O elenco, composto de atores importantes, como Matt Damon, Jude Law, Marion Cotillard, Laurence Fishburne e Elliot Gold, é um atrativo a mais. No entanto, não espere um notável desenvolvimento de seus personagens que, aqui, apenas dão um suporte luxuoso à dramaticidade de uma história que pode muito bem acontecer no mundo real, a qualquer momento. De fato, nada se espalha com mais rapidez do que o medo. 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

2907 - NA LINHA DE FOGO

      
  NA LINHA DE FOGO (IN THE LINE OF FIRE, USA 1993) – Este filme tem um apelo especial para mim, por dois motivos: é um filme de Clint Eastwood, também estrelado por ele, e tem a ver com o assassinato de Kennedy. Clint tem um papel baseado em Clint Hill, o agente do Serviço Secreto que sobe na limusine presidencial logo após o terceiro e fatal disparo. Agora, 30 anos depois, Frank Horrigan (Eastwood) ainda não se perdoa por ter falhado na segurança de JFK. Agente veterano, é escalado para acompanhar o presidente atual, enquanto é provocado por um psicopata (John Malkovich, perfeito como facínora). Um erro na composição do elenco: Rene Russo, contraponto romântico de Clint, está meio deslocada num personagem que exigiria uma pessoa que combinasse suavidade e mistério. Mistura de O CHACAL com O GUARDA-COSTAS, o filme de Wolfgang Petersen aborda uma temática recorrente nos futuros trabalhos de Clint: as limitações realistas da velhice e os conflitos que isso gera com as novas situações que se apresentam. É um prazer ver Clint tocando piano nas sequências em que está sozinho num dos bares de Washington. Da mesma forma, a cena em que ele se emociona ao lembrar de JFK é inesquecivelmente emocionante.


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

2906 - A MÚMIA

Cruise, deslocado, e Crowe, mal aproveitado
A MÚMIA (THE MUMMY, USA, 2017) – A MÚMIA é o primeiro filme dos Estúdios Universal formatado numa linha meio retrô, chamada “DARK UNIVERSE”. Começa mal com esta produção canhestra, sob o suposto carimbo de qualidade que as presenças de Tom Cruise e Russel Crowe poderiam oferece a quem procura um “remake” à altura dos clássicos da Universal da década de 30, com Boris Karloff, Bela Lugosi e Lon Chaney Jr, atores que, respectivamente, deram vida – ou, vá lá, meia vida – ao monstro de Frankenstein, Drácula e o Lobisomem. O filme em questão está muito abaixo do medíocre: o roteiro é paupérrimo, os astros acima citados não brilham e o abuso do CGI não é menos que irritante. Cruise está mal escalado – é axiomático que este não era um papel para ele, que ainda retém os cacoetes do Ethan Hunt de MISSÃO IMPOSSÍVEL (este, sim, o veículo perfeito para sua atual fase de carreira). Crowe não conseguiria mesmo ir muito além com seu simulacro de Dr. Jeckyll. Pena. Um grande ator (maior que Cruise, em termos dramáticos), perdido numa produção que frustra o espectador que ainda acredita na magia renovadora do cinema. A MÚMIA não traz nada disso.   

domingo, 13 de agosto de 2017

2905 - BATMAN, O RETORNO

Michelle Pfeiffer
BATMAN, O RETORNO (BATMAN RETURNS, USA 1992) – Tim Burton acerta com esta sequência de BATMAN (1989), criando uma atmosfera onírica que envolve o espectador desde a primeira cena. Assim como o Coringa do primeiro filme, aqui o destaque é o Pinguim, personagem de Danny DeVito: sombrio, cruel, quase um Chaplin do submundo dos vilões, DeVito tem uma atuação impressionante que angustia e confrange, sublinhando o pathos gótico que perpassa a história, desta vez mais violenta do que nunca. Outro personagem impactante, claro, é a Mulher-Gato de Michele Pfeiffer, mais bonita impossível dentro de sua roupa de látex rasgado, ronronando ressentimento e vingança da forma mais felinamente possível. Insuperável, em todos os sentidos. A música de Danny Elfman – casamento artístico perfeito com Burton – contribui para a atmosfera surreal em que a escuridão e a loucura se encontram em todos os níveis, seja no gelado mundo dos pinguins, na sinuosa manha felina das mulheres ou mesmo na solidão traumática dos morcegos. 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

2904 - VELOZES E FURIOSOS 5

   
Fast 5 no Brasil. Só que não.
  
VELOZES E FURIOSOS 5 (FAST 5, USA 2011) – Achei o primeiro F&F abaixo da crítica, por causa do roteiro fraco e atuações canastronas, sob o pano de fundo do “car porn”, o que, convenhamos é o fim da linha do bom gosto. Por isso, larguei a franquia. Não tinha o menor interesse em filmes que mostravam mocinhos anabolizados e furiosos em seus carrões que, na ótica psicanalista, tem tudo a ver com uma certa compensação fálica, sempre baseada num questionável padrão de virilidade. Em 2010, o Brasil estava em alta, com a perspectiva das Olimpíadas e da Copa do Mundo. Mas pouco se vê do Rio de Janeiro, além de tomadas aéreas que foram inseridas para costurar as cenas filmadas em Porto Rico. A pós-produção se encarregou de mostrar um filme cuja ação se passa no Rio de Janeiro sem quase nenhuma cena filmada em solo brasileiro, apesar da estética da favela estar presente nos planos abertos e uma cena na qual Paul Walker bebe, despreocupadamente, uma Brahma. Para nós, ver o simulacro do cenário e da cultura do nosso país, através da visão do estrangeiro oscila entre o constrangimento e o riso inadvertido. O que vale aqui é constatar que FAST 5 marcou uma guinada na franquia, levando-a ao gênero de ação mais tradicional, com ações cada vez mais exageradas e sem qualquer apego às leis da física. Ou seja, fica-se entre um razoável filme de ação e uma produção “trash”, especialmente quando provoca uma comicidade mais involuntária do que roteirizada, ao apresentar diálogos lamentáveis que o elenco sem talento dramático entrega com generalizada canastrice. Mas, ao que parece, a série foi feita para quem não exige quase nada dos neurônios. Isso, creio, explica o sucesso de um produto tão pedestre, fato comum em tempos pós-modernos.

domingo, 6 de agosto de 2017

2903 - JOHN WICK 2

   
Keanu Reeves mandando bala
 
JOHN WICK 2 – Seja esterçando o volante de um Mustang 1969, seja transformando qualquer luta com o bandido em uma obra de arte, Keanu Reeves está perfeitamente à vontade na pele – e no terno escuro, sua marca – de John Wick, um matador semi aposentado que acaba voltando à ativa para resolver assuntos pendentes. Reeves consegue verter suas limitações dramáticas em trunfo, compensando-as com “timing” de humor, carisma e uma presença de cena rara n história do cinema. Tirando o máximo de sua fisicalidade, Keanu entra em modo de vingança letal ao ser provocado por uma gangue de criminosos e encontra seu habitat natural na realização do “gun fu” – enfrentamento de com armas que emulam a coreografia das artes marciais. O filme é um convite ao puro entretenimento, sem preocupações com a realidade e, por isso mesmo, é ótimo, como seu protagonista, com sua elegância impossível e um ar blasé que tem tudo a ver com a magia do cinema. 

sábado, 5 de agosto de 2017

2902 - ARACNOFOBIA

    
Jeff Daniels tentando vencer o medo
 
ARACNOFOBIA (ARACNOPHOBIA, USA, 1990) – O filme de estreia de Frank Marshall se tornou um dos clássicos dos anos 90, misturando suspense e humor nas doses certas. Uma aranha extremamente letal pega carona num caixão que sai da Venezuela para os Estados Unidos e chega a uma cidadezinha, onde, após se reproduzir com uma espécie caseira, se transforma numa ameaça a toda população. Os cortes de câmera, a edição ágil, o claro-escuro usado magistralmente, excelentes efeitos mecânicos, tudo isso transforma o filme numa inesquecível experiência cinematográfica. No elenco, Jeff Daniels faz muito bem o médico que chega à cidade aterrorizada pelas aranhas, sem saber que o ninho delas estava no porão da sua casa; Henry Jones, que fez o primo do Dr. Smith em um episódio de PERDIDOS NO ESPAÇO, e o maravilhoso John Goodman, que dá o tempero engraçado à história, como Delbert McClintock, o exterminador de insetos que é chamado para resolver o problema. Há uma cena hilária com ele e com Julian Sands – que faz o maior especialista em aranhas do mundo -, na qual McClintock o chama de “colega”. ARACNOFOBIA é puro entretenimento de horror, produzido por Steven Spielberg, levando o medo de aranhas a um outro patamar. Atenção para a forma com que as cenas foram feitas: cinema realizado no braço.   

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

2901 - UM GRANDE GAROTO

 
Hugh Grant, sensacional
      UM GRANDE GAROTO (ABOUT A BOY, UK, 2002) – O filme é uma deliciosa reflexão sobre a solidão e a maturidade, tudo isso amalgamado no personagem de Hugh Grant, Will Freeman (sim, o sobrenome já diz muito do seu universo): solteiro, rico, preocupado apenas em ter relações rápidas e sem profundidade com mulheres e, como era de se esperar, com uma mentalidade de um garoto de 12 anos. Por isso, não é de ser admirar que ele se torne o melhor amigo de um outro garoto que realmente tem 12 anos e que vive com a mãe depressiva (Tony Collette, em grande atuação). É uma comédia para quem vê a realidade com pouca profundidade. Por outro lado, é um filme de várias camadas importantes sobre os conflitos internos por que todos passamos, em vários momentos da vida. A citação do poeta inglês John Donne – “Nenhum homem é uma ilha” – abre o filme e provoca de imediato a reflexão das relações humanas, especialmente na liquidez destes tempos pós-modernos. O que funciona muito bem no filme é a narração em “voice-over” de Grant, em perfeita consonância com a aparente futilidade com a vida de Will, indo além do que superficialmente se poderia entender da sua conduta. Will é um homem que se recusa a crescer e assumir seu papel de responsabilidade na vida adulta, com uma noção meio difusa das profundezas emocionais que se escondem atrás de uma superfície de apatia e indiferença.  É exatamente aí que se percebe que Hugh Grant é um ator que poderia ter tido voos mais altos dramaticamente, em função do imenso talento que ele, curiosamente, parece nunca ter tido a vontade de expandir. Mais maduro, menos caricaturalmente britânico e com um “timing” de comédia irrepreensível, ele consegue fazer do fútil e descartável Will um personagem não só plausível como até “gostável”. Grant trabalha nos extremos da escala, sem ser herói ou vilão, perdedor ou vencedor, esperto ou ingênuo. UM GRANDE GAROTO é um grande filme, dirigido com extrema sensibilidade e estrelado por atores extraordinários, entre os quais Hugh Grant se destaca justamente por quase passar despercebido.  

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

2900 - THE BEATLES: EIGHT DAYS A WEEK – THE TOURING YEARS

 
Beatles: sensacional sempre!!!!
     
THE BEATLES: EIGHT DAYS A WEEK – THE TOURING YEARS (USA, 2016) – A história de John, Paul, George e Ring foi contada tantas vezes que é duro imaginar um filme sobre os Beatles com novidades. Mas este documentário de Ron Howard realiza essa proeza ao narrar a biografia dos quatro de Liverpool por meio de suas turnês. O filme vai dos inferninhos de Hamburgo, na Alemanha, no início da banda, à melancólica despedida dos palcos em São Francisco, em 1966, quando eles deram um basta nos shows depois de serem tirados do estádio em um caminhão usado para transportar carne. O documentário capta a ascensão dos Beatles, e como a megaexposição os empurrou para os estúdios de gravação, onde fariam seus melhores trabalhos. 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

2899 - POR UM TRIZ

  
Eva Mendes e Denzel Washington
   
POR UM TRIZ (OUT OF TIME, USA 2003) – Denzel Washington é obrigatório. Aqui é um chefe de polícia numa cidadezinha calorenta da Flórida que usa o dinheiro do tráfico para o tratamento de saúde da amante e, depois, se vê envolvido numa situação em que todas as suspeitas caem sobre ele. “Noir” com todas as cores calientes de um cenário praiano, numa trama cheia de “twists” e com uma falha imperdoável na escalação do elenco: a esposa do personagem de Denzel, por quem ele troca pela amante, é a deslumbrante Eva Mendes. Ela está tão mesmerizante, que custa a crer que ela tenha sido deixada. Mas o roteirista dá um jeito. Denzel, como sempre, arrasa. Mais uma vez, John Billingsley, o Dr. Phlox, e STAR TREK: ENTERPRISE, mais uma vez, faz um personagem ligado à área médica e dá o tom cômico à história. 

segunda-feira, 31 de julho de 2017

2898 - NOITES DE TORMENTA

 
Gere, descobrindo o amor com Diane
   
NOITES DE TORMENTA (NIGHTS IN RODANTHE, USA 2008) – Claro que é um filme romântico, e com Richard Gere e a “Regina Duarte” dos americanos, Diane Lane. Claro que o roteiro é previsível, com idas e vindas, além de um desfecho que é um pote até aqui de lágrimas. Sim, a gente sabe de tudo isso, mas, mesmo com estas contingências jogando contra, a magia do cinema acontece e NOITES DE TORMENTA acaba sendo um daqueles filmes de cabeceira, ao qual recorremos sempre que queremos – ou temos – que nos emocionar. O filme, sim, emociona. Gere faz o que tem de melhor: um sujeito desprotegido, perdido em dores ancestrais, que encontra a mulher sonhadora (Lane), sofrida, que o entende na sua dimensão maior de sofrimento. O cenário mais marcante é o belo hotel à beira-mar na Carolina do Norte, todo em tons azuis. Tudo isso, mais Gere e Lane apaixonados, acaba nos oferecendo um belo filme, mesmo com a previsibilidade da história, o que nem sempre é frustrante. James Franco e Viola Davis no elenco.

domingo, 30 de julho de 2017

2897 - STAR TREK - SEM FRONTEIRAS

   
  STAR TREK – SEM FRONTEIRAS (STAR TREK: BEYOND, USA 2016) – Dá para ver de novo, sim. Aliás, dá para ver várias vezes. Esta edição, dirigida por Justin Lin (de VELOZES E FURIOSOS), tem tudo para agradar qualquer plateia, desde os estonteantes CGIs ao elenco cada vez mais integrado, como o da série original. Agora, para deixar tudo mais comovente, as homenagens a Leonard Nimoy e a Anton Yelchin nos fazem ficar ainda mais próximos deste universo. É claro que, em séries canônicas como esta, há sempre a impressão de que tudo poderia ser diferente, especialmente para os fãs mais “die hard”. Mas nada é perfeito (Nimoy e Yelchin se foram...), mas sagas como STAR TREK e STAR WARS nos fazem refletir sobre uma coisa importante: na vida, temos que escolher entre o que importa e o que não importa, temos que saber escolher nossas batalhas, sem desperdiçar energia com o que não vale a pena. Kirk, Spock, Luke e Han já sabiam disso há tempos...

sábado, 29 de julho de 2017

2896 - JASON BOURNE

 
Damon e Alicia Vikander
    
JASON BOURNE (JASON BOURNE, USA 2016) – Paul Greengrass e Matt Damon, na série que narra a vida (ou as vidas) de Jason Bourne, formam uma dupla realmente imbatível. Esta última edição é realmente impactante, com todos os elementos que caracterizaram os três primeiros filmes, mas com uma abordagem original e, claro, de tirar o fôlego. O roteiro trata de um assunto muito caro aos tempos pós-modernos: a vigilância total de todas as pessoas, permanentemente. Bourne está de volta, com toda sua letalidade misturada num ator único: Damon consegue amalgamar na sua atuação uma perfeita – e difícil – combinação de raiva contida, sentido de justiça, um asceticismo imperturbável e uma inesperada doçura em personagens com este viés. É um ator que valoriza qualquer história com uma carga de verdade raramente vista no cinema ou fora dele. Vincent Cassel faz esplendidamente o vilão da vez, e a presença de Alicia Vikander suaviza, com talento, o ritmo eletrizante imposto por Greengrass.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

2895 - STAR TREK: ALÉM DA ESCURIDÃO

   
   STAR TREK: ALÉM DA ESCURIDÃO (STAR TREK: INTO THE DARKNESS, USA 2013) – Esta segunda edição de Star Trek dirigida por J.J. Abrams é mesmo sensacional. Tanto que rever o filme representa uma experiência sempre renovadora e gratificante. O elenco está afinadíssimo, e o roteiro acerta ao fazer uma inesperada prequela da história de Khan, que no segundo filme com o elenco original foi vivido por Ricardo Montalban. E o papel foi entregue a um ator excepcional: Benedict Cumberbatch. Seu contraponto com Kirk (Chris Pine, também estupendo) faz toda a diferença neste filme em que os efeitos especiais nem precisariam ser perfeitos. Mas são. 

quinta-feira, 27 de julho de 2017

2894 - EU, STEVE MCQUEEN

McQueen, magnífico
EU, STEVE MCQUEEN (I AM STEVE MCQUEEN, USA 2014) – Soberbo documentário sobre um dos atores mais autênticos que o cinema já apresentou ao mundo. Narrado por Robert Downey Jr. a produção lista seus filmes de sucesso, sua relação visceral com carros e motocicletas, sua forma direta e independente de se posicionar diante da vida. De fato, em Hollywood, alguns atores representam seus papéis, outros os vivem. Este é o caso de McQueen. Foram vários os fatores que o levaram a ser um ícone do cinema, mas, talvez, o principal seja a sua forma absolutamente verdadeira de ser, sem se deslumbrar com o glamour de Hollywood ou com a fama mundial que adquiriu graças ao seu talento e magnetismo na tela.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

2893 - MANHATTAN NOCTURNE

     MANHATTAN NOCTURNE/NIGHT (USA, 2016) – Filme noir com Adrien Brody e Yvonne Strahovski (a Hanna McKay, da sétima temporada de DEXTER), com um roteiro meio previsível. Pai e marido exemplar, Porter Wren (Brody) é também um prestigiado jornalista de investigação de um dos mais lidos jornais norte-americanos. Um dia, durante uma festa, é abordado por Caroline Crowley, uma atraente loira que lhe pede ajuda no caso do assassinato de Simon, o seu marido. Encontrado morto numa rua abandonada, Simon era um realizador dotado que gostava de filmar pessoas sem a sua autorização. Wren acompanha Caroline a casa, onde ela lhe mostra uma série de relatórios policiais que provam que o caso nunca foi seriamente examinado pelas autoridades. Interessado no material, ele pensa ter encontrado matéria para uma história relevante. As coisas tomam novas proporções quando se deixa seduzir e se vê envolvido numa relação erótica que resulta em extorsão e chantagem, colocando em causa não apenas a sua vida, mas a de todos os que lhe são próximos.

terça-feira, 25 de julho de 2017

2892 - THE BEATLES - YOU CAN'T DO THAT!

      THE BEATLES | YOU CAN'T DO THAT! | MAKING OF A HARD DAY'S NIGHT (USA, 1995) – Excelente documentário sobre os bastidores de A HARD’S DAY NIGHT, com entrevistas com Richard Lester, o diretor, os produtores e os atores que, juntamente com os Beatles, fizeram um filme que marcou a década de 60 e o cenário pop-musical. Uma curiosidade: é o próprio Phil Collins que revela que foi um extra no filme em que os Beatles são mostrados como reféns do próprio sucesso, passando a maior parte do tempo correndo das fãs e se escondendo nos lugares mais improváveis.  A HARD’S DAY NIGHT captura fielmente o que foi a beatlemania, através de seus momentos surreais e a mais absoluta naturalidade com a qual John, Paul, Ringo e George se comportam diante das câmeras. De fato, o filme de Lester serviu, entre tantas coisas, para definir a imagem dos Beatles para um mundo que nem sonhava com a internet e a globalização.  

segunda-feira, 24 de julho de 2017

2891 - OS CAPITÃES

   
 Kirk e Picard, os maiores
  
OS CAPITÃES (THE CAPTAINS, USA 2011) – Escrito e dirigido por William Shatner, este documentário é uma homenagem aos capitães da Enterprise, em todas as versões de STAR TREK: além de Shatner, é óbvio, como Kirk, temos Patrick Stewart (Jean-Luc Picard, da NOVA GERAÇÃO), Avery Brooks (Capitão Benjamin Sisko, de DEEP SPACE NINE), Kate Mulgrew (Capitã Kathryn Janeway, de VOYAGER), Scott Bakula (Captain Jonathan Archer, de ENTERPRISE) e Chris Pine (Capitão Kirk, STAR TREK, a partir de 2009). Com conversas com estes atores, Shatner explora as pressões e as responsabilidades de sentar na ponte de comando, usando o uniforme da frota estelar. A meu ver, a entrevista que rendeu mais foi com Patrick Stewart, um ator shakespeariano que entendeu que STAR TREK o colocou num patamar muito maior na cultura popular do que qualquer versão de Hamlet ou Macbeth. Sua conversa com Shatner, em sua casa, na Inglaterra, é permeada de emoção e admiração por aquele que sempre será o mais famoso capitão da Enterprise. Imperdível!!!!! 

domingo, 23 de julho de 2017

2890 - MULHER MARAVILHA

Mulher Maravilha: faltou roteiro
MULHER MARAVILHA (WONDER WOMAN, USA 2017) – Confesso que me custa entender tanta crítica positiva sobre o filme que, cá para nós, não é essa maravilha toda que falam. Há falhas graves no roteiro, mas o que mais incomoda é a tentativa de catequisar o público com uma mensagem pacifista, enquanto celebra, hipocritamente, a violência heroica da protagonista. Quantas pessoas a Mulher Maravilha mata para livrar o mundo do extermínio causado pela guerra? Para piorar, os CGIs são pobres, dando quase sempre a impressão de que estamos no meio de algum cenário do Playstation ou de GOD OF WAR. Os bandidos são tão estereotipados quanto os mocinhos, e o vilão principal, parecendo egresso de uma capa de disco de alguma banda de heavy metal dos anos 80, é resultado de um CGI tão ruim que chega a doer. Infelizmente, o cinema “mainstream” de Hollywood parece ter se tornado cada vez mais impreciso, principalmente quando quer explorar à exaustão um filão tão lucrativo quanto este dos super-heróis.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

2889 - TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO

  
O grande Charles Laughton e Elsa Lanchester
   TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO (WITNESS FOR PROSECUTION, USA 1957) – Este filme de Billy Wilder bem que poderia ser de Hitchcock, em função do ritmo, do humor e das reviravoltas do roteiro. É memorável a atuação de Charles Laughton como um advogado renomado que resolve defender um homem (Tyronne Power) da acusação de ter matado uma velha viúva endinheirada. É um filme clássico, obrigatório para quem aprecia o cinema tradicional, no qual as atuações dos atores valiam muito mais do que qualquer efeito especial. Laughton rouba todas as cenas, especialmente quando tem a companhia de sua enfermeira (Elsa Lanchester, divertidíssima e esposa de Laughton na vida real e que, em priscas eras, foi a própria noiva de Frankenstein, na sensacional sequência dirigida por James Whale). Uma outra egressa dos filmes de monstros da Universal, e que também está no elenco, é a engraçada Una O’Connor. E Marlene Dietrich. 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

2888 - IMPÉRIO SUBMARINO

Parece Flash Gordon, só que não...
IMPÉRIO SUBMARINO (UNDERSEA KINGDOM, USA 1936) – O curioso sobre este seriado é que a REPUBLIC PICTURES, ao saber que a UNIVERSAL estava produzindo FLASH GORDON, logo se apressou para lançar uma aventura com elementos similares, que se passava num mundo sob o oceano. Claro que há um vilão oriental (a II Grande Guerra também influenciou a estética de Hollywood) e um herói, convenientemente chamado “Crash” (alguma semelhança com “Flash”???) Corrigan, que chega a este mundo submarino com um cientista, o filho deste e uma jornalista, por quem, claro, irá fazer par romântico. Muita luta com espadas, perseguições com bigas ( ! ) e evidente preocupação de demarcar os mocinhos dos bandidos, a partir do código cromático das roupas: os primeiros de branco e os últimos de preto. No elenco, Lon Channey Jr., o Lobisomem da galeria da Universal. Quer saber? Uma das produções mais legais do cinema. Veja:

quarta-feira, 19 de julho de 2017

2887 - JUSTIÇA CEGA

Gere e Garcia: ódio real
JUSTIÇA CEGA (INTERNAL AFFAIRS, USA, 1990) -  Este é um dos filmes que marcaram os anos 90 – Richard Gere, no auge, depois de PRETTY WOMAN, aparece como um policial corrupto, violento, que se vê investigado por um oficial da corregedoria (Andy Garcia, exalando tensão dramática). Os dois, segundo consta, não se suportavam durante as filmagens – isso fica evidente nas cenas de briga entre eles. A bela Nancy Travis, de TRÊS SOLTEIRÕES E UM BEBÊ, faz a esposa de Garcia, assediada por Gere. O antagonismo dos dois é explorado ao máximo neste thriller policial superlativo que evidencia o mundo decadente da polícia e o embate entre a ética e a corrupção.

2886 - CINDERELO SEM SAPATO

O grande Jerry Lewis e Ana Maria Alberghetti
     CINDERELO SEM SAPATO (CINDERFELLA, USA 1960) – Aqui, Jerry Lewis usa e abusa de suas caras e bocas na sua versão masculina de Cinderela. O roteiro é fraco, e Lewis repete o “modus operandi” de seus personagens: o rapaz, ingênuo, de bom coração, sempre prestativo, tímido e sem coragem de se declarar para a mocinha (neste caso, a bela Ana Maria Alberghetti que, depois, se casaria com Claudio Guzman, diretor e produtor de JEANNIE). O filme tem dois grandes momentos: o número na cozinha, em que Lewis emula a banda de Count Basie (que está no filme), e a cena da escadaria, cujos 63 degraus ele subiu em sete segundos, o que o fez sofrer um ataque cardíaco, em função do esforço. Vale, claro, para ver Jerry Lewis em ação, mesmo que numa produção ruim e muito aquém do seu talento. THE BELLBOY, realizado no mesmo ano, e com um orçamento muito menor, é sem dúvida superior. 

2985 - FRANKENSTEIN (2015)

  
 FRANKENSTEIN (USA, 2015) – Transposição para a época contemporânea da história de Mary Shelley. Criado por um casal de cientistas, a criatura foge e tem que enfrentar a violência do mundo moderno e o estranhamento em relação a sua existência. Ou seja, os monstros são os outros. O diretor Bernard Rose carrega a mão nas cenas sangrentas e erra na edição lenta demais de algumas sequências. O desfecho, abrupto e frustrante, poderia ter sido mais explorado no sentido de extender as questões existenciais que a história, por si só, instiga. Vale como curiosidade e para constatar que, em termos de gênero de horror, o seminal FRANKENSTEIN, de 1931, com Boris Karloff, ainda é insuperável.